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Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

Quinta, 22 Fevereiro 2007 22:00

A Carta de Dawkins

Como diz Dawkins, “as crenças tradicionais em geral se iniciam a partir de quase nada”. Talvez alguém simplesmente as invente, como tantas histórias e fábulas conhecidas.

Faith is the commitment of one's consciousness to beliefs for which one has no sensory evidence or rational proof; a mystic is a man who treats his feelings as tools of cognition.” (Ayn Rand)

Em O Capelão do Diabo, Richard Dawkins dedica a última seção a uma carta que escrevera para sua filha quando esta completou dez anos de idade. Pela simplicidade da linguagem, mas importância do conteúdo, considero interessante expor aqui alguns trechos desta carta, já que penso de forma bastante parecida e tento educar minha filha nesta mesma linha. Dawkins diz: “Eu sempre quis encorajá-la a pensar, sem dizer a ela o que pensar”. Costumo fazer o mesmo com minha filha, evitando a doutrinação e tentando estimular o questionamento. Quando ela pergunta se viramos anjos quando morremos, por exemplo, respondo que não sei, que alguns acreditam que sim e outros pensam que não, mas que o mais importante é ela não deixar de questionar, não aceitar uma resposta pronta, e também focar mais na vida que na morte. Isso é bem diferente de um pai que responde um enfático “sim”, fechando todas as portas de reflexão para uma criança ainda imatura. Mas vamos aos trechos de maior destaque na carta de Dawkins.

Os cientistas quase sempre agem como detetives, partindo de uma intuição de que algo pode ser verdadeiro – que chamamos de hipótese – e buscando evidências através basicamente de observações. Dawkins alerta sua filha contra três razões indevidas para acreditar no que quer que seja: tradição, autoridade e revelação. Estas três fontes de “conhecimento” são bem distintas deste método científico da busca pela verdade.

Como diz Dawkins, “as crenças tradicionais em geral se iniciam a partir de quase nada”. Talvez alguém simplesmente as invente, como tantas histórias e fábulas conhecidas. Mas “depois de terem sido transmitidas durante alguns séculos, o mero fato de serem tão antigas faz com que pareçam especiais”. As pessoas acreditam em certas coisas somente porque acreditaram nelas durante séculos. Isso é tradição. Como lembra Dawkins, “coisas distintas são ditas às crianças muçulmanas e às crianças cristãs, e nos dois casos elas crescem absolutamente convencidas de que estão certas e que as outras estão erradas”. Dawkins conclui: “Se inventarmos uma história que não é verdadeira, transmiti-la ao longo de muitos séculos não a tornará nem um pouquinho mais verdadeira!”. As tradições têm sua importância, sem dúvida. Mas não há motivo algum para que não possamos – ou mesmo devamos – questioná-las, buscar suas origens, e checar se são verdadeiras.

Como um caso que vem à mente, podemos falar dos muçulmanos, que não podem beber vinho. A bebida fazia parte da vida cotidiana de Meca no século VI, mas em 632, dez anos após a morte de Maomé, o vinho fora completamente banido de todos os países onde o Islã ditava as regras. O único verso do Alcorão em que se baseia a proibição do vinho foi ditado em função de um incidente ocorrido em Medina, quando os discípulos de Maomé bebiam após a ceia. Houve um desentendimento entre dois destes discípulos, que acabou num golpe que feriu um deles superficialmente. Maomé não gostou, e após consultar Alá, concluiu que o vinho era um veículo do Satanás, que procurava a inimizade e o ódio entre as pessoas. Maomé prescreveu quarenta chibatadas para quem violasse sua injunção contra o vinho, e seu sucessor, o califa Omar, aumentou para oitenta o número. Existem centenas de milhões de consumidores de vinho a menos no mundo hoje, e tudo por causa de uma briga entre dois discípulos provavelmente embriagados de Maomé, no século VII. Será que faz sentido seguir esta tradição sem sequer questionar os motivos dela? Para alguns, o vinho é sagrado, para outros, o caminho do inferno. E muitos aceitam essas “verdades” somente pelo peso da tradição. Dependendo de onde nasceram, sem escolha alguma, podem adorar ou detestar uma bebida, sem motivo racional algum.

O outro alerta de Dawkins é contra a autoridade, significando que acreditamos em algo somente porque alguma pessoa importante nos disse para fazê-lo. Dawkins cita como exemplo a figura máxima da Igreja Católica, o Papa, que passa a adquirir um ar de infalibilidade somente por se tornar Papa. Somente em 1950 um Papa disse oficialmente aos católicos romanos que eles deveriam acreditar que o corpo de Maria subiu ao céu. Mas será que isso se torna mais ou menos verdade apenas porque alguma autoridade resolveu afirmar assim? Dawkins reconhece que mesmo na ciência, “algumas vezes não é possível que vejamos as evidências nós mesmos e, nesse caso, temos que acreditar na palavra de alguém”. Mas é algo bem mais confortante do que a fé necessária na autoridade religiosa, já que as pessoas que escreveram os livros viram as evidências e qualquer um tem a liberdade de examiná-las a qualquer momento, já que são objetivas. Em contrapartida, nem mesmo os padres afirmam que existem evidências para a história sobre o corpo de Maria voando em direção ao Céu. São duas situações bem diferentes.

O terceiro alerta é contra a revelação, que Dawkins descreve como o sentimento que algumas pessoas religiosas têm no seu interior, de que alguma coisa deve ser verdade, muito embora não tenham evidência alguma disso. “Todos nós temos sentimentos dentro de nós de tempos em tempos; às vezes eles se mostram corretos e outras vezes não”, ele diz. Pessoas diferentes podem ter sentimentos opostos e assim fica impossível descobrir quais são os sentimentos corretos. Sentimentos interiores precisam ser sustentados por evidências, “caso contrário simplesmente não devemos acreditar neles”. Os cientistas usam sentimentos interiores a todo o momento, mas para transformarem isto em ciência precisam encontrar sustentação nas evidências, caso contrário não há valor científico.

A carta é endereçada a uma criança, mas acredito que muitos adultos deveriam refletir sobre sua mensagem. Creio que devemos deixar o desfecho com o próprio Richard Dawkins:

A próxima vez que alguém lhe disser algo que soe importante, pense consigo mesma: ‘Será que esse é o tipo de coisa que as pessoas provavelmente sabem porque há evidências? Ou será que é o tipo de coisa em que as pessoas só acreditam por causa da tradição, da autoridade ou da revelação?’ E, quando alguém lhe disser que uma coisa é verdade, por que não dizer a ela: ‘Que tipo de evidência há para isso?’ E se ela não puder lhe dar uma boa resposta, espero que você pense com muito cuidado antes de acreditar numa só palavra.

 

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Domingo, 18 Fevereiro 2007 22:00

A Marcha da Insensatez

O racha que o protestantismo representou para a Igreja Católica foi, em grande parte, causado pelos próprios papas durante um período de sessenta anos entre meados do século XV e começo do XVI.

