Sex03222019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

Klauber C. Pires

Klauber C. Pires

Analista Tributário, formado como bacharel em Ciências Náuticas, e especialista em Direito Tributário. Já exerceu cargo de chefia na Administração Pública Federal em gerência de administração de recursos materiais e humanos e planejamento. Possui vários cursos de gestão, planejamento, orçamento e licitações e contratos. Em 2006 foi condecorado com como Colaborador Emérito do Exército, título concedido pelo Comando Militar da Amazônia. Dedicado ao estudo autoditada da doutrina do liberalismo, especialmente o liberalismo austríaco. Atualmente escreve para sites como o Causa Liberal, Manausonline.com, O Estadual.com, Parlata, Diego Casagrande, e Instituto Liberdade. Também mantém os Blogs Coligados, que reúne cerca de 40 blogueiros de todo o Brasil, e seu próprio blog, Libertatum .

Segunda, 01 Novembro 2010 11:04

Tu Ne Cede Malis

Termino este texto já tendo ouvido o pronunciamento de Serra, com uma orelha apontada para a esperança e outra para a desconfiança, mas escutei palavras de que o movimento de oposição está só começando, a lutar pela liberdade e pela democracia. Oxalá tenham aprendido a lição.

Os ateus reduzem-se ao seu niilismo para proclamar a inexistência de um Deus por nossas atribulações terrenas; os cristãos esforçam-se e aos poucos vão superando-as neste mundo de aprendizado e de provações.


Um dos trechos da Bíblia que mais me comovem, tanto pela beleza poética quanto pela profundidade do ensinamento, é o de Mateus, cujos versículos 28 a 33 aqui transcrevo: E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Porém, eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé? Portanto, não vos preocupeis, dizendo: Que vamos comer? Que vamos beber? Como vamos nos vestir? Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso. Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.

Valho-me destas palavras do Cristo para externar o meu entendimento particular sobre a sabedoria nelas contida, para mim um tanto além e mais amplo do que o normalmente discorrido no seio das igrejas e dos templos, e que necessita um pouco de explicação para um possível acolhimento pelo leitor.

Para iniciar, recorro a um filme ao qual assisti recentemente, "Mãos Talentosas - A História de Ben Carson", protagonizado pelo excelente ator Cuba Gooding Jr, que cada vez mais tem trazido às telas temas enlevantes e emocionantes. Esta película merece ser a próxima dica cultural de LIBERTATUM, na qual faremos uma resenha mais apropriada. Por aqui, utilizar-me-ei apenas do drama que envolve as cenas atuais da trama, qual seja, a arriscada operação de crianças siamesas unidas pelo cérebro, cuja primeira operação foi bem conduzida pelo médico Benjamim Solomon Carson na vida real, em 1987.

Um dos argumentos mais comuns aos ateus é alegarem que se Deus existisse, viveríamos em um mundo por eles considerado perfeito, isto é, sem doenças, sem cataclismas, sem fome, e claro, também sem crianças deformadas ou siamesas. Ao proclamarem tamanha estultice, desconhecem que julgam Deus com base em sua própria ignorância, mas também ponhamos um parênteses nisto, para nos concentrarmos especificamente no quase milagre da medicina livre, capitalista e ocidental de libertar duas crianças com saúde do triste destino de terem de conviver unidas pela cabeça.

Não é da minha intenção aqui incitar o ódio contra os indígenas brasileiros, mas o melhor que estes povos conseguiram fazer até hoje foi "colocar uma pedra sobre o assunto". Literalmente! Destino não muito melhor tiveram os nenéns nascidos ou abortados nos regimes totalitaristas da Alemanha nazista e todos os comunistas, extintos ou ainda vigentes. Na China, ainda hoje milhares de crianças são largadas à morte por inanição, e nem necessitam ser doentes ou deformadas: bastam terem sido os segundos filhos, ou nascido meninas.

