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04 Jan 2008

O Poder Desdenhado

Escrito por 

Apenas digo que da mesma forma que os milagres, a educação, para transformar o indivíduo, deve ser acreditada pelo mesmo.

Muito se fala no meio educacional das inúmeras variáveis que determinam o comportamento humano, sejam elas de ordem social, econômica, política, psicológica, etc. E, de tanto falar destes traços, meus encarecidos colegas de ofício esquecem do poder de transcender a todas essas variáveis que é inerente a todo ser humano.

É de entristecer a alma quando ouvimos educadores e especialista em educação (que nunca educaram ninguém) afirmarem que seria basilar que nós transformássemos toda a realidade social e bem como todo o sistema educacional para podermos desenvolver um fazer pedagógico em um nível satisfatório. Eu, de minha parte, afirmo que basta, em princípio, que haja boa vontade e possibilidade de se poder estimular a responsabilidade em nossos educandos. E, justamente esses dois pontos, são os que mais carecem no cenário hodierno que se vivencia nesta seara.

Meus caros, a educação, como todo ato humano, não tem unicamente uma dimensão externa. Alias, a sua dimensão mais rica e necessária é justamente a dimensão interior que apenas pode ser testemunhada pelo agente primeiro do ato que é o próprio indivíduo.

Quando nos referimos à dimensão interior, estamos apontando para o fato de que a educação deve estimular no indivíduo à vontade de sentido, fazendo uso da terminologia de Victor Frankl, para que, desta forma, ela possa encontrar um propósito para a sua vida, mesmo nos momentos em que tudo parece não mais ter nenhum, pois, como Friedrich Nietzsche afirmou, “quem tem porque viver suporta qualquer como”.

Todavia, hoje em dia o que os educadores menos ensinam é isto, não mesmo? O que os pais, e a sociedade de um modo geral, menos ensinam é justamente isso: a dignidade de viver a vida da forma mais humana possível.

Pode parecer tolice, caro leitor, o que estou escrevendo, mas sem esse elemento simples que é o cerne mágico do educar, do ato de guiar o indivíduo a encontrar-se consigo mesmo. Talvez, um bom exemplo seja a de uma senhora que, já passado dos sessenta anos de idade, passou a freqüentar uma turma de MOBRAL na qual minha mãe lecionava no fim da década de oitenta. Tive a oportunidade de conhecê-la, pois, quando pequeno, minha mãe me levava junto com ela em seu sacerdócio educacional.

O que é interessante na história desta senhora, hoje já falecida, é que antes de ela freqüentar a sala de aula, vivia doente, desanimada, sem vontade de viver. Após iniciar os seus estudos, ela não mais ficou doente e freqüentava assiduamente todas as aulas noturnas, fizesse chuva ou um belo luar.

A escola que minha mãe lecionava não tinha muitos recursos. Era apenas uma modesta escola municipal da cidade de Dois Vizinhos. Porém, o que ocorreu com esta senhora foi o milagre transformador que a educação é capaz de propiciar a qualquer indivíduo que é o de preencher a vida de sentido e, deste modo, preencher a existência humana com uma dignidade singular.

Como isso ocorre, especificamente, eu não sei. Apenas digo que da mesma forma que os milagres, a educação, para transformar o indivíduo, deve ser acreditada pelo mesmo. O seu conteúdo intrínseco e misterioso deve ser desejado e amado para que, deste modo, o prodígio ocorra, tal qual ocorreu com esta senhora.

O ser humano não é apenas movido por desejo de poder como afirmava Adler e não é tão só movido por necessidades econômicas como queria Marx, ou por seus desejos rasteiros como supunha Freud. O ser humano anseia profundamente viver de uma forma que tenha sentido. Essa é a grande força que nos move como sabiamente aponta-nos Frankl em sua obra EM BUSCA DE SENTIDO.

Para tanto, devemos apenas estimular a responsabilidade e, acima de tudo, ter boa-vontade.