O racha que o protestantismo representou para a Igreja Católica foi, em grande parte, causado pelos próprios papas durante um período de sessenta anos entre meados do século XV e começo do XVI. Ao menos esta é a tese da historiadora Barbara Tuchman, que dedica alguns capítulos do seu livro A Marcha da Insensatez ao assunto. Ela define a Renascença como o “período histórico em que os valores deste mundo passaram a suplantar os do além-túmulo”, lembrando que sob seu impulso “o indivíduo percebeu ser artífice e diretor do próprio destino, ao invés de atribuir esse mérito a Deus”. O comportamento de seis papas, que praticaram a insensatez da contumácia e da obstinação, abalaram a Santa Sé, conseguindo espatifar a unidade da Igreja, que perdeu quase a metade de seu rebanho para a cisão protestante.

Tuchman resume bem o que poderia estar por trás dessa insensatez: “Perseguindo os despojos do cargo como cães a farejar a caça, cada um dos seis papas, entre os quais um Bórgia e dois Médici, revelou-se totalmente dominado pela ambição de estabelecer a fortuna da família”. Os fiéis sentiam-se traídos com o abismo entre o que os agentes de Cristo deveriam parecer e o que realmente demonstravam ser. “A veemência com que se valorizavam as benesses da vida material significou abandono do ideal de renúncia cristã”, explica a autora. A miséria ocorrida no crepúsculo da Idade Média foi seguida por novos empreendimentos econômicos e artísticos que marcaram o período assinalado como Idade Moderna. Os papas não ficariam para trás, e tornaram-se grandes patronos das artes. Leonardo da Vinci enfeitava a corte de Ludovico Sforza em Milão e o teto da Capela Sistina era pintado por Miguel Ângelo. Como conclui Tuchman, “acreditavam que através da grandiosidade e beleza visíveis o papado cresceria em renome e a Igreja manteria seu domínio sobre os fiéis”.

O papa Sisto IV, eleito em 1471, “inaugurou uma fase de caça ao ganho pessoal e ao poder político de forma notória, despudorada, incansável”. O mais escandaloso de seus atos foi o envolvimento e possível instigação dos Pazzi no tocante à conspiração homicida contra os irmãos Médici. Aliado aos Pazzi, ele teria aprovado ou até tomado parte no obscuro negócio. Um papa assassino! Segundo Tuchman, ninguém lamentou sua morte, e Sisto IV deixou apenas descrédito no seu legado.

Em seguida se deu o papado de Inocêncio VIII, o primeiro papa que reconheceu publicamente seu filho, Francesco. A legitimação de filhos ou sobrinhos transformou-se em rotina para os papas da Renascença, outro princípio da Igreja jogado ao léu. A vice-chancelaria do papado de Inocêncio VIII ficou com o Cardeal Bórgia, que controlava a Cúria. Novos cargos para executivos apostólicos foram criados, com a exigência de remuneração dos que aspiravam aos postos. Foi estabelecido um departamento destinado à venda de favores e perdões a preços inflacionados. Quando perdões em lugar de aplicação da pena de morte em casos de homicídio e outros crimes nefandos foram questionados, o Cardel Bórgia defendeu a prática sob alegação de que “o Senhor deseja não a morte do pecador mas, ao contrário, que ele viva e pague”.

Inocêncio anunciou uma Cruzada numa bula de 1486, decretando, ao mesmo tempo, um dízimo a ser cobrado de todas as igrejas. A Guerra Santa já havia perdido a credibilidade neste época, quando o comércio com os infiéis provou ser lucrativo e os Estados italianos regularmente negociavam a ajuda do sultão em suas guerras uns contra os outros. Era intenção de Inocêncio usar Djem, O Grande Turco, como meio de guerra contra o sultão sob a vaga teoria de que Djem retiraria as forças turcas da Europa. Mas como diz Tuchman, “mesmo que tal coisa fosse verossímil, nunca ficou bem esclarecido de que forma significaria Guerra Santa a simples substituição de um muçulmano por outro muçulmano”.

Depois de servir sob cinco papas, tendo perdido a última eleição, Bórgia teria simplesmente comprado o papado diretamente de seus dois maiores rivais, os Cardeais Della Rovere e Ascanio Sforza. O papado de Alexandre VI, o título que usou, pode ser resumido na palavra depravação. Tinha amantes casadas, e sua ligação com uma garota quarenta anos mais jovem ofendeu o gosto dos italianos. Como a historiadora coloca, “os assuntos da família Bórgia conseguiam escandalizar uma época acostumada a todos os excessos”. O próprio papa teria dito, num momento de rara introspecção: “O mais atroz dos perigos para qualquer papa está no fato de que, cercado como vive, por lisonjeadores, jamais escuta verdades sobre sua pessoa e acaba por não querer mais escutá-las”. Em resumo, “os admiradores corrompem”, como dizia Nelson Rodrigues.

Na nova eleição, Giuliano della Rovere teria utilizado “tráfico de promessas” e propinas onde necessário, para trazer a seu campo vastas e antigas oposições, assegurando por fim a tiara papal. Com o título de Júlio II, pode ser considerado o papa guerreiro, tendo se engajado em anos de beligerância, conquistas e disputas. Vários papas depois dele manifestaram consternação pelo espetáculo do Santo Padre como guerreiro. Comandou uma ofensiva contra uma rebelião dos próprios cristãos, no feudo papal de Ferrara. Nada como a visão insólita de “um Vigário de Cristo na Terra aplicando-se em pessoa a dirigir uma guerra que ele próprio exigira, contra cristãos”. Na estátua que Miguel Ângelo fora incumbido de esculpir em sua homenagem, Júlio teria mandado colocar uma espada em vez de um livro na mão esquerda. Apesar de tudo, Júlio conseguiu deter o desmembramento do território papal, o que lhe valeu grande prestígio histórico, contando com a definição de “salvador da Igreja” em algumas enciclopédias. Nada é mencionado nestes livros sobre o fato de ter banhado de sangue seu país, ou sobre os seus lucros temporais com suas empreitadas violentas.

O penúltimo dos seis papas foi Leão X, cujo reinado foi intitulado por parte de seus apaniguados de “Idade de Ouro”, tamanha a quantidade de moedas que choviam em seus bolsos vindas de comissões, festividades e entretenimentos contínuos. O dinheiro não caía do céu, mas era tirado através de tributos cada vez maiores, extorsivos, cobrados pelos agentes papalinos. O ressentimento era crescente. Para atender suas despesas a chancelaria papal criou cerca de dois mil cargos a serem vendidos durante seu pontificado, incluindo a Ordem dos Cavalheiros de São Pedro. As pessoas mostraram-se cada vez mais indignadas com as incansáveis e extravagantes dívidas do papa, e para muitos, excluindo os dirigentes da Igreja, tornara-se evidente que o início da dissensão se aproximava.

Maquiavel chegou a constatar que “quanto mais se aproximam da Igreja de Roma, cabeça de nossa religião, menos religiosas as pessoas ficam”. Segundo Tuchman, “o abuso que precipitou a ruptura final materializou-se na comercialização de indulgências”. Um frade dominicano, Tetzel, chegou a anunciar em voz alta que tinha “os passaportes que levarão as almas às glórias celestiais do paraíso”. Com respeito aos já falecidos, dizia que “tão logo a moeda tilinta no vaso, a alma que ela está resgatando parte como uma flecha do purgatório diretamente ao paraíso”. Em resposta à campanha de Tetzel, Lutero pregou em 1517 suas famosas 95 teses na porta da igreja de Wittenberg, denunciando como sacrílego o ultraje das indulgências. As sementes do cisma já haviam sido plantadas.