Se foram nos Estados Unidos que pela primeira vez na história a humanidade venceu esta terrível provação, terá sido por sua mera riqueza material? Todavia, isto explica por que outros povos tão ricos quanto não chegaram lá? Em outras palavras: acaso uma suposta nação ateísta, por mais rica que fosse, teria se disposto a desenvolver a tecnologia, o conhecimento e as aparelhagens necessárias à operação - coisas que não se conseguem da noite para o dia - de uns poucos casos dentre milhões? Só para constar, até a edição daquele filme, aquele magnífico doutor houvera operado apenas mais cinco casos. Será que uma Coréia do Norte está disposta a gastar tanto para o fim das pessoas quando o seu fim é a máquina chamada estado? Será que não lhe é muito mais fácil descartar uma engrenagem ruim e substitui-la por outra em boas condições?

Quando li da vida de James H. Hill, um famoso empresário norte-americano do ramo ferroviário, deparei-me de frente com um mundo com o qual os brasileiros em sua maioria desconhecem: o inegável talento e a extraordinária capacidade daquele homem de fazer as coisas acontecer e com o seu empreendimento espalhar paz e prosperidade a todos ao seu redor. A sua companhia, a Great Northern Railroad, funcionava não apenas como uma supereficiente companhia ferroviária, mas também informalmente, como uma eficaz companhia colonizadora: ela financiava a baixo custo a compra de terras ao longo de suas linhas e também promovia carências para os agricultores iniciantes e descontos para os grandes produtores, de modo que literalmente ajudou a fundar dezenas de cidades e e fez centenas ou milhares de famílias ricas de fazendeiros e de outros cidadãos comprometidos com outras atividades produtivas.

Em contrapartida, por onde passavam as linhas férreas estatais, os proprietários de terras tinham de montar guarda armada para se defenderem do desmatamento de suas propriedade para extração dos moentes e alimentação das caldeiras, do roubo de arame farpado e de outras benfeitorias e mesmo do abate de gado para a alimentação dos funcionários!

Com efeito, a "golden age" americana foi construída por muitos homens de boa fé, desejosos de fazer o bem, de construir a prosperidade para si e para os demais concidadãos por meio do trabalho árduo e honesto. James Hill reprovava abertamente todos aqueles quantos buscavam o estado para a obtenção de facilidades privilegiadas tais como reservas de mercado, fixação de preços, cotas de mercado, a serem concretizadas, respectivamente, por leis protecionistas contra o comércio exterior, leis de instauração de agências reguladoras e leis antitruste, sem contar outras formas de indevidas intervenções.

Graças a este povo, uma série incontável de quase-milagres tiveram lugar em um mundo ainda submetido à fome, às guerras e às pragas. Digo assim, "quase-milagres", apenas para não confundi-los com os verdadeiros milagres, estes que de fato pertencem a uma ordem sobrenatural.

Contudo, não são menos valiosos, especialmente se levarmos em conta que estão presentes massivamente em nossas vidas por meio da luz sobre as nossas cabeças, por meio dos remédios eficazes, dos eletrodomésticos que nos poupam tempo, das boas roupas e de tantos outros bens aos quais nem sequer reis, imperadores e faraós imaginavam usufruir.

Há um outro fato que me obriga a fazer a seguinte conexão: olhemos como o mundo simplesmente explodiu em desenvolvimento desde quando repudiou e aboliu a escravidão. Não foi uma evolução linear: foi exponencial, a tal ponto de termos inaugurado uma nova era em nossa caminhada pela Terra. Não tenho como indistinguir tamanha evidência dos ensinamentos de Jesus contidos naqueles versículos de Mateus: "buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo".

Não se confundam aqueles que recorrerem às duas grandes guerras do século XX para falsificar este argumento: são coisas distintas, com causas distintas: Com a abolição da escravidão, um ato coletivo correto, fomos brindados com um grande desenvolvimento material. Depois que este desenvolvimento se produziu, entretanto, grossa parte da população entendeu que houvera sido criado tão somente com os méritos da ciência, e que este conhecimento de meios deveria pautar os nossos fins, pelo que fomos igualmente castigados. Avançamos e fomos recompensados; retrocedemos e sofremos as consequências.

Tomo por iniciativa revelar aos leitores minhas convicções pessoais acerca de um tema religioso ou espiritual, a alguns talvez um tanto inovadoras ou polêmicas, para procurar demonstrar como não podemos abdicar do bem preceituado por Jesus em troca de efêmeros subornos materiais. Com uma nação escorada nos Seus ensinamentos, muita prosperidade material há de vir, acompanhada de uma boa e abundante vida, rica não só materialmente, mas também de sentido.

