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Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

Sexta, 19 Maio 2006 21:00

Chega de Impunidade

Vários desses defensores da tal "justiça social" são, na verdade, defensores do crime. São aqueles que pregam soluções milagrosas e "igualdade social" ao mesmo tempo que sempre tomam o partido dos culpados."Quem poupa o lobo, mata as ovelhas." (Victor Hugo)

O povo brasileiro ficou estarrecido com a afronta dos criminosos no último fim de semana, quando ataques orquestrados mataram vários policiais e feriram inocentes em São Paulo. A sensação de insegurança é total - com razão. O Estado é grande demais onde não deveria e falha naquela que é sua função primordial. Os cidadãos de bem viraram reféns dos bandidos. Há uma completa inversão de valores, onde as pessoas honestas vivem aprisionadas e os malfeitores assumem o controle da situação. É chegada a hora de uma reação mais enérgica sobre a questão da segurança.

A principal causa da violência está na impunidade. Quando o crime compensa, e os riscos de punição são baixos, temos um convite ao crime. Há um fator cultural por trás disso, que permite esse clima de baderna generalizada. A mentalidade "humanitária", pregando a igualdade de todos os homens, independente de seus valores e atitudes, chuta a estátua da Justiça, cuja balança deveria servir para emitir um julgamento objetivo dos fatos. O altruísmo, ao pedir que a vítima ofereça a outra face, contribui para a injustiça. Justiça, afinal, é a virtude de julgar objetivamente o caráter e a conduta dos homens e agir de acordo, garantindo a cada homem aquilo que ele merece. Quando alçam a compaixão acima da justiça, quando pedem para não julgarmos de forma a não sermos julgados, estão acabando com qualquer chance de justiça. A recompensa e a punição devem fazer parte do código de ética que pretende ser justo.

A crença em um determinismo qualquer, seja genético ou social, como se o indivíduo não tivesse o poder da escolha, o livre-arbítrio, retira a responsabilidade das pessoas e inviabiliza qualquer julgamento. Se não há escolha não há ação moral ou imoral. A neutralidade moral condena o bom e enaltece o mau. Abster-se de condenar um torturador é o mesmo que tornar-se cúmplice na tortura de suas vítimas. Um homem merece de outros aquilo e tão-somente aquilo que ele faz por merecer. O homem inocente não clama por misericórdia ou compaixão, mas por justiça. Ele quer aquilo que lhe é devido. Enquanto a reação das pessoas ao malfeitor for amolecer, dar a outra face ou culpar fatores exógenos por sua atitude, seu crime jamais irá cessar.

Muitos colocam a culpa da criminalidade na miséria. Esse materialismo é uma afronta a todas as pessoas pobres de bem, ou seja, a grande maioria. A honestidade não depende da conta bancária. Vemos muitos políticos ricos que roubam cada vez mais, enquanto pobres trabalhadores dão duro de forma honesta. Se a miséria fosse a principal causa da violência, a maior ameaça à paz mundial viria da Etiópia, não do rico Irã. Os ataques terroristas, por exemplo, não são financiados por um mutirão de famintos, mas por ricos como Bin Laden, que usam inclusive muitos jovens de classe média. Todos que aproveitam o caos da violência para logo sacar o termo vago "justiça social" deveriam lembrar que seus eleitores humildes não saem por aí matando policiais do nada. Os eleitores deveriam lembrar disso também, para não serem vítimas de um golpe populista. Quando alguém falar que a pobreza é que causa a criminalidade, o leitor humilde deve se perguntar se seria capaz de matar um policial ou uma criança.

Vários desses defensores da tal "justiça social" são, na verdade, defensores do crime. São aqueles que pregam soluções milagrosas e "igualdade social" ao mesmo tempo que sempre tomam o partido dos culpados. São os políticos que defendem os "direitos humanos" sempre objetivando eximir de culpa os criminosos. São os que preocupam-se apenas com os "coitados" dos assassinos, ignorando a dor das vítimas inocentes.

Devemos lembrar que para o triunfo do mal, basta que as pessoas de bem nada façam. A complacência com os algozes é paga com o sangue das vítimas. Se o Brasil pretende ser um país mais justo, devemos dar um basta à impunidade. Direitos humanos sim, mas para os humanos direitos. Para os bandidos, a punição.
Quarta, 10 Maio 2006 21:00

A Sanção das Vítimas

Portanto, todos os brasileiros que defendem mais e mais governo, mesmo após tantas evidências do resultado terrível desse modelo, são culpados pela atual situação do país."Tudo que é necessário para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam." (Edmund Burke)

No filme "V de Vingança", que conta a história futurista de uma Inglaterra dominada por um governo totalitário, o rebelde, conhecido apenas por V, faz um pronunciamento público com uma passagem que marca a mensagem do filme, na minha opinião. Nesta passagem, o revolucionário, que luta sozinho contra o autoritarismo estatal, destaca que a culpa pela presente situação do povo é de ninguém menos que do próprio povo. "Se querem achar um culpado, que olhem no espelho", é o recado do justiceiro. De fato, a maldade no mundo costuma ser possível somente pela sanção das vítimas.

Tal reflexão me remete ao presente momento brasileiro. Ainda estamos bem longe de um cenário caótico como o descrito no filme, que mais se assemelha às experiências socialistas mundo afora, onde as liberdades individuais foram totalmente extirpadas pelo governo. Mas o governo avança sobre o cotidiano do cidadão, assim como seus bens, com uma volúpia assustadora. E o que é mais preocupante: com seu consentimento! O caminho da servidão parece ser uma questão de escolha no país, com os próprios eleitores votando em partidos que pregam o aumento do poder estatal. Os galos querem que a raposa tome conta do galinheiro.

