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20 Nov 2005

O Bispo e o Companheiro Pinóquio “Bandidão”

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Sob os holofotes, sobe no pedestal da moral e dos bons costumes e esbraveja bom mocismo e compromisso com a verdade. Mas na escuridão dos porões do Palácio conspira pessoalmente contra as investigações com a caneta e a chave do cofre.

Em Teófilo Otoni, Vale do Mucuri, uma das mais pobres regiões de Minas Gerais, o presidente Lula disse que o povo elegeu “não um presidente, mas um companheiro”, por causa de sua sensibilidade para com os mais pobres. Dos antecessores destilou despeito: “Possivelmente, todos eles eram muito mais cultos do que eu, leram muito mais livros do que eu, eram até mais inteligentes. (Bingo!) O que não tinham era uma ligação sentimental e de coração com os problemas do povo. É uma coisa chamada liga, é uma coisa chamada sangue”. Mas não disse que segundo o economista José Roberto Afonso, na era FHC os bancos lucraram R$ 5,7 bi, em média, por semestre. Com o companheiro-lá os lucros foram para 18,5 bi, o equivalente a 3,2 vezes mais. Religião, futebol e ligação sentimental de coração não se discute!

Falando em religião, três dias depois de Lula ter negado que sabia do caixa 2 e da compra de parlamentares pelo PT, o presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Geraldo Majella Agnelo, afirmou que “é difícil acreditar” na declaração do presidente. Para o bispo, Lula “exagera” ao tentar demonstrar otimismo. “Pela posição dele, como presidente, ele deve conhecer quem está ao seu lado... E, portanto, se cometem alguma coisa, ele deve querer saber até o fim. Eu penso que ele deve saber, porque isso é da sua competência. Ele não pode estar alheio ao que acontece perto de si”.

No Roda Viva, Lula, com nariz de Pinóquio, declarou: “O que é importante para mim e que me deixa muito de cabeça erguida é o seguinte: nós estamos com três CPI funcionando, não há nenhuma ingerência do governo para criar nenhum problema para a CPI. Acho que o povo brasileiro deve aproveitar que eu estou na Presidência da República e, se alguém tiver denúncias, tem que fazer as denúncias porque elas serão apuradas.” Quase 72 horas depois Lula e sua cúpula fizeram de tudo para a retirada de assinaturas de parlamentares do requerimento de prorrogação da CPI dos Correios até abril de 2006. Segundo a Folha, Lula “contou até com ações discretas do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça!), que procurou parlamentares próximos para buscar demovê-los de estender a comissão” e que “Lula comentou com auxiliares que ‘estava cansado’ por ter ‘tratado pessoalmente’ da CPI. A atuação de Lula repete a adotada em maio passado, quando já havia trabalhado para evitar a instalação da mesma CPI.” Isso somado a R$ 1 bi em emendas resultou na “liga” da mudança de pensamento de mais de 60 políticos preocupados com a total apuração do “denuncismo” que recai sobre companheiros perseguidos pelas elites “deste país”.

Lula-lá se mostra pequeno, acuado, com medo da verdade e insensível àqueles cujos reais interesses jurou defender. Jogou no lixo os milhões de votos dos brasileiros que acreditavam em seu discurso da ética e da honestidade na política. Sob os holofotes, sobe no pedestal da moral e dos bons costumes e esbraveja bom mocismo e compromisso com a verdade. Mas na escuridão dos porões do Palácio conspira pessoalmente contra as investigações com a caneta e a chave do cofre.

O professor de direito penal da USP, Miguel Reale Jr., pensa que Lula cometeu crime de responsabilidade e de falta de decoro ao “tentar manipular a vontade do Congresso com suborno, depois de dizer que não impediria as apurações”. “Esta intervenção direta do presidente, que deixa suas impressões digitais para tentar manipular a vontade do Congresso por meio de emendas, é imoral... impedir o exercício legítimo da fiscalização fere a dignidade do exercício da Presidência”.

A deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP) sentenciou: “lugar de bandido é na cadeia. Ele (Dirceu) chefiou uma quadrilha... tem outro bandidão que vai sair: é o Lula”. “O presidente Lula não só sabia de tudo, como coordenava. Ele era o gestor disso tudo, daí essa amizade intrínseca dele com o Delúbio. O Delúbio tem uma força muito grande, não se entende essa força do Delúbio. O Zé Dirceu foi punido, o Genoino foi punido, o Silvinho Pereira foi punido, o único que não foi punido foi o Delúbio, porque é homem de confiança de Lula. Eu perguntei para o Delúbio: ‘Quem levou você para a tesouraria do PT?’ E ele falou: ‘Foi o presidente Lula!’ Ele veio da CUT diretamente para a tesouraria do PT.”

Fui ver “Dois Filhos de Francisco”. Não gosto muito do estilo mas criticar sem conhecer é covardia. Conclusão: Longo, cansativo e prova de que a insistência, ao mais puro estilo pavloviano, decreta aos sentidos, a ditadura da indústria cultural. É o país do PT e de Lula em seu mais puro (E)stado. A diferença é que os filhos de Francisco têm talento.

