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Dartagnan Zanela

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

Sexta, 20 Setembro 2013 15:23

DESAPEGAR DAS PALAVRAS VAZIAS

Uma pergunta pode vir a ser a chave que abre uma porta para continentes inteiros de conhecimentos que até então nos eram desconhecidos. Entretanto, em muitas ocasiões, uma pergunta pode ser uma armadilha maliciosa que poderá nos arrastar para labirintos infindáveis de ignorância e confusão.

Quinta, 12 Setembro 2013 15:02

AS PATIRAS E SUAS CIFRAS

Toda sociedade tem lá o seu panteão de heróis, cuja memória de seus feitos é celebrada. Inclusive aquelas almas apatetadas que enxovalham a memória das almas exemplares. Estes também têm os seus (que são a sua carinha), ou procuram chamar para si esse tipo de veneração que, diga-se de passagem, lhes é totalmente indevida.

Segunda, 09 Setembro 2013 14:35

VERDE, AMARELO E ALGO MAIS

Em uma de suas Farpas Eça de Queiroz (com Ortigão Ramalho) declara do auto dos umbrais do século XIX, que a soma de milhões de egoísmos não faz uma nação, nem mesmo uma comunidade e muito menos uma família.

Terça, 19 Outubro 2010 09:30

Somente Palavras e Nada Mais

Muitos educadores, cansados ou não, tem apenas em seu horizonte de inquietações o seu ordenado mensal. Muitíssimos alunos vislumbram unicamente a possibilidade de dar um migué em todas as matérias e obter uma aprovação, com ou sem a outorga do conselho de classe.

Segunda, 11 Outubro 2010 10:50

Outra Alocução Inaudita

Certa feita, em uma agradável conversa que mantive com um grande amigo, este falou-me que o papel fundamental daqueles que estão investidos da função de instruir não seria ensinar algo novo e singular, mas sim e tão só lembrá-los o óbvio.

Terça, 05 Outubro 2010 09:46

Uma Alocução Inaudita

No correr dos séculos algo que se faz patente na história da humanidade é a presença do mal e a luta do ser humano contra as suas sombras.

Terça, 28 Setembro 2010 09:21

Entre Renúncias e Disposições

“Todos os dias devíamos ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas”.
(Johann Goethe)

Quarta, 20 Maio 2009 21:00

Masturbação Intelectual

Aliás, o Brasil e o mundo estão do jeito que estão não porque somos seres imperfeitos e dados a nos acomodar em nossa imperfeição, mas sim, porque os líderes mundiais e as pessoas de um modo geral não ouviram e muito menos acataram as nossas sapienciais considerações sobre tudo e todos.

Em sua obra Em berço esplêndido o embaixador José Osvaldo de Meira Penna nos aponta uma marca indefectível de nossa sociedade que é pouca inclinação para o silêncio meditativo e bem como para os longos e árduos estudos. Todavia, na mesma proporção de repudiamos a dedicação ao soturno exercício do estudo silencioso e abnegado, nutrimos uma forte inclinação ao falar, falar, falar, sem necessariamente nada dizer de substantivo.

Tal prática não se vê presente de maneira marcante entre as pessoas pouco letradas, não mesmo. Na verdade, se formos meditar com a merecida sinceridade perceberemos que são justamente as pessoas travestidas de “doutas”, ou de “entendidas”, ou simplesmente de “cidadãos”, que mais facilmente se entregam aos deleites das conversas vazias elegantemente preocupadas com os problemas do Brasil e do mundo sem colocar-se, obviamente, como parte integrante do problema, porque eles são a grande solução, é claro.

Aliás, o Brasil e o mundo estão do jeito que estão não porque somos seres imperfeitos e dados a nos acomodar em nossa imperfeição, mas sim, porque os líderes mundiais e as pessoas de um modo geral não ouviram e muito menos acataram as nossas sapienciais considerações sobre tudo e todos. Trocando em miúdos, o mundo atual, mais do que nunca, está cheio de pessoas iluminadas com boas intenções e idéias colossais para melhorar o mundo sem melhorar as pessoas que, como eles, crêem que não precisam melhorar para se realizar como pessoa humana.

