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Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

Terça, 12 Dezembro 2006 22:00

Imagine

O próprio John Lennon descreveu sua canção como sendo anti-religiosa, anti-nacionalista, anti-convencional e anti-capitalista. A letra foi inspirada em um desejo de Lennon de ver um mundo em paz. Mas curiosamente, os países que mais se afastaram do capitalismo foram os maios violentos.
O romantismo sempre conquistou mais adeptos que a razão. Na tentativa de posar como nobre homem, muitos buscam monopolizar as virtudes, fugindo da necessidade de um debate sobre os meios factíveis. Um dos melhores exemplos diz respeito aos “pacifistas”, todos aqueles que pretendem monopolizar a defesa do fim nobre de um mundo pacífico, sem encarar seriamente quais os melhores métodos para se chegar lá. Ignoram que existem guerras necessárias ou justas, até mesmo para garantir a paz. Acusam todos os que não compartilham de suas idéias ingênuas de belicosos. A música Imagine, escrita e gravada por John Lennon em 1971, representa um excelente ícone desse romantismo.
 
O próprio John Lennon descreveu sua canção como sendo anti-religiosa, anti-nacionalista, anti-convencional e anti-capitalista. A letra foi inspirada em um desejo de Lennon de ver um mundo em paz. Mas curiosamente, os países que mais se afastaram do capitalismo foram os maios violentos. As nações socialistas iniciaram inúmeras guerras com outros países, fora o regime de terror adotado em casa, impedindo até que o próprio povo possa sair livremente. Os “pacifistas” ignoram que a própria pomba virou símbolo da paz por uma litografia que Picasso fez em 1949 para o Congresso Mundial da Paz, cujos patrocinadores eram paradoxalmente os assassinos de Moscou. A religião pode gerar violência sim, principalmente pelo fanatismo. Mas a URSS, formada por comunistas ateus, foi mais violenta que muitos países religiosos.
 
Analisando mais atentamente os principais trechos da música de Lennon, que virou hino dos “pacifistas”, podemos notar uma dose cavalar de ilusão, com total descaso da realidade dos fatos.
 
Imagine there’s no countries
It isn’t hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace
 
Ora, nessa passagem o autor ignora totalmente que não é a existência de nações que fomenta as guerras e a violência. Nação foi um conceito relativamente recente na história da humanidade, e qualquer antropólogo sabe que as tribos primitivas eram tão ou mais violentas que qualquer nação possa ter sido. Uns literalmente matavam os outros, sem qualquer critério de justiça ou direitos humanos, conceito bem recente. 
 
Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world
 
Nesse trecho a utopia cede lugar à hipocrisia mesmo. Afinal, eis um sujeito defendendo o fim das posses enquanto mora num caro edifício em frente ao Central Park em Nova Iorque, endereço nobre para qualquer padrão mundial. Temos inúmeros exemplos de socialistas defendendo a igualdade material enquanto desfrutam do que há de mais luxuoso no mundo. No Brasil mesmo vemos cantores famosos idolatrando Fidel Castro de suas mansões luxuosas, ou escritores de crônicas do cotidiano pregando o socialismo entre uma viagem e outra para Paris. No meu dicionário, isso tem um único nome, que é hipocrisia. Pelo visto, o problema não é a riqueza desigual, mas sim como ela foi obtida. Se for um milionário que prega a "igualdade material" de seu luxuoso apartamento não tem problema algum, mas já se for um empresário trabalhando para oferecer os produtos demandados que geram maior conforto para as massas, é pecado na certa.
 
Fora isso, essa visão tola ignora que a ganância não existe por causa da existência da posse, e sim é algo natural dos homens. Nos países socialistas ou em comunas israelenses, onde tentaram acabar com o direito de propriedade privada, a ganância e a inveja não deixaram de existir, nem de perto. E a fome aumentou. As nações socialistas foram máquinas de mortes por inanição. Por fim, fica a pergunta de como essas pessoas todas iriam "dividir o mundo todo". Não é por acaso que todas as tentativas de seguir no rumo socialista levaram ao despotismo.
 
You may say that I’m a dreamer
But I’m not the only one
I hope someday you’ll join us
And the world will live as one
 
Sem dúvida aqueles que abraçam esses movimentos “pacifistas” podem ser divididos basicamente em dois grupos: os sonhadores e os hipócritas. E Lennon, infelizmente, está correto quando afirma que não é o único. Pelo contrário: milhões e milhões preferem abdicar da razão e mergulhar na solução fácil, apenas repetindo que sonham com a paz e que seria maravilhoso se todos deixassem a ganância de lado. Atacam os inimigos errados, o capitalismo, a existência do lucro, da propriedade privada. ”I hope someday you’ll join us”. Não, obrigado. Eu fico com a razão. “And the world will live as one”. Sim, como um enorme formigueiro, que é o sonho dos socialistas.
Sábado, 02 Dezembro 2006 22:00

O Encontro Marcado

O debate sobre a Previdência mexe com muitas emoções, e por isso acaba gerando mais calor que luz. Entretanto, as leis inexoráveis da economia não aceitam mágica tampouco toleram irresponsabilidade.

Os defensores do status quo em matéria previdenciária tiveram a oportunidade de escolher entre o sacrifício e o progresso fácil; escolheram o progresso fácil; terão o sacrifício.” (Fábio Giambiagi)

Será que um pai que ama de verdade seu filho faria vista grossa para um problema seu com drogas, na esperança de que aquilo que os olhos não vêem o coração não sente? Parece evidente que enfrentar a realidade, por mais dura que ela possa ser, é uma medida mais racional e adequada para quem realmente gosta. Infelizmente, quando o assunto é a Previdência Social, tema de profunda relevância para o futuro dos nossos filhos, muitos preferem agir como se o problema sequer existisse. Não é nada racional.

