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Maria Lúcia V. Barbosa

Maria Lúcia V. Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br

Domingo, 23 Março 2008 21:00

Estamos Bem Arranjados

Estamos no tempo em que aproveitadores travestidos de representantes do povo se vangloriam de suas negociatas.

Como sabem pessoas bem informadas, o governo terá ampla maioria na CPI a ser instalada sobre cartões corporativos. Governistas, mensaleiros, aproveitadores ou coisa que o valha serão 14 dos 24 integrantes da tal comissão. Eles ficarão também com os cargos de relator e de presidente. Resumindo, o galinheiro foi entregue a raposas espertíssimas e malandras, capazes de provar, por exemplo, que Renan Calheiros é santo.

As Comissões Parlamentares de Inquérito, teoricamente importantes, mas inúteis na prática, têm atemorizado os petistas antes seus adeptos fervorosos. Não podendo evitá-las os PTbulls do Congresso manobram para ficar com o controle dos cargos estratégicos. Conforme dados do Senado e da Câmara, das 24 comissões instaladas desde 2003, 77% dos cargos ficaram com parlamentares petistas ou aliados.

É de se perguntar onde estavam os partidos de oposição. Afinal, estes têm o importante papel de garantir a democracia, que sem eles se extingue na vontade onipotente da situação. Por que, então, teria a oposição durante tanto tempo consentido na farsa das CPIs? Curvaram-se o PSDB e o PFL (hoje Dem) por má fé, comodismo, medo ou simplesmente por solidária afinidade com o PT? Afinidade parece ser o caso do PSDB, partido que, ressalvadas honrosas exceções, tem se mostrado conivente com o governo petista.

A inexistência de verdadeiros partidos de oposição e a ausência de lideranças combativas e eficientes estão entre as causas da impunidade deste governo que segue comodamente escorado na blindagem impressionante de Lula da Silva, um cidadão acima de qualquer suspeita que nada vê, nada ouve, nada sabe. E sem partidos programáticos, disciplinados e ideológicos que fizessem frente aos escândalos e falcatruas, tudo rapidamente se dilui numa sociedade intoxicada pela propaganda que encoberta, convence e manipula.

No caso da CPI dos cartões corporativos, essas fontes de abusos, desperdícios e mau uso do dinheiro público, ou seja, dos impostos escorchantes que pagamos, foi inicialmente proposto por um deputado (pasmem) do PSDB, que FHC e Lula da Silva não fossem investigados. Manobra esta indecente e destituída de inteligência, pois deu a entender que o ex-presidente FHC teria também que ocultar deslizes com os cartões por ele criados. Agora a oposição quer evitar a CPI mista (Câmara e Senado) para concentrá-la no Senado onde petistas e mensaleiros amigos estão em posição de equilíbrio e não de predomínio como na Câmara.

Se isso não acontecer melhor estancar a farsa, desistir de vez de encenar mais uma ópera bufa. Chega de perder tempo, de enganar a platéia no picadeiro do circo Brasil, de pagarmos deputados e senadores polpudos salários e imensos privilégios para nada. Do jeito que está ajeitado para o governo do PT essa CPI se tornará mais um motivo para envergonhar brasileiros de brio e dotados de discernimento.

Diante de fatos tão vergonhosos conclui-se que nossos representantes, tanto no Legislativo quanto no Executivo, chegaram ao nível mais baixo de nossa história politica. Estamos no tempo em que aproveitadores travestidos de representantes do povo se vangloriam de suas negociatas, e que vergonha na cara se tornou artigo raro ou inexistente. O Congresso Nacional se apequenou e rasteja diante do Executivo. É o serviçal por excelência do presidente da Répública, a voz do dono, sua marionete preferida. Tudo é comprado. Tudo é corrompido descaradamente. Nunca nesse país a política foi mercadoria tão indecorosa. Degrada-se a República no esbanjamento das cortes, na amoralidade dos Poderes constituídos, incluindo o Judiciário.