Quantas e quantas vezes dedicamos uma quantidade considerável de nossa energia e tempo em um trololó enfadonho e cansativo que se, devidamente ponderado, não nos auxilia em nosso crescimento, mas sim, e muito, na reafirmação das convicções coletivas que sorrateiramente gritam em nossa alma para que continuemos a seguir os mesmos passos turvos, continuando a apontar para os males do mundo e desdenhando as máculas putrefazes que infectam a nossa alma.

Se estivermos equivocados em nossas considerações, então nos indaguemos, com sinceridade, sobre as seguintes questões: quantas e quantas vezes nós afirmamos determinadas crenças (opiniões) não por estarmos cônscios delas, mas sim, para parecermos pessoas boas e assim, agradarmos a maioria que comunga delas? Quantas e quantas vezes preferimos mudar drasticamente nossa maneira de agir e pensar simplesmente para podermos nos enquadrar adequadamente dentro dos valores que são ditos como uma espécie de símbolo de “pessoa culta e esclarecida”? Quantas?

Com toda certeza foram muitas. Mas, em quantas ocasiões nós afirmamos algo verdadeiro, algo que arrebata as nossas convicções mais íntimas frente a uma multidão bestializada pelo coletivismo padronizado pela imbecilização coletiva correndo o risco de, no mínimo, ser enxovalhado? Provavelmente, muito poucas, não é mesmo?

Tal tramóia habita o íntimo de nossa alma justamente devido ao nosso desfibramento intelectual e moral, advindo de a nossa covardia de procurar a Verdade e de dizê-la, preferindo tapar a majestade do Sol com a peneira da dissimulação e do fingimento congênito. E não há nada mais prejudicial à alma humana do que isso. Inexiste algo que desgrace mais a nossa inteligência do que viver assim, visto que, se nos habituamos a nos esquivar da Verdade, gradativamente, nos tornamos incapazes de reconhecê-la. De tanto fingir sobre o que somos e sobre o que realmente estamos vendo, que acabamos acreditando na “realidade” de toda essa nossa macaqueação intelectual.

Indo direto ao ponto do conto, é impossível que nos tornemos pessoas mais dignas, prestativas e boas fundamentando a nossa existência em uma cadeia sem fim de dissimulações de pessoas que não somos, onde afirmamos coisas que desconhecemos parcial ou mesmo totalmente. É impossível uma sociedade que tenha como marca emblemática a lei de Gerson imaginar que, movendo-se com base nesse obtuso dilema ela, a sociedade como um todo, vai elevar-se enquanto coletividade, digna de respeito e admiração, sem que os indivíduos desejem primeiramente mudar as suas vidas para algo que realmente seja digno.

Olha, quer saber. Nem dê pelotas para o que acabamos de dizer. Quem vai dizer que essa sua imagem íntima de preocupação não é mais um fingimento existencialmente assimilado? Quem vai dizer que essa tua indignação para com esse mísero missivista também não o é? Quem? Apenas você e ninguém mais, goste ou não disso. Por isso, continuemos na velha masturbação intelectual e moral que aprendemos em nossas rodas de convívio anti-social e continuemos a negar em nosso íntimo tudo que realmente poderia nos dignificar.

Terça, 18 Novembro 2008 22:00

Educar no Silêncio

No silenciar de nosso corpo e de nossa alma, poderemos, com muito esforço, ouvir o conselho divinal, que nos moverá a agir com nobreza, a fundar nossa vida no ágape para que possamos ter clareza e serenidade em nosso pensar.

“A verdade não é minha nem tua, para que possa ser tua e minha”. (Santo Agostinho)

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Certa feita, a escritora estadunidense Helen Keller, cega e surda de nascença (desde os 18 meses de vida), havia dito que ela desejava ardentemente apenas quatro coisas. Estas, por sua deixam seriam: “pensar com clareza e serenidade, amar a todos com sinceridade, proceder sempre com nobreza, pôr toda sua confiança em Deus”.

