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Maria Lúcia V. Barbosa

Maria Lúcia V. Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br

Sábado, 01 Setembro 2007 21:00

Afundação do PT

Nesse Congresso do PT estaremos assistindo a completa afundação de um partido que um dia se disse ético. Sendo ainda muito forte dele só nos salva a lei.

O acatamento da denúncia do Procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pelo Supremo Tribunal Federal, transformou em réus homens que ocuparam altos cargos na cúpula do governo Lula da Silva, que ainda comandam o PT, além dos que pertencem à base aliada.

O ato da Justiça foi louvado como o “julgamento do século” e lavou a alma de brasileiros dotados de cultura cívica, ressalvando-se que ainda não houve julgamento. Um longo processo se arrastará para que aconteça o desfecho dos casos, algo que não se sabe como terminará visto que o STF nunca condenou nenhum político. Em todo caso, é pertinente refletir sobre o acontecido que tanto impressionou.

Em primeiro lugar, se o Brasil não fosse o país da impunidade o acatamento da denúncia do mensalão pelo STF seria tido como regra e não como exceção que maravilhou brasileiros cansados de injustiça, coisa que, aliás, existe no país desde os tempos coloniais. Mas é preciso lembrar que, apesar do presidente da República e do seu companheiro, o “chefe da quadrilha” José Dirceu, repetirem que não houve mensalão, a CPI dos Correios acumulou um número impressionante de documentos, gravações e testemunhos sobre os mensaleiros. Tais provas, chamadas de indícios devem ter servido de base para a denúncia feita pelo Procurador-Geral ao Supremo. Ora, diante de tantas evidências não seria possível outra atitude do STF, mas, como anteriormente esse Poder deixou a desejar, surpreendeu agradavelmente ao cumprir com sua obrigação baseada na esfera legal.

O que empanou um tanto o brilho do “julgamento do século” foram atitudes como as da ministra Cármen Lúcia e do ministro Lewandowski, que ficaram a trocar bilhetinhos eletrônicos numa sessão de extrema importância para a vida nacional. Aquilo foi um misto de desrespeito para com o país e deboche para com a corte mais alta da Justiça a qual os dois pertencem. Para piorar, o ministro Lewandowski disse ao telefone que o STF analisou a denúncia do mensalão com a faca no pescoço e acuado pela imprensa, o que desmereceu seus pares.

Em que pese o ministro ter sido rebatido por seus colegas e por uma nota dada pela presidente do Supremo, Ellen Gracie, ficou a tônica dos tempos atuais em que a liturgia dos cargos se perdeu, e atitudes e palavreados de botequim são praticados pelo presidente da República e por vários de seus ministros. De todo modo, espera-se que o STF prossiga na mesma linha dando à “organização criminosa” (conforme o Procurador-Geral) um julgamento de acordo com a lei, o que quer dizer, justo.

Recorde-se ainda, que os ministros do STF são independentes perante a opinião pública porque não são eleitos pelo povo como os políticos, e isso os faz também independentes com relação à mídia. São, contudo, indicados pelo presidente da República quando deveriam ser eleitos por seus pares. Quem sabe um dia chegaremos a esse aperfeiçoamento desejável quando, então, o Poder Judiciário terá a independência que o tornará isento ou quase isento de injunções políticas.

Entre as reflexões propostas cabe ainda ressaltar as de cunho eminentemente político. Primeiramente, volta a indagação: É possível acreditar que o presidente da República, tendo escolhido e convivido no seu governo com companheiros que agora foram confirmados como quadrilheiros, nada via, nada sabia sobre suas ações criminosas?

Não se pode negar que os mentores do PT fizeram um trabalho de persuasão magnífico ao conseguir separar Lula da Silva do governo e do partido. Isso porquê, a continuidade da corte petista depende da figura símbolo do neotorneiro que, portanto, deve ser preservada a qualquer custo. E enquanto a propaganda funcionar, ainda que promessas e programas não sejam cumpridos, os pobres recebam suas bolsa-esmola e os ricos lucros nunca antes auferidos nesse país, não importará se Lula da Silva sabia ou não. Mas até quando o equilíbrio entre propaganda e calmaria econômica se manterá para conservar a crença na inocência do “pobre operário?”

Outro aspecto político relevante: o show de cinismo do chefe da quadrilha, ex-chefe da Casa Civil, deputado cassado, e ainda poderoso, José Dirceu. Ele convocou uma coletiva e disse estar morrendo de medo da ditadura da mídia. Não parece piada de salão o “capitão do time”, que chora emocionado diante de Fidel Castro e é amigão de Hugo Chávez, afirmar ter medo de ditadura?

Tal atitude cínica se alastra dentro do partido do DirZEUS. O PT come pizza para desagravar seus quadrilheiros e sem medo nenhum de ditadura quer um plebiscito e uma reforma exclusivamente política. Leia-se o terceiro mandato de Lula da Silva.

Nesse Congresso do PT estaremos assistindo a completa afundação de um partido que um dia se disse ético. Sendo ainda muito forte dele só nos salva a lei.

Terça, 28 Agosto 2007 21:00

Primeira Etapa

Para culminar, o partido pretende conseguir um plebiscito (democracia de massas?) para aprovação de uma Constituinte. Note-se que será exclusiva para reforma política e já se murmura sobre um terceiro mandato.

Escreveu Maquiavel em O Príncipe: “...conhecendo-se de longe (o que só é dado ao homem prudente) os males que virão, pode-se curá-los facilmente, mas, quando esses males se avolumam, por falta de tal conhecimento, de modo que todos podem já reconhecê-los, não há mais remédio que possa estancá-los”.

Tomemos o caso da Venezuela, país em que se consolidou a ditadura de Hugo Chávez, considerada pelas esquerdas latino-americanas modelo de democracia como, aliás, é declarado também o sistema totalitário de Fidel Castro:

Chávez, primeiramente golpista, acabou se tornando presidente da República da Venezuela através do voto. Uma vez alcançado seu objetivo dominou os Poderes Legislativo e Judiciário, anulou os meios de comunicação livres, cooptou o Exército, seduziu com programas assistencialistas a camada mais pobre da população.

Agora ele apresentou um projeto de reforma da Constituição Venezuelana, cuja finalidade é perpetuá-lo no poder. Um dos meios para isso é acabar com as oligarquias e entronizar o “poder popular”, que não é expresso pelo voto, mas por versões dos sovietes stalinistas, ou seja, pelos conselhos operários, camponeses e estudantis que, naturalmente irão lhe assegurar apoio unânime.