O título do artigo deriva do excelente livro do economista Fábio Giambiagi, que trabalha com enorme cuidado o delicado tema da necessidade de reformas mais estruturais na Previdência. O ideal seria o modelo de capitalização individual, onde cada indivíduo recebe de acordo com sua própria poupança. É o modelo mais justo, mas politicamente complicado de ser aprovado. O Chile é um claro exemplo que vem à mente, cujo sucesso é estudado no mundo todo. Mas em política, o ótimo é muitas vezes inimigo do bom. Com isso em mente, Giambiagi parte para um pragmatismo maior, fazendo concessões e lembrando do ensinamento de Amyr Klink, de que “no mar, o menor caminho entre dois pontos não é necessariamente o mais curto, mas aquele que conta com o máximo de condições favoráveis”.

Giambiagi enriquece o debate sobre a Previdência com fartos dados – muitos assustadores – e uma lógica inquestionável. Derruba inúmeros mitos sobre o problema, repetidos de forma automática sem a devida reflexão ou conhecimento. Alguns dados deixam claro que, se nada sério for feito, a tendência é explosiva e insustentável. O INSS gastava com aposentadoria e pensões 2,5% do PIB em 1988, quando foi sancionada a nova Constituição, e 18 anos depois gasta quase 8% do PIB. A velocidade do crescimento da população de idosos no Brasil deve acelerar bastante nos próximos anos, agravando muito o problema. Nos próximos 25 anos, a população idosa crescerá aproximadamente 4% ao ano. A demografia nacional não mais ajudará a ocultar a irresponsabilidade do modelo previdenciário. A Previdência é uma bomba-relógio, um acidente esperando para acontecer.

Muitos falam das fraudes ou dos “marajás” como causas principais do rombo, mas tais teses não se sustentam com os dados. Desvios milionários podem parecer somas astronômicas do ponto de vista individual, mas pouco significam frente ao gasto de cerca de R$ 165 bilhões previsto para 2006. As raízes do problema são estruturais, encontram-se no modelo previdenciário em si, na distribuição de direitos sem a devida contrapartida, na idade média baixa das aposentadorias no Brasil etc. Alguns, temendo um confronto com a realidade, repetem que o déficit da Previdência nem mesmo existe, apelando para malabarismos contábeis, como se alterando o nome da despesa ela deixasse de existir. O rombo existe, é crescente, e se nada for feito para alterar tal curso, as futuras gerações pagarão um elevado preço. Os aposentados de hoje estão hipotecando o futuro de seus filhos e netos.

A expectativa de vida média no Brasil pode ser mais baixa que a de países desenvolvidos, mas isso deve-se, em boa parte, à elevada taxa de mortalidade infantil e de jovens. Entretanto, se a pessoa chega viva aos 60 anos, sua expectativa de vida passa da média de 72 anos ao nascimento para 81 anos. Ou seja, se um “garotão” de meia idade se aposenta com 50 anos, provavelmente ainda viverá uns 30 anos, sustentado por uma população ativa cada vez mais penalizada pelos pesados impostos necessários para fechar a conta. Na média, as pessoas no Brasil que se aposentam por tempo de contribuição vivem apenas em torno de um a dois anos menos do que na Suécia, mas se aposentam oito anos antes.

As aposentadorias atreladas ao salário mínimo geram um rombo ainda mais crescente, posto que este teve um aumento real significativo desde o Plano Real. Some-se a isso o fato de cada vez mais mulheres estarem se aposentando, e a participação de idosos estar aumentando no total da população, e fica claro que a situação não é sustentável. O Brasil, quando comparado a outros países do mundo, encontra-se claramente num caso sui generis, com população ainda muito jovem mas com gasto previdenciário relativamente elevado, a pior combinação possível. Como conclui Giambiagi, “um quadro em que seis de cada dez pessoas se aposentam com menos de 55 anos, em um país com todas as carências que o Brasil tem, é algo que faz qualquer estrangeiro arregalar os olhos de incredulidade”.

O debate sobre a Previdência mexe com muitas emoções, e por isso acaba gerando mais calor que luz. Entretanto, as leis inexoráveis da economia não aceitam mágica tampouco toleram irresponsabilidade. Abdicar da razão e deixar a retórica dominar o debate é o caminho da desgraça. Sabemos que politicamente é muito complicado defender as reformas necessárias, pois os custos são imediatos enquanto os benefícios ficam dispersos no tempo. Um famoso economista costumava dizer que no longo prazo estaremos todos mortos. Sem dúvida, já que todos, algum dia, morrerão. Mas a trajetória para este encontro certo pode ser melhor ou não, e isso fará toda a diferença do mundo, tanto para os que viverão até lá, como para seus descendentes. Deixar de fazer os sacrifícios necessários no presente porque morreremos no futuro é irresponsabilidade total. Aí é que a morte chega mais rápido mesmo, e com sofrimento. De nada irá adiantar negarmos os fatos. Eles continuarão existindo. Temos um encontro marcado com a reforma da Previdência, queiramos ou não. Quanto antes, melhor. Os esforços e sacrifícios serão infinitamente maiores depois.

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Domingo, 26 Novembro 2006 22:00

Puritanismo Autoritário

Muitas vezes, por trás de uma pregação de puritanismo exacerbado, encontra-se um sentimento humano bastante mesquinho, considerado por vários filósofos como um enorme vício.

Perecer, quer o vosso ser próprio, e por isso vos tornastes desprezadores do corpo!” (Nietzsche)

Muitas vezes, por trás de uma pregação de puritanismo exacerbado, encontra-se um sentimento humano bastante mesquinho, considerado por vários filósofos como um enorme vício. Após alguns malabarismos, entretanto, os pregadores tentam transformar tal vício em aparente virtude. Os verdadeiros motivadores, se expostos à luz da razão, fariam com que os bois recebessem seus verdadeiros nomes. Não são nomes bonitos.

H. L. Mencken escreveu: “Existe somente um impulso honesto no fundo do Puritanismo, e este é o impulso de punir o homem com a capacidade superior para a felicidade – trazê-lo para baixo até o nível de ‘bom’ homem, i.e., do estúpido, covarde e cronicamente infeliz”. São palavras duras e diretas, provenientes do “Nietzche americano”, mas que sem dúvida forçam uma reflexão. Algumas pessoas não sabem ou não conseguem ser felizes de verdade, ou aproveitar determinados prazeres materiais, e um forte sentimento de inveja as domina. A inveja é um sentimento poderoso e destrutivo, onde a felicidade de sua vítima não é o foco, mas sim a infelicidade do vizinho. Se este quebrar a perna, o invejoso irá vibrar, como se pudesse andar melhor agora.

