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Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

Segunda, 16 Outubro 2006 21:00

Os Defensores do Atraso

O simples fato de que privatização é usada para atacar um candidato, que tem que vir negar tais “acusações”, mostra como o Brasil está distante do progresso capitalista, onde o Estado não é visto como um empresário.

Meu problema com a privatização é de conceito.” (Lula)

Poucos acreditavam num segundo turno, entretanto, cá estamos. E o desespero que bateu no candidato Lula foi tamanho que o PT logo se mobilizou para fazer um terrorismo patético, que engana somente os desavisados. Lula agora martela na questão das privatizações, afirmando que Alckmin venderia vários ativos estatais, como se isso fosse terrível para o país. O simples fato de que privatização é usada para atacar um candidato, que tem que vir negar tais “acusações”, mostra como o Brasil está distante do progresso capitalista, onde o Estado não é visto como um empresário. O pior é que ainda culpam o “neoliberalismo” pelos nossos males, aquele que passou mais distante do Brasil que Plutão da Terra.

Lula declarou que não teria vendido as teles nem a Vale do Rio Doce. Pelo visto, se ele fosse nosso presidente antes, ainda teríamos que esperar meses na fila para conseguir um telefone analógico, se tivéssemos sorte. A Vale não seria o ícone de empresa eficiente que é hoje. Simplesmente não existem argumentos lógicos para combater as privatizações. O setor privado sempre será mais eficiente que o governo para gerir empresas. Estado empresário é corrupção certa, além de tudo. O “argumento” de setor estratégico é ainda pior, posto que por ser estratégico é que deveria ficar longe da gestão estatal mesmo. Nos Estados Unidos, existem mais de 30 empresas privadas competindo no setor de petróleo. Na ex-URSS, acharam que o Estado deveria cuidar do setor de alimentos, o mais estratégico de todos, e milhões morreram de fome. Somente um nacionalismo tolo, um estatismo patológico, justificam alguém ainda ser contrário às privatizações. No entanto, Lula usa o tema para fazer terrorismo de Alckmin, que sequer defende a desejável privatização do Banco do Brasil ou da Petrobrás.

Para alguém mais esclarecido, é estarrecedor ver como o debate político no Brasil está distante do bom senso. Aqui ainda se debate se a Terra é quadrada ou arredondada, no análogo da economia. E o pior é que vence a versão do planeta quadrado! Parte da explicação encontra-se na recente pesquisa do Datafolha. Por escolaridade, 53% dos eleitores com nível superior pretendem votar em Alckmin, o que nega ser um “privatista” mas ao menos não acha isso um pecado suficiente para usar como ataque ao adversário. Lula fica com 37% dos votos entre os com ensino superior. O que é espantoso, por sinal. Gostaria de saber quais foram as universidades que esses 37% freqüentaram, para jamais mandar minha filha para elas! Na divisão por renda a coisa se repete, e Alckmin receberia 62% dos votos dos eleitores que ganham mais de 10 salários mínimos. Lula teria 31% dos votos dessa turma. Devem ser funcionários públicos privilegiados tentando manter seus privilégios, empresários corruptos que dependem do Estado para vencer, artistas que vivem às custas do financiamento estatal, políticos do “mensalão” etc. Dos que ganham até 2 salários mínimos, 59% estão com Lula. Nesse caso é mais fácil compreender, já que o presidente usa e abusa da máquina estatal para comprar votos com esmolas, fazendo ainda terrorismo de que Alckmin iria cancelar tais esmolas.

Como fica claro, o país está dividido, segregado. De um lado, os menos educados, os mais pobres, os privilegiados e os defensores do atraso. Do outro, ainda que sem um candidato mais adequado, os com maior escolaridade, mais renda, e defensores de um modelo mais moderno, onde o Estado seja reduzido, em vez de ser a locomotiva do crescimento econômico, algo que é impossível sem que um elevado preço seja cobrado depois. De um lado, os que ignoram por completo a questão ética. Do outro, quem fica ainda indignado com tanto escândalo de corrupção, enquanto o presidente se limita a repetir que nada sabe.

O problema do presidente Lula com a privatização é conceitual, como ele mesmo diz. Pois bem, o meu problema com os defensores do atraso é não só de conceito, como prático também, posto que suas jurássicas idéias afundam o país na miséria, seguindo na contramão do progresso. E os defensores do atraso, pelo visto ainda maioria nesse atrasado país, podem conseguir mais quatro anos de poder. Se assim for, não corremos o menor risco de dar certo. É mesmo lamentável...

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Sábado, 07 Outubro 2006 21:00

Ilusão Coletiva

Como tantos podem ao mesmo tempo serem enganados pela mesma falácia? Eis uma pergunta de difícil resposta, que irá depender do contexto histórico, do poder de persuasão da mentira, da propaganda, da capacidade intelectual das vítimas.

Os jornais são armas; eis porque é necessário proibir a circulação de jornais burgueses; é uma medida de legítima defesa!” (Trotsky)

Como tantos podem ao mesmo tempo serem enganados pela mesma falácia? Eis uma pergunta de difícil resposta, que irá depender do contexto histórico, do poder de persuasão da mentira, da propaganda, da capacidade intelectual das vítimas etc. A pergunta vem à tona quando lembramos da quantidade de gente enganada pelo socialismo. Lendo 10 Dias que Abalaram o Mundo, do comunista assumido John Reed, fiquei uma vez mais perplexo com essa questão martelando na cabeça. Como foi possível – e em muitos casos ainda é – que tantos desprezassem a razão por completo, aderindo à uma utopia tão estúpida como o socialismo?

John Reed afirma que “as classes dominantes pretendiam uma revolução unicamente política”, tirando o poder do Tzar e passando-o às suas mãos. Segundo ele, “queriam fazer na Rússia uma revolução constitucional, segundo o modelo da França ou dos Estados Unidos, ou então uma monarquia constitucional como a da Inglaterra”. O autor fala isso com desprezo, celebrando que “as massas populares queriam, porém, uma verdadeira democracia operária e camponesa”. De fato, não seguiram no rumo da França, Estados Unidos ou Inglaterra. Caíram no embuste socialista, lutaram pela “ditadura do proletariado”, e tiveram como “recompensa” genocidas como Lênin e Stalin. A “verdadeira democracia operária e camponesa” levou milhões para a cova, e o restante para a completa miséria.