Na “reforma”, Chávez definiu mais claramente o “socialismo do século 21” ao classificar a propriedade em cinco tipos:

1) social (pertencente ao povo e controlada pelo Estado); 2) coletiva (pertencente a grupos sociais ou comunitários, mas sob o controle do Estado); 3) mista (com participação do setor privado e do Estado, mas sob controle deste); 4) pública (administrada pelo governo, ou seja, pelo Estado); 5) privada (que poderá ser confiscada quando afetar os direitos de terceiros ou da sociedade, quer dizer, do Estado). É preciso lembrar que o Estado é Hugo Chávez.

Observemos agora o Brasil: Em seu primeiro mandato, através de Lula da Silva, o PT no poder dominou o Congresso Nacional pela compra de votos, o que foi chamado pelo então deputado Roberto Jefferson, de “mensalão”. Foi também no primeiro mandato que estouraram os escândalos envolvendo a cúpula do PT, inclusive, a que ocupava ministérios ou cargos importantes. A estratégia, então, foi distanciar Lula da Silva de seu partido para que não fosse contaminado pelos fartos e fortes indícios de crimes cometidos pelos correligionários. A manobra deu certo e ele foi reeleito, dizendo sempre que nada via, de nada sabia, que não era responsável pelos errinhos cometidos por companheiros traidores.

No momento o STF está decidindo se acata ou não a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra quarenta acusados que, segundo ele, formam uma quadrilha, sendo o chefe do bando o ex-chefe da Casa Civil, deputado cassado e companheiro íntimo do presidente da República, José Dirceu. O STF, que sob a presidência de Nelson Jobim, atual ministro da Defesa, livrou das penalidades legais certos companheiros, agora pode dar sinais de independência acatando a denúncia. Mas, ao final de um longo processo os ministros poderão inocentar vários dos réus alegando falta de provas.

O PT tentou criar mecanismos para cercear completamente a liberdade de imprensa. Não conseguiu, se bem que parte da mídia se assemelha a “voz do dono”. Para reforçar vem ai a TV Pública (leia-se estatal) conduzida por Franklin Martins. Será a TV Lula.

No mais, repito: estamos sem oposições configuradas em partidos políticos, governos estaduais, instituições e entidades. E a um esboço de oposição, apresentada de forma difusa por vaias ou por movimentos sem objetivo claros, Lula da Silva respondeu de forma ameaçadora, dizendo que é bom em “por gente na rua”. Não se trata de desempregar opositores, mas de conclamar as numerosas hostes que servem ao PT como, por exemplo, o MST, a CUT, a UNE (camponeses, operários, estudantes) e demais movimentos sociais.

Ao mesmo tempo, o presidente da Republica ensaia sua democracia de massas, como no recente encontro (que dizem foi financiado pelo governo) que teve com as “margaridas”. Naquela ocasião, mais uma vez, ele clamou contra as elites (oligarquias?) e disse governar para os pobres. Na candente retórica de palanque a clara pregação da luta de classes, a intenção de dividir para governar, o envenenamento de mentes e corações.

Quanto ao MST, que terá em Goiás um curso de Direito só para sem-terra, não se limita mais a invadir propriedades. Invade universidades junto com outras organizações. Nas invasões, o estímulo ao ódio racial, que vem sendo insuflado pelo PT no poder.

Para culminar, o partido pretende conseguir um plebiscito (democracia de massas?) para aprovação de uma Constituinte. Note-se que será exclusiva para reforma política e já se murmura sobre um terceiro mandato.

Há quem diga que não há mais remédio. Eles vieram para ficar e o que se viu até agora foi a primeira etapa. Nela, o mal já se enraizou.

Quarta, 22 Agosto 2007 21:00

Sonhos, Delírios e Utopias

Recentemente o imaginário popular foi construído pelos “intelectuais orgânicos” do PT, especialmente para legitimar a figura mitológica do presidente da República.

Basicamente o indivíduo funciona através de sensações psíquicas e físicas que lhe proporcionam dor ou prazer, o que o faz centrado em seu hedonismo, em seu egoísmo, características, aliás, intrínsecas da humanidade que são atenuadas pelos vários controles sociais os quais “domam”, em grau maior ou menor, as personalidades para que estas se adaptem às suas sociedades.

Não se pode, porém, negar que nos sofisticamos perante os outros animais no sentido de que nos movemos também por medo ou por esperança, por sonhos que sublimam uma realidade por vezes difícil de suportar, pela construção de utopias que raiam ao delírio, mas que servem como justificativas a determinadas causas.

Muitas dessas causas idealizam um paraíso que, ao ser posto em prática se transforma no inferno da tirania, da eliminação da liberdade, do nivelamento na miséria. Tome-se como exemplo de “inferno” na América Latina, Cuba, para onde o governo brasileiro, solidário a Fidel Castro, recentemente entregou em tempo recorde os dois atletas que sonhavam com outra vida possível, sem conceder-lhes asilo ou prazos legais para repatriamento que em nosso país costumam ser concedidos aos piores bandidos.

De todo modo, sem um alvo para se devotar, sem uma bandeira pela qual lutar a vida é sem graça. Esse alvos ou bandeiras costumam ser apenas o desejo da casa própria ou a vontade de ascender na carreira, mas podem também abranger algo mais complexo.

A questão é que lideranças sabem que raramente seus seguidores exercitam o raciocínio, sendo movidos mais pelas emoções, pela necessidade de um chefe que aponte o caminho ou mesmo pela precisão de sublimar sua mediocridade sentindo-se vencedores através da causa. E essa constatação faz entender melhor como são gerados os crédulos das explicações delirantes, das revoluções equivocadas, das utopias impossíveis.

José Murilo de Carvalho, em A formação das Almas, mostra que os republicanos “sonhavam com uma futura idade de ouro em que os seres humanos se realizariam plenamente no seio de uma humanidade mitificada”. Todo o entusiasmo era carreado para a França. O modelo era a Revolução Francesa. “A Marselhesa o hino de guerra”. E Silva Jardim “não se esquecia de incluir o fuzilamento do conde D’Eu, o francês a quem destinava o papel do infortunado Luiz XVI, numa réplica tropical do drama de 1972”.

Os republicanos através de seus propagandistas elaboraram símbolos, mitos e alegorias no sentido de construir o imaginário popular imprescindível aos que almejam conquistar e manter o poder. Passamos da monarquia para a República, mas nossa essência cultural não mudou.

