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Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

Terça, 11 Julho 2006 21:00

Cartas Marcadas

O presidente Lula, interessado somente na sua reeleição, devolveu ao PMDB o comando integral dos Correios. A estatal, que emprega mais de cem mil funcionários, esteve no epicentro do escândalo de corrupção que assolou o governo Lula recentemente.

O presidente Lula, interessado somente na sua reeleição, devolveu ao PMDB o comando integral dos Correios. A estatal, que emprega mais de cem mil funcionários, esteve no epicentro do escândalo de corrupção que assolou o governo Lula recentemente. Em troca, o partido de Sarney garante apoio maciço à reeleição de Lula, que no passado considerava o mesmo Sarney o próprio demônio em pessoa. Em política, como vemos, vale tudo pelo poder.

Governo não tem que ser empresário. No modelo de mercado livre, sobrevivem as empresas que melhor atendem a demanda dos consumidores, e essa é a verdadeira função das empresas. Estatais acabam sendo utilizadas como moeda política, palco de infindável corrupção e uso eleitoreiro. Pela própria natureza da estatal, ela será sempre mais ineficiente que a empresa privada. Quem duvida, precisa apenas dar uma olhada nas mudanças de gestão da Usiminas, Vale, CSN, Embraer e Telebrás, além das ferrovias, claro. As mudanças são chocantes. Os consumidores recebem melhores produtos, os empregados aderem ao modelo mais justo e meritocrático da gestão focada no lucro, os acionistas assumem os riscos do negócio e recebem os dividendos por isto, e os cofres públicos ainda aumentam com a maior arrecadação de impostos. Só quem perde com a privatização de uma estatal são os parasitas que vivem de mamatas e privilégios concedidos pelo governo, às custas dos consumidores e pagadores de impostos.

Nos Estados Unidos, país cujo PIB ultrapassa US$ 13 trilhões por ano, existem empresas privadas competindo no setor de serviço de entrega, todas buscando a maximização dos lucros. Por isso funciona tão bem. A Fedex tem um lucro anual acima de US$ 1,5 bilhão, e seu valor de mercado está em US$ 35 bilhões. A empresa emprega menos de 90 mil pessoas. O lucro dos Correios, em contrapartida, não chega a US$ 200 milhões. A UPS lucra quase US$ 4 bilhões por ano, valendo cerca de US$ 90 bilhões em bolsa. A Expeditors lucra mais de US$ 200 milhões e vale quase US$ 12 bilhões. A empresa emprega cerca de 10 mil funcionários, ou uns 10% do quadro de colaboradores dos Correios, gerando, entretanto, um lucro maior. Fora estas, existem várias outras empresas privadas competindo no livre mercado de transporte de cargas genéricas. Alguém realmente acha que o serviço de entregas é melhor no Brasil que nos Estados Unidos?

Os consumidores americanos agradecem esta competição existente entre empresas privadas. Os pagadores de impostos também. Não ficam, como nós brasileiros, à mercê de um monopólio estatal ineficiente e corrupto, usado para fins políticos e cabide de empregos. Entendo que existem bons funcionários nos Correios, mas estes não têm nada a temer em uma eventual privatização. Pelo contrário: serão mais reconhecidos e melhor remunerados. A privatização dos Correios tem que ser para ontem! Não há argumentos lógicos para defender o contrário. Manter a situação atual é garantir que as cartas entregues pelos Correios sejam cartas marcadas com um selo político, onde Lula agrada seu colega Sarney enquanto o povo brasileiro paga a conta.

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Sábado, 08 Julho 2006 21:00

Competição Selvagem

Quando tudo é de todos, nada é de ninguém, e uma disputa violenta e desleal será a resposta natural dos indivíduos. Humanos não são insetos gregários, não labutam voluntariamente em prol do bem da colônia.

“Enquanto propriedade é possível sem liberdade, o contrário é inconcebível.” (Richard Pipes)

Em época de Copa do Mundo, torna-se útil lembrar de certas características inatas dos seres humanos, que são, de tempos em tempos, ignoradas por tantos “intelectuais”. A natureza humana é individualista e competitiva, não importa o quanto alguns mintam para tentar negar tal fato. Não precisamos ficar desesperados com isso, posto que tal individualismo é saudável para o progresso da humanidade. A busca da satisfação dos interesses particulares é o motor dos avanços que acabam beneficiando a enorme maioria dos indivíduos.

As idéias utópicas de lutar contra esse individualismo natural são tão antigas quanto a humanidade, ao que parece. Várias religiões, incluindo as mais antigas, criaram a imagem de uma “Idade de Ouro”, onde não havia propriedade privada, sendo tudo comum a todos. A palavra “meu” seria desconhecida nesse suposto paraíso. Entretanto, tal mundo jamais existiu, tampouco sua existência seria possível caso os habitantes fossem humanos. Os que tentaram criar algo similar, partindo desse coletivismo artificial, geraram apenas desgraça e miséria. O paraíso é, na verdade, um inferno.

Esparta, concebida por Licurgo, era um exemplo desse modelo comunista já nos tempos da Grécia Antiga. Aos espartanos era proibido ter não apenas bens materiais, mas mesmo suas mulheres e filhos, que tinham que ser entregues ao Estado na idade de 7 anos para receberem tratamento militar. Platão foi influenciado por este modelo, e sua República idealizada seguia a mesma linha. Depois dele, Thomas More defendeu sua Utopia, e Tommaso Campanella sua Cidade do Sol, ambos com a mesma visão coletivista. O comunismo foi o experimento mais recente que tentou colocar em prática essas crenças, que consideram a propriedade privada um inimigo causador da cobiça, inveja e guerras. Nunca tivemos tanta cobiça, inveja e guerras como nos tempos comunistas da União Soviética, China, Camboja, Coréia do Norte etc. Alguns iludidos, que não aprendem nunca, ainda tentam culpar as pessoas, e não o modelo.