Vamos resumir: Os ateus reduzem-se ao seu niilismo para proclamar a inexistência de um Deus por nossas atribulações terrenas; os cristãos esforçam-se e aos poucos vão superando-as neste mundo de aprendizado e de provações e enfim, os coletivistas-estatistas atribuem tais méritos à ciência que nada diz sobre fins, eles mesmos que recorrentemente usam a ciência para a morte.

Este artigo foi escrito há duas semanas do segundo turno de 2010, em meio a uma conjuntura política peculiar em que alguns líderes religiosos, de última hora, tomaram consciência a partiram para a ação a denunciar as iniquidades perpetradas desde longo tempo pelo Partido dos Trabalhadores, mas deve servir como um toque de sino para que todo cristão permanentemente se mantenha em vigília, seja qual for o resultado advindo daquele pleito.

Segunda, 18 Outubro 2010 08:20

Negócio Chato Esse Tal de Youtube!

Cuidado, ó jornalistas engajados e vendidos! Cuidado, ó jornalistas negligentes! Agora vocêm devem mostrar seus serviços, pois a falta deles...pode não fazer falta! Cuidado, enfim, ó brasileiros, eis que nunca tiveram tantos instrumentos à disposição para enxergar as mentiras, falcatruas e iniquidades perpetradas pelo PT e suas siglas congêneres.

Quarta, 13 Outubro 2010 09:29

Benfazejos Precedentes

Ao longo do meu esforço pessoal, apartidário e sem absolutamente qualquer forma de patrocínio, por várias vezes busquei o contato com representantes de instituições diversas para alertar sobre as iniquidades que o PT, como partido revolucionário

Sexta, 08 Outubro 2010 09:54

Os Cristãos Podem Mais

O que pode parecer mais absurdo e patético do que ver uma guerrilheira maoísta correr sôfrega aos canais televisivos para afirmar-se como a primeira entre as papa-hóstias?

Pais, cuidado! Talvez os seus filhos (ou filhas) sejam convocados para integrar uma cota mínima de gays nas escolas, à maneira das curvas forçadas do malfadado plano Bresser.

Segunda, 04 Outubro 2010 10:17

Claro Que Há Chances!

Não sou dado a fazer previsões no campo eleitoral. Quando muito, analiso tendências que pairam acima das siglas. As conclusões que seguem baseiam-se neste princípio.

Inovei! Deixemos este negócio de penas e tintas para lá; oras, hoje todos escrevemos com o teclado mesmo, este que já em breve ameaça sair de linha para outras tecnologias mais inovadoras.

Segunda, 06 Abril 2009 21:00

Abaixo a Conscientização!

Para os mais novatos, a novilíngua constitui-se em um truque de retórica, cujo método é operar uma ocultação do verdadeiro objeto de uma discussão e ao mesmo tempo ressaltar as reivindicações do seu postulante.

Os leitores tradicionais dos sites de índole liberal e/ou conservadora em geral já possuem um conhecimento minimamente esclarecido sobre a “novilíngua”, isto é, sobre o glossário de termos e expressões utilizados por militantes de esquerda para sintetizarem em fórmulas básicas suas concepções nonsense de mundo, visando com isto o domínio da pauta sobre os debates cujas bandeiras fazem parte de sua agenda.

Para os mais novatos, a novilíngua constitui-se em um truque de retórica, cujo método é operar uma ocultação do verdadeiro objeto de uma discussão e ao mesmo tempo ressaltar as reivindicações do seu postulante. Desta forma, o interlocutor desavisado passa a expor suas razões segundo o padrão de conceitos já predeterminado por seu oponente. Por exemplo, ao utilizar-se da expressão “distribuição de renda”, o militante socialista já estipula, e de uma só vez, todo o caminho que seguirá o debate de modo que, qualquer que seja o resultado, sempre a vitória há de lhe sorrir.

Ao debatedor mais tarimbado, todavia, esta armadilha é desarmada quando indaga do porquê da necesidade de haver uma distribuição de renda já que, em uma sociedade livre, não há que se falar de um ato de produção de riqueza e outro, separado, de sua distribuição, mas sim de uma única operação, na qual o contratante e o contratado já saem respectivamente com as suas cotas de riquezas na própria concretização do ato celebrado previa e voluntariamente.