Recentemente o imaginário popular foi construído pelos “intelectuais orgânicos” do PT, especialmente para legitimar a figura mitológica do presidente da República. E se o partido que antes se dizia único detentor da ética naufragou nas águas turvas da amoralidade, não faltam justificativas para legitimar seu governo e, especialmente, Lula da Silva. Neste são projetadas aspirações e interesses populares, o que faz funcionarem as emoções tão necessárias aos poderosos.

Aos militantes petistas, que sustentam a cúpula partidária com seus dízimos e sua mística, a ordem é defender o neotorneiro custe o que custar. Seu hino nacional é “Lula-lá”, seu símbolo a estrela, sua cor o vermelho das esquerdas mundiais. E aos devotados servidores da causa petista não faltam explicações o inexplicável, pois assim funciona a fé.

Exemplifico o modo de ser do militante petista típico com trecho de um diálogo via e-mail que travei com um deles. Como é de praxe essa pessoa confunde sociólogo com FHC, pensa que o mundo se divide em PT e PSDB, inicia sempre seu ataque verbal com insultos e se diz lulista e não petista. Como seus demais companheiros não admite que o PT copiou a “herança maldita”. Ele sentenciou que quem diz isso é “socióloga”, “palhaça” ou “ignorante”, me enquadrando gentilmente na última definição. Depois, ao tentar justificar a presença de Henrique Meirelles no Banco Central e dos homens de FHC que deram sustentação no Ministério da Fazenda ao Plano Real, saiu-se com essa:

Leon Trotski construiu o glorioso e, ainda hoje poderosíssimo Exército Vermelho, com o apoio de marechais, almirantes, condes e duques do Exército czarista”. Assim fez Lula, cuja diferença de Trotski é a seguinte, conforme o lulista:

“Trotski (e a História ainda lhe fará plena justiça), ao final foi um líder derrotado - e seu solitário assassinato apenas significou isso. Lula, não! Ele, dando graças a Deus, já pode partir dessa vida como um líder plenamente vitorioso”.

Não creio que Lula parta dessa vida a machadadas como Trotski, mas não tenho nenhuma dúvida de que permanece a intenção do lulista de me enviar ao ponto mais distante e frio da Sibéria onde seria fuzilada. Aí, quem sabe, eu faria companhia no além ao conde D’Eu.

O PT jamais foi democrático nem nunca o será, mesmo porque está ligado a Fidel Castro e a Hugo Chávez formando com estes o “Eixinho do Mal” latino-americano.

Luiz Inácio, que o PT ardilosamente transformou no símbolo do “humilde operário”, passando assim a idéia subliminar de que ele é uma vítima do sistema, um representante autêntico dos trabalhadores explorado pelos patrões, ou seja, a imagem viva da luta de classes, mostrou claramente o vezo autoritário que, aliás, é inerente a seu partido. Com estilo palanque em fúria ele atacou as vaias sofridas primeira vez e ameaçou os movimentos sociais que estão brotando espontaneamente. Pontificando sobre democracia, conceito que é alheio a um partido como o PT, ele afirmou: “ninguém neste país sabe colocar mais gente na rua do que eu”.

A advertência autoritária era uma resposta à manifestação havida em São Paulo, quando 6.500 pessoas protestaram contra o caos aéreo e se solidarizaram com as quase 200 vítimas do airbus da TAM. Servia também de ameaça aos que pretendem em várias capitais brasileiras se manifestarem no dia 4 de agosto contra a incompetência governamental, os impostos abusivos, a corrupção deslavada, a violência que vitima inocentes, principalmente no Rio de Janeiro que voltou a sua guerra civil depois que acabou o PAN. Sobretudo, as palavras raivosas do presidente visaram movimentos como o do Grupo “Cansei”, da OAB de São Paulo.

Mas quem Luiz Inácio pretende por nas ruas para esmagar esses impertinentes e poucos brasileiros que parecem estar acordando do estado de catalepsia mantido pela massacrante propaganda enganosa do governo, e pelo culto da personalidade em torno do chefe? Será o numeroso exército pára-militar formado pelo MST? O braço sindical petista, a CUT? A UNE, quem sabe, que alguns acusam de estar a soldo do governo? Qualquer milícia à moda fascista-chavista poderá servir para intimidar os poucos que Alexandre Garcia em magistral artigo comparou aos 300 de Esparta.

A retórica enfurecida do presidente Luiz Inácio que nada mais é do que a repetição das palavras de ordem convencionadas pelo PT, ou seja, o discurso unificado que Olavo de Carvalho conceituou como “imbecil coletivo”, pode assustar, impressionar, mas não resiste a um exame em que predomine a lógica e uma revisão da história recente. E note-se que ele usa a velha e conhecida tática petista que primeiro desqualifica o adversário e depois ataca com uma espécie de terrorismo de intimidação. “Golpismo”, “oposição mascarada”, “oportunismo da direita”, “conspiração da elite branca de Campos do Jordão”, “marcha da família com Deus”, são repetidos como mantras pelo presidente, pelos dirigentes do partido, pelos devotados militantes.

Afinal, insurgir-se contra o poderoso pai Lula, que confessou em público ter dado mais lucros aos ricos do que esmolas oficiais aos pobres é um crime de lesa majestade porque atinge o símbolo que mantém privilégios, cargos, imunidades da companheirada espalhada pelo latifúndio estatal por um dos arquitetos do regime petista, o ainda poderoso José Dirceu. Seria inconcebível aos “mandarins” do PT e a seus seguidores mais privilegiados perderem a posição arduamente conquistada de “elite branca” do poder político e econômico. Daí o ardor com que se blinda com uma cortina de aço aquele que possibilita e mantém as delícias da corte.

Os termos usados por Luiz Inácio e seus companheiros para desqualificar e intimidar os poucos opositores que ousam se insurgir contra a majestade do “pobre operário” soam, porém, inteiramente falsos. Quando Luiz Inácio, como deputado federal, propôs o impeachment do presidente Collor e o PT soltou nas ruas suas hostes de cara-pintada ou não, José Dirceu não achou que isso desestabilizaria o Brasil. E durante oito anos o PT berrou “Fora Fernando Henrique”, assim com fez suas greves selvagens e vaiou a valer tudo e todos que acharam merecedores de sua estridente e implacável oposição. Brizola dizia que “o PT vaia até toque de silêncio”. Agora não pode, o que demonstra medo e insegurança dos que não fundo sabem muito bem o que se oculta nas entranhas de um Estado por eles dominado.