Voltando aos esportes, escutei perplexo de um jornalista a satisfação ao falar de uma propaganda onde atletas desistiam de competir para ajudar um colega que havia ficado no caminho da corrida. Todos chegaram juntos depois, sem vencedores. Uma visão linda! O jornalista então perguntou: “Será que não devemos questionar a própria existência da competição?”. Ao mesmo tempo me passou pela cabeça que ele, um jornalista conhecido e muito bem pago, só estava naquele emprego por fruto da competição. Afinal, tenho certeza que muitos gostariam de ocupar seu lugar. Mas ele foi um vencedor ao estar ali, provavelmente pelos próprios méritos. Será que a contradição não lhe incomoda? Será que a hipocrisia visível em todos que pregam essa ausência de competição no mundo, tendo que competir o tempo todo para satisfazer seus interesses particulares, não os chama a atenção? Será que alguém acha que a Copa do Mundo teria alguma graça se não tivesse vencedores, com todos os países chegando juntos na final? Será que alguém realmente acredita que teríamos jogadores como Ronaldo Gaúcho e Robinho se o individualismo deles não fosse levado em conta na hora de jogar bola? Não vamos esquecer que eles acabam sempre na Europa, onde são mais bem pagos.

A competição individualista é parte da natureza humana, e ideologias utópicas não podem mudar essa realidade. A propriedade privada é o alicerce básico para preservarmos a liberdade dos indivíduos. O respeito na busca dos interesses particulares, incluindo o lucro, é fundamental para nosso progresso. O problema não está em nada disso. Ele começa quando tentamos anular esse individualismo, transformando indivíduos em meios sacrificáveis para um “bem comum” qualquer. Ele começa quando não temos regras básicas e isonômicas, despertando uma competição desleal que abusa de mecanismos imorais. O capitalismo liberal, com respeito ao indivíduo e seu direito de propriedade privada, estimula uma competição saudável, tal como vemos na Copa do Mundo. A troca voluntária beneficia ambas as partes nela envolvida. Contra as fraudes, temos as regras. Mas quem acha que suprimindo a competição em si está acabando com a cobiça e a inveja, não entendeu nada sobre o funcionamento do animal homem. Finge crer que humanos são cupins, enquanto bastaria uma reflexão sincera em frente ao espelho para acabar com essa bobagem.

Quando tudo é de todos, nada é de ninguém, e uma disputa violenta e desleal será a resposta natural dos indivíduos. Humanos não são insetos gregários, não labutam voluntariamente em prol do bem da colônia. O fato de tantas pessoas ainda não terem entendido esta obviedade ululante, ainda sonhando com o comunismo e condenando a competição, o lucro e a propriedade privada, me faz até questionar a veracidade da respeitada teoria de Darwin. Será que certos seres nunca vão evoluir?

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Sexta, 23 Junho 2006 21:00

A Ética no Lixo

A bandeira da ética, sempre utilizada pelo PT, está completamente esgarçada pelas traças do poder. E não obstante tudo isso, Lula será reeleito, ao que tudo indica.

“Não se queixe da neve no telhado da casa do seu vizinho, quando a soleira da sua porta não está limpa.” (Confúcio)

Não temos o direito de exigir uma determinada conduta ética dos nossos vizinhos quando nós mesmos a ignoramos por completo. Dizem que o exemplo correto vale por mil palavras na educação dos filhos. Creio estarem certos. A ética da malandragem, o “faça o que eu digo e não o que eu faço”, abre os portões do caos. Se queremos viver em uma sociedade organizada e de confiança – e temos todos os interesses individualistas para desejar isso – devemos abandonar urgentemente essa postura imoral de cobrar dos outros o que não respeitamos individualmente.

A popular “lei de Gérson”, de tentar tirar vantagem ilícita em cima de todos o tempo todo, cria um ambiente totalmente hostil ao desenvolvimento da sociedade. A relevância do império da lei e da confiança mútua não pode ser subestimada para o sucesso de uma nação. Saber que o próximo irá respeitar as regras isonômicas, e que quando não o fizer será punido, é um ótimo estímulo ao bom andamento das trocas voluntárias entre os cidadãos. Por outro lado, quando impera a lei da selva, quando cada um tenta apenas tirar proveito da inocência alheia ou se organizar para defender seus interesses, por mais injustos e nefastos que sejam, temos um convite irresistível ao atraso. Nenhuma civilização progride decentemente desta forma.

Não fazer com o próximo aquilo que você não gostaria que fizessem contigo é um aforismo bastante razoável, de claro apelo individualista, mas que gera um bom resultado para o coletivo. Infelizmente, esta máxima tem sido bastante ignorada em nosso país, desde os pequenos atos até as decisões que alteram o rumo da nação. Quem realmente respeita o próximo e evita trafegar pelo acostamento durante o engarrafamento? Com receio de ser o “único otário”, a grande maioria acaba aderindo à tentação, prejudicando o resultado geral e todos aqueles que respeitam as regras. Da mesma forma, quantos se dão ao trabalho de recolher as fezes do cão na calçada? Esses exemplos – e existem muitos outros – são simples, do cotidiano, mas denotam o abandono de um código de ética decente.

Transportando isso para os temas maiores, como a política, vemos um quadro mais preocupante ainda. Eleitores simplesmente parecem ignorar as manchas éticas na trajetória dos candidatos, escolhendo-os somente por puro imediatismo, com critérios totalmente imorais. Se o candidato me garante um cargo público, entrega uma esmola estatal qualquer, discursa com afinidade à minha ideologia, protege meu sindicato ou oferece algum privilégio ao meu grupo de interesse, recebe meu voto. Nada mais prejudicial ao bom funcionamento da democracia a longo prazo. Eleger corruptos para defender um interesse imediato é garantia de perpetuar a miséria em nosso país.

