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Maria Lúcia V. Barbosa

Maria Lúcia V. Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br

Domingo, 28 Outubro 2007 22:00

Está Chegando a TV Lula

Está sendo constituída, a poder de muito dinheiro do contribuinte, que dizer, de todos nós, a TV que o governo chama de pública, mas, ao que tudo indica, será estatal.

Está sendo constituída, a poder de muito dinheiro do contribuinte, que dizer, de todos nós, a TV que o governo chama de pública, mas, ao que tudo indica, será estatal, um monumental veículo de propaganda onde programas inexistentes do grande líder e sua figura serão ainda mais exaltados (já o são em toda mídia), para veneração de seus filhos amantíssimos.

Dominados o Congresso Nacional (que vota tudo que o Executivo mandar desde que haja uma contrapartida bastante rentável), o Judiciário em várias de suas instâncias, demais instituições e entidades, faltava o derradeiro tentáculo para amestrar de vez o rebanho ovino, tornando-o ainda mais emocional, submisso e sensível às falas e feitos daquele que mantém companheiros e adesistas no pódio dourado do poder.

Medida provisória que cria a TV pública ou Empresa Brasil de Comunicação (EBC) já se encontra no Congresso Nacional, como se houvesse relevância e urgência para tal projeto, requisitos necessários para que o Executivo envie tal tipo de medida ao Legislativo. E num parlamento que mais se assemelha a um balcão de negócios, bastará o governo gritar como animador de auditório: “quem quer dinheiro?”, que jorrarão os votos necessários para a criação da TV Lula.

Mas, por que se diz que essa rede de comunicação será estatal e não pública, em que pese o governo jurar que seu magnânimo objetivo é o de criar uma rede de comunicação que apóie as produções culturais e regionais, além de produção nacional de programas educativos (como se isso não existisse nas TVs cultura e educativas)?

Simplesmente porque, como bem definiu um editorial do O Estado de S. Paulo (20/10/2007): “O estatuto da EBC será definido por decreto presidencial. O Conselho de administração será constituído por um presidente, indicado pelo ministro da Comunicação Social (Franklin Martins), pelo presidente da Diretoria Executiva (nomeado pelo presidente da República), por dois conselheiros indicados pelos ministros do Planejamento e das Comunicações e por um conselheiro indicado conforme o Estatuto (feito pelo presidente da República). O Conselho Curador, que deveria zelar pela independência da TV Pública, será constituído por quatro ministros e um representante dos funcionários, bem como por 15 ‘representantes da sociedade civil’ indicados na forma do Estatuto (aquele feito pelo presidente da República)”. Bem, diante disso alguém duvida do vezo eleitoreiro e de propaganda ideológica desse órgão de comunicação, tentáculo do poder, repito, que projeta sua sombra sinistra sobre a liberdade de expressão que, a bem da verdade já nem existe mais de forma ideal?

Mais uma vez o Brasil segue fielmente nos caminhos de Hugo Chávez. Diga-se de passagem, que o ditador de fato da Venezuela foi aprovado aqui, na Câmara, para fazer parte do Mercosul e, mais reforçado em nosso país estará mandando seus emissários para formar os círculos bolivarianos, células de seguidores do socialismo do século 21, que parecem já existir no Paraná com apoio incondicional do governador Requião.

Acrescente-se que Hugo Chávez, que já possui o maior e bem mais armado exército latino-americano, prevê destinar para 2008 US$ 193,4 mi para “fortalecer movimentos alternativos na América Central e no México”. No Brasil isso já deve funcionar, pois se tem noticiado a devoção de João Pedro Stédile, mentor do MST, àquele que se diz a encarnação de Simón Bolívar.

Fazer frente à gestação desse processo autoritário no Brasil requer oposições bem articuladas em entidades fortes e, sobretudo, em partidos políticos, coisa que existe na Venezuela. A questão é que não dispomos de tais mecanismos de resistência e, apenas um ou outro parlamentar se insurge contra os descalabros já existentes e que se anunciam.

Inclusive, no momento é possível ver isso com clareza na deplorável atitude do PSDB que, mais uma vez como linha auxiliar do PT cerra fileiras para aprovação da CPMF.

Ressalte-se que o senador Arthur Virgílio, ex-fervorosa oposição ao governo, entregou de bandeja a primeira vice-presidência do senado que pertencia ao seu partido, o PSDB, por ser a terceira bancada, ao PT, quarta bancada, o que ensejou a ascensão de Tião Viana à presidência do senado no lugar de Renan Calheiros. Agora temos algo nunca antes visto nesse país: a trindade composta por um só partido a reinar absoluta na presidência da Câmara, do Senado (que é também a do Congresso) e da República.

Com uma oposição dessas, à exceção de uns poucos tucanos como o senador paranaense Álvaro Dias e dos democratas, estamos bem arranjados e a aprovação da medida provisória que cria a TV Lula é favas contadas, exatamente como da abominável CPMF, que deveria ser utilizada para sanar o caos da Saúde, conforme o objetivo de sua criação, e não para alimentar projetos autoritários e megalomaníacos como o dessa TV estatal que, provavelmente, submeterá as demais TVs às suas normas e condições. A TV Globo que se cuide.

Sexta, 26 Outubro 2007 22:00

Um Bope Para a Política

No momento político que atravessamos, onde os Poderes Constituídos estão mais apodrecidos do que nunca, ou surge um “Batalhão de Operações Políticas Especiais”, ou estamos de vez derrotados pelo sistema.

Confesso que não gosto de filmes brasileiros e, portanto, não os assisto. A arte ou seu arremedo sempre retrata a cultura de uma dada sociedade, e emprego aqui o termo cultura no sentido do complexo de valores, comportamentos e atitudes sociais. Nesse sentido nossos filmes mostram nossa visão de mundo, exaltando o que nos é caro: anti-valores e anti-heróis. Vão da glamourização dos bandidos transformados em mocinhos a satanização dos mocinhos transformados em bandidos. E as chamadas obras cinematográficas, produzidas comodamente à sombra do governo, normalmente apelam para a pornografia, transformando em lixo o que poderia ser arte.