O PT acabou com os partidos de oposição, corrompeu todas as instituições e entidades da sociedade civil, chamou para seu lado os ricos que sustentaram as campanhas do “pobre operário”, agraciou os pobres com as esmolas que os manterão sempre pobres. O PT jamais foi democrático nem nunca o será, mesmo porque está ligado a Fidel Castro e a Hugo Chávez formando com estes o “Eixinho do Mal” latino-americano.

Mas tantas ele fez que a sociedade está ficando cansada de perdoar. Era inevitável que alguma oposição surgisse. Ao PT no poder seria melhor ter um mínimo de autocrítica e humildade, analisar em profundidade seus erros e tentar corrigi-los ao invés de ficar ameaçando, mentindo, ostentando comportamento ditatorial. Quanto a nós, os “espartanos”, resta repetir com convicção a estrofe de um dos nossos hinos mais belos: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”. E de tudo fazer para conquistá-la em plenitude, porque, depois da vida, a liberdade é nosso dom maior.

Segunda, 30 Julho 2007 21:00

Lula, Quem Diria, Ficou Com Medo

Entretanto, Lula da Silva, que já bateu recordes em viagens nacionais e internacionais, pode dizer sem susto que avião é o meio de transporte mais seguro que existe.

O presidente da República disse na posse do novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que tem medo de viajar de avião. Algo muito humano, cuidadosamente escolhido para provocar empatia com os milhões de brasileiros que mais uma vez o assistiram pela TV. Afinal, quem não tem seus receios em alçar-se aos céus? Entretanto, Lula da Silva, que já bateu recordes em viagens nacionais e internacionais, pode dizer sem susto que avião é o meio de transporte mais seguro que existe. Não só pelo luxo do aparelho apelidado de Aerolula, que vive a transportá-lo e as suas comitivas, mas pelos cuidados especiais que, naturalmente, são dispensados às viagens de um presidente da República.

Contudo, Lula está com medo de muito mais. Pela primeira vez percebeu que o altar do culto da personalidade, que para ele foi construído, pode estar desmoronando. Acostumado aos auditórios compostos por convidados especiais que sempre o aplaudem ou riem do seu besteirol, aos comícios encomendados onde exercita sua ferve, mistura de repentista com animador de auditório, o presidente ficou extremamente chocado com as vaias recebidas no Maracanã. O horror foi tamanho que preferiu se esconder. Afinal, a festa de abertura do Pan deveria ser o palco iluminado a lhe conferir intenso brilho pontuado por aplausos estrondosos. No entanto, ficou ele pateticamente, ridiculamente, de microfone na mão. Foi calado pela sexta repetição das vaias de 90 mil gargantas.

Como a memória do povo é curta, certamente os propagandistas do presidente entenderam que bastaria armar alguns palcos artificiais para que o constrangimento fosse esquecido. A mídia se calara sobre o colapso aéreo, enfatizando apenas boas notícias. Mas eis que acontece outro acidente, pior do que o de setembro do ano passado do ponto de vista do número de mortos.

Com relação a primeira tragédia, muitos petistas chegaram a atribuir as manifestações que se avolumavam nos aeroportos por passageiros desesperados diante de vôos cancelados ou atrasados, aos chiliques da “elite branca”. Um evidente atestado de que os adeptos e defensores de Lula da Silva não sabem que o significado de elite é produto de qualidade. Em todo caso, os marqueteiros reais estavam tranqüilos por considerar que a maioria que viaja de avião pertence à classe média. Como os pobres estão felizes com as bolsas-esmola e os ricos com os grandes lucros auferidos sob o governo de LILS, deduziu-se que as aflições dos “pequenos burgueses” não contavam. Estes servem para sustentar o luxo da “corte” com seus impostos e continuar a votar em Lula da Silva.

Entretanto, o segundo acidente impressionou os brasileiros de todos os recantos desse imenso país. Mostrado amplamente na televisão abalou não só as famílias das vítimas, mas até os que não são usuários do transporte aéreo. Surgiu também, pela primeira vez, a percepção de que o governo e sua figura maior, o presidente da República, tinham algo a ver com aquilo.

Então, mais Lula temeu e se escondeu. Somente três dias após a tragédia o presidente surgiu em cadeia de rádio e televisão para representar um ato em que tentou passar emoção, mas que falhou na conquista do público.

Antes o desgaste governamental ficara por conta da ministra do Turismo e ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, que como uma Maria Antonieta dos trópicos que mandasse dar brioche ao povo, aconselhou aos sofridos passageiros que se acumulavam nos aeroportos que relaxassem o gozassem. Após o acinte e em pleno clima de luto brasileiro assistiu-se aos gestos obscenos de Marco Aurélio Garcia, o chanceler de fato e vice-presidente o PT, e de seu assessor, a provar que o senhor Garcia está interessado apenas na continuidade do poder. Ele sabe que para isso deve preservar a imagem do chefe, garantia de privilégios e imunidades para todos os companheiros. Em que pese o apoio do seu partido, a demonstrar o modo de ser petista, o escárnio e a estupidez do assessor do presidente soou como mais uma bofetada no rosto dos brasileiros.

Como se não bastassem todas essas ofensas e condutas impróprias a detentores de cargos importantes, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, condecorou alguns companheiros da Anac, cujo descaso, despreparo e irresponsabilidade relativos ao colapso aéreo são visíveis.

Diante de todas as afrontas de seus auxiliares diretos o presidente, em vez de demiti-los, se escondeu. Ficou com medo de ir ao Sul e ao Sudeste e como um neo-coronel preferiu montar seu auditórios de ficção no nordeste. Não escapou, porém de vaias em Aracaju.

Lula trocou finalmente o ministro da Defesa. Pretende se escorar em Nelson Jobim, o ex-presidente do STF que julgava politicamente e não de acordo com a lei. Na posse do ministro Lula riu, fez os costumeiros gracejos à moda do Faustão, mas, quem diria, está com medo. Nem Regina Duarte poderia imaginar isso.

Sexta, 20 Julho 2007 21:00

Irresponsabilidade Assassina

Curva-se de dor o Brasil nesse momento. Até quando se curvará a pátria diante dos desmandos que ora presenciamos? Até quando os brasileiros serão enganados, intoxicados com a propaganda petista?