Não parecem suficientes as infindáveis lições de que o excesso de governo causa miséria e escravidão. As vítimas parecem não se importar com o fato de que o nacional-populismo fracassou em todos os países onde foi adotado. Modelos que concentram no Estado o poder de cura para os males do povo, normalmente criados pelo próprio Estado, geraram apenas desgraças. Governos dirigistas, fortemente interventores na economia, que pregam a "justiça social" acima de tudo, que apelam para o ufanismo patriótico, que prometem mais e mais sem focar nos custos, sempre representaram a causa primeira do atraso de uma nação. A América Latina é a prova incontestável disso. Mas com Hugo Chávez, Evo Morales, Kirchner e Lula no poder, parece que alguns povos nunca aprendem.

Dizem que cada povo tem o governo que merece. Seria uma outra maneira de falar que a culpa de um governo totalitário reside no próprio povo. Claro que muitos foram inocentes vítimas de uma carnificina injusta como a perpetrada por Stalin. Mas será que o ditador teria se mantido no poder por tantos anos sem um apoio de boa parte da população, ainda que contando com um regime de terror? O mesmo vale para Hitler. É evidente que o medo incutido pelos governantes nos leigos é uma poderosa arma de sedução. Um povo aturdido, em pânico, miserável e ignorante sempre será presa mais fácil para o oportunismo dos inescrupulosos. Mas será que, no final do dia, não está no espelho o reflexo do verdadeiro culpado? Toda ação gera uma reação. Quando o estado mental da vítima de uma ação maléfica é de letargia total, quando não aprovação masoquista, como culpar somente o ator da ação? Quando a covardia domina os bons, como culpar unicamente os maus? Os alemães que foram complacentes com os nazistas, os soviéticos que contribuíram para a causa comunista, todos esses merecem sua parcela de culpa.

Portanto, todos os brasileiros que defendem mais e mais governo, mesmo após tantas evidências do resultado terrível desse modelo, são culpados pela atual situação do país. Todos aqueles que ignoram os fatos disponíveis e pedem mais do veneno que assola o país merecem parte da culpa. Ignorância não é atenuante neste caso. Não há como alegar total ignorância quando tantas provas estão disponíveis para quem quiser vê-las. Quando um eleitor ignora o "mensalão" e vota no PT apenas porque está satisfeito com seu "bolsa-família", está consentindo com o "rouba mas faz". Quando um cineasta ignora o Ancinav e defende o PT apenas para garantir as verbas federais está autorizando sua escravidão, ainda que bem paga. Quando um jornalista ignora o CNJ proposto pelo PT e vota no partido em troca de cargos para parentes, está pedindo para ser escravo. Quando um funcionário público ignora que os elevados gastos públicos são insustentáveis e vota no PT apenas para manter alguns privilégios, está assinando embaixo de um modelo injusto e criador de miséria.

Enfim, quando alguém ignora o caráter autoritário do PT, o enorme esquema de corrupção arquitetado pelo partido, seu populismo demagógico, suas péssimas amizades, sua ideologia fracassada, fazendo vista grossa à todas as atrocidades cometidas pelo governo Lula, em troca de algum interesse imediato qualquer, merece ser culpado também pelo rumo do país. Afinal, está dando uma carta branca nas mãos de políticos comprovadamente corruptos e incompetentes, vendendo a alma ao diabo em troca de migalhas. Está estendendo o pescoço voluntariamente à guilhotina. Focando apenas no lucro momentâneo, está vendendo a corda que será usada para seu próprio enforcamento. Eis o que ocorre quando o caminho da servidão conta com a sanção das vítimas.
Sábado, 06 Maio 2006 21:00

A Verborragia dos Intelectuais

Quando algumas pessoas afirmam que a resposta para todos os nossos males encontra-se na palavra mágica “educação”, inevitavelmente me vem à cabeça a figura de Marilena Chauí. A professora da USP tem até doutorado, mas defende tudo de errado no mundo.Quando algumas pessoas afirmam que a resposta para todos os nossos males encontra-se na palavra mágica “educação”, inevitavelmente me vem à cabeça a figura de Marilena Chauí. A professora da USP tem até doutorado, mas defende tudo de errado no mundo. Não que eu menospreze a relevância da educação. Ela é fundamental, sem dúvida. Apenas não é a panacéia que alguns pensam, como se fosse curar todas as doenças do nosso povo. Creio que o buraco é mais embaixo. Somos prisioneiros de uma mentalidade torta, que deposita no Estado uma fé messiânica, transferindo a responsabilidade, que é individual, para entes coletivos. Há um grave problema cultural no país. Somente aprender a ler e escrever não resolve isso. Marilena Chauí é a prova disso.

O contra-exemplo para quem deposita toda a fé na educação está em Cuba. Dizem que não há analfabetos naquela ilha-presídio. No entanto, sobra miséria, enquanto Fidel aparece entre os mais ricos do mundo, segundo a revista Forbes, que avalia em quase um bilhão de dólares sua fortuna. Os cubanos são analfabetos funcionais. Como disse Mário Quintana, “os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem”. De que adianta saber ler e ter apenas um jornal como fonte de “informação”, controlado pelo ditador? Para que vale saber ler e ser vítima de doutrinação ideológica desde cedo, nas escolas? O que importa ter diploma e não ter emprego? Temos taxistas engenheiros e prostitutas diplomadas. Isso é o resultado de “educação” sem liberdade econômica. Fica então a pergunta: qual educação é válida?