O jornalista americano, elogiado por Lênin, chegou a escrever no livro que, se a revolução bolchevique for uma aventura, “trata-se de uma das mais maravilhosas em que já se empenhou a humanidade, aquela que abriu às massas laboriosas o campo da História, fazendo com que hoje tudo dependa de suas vastas e naturais aspirações!”. Na verdade, o campo aberto pelo socialismo foi o de concentração, para forçar o trabalho escravo. As “naturais aspirações” viraram puro desespero, fome, miséria e terror. O próprio autor viu o que o primeiro ato da revolução gerou, afirmando que “para comprar leite, pão, açúcar e fumo era necessário esperar, numa fila, durante horas seguidas, sob uma gélida chuva”. Mas ignorava a causa real disso, culpando a “burguesia” e seu egoísmo. Ora, segundo os próprios comunistas, a América era um antro de burgueses gananciosos, e no entanto não havia filas para comprar pão ou açúcar. O fanatismo ideológico cega a ponto da vítima não conseguir enxergar um palmo à sua frente.

Trotsky disse que “todos os governos burgueses têm a característica de sempre enganar o povo”, e garantia que eles, do Soviete dos Deputados Operários, Soldados e Camponeses, iriam “fazer uma experiência sem precedentes na História”, criando um “governo cuja finalidade única será satisfazer as necessidades dos operários, dos soldados e dos camponeses”. Poderia haver algo mais distante da realidade? De fato, a experiência foi sem precedentes, mas em termos negativos. Nunca antes tantos operários, soldados e camponeses sofreram tanto. Trotsky disse que “para cada revolucionário morto, mataremos cinco contra-revolucionários”. Antes tivesse sido esse o saldo de mortes. Teria ficado barato frente ao que ocorreu de fato. E diante dessa lamentável realidade, John Reed escreve: “Compreendi, de repente, que o religioso povo russo não precisava de sacerdotes para lhe abrir o caminho do céu, porque já começava a edificar na Terra um reino melhor que o paraíso prometido”. E ainda finalizou que “morrer por esse reino era uma glória, a maior de todas as glórias!”. Eis os dois quesitos básicos para a desgraça humana: a promessa de um paraíso e a transformação do indivíduo em um simples meio sacrificável para tal fim. A Rússia virou o verdadeiro inferno, e milhões de almas foram sacrificadas na tentativa de transformá-la no paraíso terrestre. Se a religião é o ópio do povo, o socialismo é heroína pura!

Na época desses sombrios acontecimentos, várias foram as vozes da razão, mostrando que o socialismo era o caminho da desgraça. Infelizmente, não encontraram muito eco em cabeças ocas, dominadas pela emoção e pelo romantismo do “paraíso terrestre”, ainda que os meios agridam tudo que sabemos da natureza humana. Mas se naqueles tempos já era atestado de irracionalidade crer no socialismo, o que dizer dos dias atuais, onde temos vasta experiência empírica do fracasso socialista? No entanto, não são poucos os que ainda sonham com tal utopia, condenando os “reacionários, burgueses e egoístas” pelas barreiras no caminho do “paraíso”, onde todos seriam iguais. Muitos afirmam que o socialismo morreu, mas ignoram que vários governantes atuais ainda admiram figuras patéticas como Lênin ou Trotsky. Esquecem que uma certa ilha do Caribe ainda segue, depois de 47 sofridos anos, na linha comunista. Fingem não notar que uma Heloísa Helena, defensora das jurássicas e podres idéias socialistas, consegue mais de 7% dos votos em todo o país. Fazem vista grossa ao fato de que um ex-operário chegar ao poder ainda agrada muita gente, independente de sua capacidade de gestão, honestidade, competência.

Se o comunismo morreu mesmo, não sei. Tendo a concordar que foi bastante danificado após uma dose – com absurdas seqüelas – de experiência prática. Mas o sonho permanece vivo, infelizmente. Talvez tenha mudado um pouco de cor, tornando-se um vermelho mais desbotado, fazendo concessões ao “cruel” capitalismo. Mas a praga coletivista, o ideal igualitário, ainda vivem. Muitos ainda não perceberam que a podridão socialista está em sua raiz, em sua (falta de) moralidade. Lendo o livro de John Reed, escrito no calor dos acontecimentos de 1917, fiquei pensando em quanta gente ainda não entendeu a essência do problema, em quantos ainda são vítimas dessa ilusão coletiva que é o socialismo. Espero que um dia a razão ainda vença, de barbada, tais impulsos emocionais e irracionais. O homem é capaz disso. Ele tem a capacidade de entender, no fundo, que socialismo é coisa para insetos gregários. Basta fazer uso da razão, instrumento que nos distancia dos demais animais e permite o uso do rótulo homo sapiens.

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Sábado, 30 Setembro 2006 21:00

Relativismo Cultural

Uma das grandes pragas modernas é o relativismo cultural, a nebulosa visão de que é impossível julgarmos objetivamente as diferentes culturas, hierarquizando-as.

Uma das grandes pragas modernas é o relativismo cultural, a nebulosa visão de que é impossível julgarmos objetivamente as diferentes culturas, hierarquizando-as. A ditadura do politicamente correto acaba fazendo inúmeras vítimas, que sequer notam as claras contradições desta postura. Não há quem não julgue, no fundo, diferenças de valores. O perigo reside na hipocrisia de se afirmar que são apenas “diferenças”, em vez de emitir um parecer sincero sobre a superioridade de uns sobre os outros. Apelam para a máxima de que “somos todos iguais”, como se um Gandhi fosse realmente igual a um Fernandinho Beira-Mar. Colocar o joio e o trigo no mesmo saco é injusto. Misturar lama com sorvete estraga o sorvete, e não torna a lama apetitosa.