Assim, pessoas que sentem dificuldade de aproveitar a vida usufruindo dos prazeres do corpo, sem que isso seja sinônimo de futilidade, vazio ou niilismo até, partem para a agressão dos costumes dos demais, tratados como vícios terríveis, pecados mortais. Tentam incutir culpa naqueles seres felizes, como se tal felicidade fosse um pecado. Vários sucumbem a tentação de defender o uso de coerção – o Estado – para impedir que os demais possam usufruir livremente desses “vícios”. Desta forma, aquele que não consegue beber apenas socialmente prega a lei seca; aquele que não consegue fumar maconha esporadicamente defende sua criminalização; aquele que não suporta a tentação da prostituta pede que sua profissão seja banida por lei; etc. Isso não quer dizer que todos aqueles que defendem tais coisas são necessariamente invejosos, mas sim que todos os que usam o puritanismo para tal fim são.

Isso para não falar dos “puritanos” apenas nas aparências – os hipócritas – que precisam defender um estilo de vida o qual são incapazes de seguir na prática, mesmo com toda a imposição moral que se impõem. Hugo Mann, o personagem de Cabeça de Negro, romance de Paulo Francis, foi no cerne da questão: “Todo carola precisa pecar feio para se arrepender; quebra a monotonia da carolice; a rotina corrompe qualquer fé”. Os “pecadores” em questão adoram pregar um ideal de vida que entra em confronto com a natureza humana, para depois martirizarem-se com seus desvios de conduta. De fato, com tanta dicotomia criada artificialmente entre corpo e alma, como se para esta ser “salva” aquele tivesse que sofrer, fica praticamente impossível atingir a felicidade. Nosso corpo, afinal, faz parte do que somos, e não é apenas uma carcaça que transporta a alma.

Se para a minha felicidade um determinado estilo de vida parece inadequado, isso não quer dizer que meu vizinho tenha que seguir a mesma receita. Contanto que meus atos não tirem a liberdade do outro, devo ser livre para ser feliz à minha maneira. Os que pedem para o Estado proibir tudo aquilo que eles mesmos não conseguem evitar voluntariamente, ignoram este princípio, e deixam a inveja falar mais alto. O sentimento é algo como ‘já que eu não posso, ninguém mais deve poder’. Talvez ninguém melhor que o próprio Nietzsche tenha detectado as causas desse puritanismo aparente: “Há uma inconsciente inveja no vesgo olhar do vosso desprezo. Não sigo o vosso caminho, ó desprezadores da vida! Não sois, para mim, ponte que leve ao super-homem. Assim falou Zaratustra”. E está falado!

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Segunda, 20 Novembro 2006 22:00

O Adeus a Milton Friedman

Assim, a morte de um grande homem merecerá poucos comentários por parte da mídia, e sequer será notado pela grande platéia.

Não existe almoço grátis.” (Milton Friedman)

Em 1976, ano em que nasci, o economista Milton Friedman – de família pobre vinda da Ucrânia – ganhava seu prêmio Nobel pelas grandes contribuições ao debate econômico. Friedman foi um dos maiores economistas do século XX, e travou uma incansável batalha pela maior liberdade individual. A clareza de suas idéias, assim como a solidez de seus argumentos, raramente encontraram substitutos à altura. Ao lado dos austríacos como Hayek e Mises, e da escritora Ayn Rand, Milton Friedman foi uma das minhas maiores influências. Com a notícia de seu falecimento, o mundo perde um grande economista e defensor da liberdade.

Seus dois livros mais conhecidos são Capitalism and Freedom e Free to Chose, o qual escreveu com sua esposa Rose Friedman. Neles, Friedman expõe com objetividade seus pensamentos, sempre defendendo os mercados privados em vez do planejamento central e controle estatal. Ele estava convencido de que a liberdade econômica era uma condição necessária para as liberdades civis. Lutou, portanto, contra a visão paternalista do Estado, lembrando que o governo não é o patrão, mas sim o empregado dos cidadãos. Para os indivíduos livres, o país é um somatório de indivíduos, não algo acima deles. A maior ameaça a liberdade seria a concentração de poder. O escopo do governo deve ser limitado, e suas funções básicas devem ser preservar a lei e a ordem, garantir contratos privados e estimular os mercados competitivos. O poder do governo deve ser disperso, sempre evitando sua centralização.

Partindo dessas premissas, Milton Friedman propôs várias idéias concretas, como o fim de subsídios agrícolas, das tarifas de importação, do controle de preços, do salário mínimo, das regulamentações detalhadas das indústrias, do serviço militar compulsório etc. Ele explicou que no livre mercado as trocas são voluntárias, e portanto ambas as partes se beneficiam delas, sendo a cooperação a regra básica. Em contrapartida, a intervenção estatal levaria a uma disputa entre as partes, transformando toda negociação de troca numa briga política, fomentando o conflito. A corroboração empírica dessa teoria lógica é visível diariamente em nosso país.

Sobre um tema onde muita ignorância permite afirmações firmes porém errôneas, Milton Friedman deu uma grande contribuição também. Trata-se da crise de 1929, onde muitos leigos culpam, sem embasamento, o livre mercado. Não vem ao caso entrar nos detalhes da argumentação, mas Friedman deixa claro a sua conclusão: “A depressão não foi produzida por uma falha da empresa privada, mas sim pela falha do governo numa área onde ele tinha sido designado como responsável”. Para melhor compreensão da culpa dos atos governamentais nesse grande crash, sugiro a leitura do excelente livro de Murray Rothbard, America’s Great Depression.

As contribuições de Milton Friedman não ficaram limitadas ao mundo acadêmico. O mais famoso expoente da Escola de Chicago foi também conselheiro dos presidentes Nixon, Ford e Reagan – este considerado por ele o melhor presidente que os Estados Unidos já teve. Fora isso, foi conselheiro de Pinochet no Chile, cujas medidas econômicas – não obstante os claros abusos políticos – salvaram o país do caos herdado da era Allende. Milton Friedman, portanto, exerceu forte influência positiva nos rumos de milhões de vidas.