Desta vez trazemos um alerta sobre um termo recorrente entre esta gente, sendo praticamente o “mantra” dos ongueiros em geral: “conscientização”! Caso o leitor jamais tenha antes percebido como se opera esta palavrinha mágica, comece a prestar atenção aos noticiários e reportagens, especialmente aquelas sobre “cidadania” e “ecologia” para entender como tais pessoas mal-intencionadas pretendem processar uma verdadeira lavagem cerebral nas cabeças inocentes.

Ninguém conscientiza ninguém: a consciência é uma realização personalíssima! Somente eu posso adquirir a minha consciência, assim como só você pode conquistar a sua. Todas as informações que nos chegam pelos sentidos podem muito bem servir de subsídio para que delas tomemos conhecimento; todavia, a consciência, propriamente, é algo que formamos unicamente em nosso imo, por meio do nosso solitário esforço. Quem quiser entender melhor sobre o assunto, recomendo ir direto com o filósofo Olavo de Carvalho: antes dele, jamais li de alguém lições tão esclarecedoras.

Note como pessoas sensatas e honestas jamais se utilizam deste termo, mesmo que ignorantes ou distraídas quanto ao seu significado. Isto ocorre porque, na prática, não pensam em “formar a consciência” de ninguém, mas apenas “informar”, “esclarecer”, “explicar”; enfim, o que pretendem é demonstrar as suas razões e expor os fatos; elas não fazem chantagem intelectual ou emocional, mas “sugerem”, “propõem”, em um ambiente de respeito a quem se dirigem. Quanto ao leitor, a ele próprio é quem restará a tarefa de reunir dentro de sua mente os elementos oferecidos e sobre eles formar um juízo, diga-se, a sua consciência.

Repare como o termo “conscientizar” sempre é utilizado no imperativo, mais ou menos segundo este esquema: “- os cidadãos DEVEM ser conscientizados quanto à necessidade de...” ou “as pessoas TÊM de se conscientizar de que...”, ou ainda “nós PRECISAMOS conscientizá-los, SIM, que...”. Esta é a característica básica que nos permite flagrar os impostores: quem postula tais expressões não tem outra coisa em mente que não inocular a sua peculiar visão de mundo na cabeça do seu público-alvo, com a injeção de um “vírus” linguístico, cuja função será programar as pessoas para aceitarem as idéias dele como fazendo parte do que acreditam ser a sua própria “consciência”.

O teor psicologicamente coercitivo, por sua vez, já vem embutido na acepção consagrada do termo, agindo tal como um vírus HIV, evitando desta forma que as mentes atingidas ousem iniciar a ativação das defesas cerebrais contra o elemento intruso, isto é, contra aquilo que sentem intuitivamente ter alguma coisa de errado, embora não saibam exatamente o quê; afinal, quem não concorda com a idéia do postulante, é porque não tem consciência! E ninguém quer ficar sem a tal da “consciência”, não é?

A “novilíngua” só tem uma vacina: demonstrar como é operada e divulgar suas artimanhas ao máximo. Só assim desmascararemos estes prestidigitadores.

 

 

 

 

Sábado, 14 Março 2009 21:00

O Planeta Bizarro dos Socialistas

O vício da inversão é tão arraigado no populismo brasileiro que chegamos enfim ao absurdo máximo de aprovar automaticamente os alunos com rendimento insuficiente, como meio de combater a repetência!

Sempre advirto meus convivas: “- afaste-se do adoçante! Adoçante engorda! Veja por si mesmo: a maior parte das pessoas que usa adoçante é gorda!”. Já vi também crianças reclamando de suas mães, mais ou menos assim: “- mãe, você me tortura com este pente fino; você sempre vem com ele pra cima de mim, que nunca tive piolhos...”.

Como se pode verificar dos hilários exemplos acima, trata-se de uma óbvia inversão de causa e efeito. Todavia, contanto que aqui pareça simplesmente, continuamente políticos e intelectualóides esquerdistas recorrem a este procedimento, algumas vezes conscientemente, outras nem tanto – afinal, é a própria maneira de pensar deles que é invertida, de modo que um pensamento de trás pra frente não passa de um desdobramento natural.