O Cardeal Giulio, outro Médici, foi o último dos papas citados por Tuchman, sob o nome Clemente VII. Roma estava desmoralizada e em crise. Em 1527, os invasores hispano-germânicos romperam os muros e jorraram dentro da cidade. Durante semanas Roma “queimou em meio ao fedor de corpos insepultos destroçados pelos cães”. Os danos foram irreparáveis.

Barbara Tuchman conclui: “A insensatez dos papas não foi apenas a busca de políticas contraproducentes; foi, muito mais, a rejeição de uma tônica aceitável e coerente, quer política quer religiosa, que melhorasse o panorama geral do papado, evitando o crescente descontentamento”. Para ela, “grotesca extravagância e obsessiva busca de lucro pessoal se constituíram em segundo fator, de igual importância”. E por fim, “ilusão de permanência, da inviolabilidade do poder e do status, eis a terceira insensatez”. Resumindo, “essas três atitudes incompatíveis – indiferença ao crescente descontentamento dos fiéis, preocupação de auto-engrandecimento, ilusão de status invulnerável – caracterizam aspectos persistentes da insensatez”. E não custa lembrar que os religiosos, inclusive os papas, são apenas homens.

 

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Segunda, 12 Fevereiro 2007 22:00

Liberais e Conservadores

“O liberal difere do conservador em sua disposição para encarar sua ignorância e admitir o quão pouco sabemos, sem alegar autoridade de fontes sobrenaturais de conhecimento onde sua razão falha”.

The liberal today must more positively oppose some of the basic conceptions which most conservatives share with the socialists.” (Hayek)

Não são poucos os que confundem liberais e conservadores, colocando tudo no mesmo saco. Tamanha é a confusão, que Hayek, em seu clássico The Constitution of Liberty, acabou escrevendo um capítulo extra apenas para explicar porque não era um conservador, levantando as principais diferenças entre estes e os liberais – lembrando sempre que não se trata dos liberais americanos, mas sim dos clássicos.

Isso não o impediu de reconhecer o conservadorismo como legítimo e provavelmente necessário em oposição às mudanças drásticas. Tampouco impede que seja reconhecido o valor das tradições, ainda que estas sejam passadas de geração em geração sem argumento. As tradições são importantes para sustentar as leis e a liberdade, mas nem por isso devem ficar blindadas contra questionamentos. Liberais acreditam na liberdade de pensamento contra aqueles que pretendem impor crenças pela força. Creio que H. B. Acton resumiu bem a coisa quando disse que o tradicionalista quer poder seguir seus caminhos transmitidos, enquanto o liberal quer poder seguir novos caminhos também, sem coerção dos demais.

O liberal deveria perguntar, acima de tudo, para onde devemos nos mover, e não quão rápida deve ser a mudança. Hayek propõe um triângulo como diagrama para separar conservadores, liberais e socialistas, em vez de uma linha reta, que gera mais confusão. Em cada canto estaria um grupo diferente, o que parece mais correto do que colocar liberais no meio entre conservadores e socialistas.

A admiração dos conservadores pelo crescimento livre geralmente aplica-se somente ao passado. Falta-lhes normalmente a coragem para aceitar as mesmas mudanças não programadas pelas quais novas ferramentas para conquistas humanas irão emergir. Uma das características mais comuns na atitude conservadora é o medo da mudança, uma descrença no novo, enquanto a posição liberal é baseada na coragem e confiança, aceitando que as mudanças sigam seus cursos mesmo que não possamos prever aonde isso irá levar. Os conservadores estão inclinados a usar a força do governo para evitar mudanças, pois não possuem confiança nas forças espontâneas de ajuste que fazem o liberal aceitar as mudanças com menos apreensão, mesmo que não saiba ainda como as necessárias adaptações irão surgir. Como um exemplo que vem à cabeça, pode-se citar as pesquisas científicas com células-tronco.

O conservador sente-se seguro somente quando existe alguma forma de sabedoria superior que observa e supervisa a mudança, apenas quando ele sabe que alguma autoridade está a cargo de manter as mudanças “ordenadas”. Em geral, pode-se provavelmente dizer que o conservador não é contra a coerção em si ou o poder arbitrário, contanto que ele seja usado para aquilo que o conservador considera um propósito adequado. Ele acredita que se o governo estiver em mãos de homens decentes, então não é preciso ser muito reduzido por regras rígidas. Assim como o socialista, ele está menos preocupado com o problema de como se deve limitar o poder do governo do que com quem ocupa o poder. E ainda como o socialista, ele sente-se no direito de impor seus próprios valores aos demais pela força. Já para o liberal, a importância que ele pessoalmente deposita em objetivos específicos não é uma suficiente justificativa para forçar os outros a atender tais metas.

Seria por esta razão que o liberal não considera ideais morais ou religiosos como objetos adequados para a coerção, enquanto tanto os conservadores como os socialistas não reconhecem tais limites. Crenças morais que dizem respeito apenas à conduta individual que não interfere diretamente na esfera protegida das outras pessoas não justificam coerção. Pode-se pensar em alguns exemplos como a prostituição entre adultos responsáveis ou mesmo algo mais extremo, como a venda de um rim, que podem ser atitudes moralmente condenáveis para muitos, mas que impactam apenas as vidas dos envolvidos. O liberal, diferente do conservador e do socialista, não é autoritário. Isso pode explicar porque parece tão mais fácil para um socialista arrependido achar uma nova casa espiritual no conservadorismo que no liberalismo.

Diferente do liberalismo, cuja crença fundamental reside no poder de longo prazo das idéias, o conservadorismo está atrelado a um estoque de idéias herdadas num determinado momento. E como o conservador não acredita realmente no poder do argumento, seu último recurso é geralmente alegar uma sabedoria superior, baseada em alguma qualidade superior auto-arrogada. Hayek considera a característica mais condenável da atitude do conservador a propensão a rejeitar conhecimento bastante embasado porque ele não gosta de algumas das conseqüências que podem se seguir dali. Ora, se ficasse provado que nossas crenças morais realmente são dependentes de premissas que se mostram incorretas, seria moral defendê-las recusando-se a reconhecer os fatos?

O viés nacionalista é outro elo que freqüentemente liga conservadores ao coletivismo. Pensar em termos de “nossa” indústria ou “nosso” recurso natural é um pequeno passo de distância para começar a demandar que tais ativos nacionais sejam direcionados para o “interesse nacional”. Protecionismo, reservas de mercado, subsídios agrícolas, são algumas das medidas que podem colocar conservadores lado a lado com socialistas, ambos contra os liberais.

Por fim, Hayek escreveu algo que resume bem a diferença básica entre liberais e conservadores: “O liberal difere do conservador em sua disposição para encarar sua ignorância e admitir o quão pouco sabemos, sem alegar autoridade de fontes sobrenaturais de conhecimento onde sua razão falha”.

 

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Sexta, 09 Fevereiro 2007 22:00

À Procura da Felicidade

O filme retrata o “sonho americano”, onde o trabalho duro individual pode levar qualquer um longe na terra das oportunidades.

