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27 Dez 2007

Douta Cretinice

Escrito por 

Para qualquer pessoa que conheça mediamente a Sagrada Escritura, a referida declaração lembra perfeitamente a passagem em que Cristo, estando no calvário, volve suas vistas para os céus e diz: “Senhor, Senhor, por que me abandonas-te?”.

Deus, porque permitiste isto?” Este é um trecho do discurso proferido por sua Santidade, o Papa Bento XVI, em Auschwitz no ano de 2006. Discurso este que ecoou pela mídia chique e pelos corredores do meio letrado como sendo uma afirmação herética proferida pelo próprio Vigário de Cristo.

Tal impostura de nossa classe letrada tagarelante já é típica. Por deterem um título que apenas atesta a sua superficialidade, estes senhores acreditam que podem opinar sobre tudo e, principalmente, sobre searas que eles desprezam totalmente.

Ora, o caso da repercussão ad infinitum desta passagem é um bom exemplo. Todos os “entendidos” sobre assuntos religiosos mais que rapidamente afirmavam que a fé de Bento XVI seria duvidosa. Eu, de minha parte, afirmo literalmente o inverso do dito. Afirmo que a referida declaração é prova cabal da profunda vida espiritual deste.

Para qualquer pessoa que conheça mediamente a Sagrada Escritura, a referida declaração lembra perfeitamente a passagem em que Cristo, estando no calvário, volve suas vistas para os céus e diz: “Senhor, Senhor, por que me abandonas-te?”. Quem sabe os ditos “entendidos” em todos os assuntos sem ter estudado nenhum passem a afirmar que o próprio Verbo encarnado também duvidasse de sua própria existência, não é mesmo?

De mais a mais, essa exclamação do Sumo Pontífice retrata um olhar de perplexidade diante do mal gerado por nós, seres humanos, no correr da centúria passada.

Outro bom exemplo desta douta cretinice que habita as redações e cátedras de nosso país são as tolas afirmações de que o Sucessor dos Príncipes dos Apóstolos estaria modificando a Igreja, que ele estaria dando uma guinada reacionária na mesma. Bem, pra começo de prosa, o problema desta turma ainda é o mesmo: falam do que desconhecem e desprezam.

Por exemplo, vejamos o tom da primeira Encíclica de seu Pontificado, a DEUS CARITAS EST. Nesta, Bento XVI, reafirma o princípio da subsidiariedade que é parte integrante da Doutrina Social da Igreja, defendida pelos seus antecessores Leão XIII, através da RERUM NOVARUM, por Pio XI, através da CENTESIMUS ANNUS, por Pio XII em sua mensagem de Natal de 1941 e, também, na MATER ET MAGISTRA de João XXIII. Aí, vem um Zé mané que, por não conhecer nada sobre o assunto, presume que ninguém mais conhece e, deste modo, aufere a si o direito de poder dizer qualquer sandice como esta.

Bento XVI está apenas fazendo o que todos os Papas que o antecederam procuram fazer dentro das limitações humanas: preservar a tradição Cristã. Essa é a função do Primaz da Itália. Não é inventar a cada geração um novo cristianismo, mas, fundamentalmente, procurar preservar e espalhar a mensagem que o Verbo encarnado nos legou.

Por fim, o que é mais interessante neste enrosco todo é a diferença da mentalidade que há entre Bento XVI e os seus algozes. Estes últimos acreditam que tudo o que a Cristandade fez, até o momento, foi um amontoado de equívocos e que eles seriam pessoas melhores que todos os mártires e santos juntos. Já Bento XVI, humildemente, procura desempenhar o seu papel, crendo que todos aqueles que o antecederam eram e são imensamente maiores do que ele, pois, como afirmava Bernardo de Chartres, todos nós, reles mortais viventes, não passamos de anões nos ombros de gigantes.

Excetuando, obviamente, aqueles que tudo sabem sem nada ter aprendido, vendo-se perdidos no cipoal de mentiras que contam para si na vã tentativa de construírem uma imagem de suposta dignidade sem ter cimentado nada de significativo no âmago de sua alma.

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Obs.: Recomendamos a leitura do última Encíclica do Papa Bento XVI – SPE SALVI – que está disponível na Internet no site do Vaticano e no nosso site pessoal. Dito isso, desejamos a todos um Feliz Natal, um Próspero 2008 e que Aquele que É ilumine nossa consciência e aqueça o nosso coração.