O mesmo se dá com novelas, influentes meios de moldar comportamentos, onde a glorificação do mau-caratismo é comum sendo que os vilões é que empolgam os telespectadores. Além do mais, através dos folhetins eletrônicos é possível passar, de forma subliminar, a ideologia do poder político do momento. Exemplifico com a novela Paraíso Tropical, que resvalava, sem que a grande maioria o percebesse, para um tipo de doutrinação relativa a luta de classes e para o incentivo do preconceito do negro contra o branco (recorde-se que uma ministra do presidente Lula da Silva afirmou não ser preconceito o negro hostilizar e odiar o branco, porque esse é um direito da raça negra). Na novela, várias vezes Bebel, a prostituta, chamou sua rival de branca azeda e de outros termos depreciativos, além de fazer críticas à posição social da loura, noiva do personagem Olavo. Fico imaginando se a “branca azeda” retrucasse com algum insulto relativo aos negros. Provavelmente a Rede Globo seria processada e o autor da novela preso sob a acusação de crime hediondo e inafiançável.

Mas se não gosto de filmes nacionais acabei abrindo uma exceção e fui ver Tropa de Elite. Sai do cinema impressionada. Pela primeira vez descortinava-se na pobreza da cinematografia brasileira algo de valor, realista, sem o vezo esquerdopata que só atribui direitos aos bandidos e os trata como coitadinhos, que por serem vítimas da sociedade são livres para cometerem crimes bárbaros que sempre devem ser perdoados.

Tropa de Elite passou longe do insuportável pieguismo do politicamente correto. Mostrou com crueza e clareza o cerne da violência urbana ligada ao narcotráfico, mantido por usuários de drogas muitos dos quais pertencentes a juventude dourada da zona sul, do Rio de Janeiro. Vestidos de branco, eles participam de passeatas em nome da paz enquanto alimentam o tráfico. Dotados de “consciência social”, fazendo parte de ONGs, sobem o morro para hipocritamente fazer suas “caridades”, enquanto cheiram e compram cocaína e outras drogas para consumir e vender.

Significativamente o filme mostra jovens consumidores de drogas como estudantes de Direito. Eles deveriam ser dotados de consciência legal, mas odeiam a polícia que reprime os companheiros do tráfico. Ironicamente, os bons-mocinhos e mocinhas, amigos dos traficantes, pagarão caro por suas “bondades”. Um dos rapazes será supliciado no “micro ondas” (tortura das mais cruéis que consiste em colocar a pessoa dentro de uma pilha de pneus e atear fogo para queimá-la lentamente). Uma das moças será morta à tiros. Tais cenas mostram que bandido não tem escrúpulos nem piedade, o que torna impossível que policiais tratem tais criminosos bestiais com flores e afagos.

Para enfrentar as bestas-feras, encasteladas nos morros, só o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Rio de Janeiro. Seus policiais passam por treinamento extremamente rigoroso e não estão contaminados pela corrupção que envolve parte da polícia que se rendeu ao sistema. Nesse sentido o termo elite relacionado à tropa está correto e não deturpado pela esquerda petista, pois elite não significa “ricos malvados”, mas produto de qualidade, podendo existir elites econômicas, políticas, intelectuais, etc., que são grupos que se destacam na sociedade por seu padrão de excelência.

Referindo-se ao sistema o capitão Nascimento, figura de herói (aquele capaz de dar a vida por sua causa e não um jogador de futebol) representada magistralmente pelo ator Wagner Moura, coloca a mensagem mais importante do filme, aquela que todos no íntimo sabem, mas fingem ignorar: “ou o policial se corrompe, ou se omite, ou vai para a guerra”. O capitão Nascimento sabe que poucos como ele irão para a guerra, e que a luta pode parecer inglória diante do sistema, mas tem consciência de que, não obstante a escolha que pode ser paga com a vida, o Bope faz a necessária diferença.

No momento político que atravessamos, onde os Poderes Constituídos estão mais apodrecidos do que nunca, mais corruptores e corruptos do que nunca, mais cínicos do que nunca, que já não se sabe quem é autoridade e quem é bandido, que não existem oposições para valer e partidos se entregam ao Executivo como manda a ministra do turismo, relaxando e gozando, ou surge um “Batalhão de Operações Políticas Especiais”, ou estamos de vez derrotados pelo sistema.

Domingo, 07 Outubro 2007 21:00

Deixa Estar Para Ver Como é Que Fica

Nesse nosso cenário de corrupção generalizada, que se antes era endêmica, mas realizada com certas sutilezas, e agora é escancarada sem nenhum pudor, seria fundamental o papel de partidos de oposição.

Na história do Brasil existe uma repetição de acontecimentos, que guardando suas características básicas se reproduzem dentro de outras etapas de nossa evolução. Isso é fácil de provar na esfera política repetindo-se o que se passava em 1985. Nesse mesmo ano, no período compreendido entre 17 de junho e 16 de julho, uma pesquisa de opinião feita pela Toledo & Associados mostrou que a imagem do político brasileiro estava desacreditada e vinculada à corrupção, empreguismo, promessas não cumpridas, falta de seriedade e incompetência.

Atualmente essa imagem continua fixada na mente do eleitor, o que não o impede de continuar votando em muitos candidatos que não poderiam merecer a representação popular. Isso acontece porque, em que pese vivermos na era da informação, o brasileiro em geral é desinformado politicamente, o que o torna presa fácil da propaganda que apresenta imagens sedutoras de políticos que não correspondem ao que ele é na realidade.

Ao mesmo tempo, a questão das condutas políticas minimamente morais como critério de voto, vêm perdendo importância nesse momento em que se observa acentuada permissividade nos comportamento sociais, a perda de valores que norteiam as noções de certo e de errado e, sobretudo, a falta de oposições políticas que arregimentem insatisfações latentes.

Outro fator que se repete é a quase indiferença popular com relação aos atos do Legislativo. As pessoas não têm a mínima noção do que faz esse Poder ou para que serve e, na maioria das vezes, não se lembram em quem votaram para senador, deputado e vereador. Já o Executivo, por ter sido sempre em nossa história o Poder mais forte e, portanto, o mais evidente, é o mais percebido e sentido através de suas ações. Isso explica a indiferença popular diante das manobras escusas da chamada tropa de choque do senador Renan Calheiros, composta por parlamentares do PT e do PMDB, para mantê-lo na presidência do Senado.

Nesse nosso cenário de corrupção generalizada, que se antes era endêmica, mas realizada com certas sutilezas, e agora é escancarada sem nenhum pudor, seria fundamental o papel de partidos de oposição. Mas, será que temos no Brasil partidos políticos ou clubes de interesses? Para responder a essa indagação e provar que no Brasil os fatos se repetem, transcrevo aqui o que afirmei em 1988, em meu primeiro livro “O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – a Ética da Malandragem”.