 

Estes alicerces fundamentalmente são as bases para uma educação edificante, para um educar realmente emancipador do ser humano, capaz de aprimorá-lo. Aprimorá-lo não pelas mãos manipuladoras de outrem, mas sim, munindo o educando com as ferramentas elementares para que ele mesmo possa lapidar sua alma e aparar as arestas e agruras que deformam o seu ser.

 

Terão aqueles que, provavelmente, dirão que este breve dito desta escritora luminosa e imersa na escuridão e no silêncio, é deveras simplista, não é mesmo? Bem, eu, pelo contrário, vejo nestas simples palavras a complexidade da aventura humana. Através destas simples palavras vemos o que significa elevar o ser humano na plenitude de sua dignidade. E é no exemplo da autora que vemos a realização destes quatro pilares. Aliás, um exemplo vivo e radiante de que o ser humano é capaz de ser mais do que o mundo e seus ditos deterministas são capazes de explicar em suas incansáveis tentativas de nos impor suas meias-verdades.

 

Mas, o que significa pensar com clareza e serenidade? É algo que o educar na sociedade hodierna literalmente relegou ao ostracismo, visto que, o objeto de culto em todo colóquio sobre educação é justamente o surrado cacoete mental do tal do “pensamento crica”, digo, “crítico”. Um pensamento claro e sereno consistiria simplesmente, como nos ensina São Boaventura, em seu ITINERARIUM MENTIS IN DEUM, na capacidade de evitar e de nos esvaziar do excesso de opiniões, de idéias vazias.

 

Exercitando este esvaziamento mental, nos tornamos aptos a caminhar na senda da procura pela bem aventurança da pobreza de espírito que nos ensina Nosso Senhor Jesus Cristo e assim, nos tornando capazes (a duras penas, obviamente) de atingirmos a serenidade, pois obter clareza e serenidade no pensar não é, de modo algum, a mesma coisa que a tagarelice da criticidade chula e palpiteira.

 

Amar a todos com sinceridade, isso deveria ser cultivando através do educar e não por meio do cobiçar o que o outro tem ou invejar o que o outro é através de um sentimento de remorso recalcado, tal qual os passos da vida da criticidade cinge nos passos de seus iniciados.

 

Lembramos também que este amar não é o eros carnal que é cultuado em nossa sociedade, mas sim, o ágape, o sentimento caritativo para com o próximo e, principalmente para como desconhecido, pois, como nos ensina o Papa Bento XVI em sua Encíclica DEUS CARITAS EST, o amor, este amor, transforma a nossa impaciência e inquietude da alma em paciência e esta se transfigura em esperança que, por sua deixa, nos dá firmeza de caráter. Algo que, realmente, carece por demais nos dias atuais.

 

Proceder sempre com nobreza. Putz! Tal palavra literalmente foi abolida de nosso vocabulário ordinário, não é mesmo? Obviamente que tal mutilação nada mais é que o reflexo da monstruosa incursão do politicamente-correto em nossa sociedade, mas, o que necessariamente significa agir com nobreza? Simplesmente e tão só agir com retidão para com a Lei Universal, nas Leis não-escritas, significa transfigurar-se em um reflexo de algo que é maior que a nossa mísera existência.

 

Agir nobremente significa submeter todos os nossos gestos a retidão que, na maioria das vezes, o mundo nega, que, via de regra, a baixeza secular tanto se esforça em destruir. Um bom exemplo que bem ilustra do que estamos apontando é o filme DEPOIS DA CHUVA do diretor Takashi Koizume (roteiro de Akira Kurosawa). No filme, o personagem principal, o Samurai Misawa, que está “desempregado” e tem de enfrentar inúmeras dificuldades e, mesmo assim, ele mantinha-se sempre sereno, colocando-se acima dos problemas da maneira mais nobre possível.

 

Ah! Mas é claro! Como eu posso ser tão tolo. Falar em retidão na sociedade hodierna parece um tanto patético, não é mesmo? Todavia, o apatetamento não é inerente ao agir com nobreza, mas sim, o reflexo do estado espiritual atual do homem moderno diante de toda e qualquer demonstração desta monta.