Uma cultura é, segundo a definição da Enciclopédia Britânica, um padrão integrado de conhecimento humano, crenças e comportamentos que são resultados da capacidade humana de aprendizagem e transmissão de conhecimento para as gerações seguintes. Cultura consiste então em língua, idéias, crenças, costumes, códigos de conduta, instituições, ferramentas, técnicas, rituais, arte, símbolos etc. A cultura de um povo pode evoluir com o tempo. Cultura se aprende. Os relativistas culturais tentam logo acusar de “nazistas” aqueles que conseguem enxergar objetivamente instituições e costumes superiores – ignorando que Hitler falava em superioridade racial dos arianos, algo que seria inato, não aprendido. O conceito de raça humana sequer faz sentido! Já estoque de conhecimento, instituições, valores e avanços não só existem e variam muito de cultura para cultura, como uns são bastante superiores a outros. Ou será que alguém realmente acredita que a cultura da Suíça é apenas “diferente” da do Zimbábue, e não melhor?

Algo inerente aos relativistas culturais, pelo fator contraditório de suas crenças, é o constante uso de dois pesos e duas medidas. Ao mesmo tempo em que relativizam todas as barbaridades provenientes da cultura atrasada que pretendem defender, esquecem o relativismo e partem para a objetividade de julgamento na hora de condenar as culturas que detestam – normalmente as mais avançadas e livres. Assim, cortar o clitóris passa a ser apenas uma “diferença cultural”, como colocar um brinco na filha. Mas o “consumismo” ocidental é algo podre, que deve ser combatido, e não apenas uma “diferença” de valores. Uma cultura que prega a morte de “infiéis” como finalidade máxima é apenas uma cultura “diferente”, enquanto se um país for se defender dessa ameaça, sua “cultura belicosa” passa a ser repugnante. Os relativistas fingem não perceber que se “tudo vale”, pois nenhuma cultura é superior a outra, então um povo pode alegar ter como valor supremo o extermínio de outras culturas. Com qual critério um relativista consegue julgar algo, se tudo não passa de “diferenças culturais”?

Outra falácia comum entre os relativistas é tirar as coisas do contexto, comparando alhos com bugalhos. Questionam a tal superioridade cultural do Ocidente citando o império espanhol, com Pizarro trucidando os incas no Peru, por exemplo. Mas ignoram dois pontos cruciais: em primeiro lugar, estão deixando o relativismo de lado e usando um critério objetivo para condenar esse passado negro, possível justamente pela evolução cultural do Ocidente; em segundo lugar, esquecem o fator cronológico e comparam as civilizações modernas com as antigas, sem levar em conta como era a vida naquele tempo, comparando alternativas. O Império Romano, por exemplo, parece atrasado ou mesmo bárbaro aos nossos olhos atuais. Mas quando comparamos o modus vivendi dos romanos com o dos hunos, governados por Átila, vemos que a civilização da época estava com os romanos, enquanto a barbárie estava nos hunos.

O mundo não tem absolutamente nada a ganhar com a névoa moral que impede uma análise honesta sobre as diferentes culturas. Isso nada tem a ver com eugenia ou nazismo, posto que cultura não é algo inato, dependente de uma raça. Valores culturais podem – e devem – ser ensinados, copiados, aprendidos. Valores como a liberdade individual, o direito à vida, o império de leis isonômicas, não são apenas uma questão de gosto do “freguês”, mas sim valores universais. Como podem os relativistas falarem em “diferenças culturais” sem grau de hierarquia ao mesmo tempo que pregam os tais “direitos universais”? Não notam a gritante contradição? Se notam – e um mínimo de inteligência permite isso – trata-se então de pura hipocrisia mesmo. Defendem de forma consciente algo errado, injusto e imoral, colocando o podre como equivalente ao sadio, o pérfido como igual ao virtuoso. Que tipo de gente faz isso? Não podem ser os virtuosos...

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Quarta, 20 Setembro 2006 21:00

O Monopólio da Virtude

Uma característica bastante comum de se observar em certas pessoas é a tentativa de monopolizar a virtude, quando um ideal particular de justiça cósmica anula qualquer capacidade de reflexão honesta.

“A primeira coisa que um homem fará pelos seus ideais é mentir.” (Joseph Schumpeter)

Uma característica bastante comum de se observar em certas pessoas é a tentativa de monopolizar a virtude. Normalmente são pessoas que sofrem do que Thomas Sowell chamou de “tirania da visão”, quando um ideal particular de justiça cósmica anula qualquer capacidade de reflexão honesta. Tal indivíduo não terá interesse algum em debater seriamente os meios adequados para seus objetivos, testando suas teses através da experiência e aplicando a lógica nelas. Tudo que importa são as finalidades nobres, e qualquer alternativa oferecida com meios distintos será tratada com intenso desdém, como se a própria finalidade em si do outro fosse pérfida.

Existem inúmeros exemplos para ilustrar esta tentativa que alguns fazem de se arrogar a propriedade única da boa intenção. Um ótimo caso inicial está nos ditos “pacifistas”. As pessoas que automaticamente confiscam para si o monopólio da “luta pela paz”, como se o restante fosse adepto da violência, não pretendem nunca debater a fundo os métodos. A estratégia é desqualificar os fins dos oponentes, não seus meios pregados. Assim, qualquer um que não adere ao modelo pacifista é ou um lacaio da indústria bélica ou um potencial guerreiro empedernido, sedento por sangue. Não importa que essas pessoas mostrem a lógica de que certos inimigos precisam ser combatidos com firmeza, ou que algumas guerras são úteis e necessárias para a própria manutenção da paz. Tampouco importa mostrar inúmeros casos empíricos onde a complacência com o inimigo foi o caminho da desgraça. Os “pacifistas” já encerraram a questão antes mesmo do debate começar. Somente eles querem de verdade a paz.

É a busca pela paz, não quais métodos de fato garantem-na, que exalta moralmente esses visionários. No fundo, essas pessoas buscam uma exaltação pessoal perante os outros, estão atrás da imagem de nobres almas. Não ligam para os resultados concretos do que defendem, posto que um mínimo de avaliação honesta, muitas vezes, mostraria que há um abismo entre o defendido e o obtido. Foi dessa maneira que, faltando menos de um ano para que a guerra mais catastrófica do mundo fosse iniciada por Hitler, o Primeiro Ministro inglês, Chamberlain, enalteceu o “desejo do povo alemão pela paz”. Vários intelectuais “pacifistas” condenavam os governos que investiam em armamento, antecipando a real ameaça nazista. O enfraquecimento militar do Ocidente foi, sem dúvida, um dos fatores que estimularam os agressores. Não obstante, a dura realidade nunca impediu que tais “pacifistas” se considerassem moralmente superiores. Os outros são apenas bárbaros belicosos, ainda que a própria sobrevivência desses “pacifistas” dependa dos “belicosos”. O padrão se repete atualmente na questão do Islã, onde os relativistas morais colocam-se acima dos demais em termos morais, atuando de forma complacente com um grupo de fanáticos que pretende, abertamente, destruir o Ocidente. Uma vez mais, esses “pacifistas” só irão sobreviver para repetir novas hipocrisias se os “belicosos” os defenderem do inimigo.