Na realidade nunca o comércio da política foi tão exacerbado, e jamais os partidos políticos estiveram tão descaracterizados como representantes da opinião pública, ou de segmentos sociais, como no período anterior às eleições de 86. Surgiu um processo acentuado de trocas de siglas que sugere muito mais o oportunismo da caça às vagas nas convenções e o acerto de interesses eminentemente pessoais de poder pelo poder. Impossibilitados de obter uma vaga no seu próprio partido para disputar algum cargo eleitoral, muitos políticos formaram ou passaram para pequenos partidos chamados de aluguel, usados muitas vezes apenas durante as eleições, o que ocasionou o desaparecimento de muitos deles.

Note-se que agora se acentuou o oportunismo partidário, a ausência de qualquer ideologia ou doutrina, princípio ou disciplina por parte dos partidos. Diante desse quadro se pode melhor analisar o resultado do julgamento do Supremo Tribunal Federal (04/10/2007) que julgou mandatos de segurança apresentados pelo PSDB, DEM e PPS, partidos que perderam deputados para a base governista e pediam a instituição da fidelidade partidária.

O STF conclui que o mandato pertence ao partido e não ao parlamentar, o que na prática já existe, pois muitos candidatos se elegem com poucos votos, mas com o auxílio do coeficiente eleitoral do partido. Indicou que devem perder o mandato aqueles que se desfiliaram antes de março deste ano (prazo dado pelo TSE), mas flexibilizou ao não determinar a cassação automática como punição para a infidelidade partidária, sendo que o parlamentar terá direito de defesa baseado na inconformidade com a doutrina do seu partido (como se partidos tivessem doutrinas) ou perseguição (coisa que pode ser alegada facilmente para com jeitinho fugir da cassação). Acrescente-se que o Legislativo já disse que não cumprirá o que determina o Judiciário. Enfim, no STF vigorou a filosofia brasileira do deixa estar para ver como é que fica.

De todo modo, o Executivo foi que levou de novo vantagem. Na Venezuela Hugo Chávez lançou a moda de anular “democraticamente” o Legislativo que apenas lhe obedece. Seu discípulo boliviano, Evo Morales, tenta o mesmo caminho. No Equador, outro seguidor de Chávez, Rafael Correa, que tem a maioria para fazer do jeito que quiser sua Assembléia Constituinte, já disse que o povo quer o fim do Congresso. Os três simulam serem democratas, mas governam ditatorialmente. No Brasil, será que o Congresso já acabou e ninguém percebeu? Afinal, os povos latino-americanos gostam das ditaduras. Especialmente se tais ditaduras tiverem o charme inerente à esquerda.

Sexta, 21 Setembro 2007 21:00

A Pedagogia da Esquerda Aloprada

O artigo do jornalista Ali Kamel, publicado no O Globo de 18/9 e reproduzido no O Estado de S. Paulo de 20/9, mostra algo gravíssimo que poucos percebem: a lavagem cerebral que está sendo feita nas escolas públicas.

O artigo do jornalista Ali Kamel, publicado no O Globo de 18/9 e reproduzido no O Estado de S. Paulo de 20/9, mostra algo gravíssimo que poucos percebem: a lavagem cerebral que está sendo feita nas escolas públicas. A continuar desse modo o futuro do país é um cenário de desesperança.

Em seu artigo Kamel comenta o livro didático “Nova História Crítica, 8ª série”, que foi distribuído pelo MEC a 750 mil alunos da rede pública e, pelos trechos citados vê-se claramente que o tal livro é um compêndio de doutrinação esquerdista composto em estilo grotesco, eivado com aberrações históricas e que faz prevalecer a exaltação de um marxismo requentado.

O livro ensina que o paraíso fica em Cuba. Que Mao Tse-tung foi um herói, um sábio que escreveu livros sobre variados temas, “um grande estadista” e, melhor ainda, um galã que deve ter inaugurado a era do “ficar”, pois “amou várias mulheres e foi por elas correspondido”. Só para os chineses anticomunistas ele “não passou de um ditador”. Já a propriedade é um mal em si e “terras, minas e empresas” devem pertencer “à coletividade”.

Vale a pena transcrever aqui as palavras com as quais Kamel encerra seu artigo:

De que forma nossas crianças poderão saber que Mao foi um assassino frio de multidões? Que a revolução cultural foi uma das maiores insanidades que o mundo presenciou, levando à morte de milhões? Que Cuba é responsável pelos seus fracassos e que o paredão levou à morte, em julgamentos sumários, não torturadores, mas milhares de oponentes do novo regime? E que a URSS não desabou por sentimentos de inveja, mas porque o socialismo real, uma ditadura que esmaga o indivíduo, provou-se não um sonho, mas um pesadelo”?

No mesmo jornal e dia o editorial, “O MEC acorda tarde”, também cita a coleção “Nova História Critica” de autoria de Mário Schmidt, aprovada com ressalvas pelo Programa Nacional do Livro Didático em 2000. A coleção é classificada pelo editorial como “lixo ideológico que submete estudantes a lavagem cerebral”, e não é difícil concordar com essa opinião ao ver alguns exemplos do que seriam para o historiador Schmidt certos acontecimentos e personagens de nossa história:

Proclamação da Independência: “um anúncio de desodorante, com aqueles sujeitos levantando a espada para mostrar o sovaco”.

D. Pedro II: um “velho esclerosado e babão”.

Princesa Isabel: “feia como a peste e estúpida como leguminosa”.

Conde d’Eu: “gigolô imperial”.

Vale ainda citar o toque racista do pasquim histórico: “Quem acredita que a escravidão negra acabou por causa da bondade de uma princesa branquinha, não vai achar também que a situação dos oprimidos de hoje só vai melhorar quando aparecer algum princezinho (este é o termo usado e não principezinho) salvador”.

Portanto, com imbecilidades e má fé vai-se doutrinando os “perfeitos idiotas” de amanhã, o que me leva a repetir que não basta ao governo construir escolas e gabar-se do número de alunos matriculados, com cotas ou não, mas é necessário que o país parta para uma educação de qualidade que possibilite a criança e ao jovem os conhecimentos necessários para enfrentar depois o mundo competitivo em que vivemos. É preciso resgatar a competência, a excelência, o respeito, os valores perdidos, a noção de certo e de errado, o sentimento pátrio, além dos embasamentos teóricos bem fundamentos e o aprendizado prático que tornarão o menino de hoje o cidadão do futuro apto a realizar-se profissionalmente.