Dito isso, me espanta o fato do atual presidente contar com ampla vantagem nas pesquisas de intenção de votos para as próximas eleições. Afinal, trata-se de um governo atolado em infinitos casos de corrupção, com fortes evidências ou mesmo provas. O próprio Ministério Público já deflagrou o esquema de quadrilha montado pelos principais membros do governo e aliados do presidente, que confiava e ainda confia fielmente neles. São escândalos atrás de escândalos, um mais grave que o outro. Os envolvidos não poderiam ser mais próximos do presidente, que foi o maior beneficiado do esquema. Nem mesmo seu filho escapou ileso.

A bandeira da ética, sempre utilizada pelo PT, está completamente esgarçada pelas traças do poder. E não obstante tudo isso, Lula será reeleito, ao que tudo indica. Qual a mensagem que o cidadão brasileiro está mandando? O crime compensa? Tanto faz roubar, contanto que pela minha causa? Se a reeleição de fato se concretizar, parece que esse é o recado do povo. A ética será jogada no lixo. Quando isso ocorre, normalmente o futuro da nação vai para o lixo também. Pobres daqueles cidadãos honestos, que não compactuam com o crime nem são complacentes com os corruptos. Pagarão o preço da irresponsabilidade e da falta de ética da maioria do povo.

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Sábado, 17 Junho 2006 21:00

Os Limites da Soberania Popular

Muitos confundem democracia com um fim, ignorando que esta é apenas um meio para outros objetivos, como a preservação das liberdades individuais e a igualdade perante a lei.

“O assentimento da maioria não basta, de modo algum, em todos os casos, para legitimar seus atos.” (Benjamin Constant)

 

Na história da humanidade, temos inúmeros casos onde um pequeno número de homens, ou mesmo um só, na posse de imenso poder, causava um mal enorme. Muitos, agindo de boa fé na defesa da liberdade, voltaram sua ira contra os possuidores do poder e não contra o próprio poder. Em vez de destrui-lo, pensaram apenas em deslocá-lo. Surgiu assim o dogma da soberania popular, concedendo poderes ilimitados ao povo. A democracia passou a ser um fim em si mesma, como se a vontade da maioria tornasse qualquer ato, por mais absurdo que seja, correto.

Benjamin Constant, um suíço descendente de franceses, que viveu durante os complicados anos do Terror e de Napoleão, combateu duramente esta idéia do ilimitado poder popular. Sua grande preocupação foi criar mecanismos que agissem como moderadores dos poderes, buscando sempre limitar seu grau a ponto de não invadir as liberdades individuais que não devem estar sujeitas ao assentimento da sociedade. Constant era um republicano defensor de um poder neutro, que, na linha de Montesquieu, deveria manter o equilíbrio e a concórdia entre os poderes, sendo imparcial diante dos conflitos políticos. Suas idéias não perderam a atualidade, e seria muito útil que este autor fosse mais estudado, principalmente em um país que carece de um respeito maior às liberdades individuais.

O que se deve acusar, segundo Constant, é o grau de força, e não os depositários dessa força. A soberania do povo, sendo ilimitada, cria um grau de poder demasiado grande, o que representa um mal por si mesmo, quaisquer que sejam as mãos em que for posto tal poder. Em suas palavras, “é contra a arma e não contra o braço que convém ser severo”. Há uma parte da existência humana que, necessariamente, permanece individual e independente, e que está de direito fora de qualquer competência social. Para Constant, Rousseau desconheceu essa verdade, e seu erro fez do seu contrato social, tantas vezes invocado em favor da liberdade, o “mais terrível auxiliar de todos os gêneros de despotismo”. Como a ação que se faz em nome de todos está, queira-se ou não, à disposição de um só ou de uns poucos, o poder concedido acaba nas mãos dos que agem em nome de todos. O resultado prático dos ideais de Rousseau foi o Terror vivido pelos franceses após a Revolução.

Ainda na opinião de Constant, de nada adianta apenas dividir os poderes se a soma total do poder for ilimitada. Os poderes divididos, assim, só necessitariam formar uma coalizão, e o despotismo seria irremediável. Ele afirma: “O que nos importa não é que nossos direitos não possam ser violados por certo poder, sem a aprovação de outro, mas que essa violação seja vedada a todos os poderes”. Há objetos sobre os quais o legislador não tem o direito de fazer uma lei. Nenhuma autoridade é ilimitada, nem a do povo, nem a dos homens que se dizem seus representantes. Os cidadãos possuem direitos individuais independentes de toda a autoridade social ou política, e toda a autoridade que viola esses direitos se torna ilegítima. Para Constant, esses direitos são a liberdade individual, a liberdade religiosa, a liberdade de opinião, na qual está incluída a sua publicidade, o gozo da propriedade e a garantia contra toda e qualquer arbitrariedade. A soberania do povo é circunscrita em limites que lhe traçam a justiça e os direitos dos indivíduos. A vontade de todo um povo não pode tornar justo o que é injusto. Não é a quantidade de adeptos que torna um ato justo ou não. A Alemanha nazista ou o comunismo soviético são provas disso.

Os pensamentos de Benjamin Constant têm muito a contribuir para a formação de uma nação mais justa e livre. Muitos confundem democracia com um fim, ignorando que esta é apenas um meio para outros objetivos, como a preservação das liberdades individuais e a igualdade perante a lei. Aristóteles também viu os riscos da democracia uns 300 anos antes de Cristo. Ele perguntou, em seu livro A Política, se, por serem superiores em número, aprouver aos pobres dividir os bens dos ricos, isso não seria uma injustiça. Claro que a resposta é afirmativa. O uso da força jamais será um poder legítimo, independente da quantidade de beneficiários da espoliação.