Infelizmente, muitos preferem respeitar pessoas com maior retórica e apelos emocionais que a razão e o bom senso dos mais humildes, que não fazem tanta questão do crédito de suas ações. Assim, a morte de um grande homem merecerá poucos comentários por parte da mídia, e sequer será notado pela grande platéia. No entanto, quando um ditador assassino como Fidel Castro morrer – e vaso ruim demora a quebrar! – haverá uma comoção nacional, com direito a profundas lamentações do presidente e vários “intelectuais”. Mas não tem problema. Os íntegros não só reconhecem o esforço hercúleo de Milton Friedman na luta contra a tirania de gente como Fidel Castro, como serão eternamente gratos pelas suas idéias. Estas não morreram com seu dono. Pelo contrário: saem mais vivas que nunca, num mundo tão necessitado de mais liberdade!

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Quarta, 15 Novembro 2006 22:00

Bando do Brasil

Não existe almoço grátis! E o almoço – verdadeiro banquete – dos que se aproveitam do gigantismo ineficiente do Banco do Brasil, custa bem caro.

O Banco do Brasil divulgou seu resultado para o terceiro trimestre do ano. Nos últimos 12 meses, o banco acumulou um lucro de R$ 5,5 bilhões. Não dá para negar que de uns anos para cá o banco vem melhorando sua gestão, que era caótica no passado. De tempos em tempos, o governo era obrigado a injetar novo capital no banco, prestes a falir por mais de uma vez. Mas ele ainda está longe de ser um ícone de eficiência. E provavelmente jamais será enquanto for um banco estatal.

O Tesouro Nacional detém mais de 70% das ações votantes do Banco do Brasil. Seus ativos ultrapassam R$ 280 bilhões, 35% acima do Itaú e 15% acima do Bradesco. Em primeiro lugar, uma incoerência clara da esquerda nos vem a mente: condenam os banqueiros pelos males do país ignorando que o maior de todos é o próprio governo! Somente motivos ideológicos ou interesses pérfidos explicam alguém ainda defender o Estado como banqueiro. Basta observar o que isso significou no passado, em termos de rombos bilionários bancados compulsoriamente pelos pagadores de impostos, para repudiar totalmente esta idéia estapafúrdia. Ainda assim, não são poucos que vociferam, sem argumentos, contra uma desejável privatização do Banco do Brasil.

Mas se a fase de gestão caótica e temerária do banco ficou, aparentemente, para trás, ainda não é possível compará-la, por outro lado, com a gestão dos bancos privados. Um rápido levantamento explicita um dos grandes problemas do banco estatal, que é seu inchaço desnecessário no quadro de funcionários. O Banco do Brasil tem um valor de mercado perto dos US$ 20 bilhões. Para tanto, emprega mais de 94 mil pessoas, número que vem crescendo bastante, ainda por cima. O Kookmin, banco coreano de porte similar, emprega menos de 25 mil pessoas. O Itaú, que vale quase o dobro do Banco do Brasil, emprega quase a metade do número de pessoas!

Fiz uma tabela comparando o valor de mercado com a quantidade de empregados do Citigroup, Wachovia, US Bancorp, Wells Fargo, Kookmin, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Na média, cada funcionário desses bancos gera de valor para seus acionistas algo como US$ 855. Mas cada funcionário do Banco do Brasil cria apenas US$ 220 de valor para seus acionistas, ou 74% a menos que a média. Claro que essa não é a única medida de eficiência. Mas fica evidente que o Banco do Brasil emprega gente demais, tendo um quadro bastante ocioso e desnecessário. Eis uma típica característica de empresa estatal. O Banco do Brasil gastou, nos últimos 12 meses, R$ 7,8 bilhões com despesas de pessoal. Para efeito de comparação, o Itaú gastou R$ 4,6 bilhões, e o Bradesco gastou R$ 5,8 bilhões.

Em termos de retorno sobre o patrimônio líquido, outra medida de eficiência no uso do capital dos acionistas, o Banco do Brasil ficou com uma média de 21,5% nos últimos 5 anos, contra 31,4% do Itaú. E isso ainda foi possível somente pela maior alavancagem do banco, que significa mais risco. Afinal, o retorno sobre os ativos do Banco do Brasil ficou em apenas 1,1% na média desde 2001, contra 2,8% do Itaú ou 1,8% do Bradesco. Podemos analisar os números dos balanços desses bancos de inúmeras maneiras, mas a conclusão será inequivocamente a mesma: o Banco do Brasil não tem, nem de perto, a mesma eficiência que os demais bancos privados. Uma privatização dele iria, com certeza, aumentar a geração de valor para seus acionistas, a lucratividade, e por conseguinte, a arrecadação de impostos para o governo. Contra a privatização, restam apenas apelos nacionalistas vazios, ou a defesa de privilégios às custas dos “contribuintes”.

O dicionário Aurélio tem como uma das definições para bando o seguinte: “conjunto de famílias que vivem juntas, permanentemente associadas, formando comunidade relativamente homogênea”. Com base neste conceito, e levando-se em conta que os funcionários do Banco do Brasil, na média, são privilegiados, por manterem seus empregos independente do valor gerado para os acionistas, creio que parece mais correto falarmos em Bando do Brasil. Seus empregados e familiares, assim como os clientes privilegiados independente da realidade do mercado, formam um grupo bastante homogêneo, lutando para não perder a mamata, paga, como sempre, pelos pagadores de impostos. Não existe almoço grátis! E o almoço – verdadeiro banquete – dos que se aproveitam do gigantismo ineficiente do Banco do Brasil, custa bem caro.

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Sexta, 03 Novembro 2006 21:00

A Cidade Perdida

Finalmente consegui assistir The Lost City, o filme de Andy Garcia sobre uma família destroçada nos anos da revolução cubana. Infelizmente, um filme que por motivos óbvios não foi praticamente divulgado no Brasil.

Finalmente consegui assistir The Lost City, o filme de Andy Garcia sobre uma família destroçada nos anos da revolução cubana. Um excelente filme, que conta com as participações de Bill Murray e Dustin Hoffman. Uma histórica tocante, comovente e bastante realista, para quem sabe um pouco dos fatos daqueles tempos terríveis. Infelizmente, um filme que por motivos óbvios não foi praticamente divulgado no Brasil.