A continuar com o faz-de-conta do nosso ensino, com o besteirol ideológico estaremos sacrificando várias gerações e não passaremos nunca de um país de segunda classe, de uma republiqueta latino-americana comandada por populistas gananciosos que se transvestem de defensores dos fracos e oprimidos para poder usufruir, tantas vezes de forma fraudulenta, as delicias do poder.

O problema da educação, porém, é complexo, porque não basta ensinar rudimentos de disciplinas, mas compete a escola colaborar para o aprimoramento do caráter da criança. Contudo, a primeira formação começa no meio familiar e hoje pais e filhos estão cada vez mais distantes por conta de fatores que podem ser apresentados em outro artigo.

E quando pais omissos desconhecem o que as escolas fazem com a mente dos seus filhos, não há muito que esperar das próprias escolas. Aliás, pais andam desconhecendo o que fazem seus filhos e cito como exemplo fato presenciado: adolescentes de classe média sentam-se na calçada em frente ao prédio onde moram e, tranqüilamente, consomem drogas. Seus pais provavelmente não sabem que pagam CPMF e diante da bandalheira política, exclamam: “se eu estivesse lá faria o mesmo”.

De todo modo, não vai ser com a pedagogia da esquerda aloprada que iremos progredir e nos afirmar no cenário mundial. Atenção, senhores pais, é preciso reagir, se é que ainda dá tempo.

Sábado, 15 Setembro 2007 21:00

Renan é Bom Companheiro, Ninguém Pode Negar

O grande ganhador de fato foi o PT e sua figura símbolo, Lula da Silva, chave para a permanência no poder dos companheiros e agregados.

A absolvição de Renan Calheiros provocou mais indignação do que o normal. É isso significa cansaço cívico da Nação causado por saturação das bandalheiras cometidas pelos políticos. Note-se que as reações não vieram apenas da elite (termo, aliás, incorretamente usado pela esquerda), dos letrados, dos cansados. Pela manhã, ao me entregar um jornal, a zeladora do prédio onde moro, senhora simples, mas digna, me disse com ar horrorizado e olhos postos na manchete que indicava a absolvição de Calheiros: “não é possível, não posso acreditar que isso aconteceu a esse aí”.

O mesmo estupor foi demonstrado pelos porteiros e outra senhora que me ajuda nos trabalhos domésticos duas vezes por semana. Eles não são ricos nem poderosos, mas gente de pouca instrução, que paga suas contas em dia, que manda os filhos para a escola pública na esperança de que a educação dê a eles uma vida com melhor qualidade, vida que eles não puderam ter.

Na Internet jorram mensagens de indignação, de inconformismo diante da monumental desfaçatez dos quarenta e seis senadores da República. Nem os muitos mensaleiros perdoados por seus pares, nem os fragorosos escândalos que começaram na esfera do Executivo com o caso Waldomiro Diniz provocaram tamanha reação. Talvez, porque Calheiros, ao tentar justificar o injustificável fato de um lobista de empreiteira entregar pagamento mensal a sua amante, afrontou aos que possuem um mínimo de discernimento. Foi como se ele dissesse: o povo é idiota, portanto, é fácil enganá-lo com uma lorota qualquer.

Além do lobista acumularam-se pilhas de documentos, de fotos de empresas fantasmas, de acusações de sonegação fiscal, de compras feitas por laranjas. Nas disso foi dado como prova contra Renan Calheiros que, acenando com denúncias semelhantes, intimidou seus pares e foi absolvido.

Trinta e cinco senadores pediram a cassação do presidente do Senado. Quarenta (que número significativo a lembrar os 40 de Ali-Babá e os 40 mensaleiros) o absolveram. Seis se abstiveram de votar, colaborando, assim com o companheiro e atestando sua índole de covardes, de pusilânimes, dos que se escondem sem coragem de assumir seus atos.

Todos os tristes episódios que vêm se multiplicando nesse governo mostram com é pobre, abjeta, imoral nossa cultura cívica. Comparemos, por exemplo, o Brasil com o Japão. Neste país renunciou o premiê Shinzo Abe por conta de suspeita de corrupção. Sua aprovação popular que era de 70% quando assumiu o cargo havia caído para 29%, o que demonstra que no Japão tem povo no sentido de impor conduta e direção aos governantes. E na sua despedida em cadeia de televisão, disse Shinzo Abe: “eu me vejo incapaz de cumprir minhas promessas – e eu me tornei um obstáculo para cumpri-las”.“É hora de alguém mais viável assumi-las”. Nessas breves palavras, quanta diferença em relação ao que se passa entre nós, quando mesmo em face das mais claras evidências, altas autoridades que deviam dar exemplo se agarram desavergonhadamente aos cargos demonstrando que a elas só interessa o poder pelo poder.

Mas quem foi o grande ganhador no escândalo Renan Calheiros? Teria sido o senador que se manteve no cargo mesmo sendo indigno dele? Teria sido o Senado? Claro que não. O senador tem agora sua biografia manchada de forma indelével, em que pese a memória curta do povo. O Senado sai do episódio sórdido ainda mais desmoralizado, o que atinge o Congresso Nacional como um todo. O grande ganhador de fato foi o PT e sua figura símbolo, Lula da Silva, chave para a permanência no poder dos companheiros e agregados.

Afinal, no recente congresso petista, entre as decisões tomadas estava a de extinguir o Senado. Daí é só um passo para acabar com o Congresso e seus “picaretas” (antiga expressão de Lula da Silva) e partir para a “democracia de massas”, quer dizer, de massas de manobra do PT.

Renan é bom companheiro, ninguém (pelo menos do PT) pode negar. Ele teve apoio explícito do presidente da República, foi defendido ardorosamente pela tropa de choque petista do Senado. Contudo, o senador devia conhecer as leis do PT, ou seja: esmagar quem apóia; triturar que não reza pela cartilha, jogar fora o que não tem mais serventia, desmoralizar, intimidar, perseguir, castigar, manter o poder a qualquer custo.

Eliminado o Senado restaria a Câmara já domesticada, mantendo-se, assim, a fachada de democracia à lá Chávez. Ficaria, então, muito fácil, a aprovação do terceiro mandado presidencial.