I´m a great believer in luck, and I find the harder I work the more I have of it.” (Thomas Jefferson)

O filme À Procura da Felicidade, que conta a história de Chris Gardner, é simplesmente imperdível. Além da incrível e tocante interpretação de Will Smith, a mensagem do filme é excelente, e está em falta nesse país. Trata-se de um homem obstinado que luta para sobreviver e sustentar seu filho mesmo sob as mais árduas circunstâncias, sem que isso o faça ignorar os principais valores nem perder as esperanças. Gardner encontra-se nas mais desesperadas situações, sob constante pressão financeira, chegando a dormir no banheiro de uma estação de metrô e depois em abrigos. Nessa jornada angustiante, ainda é abandonado pela mulher, tendo que criar o filho sozinho. Mas nada disso o impede de manter o carinho e passar valiosas lições para seu filho, que depositara total confiança no pai. Os obstáculos parecem intransponíveis, mas a força de vontade de Gardner é ainda maior.

O filme retrata o “sonho americano”, onde o trabalho duro individual pode levar qualquer um longe na terra das oportunidades. Logo no começo do filme, aparece o então presidente Ronald Reagan fazendo um discurso na televisão, e não creio ser por acaso. Neste discurso, o presidente está culpando os excessivos gastos do governo pela situação delicada em que a economia do país se encontra. As reformas adotadas nesta época foram cruciais para resgatar o crescimento econômico do país. Menos intervenção estatal, mais iniciativa privada, uma receita infalível.

Em uma determinada cena do filme, quando Gardner jogava basquete com seu filho, uma preciosa lição de vida foi passada aos espectadores. O próprio pai fala para o filho desistir do sonho de ser um campeão algum dia, e ao perceber o desânimo do garoto, lhe dá uma bronca, explicando que ele não deve jamais deixar outros – inclusive o próprio pai – colocá-lo para baixo, repetir que ele não é capaz de algo. A inveja faz com que outros tentem diminuir as habilidades alheias, desestimulando qualquer um que pareça um pouco mais capaz em determinada tarefa. O pai afirma então que o filho nunca deve ligar para isso, para o que os outros falam dele, e que nada deverá ficar entre seus sonhos e a realização deles. Proteja seus sonhos sempre! A responsabilidade é individual, e isso vale ainda mais em um país onde muitos esperam passivamente soluções milagrosas através do governo.

A postura do próprio Chris Gardner enfatiza esse abismo que separa os eternos fracassados daqueles que chegam ao sucesso. Logo no começo do filme, Gardner avista um indivíduo saindo de uma Ferrari em frente a um prédio comercial. Todos à sua volta pareciam felizes. Ele pergunta ao desconhecido o que ele fazia para poder ter aquilo, e a resposta muda sua vida. O homem diz que era corretor de ações, e que para tanto bastava ser bom com números e com pessoas. Gardner coloca na sua mente então que chegará lá um dia, e parte para um processo obstinado de tentativa, superando os mais absurdos obstáculos. O grande diferencial que vejo é o fato dele olhar o sucesso alheio e admirá-lo, querendo buscar para si algo semelhante. Isso é oposto ao que vemos, infelizmente com boa freqüência, em pessoas invejando o sucesso alheio, e querendo destruí-lo ao invés de lutar para subir na vida por conta própria.

A Declaração da Independência americana é bastante citada no filme, assim como a frase que Thomas Jefferson inseriu sobre o direito de todos à procura da felicidade. A mensagem do filme é bela, é uma mensagem de esperança, de liberdade, de valores pessoais e integridade. Mesmo sob a situação mais desesperadora que se pode imaginar, Gardner jamais deixou para trás seus valores. Isso serve de lição para muitos sociólogos e intelectuais que forçam uma associação de causalidade entre a pobreza e a criminalidade, como se a pequena conta bancária automaticamente criasse bandidos. A integridade das pessoas não depende do saldo no banco. Fora isso, o filme desmonta a crença do Estado paternalista, que irá cuidar dos pobres. Pelo contrário, o governo aparece para tirar na marra e sem aviso o dinheiro que Gardner conseguiu juntar com a venda de scanners para médicos, alegando impostos atrasados. Foi a gota d’água que jogou Gardner na rua da amargura. Esse é um retrato da realidade. O governo, para dar algo, antes precisa tirar, e normalmente o fardo recai sobre os mais pobres.

Não deixem de assistir o filme. Em uma nação onde todos pensam somente no que o governo pode oferecer, onde a figura de “Che” Guevara ainda é enaltecida, e onde a iniciativa privada é vista como inimiga do povo, nada mais urgente que um relato de uma história verídica, de um sujeito que conhece bem de perto a completa miséria, e sai dela por conta própria, tornando-se um multimilionário. E lembrando ainda que o dinheiro aqui é apenas um subproduto, um indicador do sucesso que Gardner teve na vida. Pois seu valor mesmo, como homem íntegro que soube vencer barreiras inacreditáveis e educar seu filho sob tais circunstâncias, esse não pode ser mensurado pelos seus milhões de dólares.

 

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Sábado, 03 Fevereiro 2007 22:00

A Curva S

Esta curva, em forma de S, diz basicamente que um produto passa por três grandes fases: a inovação, a massificação e a saturação.
“It is because every individual knows so little and, in particular, because we rarely know which of us knows best that we trust the independent and competitive efforts of many to induce the emergence of what we shall want when we see it.” (Hayek)
 
Uma das coisas mais elementares ensinada nos cursos de administração e marketing é o formato comum da curva de vendas de um produto. Esta curva, em forma de S, diz basicamente que um produto passa por três grandes fases: a inovação, a massificação e a saturação. No primeiro momento, a empresa lança o produto ainda não testado pelo mercado, e as primeiras “cobaias” compram. Em seguida, caso o produto tenha boa aceitação, a empresa intensifica a produção, obtendo importantes ganhos de escala, que permitem uma forte redução nos preços, tornando o produto acessível ao grosso dos consumidores. Por fim, o produto já atingiu uma penetração tão grande que está saturado, dando espaço para substitutos mais modernos.
 
Não dá nem para listar a quantidade de produtos que experimentou essa trajetória. Basta citar alguns exemplos bastante óbvios, como o automóvel ou o computador. Na época da Ford e seu Modelo T, existiam literalmente centenas de empresas competindo por este novo mercado. Ninguém sabia ainda quais seriam os modelos vencedores. Apenas os mais ricos podiam se dar ao luxo de comprar um carro. Com o passar do tempo, e com os ganhos de escala, os preços foram caindo e as vendas explodindo. O carro era um produto popular então. O mesmo ocorreu com computadores. As antigas máquinas da IBM eram caríssimas, e poucos podiam pagar por ela. Ao decorrer dos anos, com avanços tecnológicos e ganhos de escala, milhões de usuários passaram a usufruir dos benefícios de um computador.
 
Isso tudo tem uma relevância enorme para o modelo econômico que deve ser adotado em um país. Em primeiro lugar, devemos entender que o processo de tentativa e erro é crucial para o progresso. O conhecimento é disperso, pulverizado na sociedade, limitado, e ninguém tem como saber a priori o que irá funcionar melhor, nem mesmo os desdobramentos das inovações. Os sonhos de voar dos irmãos Wright ou de Santos Dumont levaram ao avião, mas nem eles teriam como imaginar um Boeing 747 ou o novo Airbus gigante. As idéias têm conseqüências que nem seus próprios autores podem imaginar. Logo, o melhor meio de progredir é garantir a liberdade individual e a livre competição, para que o método de tentativa e erro vá filtrando o que funciona melhor, de acordo com as preferências dos próprios consumidores. Isso condena totalmente a alternativa de um planejamento central, feito por algum órgão de supostos “clarividentes”, que determinam o que será mais adequado ao povo.
 
