Ter08032021

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

19 Nov 2008

Educar no Silêncio

Escrito por 

No silenciar de nosso corpo e de nossa alma, poderemos, com muito esforço, ouvir o conselho divinal, que nos moverá a agir com nobreza, a fundar nossa vida no ágape para que possamos ter clareza e serenidade em nosso pensar.

“A verdade não é minha nem tua, para que possa ser tua e minha”. (Santo Agostinho)

- - - - - - - - - -

Certa feita, a escritora estadunidense Helen Keller, cega e surda de nascença (desde os 18 meses de vida), havia dito que ela desejava ardentemente apenas quatro coisas. Estas, por sua deixam seriam: “pensar com clareza e serenidade, amar a todos com sinceridade, proceder sempre com nobreza, pôr toda sua confiança em Deus”.

 

Estes alicerces fundamentalmente são as bases para uma educação edificante, para um educar realmente emancipador do ser humano, capaz de aprimorá-lo. Aprimorá-lo não pelas mãos manipuladoras de outrem, mas sim, munindo o educando com as ferramentas elementares para que ele mesmo possa lapidar sua alma e aparar as arestas e agruras que deformam o seu ser.

 

Terão aqueles que, provavelmente, dirão que este breve dito desta escritora luminosa e imersa na escuridão e no silêncio, é deveras simplista, não é mesmo? Bem, eu, pelo contrário, vejo nestas simples palavras a complexidade da aventura humana. Através destas simples palavras vemos o que significa elevar o ser humano na plenitude de sua dignidade. E é no exemplo da autora que vemos a realização destes quatro pilares. Aliás, um exemplo vivo e radiante de que o ser humano é capaz de ser mais do que o mundo e seus ditos deterministas são capazes de explicar em suas incansáveis tentativas de nos impor suas meias-verdades.

 

Mas, o que significa pensar com clareza e serenidade? É algo que o educar na sociedade hodierna literalmente relegou ao ostracismo, visto que, o objeto de culto em todo colóquio sobre educação é justamente o surrado cacoete mental do tal do “pensamento crica”, digo, “crítico”. Um pensamento claro e sereno consistiria simplesmente, como nos ensina São Boaventura, em seu ITINERARIUM MENTIS IN DEUM, na capacidade de evitar e de nos esvaziar do excesso de opiniões, de idéias vazias.

 

Exercitando este esvaziamento mental, nos tornamos aptos a caminhar na senda da procura pela bem aventurança da pobreza de espírito que nos ensina Nosso Senhor Jesus Cristo e assim, nos tornando capazes (a duras penas, obviamente) de atingirmos a serenidade, pois obter clareza e serenidade no pensar não é, de modo algum, a mesma coisa que a tagarelice da criticidade chula e palpiteira.

 

Amar a todos com sinceridade, isso deveria ser cultivando através do educar e não por meio do cobiçar o que o outro tem ou invejar o que o outro é através de um sentimento de remorso recalcado, tal qual os passos da vida da criticidade cinge nos passos de seus iniciados.

 

Lembramos também que este amar não é o eros carnal que é cultuado em nossa sociedade, mas sim, o ágape, o sentimento caritativo para com o próximo e, principalmente para como desconhecido, pois, como nos ensina o Papa Bento XVI em sua Encíclica DEUS CARITAS EST, o amor, este amor, transforma a nossa impaciência e inquietude da alma em paciência e esta se transfigura em esperança que, por sua deixa, nos dá firmeza de caráter. Algo que, realmente, carece por demais nos dias atuais.

 

Proceder sempre com nobreza. Putz! Tal palavra literalmente foi abolida de nosso vocabulário ordinário, não é mesmo? Obviamente que tal mutilação nada mais é que o reflexo da monstruosa incursão do politicamente-correto em nossa sociedade, mas, o que necessariamente significa agir com nobreza? Simplesmente e tão só agir com retidão para com a Lei Universal, nas Leis não-escritas, significa transfigurar-se em um reflexo de algo que é maior que a nossa mísera existência.