Resta perguntar, como fez um dos meus correspondentes: “que legado essa geração de políticos vai deixar para a história?”. Ele mesmo responde: “Como a história é escrita por intelectuais cooptados pelo poder, nossos netos ficarão sabendo que houve no Brasil um Lincoln tropical, um pobre operário retirante que salvou os pobres e foi o maior estadista do século XXI”.

Sábado, 01 Setembro 2007 21:00

Afundação do PT

Nesse Congresso do PT estaremos assistindo a completa afundação de um partido que um dia se disse ético. Sendo ainda muito forte dele só nos salva a lei.

O acatamento da denúncia do Procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pelo Supremo Tribunal Federal, transformou em réus homens que ocuparam altos cargos na cúpula do governo Lula da Silva, que ainda comandam o PT, além dos que pertencem à base aliada.

O ato da Justiça foi louvado como o “julgamento do século” e lavou a alma de brasileiros dotados de cultura cívica, ressalvando-se que ainda não houve julgamento. Um longo processo se arrastará para que aconteça o desfecho dos casos, algo que não se sabe como terminará visto que o STF nunca condenou nenhum político. Em todo caso, é pertinente refletir sobre o acontecido que tanto impressionou.

Em primeiro lugar, se o Brasil não fosse o país da impunidade o acatamento da denúncia do mensalão pelo STF seria tido como regra e não como exceção que maravilhou brasileiros cansados de injustiça, coisa que, aliás, existe no país desde os tempos coloniais. Mas é preciso lembrar que, apesar do presidente da República e do seu companheiro, o “chefe da quadrilha” José Dirceu, repetirem que não houve mensalão, a CPI dos Correios acumulou um número impressionante de documentos, gravações e testemunhos sobre os mensaleiros. Tais provas, chamadas de indícios devem ter servido de base para a denúncia feita pelo Procurador-Geral ao Supremo. Ora, diante de tantas evidências não seria possível outra atitude do STF, mas, como anteriormente esse Poder deixou a desejar, surpreendeu agradavelmente ao cumprir com sua obrigação baseada na esfera legal.

O que empanou um tanto o brilho do “julgamento do século” foram atitudes como as da ministra Cármen Lúcia e do ministro Lewandowski, que ficaram a trocar bilhetinhos eletrônicos numa sessão de extrema importância para a vida nacional. Aquilo foi um misto de desrespeito para com o país e deboche para com a corte mais alta da Justiça a qual os dois pertencem. Para piorar, o ministro Lewandowski disse ao telefone que o STF analisou a denúncia do mensalão com a faca no pescoço e acuado pela imprensa, o que desmereceu seus pares.

Em que pese o ministro ter sido rebatido por seus colegas e por uma nota dada pela presidente do Supremo, Ellen Gracie, ficou a tônica dos tempos atuais em que a liturgia dos cargos se perdeu, e atitudes e palavreados de botequim são praticados pelo presidente da República e por vários de seus ministros. De todo modo, espera-se que o STF prossiga na mesma linha dando à “organização criminosa” (conforme o Procurador-Geral) um julgamento de acordo com a lei, o que quer dizer, justo.

Recorde-se ainda, que os ministros do STF são independentes perante a opinião pública porque não são eleitos pelo povo como os políticos, e isso os faz também independentes com relação à mídia. São, contudo, indicados pelo presidente da República quando deveriam ser eleitos por seus pares. Quem sabe um dia chegaremos a esse aperfeiçoamento desejável quando, então, o Poder Judiciário terá a independência que o tornará isento ou quase isento de injunções políticas.

Entre as reflexões propostas cabe ainda ressaltar as de cunho eminentemente político. Primeiramente, volta a indagação: É possível acreditar que o presidente da República, tendo escolhido e convivido no seu governo com companheiros que agora foram confirmados como quadrilheiros, nada via, nada sabia sobre suas ações criminosas?

Não se pode negar que os mentores do PT fizeram um trabalho de persuasão magnífico ao conseguir separar Lula da Silva do governo e do partido. Isso porquê, a continuidade da corte petista depende da figura símbolo do neotorneiro que, portanto, deve ser preservada a qualquer custo. E enquanto a propaganda funcionar, ainda que promessas e programas não sejam cumpridos, os pobres recebam suas bolsa-esmola e os ricos lucros nunca antes auferidos nesse país, não importará se Lula da Silva sabia ou não. Mas até quando o equilíbrio entre propaganda e calmaria econômica se manterá para conservar a crença na inocência do “pobre operário?”

Outro aspecto político relevante: o show de cinismo do chefe da quadrilha, ex-chefe da Casa Civil, deputado cassado, e ainda poderoso, José Dirceu. Ele convocou uma coletiva e disse estar morrendo de medo da ditadura da mídia. Não parece piada de salão o “capitão do time”, que chora emocionado diante de Fidel Castro e é amigão de Hugo Chávez, afirmar ter medo de ditadura?

Tal atitude cínica se alastra dentro do partido do DirZEUS. O PT come pizza para desagravar seus quadrilheiros e sem medo nenhum de ditadura quer um plebiscito e uma reforma exclusivamente política. Leia-se o terceiro mandato de Lula da Silva.

Nesse Congresso do PT estaremos assistindo a completa afundação de um partido que um dia se disse ético. Sendo ainda muito forte dele só nos salva a lei.

Terça, 28 Agosto 2007 21:00

Primeira Etapa

Para culminar, o partido pretende conseguir um plebiscito (democracia de massas?) para aprovação de uma Constituinte. Note-se que será exclusiva para reforma política e já se murmura sobre um terceiro mandato.

Escreveu Maquiavel em O Príncipe: “...conhecendo-se de longe (o que só é dado ao homem prudente) os males que virão, pode-se curá-los facilmente, mas, quando esses males se avolumam, por falta de tal conhecimento, de modo que todos podem já reconhecê-los, não há mais remédio que possa estancá-los”.

Tomemos o caso da Venezuela, país em que se consolidou a ditadura de Hugo Chávez, considerada pelas esquerdas latino-americanas modelo de democracia como, aliás, é declarado também o sistema totalitário de Fidel Castro:

Chávez, primeiramente golpista, acabou se tornando presidente da República da Venezuela através do voto. Uma vez alcançado seu objetivo dominou os Poderes Legislativo e Judiciário, anulou os meios de comunicação livres, cooptou o Exército, seduziu com programas assistencialistas a camada mais pobre da população.