 

Por fim, confiar Naquele que É. E, vejam só: ao invés de se ensinar que se deve confiar no Criador, prefere-se ministrar lições que motivem o indivíduo a confiar em si mesmo, ou em algum guru, ou em uma ideologia política ou em uma vanguarda de líderes políticos iluminados que vão fazer a revolução, que vão fazer pelo mundo tudo o que Deus não fez.

 

Ora, os três primeiros pilares somente tem sentido se estiverem firmados no quarto, pois a confiança Naquele que É levará o indivíduo a procurar conselho não na voz dos homens, mas sim, no silêncio de seu íntimo, junto a centelha divinal que habita o âmago de nosso ser como, mais uma vez, nos ensina São Boaventura.

 

No silenciar de nosso corpo e de nossa alma, poderemos, com muito esforço, ouvir o conselho divinal, que nos moverá a agir com nobreza, a fundar nossa vida no ágape para que possamos ter clareza e serenidade em nosso pensar.

 

Todo indivíduo que experimenta esta via, que se permite caminhar por esta vereda, percebe lucidamente que tudo aquilo que, popular ou eruditamente, é nominado por criticidade, não passa de um reles colóquio flácido nascido de uma tola revolta ululante parida na incompreensão de si e do mundo.

Sábado, 01 Novembro 2008 22:00

Uma Morada Edificada Sobre a Rocha

“Uma civilização só é destruída quando seus deuses o são”. (Emil Cioran)

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É de conhecimento do público em geral a visita feita pelo Papa Bento XVI ao Collège des Bernardins, no dia 12 de setembro da Era do Nosso Senhor, onde o mesmo pronunciou-se para um público composto basicamente por intelectuais e pessoas ligadas ao mundo da cultura. Mas sobre o que versa, especificamente, a referida preleção? Todos sabemos que o Sumo Pontífice norteou sua fala sobre a relação umbilical que há entre toda construção cultural com a procura humana por Deus, mas, o que isso significa? Ora, simplesmente uma verdade que deveria ser auto-evidente aos olhos de todos os seres humanos, mas que, na sociedade moderna é algo praticamente incompreensível.

A procura por Deus é uma das marcas essencialmente humanas, uma das notas que nos diferem fundamentalmente de todas as outras criaturas. Quando volvemos nossas vistas para todas as civilizações que se formaram no globo terrestre e dedicamos um mínimo de atenção para estudar a formação histórica de cada uma delas, percebemos com clareza que todas elas têm a sua fundação e organização a partir de fundamentos religiosos e, por essa razão, todas tendem para uma procura de um reencontro com o Absoluto.

Seja no extremo Oriente ou no Ocidente, toda sociedade para poder resistir ao tempo e ao espaço tem que, necessariamente, fundar-se em uma tradição que oriente os indivíduos a voltarem suas vidas para a procura do Eterno e do Infinito no Infinito e no Eterno.

Não é por menos que toda época história que é marcada pelo niilismo, pelo desespero, pela falta de sentido é, via de regra, uma época em que os valores religiosos são solapados e corroídos por toda ordem de relativismos, ceticismos e materialismos deificando assim qualquer instância contingente da sociedade como o Estado, uma Liderança Política, uma instituição social ou qualquer outra coisa vulgar para que venha a substituir Aquele que É. Por não mais se saber claramente o que seja realmente o Infinito e o Eterno os indivíduos tentam tapar o Sol da Verdade com uma peneira ideológica qualquer.

Por favor, não confundam a idéia de Estado Laico com sociedade laica. É possível e mesmo desejável a existência de um Estado laico, porém, uma sociedade que não tenha as suas instituições constituídas como o reflexo de uma ordem Sacra é algo literalmente insustentável, visto que, a vida dos indivíduos, apesar de ser experimentada em uma dimensão espacial e temporal, naturalmente tende para as outras duas dimensões citadas (para o infinito e para o eterno).

E, uma sociedade supostamente laica ou maliciosamente multicultural, não fornece ao indivíduo os cabedais simbólicos e tradicionais necessários para que uma pessoa possa encontrar o seu centro, que é O Caminho para reencontrar-se com Aquele que É.