Um país que considera o MST um “movimento social”, que vê no Estado a via para uma “justiça social” obtida na marra, que disputa mais e mais privilégios às custas dos discriminados e que deposita na capenga democracia a fonte de um poder ilimitado para o “messias salvador”, precisa muito refletir sobre os ensinamentos de pessoas como Aristóteles e Benjamin Constant. Afinal, até mesmo a tal soberania popular precisa de limites.

Terça, 06 Junho 2006 21:00

Os Bárbaros

Apesar de todos os crimes bárbaros realizados pelo MST, ainda tem quem acredite tratar-se de um movimento social. Nada mais falso. No fundo, o MST busca apenas o poder.

"Não devemos aceitar sem qualificação o princípio de tolerar os intolerantes senão corremos o risco de destruição de nós próprios e da própria atitude de tolerância." (Karl Popper)

A Câmara dos Deputados foi vítima de brutal vandalismo por cerca de 300 manifestantes ligados ao Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), uma dissidência do MST liderada por um petista. Vidros foram quebrados, paus e pedras foram jogados e funcionários foram agredidos, um deles indo parar na UTI. O grupo é o mesmo que havia invadido o prédio do Ministério da Fazenda no ano passado. A lista de crimes perpetrados pelo MST e seus similares é longa, incluindo até seqüestro. Pouco tempo atrás, um laboratório da Aracruz foi destruído. Seus líderes, que deveriam estar atrás das grades, não apenas perambulam soltos por aí, como são recebidos por autoridades governamentais e agraciados com generosas verbas federais. O crime, no Brasil, compensa.

O Estado de Direito é fundamental para qualquer avanço da civilização. Países desenvolvidos costumam contar com um forte império da lei. A impunidade é o maior convite ao crime. Como, então, esperar que a barbárie seja combatida no Brasil quando o partido no governo é antigo aliado dos bárbaros? Tanto o PT como o MST participam juntos do Foro de São Paulo, ao lado de Fidel Castro. Miguel Rosseto, que foi ministro do Desenvolvimento Agrário de Lula, é grande entusiasta do movimento. Tarso Genro já declarou que o PT e o MST têm entre si uma identidade de fundo. A sede do PT gaúcho, que sofreu acusações de ter sido comprada com o dinheiro do jogo do bicho, foi transferida para a Via Campesina, ou seja, para o MST. A Petrobrás, durante a gestão Lula, contribuiu com propaganda para uma revista ligada ao MST. Lula chegou a declarar que a relação entre o PT e o MST era uma relação entre pai e filho. O presidente, que tem a obrigação de preservar a lei, veste o boné dos criminosos. Fica complicado confiar no Estado para a manutenção da ordem desse jeito.

Apesar de todos os crimes bárbaros realizados pelo MST, ainda tem quem acredite tratar-se de um movimento social. Nada mais falso. No fundo, o MST busca apenas o poder. E seu poder vem aumentando muito com o passar do tempo, graças à complacência estatal. Não devemos esquecer que a complacência de hoje é paga com a angústia de amanhã. E se ela persiste, com o sangue de depois de amanhã. A caótica situação colombiana deveria ter ensinado esta lição. O presidente Álvaro Uribe foi reeleito justamente por representar uma ação mais dura contra os terroristas e traficantes das FARC. Há muito tempo se sabe que o MST é apenas um embrião das FARB, Forças Armadas Revolucionárias do Brasil. O recrutamento de militantes vem crescendo de acordo com o aumento de repasse de verbas para o movimento. As invasões, que tanto prejudicam o progresso nacional, são financiadas pelo próprio governo, que auxilia até mesmo na sua logística. Maior inversão de valores é impossível.

O império romano sacudiu com o vandalismo dos bárbaros hunos. Átila conseguiu incutir terror na civilização mais avançada da época. O Brasil não é Roma. Nossas instituições são frágeis ainda, e nosso império da lei é capenga. Nem mesmo os "mensaleiros" estão presos. A impunidade é total. E o governo, que deveria garantir a ordem, flerta ideologicamente com o lado de lá, além de tentar desarmar os cidadãos de bem. Como se defender nessa situação? Será que nos resta apenas ficar à espera dos bárbaros?

Domingo, 28 Maio 2006 21:00

Um Líder Carísmático

O diabo costuma se vestir de nobre altruísta. Os chifres aparecem somente depois que a vítima vendeu-lhe sua alma. Aí já é tarde demais...“Quem espera que o diabo ande pelo mundo com chifres será sempre sua presa.” (Schopenhauer)

Era uma vez um sujeito humilde, que resolveu entrar para o Partido dos Trabalhadores, logo no começo de sua existência. Foi praticamente um dos fundadores do partido. Tamanha era sua influência sobre os demais membros, que logo se tornou o maior líder dentro do partido. Praticamente redigiu o programa que seria defendido pelo partido. Este programa era uma mistura de socialismo com nacionalismo.

O programa defendia a “obrigação do governo de prover aos cidadãos oportunidades adequadas de emprego e vida”. Alertava que “as atividades dos indivíduos não podem se chocar com os interesses da comunidade, devendo ficar limitadas e confinadas ao objetivo do bem geral”. Demandava o “fim do poder dos interesses financeiros”, assim como a “divisão dos lucros pelas grandes empresas”. Também demandava “uma grande expansão dos cuidados aos idosos”, e alegava que “o governo deve oferecer uma educação pública muito mais abrangente e subsidiar a educação das crianças com pais pobres”. Defendia que “o governo deve assumir a melhoria da saúde pública protegendo as mães e filhos e proibindo o trabalho infantil”. Pregava uma “reforma agrária para que os pobres tivessem terra para plantar”. Combatia o “espírito materialista” e afirmava ser possível uma recuperação do povo “somente através da colocação do bem comum à frente do bem individual”. O meio defendido para tanto era o centralismo do poder.