O filme de Andy Garcia – ele mesmo um cubano que fugiu para os Estados Unidos em 1961 – não mascara a realidade. Ao contrário, desenha um quadro bem negativo da era do ditador Fulgêncio Batista. Cuba estava longe de ser um paraíso nesses dias, mas ainda contava com um grau bem maior tanto de liberdade como prosperidade. Era o destino escolhido por vários turistas americanos. Fico Fellove, o personagem de Garcia no filme, era o dono do mais chique clube noturno de música da cidade, o El Tropico. Ele luta durante o filme todo para manter sua família unida e o amor de uma mulher. Seus irmãos, entretanto, são seduzidos pela utopia da revolução castrista, e o desmoronamento familiar é apenas uma questão de tempo.

Numa das partes mais marcantes do filme, o irmão caçula de Fico Fellove, já devidamente transformado em completo idiota útil e seguidor autômato de Fidel Castro e Ernesto “Che” Guevara, vai até a fazenda de seu tio comunicar-lhe que as terras pertenciam, a partir de então, à “revolução”. Antes disso, o tio fazia um discurso emocionado de como gostava daquelas terras, que tanto tinha cuidado, e que um dia seriam dele, do sobrinho barbudo. Quando soube do verdadeiro motivo de sua visita, que a mando do próprio el comandante deveria tomar-lhe as terras, sofreu um infarte fulminante e faleceu.

Passagem sintomática no filme é quando, já após a tomada de poder pelos comunistas, uma revolucionária vai até o clube de Fellove e ordena que a orquestra toque sem o saxofonista. Incrédulo diante daquilo, Fellove questiona a razão, e escuta que o instrumento representa o “imperialismo”. Espantado, ele explica que tal instrumento foi inventado por um belga em 1840. Mas nada adianta. O trecho retrata o constante uso de pretexto pelos comunistas para absurdo abuso de poder.

Quando Fellove não mais agüenta viver naquelas condições de escravidão, seus próprios pais pedem para que ele deixe a ilha, já transformada em um grande presídio. Seu pai, doente, suplica para que ele vá para um lugar mais livre, onde possa se expressar e dar continuidade a família, destruída pela revolução. Fellove tenta convencer sua amada a partir com ele, mas ela também havia sido conquistada pela utopia assassina. A conversa deles nesse momento retrata o embate entre coletivismo e individualismo, ela sacrificando o real interesse particular por “algo maior”, e ele preferindo focar na felicidade deles mesmos. Para individualistas, o indivíduo é um fim em si mesmo, não um meio sacrificável. Mas a lavagem cerebral coletivista já estava completa nela. Sozinho, sem um tostão, tendo inclusive pertences de valor sentimental confiscados pelos comunistas, ele sai da escravidão para a liberdade, encontrada nos Estados Unidos, onde ele começa do zero, limpando pratos num bar. A pobreza – e isso fica claro no filme – não é o indicador de liberdade, como muitos comunistas querem crer. Para as pessoas íntegras, é infinitamente melhor ser pobre mas livre que rico porém escravo.

Como inúmeras pessoas cultas ainda admiram Fidel Castro é uma pergunta que sempre me deixa perplexo. Mas por mais que eu tente ser obsequioso com meu julgamento, a resposta encontrada é inexoravelmente a mesma: trata-se de um forte desvio de caráter. Está certo que o auto-engano pode crescer a patamares alarmantes, a fim de não macular a ideologia. Um crente comunista não seria diferente de um crente fanático da Igreja Universal, que nega até mesmo a existência do vídeo com bispo Macedo contando o dinheiro. Mas isso não explica a defesa de Cuba feita por pessoas com conhecimento e “educadas”. Não explica o caso de Saramago, Emir Sader, Chico Buarque, Verissimo, Niemeyer e tantos outros “intelectuais” que flertaram com o regime genocida de Fidel Castro. Essas pessoas têm acesso aos fatos, e bastaria um mínimo de honestidade para que repudiassem com força o modelo cubano. Se não o fazem, é por questões morais mesmo.

Não deixem de ver o filme de Andy Garcia. Críticos brasileiros, muitos com queda pela esquerda, mal deram atenção para ele. Não houve ampla divulgação, tampouco comentários de artistas e intelectuais. Criticar Fidel é pecado para essa gente. Mas para todo o restante, para as pessoas com bom-senso e integridade, o filme vale cada segundo investido. Havana não era uma maravilha. Mas nem de perto era o cárcere miserável que se transformou. A cidade perdida representa também milhares de famílias perdidas, de vidas perdidas. E quase cinco décadas depois, ainda tem quem defenda tamanha barbárie!

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Quarta, 01 Novembro 2006 21:00

Terceiro Turno

Somando tudo isso, temos quase 70 milhões de eleitores que não votaram em Lula, contra menos de 60 milhões que nele votaram. Em outras palavras, sequer podemos falar mesmo em ditadura da maioria!

Democracia deve ser mais que dois lobos e uma ovelha votando sobre o que terão para jantar.” (James Bovard)

O presidente Lula está reeleito com expressiva votação, acima de 50 milhões de votos. Um fato inegável. Defensores do petista logo correm para afirmar a “legitimidade” garantida pelas urnas, já que seu governo foi marcado por um recorde nacional – quiçá mundial – de escândalos de corrupção. Ignoram, entretanto, que num Estado de Direito, com império das leis, não são as urnas que fazem automaticamente as leis. Não realizamos plebiscitos para votar se criminosos vão ou não para a cadeia. Aplicamos as leis.

O povo brasileiro parece não compreender ainda o valor das instituições republicanas, que não permitem colocar cidadão algum acima das leis. Fala-se aqui em democracia como um fim em si, esquecendo do alerta na epígrafe. Países que não conseguiram construir sólidas instituições, deixando que a democracia se transformasse numa simples ditadura da maioria, jamais prosperaram. Sem que as liberdades individuais sejam garantidas através do império das leis isonômicas, a democracia pode virar um leilão vulgar onde dois lobos decidem que o jantar será a ovelha indefesa. Quem defende a justiça precisa defender as minorias, e a menor minoria de todas é o indivíduo. Somente um governo de leis, válidas igualmente para todos, preserva tais minorias. Ditaduras da maioria disfarçadas de democracia não trazem semelhança alguma com tal modelo. Quem acha que a escolha da metade dos eleitores e mais um cidadão dá uma carta branca ao governante eleito, não compreendeu nada sobre justiça e liberdade.