Mais uma vez o luto e a dor se abatem sobre o País. Em setembro do ano passado foram 154 mortos no que se chamou de pior desastre da aviação brasileira. Nenhuma providência foi tomada pelas autoridades para resolver o caos aéreo. Apenas promessas vagas. Simulações de ordens partindo do presidente da República. Eleição de culpados como pilotos norte-americanos ou cachorro na pista. Bilhões gastos no PAN. Nenhum recurso para renovação dos aparelhos de controle aéreo. Nenhum treinamento para novos controladores de vôo. Obras suspeitas de superfaturamento em Congonhas.

Agora o pior acidente foi superado. Já se fala em quase 200 mortos, incluindo as pessoas que estavam no prédio da TAM. Mais uma vez emerge claramente a incompetência assassina, a indiferença brutal, a covardia das esquivas, o cinismo das explicações que não explicam. Tudo isso não vem do botequim da esquina, mas das autoridades constituídas que incluem, naturalmente, o presidente da República.

Onde está o sempre confuso e inoperante ministro da Defesa? Onde está o comandante da Aeronáutica para dar explicações adequadas à Nação? Onde estão os responsáveis pela Infraero e pela Anac? Onde está o presidente da República, que tão afeito a luzes e câmaras, a constantes aparições televisivas desta vez não entrou em cadeia de rádio e televisão para consolar as famílias enlutadas? Ou avião é coisa de rico e ele só se dirige aos pobres, aos grotões que digerem facilmente seu gesticular furioso e alucinado, que se empolgam com seus esgares e com seu palavreado chulo próprio dos demagogos que, sedutores de massas entusiasmam os mais carentes? As autoridades (in)competentes estão mergulhados em silêncio ensurdecedor.

Será que o presidente Lula da Silva não aparece por estar de ressaca cívica depois das vaias recebidas no Maracanã de 90 mil gargantas? Pode ser, pois, em que pesem as teorias delirantes e sem nexo dos seus áulicos, dos ptbulls hidrófobos que tentam explicar o monumental apupo, LILS sabe que por uns momentos, os mais constrangedores pelos quais já passou, ficou nu como o rei da história. O gigantesco palanque constituído para sua apoteose triunfal no PAN falhou miseravelmente. Simplesmente porque não houve controle oficial. Aquilo foi diferente dos auditórios fechados, das platéias selecionadas, das claques que o aplaudem em comícios encomendados e em inaugurações planejadas. E ele deve saber que a perniciosa e venenosa tese da “elite branca” especialmente postada no Maracanã para vaiá-lo, não passa de um blefe ideologicamente imbecil dos companheiros.

Por tudo isso, quem sabe, Sua Excelência está sem ânimo para se dirigir aos brasileiros nesse momento de tanta dor. Prefere convocar uma reunião no Palácio e chamar alguns de seus auxiliares. Eles discutem como poderão tirar partido da desgraça para exaltar ainda mais a figura luminosa do salvador da pátria. Decreta-se luto oficial. Aposta-se no esquecimento rápido de mais essa tragédia. Pede-se tempo para averiguar os fatos. Elabora-se algumas teorias idiotas para justificar o acidente, e pronto. E só aguardar a próxima queda de avião, porque a continuar a incompetência assassina governamental o horror irá fatalmente se repetir.

Pena que agora não tem pilotos americanos para levarem a culpa. Mas não é difícil incriminar o piloto que não conseguiu frear o avião. Alguém tem que ser culpado. Menos a Aeronáutica, a Infraero, a Anac, o tartamudeante ministro da Defesa e, principalmente, o presidente da República. Este, além de ser infalível como o Papa, de nada sabe, nada vê, por nada é responsável. Se fosse outro o presidente o que fariam os petistas? No mínimo pediriam o impeachment. Lula, porém, é intocável.

Mas quantos ainda morrerão assassinados oficialmente pela incompetência das autoridades? Não se sabe. Melhor recorrer às estradas. Mas com muito cuidado porque estão em péssimo estado. Como tudo nesse governo, a operação tapa-buraco na última campanha presidencial foi uma farsa. Mais uma como o fracassado Programa Fome Zero ou seu substituto Bolsa Família que tem problemas de fraudes em 90% das cidades recentemente auditadas. Sem falar nas inexistentes PPPs e outras propagandas enganosas.

Nas estradas ainda há chance de sobreviver. Nos aviões é quase impossível. Ainda que os pilotos sejam de uma habilidade e de uma competência incríveis para poder contornar todos os perigos oriundos do controle aéreo, das pistas molhadas, etc. Eis a condição dos meios de transporte num país com as dimensões do Brasil. E o presidente da República ainda tem o desplante de dizer que nunca estivemos tão bem desde a Proclamação da República.

Curva-se de dor o Brasil nesse momento. Até quando se curvará a pátria diante dos desmandos que ora presenciamos? Até quando os brasileiros serão enganados, intoxicados com a propaganda petista? O que somos, um rebanho imbecilizado ou um povo capaz de cobrar de seus governantes o cumprimento dos deveres para os quais os elegemos? Quantos ainda morrerão em desastres aéreos para que o Brasil possa acordar dessa letargia idiotizante?

Quinta, 19 Julho 2007 21:00

A Exaltação da Vulgaridade

No Brasil do PT os pobres estão felizes com as bolsas-esmola. Os ricos estão eufóricos com os lucros nunca antes auferidos nesse país.

Estamos perdidos há muito tempo... O país perdeu a inteligência e a consciência moral... A prática da vida tem por única direção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida... A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia”.

Estas afirmações pertencem a Eça de Queiroz (1845-1900), mas podem se aplicar perfeitamente ao Brasil de hoje. Nunca antes na história desse país fomos tão vulgares. Enraizou-se entre nós a prática do “politicamente correto”, algo que objetivou combater certos preconceitos, mas nos faz aceitar passivamente a mediocridade, acirra ódios raciais, exalta a ignorância.

Vamos além: vivemos a cultura do cinismo e da farsa governamentais. Somos capazes de nos comprazer com o engodo que criamos através do voto. Aceitamos tudo que nos enfiam consciência abaixo com a crença ingênua das crianças em Papai Noel, substituído por Papai Lula.