Ocorre, porém, que um pensamento legítima e logicamente invertido é inconcebível. Este é o grande problema; o planeta bizarro somente existe nos quadrinhos da Liga da Justiça! Então, o que fazem os socialistas? Copiam como são as coisas nos países desenvolvidos capitalistas, e procuram transmutar para os seus países os efeitos do que eles enxergam, e não as suas causas. Alguns tópicos a seguir podem clarear esta realidade:

Dizem certos pesquisadores que a educação trará a melhoria de vida ao país. Estudos chegam a afirmar até mesmo uma certa quantia estatística que é acrescida à renda ou ao salário de um cidadão, conforme cada ano a mais de estudo. Este tipo de discurso, raramente o vi ser contestado. Pois esta então será uma ótima oportunidade para se verificar a autenticidade de seu conteúdo.

Certo está que a educação, o estudo, a profissionalização podem vir a trazer melhorias de vida aos seus cidadãos. Todavia, o acerto de como se dá esta educação somente ocorre numa sociedade livre, onde cada cidadão tem a chance de aplicar seus estudos na área em que entender que será mais bem-sucedido, e o faz mediante uma criteriosa decisão, já que é ele quem paga. Porém, isto, por si só, não basta. É necessário também que seu conhecimento se transforme efetivamente em um aumento na produção de bens e serviços para a sociedade. Na verdade, esta é a verdadeira causa do aumento da renda e dos salários. Porém, o que faz o governo dos políticos socialistas? Saem multiplicando vagas de ensino – aqui refiro-me especialmente ao nível superior - na crença vã de que os tais aumentos estatísticos caiam no bolso dos seus pupilos como gotas de chuva.

O vício da inversão é tão arraigado no populismo brasileiro que chegamos enfim ao absurdo máximo de aprovar automaticamente os alunos com rendimento insuficiente, como meio de combater a repetência!

Em Cuba, há possivelmente a maior concentração relativa de médicos do mundo. Porém, nem um deles vive bem. Uma anedota popular diz que as esposas de médicos daquele país costumam dizer às suas amigas: “-meu marido é médico, mas um amigo nosso já lhe garantiu uma vaga de garçom para o ano que vem”. Elas se referem, pra quem não sabe, aos resorts estrangeiros que têm tido permissão de explorar o turismo – e os cubanos - que lá só podem colocar o pé por motivo de trabalho. A extrema abundância de profissionais – e tanto pior será quanto mais bem qualificados forem – gera a pobreza em todas as outras áreas onde predomina - forçosamente – a deficiência de recursos humanos. Esta é uma das causas da extrema pobreza daquela ilha-presídio.

No Brasil, as universidades públicas e os incentivos tais como o Prouni e o FIES possibilitam que haja um enorme desperdício de recursos – que, na pior das hipóteses, poderiam ser mais bem utilizados na educação de base. Já conheci inúmeras pessoas que adiam indefinidamente seus cursos, e outras que possuem duas, três e até quatro graduações, sem jamais ter exercido a profissão em uma só delas. Toda esta dinheirama acaba gerando não um enriquecimento geral, mas sim um empobrecimento de toda a sociedade, à medida que as pessoas são enganadas quanto às possibilidades que o mercado tem a oferecer, e fazendo com que um custoso investimento deixe de gerar seus frutos.

Um outro exemplo pode ser mais ilustrativo do que digo. Quando eu era aluno da Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante, a Marinha do Brasil dava aos seus alunos doentes os remédios. Porém, um tenebroso quadro passou a surgir: cada vez mais havia alunos doentes, e os armários dos alojamentos começaram a se parecer mais com farmácias. Quando isto foi bem percebido, a Marinha decidiu então pagar somente a metade de cada remédio. Pois, usando um bom trocadilho: que santo remédio! As filas das enfermarias praticamente sumiram, os alunos se tornaram mais saudáveis, e uma grande economia aos cofres públicos foi alcançada.

Outra falácia esquerdista diz respeito à distribuição de renda. Segundo afirmam categoricamente, no Brasil há uma horda de excluídos e pessoas que ganham muitas vezes mais do que o salário mínimo. Que nos países desenvolvidos a distância entre os menores e os maiores salários raramente chega a ser de seis vezes.