O líder era muito carismático, e sua retórica populista conquistava milhões de seguidores. Ele contava com um brilhante “marqueteiro”, que muito ajudava na roupagem do “messias restaurador”, enfeitiçando as massas. Foi projetada a imagem de um homem simples e modesto, de personalidade mágica e hipnotizadora, um incansável batalhador pelo bem-estar do seu povo. Seus devaneios megalomaníacos eram constantes. Sua propaganda política incluía constante apelo às emoções, repetindo idéias e conceitos de forma sistemática, usando frases estereotipadas e evitando ao máximo a objetividade. O Estado seria a locomotiva do crescimento econômico, da criação de empregos e do resgate do orgulho nacional. A liberdade individual era algo totalmente sem importância neste contexto.

Seu Partido dos Trabalhadores finalmente chegou ao poder, através da mesma democracia que era vista com desdém por seus membros. Uma “farsa” para tomar o poder. O real objetivo tinha sido conquistado. As táticas de lavagem cerebral tinham surtido efeito. Uma vez no governo, o líder foi concentrando mais e mais poder para o Estado, controlando a mídia, as empresas, tudo. Claro que o resultado foi catastrófico, como não poderia deixar de ser. O povo pagou uma elevada conta pelo sonho do “messias” que iria salvar a pátria.

Caro leitor, o líder carismático descrito acima não é quem você está pensando. Ele é, na verdade, Adolf Hitler, líder do Partido dos Trabalhadores Nacional-Socialista da Alemanha, mais conhecido apenas como “nazistas”. Schopenhauer estava certo no alerta da epígrafe. O diabo costuma se vestir de nobre altruísta. Os chifres aparecem somente depois que a vítima vendeu-lhe sua alma. Aí já é tarde demais...

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Terça, 23 Maio 2006 21:00

A Religião Marxista

Marx tinha um bom talento como jornalista polêmico, e sabia usar aforismos de forma inteligente, ainda que a maioria tenha sido copiada de outros autores, e não criada por ele.Poucos intelectuais exerceram tanta influência direta como Karl Marx. Suas idéias, afinal, foram colocadas em prática por seguidores convictos como Lenin, Stalin e Mao Tse-Tung, sacrificando milhões de vidas no altar da utopia. O marxismo pretendia ser científico, e tal termo era comumente usado pelo próprio Marx. Seria crucial, então, analisarmos quão científica era sua obra.

Como o estudo da vida de Marx deixa claro, ele não tinha as características de um cientista que se interessa na busca da verdade. Mais parecia um profeta, interessado em proclamá-la. Seu tom messiânico e seu escrito escatológico, influenciado pelo pano de fundo poético, nada tinham de científico. Sua visão apocalíptica de uma catástrofe imensa prestes a se abater sobre o sistema vigente desprezava a necessidade de evidências sustentadas pelos fatos. Tal característica conquistou muitos seguidores pelo desejo de crer no fim próximo do capitalismo, dispensando o uso da razão para tanto.

Marx tinha um bom talento como jornalista polêmico, e sabia usar aforismos de forma inteligente, ainda que a maioria tenha sido copiada de outros autores, e não criada por ele. Mas seu mérito residia no uso das palavras para instigar sentimentos e revolta nos leitores. A elaboração de sua filosofia foi um exercício de retórica, sem a sustentação de sólidos pilares. Distanciado do mundo real, em seu bunker intelectual, ele iria fazer de tudo para confirmar suas idéias já preconcebidas. Afirmava ser o defensor dos proletários, e até onde sabemos, nunca esteve numa manufatura ou fábrica. Seus aliados eram intelectuais de classe média, como ele, e havia inclusive certo desprezo pela classe trabalhadora.

Um cientista sério busca dados novos que possam contradizer suas teses. Marx nunca fez isso; pelo contrário: tentava encontrar o tipo certo de informação, adequada para suas teorias já definidas. Toda a sua abordagem era no sentido da justificação de algo declarado como sendo a verdade, não na investigação imparcial dos fatos. Era a convicção não de um cientista, mas de um crente. Os dados estariam subordinados aos seus trabalhos de pesquisa, tendo apenas que reforçar as conclusões alcançadas independentemente deles. Com tal método, foi escrita sua obra clássica, O Capital, repleta de contradições, dados errados ou defasados, fontes suspeitas ou mesmo manipulações e falsificações. Assim como na obra do seu colega Engels, o descaso flagrante e a distorção tendenciosa estão presentes nos escritos de Marx, como prova de uma desonestidade inequívoca.

Alguns exemplos merecem destaque para a melhor compreensão desta total falta de compromisso com a verdade, premissa básica para qualquer um que se considera um cientista. Marx utilizou informações obsoletas quando interessava, já que as novas não validavam suas alegações. Em exemplos gritantes, usava casos de décadas atrás para mostrar uma suposta conseqüência nefasta do capitalismo, sendo que o próprio capitalismo tinha feito a situação perversa desaparecer. Ele escolheu também indústrias onde as condições de trabalho eram particularmente ruins, como sendo típicas do capitalismo. Entretanto, esses casos específicos eram justamente nas indústrias onde o capitalismo não tinha dado o ar de sua graça, e as firmas não tinham condições de implantar máquinas, por falta de capital. A realidade gritava que quanto mais capital, menor o sofrimento dos trabalhadores. Marx não tinha o menor interesse em escutar este brado retumbante dos fatos. Salvar a teoria, e em última instância seu ódio ao capitalismo, era mais importante que a verdade. Chamar isso de científico beira o absurdo completo.