O campo militar é fértil nessa questão do monopólio da virtude, mas está longe de ser o único. Na economia os monopolistas de fins nobres abundam também. Peguemos como exemplo a questão da miséria. Os “defensores dos pobres” são aqueles que defendem o uso do aparato estatal no combate à miséria, sem entretanto aprofundar o debate a respeito do melhor método para reduzir a pobreza de fato. Se um liberal mostrar com vastos casos empíricos que a pobreza foi melhor combatida onde o Estado menos interveio nos assuntos econômicos, ele será ignorado na melhor das hipóteses, ou tachado de insensível na pior delas. Não são os meios o foco desses “defensores dos pobres”, e sim a finalidade em si, como se alguém normal realmente desejasse o aumento da miséria. Se um liberal tentar explicar que a melhor forma de atacar o problema da miséria é através do livre mercado, poderá ser rotulado até mesmo de “darwinista social”, como se quisesse, na verdade, entregar o pobre ao “deus dará”. A repetição de chavões vazios que objetivam apenas desqualificar a pessoa é indiretamente proporcional à capacidade de argumentação. Os monopolistas da virtude jamais focam nos argumentos. Para que eles sintam-se moralmente superiores, basta repetir muitas vezes e em coro que os outros não ligam para os pobres. Assim eles seguem adiante com o ar de superioridade alimentado mutuamente por cada um do grupo, ainda que os pobres sofram na pele as tristes conseqüências da falta de respeito com a realidade.

Temos vários outros casos para ilustrar o ponto central do artigo, mas creio ser desnecessário me alongar. Em todos esses casos, o padrão se repete, e humanos reais acabam sacrificados pela tirania da visão pois aqueles sacrificados não são os mesmos que exploram moralmente a nobre visão. As teorias dessas pessoas não são testadas seriamente, e o esforço delas está infinitamente mais direcionado na propaganda ou na demonização dos que carregam pontos de vista alternativos. Qualquer fim nobre tem um dono, na cabeça deles, e são os próprios. Quem ousa discordar ou questionar os meios desses nobres fins simplesmente não são virtuosos. Não podem ser! Caso contrário, os que aparentam nobreza ficarão nus, sem o manto da pseudo-virtude, e restará ao mundo a visão da essência deles: a hipocrisia.

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Quarta, 13 Setembro 2006 21:00

O Ódio a Israel

O anti-semitismo é praticamente tão antigo quanto o próprio judaísmo. Os motivos variaram com o tempo, mas oscilando, quase sempre, em torno da inveja.

“Não é possível discutir racionalmente com alguém que prefere matar-nos a ser convencido pelos nossos argumentos.” (Karl Popper)

O anti-semitismo é praticamente tão antigo quanto o próprio judaísmo. Os motivos variaram com o tempo, mas oscilando, quase sempre, em torno da inveja. A prática da usura era condenada enquanto os judeus desfrutavam de sua evidente lógica. Shakespeare retratou de forma intensa o anti-semitismo de seu tempo, na sua clássica obra O Mercador de Veneza. Marx, constantemente tendo que buscar refúgio com agiotas por causa de sua irresponsabilidade financeira, demonstrou forte anti-semitismo, usando os judeus como bode expiatório. O Holocausto nazista, com amplo apoio dos principais líderes muçulmanos, foi o ponto alto do preconceito contra judeus. Atualmente, o ódio irracional ao povo judeu está novamente em alta, concentrado especialmente no próprio direito de existência de Israel.

Vários países existem por causa de decisões arbitrárias de governos, principalmente após guerras. São inúmeros exemplos, e Israel é apenas mais um. Só que, curiosamente, somente Israel não tem o direito de existir, segundo os muçulmanos, com o consentimento de muitos ocidentais – quase todos de esquerda. O que Israel faz de tão terrível para que mereça ser “varrido do mapa”, como fanáticos islâmicos defendem? Vou arriscar uma possível resposta nesse artigo.

Israel é um país pequeno, criado apenas em 1948, contando com pouco mais de 6 milhões de habitantes. Entretanto, o telefone celular foi desenvolvido lá, pela filial da Motorola, que possui seu maior centro de desenvolvimento em Israel. A maior parte do sistema operacional do Windows NT e XP foi desenvolvida pela Microsoft-Israel. A tecnologia do chip do Pentium MMX foi projetada na Intel em Israel. O microprocessador Pentium 4 e o processador Centrino foram totalmente projetados, desenvolvidos e produzidos em Israel. A tecnologia da “caixa postal” foi desenvolvida em Israel. A Microsoft e a Cisco construíram suas únicas unidades de pesquisa e desenvolvimento fora dos EUA em Israel. Em resumo, Israel possui uma das indústrias de tecnologia mais avançadas do mundo.

A economia de Israel, acima de US$ 150 bilhões por ano, é superior a soma de todos os seus vizinhos. A penetração de computador é uma das maiores do mundo. Mais da metade dos habitantes tem acesso a Internet. Israel possui ainda a maior proporção do mundo de títulos universitários em relação a população. Lá são produzidos mais artigos científicos per capita que qualquer outro país do mundo. Israel possui o maior Índice de Desenvolvimento Humano do Oriente. A renda per capita está chegando a US$ 25 mil. Cientistas israelenses desenvolveram o primeiro aparelho para diagnóstico de câncer de mama totalmente computadorizado e não radioativo. E por aí vai.

Não custa lembrar que tudo isso foi conseguido sob constante ameaça terrorista por parte dos vizinhos muçulmanos, forçando um pesado gasto militar por parte do governo israelense. Em relação ao PIB, Israel possui um dos mais elevados gastos militares do mundo. Ainda assim, o país despontou no campo científico e tecnológico, oferecendo enormes avanços para a humanidade.