Em seu livro Política, Aristóteles pergunta: “Se, por serem superiores em número, aprouver aos pobres dividir os bens dos ricos, não será isso uma injustiça?”. Claro que será! Mas demagogos nunca deixaram de explorar o sentimento de inveja nos mais pobres para obter poder. Governantes aproveitadores e astutos conseguem dinheiro dos mais ricos com o pretexto de protegê-los dos mais pobres, assim como votos dos mais pobres com a escusa de que irão defendê-los dos mais ricos. Os iludidos não notam que ambos, ricos e pobres, precisam de proteção justamente contra tais governantes. E esta proteção vem através das sólidas instituições, da garantia das liberdades individuais, do império das leis. Quando a democracia – leia-se os votos válidos de mais da metade dos eleitores – passa por cima dessas normas impessoais, temos a troca do necessário império das leis pelo perigoso império dos homens. O governo vira então refém das vontades de maiorias instáveis. Se amanhã mais da metade do povo desejar o extermínio de uma determinada minoria, nada estará no caminho para impedir tamanha injustiça. A Alemanha nazista que o diga!

Tendo explicado esse ponto importante, de que democracia não deve ser a simples ditadura da maioria, podemos agora analisar um dado estatístico interessante. Na verdade, sequer podemos falar em maioria do povo quando falamos da reeleição de Lula. Foram quase 24 milhões de abstenções, um pouco mais de um milhão de votos brancos, quase 5 milhões de votos nulos e mais de 37 milhões de votos para seu adversário, Alckmin. Somando tudo isso, temos quase 70 milhões de eleitores que não votaram em Lula, contra menos de 60 milhões que nele votaram. Em outras palavras, sequer podemos falar mesmo em ditadura da maioria!

Os petistas acusam de “golpistas” aqueles que gostariam de um “terceiro turno”, ou seja, aplicar as leis através do TSE podendo cancelar as eleições caso ficasse comprovado o uso de dinheiro ilegal na campanha de Lula. As evidências de que isso ocorreu abundam, quando lembramos do dossiê que os petistas bastante ligados ao presidente tentaram comprar. Foram pegos com a “boca na botija”, em flagrante, usando dinheiro ilegal, quase 2 milhões de reais. O que podemos concluir disso é que golpe, para os petistas, é aplicar as leis em seus companheiros. Acham que eles, e especialmente Lula, estão acima das leis. E usam as urnas como “prova” dessa suposta legitimidade. Não se constrói um país sério, justo e próspero desta maneira. Será que estamos fadados a ser uma republiqueta das bananas?

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Sábado, 28 Outubro 2006 21:00

Socialismo e Nazismo

Tudo que for contrário ao socialismo, vira assim “nazismo”, ainda que o nacional-socialismo tenha inúmeras semelhanças com o próprio socialismo.

"Que significa ainda a propriedade e que significam as rendas? Para que precisamos nós socializar os bancos e as fábricas? Nós socializamos os homens." (Adolf Hitler, citado por Hermann Rauschning, Hitler m´a dit, Coopération, Paris 1939, pg 218-219)

Ensinada desde os tempos de Lênin, muitos socialistas usam a tática de acusar os opositores daquilo que eles mesmos são ou fazem. Tudo que for contrário ao socialismo, vira assim “nazismo”, ainda que o nacional-socialismo tenha inúmeras semelhanças com o próprio socialismo. Tanto o nazismo como o marxismo compartilharam o desejo de remodelar a humanidade. Marx defendia a “alteração dos homens em grande escala” como necessária. Hitler pregou “a vontade de recriar a humanidade”. Qualquer pesquisa séria irá concluir que nazistas e socialistas não eram, na prática e no ideal coletivista, tão diferentes assim.

Não obstante, para os socialistas, aquele que não for socialista é automaticamente um “nazista”, como se ambos fossem grandes opostos. Assim, os liberais, que sempre condenaram tanto uma forma de coletivismo como a outra, e foram alvos de perseguição dos dois regimes, acabam sendo rotulados de “nazistas” pelos socialistas, incapazes de argumentar além dos tolos rótulos de “extrema-esquerda” e “extrema-direita”. Tal postura insensata coloca, na cabeça dos socialistas, uma “direitista” como Margaret Thatcher mais próxima ideologicamente de um Hitler que este de Stalin, ainda que Thatcher tenha lutado para defender as liberdades individuais e reduzir o poder do Estado, enquanto Hitler e Stalin foram na linha oposta. O fim da propriedade privada de facto foi um objetivo perseguido tanto pelo nazismo como pelo socialismo, que depositaram no Estado o poder total. O Liberalismo, em sua defesa pela liberdade individual cujo pilar básico é o direito de propriedade privada, é radicalmente oposto tanto ao nazismo como ao socialismo, que em muitos aspectos parecem irmãos de sangue.

A conexão ideológica entre socialismo marxista e nacional-socialismo não é fruto de fantasia, e Hitler mesmo leu Marx atentamente quando vivia em Munique, tendo enaltecido depois sua influência no nazismo. Para os nazistas, os grupos eram as raças; para os marxistas, eram as classes. Para os nazistas, o conflito era o darwinismo social; para os marxistas, a luta de classes. Para os nazistas, os vitoriosos predestinados eram os arianos; para os marxistas, o proletariado. Além da justificativa direta para o conflito, a ideologia de luta entre grupos desencadeia uma tendência perversa a dividir as pessoas em parte do grupo e excluídos, tratando estes como menos que humanos. O extermínio dessa “escória” passa a ser desejável seja para o paraíso dos proletários ou da “raça” superior. Os individualistas, entrave para ambas ideologias coletivistas, acabam num campo de concentração de Auchwitz ou num Gulag da Sibéria, fazendo pouca diferença na prática.