Em segundo lugar, fica claro que os mais ricos exercem uma utilidade fundamental para os constantes avanços. Eles são as tais cobaias, que irão experimentar as inovações com preços ainda proibitivos, pela falta de escala. São eles que compram aparelhos de celular quando estes custam uma fortuna, e após ficar mais claro qual o produto mais competitivo e demandado, os produtores iniciam uma produção em massa, barateando o produto. Quando os ricos compram uma televisão de LCD, pagando milhares de dólares, estão testando as novas tecnologias disponíveis, fornecendo um importante feedback aos produtores, que passarão depois a produzir em grande escala o produto mais competitivo e demandado, tornando-o acessível ao restante dos consumidores. Logo, fica claro que a desigualdade material não é um problema em si, e que os mais ricos acabam atuando como cobaias das massas. Atualmente, qualquer família de classe média americana desfruta de um carro com segurança e conforto, um refrigerador, um computador, um microondas, enfim, de produtos que antes eram vistos como bens luxuosos para poucos.
 
Dito isso, fica fácil compreender porque tenho verdadeiros calafrios quando escuto governantes falando em planejamentos rígidos para o crescimento e o progresso, em “inclusão digital” e coisas do tipo. O melhor que o governo pode fazer para termos de fato isso tudo é sair do caminho, garantindo apenas a segurança contratual, a estabilidade das leis, as trocas voluntárias. Através da competição no livre mercado, as empresas, em busca do lucro, irão automaticamente testar sempre novos produtos. Nunca saberemos ex ante quais serão os bem sucedidos. São os próprios consumidores quem decidirão, através da livre escolha. Os mais ricos serão como cobaias, testando aqueles produtos que ainda são caros demais para os demais consumidores. E através da constante tentativa e erro, os melhores produtos serão filtrados, sobreviverão. E o progresso terá continuidade, beneficiando os milhões de consumidores, especialmente as massas, que poderão usufruir de produtos incríveis, que fariam qualquer rei da Idade Média morrer de inveja. Afinal, quantos nobres e senhores feudais tinham à sua disposição um ar condicionado?
 
 
Segunda, 29 Janeiro 2007 22:00

O Antiamericanismo Patológico

O povo brasileiro é, segundo algumas pesquisas apontam, um dos que tem maior sentimento negativo em relação aos Estados Unidos. A grande causa, creio, está na ignorância alimentada pela inveja.

Para os latino-americanos é um escândalo insuportável que um punhado de anglo-saxãos, chegados ao hemisfério muito depois dos espanhóis, tenham se tornado a primeira potência do mundo”. (Carlos Rangel)

O povo brasileiro é, segundo algumas pesquisas apontam, um dos que tem maior sentimento negativo em relação aos Estados Unidos. A grande causa, creio, está na ignorância alimentada pela inveja. A falta de conhecimento acerca de inúmeros fatos, junto com décadas de lavagem cerebral ideológica, transformaram a nação do norte num demônio, assim como no perfeito bode expiatório. Não será meu objetivo aqui esgotar o assunto, pois seria necessário, para tanto, um livro inteiro. Sugiro então a leitura de A Obsessão Antiamericana, do francês Jean-François Revel. Ou, para quem preferir um estilo mais irônico, Manual do Perfeito Idiota Latinoamericano, o qual tem, entre os autores, Álvaro Vargas Llosa. Neste artigo irei tratar do tema de forma sucinta.

Uma das principais acusações contra os Estados Unidos diz respeito à seu poderio militar e seu aspecto belicoso. Muitos chegam ao absurdo de afirmar que é o poder americano que representa a maior ameaça à paz mundial, não a corrida armamentista de Irã, Coréia do Norte ou China. Chamam o país de “império”, e acham que sua força inigualável gera instabilidade no mundo. Não param para refletir que, mesmo com tanto poder, os Estados Unidos jamais foram conquistadores. Ignoram que entraram em várias guerras apenas de forma reativa, defendendo sempre o lado correto. Até mesmo a mais fracassada de todas as guerras, com o Vietnã, costuma gerar muito calor nos debates, mas pouca luz. Esquecem o contexto, e ignoram que o regime de Ho Chi Min, depois da partida americana, matou em poucos anos cerca de três vezes mais que as duas décadas de guerra com os Estados Unidos. Não citam Camboja, que não teve intervenção americana, e por isso mesmo viu o Khmer Vermelho, do comunista Pol-Pot, trucidar algo como 30% de sua população. Não pensam que a ajuda americana na Coréia foi o que possibilitou a sulista ser próspera e livre hoje, e não como sua irmã do norte. Mas ainda tem gente que pensa que o mundo seria mais calmo se o Irã tivesse o mesmo poder que os Estados Unidos.

Durante a Guerra Fria, havia uma divisão mais igual de forças, com o império soviético dividindo com os Estados Unidos a hegemonia. Alguém por acaso acha que o mundo era mais seguro? A hegemonia unilateral dos americanos hoje é bem mais tranquilizadora que a situação anterior, com um império maligno, que objetivava a exportação do terror mundo afora, ameaçando a paz e a liberdade dos povos. Graças ao poder americano o mundo não caiu nas garras comunistas. Não fossem os americanos e seu poder bélico, talvez boa parte do mundo hoje falasse russo e obedeceria a uma nomenklatura ditatorial, com os dissidentes jogados num campo de concentração qualquer da Sibéria. Se Hitler fracassou, devemos isso aos americanos, e se Stalin e seus seguidores também fracassaram, novamente devemos isso ao poder dos americanos. Todos que defendem a liberdade, ou seja, repudiam o nazismo e o socialismo, deveriam agradecer esta força militar americana que hoje tanto condenam, sem reflexão alguma.

Os Estados Unidos nunca conquistaram nações. Foram atacados tanto pelo Japão como pela Alemanha, reagiram, venceram, e garantiram a liberdade nesses países, que hoje desfrutam da segunda e terceira maiores economias do globo, respectivamente. Estão tentando fazer o mesmo no Iraque, ainda que a situação seja bem mais delicada ali. Aliás, sobre o Islã, é relevante destacar que nas intervenções na Somália, Bósnia ou Kosovo, assim como pressões sobre o governo macedônio, tiveram por objetivo defender as minorias islâmicas. Quem ataca de facto os muçulmanos são os próprios muçulmanos, como no caso do Iraque no Kwait, que foi defendido pelos americanos, ou na Argélia, onde o próprio povo que se massacra sozinho. Como que tamanha contradição pode passar desapercebida? Em 1956, foram os americanos que detiveram a ofensiva militar anglo-francesa-israelense contra o Egito, na chamada “Expedição Suez”. Nada disso é relevante para os povos obstinados e imbuídos de fé cega, assim como pesada lavagem cerebral de seus líderes, que utilizam os Estados Unidos como perfeito bode expiatório para justificar suas atrocidades domésticas.