Mais uma vez, outra inversão. Nos países desenvolvidos, a diferença salarial é pouca, porque a atividade econômica é ou foi em um largo período capaz de gerar uma quantidade apreciável de empregos. Com a demanda por trabalhadores aumentada, os salários mais básicos tiveram, forçosamente, de subir. Obviamente, à medida que os salários da base aumentam, tendem a se aproximar relativamente dos salários do topo.

Um mero raciocínio pode demonstrar isto claramente: se João hoje tem oito anos de idade, e Maria, 4, então João tem o dobro da idade de Maria. Todavia, daqui a 60 anos, João será apenas cerca de 6% mais velho do que Maria.

No caso do Brasil, se há uma imensa massa de pessoas desempregadas ou sub-empregadas, isto é tão somente porque o governo as proíbe - literalmente – de conseguirem um emprego, e aqui podemos apreciar mais uma falácia: o salário-mínimo.

Infelizmente, quase todos os brasileiros tendem a acreditar que o salário mínimo é uma garantia de uma renda mínima. Em recente aula de filosofia, um professor declarou taxativamente que o salário-mínimo brasileiro é anti-ético, por não ser capaz de cobrir todas as despesas previstas da Constituição. Em contrapartida, exaltou o salário-mínimo francês, este sim, bastante ético, ainda que a França esteja no sinal vermelho do desemprego.

Pessoas imbuídas de um pensamento socialista sempre exaltam o que pode ser facilmente visto, ou que pretendem mostrar, e varrem pra debaixo do tapete os efeitos colaterais que sempre exsurgem. Pois bem, alguém já chegou a pensar que o salário mínimo não venha a ser uma garantia, mas uma proibição? Ora, se o salário mínimo fosse uma garantia, em cada lar haveria um pai empregado sorridente e uma mesa posta. Pois pergunto: é isto o que acontece? Claro está que não.

O salário mínimo, tenho dito a quem quiser entender, é uma proibição. Por meio da lei que estipula o seu valor, pessoas que exercem uma atividade econômica de menor alcance, como é muito comum nas localidades menores e mais pobres, não podem empregar ou serem empregadas. Daí o desemprego. Pois então pergunto: é ético proibir alguém de trabalhar? Uma pessoa que poderia receber menos que o atual salário mínimo está melhor na condição de desempregada?

Durante todos os dois mandatos do Governo Lula, o salário mínimo foi alegremente aumentado enquanto a economia andava no vácuo das economias mais pujantes em fase de prosperidade, sem que nenhum ajuste estrutural tivesse sido realizado. Agora, quando o mercado sofre um revés – e frise-se, causado pela incúria do estado norte-americano e seguida por outros, inclusive o tupiniquim – é óbvio que Lula não terá peito para fazer regredir os salários de modo que voltem a refletir o quadro da magnitude econômica atual. Antes, fará rodar a maquininha, aquela de imprimir dinheiro, e todos os brasileiros quedar-se-ão mais pobres, pela desvalorização da moeda, pelo endividamento público e/ou e pelo aumento da inflação.

Tempos atrás, uma empregada doméstica que trabalhava comigo pediu a sua demissão, e explicou-me suas razões, que do ponto de vista econômico dariam uma boa aula a quantos economistas andam por aí à solta: acontece que ela morava no interior, onde podia plantar uma roça e se servir da pesca. No interior, estava subempregada, segundo a atual lei do salário mínimo, porque a sua então patroa lhe pagava cerca de duzentos reais por mês. Todavia, era o suficiente para as suas necessidades, desde que com este dinheiro ela podia comprar roupas, remédios e alguns mantimentos. Porém, quando veio para Belém, ela teve de pagar pelo aluguel de sua moradia e por boa parte de sua alimentação, de modo que o salário de trezentos e oitenta reais vigentes à época resultou em bem menos que do que ela costumava obter.

Estes são três singelos exemplos de uma verdadeira enciclopédia deste planeta bizarro chamado Brasil, e torço para que os leitores abram os olhos para tantas quantas decisões equivocadas são tomadas mediante a inversão das causas pelas conseqüências.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.