Quando comparamos esta realidade com a situação caótica da maioria dos países com predominância islâmica, fica mais fácil entender uma parte do ódio patológico que é alimentado contra os judeus. Claro que fatores religiosos pesam. Mas as gritantes diferenças econômicas e sociais adicionam muita lenha na fogueira. Fora isso, os israelenses podem escolher seus governantes democraticamente, enquanto os muçulmanos vivem sob ditaduras. Isso para não falar das diferenças quanto a liberdade feminina. Com tanta miséria, falta completa de liberdade, mulheres submissas e com o corpo todo coberto, a tentação de morrer como mártir e ser recebido por dezenas de virgens no paraíso parece irresistível. Mas o ideal seria mostrarmos para os muçulmanos que isso não é necessário. Israel não é um paraíso – longe disso. Mas perto da realidade dos vizinhos islâmicos, está quase lá. Ao invés de cometer suicídio num ataque terrorista na tentativa de destruir Israel, os muçulmanos fariam melhor se pressionassem seus líderes para que Israel fosse copiado, não “varrido do mapa”. Todos, com a exceção dos seguidores do profeta que usam a existência de Israel como desculpa para todo tipo de atrocidade doméstica, sairiam ganhando.

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Terça, 05 Setembro 2006 21:00

De Adam Smith para Lula

Os ensinamentos de Smith sobre economia seriam fundamentais para o presidente Lula, que ignora inúmeras lições já disponíveis naqueles tempos. Mas é sobre o aspecto moral que Smith mais teria a falar com Lula atualmente.

Adam Smith nasceu em 1723 na Escócia, e é conhecido pelo seu estudo sobre a riqueza das nações. Entretanto, não foi apenas a economia que despertou o interesse do autor. Ele dedicou boa parte do seu tempo às reflexões sobre a natureza humana e seus aspectos morais. Em 1759, publicou Teoria dos Sentimentos Morais, sua obra-prima em termos filosóficos. Os ensinamentos de Smith sobre economia seriam fundamentais para o presidente Lula, que ignora inúmeras lições já disponíveis naqueles tempos. Mas é sobre o aspecto moral que Smith mais teria a falar com Lula atualmente. Esse artigo pode ser encarado como um recado de Adam Smith para Lula.

“Nas cortes de príncipes, nos salões dos grandes, onde sucesso e privilégios dependem, não da estima de inteligentes e bem informados iguais, mas do favor fantasioso e tolo de presunçosos e arrogantes superiores ignorantes; a adulação e falsidade muito freqüentemente prevalecem sobre mérito e habilidades. Em tais círculos sociais, as habilidades em agradar são mais consideradas do que as habilidades em servir”. Não há como ler esta passagem e ignorar que o governo Lula loteou milhares de cargos levando em conta somente fatores ideológicos ou mesquinhos, distribuiu privilégios aos montes, garantiu o emprego de seus “camaradas” abandonando completamente os critérios de capacidade de gestão. O presidente do Instituto do Câncer, para dar apenas um exemplo, foi apontado somente por ser de esquerda, e o resultado foi caótico. O Todo-Poderoso cerca-se de bajuladores, alia-se aos “caciques” da velha política, aparelha o Estado com seus companheiros de ideologia, acabando com o único critério que realmente deveria ser levado em conta: a meritocracia.

“O homem ambicioso se engana ao pensar que, na esplêndida situação para a qual avança, deterá inúmeros meios para governar o respeito e admiração dos homens, e se permitirá agir com tão superior conveniência e graça, que o lustre de sua futura conduta encobrirá ou apagará inteiramente a podridão dos passos pelos quais chegou até esse cume”. Lula é extremamente ambicioso – e megalomaníaco. Se compara freqüentemente aos grandes nomes da humanidade. Mesmo envolto em inúmeros escândalos de corrupção, afirma ser o homem mais ético do país. Com seu tom messiânico, falando às massas ao mesmo tempo que distribui esmolas com dinheiro alheio, espera que a história vá absolvê-lo dos meios espúrios utilizados para sua chegada e permanência no poder. Não vai. A maioria de um povo ignorante e miserável pode até levá-lo ao poder novamente, mas os fatos não mudam. O trajeto do chão da fábrica até o Palácio do Planalto está repleto de esterco. Para essa gente, os fins justificam os meios. Mas o rastro de podridão não será apagado com o apoio popular. “A honra de sua elevada posição aparece tanto a seus próprios olhos quanto aos das outras pessoas, corrompida e maculada pela baixeza dos meios pelos quais ascendeu até ela”.

“No meio de toda a luxuosa pompa da grandiosa ostentação; no meio da venal e vil adulação dos grandes e eruditos; no meio das mais inocentes, ainda que mais tolas, aclamações de gente comum; no meio de todo o orgulho pela conquista do triunfo pela guerra bem sucedida, ainda é secretamente perseguido pelas vingativas fúrias da vergonha e do remorso; e, enquanto a glória o parece rodear por todos os lados, ele próprio, em sua imaginação, vê a negra e podre infâmia vindo rápida em sua perseguição, pronta a atacá-lo pelas costas, a qualquer momento”. De fato, o pobre operário rapidamente se acostumou com o luxo, com aviões caros, tecidos importados do Egito, tudo que o dinheiro pode comprar. De fato, o apedeuta regozija-se com a adulação de eruditos, dos artistas e intelectuais em busca de mais verba estatal. De fato, as aclamações das massas parecem música para o ouvido do “pai dos pobres”, assim por ele mesmo definido. Só não sei se concordo com Adam Smith a respeito de sua consciência da perseguição da infâmia, pronta a atacá-lo pelas costas. Gostaria de crer que Lula ao menos vive aflito com isso tudo, com o medo da “negra e podre infâmia” vindo em sua direção. Isso pelo menos seria um castigo por tanto mal infligido ao povo através de seu populismo. Mas infelizmente, algo me diz que nem mesmo para a infâmia Lula liga. Espero estar errado e que, uma vez mais, Adam Smith esteja certo. Assim, Lula estaria sendo ao menos perseguido secretamente pelas vingativas fúrias da vergonha e do remorso...