Deus, porque permitiste isto?” Este é um trecho do discurso proferido por sua Santidade, o Papa Bento XVI, em Auschwitz no ano de 2006. Discurso este que ecoou pela mídia chique e pelos corredores do meio letrado como sendo uma afirmação herética proferida pelo próprio Vigário de Cristo.

Tal impostura de nossa classe letrada tagarelante já é típica. Por deterem um título que apenas atesta a sua superficialidade, estes senhores acreditam que podem opinar sobre tudo e, principalmente, sobre searas que eles desprezam totalmente.

Ora, o caso da repercussão ad infinitum desta passagem é um bom exemplo. Todos os “entendidos” sobre assuntos religiosos mais que rapidamente afirmavam que a fé de Bento XVI seria duvidosa. Eu, de minha parte, afirmo literalmente o inverso do dito. Afirmo que a referida declaração é prova cabal da profunda vida espiritual deste.

Para qualquer pessoa que conheça mediamente a Sagrada Escritura, a referida declaração lembra perfeitamente a passagem em que Cristo, estando no calvário, volve suas vistas para os céus e diz: “Senhor, Senhor, por que me abandonas-te?”. Quem sabe os ditos “entendidos” em todos os assuntos sem ter estudado nenhum passem a afirmar que o próprio Verbo encarnado também duvidasse de sua própria existência, não é mesmo?

De mais a mais, essa exclamação do Sumo Pontífice retrata um olhar de perplexidade diante do mal gerado por nós, seres humanos, no correr da centúria passada.

Outro bom exemplo desta douta cretinice que habita as redações e cátedras de nosso país são as tolas afirmações de que o Sucessor dos Príncipes dos Apóstolos estaria modificando a Igreja, que ele estaria dando uma guinada reacionária na mesma. Bem, pra começo de prosa, o problema desta turma ainda é o mesmo: falam do que desconhecem e desprezam.

Por exemplo, vejamos o tom da primeira Encíclica de seu Pontificado, a DEUS CARITAS EST. Nesta, Bento XVI, reafirma o princípio da subsidiariedade que é parte integrante da Doutrina Social da Igreja, defendida pelos seus antecessores Leão XIII, através da RERUM NOVARUM, por Pio XI, através da CENTESIMUS ANNUS, por Pio XII em sua mensagem de Natal de 1941 e, também, na MATER ET MAGISTRA de João XXIII. Aí, vem um Zé mané que, por não conhecer nada sobre o assunto, presume que ninguém mais conhece e, deste modo, aufere a si o direito de poder dizer qualquer sandice como esta.

Bento XVI está apenas fazendo o que todos os Papas que o antecederam procuram fazer dentro das limitações humanas: preservar a tradição Cristã. Essa é a função do Primaz da Itália. Não é inventar a cada geração um novo cristianismo, mas, fundamentalmente, procurar preservar e espalhar a mensagem que o Verbo encarnado nos legou.

Por fim, o que é mais interessante neste enrosco todo é a diferença da mentalidade que há entre Bento XVI e os seus algozes. Estes últimos acreditam que tudo o que a Cristandade fez, até o momento, foi um amontoado de equívocos e que eles seriam pessoas melhores que todos os mártires e santos juntos. Já Bento XVI, humildemente, procura desempenhar o seu papel, crendo que todos aqueles que o antecederam eram e são imensamente maiores do que ele, pois, como afirmava Bernardo de Chartres, todos nós, reles mortais viventes, não passamos de anões nos ombros de gigantes.

Excetuando, obviamente, aqueles que tudo sabem sem nada ter aprendido, vendo-se perdidos no cipoal de mentiras que contam para si na vã tentativa de construírem uma imagem de suposta dignidade sem ter cimentado nada de significativo no âmago de sua alma.

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Obs.: Recomendamos a leitura do última Encíclica do Papa Bento XVI – SPE SALVI – que está disponível na Internet no site do Vaticano e no nosso site pessoal. Dito isso, desejamos a todos um Feliz Natal, um Próspero 2008 e que Aquele que É ilumine nossa consciência e aqueça o nosso coração.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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