Voltando ao exemplo de Marilena Chauí, temos nessa intelectual o ícone das pregações esquerdistas que sempre fracassaram, trazendo infinita miséria para as cobaias dessas experiências grotescas. Lembro que o socialismo não foi idealizado por proletários, mas sim por intelectuais eruditos. A doutora Chauí, que tenta culpar fatores exógenos pela enorme crise moral que seu querido partido se meteu, defende aberrações como o MST e ainda enxerga importância no Fórum Social Mundial, cacofonia sem propostas concretas que serve apenas de palco para críticas vazias. O “outro mundo possível” pregado pelos seus participantes é na verdade a Utopia, o “não-lugar”, que na prática leva ao caos e terror dos países que testaram o comunismo. O fato de Chauí ter um doutorado parece não ajudá-la a enxergar o óbvio, partindo da premissa altamente questionável de que ela é honesta intelectualmente.

Os absurdos pregados por Chauí parecem ser infindáveis. A professora considera que justiça “consiste em tornar iguais os desiguais”. Como seres humanos sempre serão diferentes em inúmeros aspectos – tais como altura, beleza, peso e gostos – podemos concluir que tal igualdade diz respeito somente ao fator financeiro. Tamanho materialismo só pode ser fruto de uma grande inveja de quem detesta o sucesso alheio. Afinal, riqueza não é estática, mas sim dinâmica e criada por indivíduos. Para um ficar rico, o outro não tem que ficar pobre. Defender a igualdade material, tirando dos ricos para dar aos pobres, é imoral, além de ineficiente, pois nenhuma nova riqueza será criada assim. Fica também a suspeita de hipocrisia, dado que a professora vive com bem mais conforto que a média, e poderia começar sua “justiça social” doando seus bens materiais para pessoas mais pobres. Defender o altruísmo com o esforço alheio é fácil.

Marilena Chauí culpa o “neoliberalismo” pelos problemas brasileiros. Como pode alguém com tanta erudição desconhecer que o liberalismo passou mais distante do Brasil que Plutão da Terra? Será que tanta “educação” não foi suficiente para a intelectual saber que estamos depois da octogésima posição no ranking de liberdade econômica tanto do Heritage como do Frasier, conhecidos institutos internacionais? Que “neoliberalismo” é esse onde abrir uma empresa é tarefa hercúlea, e fechar é impossível? Onde está a liberdade econômica quando a burocracia controla cada detalhe dos negócios? O Brasil é tudo, menos liberal. Chauí, com mestrado e doutorado, não sabe disso?

Em resumo, educar o povo é crucial, uma condição necessária para o progresso da nação. Mas não parece ser suficiente. Afinal, qual educação será dada é uma questão fundamental. O que será lido quando o povo souber ler? Quando vemos famosos intelectuais defendendo ideologias totalmente fracassadas, fica a dúvida: será que o povo poderá ter uma educação decente sob a tutela de professores como Marilena Chauí? Me parece que antes de tudo os brasileiros precisam de um antídoto contra a verborragia dos intelectuais de esquerda. A maioria das desgraças humanas não foi parida por idéias de completos ignorantes, mas sim por intelectuais de renome, como a senhora Marilena Chuaí.
Quarta, 03 Maio 2006 21:00

O Fator Exógeno

A acusação mais injusta que fazem a FHC é a de "neoliberal". Maldade com os liberais!Defensores do governo petista - e eles ainda existem - têm focado bastante em números da economia, comparando a era FHC com a era Lula. Creio que o foco míope na árvore os impede de enxergar a floresta. Na verdade, a melhora em alguns indicadores econômicos vem quase toda de fora. O país surfa na onda de liquidez e crescimento mundial. No governo Lula, temos coisas boas e coisas novas. Entretanto, as boas não são novas, e as novas não são boas. O que permitiu o aproveitamento do vento externo foi justamente o PT ter ignorado tudo que sempre pregou na macroeconomia. Sem ousar neste campo, esquecendo o que sempre defendeu, ao menos não prejudicou tanto as vantagens provenientes de fora.

A acusação mais injusta que fazem a FHC é a de "neoliberal". Maldade com os liberais! FHC combateu a inflação, mas não através do corte abrupto de gastos públicos, receita liberal, mas sim com o aumento do endividamento estatal e da carga tributária. Mas justiça seja feita, seu governo enfrentou graves crises internacionais, como a da Ásia, Rússia, LTCM, Y2K, Argentina e Nasdaq. Que tal compararmos esse ambiente hostil com o contexto mundial em que Lula "governou"?

O mundo nunca passou por uma fase tão próspera assim. São várias as causas, como a entrada da China e Índia no mercado globalizado, liquidez abundante no Japão, revolução tecnológica etc. O resultado é um crescimento econômico mundial acima de 4% ao ano por vários anos seguidos, sem pressão inflacionária. Os países emergentes apresentam números ainda melhores, crescendo cerca de 6% por ano. O promissor BRIC, que junta Brasil, Rússia, Índia e China, vai ainda melhor, com o Brasil na lanterna. A China cresce perto de 10% ao ano. O Brasil tem que melhorar para ficar medíocre. Consegue ganhar do Haiti, e olhe lá! Mas ainda tem petista que comemora isso.