Agora ele apresentou um projeto de reforma da Constituição Venezuelana, cuja finalidade é perpetuá-lo no poder. Um dos meios para isso é acabar com as oligarquias e entronizar o “poder popular”, que não é expresso pelo voto, mas por versões dos sovietes stalinistas, ou seja, pelos conselhos operários, camponeses e estudantis que, naturalmente irão lhe assegurar apoio unânime.

Na “reforma”, Chávez definiu mais claramente o “socialismo do século 21” ao classificar a propriedade em cinco tipos:

1) social (pertencente ao povo e controlada pelo Estado); 2) coletiva (pertencente a grupos sociais ou comunitários, mas sob o controle do Estado); 3) mista (com participação do setor privado e do Estado, mas sob controle deste); 4) pública (administrada pelo governo, ou seja, pelo Estado); 5) privada (que poderá ser confiscada quando afetar os direitos de terceiros ou da sociedade, quer dizer, do Estado). É preciso lembrar que o Estado é Hugo Chávez.

Observemos agora o Brasil: Em seu primeiro mandato, através de Lula da Silva, o PT no poder dominou o Congresso Nacional pela compra de votos, o que foi chamado pelo então deputado Roberto Jefferson, de “mensalão”. Foi também no primeiro mandato que estouraram os escândalos envolvendo a cúpula do PT, inclusive, a que ocupava ministérios ou cargos importantes. A estratégia, então, foi distanciar Lula da Silva de seu partido para que não fosse contaminado pelos fartos e fortes indícios de crimes cometidos pelos correligionários. A manobra deu certo e ele foi reeleito, dizendo sempre que nada via, de nada sabia, que não era responsável pelos errinhos cometidos por companheiros traidores.

No momento o STF está decidindo se acata ou não a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra quarenta acusados que, segundo ele, formam uma quadrilha, sendo o chefe do bando o ex-chefe da Casa Civil, deputado cassado e companheiro íntimo do presidente da República, José Dirceu. O STF, que sob a presidência de Nelson Jobim, atual ministro da Defesa, livrou das penalidades legais certos companheiros, agora pode dar sinais de independência acatando a denúncia. Mas, ao final de um longo processo os ministros poderão inocentar vários dos réus alegando falta de provas.

O PT tentou criar mecanismos para cercear completamente a liberdade de imprensa. Não conseguiu, se bem que parte da mídia se assemelha a “voz do dono”. Para reforçar vem ai a TV Pública (leia-se estatal) conduzida por Franklin Martins. Será a TV Lula.

No mais, repito: estamos sem oposições configuradas em partidos políticos, governos estaduais, instituições e entidades. E a um esboço de oposição, apresentada de forma difusa por vaias ou por movimentos sem objetivo claros, Lula da Silva respondeu de forma ameaçadora, dizendo que é bom em “por gente na rua”. Não se trata de desempregar opositores, mas de conclamar as numerosas hostes que servem ao PT como, por exemplo, o MST, a CUT, a UNE (camponeses, operários, estudantes) e demais movimentos sociais.

Ao mesmo tempo, o presidente da Republica ensaia sua democracia de massas, como no recente encontro (que dizem foi financiado pelo governo) que teve com as “margaridas”. Naquela ocasião, mais uma vez, ele clamou contra as elites (oligarquias?) e disse governar para os pobres. Na candente retórica de palanque a clara pregação da luta de classes, a intenção de dividir para governar, o envenenamento de mentes e corações.

Quanto ao MST, que terá em Goiás um curso de Direito só para sem-terra, não se limita mais a invadir propriedades. Invade universidades junto com outras organizações. Nas invasões, o estímulo ao ódio racial, que vem sendo insuflado pelo PT no poder.

Para culminar, o partido pretende conseguir um plebiscito (democracia de massas?) para aprovação de uma Constituinte. Note-se que será exclusiva para reforma política e já se murmura sobre um terceiro mandato.

Há quem diga que não há mais remédio. Eles vieram para ficar e o que se viu até agora foi a primeira etapa. Nela, o mal já se enraizou.

Quarta, 22 Agosto 2007 21:00

Sonhos, Delírios e Utopias

Recentemente o imaginário popular foi construído pelos “intelectuais orgânicos” do PT, especialmente para legitimar a figura mitológica do presidente da República.

Basicamente o indivíduo funciona através de sensações psíquicas e físicas que lhe proporcionam dor ou prazer, o que o faz centrado em seu hedonismo, em seu egoísmo, características, aliás, intrínsecas da humanidade que são atenuadas pelos vários controles sociais os quais “domam”, em grau maior ou menor, as personalidades para que estas se adaptem às suas sociedades.

Não se pode, porém, negar que nos sofisticamos perante os outros animais no sentido de que nos movemos também por medo ou por esperança, por sonhos que sublimam uma realidade por vezes difícil de suportar, pela construção de utopias que raiam ao delírio, mas que servem como justificativas a determinadas causas.

Muitas dessas causas idealizam um paraíso que, ao ser posto em prática se transforma no inferno da tirania, da eliminação da liberdade, do nivelamento na miséria. Tome-se como exemplo de “inferno” na América Latina, Cuba, para onde o governo brasileiro, solidário a Fidel Castro, recentemente entregou em tempo recorde os dois atletas que sonhavam com outra vida possível, sem conceder-lhes asilo ou prazos legais para repatriamento que em nosso país costumam ser concedidos aos piores bandidos.

De todo modo, sem um alvo para se devotar, sem uma bandeira pela qual lutar a vida é sem graça. Esse alvos ou bandeiras costumam ser apenas o desejo da casa própria ou a vontade de ascender na carreira, mas podem também abranger algo mais complexo.

A questão é que lideranças sabem que raramente seus seguidores exercitam o raciocínio, sendo movidos mais pelas emoções, pela necessidade de um chefe que aponte o caminho ou mesmo pela precisão de sublimar sua mediocridade sentindo-se vencedores através da causa. E essa constatação faz entender melhor como são gerados os crédulos das explicações delirantes, das revoluções equivocadas, das utopias impossíveis.

José Murilo de Carvalho, em A formação das Almas, mostra que os republicanos “sonhavam com uma futura idade de ouro em que os seres humanos se realizariam plenamente no seio de uma humanidade mitificada”. Todo o entusiasmo era carreado para a França. O modelo era a Revolução Francesa. “A Marselhesa o hino de guerra”. E Silva Jardim “não se esquecia de incluir o fuzilamento do conde D’Eu, o francês a quem destinava o papel do infortunado Luiz XVI, numa réplica tropical do drama de 1972”.