Distribuídos fartamente os cartões corporativos, louvados pelo próprio Lula que disse ter sido esse mecanismo de controle a única coisa boa que FHC fizera, tornaram-se nas mãos de centenas de funcionários e de ministros de ministérios inúteis a moeda que jorra sem limites dos caixas dos bancos. Vai-se à forra. Ética, responsabilidade, respeito, compostura são valores fora de moda na era PT.

Deslumbrada a maioria aplaude, elege e reelege quadrilheiros e seus chefões. É fácil ludibriar um povo cuja mentalidade do atraso foi forjada durante séculos. Tivemos uma "embriogenia defeituosa" e achamos natural não termos partidos políticos como definidos por Benjamim Constant: " partido é uma reunião de homens que professam a mesma doutrina". Bastam para nós esses clubes de interesses onde poucos se destacam por honradez ou coerência.

No momento não temos instituições capazes de proteger o País de si mesmo. O povo segue invertebrado, hipnotizado, assistindo BBB e espelhando-se no espetáculo televisivo degradante das intrigas torpes, da ignorância, do sexo animal, do mau-caraatismo. Na política vigora como nunca a lei de Gerson: "levar vantagem em tudo, certo? O resto que se dane. Estamos bem arranjados.

Sexta, 08 Fevereiro 2008 22:00

Entrevista Para Brasileiro Ver

A lógica do atual governo é, portanto, a seguinte: sempre se apropriou do dinheiro público, então, podemos ir à forra.

Patrimonialismo, termo cunhado pelo sociólogo Max Weber, significa a utilização por detentores do poder do que é público de modo privado. Entre nós essa tradicional prática foi legada por nossos colonizadores e, juntamente com a burocratização excessiva, o clientelismo, o nepotismo e a corrupção, patrimonialismo é doença estatal que impede o Brasil de progredir como seria possível por conta de nossa potencialidade. Em vez disso somos o país do futuro que nunca chega.

As mazelas vieram com o transplante da máquina burocrática portuguesa trazida por D. João VI, em 1808, e foram por nós aperfeiçoadas. Desse modo, até hoje cultivamos o ideal da vagabundagem paga por um Estado incompetente e grande demais. Pior que isso, nos sujeitamos alegremente às propinas, aos desmandos, aos impostos exorbitantes, aos luxos da “corte” nababesca que sustentamos sem reclamar. Nós amamos o pai Estado acima de tudo e dele somos dependentes como se fossemos uma Nação criança.

Escorando-se na história, o presidente Luiz Inácio costuma, certamente instruído por companheiros assessores, explicar a impressionante corrupção existente em seu governo a partir da seguinte idéia: se sempre existiu corrupção, então, não tem importância sermos corruptos. Por isso, certa vez pontificou Sua Excelência: “caixa dois sempre existiu”, logo, qual o problema de termos a nossa? Impressionado com a sabedoria do seu glorioso líder o cidadão brasileiro achou tudo muito natural e justificou. “Se estivesse lá faria a mesma coisa”. Como se nota, é uma questão de mentalidade plasmada ao longo dos séculos e difícil de ser modificada.

A lógica do atual governo é, portanto, a seguinte: sempre se apropriou do dinheiro público, então, podemos ir à forra. Uma lógica perigosa que libera todos os crimes, coisa facilitada num País onde a lei funciona precariamente ou não funciona.

Além dessas justificativas bizarras, o PT no poder usa um álibi: a herança maldita, ou seja, a culpa pelos “pecados” ora cometidos deve ser atribuída ao governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o grande pecador que induz a todos os erros. Como FHC e seu partido não se defendem, a classe dominante do momento fica isenta de erros e o principal mandatário do país, que nada sabe e nada vê, se torna um cidadão acima de qualquer suspeita.

No momento outro escândalo estronda e respinga para os lados da família presidencial. É a chamada farra dos cartões corporativos. Possivelmente mais esse acinte aos pagadores de impostos não passará de uma “piada de salão, como diria o sorridente Delúbio Soares, um homem que parece não ter medo de ser feliz. E haja imposto para sustentar a “corte”.