A balança comercial brasileira virou, apresentando elevado superávit. Novamente, nenhum mérito de Lula. Não foram as suas viagens para o Gabão ou Cuba que possibilitaram tal virada, mas sim a elevação dos preços das principais commodities que exportamos, como o minério-de-ferro. O CRB, índice de uma cesta de diferentes commidities, saiu de 200 pontos em 2002 para mais de 350 atualmente, uma alta de 75%. A China merece grande mérito por isso. O governo Lula, nenhum. Pelo contrário: seu governo contribuiu bastante para o aumento de invasões dos criminosos do MST, gerando instabilidade no agronegócio.

Falam da queda nos juros internacionais pagos pelo governo brasileiro também. Agora escutamos até petistas falando no tal "risco país", antes tratado como um bicho estranho usado por engravatados de Wall Street para criticar as propostas heterodoxas do então candidato a presidente pelo PT. De fato, o risco país despencou. Os títulos do Brasil negociam perto de 220 pontos base acima dos títulos do governo americano. Uma beleza, ainda mais se comparado aos 2.000 pontos que atingimos em 2002. Na verdade, era mais para perto dos 1.000 pontos no final do governo FHC, mas o próprio risco Lula fez o risco disparar. Depois voltou a cair, quando viram que Lula não seria na verdade o Lula que sempre havia sido. E iniciou uma forte trajetória descendente. Mérito de Lula? Complicado defender tal tese quando vemos que o risco da Turquia, que também chegou aos 1.000 pontos em 2002, está hoje abaixo dos 200 pontos. A média dos mercados emergentes, que chegou a bater nos 900 pontos em 2002, está abaixo dos 180 pontos atualmente. O spread dos títulos de high yield, de empresas americanas mais arriscadas, desabaram de 1.100 pontos base em 2002 para perto de 300 pontos hoje. Enfim, se Lula é a causa da drástica redução do risco país, ele merece o lugar de santo, não de presidente. Afinal, trata-se de um milagre ele ter feito o risco do mundo inteiro cair tanto!

Poderíamos continuar ad nauseam aqui refutando cada falso argumento que os petistas usam para enaltecer o governo Lula. Isso para não falar do fator ética, totalmente ignorado mesmo com o "mensalão" comprovado. Como os petistas não têm mais como se agarrar nessa bandeira, totalmente esgarçada pelas traças do poder, partem para o "rouba mas faz", focando nos avanços econômicos. Acontece que esses avanços, muito aquém do potencial, não são mérito algum desse governo. Suas causas podem ser encontradas em fatores exógenos.

Os petistas terão que martelar apenas no quesito economia nas próximas eleições. Seria útil que os eleitores tivessem, portanto, maior conhecimento sobre o que ocorreu de fato. A esperança dos petistas é a ignorância popular - além da compra de votos com o assistencialismo populista, claro. Os fatos jogam contra o PT, e por isso os petistas fogem tanto deles. Nosso presidente já está no mundo da lua, considerando a saúde brasileira perto da perfeição. Veremos nas eleições o quanto alienado encontra-se o povo brasileiro.
Terça, 25 Abril 2006 21:00

A Destruição do Ego

Abdicar da razão é viver como um animal irracional, reagindo por instinto. Enfim, é não ser homem!

"Não se dê aos outros a ponto de não poder mais se dar a si mesmo." (Baltasar Gracián)

 

Não há nada mais valioso num indivíduo que o seu ego, seu "eu". A integridade humana exige uma mente independente, que utiliza a razão como instrumento epistemológico maior, e considera sua felicidade própria como o mais elevado objetivo a ser atingido. Negar seu ego é negar sua existência. Viver para os outros é ser um escravo. Abdicar da razão é viver como um animal irracional, reagindo por instinto. Enfim, é não ser homem!

Muitos tentam combater isso, seja por desejo de poder sobre os outros, seja por um patológico ódio ao homem, à vida e à liberdade. Existem diversas maneiras de destruir esse ego, esse individualismo que nasce com os homens. Estar ciente desses métodos utilizados por todos os inimigos do ego é crucial para o combate desta praga que é a anulação do indivíduo como um fim em si mesmo.

Uma das formas de destruir o indivíduo é fazê-lo sentir-se pequeno, incutir culpa nele, matar suas aspirações e sua integridade. Fazem isso pregando a abnegação, afirmando que o homem deve viver para o bem dos outros, não o seu próprio. Afirmam que o altruísmo é o ideal, ou seja, o sacrifício de seus próprios interesses em prol do "bem geral". Ninguém consegue chegar lá, viver desta forma. Todos os instintos humanos clamam contra isso. O homem percebe ser incapaz de atender aquilo que aceitou como a mais nobre das virtudes, passando a sentir-se culpado. Ele se vê como um pecador, um inútil. Estando o ideal supremo acima de seu alcance, ele acaba desistindo de seus ideais, de suas aspirações. Seu valor pessoal entra em colapso. Sente-se obrigado a pregar como certo o que não consegue praticar. Sua honestidade, seu senso de integridade, desaparece. Isso faz com que o homem perca a confiança em si, sentindo-se inseguro, sujo. Torna-se assim uma presa fácil, pronto para obedecer aquele que preencher este vácuo.

Outra forma é acabar com a noção de valores do homem, matando sua capacidade de reconhecer a grandeza ou de alcançá-la. A mediocridade é colocada num altar, tudo que é "lugar-comum" passa a ser enaltecido, e desta maneira os templos estarão demolidos. Como no filme Os Incríveis, quando o filho com super poderes protesta que dizer que todos são especiais é o mesmo que dizer que ninguém o é. Acabando com a reverência, matam o heróico no homem.