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Terça, 29 Agosto 2006 21:00

Triste Época

A virtude pode ser rara, ainda mais quando alguém como Lula, mesmo depois de todos os escândalos, lidera as pesquisas e apresenta boas chances de ser reeleito ainda no primeiro turno. Mas ela não é nula! E isso faz toda a diferença do mundo.

“Muitos valores vieram a parecer antiquados: falar a verdade, manter a palavra. Os bons parecem pertencer aos velhos bons tempos, embora sejam sempre queridos. Se é que ainda há alguns, são raros, e nunca são imitados. Que triste época esta, quando a virtude é rara e a maldade está no cotidiano.”

Tal comentário poderia tranqüilamente ter sido obra de qualquer brasileiro mais atento dos nossos dias. Afinal, a ética foi jogada no lixo, a impunidade anda solta e mentir virou mania nacional. Vivendo nos tempos do “mensalão”, das sanguessugas, do presidente que repete que não sabia de nada enquanto seus principais aliados envolvem-se em escândalos onde ele próprio é o grande beneficiado, não dá para deixar de compartilhar do sentimento do autor que lamenta a triste época, quando a virtude é rara – mais rara que diamante.

Mas o autor do comentário não vive em nossos dias, tampouco no Brasil. Trata-se de Baltasar Gracián, jesuíta espanhol que escreveu A Arte da Prudência em 1647. Neste mesmo livro, Gracián cunhou uma célebre frase que parece ter sido criada ad hoc para os eleitores de Lula: “A esperança é uma grande falsária da verdade”. Quem lembra da propaganda eleitoral de Lula nas eleições passadas, administrada por Duda Mendonça, sabe muito bem disso. “A esperança venceu o medo”, repetia a propaganda enganosa. Nisso que dá abolir o medo, fundamental na vida, para que busquemos mais informações na hora das decisões importantes. Sem medo, podemos pular pela janela e se espatifar no chão. Ou votar no Lula – o que dá praticamente no mesmo.

Mas vamos deixar o pessimismo de lado e focar no aspecto bom da coisa: se em 1647 já era normal este tipo de lamentação, é sinal que sobrevivemos, mesmo com os Lulas da vida. A virtude pode ser rara, ainda mais quando alguém como Lula, mesmo depois de todos os escândalos, lidera as pesquisas e apresenta boas chances de ser reeleito ainda no primeiro turno. Mas ela não é nula! E isso faz toda a diferença do mundo.

Os virtuosos conseguem sobreviver mesmo no meio dos pérfidos, e no final do dia, carregam o mundo nas costas. Parasitas e sanguessugas pegam carona e regozijam-se, como sempre. São maléficos para a saúde da sociedade como um todo, mas não são letais. Os hospedeiros, aqueles que criam a riqueza que será explorada por tais parasitas e sanguessugas, suportam o fardo. O mundo poderia ser infinitamente melhor sem tais exploradores, com certeza. Mas ele não vai acabar por conta dessa gente, por mais que se esforcem para tanto. A vida continua, com ou sem Lula no governo. Muito melhor sem, claro. Mas não vamos esquecer que a época é triste para os virtuosos...

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Sábado, 26 Agosto 2006 21:00

Não Somos Racistas

O racismo, até então inexistente como uma característica predominante da nação brasileira, que sempre teve orgulho de sua miscigenação, pode estar florescendo por aqui.

O racismo, até então inexistente como uma característica predominante da nação brasileira, que sempre teve orgulho de sua miscigenação, pode estar florescendo por aqui. A mentalidade maniqueísta que divide o povo entre brancos e pretos está por trás desse lamentável fato. Eis a tese defendida com sólidos argumentos pelo jornalista Ali Kamel em seu recente livro Não Somos Racistas, uma leitura fundamental para quem pretende compreender melhor os rumos que o país está tomando na questão racial.

Ali Kamel deposita uma boa parcela de culpa no governo FHC, que teria avançado nessa remodelagem de uma nação bicolor, onde brancos oprimiriam negros. Tal mentalidade estaria totalmente de acordo com o defendido pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso nos anos 1950. No governo FHC foi criado o Grupo de Trabalho Interministerial para a Valorização da População Negra, o que já denota este racismo que divide tudo em brancos e negros. Eram os primeiros passos do que viria a se transformar no regime de cotas durante a gestão de Lula, que tem até um Ministério da Igualdade Racial. As sementes que poderão germinar no até então inexistente ódio racial brasileiro foram plantadas por FHC, e bastante regadas por Lula.

O país já possui leis que previnem contra o preconceito racial, e a própria Constituição prega a isonomia das leis. Ali Kamel diz: “Num país em que no pós-Abolição jamais existiram barreiras institucionais contra a ascensão social do negro, num país em que os acessos a empregos públicos e a vagas em instituições de ensino público são assegurados apenas pelo mérito, num país em que 19 milhões de brancos são pobres e enfrentam as mesmas agruras dos negros pobres, instituir políticas de preferência racial, em vez de garantir educação de qualidade para todos os pobres e dar a eles a oportunidade para que superem a pobreza de acordo com os seus méritos, é se arriscar a pôr o Brasil na rota de um pesadelo: a eclosão entre nós do ódio racial, coisa que, até aqui, não conhecíamos”.

Em seguida, Ali Kamel dá continuidade à sua argumentação, lembrando que o conceito de raça sequer existe geneticamente: “Definitivamente, não existem genes exclusivos de uma determinada cor”. O próprio conceito de raça em si deve ser superado, e indivíduos devem ser julgados por outros critérios que não a cor da pele, algo totalmente irrelevante em relação ao caráter e capacidade intelectual. Não existem raças superiores ou inferiores, e abraçar tal crença é mergulhar na irracionalidade.