Sobre o atual presidente da República, ardilosamente teceu-se a proteção que o torna um cidadão acima de qualquer suspeita. Ele de nada sabe, nada vê, de nada se responsabiliza como se a corrupção que grassa de forma avassaladora entre seus compadres, companheiros, aliados antes execrados e agora fiéis escudeiros, lhe fosse desconhecida. Explora-se sua origem humilde e é crime de lesa majestade taxá-lo de despreparado para o cargo. Na verdade, origem humilde, pobreza, agruras vividas nada têm a ver com o caráter de uma pessoa. Alguém que não nasceu em berço de ouro pode se tornar um safado ou um homem de caráter. Pode se manter ignorante ou se transformar numa pessoa culta. No caso do ex-retirante e ex-operário é impressionante como suas piadas grosseiras, seus constantes atropelamentos do idioma, seus rompantes de porta de fábrica, sua costumeira e delirante autolouvação são interpretados como rasgos geniais de comunicador de massas, como selo de autenticidade popular. O que jamais seria perdoado em outros presidentes da República nele provoca risos satisfeitos, aplausos entusiásticos porque um dia ele foi pobre.

Assim como se costuma estigmatizar a pobreza como a única classe que comete crimes, o que está longe da verdade, no caso de Lula da Silva inverte-se os sinais e sua ignorância é tomada como sabedoria da pobreza.

Vai-se mais longe: aprendeu-se com o PT a dividir o mundo político de forma maniqueísta: Fernando Henrique é o mal. Lula da Silva é o bem. FHC é sociólogo, homem culto, poliglota, logo não presta. Lula da Silva é o redentor das massas desvalidas, o puro, o semi-analfabeto que ilustra um ideal de vida bem brasileiro: progredir na vida sem fazer força.

A propaganda massacrante não deixa perceber que, curiosamente, um é extensão do outro na medida em que Lula copia, através de sua equipe de governo, não só a política econômica quanto a social do ex-presidente. No mais, não se pode negar que FHC fez de Lula seu sucessor, impediu seu impeachment e o tucanato de alta plumagem vive imbricado com o PT das mais altas rodas.

Nas atuais cenas de desmoralização do Congresso, onde o cinismo se mistura com a ganância desmedida pelo poder, para não dizer pura canalhice, o presidente da República, através de sua tropa de choque petista congressual capitaneada pela estridente Ideli Salvati, se coloca como defensor do indefensável Renan Calheiros. E este, atracado à cadeira da presidência do Congresso, dá um show de mau-caratismo. A impressão que se tem é a de que se quer desmoralizar de vez a instituição. O naufrágio do Congresso é a consagração do Executivo que, tendo dominado em grande parte o Judiciário prossegue nos caminhos da ditadura petista disfarçada a ser coroada com a TV estatal dirigida por Franklin Martins.

Tem-se visto muitas prisões, mas quem ficou preso? Onde estão Waldomiro Diniz, Marcos Valério, José Dirceu, Silvinho Land Rover e tantos outros? Pelo que consta de notícias estes vão muito bem obrigada. Companheiro que é companheiro não cai, se cai desafia a lei da gravidade e cai para cima. Que o digam Palocci, João Paulo Cunha, José Genoino, eleitos deputados federais. Rejubilem-se com o Brasil da impunidade todos os mensaleiros da “base aliada”, todos os companheiros empreiteiros (Zuleido, onde está?). Pipocam os escândalos, as evidências, as gravações, os documentos, as operações policiais e todos se salvam, mesmos sendo lambaris. Manda no Brasil a Venezuela, manda seu preposto Evo Morales e vêm mais hermanos em nosso encalço. Afinal, somos imperialistas e o petróleo agora e deles, coitados.

No Brasil do PT os pobres estão felizes com as bolsas-esmola. Os ricos estão eufóricos com os lucros nunca antes auferidos nesse país. “A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia”. Se “estamos perdidos há muito tempo”, agora ingressamos na era da exaltação da vulgaridade. “O país perdeu a inteligência e a consciência moral”.

Segunda, 02 Julho 2007 21:00

Brasil Falseado

Foi persuadindo que a propaganda fez o brasileiro acreditar na excelência do “Fome Zero”, programa para o qual foram carreadas vultosas doações, apesar do mesmo não ter funcionado.

Em todos os tempos e em todas as sociedades existiram e existem controles utilizados pelo poder político, através dos quais os governantes se legitimam e obtêm a obediência de sua sociedade. Basicamente são eles: a violência, a coerção, a indução, a persuasão e a manipulação.

Em um curto artigo não dá para detalhar cada um desses controles e deixando por enquanto de lado a violência e a coerção, prefiro sintetizar conceitualmente a indução, a persuasão e a manipulação que em nosso país reforçam na atualidade o Poder Executivo de forma considerável. Afinal, foi induzindo, persuadindo e manipulando que o PT, na quarta tentativa, chegou à presidência da República através do seu candidato símbolo, Lula da Silva, e ainda conseguiu reelegê-lo. Também são esses controles que ajudam ao presidente manter-se num patamar elevado de aceitação popular, malgrado os escândalos que explodiram entre seus companheiros e compadres mais chegados, além de familiares. Tão-pouco importa se ele tenha deixado de cumprir promessas e virado pelo avesso seus discursos ideológicos, porque importante é o mito, e não a verdade. E o mito é mantido pela indução, pela persuasão e, sobretudo, pela manipulação.

Naturalmente outros fatores ajudam Lula-lá: o apoio não só dos pobres agraciados com as bolsas-família, mas da elite econômica; o enfraquecimento dos Poderes Legislativo e Judiciário cooptados pelo Executivo; a adesão de instituições e grupos de interesse (Exército, centrais sindicais, UNE, etc.,); o cenário econômico internacional favorável; o bom funcionamento até agora do Plano Real que mantém a estabilidade econômica; a falta de oposições, especialmente, a partidária; a desinformação do brasileiro com relação à política. Mas mesmo esses fatores são reforçados pelos controles que fazem submergir realidades pouco agradáveis para fazer vir á tona apenas o Brasil falseado.

A bem da clareza pode-se dizer de forma resumida que a indução, no sentido político que desejo dar, é o controle que se faz através de promessas ou a efetivação de promessas, premiações ou recompensas. Isto pode ser observado nos palanques eleitorais quando candidatos procedem como prestidigitadores de ilusões. Prometem tanto, que se postas em prática tais promessas teríamos o paraíso à nossa disposição. Por isso costumam ganhar os mais cativantes e não os mais competentes ou éticos.

Através da persuasão o governante faz com que se acredite ou aceite alguma coisa. Para tanto usa argumentação e explicação. Foi persuadindo que a propaganda fez o brasileiro acreditar na excelência do “Fome Zero”, programa para o qual foram carreadas vultosas doações, apesar do mesmo não ter funcionado.