Um outro mecanismo usado para o assassínio do ego é não deixar o homem ser feliz. Homens felizes não têm tempo nem interesse em servir. São livres. Por isso, os inimigos do ego não permitem a felicidade, não deixam os indivíduos terem o que querem. Fazem com que as pessoas sintam que os desejos pessoais são um mal, um pecado. As vítimas irão em busca de consolo, apoio, fuga. Os sistemas éticos estabelecidos ao longo de séculos pregam que o sacrifício está acima do prazer individual. A renúncia dos interesses particulares é colocada acima da busca individual da felicidade. A felicidade é atrelada à culpa. Jogar o primogênito no fogo é prova de amor a deus, é nobre. Deitar numa cama de pregos é nobre. Ir para um deserto, mortificar a carne, tudo que é sacrifício passa a ser visto como a meta da vida, o leitmotiv da existência humana. Porém, onde há sacrifício, existe sempre alguém recebendo as oferendas. Onde há servidão, existe um mestre. Por trás dessa pregação toda, enaltecendo o sacrifício humano, está um desejo de poder, de controlar os outros. Aceitar tais valores como nobres é o caminho da desgraça individual.

Como a razão é a maior arma contra tudo isso, claro que anular o seu valor passa a ser outro método utilizado pelos que querem destruir o ego. Assim, fazem com que a razão perca força entre os demais instrumentos cognitivos. Afirmam que ela é limitada, que há sempre algo acima dela. Que o importante não é pensar, mas "sentir". Que ninguém é dono da verdade, logo qualquer teoria é igualmente válida. As vítimas disso sequer notam que para concluírem que a razão não importa tanto, faz-se preciso usar dela.

No objetivo pérfido dessa gente, vale tudo. A meta é uma só: matar o indivíduo e chegar ao poder. A defesa é utilizar justamente a capacidade humana que tanto nos distingue dos demais animais: a razão. Somente ela pode salvar o ego, colocar o homem no seu devido lugar. Não como algo sacrificável para outros fins. Não como uma insignificante parte de um coletivismo qualquer. Não como apenas uma casca para uma outra vida imaginária. Mas como uma finalidade em si, com total direito da busca pela sua felicidade.

Quarta, 19 Abril 2006 21:00

Os Parasitas e a Decadência Moral

Quando penso nesse desvirtuamento total, me vem à cabeça a figura de um Lindberg Farias. Não é nada pessoal. Ele apenas representa um símbolo dessa completa decadência moral."Se alguns homens têm por direito os produtos do trabalho de outros, isso significa que esses outros estão desprovidos de direitos e condenados ao trabalho escravo." (Ayn Rand)

Mataram a meritocracia. Assassinaram o individualismo. Vivemos em tempos de grave corrosão moral da sociedade. São anos e anos de pregação coletivista, colocando o vago "bem comum" acima das realizações individuais. A lavagem cerebral faz com que condenem o sucesso alheio, a obra de indivíduos realmente capazes, que possibilitam um mundo melhor para a humanidade. Os empresários, os inventores, os empreendedores - todos esses passam a ser vistos como "egoístas" gananciosos, enquanto políticos e burocratas posam de nobres altruístas. Sempre com o esforço alheio, claro. Vivemos uma completa inversão de valores.

Tamanha poluição moral faz com que os benefícios da trajetória política compensem, enquanto que os riscos da iniciativa privada acabam inibindo o espírito empreendedor. Tantos privilégios, tantas regalias pavimentam uma estrada podre, onde a via política é mais atraente que a via econômica, das trocas voluntárias no livre mercado. Os agentes do setor privado são transformados em escravos, hospedeiros que entregam quase metade do que ganham para o governo e ainda são reféns da poderosa burocracia. Ser parasita rende bons frutos aqui. Muitos passam a desejar o carimbo do poder, o controle sobre os que realmente produzem e criam riquezas.

Quais os exemplos de heróis da juventude? Seria um Michael Dell, sujeito que do nada construiu um império por ter oferecido valor aos seus consumidores? Seria Sam Walton, que veio da miséria para criar a maior varejista do mundo, que emprega mais de um milhão de pessoas? Ou seria Che Guevara, um guerrilheiro assassino que só fez destruir coisas em sua vida?

Quando penso nesse desvirtuamento total, me vem à cabeça a figura de um Lindberg Farias. Não é nada pessoal. Ele apenas representa um símbolo dessa completa decadência moral. A trajetória do atual prefeito de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, demonstra bem o que quero dizer. Cursou direito em Brasília e na PUC carioca, faculdade para poucos do ponto de vista financeiro. Não completou nenhum dos dois cursos. Diferente de Dell, entretanto, não saiu para empreender e criar algo de valor para os consumidores, mas sim para incitar greves e pregar bravatas. Foi presidente da UNE, movimento formado basicamente por estudantes baderneiros, muitos admiradores do regime assassino comunista. Virou líder popular ao comandar os 'cara-pintadas' no processo de impeachment de Collor. Depois foi eleito deputado federal, transitando entre partidos como o PCdoB, PSTU e PT. Algo que vai do sonho soviético até o "mensalão". Finalmente, chegou à prefeitura de Nova Iguaçu pelo PT, recebendo um bom salário e desfrutando de todas as vantagens que os políticos costumam se auto-conceder. Vive no conforto, pregando contra o conforto dos outros.