Há muito mais o que se falar no campo militar, mas podemos partir para o caso econômico também. Os Estados Unidos são acusados de exploradores comerciais, mas ignoram que o país possui um déficit com praticamente todas as demais nações. São mais de US$ 700 bilhões importados todo ano a mais do que exportam. Em outras palavras, os consumidores americanos garantem o emprego de milhões de pessoas mundo afora, e ainda são acusados de exploradores e “consumistas”. Dependem do consumo dos americanos, mas vivem condenando-o. Criticam o embargo a Cuba, esquecendo que este país apontou mísseis para a Flórida e tomou na marra as empresas americanas na ilha, sem notar ainda a contradição de que culpam a ausência do comércio com os Estados Unidos pelos males do país comunista ao mesmo tempo que culpam o comércio pela pobreza de outros países. É preciso decidir se ser parceiro comercial dos americanos é solução para a miséria ou exploração que leva à miséria!

Enfim, a lista de acusações infundadas seria infindável. Claro que existe muito o que se criticar nos Estados Unidos, não há dúvida. Mas está muito evidente que estas pessoas não estão utilizando a razão para tanto. Não são críticas racionais, mas sim passionais, totalmente desprovidas de lógica. Não é razoável alguém bradar contra os Estados Unidos ao lado de Chávez, por exemplo. Não há um pingo de lógica em alguém que justifica um Bin Laden, achando causas para seu terrorismo nos próprios Estados Unidos, por exemplo. Na verdade, este antiamericanismo, em grau impressionante no Brasil, é totalmente patológico. É uma doença mesmo, fruto de uma inveja indomável. Certas pessoas jamais irão perdoar o fato desses “broncos” americanos terem criado em poucos séculos a nação mais próspera do mundo, com base em ampla liberdade individual. Não vão perdoar também o fato deles não terem deixado os soviéticos acabarem com a liberdade no mundo. A patologia é tanta, em alguns casos, que gostariam que a Al Qaeda conseguisse aquilo que os comunistas não conseguiram: a destruição dos americanos. Caso para a psiquiatria mesmo...

 

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Segunda, 22 Janeiro 2007 22:00

O Lucro e a Vida

Na verdade, é justamente a busca do lucro que faz com que os investidores aloquem seus recursos no setor farmacêutico. Se o retorno sobre o capital investido não for adequado, não teremos investimentos neste fundamental setor que tantas vidas salva.

Profit is like oxygen, food, water, and blood for the body; they are not the point of life, but without them, there is no life.” (James Collins)

Muitas pessoas ainda enfrentam um falso dilema entre o lucro e a vida. Observam os enormes lucros das empresas, especialmente do setor farmacêutico, e comparam isso à delicada situação de muitos pobres que necessitam de remédios que podem salvar suas vidas, sem ter como comprá-los. Concluem, de forma precipitada, que tal quadro é injusto, e partem para a solução fácil, porém errada, de propor a redução do lucro da empresa a fim de salvar a vida do doente. Caso colocada em prática, tal medida iria somente condenar mais pessoas à morte.

Na verdade, é justamente a busca do lucro que faz com que os investidores aloquem seus recursos no setor farmacêutico. Se o retorno sobre o capital investido não for adequado, não teremos investimentos neste fundamental setor que tantas vidas salva. Os remédios existentes não caem do céu, tampouco surgem por conta do altruísmo dos bem intencionados. Eles são resultado de pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento, em tecnologia, e é justamente o lucro que permite o reinvestimento em novos produtos. Basta comparar a qualidade de vida nos países capitalistas com a vida na Idade Média para entender isso. No ambiente de livre mercado, com empresas privadas competindo em busca do lucro, mais e mais remédios serão produzidos, e a eficiência deles será o determinante para a sobrevivência das empresas. Logo, a sobrevivência das empresas é intrinsecamente ligada à sobrevivência dos consumidores. O lucro é o sintoma de que estas vidas estão sendo salvas, é o oxigênio das empresas que permite melhorar a qualidade de vida dos consumidores.

Somente nos Estados Unidos existem mais de 50 empresas da indústria de remédios com o capital aberto em bolsa. O valor de mercado delas, somado, ultrapassa US$ 1,2 trilhão, enquanto o lucro dos últimos 12 meses chega a US$ 50 bilhões. A Pfizer, por exemplo, lucra cerca de US$ 12 bilhões sozinha. O Viagra, que devolveu a felicidade a muitos, não cai do azul, apesar de sua cor. Empresas como a Johnson & Johnson, Pfizer, Merck & Co, Abbott Labs, Eli Lilly, Bristol Myers Squib, Schering-Plough e várias outras competem entre si, em busca dos clientes, esforçando-se para oferecer os melhores remédios do mercado. Qualquer um que vai a uma farmácia em busca de alívio e tratamento pode verificar o que o capitalismo fez pela humanidade na questão da saúde. Aquela imensa variedade de remédios não existe por causa dos apelos românticos daqueles que pregam fins nobres, muito menos por conta de alguma nação socialista, que teoricamente coloca a vida acima dos lucros. Qual o avanço medicinal advindo da ex-URSS, da Coréia do Norte ou mesmo de Cuba, que muitos ainda acreditam ser um exemplo neste campo?

O intelectual Noam Chomsky, adorado pela esquerda, possui um livro cujo título já expõe essa falsa dicotomia tão disseminada entre lucro e vidas humanas. Seu livro, O Lucro ou as Pessoas?, é uma crítica ao “neoliberalismo”, este fantasma inexistente na América Latina mas ao mesmo tempo culpado por todos os males da região. Chomsky, que defendeu a candidatura de Heloísa Helena nas últimas eleições brasileiras e foi citado com forte empolgação por Hugo Chávez na ONU, é um socialista. Seria o caso de questionar então ao famoso intelectual sobre quantas vidas o regime socialista já salvou, já que sabemos que algo perto de 100 milhões é quanto ele tirou. A Venezuela de Chávez pode ter petróleo, mas não deu contribuição alguma para a evolução medicinal do mundo. Os petrodólares viram armamento para sua milícia ou financiamento para seu movimento socialista na região. E pelo que consta, fuzis AK-47 não salvam vidas como os remédios dos laboratórios capitalistas em busca de lucro.

Creio que poderíamos responder então a pergunta do título do livro de Chomsky da seguinte maneira: ambos! O lucro e as pessoas! Afinal de contas, a busca pelo lucro é justamente o que possibilita o salvamento de tantas vidas. Enquanto isso, Hugo Chávez afirmou que terá o socialismo ou a morte, em seu discurso de posse. Eis mais um falso dilema, já que o socialismo leva justamente à morte, ao menos dos pobres que não fazem parte da nomenklatura. Em resumo, podemos então alterar a pergunta e colocá-la da seguinte forma: o lucro e a vida ou o socialismo e a morte? Façam suas escolhas...

Aqueles que realmente desejam levar os remédios existentes aos mais pobres e salvar vidas, deveriam pregar a redução dos impostos, que encarecem absurdamente os remédios, assim como um ambiente amigável aos negócios, com reduzida burocracia e estabilidade contratual, incentivando assim os investimentos das empresas neste setor. O capitalismo e o livre mercado, eis o que precisamos para salvar mais vidas!

 

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Terça, 09 Janeiro 2007 22:00

Os Catequistas

Esse coletivismo, essa retórica tola, estava presente também no programa do Partido dos Trabalhadores Nacional-Socialista, que levou Hitler ao poder na Alemanha. O programa afirmava ser possível uma recuperação do povo “somente através da colocação do bem comum à frente do bem individual”. Sabemos como a coisa terminou.