Quanto à manipulação é o mais insidioso e sutil dos controles, capaz de conferir imensa força aos governantes. Isso porquê, se obtém prestígio ou anuência sem que o indivíduo, grupos sociais ou quase toda sociedade percebam o engodo ou possam distinguir entre o falso e o verdadeiro.

A manipulação é feita através da propaganda oficial que utiliza largamente a mídia, notadamente a televisão na medida em que vivemos numa sociedade de massas. Note-se que nesse tipo de sociedade o número de pessoas que emitem opinião é muito menor do que o número das que recebem opiniões prontas.

A propaganda petista usando a indução a persuasão e a manipulação foi extremamente vitoriosa na elaboração de alguns mitos relativos ao personagem do presidente da República, construindo assim uma imagem ideal: Lula é apenas um pobre operário, sem nenhuma responsabilidade do que ocorre em seu governo e falar contra ele é preconceito imperdoável. Esse pobre operário igual ao seu povo é o salvador dos pobres e oprimidos. O presidente é um cidadão acima de qualquer suspeita.

Nenhuma palavra sobre lucros astronômicos de banqueiros, impostos escorchantes, corrupção em níveis jamais vistos nos Poderes Constituídos, escândalos que atingem muito de perto o personagem que de nada sabe, nada vê. Ele é a vítima que se imola no altar da pátria pelo seu povo humilde.

No centro do poder e dos meios de comunicação Lula não cansa de discursar. Tudo está perfeito. Ninguém morre em hospitais por falta de atendimento ou estrutura na área da Saúde. O Brasil ingressou na era do pleno emprego. Nunca tantos foram à escola e à Universidade, o que mostra ao mundo a excelência da educação brasileira, apesar dos alunos, em sua esmagadora maioria, não saberem interpretar ou redigir um texto. A violência foi contida e o Rio de Janeiro vive em paz. O MST é apenas um movimento social e Stédile não espera que a economia desande para seguir rumo ao nosso socialismo do século 21. O apagão aéreo está superado e todos podem viajar sem medo.

Desse modo, um Brasil falseado legitima o governante, enquanto é ocultada uma realidade nada bonita de se ver. Mas quem acredita nessas nossas inconvenientes e desagradáveis profundezas?

Quinta, 28 Junho 2007 21:00

A Quem Interessa

Com relação a mais esse escândalo, entre os muitos que vêm sacudindo o Congresso, também não pode faltar a pergunta sempre associada aos jogos do poder: a quem interessa o fato?

Uma sociedade de ovelhas costuma dar lugar a um Estado de lobos”.  (José Manuel Moreira)



Há algo de pífio, de circense e ao mesmo tempo de trágico no Brasil contemporâneo, sendo exemplo mais recente de degradação moral o escândalo que envolve o presidente do Senado, Renan Calheiros.

As deslavadas desculpas, as acintosas mentiras do senador alagoano que transparecem sob o fogo acirrado de provas, fotos, reportagens, gravações fazem lembrar que, de fato, “esse país não é sério”. Por muito menos autoridades de outras nações já teriam se matado ou sido presas ou, pelo menos, renunciado. Afinal, emitir notas falsas, burlar o fisco, usar empresas de fachada para justificar o injustificável, é caso de polícia. Pouco interessa a vida privada do senador, mas dizer que precisou, em nome da discrição, do lobista de uma grande empreiteira para entregar dinheiro à jornalista com quem tem uma filha, é tratar o povo como retardado mental.

Para piorar a imagem do Congresso os pares de Calheiros o tratam como vítima e tentam mantê-lo num dos cargos mais altos da República. Por causa do “mensalinho”, Severino Cavalcanti, o folclórico ex-presidente do Senado, renunciou para não ser cassado, e se Renan Calheiros não pode mais renunciar porque seu caso já está no Conselho de Ética (ou de falta de ética), compete aos membros de tal órgão vergarem-se às provas e evidências e fazerem o que devem: pedir sua cassação utilizando-se do eufemismo semântico falta de decoro parlamentar. Preferem, porém, através de manobras, protelar qualquer decisão na esperança de que um novo escândalo faça esquecer o “homem de honra” que ora preside o Congresso Nacional. Tal atitude dos senadores, entre os quais não existe oposição, leva o homem comum a questionar: para que serve o Senado? A resposta deve ser dada pelos senadores, que no momento parecem estar paralisados por medo solidário.

Com relação a mais esse escândalo, entre os muitos que vêm sacudindo o Congresso, também não pode faltar a pergunta sempre associada aos jogos do poder: a quem interessa o fato? Destaca-se aqui o Poder Executivo que tem tudo a ganhar e nada a perder com a desmoralização das instituições, na medida que assim se fortalece de modo autoritário.

Note-se que de quase cinco anos para cá, mensaleiros e sanguessugas reduziram “pianistas” e “anões” à dimensão de trombadinhas. Sempre presente a interferência do Executivo, desde o primeiro escândalo onde se notabilizou o já esquecido Waldomiro Diniz, companheiro de muitos anos e homem de confiança do “primeiro-ministro” José Dirceu. Desse modo, daqui a pouco o povo pode indagar: para que serve o Congresso?

Mas se no Legislativo se desenrola novela mexicana feita de capítulos sórdidos, na vida real o caos prossegue nos aeroportos onde o povo não consegue nem relaxar e muito menos gozar, como recomendou a ministra Marta, do turismo, em turismo no momento pelas festas juninas do nordeste.

Em performance anterior o presidente da República, sempre olimpicamente inatingível, ordenou aos passageiros que se queixassem às companhias aéreas. Quando novamente a crise se acentuou, mandou seu ministro do Planejamento negociar com os controladores e prometer-lhes mundos e fundos. Os controladores acreditaram. Quem não acredita em Lula da Silva? Nesse ato, o comandante-em-chefe quebrou a hierarquia militar, sem a qual as FFAA não funcionam. Depois voltou atrás e nada foi feito para readequar salários nem melhorar equipamentos. Mas o presidente do governo petista teve verba para criar mais de seiscentos cargos de confiança para felizes companheiros, que por sua vez darão seus generosos dízimos ao partido, que se tornará cada vez mais rico. Eis aí o que se chama círculo virtuoso da prosperidade com dinheiro público.