A acusação de que a Alemanha nazista era uma forma de capitalismo não se sustenta com um mínimo de reflexão. O “argumento” usado para tal acusação é de que os meios de produção estavam em mãos privadas na Alemanha. Mas como Mises demonstrou, isso era verdade somente nas aparências. A propriedade era privada de jure, mas era totalmente estatal de facto, da mesma forma que na União Soviética. O governo não só nomeava dirigentes de empresas como decidia o que seria produzido, em qual quantidade, por qual método, e para quem seria vendido, assim como os preços exercidos. Para quem tem um mínimo de conhecimento sobre os pilares de uma sociedade capitalista-liberal, não é difícil entender que o nazismo é o oposto deste modelo. Para os nazistas, assim como para os socialistas, é o “bem-comum” que importa, transformando indivíduos de carne e osso em simples meios sacrificáveis para tal objetivo.

Existem, na verdade, vários outros pontos que podemos listar para mostrar que o nazismo e o socialismo são muito parecidos, e não opostos como tantos acreditam. O fato de comunistas terem entrado em guerra com nazistas nada diz que invalide tal tese, posto que comunistas brigaram sempre entre si também, e irmãos brigam uns com outros, ainda mais por poder. Apesar do Liberalismo se opor com veemência a ambos os regimes, os socialistas adoram repetir, como autômatos, que liberais são parecidos com nazistas, apenas porque associam erradamente nazismo a capitalismo. Se ao menos soubessem como é o próprio socialismo que tanto se assemelha ao nazismo!

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Sábado, 21 Outubro 2006 21:00

Mauá ou Lula?

Comparar a vida de Mauá com a vida do presidente Lula é crucial para a constatação de nossa triste realidade.

Em 1852, numa cerimônia de inauguração de uma estrada de ferro, Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, fez com que o Imperador D. Pedro II se curvasse num gesto simbólico de trabalho, com uma pá de prata e um carrinho de jacarandá. A humilhação foi tanta que o imperador guardou forte ressentimento. A metáfora do gesto estava clara: todos deveriam obter seus recursos pela via do trabalho, inclusive a aristocracia acostumada a viver explorando os escravos.

Mauá foi um ilustre empreendedor, o maior que já existiu no Brasil. Bastante esforçado desde pequeno, educado por um comerciante inglês, trilhou uma incrível trajetória de sucesso, se tornando o homem mais rico do país. Foi um inovador, trouxe enorme progresso para o Brasil em diversas áreas, fundou seu Banco do Brasil, inovou com um tratamento isonômico entre homens livres e escravos, enfim, foi de uma relevância sem igual para os avanços de nossa nação. Foi o ícone de uma mentalidade que infelizmente representa uma minúscula minoria na terra brasilis, do herói Macunaíma, onde parasitar rende mais que lutar por conta própria para vencer na vida.

Comparar a vida de Mauá com a vida do presidente Lula é crucial para a constatação de nossa triste realidade. Permite que possamos entender melhor os motivos do país ser o eterno gigante adormecido, desperdiçando oportunidade atrás de oportunidade para virar uma potência mundial. Afinal, os dois representam rumos diametralmente opostos, e a história brasileira é a história onde o tipo de Lula predomina sobre o estilo Mauá.

Ambos foram muito pobres na infância, e Irineu começou a trabalhar aos 9 anos de idade, após a morte de seu pai. Aprendeu rápido as coisas, foi um autodidata, aproveitava as horas vagas para a leitura de bons livros, mostrou-se confiável e galgou responsabilidades maiores no seu trabalho, até ser contratado por Carruthers, comerciante inglês de sucesso. Teve que se virar para aprender a língua estrangeira sozinho, em pouco tempo. Comparemos isso com a trajetória de Lula, que jamais esforçou-se sequer para aprender sua língua natal de forma correta, ainda que tivesse todo tempo e dinheiro do mundo para tanto. Mauá demonstra a obstinação da vitória, o desejo de subir na vida sem depender dos outros. Lula aparece como o acomodado que logo descobriu que repetir bravatas para multidões de insatisfeitos era mais vantajoso que trabalhar duro. Enquanto um focava na construção de riqueza, o outro pensava em como tirar riqueza dos demais. Uma diferença gritante.

O progresso inglês sempre foi um grande motivador para Mauá, que sonhava em replicar no Brasil o sucesso externo. Copiar modelos bem sucedidos parecia algo lógico para Mauá, que gostaria de ver seu país progredindo, com ferrovias, luz, indústrias etc. O livre comércio era o evidente caminho para tanto, e Mauá sabia disso, defendendo tal modelo num país atrasado, onde a agricultura na base da escravidão era vista como o rumo correto. Mauá foi uma voz de bom senso numa multidão de retrógrados. Já Lula usa o sucesso alheio para alimentar a inveja do povo, fala dos Estados Unidos como se a riqueza deles tivesse sido criada às custas de nossa miséria, vai na contramão da trajetória de maior abertura comercial e liberdade econômica. Se Mauá teve como enorme obstáculo ao seu empreendedorismo o aparato estatal, Lula representa justamente este, contra todos os que tentam empreender num país que faz tudo para tornar isso impossível, com carga tributária gigante, burocracia asfixiante, rígidas leis trabalhistas, ausência de império da lei etc.

Na questão ética é até covardia comparar Mauá com Lula. Quando o já Visconde de Mauá estava à beira da bancarrota, usou seus bens pessoais para honrar as dívidas com terceiros, chegando a vender as jóias de sua mulher. Não queria deixar os outros na mão, e pretendia honrar seu nome. Lula, além de presidir o governo mais corrupto que já existiu, com inúmeros ministros e funcionários de confiança envolvidos em escândalos de corrupção, utiliza o dinheiro dos outros para comprar votos e se manter no poder. Libera verbas para agradar políticos, aumenta os salários antes das eleições para comprar votos, distribui esmolas para manter os pobres sob seu domínio, tudo com o dinheiro dos pagadores de impostos. Ignora totalmente a questão ética, pois considera que o fim – no caso manter-se no poder – justifica quaisquer meios, por mais espúrios que sejam. Há um abismo moral que separa alguém como Mauá de alguém como Lula.