Os socialistas, e em especial os marxistas, sempre pensaram que existia um estado natural de abundância; nada mais simples, portanto, que a economia de Robin Hood: tirar dos ricos para dar aos pobres.” (Roberto Campos)

Não consigo explicar direito o motivo pelo qual ainda leio o Jornal dos Economistas, bancado pelo sindicato desses profissionais. Sei apenas que preciso sempre de um Engov durante a leitura. Agradeço aos laboratórios capitalistas em busca de lucro pelos santos remédios que tornam mais viável ler o lixo socialista! Na edição de novembro de 2006, entretanto, foi necessário uma dose dupla, que ainda assim não segurou o mal-estar. Afinal, estavam presentes um texto de João Sicsú e uma entrevista com Emir Sader. Não tem Engov que dê jeito nesse caso!

Sicsú fala sobre as mudanças necessárias para o país crescer, e afirma que não tem a menor dúvida de que a principal mudança é a redução da taxa de juros. Ele parece crer que os juros podem ser arbitrariamente definidos, independente do mercado. Sua redução pode se dar por decreto estatal, pela sua ótica. Assim, os juros não seriam um preço como outro qualquer, que depende da oferta e demanda, e que são elevados por conseqüência do inchaço estatal. Eles seriam a causa dos problemas, e bastaria “vontade política” – uma canetada na verdade – para resolver nossos males. Analogamente falando, se um doente tem febre, basta quebrar o termômetro.

Para o economista, “essa situação não é favorável aos trabalhadores, nem aos empresários; ela é extremamente favorável aos banqueiros”. Pronto! O bode expiatório predileto de nossa esquerda vem explicar todos os males. “Só há essa explicação: na disputa pelo orçamento, os banqueiros têm saído vitoriosos”. Ou seja, esqueça o péssimo histórico do governo brasileiro como devedor, os calotes, a ausência de império da lei e confiança nas regras, o excesso de gastos, a dívida trilionária, a falta de perspectivas quanto às reformas estruturais etc. Nada disso tem a ver com nossos altos juros. A causa está num complô de fazer inveja a qualquer cineasta de Hollywood, onde meia dúzia de poderosos banqueiros cruéis controlam o Congresso. O que seria da esquerda sem seus bodes expiatórios? Isso para não falar que o maior banqueiro do Brasil é o próprio governo...

Mas Sicsú não se dá por satisfeito. Ele segue, afirmando que “normalmente, se pensa que inflação se controla cortando gastos, mas, na verdade, talvez seja preciso fazer investimento para manter os preços estáveis”. Por exemplo, “é preciso gastar para aumentar a produtividade dos transportes públicos para que os preços sejam mais estáveis”. Que coisa! Os economistas sérios do mundo todo, os investidores, todos achando que os gastos públicos, que precisam ser financiados pelo setor privado, causariam ou recessão pelo aumento de impostos ou inflação pela emissão de moeda, e nosso brilhante economista afirma o oposto. Na verdade, temos é pouco gasto público! Se aumentarmos a gastança compulsiva do governo, aí sim é que a inflação será menor! Pergunto-me porque Sicsú não tem um Prêmio Nobel...

Justiça seja feita, Sicsú reconhece que “é possível que, realmente, uma taxa de juros muito baixa leve a uma fuga de capitais”. Mas logo depois ele acrescenta que “nós temos que ter o direito de determinar a nossa taxa de juros”. Seria o caso de perguntar: nós quem? Ele afirma que “não podemos aceitar a idéia que é o mercado que determina qual é a taxa de juros mínima”, pois o “mercado não pode se sobrepor às decisões públicas”. Ora, e eu que pensei que o mercado fosse apenas a livre interação dos indivíduos! Por exemplo, o mercado é que determina o preço da banana. De um lado temos a oferta, do outro a demanda. O preço se dá no encontro de ambos. Se o governo arbitrariamente determinar um preço diferente, teremos escassez de bananas, caso este preço seja baixo demais, pois a demanda será então maior que a oferta disponível, ou um mercado negro, caso o governo coloque o preço acima do praticado pelo mercado, induzindo a informalidade. Não tem como fugir dessa realidade, por mais que os esquerdistas tentem ignorá-la. E olha que Sicsú ainda tenta fugir capciosamente do rótulo ideológico, garantindo que “não é uma proposta de esquerda, ou da direita, comunista, nem liberal”. Falso. É de esquerda sim. É comunista sim, pois países comunistas que tentavam este tipo de controle de preços, sempre com resultados catastróficos. Controlar preços não tem nada de liberal.

Sicsú diz que “se estabelecêssemos o controle de capitais, não estaríamos rompendo com nenhum contrato”, e conclui que “a vontade de indivíduos não pode se sobrepor às necessidades da sociedade”. Quem define as tais “necessidades da sociedade”, se ela é exatamente o somatório de indivíduos? Esse coletivismo, essa retórica tola, estava presente também no programa do Partido dos Trabalhadores Nacional-Socialista, que levou Hitler ao poder na Alemanha. O programa afirmava ser possível uma recuperação do povo “somente através da colocação do bem comum à frente do bem individual”. Sabemos como a coisa terminou.

Em resumo, Sicsú defende o controle dos preços administrados, o aumento dos gastos públicos, a redução drástica da taxa de juros com o concomitante controle de capitais, uma taxa de câmbio mais desvalorizada na marra e bancos públicos emprestando a taxas subsidiadas para “certos setores” definidos pelo governo. Ou seja, defende tudo aquilo que sempre deu errado mundo afora. Vai na contramão dos países que adotaram reformas liberais e conheceram a prosperidade. Se é o excesso de governo que tanto mal nos causa, Sicsú tem a solução: mais governo! Vamos deixar as sanguessugas curarem nossa leucemia. E isso vem de um professor da UFRJ, que deveria ensinar economia aos seus alunos, não doutriná-los ideologicamente. Como ele, existem vários, a maioria do corpo docente. O socialismo é uma religião, e toda religião precisa dos seus catequistas. Coitados desses alunos...

Sobre a entrevista de Emir Sader, escreverei em outro artigo. Preciso de mais um Engov agora.

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Quinta, 28 Dezembro 2006 22:00

A Galinha Ruiva

O conto da galinha, o boletim escolar, um mínimo de lógica e alguns valores básicos, eis a receita necessária para evitar que uma criança cresça com inclinações socialistas, algo que qualquer pai deveria desejar para seu filho.

Eu juro pela minha vida e pelo meu amor a ela que jamais viverei em função de outro homem, nem pedirei que outro homem viva em minha função.” (Ayn Rand, por John Galt)

Que a minha filha de 5 anos é mais esperta que muitos brasileiros adultos, eu já sabia. Afinal, certa vez ela pediu-me para lhe contar uma história com malvados, que fascina as crianças, e como eu achei que nenhuma ficção seria mais assustadora que um relato verdadeiro, limitei-me a explicar o ocorrido em Cuba. Resumo da coisa: minha filha tem horror do “barbudo que matou e aprisionou inocentes numa ilha”, e detesta por tabela também o nosso presidente, que é muito amigo desse monstro. Monstro, aliás, que mete medo nela tanto quanto a Ursula, de A Pequena Sereia. Uma injustiça com a Ursula, tão inofensiva perto do genocida caribenho!