No momento um novo apagão aéreo se aproxima do caos completo. Quem vai se lembrar de Vavá, irmão-lambarí que já se safou, ou dos senadores e seus folhetins de quinta categoria? Quanto ao generoso presidente Lula da Silva, entregou de vez os controladores aos seus superiores hierárquicos que já prenderam o líder do movimento. Em quase cinco anos ninguém do governo, num gritante atestado de incompetência, se preocupou em preparar novos controladores. Será que prisões resolvem a grave questão? Se houver um novo acidente aéreo o povo vai se queixar às companhias aéreas ou relaxar e gozar? Talvez, num relance de clarividência, culpe a Infraero, a Aeronáutica, mas jamais o presidente que de nada sabe, nada vê porque ele viaja de Aerolula.

Assim se fortalece mais uma vez o Executivo e seu chefe supremo, que, alías, confirmou que o Exército não passa de um bando de sem-pólvora quando Lamarca foi promovido, post mortem, a general.

Segue o Executivo cada vez mais forte e triunfante, simbolizado na figura presidencial, e daqui a pouco o povo pode perguntar: para que serve o Exercito? E o Judiciário? E os partidos políticos? Restará apenas Lula. Como o Papa ele não erra. Isto é dogma de fé.

Segunda, 18 Junho 2007 21:00

Barões e Ladrões

É verdade que a corrupção é nossa antiga companheira. Faz parte de nosso tecido social desde os primórdios coloniais.

O presidente da República, sua cúpula governamental, os integrantes da mais alta hierarquia de seu partido, o PT, têm sempre um álibi quando a corrupção vem à tona envolvendo compadres e companheiros mais chegados: “Isto sempre existiu no Brasil”. E, esquecidos da promessa de que viriam para acabar com a devassidão pública por serem o único partido ético, justificam seus delitos invocando os do governo anterior, sejam eles falcatruas inventadas ou reais. No poder, finalmente, o PT conclui que, se todo mundo faz não tem importância fazer também, e que a hora é de aproveitar e ir à forra. Assim, a classe dominante foi ao paraíso, inclusive, aos paraísos fiscais, como ilustrou Duda Mendonça em pleno Congresso Nacional ao depor numa daquelas CPIs, as famosas Comissões que fazem muito barulho por nada.

É verdade que a corrupção é nossa antiga companheira. Faz parte de nosso tecido social desde os primórdios coloniais. E, conforme escrevi em um dos meus livros, América Latina – Em Busca do Paraíso Perdido, referindo-me à vinda da corte para cá, “em 1808, instalaram-se de uma vez por todas nestas plagas as características do Estado português, que em terra nova não perderia sua tradicional essência patrimonialista. Segundo Raymundo Faoro, em Os Donos do Poder: ‘Os reis portugueses governavam o reino como a própria casa, não distinguindo o tesouro pessoal do patrimônio público’. Era também um Estado corrupto na medida em que para tudo se dependia dele, do seu excessivo quadro de funcionários, da morosidade típica da burocracia, correndo soltas as propinas para aligeirar licenças, fornecimentos, processos, despachos, etc. Em toda parte das entranhas do desajeitado e ineficiente Leviatã conduzido por D. João VI, traficava-se influência, negociava-se a coisa pública em proveito próprio”.

Em artigo no Caderno Mais, da Folha de São Paulo, de 03/06/2007, a historiadora Isabel Lustosa mostra exemplo de grande corrupto na pessoa de Francisco Bento Maria Targini, visconde de São Lourenço, Tesoureiro-mor de D.João VI. A Targini foi dedicada a significativa quadrinha: “Quem furta pouco é ladrão/quem furta muito é barão/quem mais furta e mais esconde/passa de barão a visconde”. Isabel se refere também aos “pequenos corruptos, incultos e quase analfabetos, como o barbeiro Plácido”.

Do Império até os dias de hoje, “barões” e ladrões continuam a praticar a corrupção favorecidos pela impunidade, pelo Estado patrimonialista e excessivamente burocratizado, pela ausência de cultura cívica, pela plasticidade moral do brasileiro.

Entretanto, como gosta de dizer o presidente da República, “nunca, antes, nesse país”, se viu uma profusão tal de Targinis, de “barões”, de ladrões que se espalham por todos os Poderes Constituídos, que se esparramam pelas instituições, que usufruem da intimidade do “rei”. Quando se pensa que chegamos ao fundo, que neste governo começou a ser cavado por Waldomiro Diniz, os escândalos se multiplicam, assim como as inúteis CPIs e as espetaculares operações da Polícia Federal que expõem a podridão moral da coisa pública. Os casos escabrosos são tantos e tantos os personagens neles envolvidos, que a opinião pública vai sendo anestesiada e, numa inversão de valores, passa a conceber o que era errado como certo. Na esteira dos acontecimentos sobrepõe-se de tal modo os Targini, que vai se apagando da memória coletiva até as mais recentes personagens envolvidas na rapinagem. Diante da operação Xeque Mate, que comprometeu irmãos do presidente da República, vão caindo no esquecimento as “façanhas” de companheiros e compadres presidenciais como José Dirceu, Antonio Palocci, Luiz Gushiken, Delúbio Soares, José Genoino, Paulo Okamoto, Osvaldo Bargas. Jorge Lorenzetti, Freud Godoy e tantos outros. Até Zuleido e Renan Calheiros vão escapando pela fresta da amnésia popular. Aos brasileiros mais conscientes e atilados fica a impressão de que o governo ora em curso é uma mistura de máfia, circo e bordel.

É verdade que desde que o ex-deputado Roberto Jefferson tocou sua “trombeta de Jericó”, derrubando até o todo-poderoso José Dirceu, nunca, antes, nesse país tinham vindo à tona tantos “barões”. Mas, proporcionalmente, nunca houve tanta impunidade, pois os Targini continuam livres, leves e soltos. São muitas ações e poucas condenações. Muitas CPIs e raríssimas cassações de mandatos.

Em meio à sordidez reinante, sobrepõe-se emblematicamente, como o barbeiro redivivo do Império, o irmão dileto do presidente da República, Genival Inácio da Silva, vulgo Vavá, a quem Roberto Jefferson certamente chamaria de “petequeiro”, pois o bondoso mano oferece malandramente por pequenas quantias, até aos compadres do submundo do crime, seus serviços que não são entregues. Seria ele também ‘a cara do povo”? Pode ser. Afinal, não é o próprio povo que escolhe malandros, trambiqueiros e mafiosos para representá-lo? Portanto, não há do que se queixar. Nem mesmo do prejuízo anual de R$ 40 bi que a corrupção causa ao país.

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