Qual a mensagem que sua história passa para os mais jovens? Defronte a duas opções, entre trabalhar duro, estudar muito, assumir riscos e disputar vagas no mercado competitivo, ou pintar a cara, gritar chavões sensacionalistas, distribuir panfletos comunistas, incitar greves e jogar pedras em engravatados, os jovens acabam tendo como exemplo de sucesso o segundo caminho. A própria sociedade enaltece a figura do jovem político que luta pela "justiça social", enquanto chama o empresário de explorador. Mesmo que no combate contra a "desigualdade" este político aumente ainda mais a desigualdade, com seus elevados salários extraídos na marra dos pagadores de impostos, enquanto que os empresários ganham apenas quando satisfazem seus consumidores. Brasília tem, de longe, a maior renda per capita do país. Graças ao combate dos políticos contra a desigualdade.

Essa depravação de valores se alastra para todos os setores. Em vez de trabalhar duro, tentar aprender novas técnicas e aumentar sua produtividade, o "lavrador" se associa ao criminoso MST, invade algumas terras produtivas, acaba com um laboratório de pesquisas e ainda recebe infindáveis verbas do próprio governo, que deveria prender tais bandidos. O crime compensa. A baderna rende frutos no país sem lei e deturpado moralmente.

As coisas começarão a melhorar quando as pessoas entenderem que o indivíduo é um fim em si, não algo sacrificável pelo "bem coletivo". Quando aceitarem que indivíduos que criam riqueza no livre mercado merecem respeito e admiração, não o seqüestro de seus bens em nome da "igualdade". Quando os heróis da juventude forem pessoas como Dell ou Sam Walton, não Che Guevara ou Lindberg Farias. Somente assim os indivíduos empreendedores estarão livres para criar riquezas, gerar prosperidade, sem o peso excessivo de tantos parasitas, cuja existência é possível pela enorme decadência moral da sociedade.
Quarta, 12 Abril 2006 21:00

Habilidade de Resposta

Um dos grandes divisores entre o grupo de indivíduos que cresce na vida e o grupo que apenas existe, como um animal instintivo, é a coragem de assumir erros."Sempre que pensamos que o problema está lá fora, este pensamento é o problema; nós transferimos o poder para o que está lá fora nos controlar." (Stephen Covey)

Um dos grandes divisores entre o grupo de indivíduos que cresce na vida e o grupo que apenas existe, como um animal instintivo, é a coragem de assumir erros. De um lado, aquelas pessoas virtuosas que admitem seus próprios defeitos, sempre na busca sincera pela excelência, para melhorar. Do outro, aqueles fracos que necessitam de bodes expiatórios o tempo todo, que culpam o mundo ao redor pelos seus males, que se colocam como vítimas. Uns são agentes ativos na vida, os outros são passivos diante de tudo. A distinção entre ambos os grupos é gritante.

As ações humanas, por mais influenciadas que possam ser por fatores exógenos, são sempre individuais. Indivíduos agem. A responsabilidade, portanto, deve ser individual. Lembro que responsabilidade vem de habilidade de resposta, fazendo responsável pelo ato aquele que o praticou. Eximir um indivíduo da responsabilidade de seu ato é o caminho certo da desgraça. Pessoas fracassadas costumam sempre depositar a culpa dos seus erros nos outros, de preferência algo bem vago como sociedade, miséria, deus etc. Essas pessoas seriam apenas marionetes, executando ações sem qualquer livre arbítrio. Autômatos guiados por uma força oculta qualquer. Compram assim a tranqüilidade de espírito, jogando para outros a culpa dos próprios erros. Jamais saem da completa mediocridade, no entanto.

Penso nessas coisas quando vejo que o julgamento da assassina dos próprios pais irá começar. A garota logo transfere para o ex-namorado a culpa do seu ato bárbaro. Usa a maconha como bode expiatório também. Ela não cometeu o frio e violento ato, segundo sua perspectiva. Foi "levada" a isso. E onde fica a responsabilidade individual?

Extrapolando essa característica para nações inteiras, vemos que os países miseráveis costumam sempre culpar bodes expiatórios externos pela sua desgraça. São sempre vítimas, transferindo a responsabilidade para outros agentes. A receita certa para se perpetuar a miséria.

O filósofo Schopenhauer já aconselhava nesse sentido: "Não devemos procurar desculpas, atenuar ou diminuir erros que foram manifestamente cometidos por nós, mas confessá-los e trazê-los, na sua grandeza, nitidamente diante dos olhos, a fim de poder tomar a decisão firme de evitá-los no futuro". Um dos "pais fundadores" dos Estados Unidos, Benjamin Franklin, dizia que "os sábios  aprendem com os erros dos outros e os ignorantes não aprendem nem com os próprios". Esse foi um homem que buscou ser melhor a cada dia, sempre trazendo à tona seus próprios erros do passado, para com eles aprender.

O judeu Viktor Frankl, preso pelos nazistas, concluiu que "entre o estímulo e a resposta, o homem tem a liberdade de escolha". Ele decidiu reagir da melhor forma possível diante daquela terrível situação. Não escolhemos tudo que se passa ao nosso redor, mas escolhemos como reagir a tais estímulos. E o nosso fracasso deve ser sempre uma lição. "Para os vencedores, os fracassos são uma inspiração; para os perdedores, o fracasso é uma derrota", lembra Robert Kiyosaki. Uns ficam paralisados diante dos próprios erros, e logo partem para as tradicionais desculpas, jogando o problema para fora de si. Outros assumem a rédea da própria vida, entendendo que os erros devem ser enfrentados, assimilados e transformados em valiosas lições, para jamais serem repetidos. 