Em Teófilo Otoni, Vale do Mucuri, uma das mais pobres regiões de Minas Gerais, o presidente Lula disse que o povo elegeu “não um presidente, mas um companheiro”, por causa de sua sensibilidade para com os mais pobres. Dos antecessores destilou despeito: “Possivelmente, todos eles eram muito mais cultos do que eu, leram muito mais livros do que eu, eram até mais inteligentes. (Bingo!) O que não tinham era uma ligação sentimental e de coração com os problemas do povo. É uma coisa chamada liga, é uma coisa chamada sangue”. Mas não disse que segundo o economista José Roberto Afonso, na era FHC os bancos lucraram R$ 5,7 bi, em média, por semestre. Com o companheiro-lá os lucros foram para 18,5 bi, o equivalente a 3,2 vezes mais. Religião, futebol e ligação sentimental de coração não se discute!

Falando em religião, três dias depois de Lula ter negado que sabia do caixa 2 e da compra de parlamentares pelo PT, o presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Geraldo Majella Agnelo, afirmou que “é difícil acreditar” na declaração do presidente. Para o bispo, Lula “exagera” ao tentar demonstrar otimismo. “Pela posição dele, como presidente, ele deve conhecer quem está ao seu lado... E, portanto, se cometem alguma coisa, ele deve querer saber até o fim. Eu penso que ele deve saber, porque isso é da sua competência. Ele não pode estar alheio ao que acontece perto de si”.

No Roda Viva, Lula, com nariz de Pinóquio, declarou: “O que é importante para mim e que me deixa muito de cabeça erguida é o seguinte: nós estamos com três CPI funcionando, não há nenhuma ingerência do governo para criar nenhum problema para a CPI. Acho que o povo brasileiro deve aproveitar que eu estou na Presidência da República e, se alguém tiver denúncias, tem que fazer as denúncias porque elas serão apuradas.” Quase 72 horas depois Lula e sua cúpula fizeram de tudo para a retirada de assinaturas de parlamentares do requerimento de prorrogação da CPI dos Correios até abril de 2006. Segundo a Folha, Lula “contou até com ações discretas do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça!), que procurou parlamentares próximos para buscar demovê-los de estender a comissão” e que “Lula comentou com auxiliares que ‘estava cansado’ por ter ‘tratado pessoalmente’ da CPI. A atuação de Lula repete a adotada em maio passado, quando já havia trabalhado para evitar a instalação da mesma CPI.” Isso somado a R$ 1 bi em emendas resultou na “liga” da mudança de pensamento de mais de 60 políticos preocupados com a total apuração do “denuncismo” que recai sobre companheiros perseguidos pelas elites “deste país”.

Lula-lá se mostra pequeno, acuado, com medo da verdade e insensível àqueles cujos reais interesses jurou defender. Jogou no lixo os milhões de votos dos brasileiros que acreditavam em seu discurso da ética e da honestidade na política. Sob os holofotes, sobe no pedestal da moral e dos bons costumes e esbraveja bom mocismo e compromisso com a verdade. Mas na escuridão dos porões do Palácio conspira pessoalmente contra as investigações com a caneta e a chave do cofre.

O professor de direito penal da USP, Miguel Reale Jr., pensa que Lula cometeu crime de responsabilidade e de falta de decoro ao “tentar manipular a vontade do Congresso com suborno, depois de dizer que não impediria as apurações”. “Esta intervenção direta do presidente, que deixa suas impressões digitais para tentar manipular a vontade do Congresso por meio de emendas, é imoral... impedir o exercício legítimo da fiscalização fere a dignidade do exercício da Presidência”.

A deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP) sentenciou: “lugar de bandido é na cadeia. Ele (Dirceu) chefiou uma quadrilha... tem outro bandidão que vai sair: é o Lula”. “O presidente Lula não só sabia de tudo, como coordenava. Ele era o gestor disso tudo, daí essa amizade intrínseca dele com o Delúbio. O Delúbio tem uma força muito grande, não se entende essa força do Delúbio. O Zé Dirceu foi punido, o Genoino foi punido, o Silvinho Pereira foi punido, o único que não foi punido foi o Delúbio, porque é homem de confiança de Lula. Eu perguntei para o Delúbio: ‘Quem levou você para a tesouraria do PT?’ E ele falou: ‘Foi o presidente Lula!’ Ele veio da CUT diretamente para a tesouraria do PT.”

Fui ver “Dois Filhos de Francisco”. Não gosto muito do estilo mas criticar sem conhecer é covardia. Conclusão: Longo, cansativo e prova de que a insistência, ao mais puro estilo pavloviano, decreta aos sentidos, a ditadura da indústria cultural. É o país do PT e de Lula em seu mais puro (E)stado. A diferença é que os filhos de Francisco têm talento.

André Plácido

André Arruda Plácido nasceu em Pirajuí (SP) e é cidadão português. Reside em Londrina (PR) onde graduou-se em Relações Públicas e Teologia. Em Bauru (SP) concluiu o curso de Jornalismo. Fez especialização em Comunicação e Liderança em Missões Mundiais pelo Haggai Institute em Cingapura. É professor de comunicação, poeta, radialista, cronista e fotógrafo.

Website.: fotologue.jp/andrearrudaplacido

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