Mas contando uma outra história para ela dormir, fiquei realmente convencido de que a superioridade de raciocínio da “guria” é realmente espantosa vis-à-vis a média nacional. Trata-se de A Galinha Ruiva, um conto popular inglês. Diz a história que um dia a galinha ruiva estava ciscando no quintal e achou um grão de trigo. Ela teria corrido então para perguntar quem gostaria de ajudá-la a plantar este grão, no que o patinho, o gatinho e o cachorrinho prontamente negaram ajuda. A galinha, persistente, plantou o trigo sozinha. Depois, foi perguntado se os colegas ajudariam na colheita, mas novamente a resposta foi negativa, e a galinha fez o serviço sozinha. Para debulhar o trigo, a coisa se repetiu, e para ir até o moinho fazer farinha também. Por fim, a colaboração foi negada para transformar a farinha em pão, e a galinha, sozinha, fez um pão muito bonito e com um cheiro delicioso. Todos os outros animais quiseram, agora sim!, compartilhar do resultado do trabalho da galinha, mas ela recusou tal ato “caridoso”, falando que eles não iriam provar nem um pedacinho. Eram preguiçosos demais, disse ela.

Pois bem, eis que eu acabei esta sucinta história infantil e minha filha havia compreendido perfeitamente sua mensagem! Não é pouco, ainda mais quando levamos em conta que a maioria dos brasileiros parece ainda não ter entendido o recado. Não é por acaso que a Inglaterra é a Inglaterra, e o Brasil, bom, o Brasil é isso aqui. Enquanto contamos a história da cuca que vai pegar ou do lobo que vai fazer mingau, os ingleses ensinam o valor do trabalho individual, do direito de propriedade privada, das trocas voluntárias. Num país onde a maioria espera apenas que o Estado, ou seja, os outros, ofereça tudo de graça, um ensinamento desses é uma verdadeira aula de filosofia moral. Vários “intelectuais” e mesmo algumas doutoras ainda não absorveram esta lição. O Brasil transformou-se num leilão de privilégios, onde cada grupo pensa apenas em como extorquir mais daquilo que é produzido pelos outros. O país virou o paraíso dos parasitas e o pesadelo dos hospedeiros. A máxima marxista, “de cada um pela capacidade e a cada um pela necessidade”, conquistou milhões de adeptos nesse país. Logo, qualquer criança que entenda a mensagem do conto já está acima de muitos brasileiros, o que, pensando bem, não é lá motivo para tanto orgulho assim.

Agora resta apenas aguardar que ela vire uma adolescente, para explicar que a nota que ela tirar nas provas da escola serão apenas dela, dependentes do mérito pessoal, e que o professor não deve reduzir a nota dos melhores alunos nem aumentar a dos mais fracos em nome de uma certa “igualdade”. O conto da galinha, o boletim escolar, um mínimo de lógica e alguns valores básicos, eis a receita necessária para evitar que uma criança cresça com inclinações socialistas, algo que qualquer pai deveria desejar para seu filho. Afinal, afastar os filhos das drogas é um objetivo comum entre os pais que amam seus filhos.

Desejo a todos um feliz ano novo, e eis o que espero para o ano que se inicia: que os brasileiros em geral possam compreender a mensagem contida neste conto infantil. Estamos precisando!

 

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Sexta, 15 Dezembro 2006 22:00

Cabelos Brancos

O presidente Lula usou seus cabelos brancos para justificar uma suposta mudança em sua postura política, da esquerda para o centro.

"Se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque ela está com problema." (Presidente Lula)

O presidente Lula usou seus cabelos brancos para justificar uma suposta mudança em sua postura política, da esquerda para o centro. Ele falava para uma platéia de empresários. Todos sabem – ou deveriam saber – que o presidente é afeito a uma boa dose de cinismo, e costuma puxar da cartola um discurso diferente para cada público. Falando aos colegas do MST, com certeza sairia algo completamente diferente. Mas ainda assim, podemos aproveitar a sua fala para algumas análises.

Mas em primeiro lugar, preciso fazer uma "dolorosa" confissão. Dizem – e parece que Lula aderiu ao brocardo da boca para fora – que um jovem que não é socialista é um insensível, enquanto um idoso que é socialista é um idiota. Confesso: fui um desses insensíveis. É que desde muito cedo aprendi os conceitos de palavras como mérito, escassez e responsabilidade. Não considerava justo um professor reduzir a nota de um bom aluno e aumentar a de um fraco em nome da maior "igualdade". Tampouco achava correto o Estado tirar o brinquedo melhor de um vizinho para reduzir a desigualdade da vizinhança. Estranhava quando alguém prometia mundos e fundos sem explicar como entregar o prometido. Aceitei rapidamente a lógica matemática de que 2 + 2 = 4. Não acreditava em almoço grátis e sabia que dinheiro não nasce em árvore. Nunca achei que os males do país eram culpa de algum fator exógeno, tipo um império maligno ao norte. E com certeza jamais considerei um formigueiro como um modelo de vida a ser seguido, superior ao nosso. Logo, como fica claro, eu fui um jovem insensível, que já respeitava as diferenças individuais, os méritos distintos, as escolhas de estilo de vida, e sabia que a responsabilidade deve ser sempre do indivíduo. Não nutria simpatia alguma pelos insetos gregários e seu igualitarismo.

Voltando ao presidente, seria o caso de perguntar o que ele faz então ao lado de tanta gente problemática. Afinal de contas, a quantidade de aliados próximos com cabelos brancos mas de esquerda é enorme, quase a totalidade de suas amizades. Não daria nem para começar a listar! No próprio Estatuto do Partido dos Trabalhadores, que Lula ajudou a fundar, consta que o objetivo é construir o "socialismo democrático". Pelo que eu sei, socialismo ainda não passou a ser coisa da direita, e o PT ainda é o partido do presidente. Lula, ele próprio, vive enaltecendo a figura asquerosa do seu amigo ditador, Fidel Castro. Parece que cabelos brancos – e barba até! – ele tem, além do que 80 anos merece ser considerado idoso até em Cingapura. Estaria Lula afirmando que seu grande amigo Fidel tem problemas? O mesmo vale para Hugo Chávez. A lista de camaradas do presidente que estão dentro do seu conceito de problemático é infindável. Já sabíamos que o presidente gostava de chamar para o governo amigos corruptos. Agora ficamos sabendo que o homem adora um problemático também.

Por fim, o presidente concluiu que nos transformamos no "caminho do meio" quando os cabelos ficam brancos, e este seria "o caminho que precisa ser seguido pela sociedade". Eu gostaria de perguntar ao presidente se o meio é sempre bom mesmo. Antes, lembraria que a palavra medíocre vem de média. Mas depois perguntaria se o presidente acha o máximo ser meio inteligente e meio burro, ou meio honesto e meio desonesto. Não há nada de útil no socialismo que possa ser usado para um meio termo com o liberalismo. Misturar lama com sorvete não recupera a lama e estraga o sorvete.

O presidente, ainda que tentando enganar sua seletiva platéia, está certo. De fato, um idoso ser de esquerda é atestado de um grave problema. Infelizmente, este problema, seja estupidez ou perfídia, ronda o Palácio do Planalto com força. Creio que os cabelos brancos de Lula não mudaram seu hábito de mentir...

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