Quem não deve ter achado graça na “piada de salão” foi a ex-ministra da Igualdade Racial, que em nome da Igualdade certa vez declarou achar natural “um negro não gostar de um branco”, clamoroso apelo ao ódio num país onde agora não existem mais mulatos ou pardos, mas tão somente brancos e negros. E como no momento ser negro é ser de esquerda, portanto, bom, ético e oprimido, em oposição a uma elite branca, asquerosa, cruel, opressora (se tiver olhos azuis pode matar) um militante petista certa vez me escreveu que não gosto do Lula porque ele é “não branco”. Sinceramente não sabia que Lula da Silva era o primeiro presidente negro do Brasil. Faltou o dito militante me chamar de “loura fascista”, como na novela Duas Caras.

Mas voltando à ministra Matilde, sua queda por uso abusivo do cartão corporativo, em que pese ter sido dito que tal ocorreu porque ela era negra e mulher (o que quer dizer que negras e mulheres podem fazer o que bem entender porque são imunes à lei), abriu uma brecha na visão dos abusos cometidos pela “corte”. Logo foram responsabilizados funcionários pelos desmandos dos chefes. Estes não sabem de nada, nada viram, nada usufruíram. Em seguida veio a entrevista na Globo News, dada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Jorge Félix. O ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, se limitou a ironias finais dirigidas aos seus colegas de imprensa.

O general Félix reduziu tudo a uma questão de segurança e em nome da transparência disse que o Portal da Transparência, que divulga dados sobre o uso dos cartões corporativos deve ser eliminado, tornando-se opaco para o bem de todos.

A ministra Dilma se mostrou irritada, furiosa, como é do seu estilo. Justificou os gastos de modo pouco convincente e consolou o povo dizendo que não somos uma republiqueta das bananas. Nesse ponto concordo com a ministra. Somos uma republiqueta dos bananas.

Quando terminou a defesa governamental e iam começar as perguntas dos jornalistas, a Globo News voltou ao Jornal. Sem dúvida foi uma entrevista para brasileiro ver. E quem viu deve ter aplaudido e dito: “se eu estivesse lá faria a mesma coisa”.

Domingo, 20 Janeiro 2008 22:00

Aonde Chávez Vai, Lula Vai Atrás

Sempre foi evidente a admiração de Lula da Silva por Hugo Chávez, chamado por nosso presidente de “centro avante matador” e apontado como exemplo de democrata.

Sempre foi evidente a admiração de Lula da Silva por Hugo Chávez, chamado por nosso presidente de “centro avante matador” e apontado como exemplo de democrata. E se por um lado Lula recebe amavelmente o presidente Bush para churrasco na Granja do Torto, por outro nunca deixou de fazer coro com Chávez contra os Estados Unidos, sobretudo quando de suas idas à Venezuela, como da vez em que esteve naquele país para ajudar o companheiro da boina vermelha em uma de suas intermináveis reeleições.

Chávez dominou o Congresso onde tem maioria. Lula da Silva fez o mesmo sob inspiração do seu então “capitão do time”, José Dirceu, que introduziu o método mensalão como maneira infalível de obter a maioria na Câmara. E se já havia corrupção desde os primórdios de nossa história, nunca antes nesse país comportamentos corruptos foram tão evidentes.

Hugo Chávez dominou o Judiciário. Lula, menos eficiente que o companheiro, também tem submetido à sua vontade o cumprimento da Lei. É estranho, por exemplo, que os assassinatos dos prefeitos Toninho do PT e de Celso Daniel não tenham sido desvendados, e que Bruno Daniel e sua família tenham pedido exílio político na França. Estaremos mesmo numa democracia?

Chávez desenvolveu de modo avantajado o culto de sua personalidade. Duda Mendonça criou personagem, imagem e mito para o petista de forma a fazer inveja a Hitler. E se os meios de comunicação ajudam admiravelmente ou atrapalham a propaganda, Hugo Chávez extinguiu os que não lhe interessavam e criou sua própria TV. Lula tentou no primeiro mandato cercear a liberdade de imprensa e agora terá sua TV, eufemisticamente chamada de TV Pública.

