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27 Jul 2007

O Que Significa Ser Um Povo?

Escrito por 
Eis aí uma pergunta interessante. O que nos faz ser o que somos? Fundamentalmente, de que modo poderíamos apresentar o homo brasilienses?

Eis aí uma pergunta interessante. O que nos faz ser o que somos? Fundamentalmente, de que modo poderíamos apresentar o homo brasilienses? Definir o ethos de uma sociedade não é uma tarefa fácil, de modo algum, mas, por essa mesma razão faz-se instigante.

São muitas as nuanças que acabam determinando a maneira de ser de um povo. O que é importante sempre lembrarmos é que em um exercício de reflexão deste gênero devemos atinar nossa atenção para a maneira como nos identificamos e como somos identificados para assim, neste interstício, possamos nos reconhecer enquanto membros de uma grande comunidade imaginária nominada Brasil. Ou seja: responder a indagação que se encontra enunciada no título deste libelo é justamente um exercício de reflexão sobre a nossa identidade, sobre nossa alma.

E é aí que muitas vezes nos esquivamos e preferimos o viés de respostas mais adocicadas sobre nossa imagem, preferindo respostas eivadas de bajulações do que muitas vezes a verdade nua e crua.

Por isso, neste momento, levantamos apenas alguns pontos periclitantes sobre a nossa identidade, sobre o nós, brasileiros. É comum afirmarmos que o Brasil é um país constituído por um povo alegre. Somos o país do futebol, do samba, da cachaça, da bunda. Ótimo! Mas, somos apenas isso? Será que essa é a melhor imagem que temos para externar sobre nós? Como você qualificaria uma pessoa que apresenta como sendo as suas melhores qualidades o gosto pelo futebol, samba, pinga e bunda? Porém, é isso o que demonstramos ser o que há de melhor em nós, como se os outros povos não tivessem os seus folguedos, desportos, bebidas etílicas e belos corpos.

Bem, mas esta é a imagem que é produzida sobre nós e, acima de tudo, ufanada pela maioria. Mas, somos essencialmente isso? Creio que não.

Alias, esta nossa declaração não é proferida no sentido de negar que afirmar o que é o Brasil seja algo unívoco, pois, somos cientes de que no fundo seríamos um grande emaranhado de Brasis. Entretanto, via de regra, somos sempre apresentados como um povo essencialmente lúdico e, acima de tudo e ordeiro nos mais variados Brasis, não é mesmo?

Porém, mais uma vez perguntamos: isso é o que temos de melhor para apresentar a humanidade? Esse é o ponto nosso ponto fundante? Essa é a pergunta capital sobre a identidade de um grupo humano a qual, nos esquivamos constantemente.

Terão aqueles que dirão que essa característica é nosso diferencial frente ao mundo. Maravilha! Mas em que isso nos torna melhor que outras sociedades? Em que esse diferencial poderá contribuir para a melhoria dos outros povos? Em que esse “ser brasileiro” contribuirá para o avanço da humanidade?

Ah! As pessoas se tornarão tão felizes como nós. Opa! Acabamos por cair em uma indagação de caráter filosófico. Alias, começamos mesmo a trilhar uma vereda de feitura metafísica. Isso mesmo: o que seria em si a felicidade? O que é ser feliz, em si?

Sem responder diretamente a esta pergunta, podemos iniciar fazendo uso de uma técnica filosófica bastante simples: antes de procurarmos definir o que algo é, devemos apontar o que este algo não é de modo algum. E, procedendo assim, creio que o amigo poderá chegar a uma conclusão contundente: o que nós brasileiros costumamos chamar de felicidade não passa de maya (termo hindu para ilusão). Ou não?

Estas questões aqui expressas parecem ser um tanto tolas, mas eu, em minha tolice existencial, fico muitas vezes indagando cá com meus botões como que as sociedade vindouras irão se referir a nós, brasileiros, em especial os homo brasilienses que viveram entre o fim da vigésima centúria e início da vigésima primeira? Exemplo de que seremos? Qual será a identidade que teremos frente ao tribunal da História? De que modo estamos contribuindo para a feitura desta identidade? Com essa imagem caricato de “felicidade brasileira” com bunda de fora, nada na cabeça e chuteira nos pés?