 

Agir nobremente significa submeter todos os nossos gestos a retidão que, na maioria das vezes, o mundo nega, que, via de regra, a baixeza secular tanto se esforça em destruir. Um bom exemplo que bem ilustra do que estamos apontando é o filme DEPOIS DA CHUVA do diretor Takashi Koizume (roteiro de Akira Kurosawa). No filme, o personagem principal, o Samurai Misawa, que está “desempregado” e tem de enfrentar inúmeras dificuldades e, mesmo assim, ele mantinha-se sempre sereno, colocando-se acima dos problemas da maneira mais nobre possível.

 

Ah! Mas é claro! Como eu posso ser tão tolo. Falar em retidão na sociedade hodierna parece um tanto patético, não é mesmo? Todavia, o apatetamento não é inerente ao agir com nobreza, mas sim, o reflexo do estado espiritual atual do homem moderno diante de toda e qualquer demonstração desta monta.

 

Por fim, confiar Naquele que É. E, vejam só: ao invés de se ensinar que se deve confiar no Criador, prefere-se ministrar lições que motivem o indivíduo a confiar em si mesmo, ou em algum guru, ou em uma ideologia política ou em uma vanguarda de líderes políticos iluminados que vão fazer a revolução, que vão fazer pelo mundo tudo o que Deus não fez.

 

Ora, os três primeiros pilares somente tem sentido se estiverem firmados no quarto, pois a confiança Naquele que É levará o indivíduo a procurar conselho não na voz dos homens, mas sim, no silêncio de seu íntimo, junto a centelha divinal que habita o âmago de nosso ser como, mais uma vez, nos ensina São Boaventura.

 

No silenciar de nosso corpo e de nossa alma, poderemos, com muito esforço, ouvir o conselho divinal, que nos moverá a agir com nobreza, a fundar nossa vida no ágape para que possamos ter clareza e serenidade em nosso pensar.

 

Todo indivíduo que experimenta esta via, que se permite caminhar por esta vereda, percebe lucidamente que tudo aquilo que, popular ou eruditamente, é nominado por criticidade, não passa de um reles colóquio flácido nascido de uma tola revolta ululante parida na incompreensão de si e do mundo.

“A verdade não é minha nem tua, para que possa ser tua e minha”. (Santo Agostinho)

- - - - - - - - - -

Certa feita, a escritora estadunidense Helen Keller, cega e surda de nascença (desde os 18 meses de vida), havia dito que ela desejava ardentemente apenas quatro coisas. Estas, por sua deixam seriam: “pensar com clareza e serenidade, amar a todos com sinceridade, proceder sempre com nobreza, pôr toda sua confiança em Deus”.

 

Estes alicerces fundamentalmente são as bases para uma educação edificante, para um educar realmente emancipador do ser humano, capaz de aprimorá-lo. Aprimorá-lo não pelas mãos manipuladoras de outrem, mas sim, munindo o educando com as ferramentas elementares para que ele mesmo possa lapidar sua alma e aparar as arestas e agruras que deformam o seu ser.

 

Terão aqueles que, provavelmente, dirão que este breve dito desta escritora luminosa e imersa na escuridão e no silêncio, é deveras simplista, não é mesmo? Bem, eu, pelo contrário, vejo nestas simples palavras a complexidade da aventura humana. Através destas simples palavras vemos o que significa elevar o ser humano na plenitude de sua dignidade. E é no exemplo da autora que vemos a realização destes quatro pilares. Aliás, um exemplo vivo e radiante de que o ser humano é capaz de ser mais do que o mundo e seus ditos deterministas são capazes de explicar em suas incansáveis tentativas de nos impor suas meias-verdades.

 

Mas, o que significa pensar com clareza e serenidade? É algo que o educar na sociedade hodierna literalmente relegou ao ostracismo, visto que, o objeto de culto em todo colóquio sobre educação é justamente o surrado cacoete mental do tal do “pensamento crica”, digo, “crítico”. Um pensamento claro e sereno consistiria simplesmente, como nos ensina São Boaventura, em seu ITINERARIUM MENTIS IN DEUM, na capacidade de evitar e de nos esvaziar do excesso de opiniões, de idéias vazias.

