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03 Nov 2020

EU NÃO SOU CACHORRO NÃO!

Escrito por 

Depois pensei, também, na hipótese de vir a vingar uma medida absurda desta como e quem seria responsável por aqueles que vacinados compulsoriamente viessem a ficar “sequelados” ou falecessem.

 

Com tanta coisa séria e urgente para ser resolvida neste País como, por exemplo, a questão da prisão em segunda instância e o imediato encarceramento de Lula, Zé Dirceu e de outros da mesma laia, sem falar das medidas necessárias para se vencer em definitivo a grave crise social e econômica decorrente desta pandemia ou de outras que o Brasil espera ansiosamente tais como as reformas administrativas, tributárias e muitas mais que o “Moleque Maia” sentou em cima para ir fazendo seu pé de meia ou ainda mesmo das votações dos inúmeros requerimentos de impeachment dos “Mandarins Solta Bandidos” do STF, que o Senado do “Ordinário Alcolumbre” não coloca em votação, perdeu-se a semana passada inteira gastando-se tempo e energia com uma boutade do “Engomadinho de FHC”, João Dória.

Durante uma coletiva de imprensa do governo de São Paulo no Palácio dos Bandeirantes, o governador João Doria disse que a vacina contra a Covid-19 será obrigatória em todo o estado paulista, quando for aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. “Em São Paulo a vacinação será obrigatória, exceto para quem tenha orientação médica e atestado médico de que não pode tomar a vacina. E adotaremos medidas legais se houver contrariedade nesse sentido”, disse.

Quando assisti aos vídeos da coletiva nas redes sociais pensei ensimesmado: “e quem não quiser tomar a vacina porque não acredita no medicamento, pois entende que é imune ou que já está imunizado; porque tem motivos pessoais de foro íntimo e ou até religiosos; porque a rigor é livre para optar nos termos da Constituição Federal” - só para não esticar mais o assunto - quais serão as medidas legais que o cretino pretende adotar contra esses brasileiros?

Depois pensei, também, na hipótese de vir a vingar uma medida absurda desta como e quem seria responsável por aqueles que vacinados compulsoriamente viessem a ficar “sequelados” ou falecessem. Qual agente público que responderia criminalmente e quem indenizaria a família da vítima? O Estado? A União ou o imbecil do Dória? Parei por aqui porque não é necessário muito esforço para concluir que o tal do Dória não está pretendendo fazer coisa alguma para resolver o problema da pandemia em São Paulo, o que quer realmente é usar o tempo de que dispõe e que o povo lhe confiou para surgir perante os contras como o principal opositor ao Capitão e à “Nova Ordem”, cacifando-se para as eleições gerais de 2022. Este imbecil é ridículo, como ridícula é sua pretensão.

Ainda ressoa em meus ouvidos um dos muitos conselhos do meu velho pai: “o homem pode se permitir a muitas coisas na vida, menos a cair no ridículo”. O velho engenheiro tinha razão e certamente estava invocando os ensinamentos do poeta e dramaturgo grego Menandro (342 a.C. a 291 a.C.), para quem, “O que há de mais vergonhoso para um homem é cair por si próprio no ridículo”.

Aliás, eu não sabia da existência desta figurinha ridícula até quando tive notícia de que foi eleito prefeito de São Paulo. Depois soube que era um homem de televisão que se juntou à trupe de FHC, aí minha má vontade com o porcaria se instaurou de vez. Hoje, depois das muitas tentativas de solapar o Capitão graças a quem foi eleito, aliando-se ao que há de mais sujo há no cenário político nacional, acho que a carreira política do traidor começou tarde e torta e não vai longe, como a do tal governador “impichado” Wilson Witzel no Rio de Janeiro,

Este bufão, este dândi, este janota fora de época, este gestor público perigoso que coloca suas pretensões pessoais e seus negócios, nem sempre muito lícitos, acima do interesse do Estado, tanto que está respondendo por crime contra os cofres públicos e já teve inclusive seus bens arrestados pela Justiça é o protótipo do idiota. Ponderem. O cara vir falar, nesta altura dos acontecimentos, de vacinação obrigatória ou compulsória sob as penas e o tacão de um Estado corrupto e desmoralizado - que pouco ou nada faz por seu cidadão - quando agora para o povão não há mais os limites que outrora lhe impunham as oligarquias, a mídia tradicional e o establishmente venal, é realmente de uma ridicularia sem par.

Para usar a expressão dos modernosos, em que “bolha” Dória vive? O cretino pensa que estamos no início do século passado quando, na velha república, o presidente Rodrigo Alves mandou vacinar o povo à força e somente não foi apeado do poder a custo de muitas prisões, deportações e dezenas de mortos, tudo por conta do que ficou na história conhecida como “A Revolta da Vacina”.

Registram os alfarrábios da Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ - e algumas pesquisadoras de boa cepa como Mayra Poubel e Patrícia de Melo e Souza, que os quase 800 mil habitantes da cidade do Rio de Janeiro sofriam em 1904 com sérios problemas de saúde publica. Havia diversas doenças – como tuberculose, peste bubônica, febre amarela, varíola, malária, tifo, cólera - que atazanavam a população e eram objeto de preocupação dos governantes. Esta situação caótica, que se repetia em vários grandes centros urbanos do mundo inteiro, também serviu de pretexto para a ação de forças políticas que queriam depor Rodrigues Alves – típico representante da oligarquia cafeeira. “Uniram-se na oposição monarquistas que se reorganizavam, militares, republicanos mais radicais e operários. Era uma coalizão estranha e explosiva”, como um dia escreveu o historiador e conferencista Jaime Larry Benchimol.