No fundo, podemos tentar buscar os motivadores de Marx em alguns aspectos de seu caráter. Ele alimentava um profundo gosto pela violência, tendo deixado isso claro ao longo de toda a sua vida. Desejava ardentemente o poder. Mostrava uma inabilidade irresponsável e infantil de lidar com dinheiro, sendo vítima constante de agiotas. E mostrava uma tendência de explorar os que se encontravam a sua volta, incluindo família e melhores amigos.

Provavelmente, seu rancor refletia uma frustração em possuir certas potencialidades mas ser incapaz de exercê-las de forma mais efetiva. Marx levou uma vida boêmia e ociosa durante sua juventude. Mostrou uma enorme incapacidade de lidar com dinheiro, gastando sempre muito mais que recebia, tendo que parasitar nos familiares e amigos ou recorrer aos agiotas. Isso pode estar na raiz de seu ódio ao sistema capitalista e também seu anti-semitismo, já que os judeus praticavam normalmente a usura. Ele pegava dinheiro emprestado, gastava de forma insensata, e depois ficava nervoso com a cobrança. Passou a ver os juros como um crime contra a humanidade, uma exploração do homem pelo homem. Não o interessava verificar que o problema estava, de fato, em sua completa irresponsabilidade. Chegou ao ponto de ser deserdado pela mãe, que recusou pagar suas dívidas certa vez. Foi procurar refúgio em Engels, um rico herdeiro e a maior fonte de renda de Marx, que passava então a viver como pensionista de um rentier. Sua mulher, de família aristocrata, também foi uma fonte de recursos para Marx. Aquele que considerava o trabalho uma exploração, nunca quis muito saber de trabalhar ou de se relacionar com trabalhadores, orgulhava-se da nobre descendência de sua esposa e ainda vivia às custas do dinheiro dos outros.

Poucos são os casos, em minha opinião, onde um só intelectual concentra tantas idéias estapafúrdias. Fora isso, o desprezo por Marx aumenta mais quando conhecemos sua vida e seu caráter, sem falar do fato de que a concretização de seus ideais derramou um oceano de sangue inocente. Por fim, a autoproclamação de que tanto absurdo e contradição tem um respaldo científico é um crime contra a ciência e a razão. Se a religião é o ópio do povo, como Marx dizia, o marxismo é o crack. Seus seguidores - e eles são muitos ainda, principalmente entre os intelectuais - precisam desprezar o uso da razão para manter a fé dogmática no marxismo. Não foi a razão que falhou nas idéias de Marx. Foi a falta dela, necessária para salvar a religião dogmática que é o marxismo.
Sexta, 19 Maio 2006 21:00

Chega de Impunidade

Vários desses defensores da tal "justiça social" são, na verdade, defensores do crime. São aqueles que pregam soluções milagrosas e "igualdade social" ao mesmo tempo que sempre tomam o partido dos culpados."Quem poupa o lobo, mata as ovelhas." (Victor Hugo)

O povo brasileiro ficou estarrecido com a afronta dos criminosos no último fim de semana, quando ataques orquestrados mataram vários policiais e feriram inocentes em São Paulo. A sensação de insegurança é total - com razão. O Estado é grande demais onde não deveria e falha naquela que é sua função primordial. Os cidadãos de bem viraram reféns dos bandidos. Há uma completa inversão de valores, onde as pessoas honestas vivem aprisionadas e os malfeitores assumem o controle da situação. É chegada a hora de uma reação mais enérgica sobre a questão da segurança.

A principal causa da violência está na impunidade. Quando o crime compensa, e os riscos de punição são baixos, temos um convite ao crime. Há um fator cultural por trás disso, que permite esse clima de baderna generalizada. A mentalidade "humanitária", pregando a igualdade de todos os homens, independente de seus valores e atitudes, chuta a estátua da Justiça, cuja balança deveria servir para emitir um julgamento objetivo dos fatos. O altruísmo, ao pedir que a vítima ofereça a outra face, contribui para a injustiça. Justiça, afinal, é a virtude de julgar objetivamente o caráter e a conduta dos homens e agir de acordo, garantindo a cada homem aquilo que ele merece. Quando alçam a compaixão acima da justiça, quando pedem para não julgarmos de forma a não sermos julgados, estão acabando com qualquer chance de justiça. A recompensa e a punição devem fazer parte do código de ética que pretende ser justo.

A crença em um determinismo qualquer, seja genético ou social, como se o indivíduo não tivesse o poder da escolha, o livre-arbítrio, retira a responsabilidade das pessoas e inviabiliza qualquer julgamento. Se não há escolha não há ação moral ou imoral. A neutralidade moral condena o bom e enaltece o mau. Abster-se de condenar um torturador é o mesmo que tornar-se cúmplice na tortura de suas vítimas. Um homem merece de outros aquilo e tão-somente aquilo que ele faz por merecer. O homem inocente não clama por misericórdia ou compaixão, mas por justiça. Ele quer aquilo que lhe é devido. Enquanto a reação das pessoas ao malfeitor for amolecer, dar a outra face ou culpar fatores exógenos por sua atitude, seu crime jamais irá cessar.