Dando prosseguimento aos argumentos, Ali Kamel mostra como as estatísticas têm sido mal interpretadas ou até mesmo manipuladas. O grosso da população brasileira se considera pardo, um termo vago que abrange várias tonalidades de cor. As estatísticas apresentadas para “provar” um suposto racismo como causa da miséria dos negros têm utilizado todos os pardos como negros, enquanto estes representam uma pequena minoria do total. Fora isso, há uma enorme confusão entre correlação e causalidade, onde passam a considerar como causa da pobreza a cor da pele, sendo que observando mais a fundo os números, fica claro que a pobreza não faz distinção de cor. O Pelé não é vítima de preconceito racial, assim como vários outros negros ricos. Já brancos pobres costumam ser vítimas de preconceitos. Ali Kamel diz existir um “classismo” no Brasil, onde a pobreza em si gera preconceito, mas não a cor da pele. Casos isolados sempre vão existir em qualquer lugar, mas claramente o racismo não é uma marca da nossa nação, tampouco o motivo da existência de tantos pardos e negros na pobreza. Se assim fosse, os brancos seriam oprimidos pelos amarelos, já que estes ganham o dobro do salário daqueles, na média. O racismo, na verdade, não explica a discrepância de renda. Um negro, um pardo e um branco com a mesma qualificação costumam receber o mesmo nível de salário.

Um outro livro fundamental para quem pretende conhecer mais a fundo a questão das cotas raciais é Ação Afirmativa ao Redor do Mundo, de Thomas Sowell. O próprio Ali Kamel usa em seu livro os estudos empíricos do professor negro e PhD. pela Universidade de Chicago. O trabalho de Thomas Sowell é esclarecedor sobre as conseqüências nefastas do regime de cotas. O que era para ser temporário passa a ser permanente e costuma abrigar novas minorias, pois políticos não acabam com privilégios estabelecidos. Onde não havia ódio racial este passa a existir, inclusive com casos de guerra civil, como em Sri Lanka. Apenas os mais afortunados entre a minoria privilegiada se beneficiam das cotas. Em resumo, a ação afirmativa falha em todos os sentidos. Ali Kamel conclui: “Errar, ignorando toda a experiência internacional sobre o assunto, é caminhar conscientemente para o desastre. No futuro, se se repetir aqui o que aconteceu lá fora, não haverá desculpas”.

PS: Para quem acha que o alarde é exagerado e o racismo, mesmo com todo o barulho na defesa de privilégios, ainda está longe de ser nossa realidade, pode fazer um simples exercício: imaginar qual seria a reação dos defensores de cotas e de todas as vítimas do “politicamente correto” caso um grupo de música fosse lançado com o nome “Raça Branca”.

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Quinta, 17 Agosto 2006 21:00

Os Filhos de Lula

Lula, que gosta de monólogos e vai fugir dos debates eleitorais, criticou “as elites” e o que chamou de “direita raivosa”. Todo populista que almeja ser como Chávez ou Fidel culpa sempre essa tal de “zelite” pelos males da nação.

“Hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás.” (Ernesto “che” Guevara)

O presidente/candidato Luís Inácio Lula da Silva endureceu o discurso no fim de semana, em Fortaleza. Lula, que gosta de monólogos e vai fugir dos debates eleitorais, criticou “as elites” e o que chamou de “direita raivosa”. Todo populista que almeja ser como Chávez ou Fidel culpa sempre essa tal de “zelite” pelos males da nação. Curiosamente, elite mesmo são os “intelectuais” ricos que adoram Lula, como Verissimo e Chico Buarque, ou então os privilegiados funcionários públicos e sindicalistas, que também gostam muito do molusco. Já quanto a essa tal de “direita raivosa”, seria interessante que o apedeuta explicasse quem exatamente representa a direita no país, posto que o cenário político é caracterizado por um monopólio esquerdista. Será que o presidente considera direita o PMDB fisiológico do seu camarada José Sarney?

Lula voltou a criticar a imunidade parlamentar. O Congresso é mesmo formado por 300 picaretas, como Lula apontou no passado. Os mesmos picaretas que estavam envolvidos no esquema do “mensalão”, arquitetado pelos aliados de maior confiança do presidente Lula, que foi o maior beneficiado dele. Mas o que Lula parece desejar, no fundo, é um mecanismo de perseguição política com o uso da máquina estatal. A forte amizade e respeito que Lula e seu PT nutrem pelo ditador cubano não é fruto do apreço por charutos. A afinidade ideológica, selada no Foro de São Paulo desde 1990, explica muito melhor os laços de profunda amizade.

Lula disse que é desagradável o fato de que “qualquer cidadão que tome cachaça e caia na calçada pode levantar e abrir um processo contra o presidente da República”. Estranho o aparente preconceito contra o consumo da aguardente, vindo de quem veio. Mas deixando isso de lado, o presidente erra o ponto. Qualquer cidadão deve sim ser livre para processar o presidente. O presidente da República é um empregado do povo. Não é este que deve temer o governante, mas o governante que deve temer o povo. O jornalista estrangeiro que andou falando do gosto do presidente pela mesma cachaça sofreu na pele o ranço autoritário de Lula, que quis expulsá-lo do país. O uso do aparato estatal para amedrontar o cidadão comum, como foi feito no caso do caseiro que denunciou o então ministro Palocci, é coisa de quem admira Cuba mesmo, onde o Exército tem um país, ao invés de ser um país que tem um Exército.

Mas o que mais me indignou mesmo não foi nada disso. Pode acusar as “elites”, que no fundo estão com Lula mesmo. Pode acusar a “direita raivosa”, que existe apenas na mitologia canhota. Pode até perseguir cidadãos com a máquina estatal. Mas não venha me chamar de filho! Lula disse: “Tenho 186 milhões de filhos e preciso cuidar deles com carinho e amor”. Caro presidente, tenho pai, e ele não se parece nada com o senhor! Ao que parece, Lula tenta usurpar o posto de “pai dos pobres” de Getúlio Vargas. Não será preciso muito esforço: o populismo irresponsável do presidente de fato vai parir muitos pobres, principalmente se o benigno cenário externo mudar. Esse paternalismo estatal é patético. O governo não é pai de ninguém, tampouco deve administrar o Estado com “carinho e amor”, mas sim com competência e honestidade, características que passaram bem longe da gestão de Lula.