Os republicanos através de seus propagandistas elaboraram símbolos, mitos e alegorias no sentido de construir o imaginário popular imprescindível aos que almejam conquistar e manter o poder. Passamos da monarquia para a República, mas nossa essência cultural não mudou.

Recentemente o imaginário popular foi construído pelos “intelectuais orgânicos” do PT, especialmente para legitimar a figura mitológica do presidente da República. E se o partido que antes se dizia único detentor da ética naufragou nas águas turvas da amoralidade, não faltam justificativas para legitimar seu governo e, especialmente, Lula da Silva. Neste são projetadas aspirações e interesses populares, o que faz funcionarem as emoções tão necessárias aos poderosos.

Aos militantes petistas, que sustentam a cúpula partidária com seus dízimos e sua mística, a ordem é defender o neotorneiro custe o que custar. Seu hino nacional é “Lula-lá”, seu símbolo a estrela, sua cor o vermelho das esquerdas mundiais. E aos devotados servidores da causa petista não faltam explicações o inexplicável, pois assim funciona a fé.

Exemplifico o modo de ser do militante petista típico com trecho de um diálogo via e-mail que travei com um deles. Como é de praxe essa pessoa confunde sociólogo com FHC, pensa que o mundo se divide em PT e PSDB, inicia sempre seu ataque verbal com insultos e se diz lulista e não petista. Como seus demais companheiros não admite que o PT copiou a “herança maldita”. Ele sentenciou que quem diz isso é “socióloga”, “palhaça” ou “ignorante”, me enquadrando gentilmente na última definição. Depois, ao tentar justificar a presença de Henrique Meirelles no Banco Central e dos homens de FHC que deram sustentação no Ministério da Fazenda ao Plano Real, saiu-se com essa:

Leon Trotski construiu o glorioso e, ainda hoje poderosíssimo Exército Vermelho, com o apoio de marechais, almirantes, condes e duques do Exército czarista”. Assim fez Lula, cuja diferença de Trotski é a seguinte, conforme o lulista:

“Trotski (e a História ainda lhe fará plena justiça), ao final foi um líder derrotado - e seu solitário assassinato apenas significou isso. Lula, não! Ele, dando graças a Deus, já pode partir dessa vida como um líder plenamente vitorioso”.

Não creio que Lula parta dessa vida a machadadas como Trotski, mas não tenho nenhuma dúvida de que permanece a intenção do lulista de me enviar ao ponto mais distante e frio da Sibéria onde seria fuzilada. Aí, quem sabe, eu faria companhia no além ao conde D’Eu.

O PT jamais foi democrático nem nunca o será, mesmo porque está ligado a Fidel Castro e a Hugo Chávez formando com estes o “Eixinho do Mal” latino-americano.

Luiz Inácio, que o PT ardilosamente transformou no símbolo do “humilde operário”, passando assim a idéia subliminar de que ele é uma vítima do sistema, um representante autêntico dos trabalhadores explorado pelos patrões, ou seja, a imagem viva da luta de classes, mostrou claramente o vezo autoritário que, aliás, é inerente a seu partido. Com estilo palanque em fúria ele atacou as vaias sofridas primeira vez e ameaçou os movimentos sociais que estão brotando espontaneamente. Pontificando sobre democracia, conceito que é alheio a um partido como o PT, ele afirmou: “ninguém neste país sabe colocar mais gente na rua do que eu”.

A advertência autoritária era uma resposta à manifestação havida em São Paulo, quando 6.500 pessoas protestaram contra o caos aéreo e se solidarizaram com as quase 200 vítimas do airbus da TAM. Servia também de ameaça aos que pretendem em várias capitais brasileiras se manifestarem no dia 4 de agosto contra a incompetência governamental, os impostos abusivos, a corrupção deslavada, a violência que vitima inocentes, principalmente no Rio de Janeiro que voltou a sua guerra civil depois que acabou o PAN. Sobretudo, as palavras raivosas do presidente visaram movimentos como o do Grupo “Cansei”, da OAB de São Paulo.

Mas quem Luiz Inácio pretende por nas ruas para esmagar esses impertinentes e poucos brasileiros que parecem estar acordando do estado de catalepsia mantido pela massacrante propaganda enganosa do governo, e pelo culto da personalidade em torno do chefe? Será o numeroso exército pára-militar formado pelo MST? O braço sindical petista, a CUT? A UNE, quem sabe, que alguns acusam de estar a soldo do governo? Qualquer milícia à moda fascista-chavista poderá servir para intimidar os poucos que Alexandre Garcia em magistral artigo comparou aos 300 de Esparta.

A retórica enfurecida do presidente Luiz Inácio que nada mais é do que a repetição das palavras de ordem convencionadas pelo PT, ou seja, o discurso unificado que Olavo de Carvalho conceituou como “imbecil coletivo”, pode assustar, impressionar, mas não resiste a um exame em que predomine a lógica e uma revisão da história recente. E note-se que ele usa a velha e conhecida tática petista que primeiro desqualifica o adversário e depois ataca com uma espécie de terrorismo de intimidação. “Golpismo”, “oposição mascarada”, “oportunismo da direita”, “conspiração da elite branca de Campos do Jordão”, “marcha da família com Deus”, são repetidos como mantras pelo presidente, pelos dirigentes do partido, pelos devotados militantes.

Afinal, insurgir-se contra o poderoso pai Lula, que confessou em público ter dado mais lucros aos ricos do que esmolas oficiais aos pobres é um crime de lesa majestade porque atinge o símbolo que mantém privilégios, cargos, imunidades da companheirada espalhada pelo latifúndio estatal por um dos arquitetos do regime petista, o ainda poderoso José Dirceu. Seria inconcebível aos “mandarins” do PT e a seus seguidores mais privilegiados perderem a posição arduamente conquistada de “elite branca” do poder político e econômico. Daí o ardor com que se blinda com uma cortina de aço aquele que possibilita e mantém as delícias da corte.