Refletindo por esta via, podemos com certa apreensão, compreender porque no mundo contemporâneo as pessoas se encontram um tanto desnorteadas, vazias e outras tantas desesperadas a procura de um sentido para as suas vidas nulas e, outras mais, simplesmente entregues ao troca-troca pseudo-religioso, por não encontrarem a Verdade que responda aos clamores de seu ser no intento de se reencontrar com o Ser.

Ora, por essa razão que o filósofo francês Louis Lavelle nos ensina que o maior bem que podemos fazer aos outros não é oferecer-lhes nossa riqueza, mas levá-los a descobrir a deles. Nesta procura, a produção cultural sempre acabava respondendo as perguntas fundamentais da alma humana. Algo que seja chamado de Cultura e não cumpra esse papel basilar não deveria de modo algum receber essa alcunha, pois seria um total desvirtuamento do sentido da palavra.

Aliás, de todos os bens culturais que são produzidos nos dias hodiernos, quais deles realmente procuram levar o indivíduo a procurar o seu reencontro com o Eterno e com o Infinito? Quais bens culturais procuram realmente retratar o ser humano como ele realmente É, enquanto um ser imperfeito que tende a procurar Aquele que É Perfeito? Qual dos produtos culturais leva o indivíduo a encontrar o seu centro?

E mais! Você não acha estranha uma época com tanta produção livreira, com tamanha disseminação de informação e que facilita significativamente o acesso a esses bens ser justamente uma sociedade onde os indivíduos têm suas almas monstruosamente fragilizadas a tal ponto que qualquer probleminha medíocre os abale ao ponto de se deprimirem profundamente (ou fingidamente)?

Estamos a viver em um deserto Espiritual devido ao vazio religioso tradicional que se edificou, pois, apesar de boa parte das pessoas se declararem religiosas, poucas ordenam o seu centro existencial na perspectiva do RE LIGARE.

De mais a mais, o ser religioso em nossa sociedade é literalmente relegado a uma categoria secundária, reduzido a uma mera questão de gosto pessoal, subjetivo e não como sendo uma via que se fundamenta na estrutura do real para que o indivíduo assim possa compreender-se enquanto pessoa e enquanto parte integrante do real.

Para ilustrar esse ponto, permitam-me apresentar um pequeno exemplo: certa feita, um pequeno grupo de alunos me perguntou se eu não teria algumas dicas para eles poderem melhorar o seu aprendizado. De maneira lacônica disse-lhes: Rezem antes de estudar. Os jovens, mais do que depressa, me responderam: “não professor, nós estamos falando sério”. Mas eu estava e estou falando sério e expliquei para eles a seriedade do meu conselho.

Há vários dias estou a meditar sobre esta indagação feita pelos garotos e a me indagar sobre o estado em que se encontra a nossa sociedade e, principalmente, sobre a preleção feita pelo Primas de Roma, o Papa Bento XVI, feita ao mundo da cultura e confesso que realmente, conforme as palavras do Sumo Pontífice, estamos hoje vivendo em um grande deserto espiritual com dunas pseudo-culturais, multiculturais e materialistas, cientificistas e imediatistas que torturam e atormentam a alma humana.

Ora, foi no meio de um deserto espiritual similar que nasceram as grandes Tradições religiosas e, se hoje vivemos esse tormento, não reinventemos a roda. Apenas nos reencontremos com um dos caminhos já existentes. Qual deles? Sinceramente, não sei, pois a procura é sua e apenas sua. Porém, com certeza que a resposta não será encontrada em um livro de ciência, natural ou social, moderno e muito menos em um livro de auto-ajuda ou em uma seita, pois, segura não é segura a morada que é edificada sobre o lodo da soberba da auto-afirmação moderna. Não mesmo.

Procure a rocha da transcendência para firmar a mansão de seu ser na cultura que procure levá-lo ao Ser.

Ah! Já estava me esquecendo. Não é por menos que praticamente toda mídia chique e o stablishiment Universitário odeiem tanto o Sumo Pontífice Bento XVI, mesmo que nunca tenham lido uma frase escrita pelo mesmo.

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