Com o correr do tempo, inevitavelmente, a amizade entre os dois egos descomunais foi se transformando em rivalidade, em que pese a fachada de encantamento recíproco. Afinal, os dois querem ser os reis ou sheiks da América Latina, mas, conforme se sabe, só pode haver um.

A questão é que se tanto um como o outro possui o mesmo apelo populista e a retórica fácil dos falastrões, o ditador de fato da Venezuela tem sido mais ágil, mais esperto, mais arrojado e mais criativo em seus intentos expansionistas.

Chávez tem adeptos fiéis em países latino-americanos, com destaque para Evo Morales, e sabe dominar com seus petrodólares por dentro de cada nação. No próprio Brasil compra escola de samba, implanta círculos bolivarianos, leva brasileiros pobres para fazer operação de catarata na Venezuela.

Acrescente-se que, enquanto o Brasil está com suas Forças Armadas sucateadas, o coronel venezuelano organizou o maior exército da América Latina e se aproximou do Irã por conta dos seus delírios de destruição atômica dos Estados Unidos. Ele conta também com o apoio de grupos paramilitares como as Farc, o MST e, provavelmente, o Sendero Luminoso.

Cresce, pois, a figura sinistra do ditador venezuelano à sombra do nebuloso socialismo do século XXI, rótulo que camufla sua ânsia de perpetuar-se no poder, sempre cultivando os três males que corroem a América Latina e a impedem de se desenvolver: o estatismo, o nacionalismo xenófobo e o populismo.

Porém, nada dura para sempre e Chávez começa a ter revezes. Levou um “no” da maioria dos venezuelanos quando do último plebiscito em que lançaria de vez os meios de não mais deixar o poder. Lula levou seu “não” em pesquisa do Ibope: 65% dos brasileiros não querem o 3º mandato. Mas Lula, que tem sorte, nunca levou um “porque não te calas”, real. Todavia, não faz mais o mesmo sucesso em países europeus.

Chávez, espertamente, armou um palco internacional e negociou com seus comparsas das Farc a libertação de duas reféns. Convidou o Brasil e lá se foi Marco Aurélio Garcia com seu chapéu de panamá, como se fosse o personagem do filme O Canibal. Fracassam as negociações com os sanguinários narcotraficantes. Chávez as retomou, mas sem Marco Aurélio. O intento era claro, desmoralizar Uribe, presidente colombiano. Nesse sentido o ditador pediu que se mudasse a denominação dos celerados guerrilheiros de terroristas para insurgentes, Afinal, coitadinhos, eles só seqüestram, torturam e matam seus prisioneiros, tudo, é claro, em nome do povo. Lula nunca aceitou a denominação de terroristas para os companheiros do Fórum de São Paulo. E não se fez de rogado para visitar na cadeia os seqüestadores de Abílio Diniz, apesar de dizer agora que abomina seqüestros.

Chávez é o sucessor de Castro na América Latina e apareceu em fotos com Fidel Castro quando o ditador cubano estava hospitalizado. No momento, quando a inflação avança, a economia mundial balança, a febre amarela mata mais do que em todo 2007, paira a ameaça de aumento de impostos e do apagão elétrico, pano rápido. Lá se vai Lula da Silva para mais uma viagem: Gautemala, destino Cuba, onde ganhou, como Chávez, seu momento de glória junto ao ditador. Pelo resplendor do rosto do presidente, não se sabe se ele se ajoelhou diante de Castro ou do “paredón” manchado de sangue dos dissidentes cubanos, para entregar ao ídolo 1 bi de dólares, fruto dos suados impostos pagos pelos brasileiros. Será que tal quantia ajudará, pelo menos, a fornecer papel higiênico para o cubanos que não conseguem fugir para os Estados Unidos?

Se aonde Chávez vai, Lula vai atrás, é bom que reflitamos onde queremos que o Brasil chegue.