Eis aí uma pergunta interessante. O que nos faz ser o que somos? Fundamentalmente, de que modo poderíamos apresentar o homo brasilienses? Definir o ethos de uma sociedade não é uma tarefa fácil, de modo algum, mas, por essa mesma razão faz-se instigante.

São muitas as nuanças que acabam determinando a maneira de ser de um povo. O que é importante sempre lembrarmos é que em um exercício de reflexão deste gênero devemos atinar nossa atenção para a maneira como nos identificamos e como somos identificados para assim, neste interstício, possamos nos reconhecer enquanto membros de uma grande comunidade imaginária nominada Brasil. Ou seja: responder a indagação que se encontra enunciada no título deste libelo é justamente um exercício de reflexão sobre a nossa identidade, sobre nossa alma.

E é aí que muitas vezes nos esquivamos e preferimos o viés de respostas mais adocicadas sobre nossa imagem, preferindo respostas eivadas de bajulações do que muitas vezes a verdade nua e crua.

Por isso, neste momento, levantamos apenas alguns pontos periclitantes sobre a nossa identidade, sobre o nós, brasileiros. É comum afirmarmos que o Brasil é um país constituído por um povo alegre. Somos o país do futebol, do samba, da cachaça, da bunda. Ótimo! Mas, somos apenas isso? Será que essa é a melhor imagem que temos para externar sobre nós? Como você qualificaria uma pessoa que apresenta como sendo as suas melhores qualidades o gosto pelo futebol, samba, pinga e bunda? Porém, é isso o que demonstramos ser o que há de melhor em nós, como se os outros povos não tivessem os seus folguedos, desportos, bebidas etílicas e belos corpos.

Bem, mas esta é a imagem que é produzida sobre nós e, acima de tudo, ufanada pela maioria. Mas, somos essencialmente isso? Creio que não.

Alias, esta nossa declaração não é proferida no sentido de negar que afirmar o que é o Brasil seja algo unívoco, pois, somos cientes de que no fundo seríamos um grande emaranhado de Brasis. Entretanto, via de regra, somos sempre apresentados como um povo essencialmente lúdico e, acima de tudo e ordeiro nos mais variados Brasis, não é mesmo?

Porém, mais uma vez perguntamos: isso é o que temos de melhor para apresentar a humanidade? Esse é o ponto nosso ponto fundante? Essa é a pergunta capital sobre a identidade de um grupo humano a qual, nos esquivamos constantemente.

Terão aqueles que dirão que essa característica é nosso diferencial frente ao mundo. Maravilha! Mas em que isso nos torna melhor que outras sociedades? Em que esse diferencial poderá contribuir para a melhoria dos outros povos? Em que esse “ser brasileiro” contribuirá para o avanço da humanidade?

Ah! As pessoas se tornarão tão felizes como nós. Opa! Acabamos por cair em uma indagação de caráter filosófico. Alias, começamos mesmo a trilhar uma vereda de feitura metafísica. Isso mesmo: o que seria em si a felicidade? O que é ser feliz, em si?

Sem responder diretamente a esta pergunta, podemos iniciar fazendo uso de uma técnica filosófica bastante simples: antes de procurarmos definir o que algo é, devemos apontar o que este algo não é de modo algum. E, procedendo assim, creio que o amigo poderá chegar a uma conclusão contundente: o que nós brasileiros costumamos chamar de felicidade não passa de maya (termo hindu para ilusão). Ou não?

Estas questões aqui expressas parecem ser um tanto tolas, mas eu, em minha tolice existencial, fico muitas vezes indagando cá com meus botões como que as sociedade vindouras irão se referir a nós, brasileiros, em especial os homo brasilienses que viveram entre o fim da vigésima centúria e início da vigésima primeira? Exemplo de que seremos? Qual será a identidade que teremos frente ao tribunal da História? De que modo estamos contribuindo para a feitura desta identidade? Com essa imagem caricato de “felicidade brasileira” com bunda de fora, nada na cabeça e chuteira nos pés?

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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