Em resumo, Mauá é o ícone do empreendedor, do homem que faz, daquele que cria riqueza, trazendo progresso e empregos para seu país, mesmo que diante de muita adversidade. Já Lula é a adversidade em pessoa, representa o obstáculo para os criadores de riqueza, o parasita que suga a riqueza dos outros, o populista que joga pobres contra ricos para se sair bem. Se Mauá é o tipo de homem que toma iniciativas, Lula é o tipo que apenas critica. Se Mauá é o tipo que assume riscos, Lula é o tipo que se aproveita do risco tomado por terceiros. Se Mauá é o tipo que busca soluções, Lula é o tipo que fica apenas lamentando. Se Mauá soma, Lula divide. Se Mauá assume responsabilidades, Lula aponta culpados, ainda que bodes expiatórios. Se Mauá consegue acabar com a fome de muitos gerando empregos, Lula limita-se a repetir que vai acabar com a fome mundial, num patético devaneio de megalomania. Se Mauá é o hospedeiro, Lula é o parasita.

Infelizmente, o povo brasileiro demonstra preferir os valores errados, enaltecendo a figura de um Lula, enquanto condena os empresários, o lucro, a iniciativa privada. Enquanto estes forem os valores escolhidos pelo povo brasileiro, o Brasil jamais será a potência que pode ser. Irineu Evangelista de Souza sonhou com um país diferente. Ao que parece, os entraves criados pelo Estado têm, desde então, impossibilitado que tal sonho realize-se, muitas vezes transformando-o em pesadelo. Resta ao povo, se quiser um caminho diferente, escolher: Mauá ou Lula?

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Quarta, 18 Outubro 2006 21:00

Caspita!

Reduzir os gastos públicos, portanto, é fundamental. Fazer o contrário, aumentando impostos para sanar o déficit, é seguir na contramão do bom senso.

Eu nunca encontrei um corte de impostos que não tenha gostado.” (Milton Friedman)

Pense num país onde o presidente é comunista, o líder do Parlamento é comunista e nove ministros são comunistas. Não, não se trata da Rússia, China, Brasil ou algum país do Leste Europeu. Esse país é a Itália. O governo de Prodi está cercado de comunistas, reformados ou não. E a cor vermelha da ideologia já aparece nas propostas de governo, para a infelicidade do povo italiano.

Fiscalmente falando, a Itália está em uma crítica situação. A dívida sobre o PIB passa de 100%, e o governo ainda tem um déficit fiscal de quase 5% do PIB por ano. A Itália já encontra-se fora das determinações da Comunidade Européia. Não fosse o euro, provavelmente a moeda italiana independente estaria sofrendo bastante. Diante deste preocupante quadro, qual a solução apresentada pelo governo? Num passe de mágica, o orçamento para 2007 conta com um aumento de 2% do PIB na arrecadação de impostos, mais de 30 bilhões de euros. E como exatamente virá tal aumento? O governo pretende criar 56 novos impostos, e anunciou um aperto brutal na evasão fiscal. Além disso, quem ganha 75 mil euros anuais ou mais será taxado pela alíquota máxima, de 43%. Até agora, esta alíquota incidia sobre quem recebia mais de 100 mil euros anuais.

Em resumo, a resposta do governo italiano para o problema fiscal é aumento de impostos, ataque aos mais ricos e maior intervenção estatal. Como conseqüência disso, em vez de aumento na arrecadação, é bastante provável que o governo italiano veja uma fuga de capitais e talentos para países com impostos menores, assim como uma redução do crescimento econômico, que acaba afetando as receitas tributárias. Empresas e indivíduos têm essa “estranha” mania de migrar para onde são melhor tratados. Mas o governo italiano mostra sua verdadeira cor ideológica. O povo irá pagar o preço da ignorância econômica.

Em contrapartida, o governo americano reduziu impostos recentemente, para o desespero dos leitores do colunista Paul Krugman, que anunciava o caos como resultado desta medida. No entanto, a arrecadação fiscal tem crescido duas vezes e meia o crescimento da economia nos últimos 6 trimestres. Tanto os lucros como os empregos estão indo bem no país. O déficit fiscal, que supostamente permaneceria em torno dos US$ 400 bilhões por ano, deverá ficar abaixo dos US$ 240 bilhões este ano. Neste ritmo, o déficit fiscal americano poderá desaparecer em 3 anos! Ao que parece, uma vez mais, a curva Laffer funciona, e corte de impostos gera aumento nas receitas. Faz sentido, tem lógica. Mas lógica nunca foi o forte de ideologias dogmáticas.

E o Brasil? Além de ter um presidente da Câmara também comunista, e um presidente da República com fortes laços com tal ideologia, sacramentado no Foro de SP, o caminho traçado aqui também se assemelha mais ao italiano que ao americano. O candidato à reeleição repete que não é importante cortar gastos, enquanto o país tem uma dívida em torno de 50% do PIB e um déficit perto de 3% do PIB. Isso para não falar que já arrecada 40% do PIB em impostos, e tem um modelo previdenciário falido, mesmo com uma população jovem. O calcanhar de Aquiles do Brasil tem sido justamente o tamanho dos gastos públicos, mas ninguém fala em cortes ou reformas estruturais sérias, e citar privatização ainda virou xingamento. Fica difícil manter o otimismo no longo prazo. Se o céu de brigadeiro no contexto mundial que o governo Lula desfrutou durante seu governo se transformar num tsunami, veremos que os pilares econômicos brasileiros ainda são de areia.

O caminho do progresso é conhecido. O inchaço estatal é o maior inimigo do crescimento econômico sustentado. Impostos altos nunca deveriam ser celebrados. Imposto é coerção, e dinheiro nas mãos de políticos é risco maior de ineficiência e corrupção. Reduzir os impostos, portanto, é sempre algo desejável. Reduzir os gastos públicos, portanto, é fundamental. Fazer o contrário, aumentando impostos para sanar o déficit, é seguir na contramão do bom senso. Como ainda tem tanta gente que não entendeu essa obviedade é algo espantoso. Tentemos repetir uma vez mais para ver se pega no tranco então: há que se reduzir gastos públicos e impostos, caspita!

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