Muitos colocam a culpa da criminalidade na miséria. Esse materialismo é uma afronta a todas as pessoas pobres de bem, ou seja, a grande maioria. A honestidade não depende da conta bancária. Vemos muitos políticos ricos que roubam cada vez mais, enquanto pobres trabalhadores dão duro de forma honesta. Se a miséria fosse a principal causa da violência, a maior ameaça à paz mundial viria da Etiópia, não do rico Irã. Os ataques terroristas, por exemplo, não são financiados por um mutirão de famintos, mas por ricos como Bin Laden, que usam inclusive muitos jovens de classe média. Todos que aproveitam o caos da violência para logo sacar o termo vago "justiça social" deveriam lembrar que seus eleitores humildes não saem por aí matando policiais do nada. Os eleitores deveriam lembrar disso também, para não serem vítimas de um golpe populista. Quando alguém falar que a pobreza é que causa a criminalidade, o leitor humilde deve se perguntar se seria capaz de matar um policial ou uma criança.

Vários desses defensores da tal "justiça social" são, na verdade, defensores do crime. São aqueles que pregam soluções milagrosas e "igualdade social" ao mesmo tempo que sempre tomam o partido dos culpados. São os políticos que defendem os "direitos humanos" sempre objetivando eximir de culpa os criminosos. São os que preocupam-se apenas com os "coitados" dos assassinos, ignorando a dor das vítimas inocentes.

Devemos lembrar que para o triunfo do mal, basta que as pessoas de bem nada façam. A complacência com os algozes é paga com o sangue das vítimas. Se o Brasil pretende ser um país mais justo, devemos dar um basta à impunidade. Direitos humanos sim, mas para os humanos direitos. Para os bandidos, a punição.
Quarta, 10 Maio 2006 21:00

A Sanção das Vítimas

Portanto, todos os brasileiros que defendem mais e mais governo, mesmo após tantas evidências do resultado terrível desse modelo, são culpados pela atual situação do país."Tudo que é necessário para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam." (Edmund Burke)

No filme "V de Vingança", que conta a história futurista de uma Inglaterra dominada por um governo totalitário, o rebelde, conhecido apenas por V, faz um pronunciamento público com uma passagem que marca a mensagem do filme, na minha opinião. Nesta passagem, o revolucionário, que luta sozinho contra o autoritarismo estatal, destaca que a culpa pela presente situação do povo é de ninguém menos que do próprio povo. "Se querem achar um culpado, que olhem no espelho", é o recado do justiceiro. De fato, a maldade no mundo costuma ser possível somente pela sanção das vítimas.

Tal reflexão me remete ao presente momento brasileiro. Ainda estamos bem longe de um cenário caótico como o descrito no filme, que mais se assemelha às experiências socialistas mundo afora, onde as liberdades individuais foram totalmente extirpadas pelo governo. Mas o governo avança sobre o cotidiano do cidadão, assim como seus bens, com uma volúpia assustadora. E o que é mais preocupante: com seu consentimento! O caminho da servidão parece ser uma questão de escolha no país, com os próprios eleitores votando em partidos que pregam o aumento do poder estatal. Os galos querem que a raposa tome conta do galinheiro.

Não parecem suficientes as infindáveis lições de que o excesso de governo causa miséria e escravidão. As vítimas parecem não se importar com o fato de que o nacional-populismo fracassou em todos os países onde foi adotado. Modelos que concentram no Estado o poder de cura para os males do povo, normalmente criados pelo próprio Estado, geraram apenas desgraças. Governos dirigistas, fortemente interventores na economia, que pregam a "justiça social" acima de tudo, que apelam para o ufanismo patriótico, que prometem mais e mais sem focar nos custos, sempre representaram a causa primeira do atraso de uma nação. A América Latina é a prova incontestável disso. Mas com Hugo Chávez, Evo Morales, Kirchner e Lula no poder, parece que alguns povos nunca aprendem.

Dizem que cada povo tem o governo que merece. Seria uma outra maneira de falar que a culpa de um governo totalitário reside no próprio povo. Claro que muitos foram inocentes vítimas de uma carnificina injusta como a perpetrada por Stalin. Mas será que o ditador teria se mantido no poder por tantos anos sem um apoio de boa parte da população, ainda que contando com um regime de terror? O mesmo vale para Hitler. É evidente que o medo incutido pelos governantes nos leigos é uma poderosa arma de sedução. Um povo aturdido, em pânico, miserável e ignorante sempre será presa mais fácil para o oportunismo dos inescrupulosos. Mas será que, no final do dia, não está no espelho o reflexo do verdadeiro culpado? Toda ação gera uma reação. Quando o estado mental da vítima de uma ação maléfica é de letargia total, quando não aprovação masoquista, como culpar somente o ator da ação? Quando a covardia domina os bons, como culpar unicamente os maus? Os alemães que foram complacentes com os nazistas, os soviéticos que contribuíram para a causa comunista, todos esses merecem sua parcela de culpa.

Portanto, todos os brasileiros que defendem mais e mais governo, mesmo após tantas evidências do resultado terrível desse modelo, são culpados pela atual situação do país. Todos aqueles que ignoram os fatos disponíveis e pedem mais do veneno que assola o país merecem parte da culpa. Ignorância não é atenuante neste caso. Não há como alegar total ignorância quando tantas provas estão disponíveis para quem quiser vê-las. Quando um eleitor ignora o "mensalão" e vota no PT apenas porque está satisfeito com seu "bolsa-família", está consentindo com o "rouba mas faz". Quando um cineasta ignora o Ancinav e defende o PT apenas para garantir as verbas federais está autorizando sua escravidão, ainda que bem paga. Quando um jornalista ignora o CNJ proposto pelo PT e vota no partido em troca de cargos para parentes, está pedindo para ser escravo. Quando um funcionário público ignora que os elevados gastos públicos são insustentáveis e vota no PT apenas para manter alguns privilégios, está assinando embaixo de um modelo injusto e criador de miséria.