Pelo que anda circulando na internet, até mesmo as meretrizes se manifestaram para alertar que Lula, ao contrário do que muitos dizem, não é filho de nenhuma delas. Senhor presidente, paternidade é coisa séria! O senhor não tem 186 milhões de filhos. Na verdade, seu filho mesmo é aquele que recebeu R$ 5 milhões da Telemar, lembra? Aquele que saiu do nada e fez fortuna de forma mais que suspeita, enquanto o senhor, com raiva, o defendeu e disse não admitir que envolvessem seu filho naquela “sujeira”, que na verdade tratava-se apenas do levantamento de fatos de corrupção ligados ao seu governo. Outro filho seu é aquele que levou amigos para o Palácio do Planalto, numa excursão bancada pelo dinheiro extraído na marra dos pagadores de impostos, em claro ato de desrespeito ao povo. Esses são seus filhos, presidente. Eu não! Exijo já um exame de DNA, para que fique comprovado que o senhor não é meu pai. Presidente, me “inclua fora” dessa lista de filhos que o senhor diz ter. Prefiro até ser órfão!

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Sexta, 11 Agosto 2006 21:00

O Ditador Amigo

Como não existe um único argumento lógico na defesa do el comandante, seus defensores forçam um “argumento” utilitarista: a melhora nas condições de vida do povo cubano.

A coisa mais rara de se encontrar é o fato de existir quem alie a razão ao entusiasmo.” (Voltaire)

Recebi algumas entusiasmadas críticas – na verdade, agressões chulas – por conta de um artigo onde desejava a morte do ditador cubano, Fidel Castro. Espanta a quantidade de pessoas que ainda defende o regime assassino em Cuba. Não são analfabetos que ignoram por completo as informações disponíveis sobre a realidade da ilha caribenha, mas sim gente com acesso à internet e tudo mais que o capitalismo pode nos propiciar – e portanto ausentes em Cuba. São ignorantes voluntários, que se negam a enxergar os fatos. A paixão deles na defesa do indefensável denota total ausência de vestígio racional naquilo que chamamos de cérebro. Defensores de Fidel Castro não merecem o rótulo de homo sapiens – no máximo homo erectus, mas com receio de estar ofendendo nossos antepassados.

Como não existe um único argumento lógico na defesa do el comandante – atualmente mais para el coma andante – seus defensores forçam um “argumento” utilitarista: a melhora nas condições de vida do povo cubano. Ainda que fosse verdade – e nada mais longe da verdade que isso – tal melhora jamais justificaria um regime ditatorial, opressor, violento e assassino, responsável por dezenas de milhares de mortes, assim como o maior êxodo já visto, com boa parcela da população – a que conseguiu fugir no meio de tubarões – morando em Miami, para fugir do “paraíso” cubano. Por falar em paraíso, o que desejo para Fidel após sua morte é que ele viva num lugar justamente como Cuba – só que como um simples cidadão, sem seus poderes políticos. É um bom castigo.

Mas voltando ao “argumento” utilitarista, resta perguntar porque o defensor de Fidel é, ao mesmo tempo, um grande combatente de Pinochet. Comparemos alguns números. Fidel assumiu o comando de Cuba enquanto esta era a quarta economia da América Latina. Está certo que isso não era grande coisa, já que a região toda era muito pobre – o que pouco mudou. Mas o fato é que Fidel conseguiu piorar – e muito – a situação. A economia cubana está na lanterna hoje, depois do vigésimo lugar na região, mesmo com bilhões de dólares de ajuda anual da União Soviética. O Chile, ao contrário, é o país mais sólido da vizinhança, e tem crescido 6% ao ano. A renda per capita chilena saiu de US$ 1.800 em 1973 para US$ 4.700 em 1996; a mortalidade infantil caiu de 66 por cada mil nascimentos em 1973 para 13 em 1996; o acesso à água potável subiu de 67% para 98% da população; e a expectativa de vida foi de 64 anos para 73 anos. Nada mal. Quando levamos em conta que morreram no Chile de Pinochet cerca de 3 mil pessoas, sendo que praticamente metade das mortes ocorreu no primeiro ano da ditadura, durante uma guerra civil com os comunistas revolucionários, fica irresistível questionar qual o critério que os defensores de Fidel utilizam para absolvê-lo enquanto condenam Pinochet. Seria o tamanho da barba? Seria a capacidade de longos discursos retóricos? Seria a quantidade de filhos? Sem dois pesos e duas medidas, os socialistas não agüentam viver um segundo sequer.

Em 1988, Pinochet realizou um referendo popular onde o candidato da junta, ligado a ele, venceu com 44% dos votos – mais do que Allende havia obtido em 1973. Ainda assim, Pinochet respeitou a Constituição, que afirmava serem necessários mais de 50% dos votos, e anunciou sua saída do governo. Fidel Castro continua comandando com mão de ferro a ilha-presídio por desastrosos 47 anos. Ao ficar doente, o que fez o camarada de Lula? Passou o poder ao irmão, como se a ilha fosse sua propriedade privada. Lula ainda fala em respeitar a vontade do povo cubano. Que povo está tendo a liberdade de exercer sua preferência? O povo cubano não tem direito a ter vontades. Deve apenas seguir como autômato o mando do ditador, adorado por nossos “intelectuais” ricos e governantes – invejosos do tamanho do poder de Fidel.

Os utilitaristas mentirosos, que bradam aos ventos as “melhorias” de Cuba durante a ditadura de Fidel, precisam explicar o fato de que em 1959, antes da revolução castrista, Cuba e Porto Rico tinham uma renda per capta similar, ao passo que hoje o último tem quase dez vezes mais renda que o primeiro. Não foi necessário trucidar oponentes políticos, acabar com a liberdade do povo nem criar um paredon para isso.

Como alguém ainda consegue defender um assassino como Fidel Castro? Albert Einstein disse que duas coisas eram infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas ele não estava certo sobre o universo! De fato, quando vemos a reação apaixonada dos defensores de Fidel quando apenas mostramos alguns fatos, ou chamamos um ditador de... “ditador”, fica evidente que Einstein tinha razão nesse ponto. A estupidez humana parece mesmo infindável. Espero que a vida de Fidel Castro, pelo menos, não seja. E que, de preferência, ele sofra bastante antes de morrer, pelo tanto que infligiu de sofrimento ao povo cubano.

Que o diabo lhe carregue, Fidel. Isso, claro, se o capeta não tiver medo de ser substituído por você no comando do inferno. Afinal, seu currículo mostra grande experiência na gestão deste ramo...

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