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Obs.: já está disponível em nosso website duas obras do filósofo Sto. Afonso de Ligório.

Muito se fala no meio educacional das inúmeras variáveis que determinam o comportamento humano, sejam elas de ordem social, econômica, política, psicológica, etc. E, de tanto falar destes traços, meus encarecidos colegas de ofício esquecem do poder de transcender a todas essas variáveis que é inerente a todo ser humano.

É de entristecer a alma quando ouvimos educadores e especialista em educação (que nunca educaram ninguém) afirmarem que seria basilar que nós transformássemos toda a realidade social e bem como todo o sistema educacional para podermos desenvolver um fazer pedagógico em um nível satisfatório. Eu, de minha parte, afirmo que basta, em princípio, que haja boa vontade e possibilidade de se poder estimular a responsabilidade em nossos educandos. E, justamente esses dois pontos, são os que mais carecem no cenário hodierno que se vivencia nesta seara.

Meus caros, a educação, como todo ato humano, não tem unicamente uma dimensão externa. Alias, a sua dimensão mais rica e necessária é justamente a dimensão interior que apenas pode ser testemunhada pelo agente primeiro do ato que é o próprio indivíduo.

Quando nos referimos à dimensão interior, estamos apontando para o fato de que a educação deve estimular no indivíduo à vontade de sentido, fazendo uso da terminologia de Victor Frankl, para que, desta forma, ela possa encontrar um propósito para a sua vida, mesmo nos momentos em que tudo parece não mais ter nenhum, pois, como Friedrich Nietzsche afirmou, “quem tem porque viver suporta qualquer como”.

Todavia, hoje em dia o que os educadores menos ensinam é isto, não mesmo? O que os pais, e a sociedade de um modo geral, menos ensinam é justamente isso: a dignidade de viver a vida da forma mais humana possível.

Pode parecer tolice, caro leitor, o que estou escrevendo, mas sem esse elemento simples que é o cerne mágico do educar, do ato de guiar o indivíduo a encontrar-se consigo mesmo. Talvez, um bom exemplo seja a de uma senhora que, já passado dos sessenta anos de idade, passou a freqüentar uma turma de MOBRAL na qual minha mãe lecionava no fim da década de oitenta. Tive a oportunidade de conhecê-la, pois, quando pequeno, minha mãe me levava junto com ela em seu sacerdócio educacional.

O que é interessante na história desta senhora, hoje já falecida, é que antes de ela freqüentar a sala de aula, vivia doente, desanimada, sem vontade de viver. Após iniciar os seus estudos, ela não mais ficou doente e freqüentava assiduamente todas as aulas noturnas, fizesse chuva ou um belo luar.

A escola que minha mãe lecionava não tinha muitos recursos. Era apenas uma modesta escola municipal da cidade de Dois Vizinhos. Porém, o que ocorreu com esta senhora foi o milagre transformador que a educação é capaz de propiciar a qualquer indivíduo que é o de preencher a vida de sentido e, deste modo, preencher a existência humana com uma dignidade singular.

Como isso ocorre, especificamente, eu não sei. Apenas digo que da mesma forma que os milagres, a educação, para transformar o indivíduo, deve ser acreditada pelo mesmo. O seu conteúdo intrínseco e misterioso deve ser desejado e amado para que, deste modo, o prodígio ocorra, tal qual ocorreu com esta senhora.

O ser humano não é apenas movido por desejo de poder como afirmava Adler e não é tão só movido por necessidades econômicas como queria Marx, ou por seus desejos rasteiros como supunha Freud. O ser humano anseia profundamente viver de uma forma que tenha sentido. Essa é a grande força que nos move como sabiamente aponta-nos Frankl em sua obra EM BUSCA DE SENTIDO.

Para tanto, devemos apenas estimular a responsabilidade e, acima de tudo, ter boa-vontade.

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Obs.: já está disponível em nosso website duas obras do filósofo Sto. Afonso de Ligório.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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