Enfim, quando alguém ignora o caráter autoritário do PT, o enorme esquema de corrupção arquitetado pelo partido, seu populismo demagógico, suas péssimas amizades, sua ideologia fracassada, fazendo vista grossa à todas as atrocidades cometidas pelo governo Lula, em troca de algum interesse imediato qualquer, merece ser culpado também pelo rumo do país. Afinal, está dando uma carta branca nas mãos de políticos comprovadamente corruptos e incompetentes, vendendo a alma ao diabo em troca de migalhas. Está estendendo o pescoço voluntariamente à guilhotina. Focando apenas no lucro momentâneo, está vendendo a corda que será usada para seu próprio enforcamento. Eis o que ocorre quando o caminho da servidão conta com a sanção das vítimas.
Sábado, 06 Maio 2006 21:00

A Verborragia dos Intelectuais

Quando algumas pessoas afirmam que a resposta para todos os nossos males encontra-se na palavra mágica “educação”, inevitavelmente me vem à cabeça a figura de Marilena Chauí. A professora da USP tem até doutorado, mas defende tudo de errado no mundo.Quando algumas pessoas afirmam que a resposta para todos os nossos males encontra-se na palavra mágica “educação”, inevitavelmente me vem à cabeça a figura de Marilena Chauí. A professora da USP tem até doutorado, mas defende tudo de errado no mundo. Não que eu menospreze a relevância da educação. Ela é fundamental, sem dúvida. Apenas não é a panacéia que alguns pensam, como se fosse curar todas as doenças do nosso povo. Creio que o buraco é mais embaixo. Somos prisioneiros de uma mentalidade torta, que deposita no Estado uma fé messiânica, transferindo a responsabilidade, que é individual, para entes coletivos. Há um grave problema cultural no país. Somente aprender a ler e escrever não resolve isso. Marilena Chauí é a prova disso.

O contra-exemplo para quem deposita toda a fé na educação está em Cuba. Dizem que não há analfabetos naquela ilha-presídio. No entanto, sobra miséria, enquanto Fidel aparece entre os mais ricos do mundo, segundo a revista Forbes, que avalia em quase um bilhão de dólares sua fortuna. Os cubanos são analfabetos funcionais. Como disse Mário Quintana, “os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem”. De que adianta saber ler e ter apenas um jornal como fonte de “informação”, controlado pelo ditador? Para que vale saber ler e ser vítima de doutrinação ideológica desde cedo, nas escolas? O que importa ter diploma e não ter emprego? Temos taxistas engenheiros e prostitutas diplomadas. Isso é o resultado de “educação” sem liberdade econômica. Fica então a pergunta: qual educação é válida?

Voltando ao exemplo de Marilena Chauí, temos nessa intelectual o ícone das pregações esquerdistas que sempre fracassaram, trazendo infinita miséria para as cobaias dessas experiências grotescas. Lembro que o socialismo não foi idealizado por proletários, mas sim por intelectuais eruditos. A doutora Chauí, que tenta culpar fatores exógenos pela enorme crise moral que seu querido partido se meteu, defende aberrações como o MST e ainda enxerga importância no Fórum Social Mundial, cacofonia sem propostas concretas que serve apenas de palco para críticas vazias. O “outro mundo possível” pregado pelos seus participantes é na verdade a Utopia, o “não-lugar”, que na prática leva ao caos e terror dos países que testaram o comunismo. O fato de Chauí ter um doutorado parece não ajudá-la a enxergar o óbvio, partindo da premissa altamente questionável de que ela é honesta intelectualmente.

Os absurdos pregados por Chauí parecem ser infindáveis. A professora considera que justiça “consiste em tornar iguais os desiguais”. Como seres humanos sempre serão diferentes em inúmeros aspectos – tais como altura, beleza, peso e gostos – podemos concluir que tal igualdade diz respeito somente ao fator financeiro. Tamanho materialismo só pode ser fruto de uma grande inveja de quem detesta o sucesso alheio. Afinal, riqueza não é estática, mas sim dinâmica e criada por indivíduos. Para um ficar rico, o outro não tem que ficar pobre. Defender a igualdade material, tirando dos ricos para dar aos pobres, é imoral, além de ineficiente, pois nenhuma nova riqueza será criada assim. Fica também a suspeita de hipocrisia, dado que a professora vive com bem mais conforto que a média, e poderia começar sua “justiça social” doando seus bens materiais para pessoas mais pobres. Defender o altruísmo com o esforço alheio é fácil.

Marilena Chauí culpa o “neoliberalismo” pelos problemas brasileiros. Como pode alguém com tanta erudição desconhecer que o liberalismo passou mais distante do Brasil que Plutão da Terra? Será que tanta “educação” não foi suficiente para a intelectual saber que estamos depois da octogésima posição no ranking de liberdade econômica tanto do Heritage como do Frasier, conhecidos institutos internacionais? Que “neoliberalismo” é esse onde abrir uma empresa é tarefa hercúlea, e fechar é impossível? Onde está a liberdade econômica quando a burocracia controla cada detalhe dos negócios? O Brasil é tudo, menos liberal. Chauí, com mestrado e doutorado, não sabe disso?

Em resumo, educar o povo é crucial, uma condição necessária para o progresso da nação. Mas não parece ser suficiente. Afinal, qual educação será dada é uma questão fundamental. O que será lido quando o povo souber ler? Quando vemos famosos intelectuais defendendo ideologias totalmente fracassadas, fica a dúvida: será que o povo poderá ter uma educação decente sob a tutela de professores como Marilena Chauí? Me parece que antes de tudo os brasileiros precisam de um antídoto contra a verborragia dos intelectuais de esquerda. A maioria das desgraças humanas não foi parida por idéias de completos ignorantes, mas sim por intelectuais de renome, como a senhora Marilena Chuaí.
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