Afinal, as ações são individuais. A habilidade de responder por elas também. Liberdade individual só pode andar junto com responsabilidade individual. Quem foge desta, se afasta daquela. Só é livre quem assume a responsabilidade pelos seus atos, sem a busca constante por culpados exógenos.
Domingo, 09 Abril 2006 21:00

A Perfídia de Veríssimo

Desconfio muito que tanta inversão por parte de Veríssimo não seja apenas ignorância. Trata-se de alguém que escreve bem e leu bastante. Fico com outra opção.O cronista Luís Fernando Veríssimo usa e abusa de seu espaço na mídia para propaganda ideológica, sempre defendendo o fracassado socialismo. Recentemente, chamou de "detalhe" a forma pela qual o governo conseguiu as informações sigilosas da conta do caseiro que denunciou o ex-ministro Palocci. Até à Abin foi pedida uma investigação ilegal do caseiro por Palocci.

Caro Veríssimo, não estamos em Cuba, ilha-presídio que o senhor parece admirar, de longe e do seu conforto. Vivemos num país com democracia e Estado de direito. A forma pela qual as informações foram obtidas não é um simples detalhe, mas algo da maior gravidade. Mostra bem a face autoritária desse governo que o senhor tanto defendeu. Tente evitar o proselitismo que lhe é tão característico.

Agora o colunista ataca novamente, com bastante retórica sensacionalista e zero de conteúdo lógico. Escreve em artigo que tanto a "direita" como a "esquerda" sentem saudades do século XIX. Os motivos da saudade esquerdista seriam os ideais revolucionários que iriam transformar o mundo, a crença da inevitabilidade histórica do socialismo. A nostalgia direitista viria dos tempos em que trabalhadores eram explorados, segundo a estranha ótica do autor. Ou seja, de um lado a saudade pelo sonho lindo, do outro a saudade da exploração. E Veríssimo ainda conclui que foi a pregação socialista que estragou a "perfeição" direitista, calcada nessa suposta exploração. Considero difícil achar algum outro texto com tanta baboseira e inversão em tão poucas palavras!

Veríssimo usa o recente caso francês, país cuja mentalidade elitista ele adora, mostrando a luta de alguns barulhentos jovens pela manutenção das conquistas trabalhistas. Diz que aqueles que propõem a flexibilização trabalhista hoje "babariam" com a realidade do velho século, com crianças e mulheres trabalhando até 15 horas por dia. Alguém precisa avisar ao "ilustre" colunista que antes da revolução industrial estas crianças e mulheres morriam como moscas, de inanição. Será que Veríssimo não sabe que esse trabalho era voluntário, posto que a alternativa era a fome? Será que alguém com a erudição de Veríssimo desconhece que foi o avanço da técnica nesta época que possibilitou que a população inglesa dobrasse de tamanho em menos de um século, enquanto havia permanecido estagnada por vários séculos? Será que o autor ignora que a situação da Polônia, por exemplo, era caótica nesta época, e que tudo que as mulheres e crianças polonesas gostariam naqueles duros anos era das oportunidades criadas na Inglaterra?

Veríssimo tem que saber disso tudo. O que ele faz é manipular as informações, comparando a situação atual com aqueles complicados anos. Assim é fácil. Podemos até mesmo concluir que a situação no Haiti não é tão grave, comparada às condições de vida dos babilônicos sob Hamurabi. Fica faltando apenas honestidade intelectual nesta "análise"...

Fora isso, o que possibilitou uma grande melhora na qualidade de vida e condições de trabalho dos mais pobres não foi a "pregação socialista", nem de perto. Basta ver que onde mais influência teve tal pregação, mais miséria o povo experimentou. Na verdade, o que garantiu um progresso acelerado para essa gente foi justamente a lógica capitalista, com avanços tecnológicos e competição entre empregadores. Os funcionários da Dell vivem melhor que os cubanos por esta razão, diferente do que Veríssimo tenta nos convencer. Onde a produtividade do trabalho é maior, os salários tendem a ser maiores. Onde o progresso capitalista é maior, as condições do trabalho tendem a ser melhores. E onde há maior competição entre empresas, com flexibilidade de contratos, as reais conquistas dos trabalhadores tendem a ser maiores.

Mas o autor finge não ver nada disso, que é bastante óbvio. Ele finge crer que são leis escritas, sem quaisquer ligações com a realidade do mercado, que garantem a vida mansa para os trabalhadores. As tais "conquistas" na marra, "protegendo" os trabalhadores contra o desemprego e tudo mais. Se fosse tão simples, bastaria colocar no papel salários milionários e garantia de emprego eterno. Até mesmo a felicidade plena poderia ser imposta por lei. Mas a realidade é chata para os românticos sonhadores. E a realidade é que quanto maior a flexibilidade das leis trabalhistas, melhor para os trabalhadores, principalmente os mais pobres. Afinal, a proteção na marra do emprego de alguns significa a exclusão de outros, que aceitariam trabalhar por menos. Não é por acaso que a taxa de desemprego francesa já é o dobro da americana, passando de 20% no segmento dos jovens, justamente os "protegidos" pela bela lei.

Desconfio muito que tanta inversão por parte de Veríssimo não seja apenas ignorância. Trata-se de alguém que escreve bem e leu bastante. Fico com outra opção. Afinal, são artigos e mais artigos onde o cronista sempre encontra um jeito de condenar o "neoliberalismo" e enaltecer o socialismo, nunca com sólidos argumentos, sempre apelando para uma retórica vazia. Na minha opinião, é mesmo pura perfídia.
Quinta, 30 Março 2006 21:00

Agora é Alckmin!