Os termos usados por Luiz Inácio e seus companheiros para desqualificar e intimidar os poucos opositores que ousam se insurgir contra a majestade do “pobre operário” soam, porém, inteiramente falsos. Quando Luiz Inácio, como deputado federal, propôs o impeachment do presidente Collor e o PT soltou nas ruas suas hostes de cara-pintada ou não, José Dirceu não achou que isso desestabilizaria o Brasil. E durante oito anos o PT berrou “Fora Fernando Henrique”, assim com fez suas greves selvagens e vaiou a valer tudo e todos que acharam merecedores de sua estridente e implacável oposição. Brizola dizia que “o PT vaia até toque de silêncio”. Agora não pode, o que demonstra medo e insegurança dos que não fundo sabem muito bem o que se oculta nas entranhas de um Estado por eles dominado.

O PT acabou com os partidos de oposição, corrompeu todas as instituições e entidades da sociedade civil, chamou para seu lado os ricos que sustentaram as campanhas do “pobre operário”, agraciou os pobres com as esmolas que os manterão sempre pobres. O PT jamais foi democrático nem nunca o será, mesmo porque está ligado a Fidel Castro e a Hugo Chávez formando com estes o “Eixinho do Mal” latino-americano.

Mas tantas ele fez que a sociedade está ficando cansada de perdoar. Era inevitável que alguma oposição surgisse. Ao PT no poder seria melhor ter um mínimo de autocrítica e humildade, analisar em profundidade seus erros e tentar corrigi-los ao invés de ficar ameaçando, mentindo, ostentando comportamento ditatorial. Quanto a nós, os “espartanos”, resta repetir com convicção a estrofe de um dos nossos hinos mais belos: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”. E de tudo fazer para conquistá-la em plenitude, porque, depois da vida, a liberdade é nosso dom maior.

Segunda, 30 Julho 2007 21:00

Lula, Quem Diria, Ficou Com Medo

Entretanto, Lula da Silva, que já bateu recordes em viagens nacionais e internacionais, pode dizer sem susto que avião é o meio de transporte mais seguro que existe.

O presidente da República disse na posse do novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que tem medo de viajar de avião. Algo muito humano, cuidadosamente escolhido para provocar empatia com os milhões de brasileiros que mais uma vez o assistiram pela TV. Afinal, quem não tem seus receios em alçar-se aos céus? Entretanto, Lula da Silva, que já bateu recordes em viagens nacionais e internacionais, pode dizer sem susto que avião é o meio de transporte mais seguro que existe. Não só pelo luxo do aparelho apelidado de Aerolula, que vive a transportá-lo e as suas comitivas, mas pelos cuidados especiais que, naturalmente, são dispensados às viagens de um presidente da República.

Contudo, Lula está com medo de muito mais. Pela primeira vez percebeu que o altar do culto da personalidade, que para ele foi construído, pode estar desmoronando. Acostumado aos auditórios compostos por convidados especiais que sempre o aplaudem ou riem do seu besteirol, aos comícios encomendados onde exercita sua ferve, mistura de repentista com animador de auditório, o presidente ficou extremamente chocado com as vaias recebidas no Maracanã. O horror foi tamanho que preferiu se esconder. Afinal, a festa de abertura do Pan deveria ser o palco iluminado a lhe conferir intenso brilho pontuado por aplausos estrondosos. No entanto, ficou ele pateticamente, ridiculamente, de microfone na mão. Foi calado pela sexta repetição das vaias de 90 mil gargantas.

Como a memória do povo é curta, certamente os propagandistas do presidente entenderam que bastaria armar alguns palcos artificiais para que o constrangimento fosse esquecido. A mídia se calara sobre o colapso aéreo, enfatizando apenas boas notícias. Mas eis que acontece outro acidente, pior do que o de setembro do ano passado do ponto de vista do número de mortos.

Com relação a primeira tragédia, muitos petistas chegaram a atribuir as manifestações que se avolumavam nos aeroportos por passageiros desesperados diante de vôos cancelados ou atrasados, aos chiliques da “elite branca”. Um evidente atestado de que os adeptos e defensores de Lula da Silva não sabem que o significado de elite é produto de qualidade. Em todo caso, os marqueteiros reais estavam tranqüilos por considerar que a maioria que viaja de avião pertence à classe média. Como os pobres estão felizes com as bolsas-esmola e os ricos com os grandes lucros auferidos sob o governo de LILS, deduziu-se que as aflições dos “pequenos burgueses” não contavam. Estes servem para sustentar o luxo da “corte” com seus impostos e continuar a votar em Lula da Silva.

Entretanto, o segundo acidente impressionou os brasileiros de todos os recantos desse imenso país. Mostrado amplamente na televisão abalou não só as famílias das vítimas, mas até os que não são usuários do transporte aéreo. Surgiu também, pela primeira vez, a percepção de que o governo e sua figura maior, o presidente da República, tinham algo a ver com aquilo.

Então, mais Lula temeu e se escondeu. Somente três dias após a tragédia o presidente surgiu em cadeia de rádio e televisão para representar um ato em que tentou passar emoção, mas que falhou na conquista do público.

Antes o desgaste governamental ficara por conta da ministra do Turismo e ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, que como uma Maria Antonieta dos trópicos que mandasse dar brioche ao povo, aconselhou aos sofridos passageiros que se acumulavam nos aeroportos que relaxassem o gozassem. Após o acinte e em pleno clima de luto brasileiro assistiu-se aos gestos obscenos de Marco Aurélio Garcia, o chanceler de fato e vice-presidente o PT, e de seu assessor, a provar que o senhor Garcia está interessado apenas na continuidade do poder. Ele sabe que para isso deve preservar a imagem do chefe, garantia de privilégios e imunidades para todos os companheiros. Em que pese o apoio do seu partido, a demonstrar o modo de ser petista, o escárnio e a estupidez do assessor do presidente soou como mais uma bofetada no rosto dos brasileiros.

Como se não bastassem todas essas ofensas e condutas impróprias a detentores de cargos importantes, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, condecorou alguns companheiros da Anac, cujo descaso, despreparo e irresponsabilidade relativos ao colapso aéreo são visíveis.

Diante de todas as afrontas de seus auxiliares diretos o presidente, em vez de demiti-los, se escondeu. Ficou com medo de ir ao Sul e ao Sudeste e como um neo-coronel preferiu montar seu auditórios de ficção no nordeste. Não escapou, porém de vaias em Aracaju.

Lula trocou finalmente o ministro da Defesa. Pretende se escorar em Nelson Jobim, o ex-presidente do STF que julgava politicamente e não de acordo com a lei. Na posse do ministro Lula riu, fez os costumeiros gracejos à moda do Faustão, mas, quem diria, está com medo. Nem Regina Duarte poderia imaginar isso.

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