Surpreendendo aqueles que o tinham como um advogado de província sem muita visão, Rodrigues Alves lançou um grande programa visando a modernizar (e embelezar) a cidade e também controlar tais epidemias, dando início a uma série de reformas urbanas que mudaram a geografia da cidade e o dia a dia da Capital.

As mudanças arquitetônicas da cidade ficaram a cargo do engenheiro Pereira Passos. Ruas foram alargadas, cortiços foram destruídos e a população pobre removida de suas antigas moradias. Coube a Oswaldo Cruz, nomeado diretor geral de Saúde Pública em 1903, a missão de promover um saneamento na cidade e erradicar a febre amarela, a peste bubônica e a varíola. Em junho de 1904 o governo fez uma proposta de lei que tornava obrigatória a vacinação da população, aprovada pelo Parlamento dia 31 de outubro.

Em meados de 1904, chegava a 1.800 o número de internações devido à varíola no Hospital São Sebastião, inaugurado por Pedro II na praia do Retiro Saudoso do Caju, no do Rio de Janeiro. Mesmo assim, as camadas populares rejeitavam a vacina, que consistia no líquido de pústulas de vacas doentes. Afinal, era esquisita a ideia de ser inoculado com esse líquido. E ainda corria o boato de que quem se vacinava ficava com feições bovinas.

Então, em junho de 1904, Oswaldo Cruz agravou o problema político propondo a regulamentação da nova lei pela qual estabelecia, entre outras coisas que apenas os indivíduos que comprovassem ser vacinados conseguiriam contratos de trabalho, matrículas em escolas, certidões de casamento, autorização para viagens etc.

Em novembro daquele ano o caos havia se instalado no Rio de Janeiro em razão do que ficou conhecido como a “Revolta da Vacina”, duramente reprimida pela polícia e depois pelo exército e após um saldo total de 945 presos, 461 deportados, 110 feridos e 30 mortos em menos de duas semanas de conflitos, então Rodrigues Alves se viu obrigado a desistir da vacinação obrigatória. “Todos saíram perdendo. Os revoltosos foram castigados pelo governo e pela varíola. A vacinação vinha crescendo e despencou, depois da tentativa de torná-la obrigatória. A ação do governo foi desastrada e desastrosa, porque interrompeu um movimento ascendente de adesão à vacina”, explica Benchimol, citado pelas pesquisadoras da FIOCRUZ.  Mais tarde, em 1908, quando o Rio foi atingido pela mais violenta epidemia de varíola de sua história, o povo correu para ser vacinado, em um episódio avesso à Revolta da Vacina.

Certamente que um neófito como este Dória nada sabe da história de seu País ou se algo conhece não assimila porque o que deseja realmente é fornecer munição aos contras para insanamente criar mais um problema para a “Nova Ordem”, com a qual não se conforma. A partir desta baboseira toda já veio deitando falação o psicótico Ciro Gomes e o “Mandarim Boca de Veludo” do STF tomando para eles o poder supremo de decidir se nossa gente vai ou não ser vacinada a fórceps. Esta não é uma questão de Justiça: é de saúde e que diz respeito ao inalienável direito à vida do cidadão. E o que se fará com quem resolver não se vacinar? Vai ser obrigado de que forma? São mesmo uns palhaços, são ridículos!

Na esteira de mais este desserviço ao País por parte do governador João Dória, surgiu do buraco onde estava escondido da Justiça o escolhido de FHC, Aécio Neves, com um projeto irresponsável e demagógico na Câmara Alta, cuja proposta pode ser para vender vacina, humilhar mais ainda o cidadão, promover a quebradeira do País ou dificultar a retomado do desenvolvimento, que objetiva impor graves sanções, multas e o definitivo cerceio das liberdades individuais do cidadão, para quem ousar pensar que fora de casa sem vacina não haverá salvação para o corpo ou para alma.

O melhor de tudo veio por conta da resposta do Capitão que em suas redes sociais disse, em tom de piada, que a obrigatoriedade da vacinação só pode ser aplicada a cachorro. “Vacina obrigatória só aqui no Faísca”, publicou, junto com uma foto ao lado do seu cachorro no Palácio da Alvorada. De minha parte, me lembrei logo do saudoso cantor do povão, Waldik Soreano, e acrescentaria: “e eu não sou cachorro não, pra viver tão humilhado!”

Última modificação em Terça, 03 Novembro 2020 14:46
José Maurício de Barcellos

O Advogado José Mauricio de Barcellos, natural do Estado do Rio de Janeiro, tem 50 (cinquenta) anos de experiência profissional, com Mestrado na Cadeira de Direito Privado, na Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro. É professor, com Licenciatura Plena nas cadeiras de Direito e Legislação, Administração e Controle, Organização e Técnica Comercial, pela antiga Universidade do Estado da Guanabara, tendo concluído vários cursos de extensão ou de aperfeiçoamento, na Fundação Getúlio Vargas e em outras Universidades.

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