Não sou um "alckmista" por convicção. Mas sou um "alckmista" por extrema necessidade. E acredito que Alckmin tem potencial para fazer um governo razoável, o que já é extraordinário perto da gestão sofrível de Lula.A política é a arte do possível. Sei que tal pragmatismo do realpolitik incomoda pessoas mais idealistas, nas quais me incluo. Essas pessoas, cansadas da pouca vergonha desses partidos existentes, enojadas com os políticos de forma geral, inclinam-se ao voto nulo, como única forma de protesto. Não deixo de ser simpático a tal idéia, mas considero um equívoco essa opção nas próximas eleições. Tentarei explicar melhor o porquê disso a seguir.

A premissa por trás da escolha do voto nulo é que todos são farinha do mesmo saco, tendo pouca diferença entre o PT e o PSDB. De fato, alguma ponta de verdade há nisso. Mas toda generalização leva a erros e injustiças. O PSDB é um partido que abriga corruptos, sem dúvida. E a mentalidade é por demais estatizante, longe do ideal liberal. Mas nem por isso devemos crucificar Alckmin de cara, colocando-o no mesmo barco furado que Lula. A diferença entre ambos é gritante.

Alckmin não é o candidato dos sonhos dos liberais. Está mais para uma postura social-democrata, ícone de países como os escandinavos. Mas mostrou-se bem preparado durante seu governo em São Paulo, e vem apresentando um discurso no caminho certo, de redução do Estado. O termo "choque de capitalismo", por ele usado, é justo o que o país necessita. Não será fácil aprovar as reformas no Congresso. Alckmin presidente não é sinônimo de milagre brasileiro, e quem assim sonha irá quebrar a cara. Mas é um homem sério, testado, com idéias infinitamente mais racionais e razoáveis que as de Lula. Alckmin pode não conseguir transformar em realidade aquilo que prega, mas ao menos sabe o que quer, e vai trabalhar para isso. Em sua gestão como governador, de fato reduziu impostos estaduais, com ótimos resultados. Já Lula mostrou-se um péssimo presidente, que deu muita sorte ao pegar um vento super favorável de fora. O que funcionou foi aquilo que ele não ousou mexer, enquanto as novidades foram todas caóticas. Alckmin pode não ser o ideal dos liberais, mas está longe de ser um Lula.

Com isso em mente, creio que todos aqueles que não querem espelhar-se nos fracassos mundiais devem votar no Alckmin. Quem tem asco de um Chávez, amigo de Lula, tem que votar no Alckmin. Quem sente repulsa pela turma do Foro de SP tem que votar no Alckmin. Quem fica revoltado com os abusos do MST tem que votar no Alckmin. Quem defende a social-democracia, no estilo escandinavo, tem que votar no Alckmin. E por fim, os liberais, ainda sem opção enquanto o Partido Federalista não surge, têm que votar no Alckmin também. Devemos jogar com as fichas na mesa, aceitando a realidade. Acho que a luta pelo Liberalismo de fato tem que continuar. Alckmin está longe de representar o ponto de chegada. Mas ele é, sem dúvida, o melhor caminho possível hoje para essa desejada transição. A alternativa, o presidente Lula, representa mais passos para trás, rumo ao caminho da servidão. E isso ninguém agüenta mais!

Não sou um "alckmista" por convicção. Mas sou um "alckmista" por extrema necessidade. E acredito que Alckmin tem potencial para fazer um governo razoável, o que já é extraordinário perto da gestão sofrível de Lula. Não resta dúvida: agora é Alckmin!
Sábado, 25 Março 2006 21:00

O Médico e o Monstro

Tal como na obra de Stevenson, o lado mal sempre vence a disputa com o bem nesses casos de personalidade dupla. O médico não tem forças para dominar o monstro. Este é mais forte, mais determinado, e acaba destruindo ambos no final.O médico era um homem sereno, tranqüilo, que gozava de razoável reputação. Vivia, entretanto, um outro ser dentro dele, dividindo o mesmo corpo. Este era medonho, deixando um rastro de pavor e repulsa por onde passava. O médico descobriu a poção mágica do poder, que poderia separar ambos, dando vida a um novo indivíduo, formado unicamente pelas características ruins da dupla personalidade. A impunidade, já que o monstro poderia virar médico a qualquer momento, era um convite ao crime. Desde então, ficara cada vez mais difícil controlar a fera.

O médico ainda resistia, e tornou-se até mesmo um respeitado ministro. Era uma voz de bom senso no meio de uma verborragia populista dos demais membros do governo. Mas o monstro estava lá, vivo, com seu passado de militante esquerdista, com suas ambições desenfreadas pelo poder. Dr. Jeckyl tentava ocultar, mas o passado de Mr. Hyde, que inclui formação de quadrilha e recebimento de propina mensal, ao que tudo indica, viria lhe assombrar. Até mesmo um simples caseiro iria entregar o lado mentiroso do médico, ainda que tudo tenha sido feito para calá-lo e desqualificá-lo, com métodos que remetem à ditadura.

Tal como na obra de Stevenson, o lado mal sempre vence a disputa com o bem nesses casos de personalidade dupla. O médico não tem forças para dominar o monstro. Este é mais forte, mais determinado, e acaba destruindo ambos no final.
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