 

Exercitando este esvaziamento mental, nos tornamos aptos a caminhar na senda da procura pela bem aventurança da pobreza de espírito que nos ensina Nosso Senhor Jesus Cristo e assim, nos tornando capazes (a duras penas, obviamente) de atingirmos a serenidade, pois obter clareza e serenidade no pensar não é, de modo algum, a mesma coisa que a tagarelice da criticidade chula e palpiteira.

 

Amar a todos com sinceridade, isso deveria ser cultivando através do educar e não por meio do cobiçar o que o outro tem ou invejar o que o outro é através de um sentimento de remorso recalcado, tal qual os passos da vida da criticidade cinge nos passos de seus iniciados.

 

Lembramos também que este amar não é o eros carnal que é cultuado em nossa sociedade, mas sim, o ágape, o sentimento caritativo para com o próximo e, principalmente para como desconhecido, pois, como nos ensina o Papa Bento XVI em sua Encíclica DEUS CARITAS EST, o amor, este amor, transforma a nossa impaciência e inquietude da alma em paciência e esta se transfigura em esperança que, por sua deixa, nos dá firmeza de caráter. Algo que, realmente, carece por demais nos dias atuais.

 

Proceder sempre com nobreza. Putz! Tal palavra literalmente foi abolida de nosso vocabulário ordinário, não é mesmo? Obviamente que tal mutilação nada mais é que o reflexo da monstruosa incursão do politicamente-correto em nossa sociedade, mas, o que necessariamente significa agir com nobreza? Simplesmente e tão só agir com retidão para com a Lei Universal, nas Leis não-escritas, significa transfigurar-se em um reflexo de algo que é maior que a nossa mísera existência.

 

Agir nobremente significa submeter todos os nossos gestos a retidão que, na maioria das vezes, o mundo nega, que, via de regra, a baixeza secular tanto se esforça em destruir. Um bom exemplo que bem ilustra do que estamos apontando é o filme DEPOIS DA CHUVA do diretor Takashi Koizume (roteiro de Akira Kurosawa). No filme, o personagem principal, o Samurai Misawa, que está “desempregado” e tem de enfrentar inúmeras dificuldades e, mesmo assim, ele mantinha-se sempre sereno, colocando-se acima dos problemas da maneira mais nobre possível.

 

Ah! Mas é claro! Como eu posso ser tão tolo. Falar em retidão na sociedade hodierna parece um tanto patético, não é mesmo? Todavia, o apatetamento não é inerente ao agir com nobreza, mas sim, o reflexo do estado espiritual atual do homem moderno diante de toda e qualquer demonstração desta monta.

 

Por fim, confiar Naquele que É. E, vejam só: ao invés de se ensinar que se deve confiar no Criador, prefere-se ministrar lições que motivem o indivíduo a confiar em si mesmo, ou em algum guru, ou em uma ideologia política ou em uma vanguarda de líderes políticos iluminados que vão fazer a revolução, que vão fazer pelo mundo tudo o que Deus não fez.

 

Ora, os três primeiros pilares somente tem sentido se estiverem firmados no quarto, pois a confiança Naquele que É levará o indivíduo a procurar conselho não na voz dos homens, mas sim, no silêncio de seu íntimo, junto a centelha divinal que habita o âmago de nosso ser como, mais uma vez, nos ensina São Boaventura.

 

No silenciar de nosso corpo e de nossa alma, poderemos, com muito esforço, ouvir o conselho divinal, que nos moverá a agir com nobreza, a fundar nossa vida no ágape para que possamos ter clareza e serenidade em nosso pensar.

 

Todo indivíduo que experimenta esta via, que se permite caminhar por esta vereda, percebe lucidamente que tudo aquilo que, popular ou eruditamente, é nominado por criticidade, não passa de um reles colóquio flácido nascido de uma tola revolta ululante parida na incompreensão de si e do mundo.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.