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Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

Terça, 27 Setembro 2005 21:00

Capitalismo e Desastres Naturais

Na verdade, o preocupante mesmo, que deveria estar no topo das prioridades dos ambientalistas, são os desastres causados pelos homens, e muitos com causa no modelo comunista.

"Our freedom is threatened in many fields because of the fact that we are much too ready to leave the decision to the expert or to accept too uncritically his opinion about a problem of which he knows intimately only one little aspect." (Hayek)

Procuro não escrever sobre assuntos que não tenho bom conhecimento, mas vou abrir uma exceção. Não tenho forte opinião formada sobre as questões ambientais, do tão falado "aquecimento global", efeito estufa etc. Mas de algumas coisas eu sei. E nelas é que pretendo focar, mesmo que en passant.

Em primeiro lugar, vale um caveat : o ambientalismo é um negócio, e um lucrativo negócio. Quanto mais pânico for incutido no povo, mais recursos irão migrar para este negócio. Como há grande assimetria de informação, e somos completamente leigos em relação aos fatores técnicos específicos do setor, fica fácil vender a idéia de caos total e apocalipse iminente, para angariar então bilhões para as causas ambientalistas.

Em segundo lugar, por inúmeros motivos que fogem do escopo deste artigo, o capitalismo passou a ser o perfeito bode expiatório para qualquer problema mundial. A mídia e os meios de comunicação em geral trouxeram para dentro de nossas casas, com impressionante realismo e proximidade, as desgraças alheias há milhares de milhas de distância. Adam Smith já tinha notado que uma desgraça natural na China teria menos impacto para um indivíduo europeu que o conhecimento de que seu dedinho seria cortado. Somos individualistas, é parte da nossa natureza. Mas com a CNN, a desgraça na China parece mais próxima, e incomoda mais. Esse sentimento de solidariedade, somado à ignorância técnica de como melhorar o problema, gera angústia, e cria a necessidade de um culpado. Essa é uma das muitas explicações para o ódio irracional ao capitalismo.

Juntando esses pontos, há cada vez mais gente associando os desastres naturais ao capitalismo. O caso recente do furacão Katrina foi sintomático. Nem vem ao caso aqui falar que o governo americano, não o livre mercado, falhou, tanto na reação como na construção, por exemplo, dos diques que romperam. O que vem ao caso, e causa espanto, é a completa patologia de uns, que logo partem para a acusação irracional de que o capitalismo foi o culpado. Vejamos então alguns exemplos históricos de desastres naturais, para entender como esse "maldito sistema" já era cruel no distante passado, e verificar se o tal aquecimento global pode mesmo explicar os casos recentes.

A China pode ser um bom caso para começo de análise. Não tem nada de capitalista. Entretanto, em 1887, algo como 900 mil pessoas morreram na enchente do rio Amarelo. Em 1931, a grande inundação do rio Yang-tse-kiang causou a morte de cerca de 3 milhões de pessoas, devido à enchente e à falta de alimentos. Enchentes mataram também cerca de um milhão de pessoas entre 1938 e 1939. Novamente, em 1959, fortes enchentes mataram cerca de 2 milhões de pessoas. Em 1976, um terremoto de 8 graus na Escala Richter atingiu Tianjin, matando perto de 255 mil pessoas. Ao menos neste mesmo ano morreria Mao Tse Tung, para a felicidade dos chineses.

Voltando aos Estados Unidos, que sempre desperta maior interesse, principalmente se acontece algo ruim, temos que o maior número de vítimas fatais devido a um furacão foi registrado em 1900, com mais de oito mil mortos. Em 1928, outro furacão matou quase duas mil pessoas. O Katrina, até agora, matou menos de mil pessoas. Em termos de força, o pior furacão se deu em 1935, seguido pelo Camille, em 1969. O Andrew, de 1992, vem depois, mas logo em seguida temos um em 1919 e outro em 1928. Como fica mais que evidente, tem que detestar muito o bom senso para culpar o "aquecimento global" recente pela força do Katrina, ou achar que o capitalismo agora é responsável até por desgraças naturais!

Na verdade, o preocupante mesmo, que deveria estar no topo das prioridades dos ambientalistas, são os desastres causados pelos homens, e muitos com causa no modelo comunista. Não vamos esquecer do acidente nuclear de Chernobyl em 1986, na então comunista Ucrânia. Os ambientalistas nada falam, por exemplo, das precárias condições das usinas nucleares da Coréia do Norte. Ou então dos milhares que morrem todo ano nas minas de carvão da China, ainda fortemente dependente deste recurso energético altamente poluente e perigoso na extração. Só em 2004 foram cerca de 5 mil mineiros chineses mortos em acidentes, trabalhando sem qualquer segurança. Estamos falando de muito mais perdas que as provenientes do Katrina, e com causas claras. Mas como não dá para forçar qualquer ligação com o capitalismo ou Estados Unidos, os ambientalistas preferem sair de férias nessas horas. Voltarão apenas no próximo furacão violento dos Estados Unidos, para nos lembrar como o Protocolo de Kyoto, assim como alguns bilhões a mais para a causa ambientalista, poderão salvar o mundo dessas desgraças no futuro. Acredite se quiser!

Segunda, 19 Setembro 2005 21:00

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Terça, 06 Setembro 2005 21:00

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Terça, 09 Agosto 2005 21:00

Assimetria de Informação

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