Segunda, 14 Janeiro 2008 22:00

O Beijo

Somos o país do “viva e deixe viver” e já se foi o tempo em que alguém se preocupava com a vida íntima dos outros. Nesse sentido, não deixa de ser significativa a mudança de termos para designar relações humanas.

Somos o país do “viva e deixe viver” e já se foi o tempo em que alguém se preocupava com a vida íntima dos outros. Nesse sentido, não deixa de ser significativa a mudança de termos para designar relações humanas. Por exemplo, não se diz mais amante, mas namorada ou namorado. Num passado não muito distante, mas que ficou no século passado, namoro era um tipo de conhecimento prévio de um casal, que não passava de passeio de mãos dadas ou, no máximo, de um beijo roubado no escurinho do cinema. Agora “fica-se” ou mora-se junto para melhor conhecimento das potencialidades físicas e outras mais do namorado ou da namorada.

Não vou discutir essas mudanças em termos morais ou se foram boas ou ruins. Não é esse meu propósito. O tema é complexo, envolve mudanças sociais e deveria trazer argumentações de ordem psicológica, como o impacto sobre a vida dos jovens com respeito à transitoriedade dos relacionamentos amorosos. Tão pouco discorrerei aqui sobre as alterações da instituição familiar à luz dos divórcios ou das ligações fora do casamento tradicional. Um artigo que contemplasse esses temas ficaria melhor numa revista especializada e teria outra dimensão.

Em todo caso, a introdução serve apenas para comentar se ainda existem certos limites em nossa sociedade com relação à moral, ou se ingressamos de vez na era da amoralidade, ilustrada de forma exemplar pelo lixo televisivo, Big Brother Brasil, que retorna para gáudio dos telespectadores.

Quero, então, me reportar a um determinado beijo na boca que anda rolando pela Internet, esse fabuloso meio de comunicação. E não me digam que a Internet é excludente. Cada vez mais pessoas têm acesso a essa telepatia moderna, seja nas escolas, seja nas Lan houses, seja nos domicílios. E ao em vez de excluir, a Internet inclui os que não tem acesso á grande mídia, e que podem assim expressar livremente seu pensamento. Por isso, esse espetacular meio de comunicação é temido e excluído em regimes totalitários como nos da China e de Cuba onde é proibido pensar.

Mas, voltemos ao beijo. Nada contra essa manifestação que se supõe amorosa. O amor é o que há de mais fundamental na vida humana. Entretanto, quando se vê a senadora Ideli Salvati agarrando o rosto do senador José Sarney e pespegando um beijo na boca do aliado, ocorre perguntar se, apesar da liberalização dos costumes, tal ato está de acordo com o ambiente do Congresso.

Resta também saber, se a esposa do Senador Sarney foi tão benevolente com a cena quanto a mulher do senador Renan Calheiros, que foi de uma compreensão de “Amélia” com relação a “namorada” do seu importante marido que, aliás, se safou incólume de todas as acusações e ainda deu risada, pois somos uma sociedade muito engraçada que tudo perdoa.

De todo modo, a imagem que circula pela Internet valendo, como se diz, mil palavras simboliza uma coisa: a entrega do PT ao PMDB. Algo que seria impossível de ser imaginado em passado recente. Mas a ética do PT ficou também no século passado. E se a palavra do presidente só vale (e olhe lá) para o ano em que é pronunciada, como ficou claro na explanação do ministro Guido Mantega com relação ao aumento de impostos, imagine-se de um século para outro. Vale tudo, vende-se tudo para se alcançar e manter o poder.

O beijo deve ter sido também a senha para a negociação de cargos postos no balcão do Planalto à disposição do PMDB que, inclusive, indicou o senador e ex-pianista, Edson Lobão, para o ministério de Minas e Energia, Isto apesar da ameaça de apagão elétrico e da falta de gás, que foi negaceado pelo companheiro Evo Morales. Parece, pois, que o PMDB deseja muito mais que um beijo.

E enquanto se sucedem beijos e afagos, líderes governistas querem ressuscitar a famigerada CPMF e a Igreja e o MST pedem mais impostos para penalizar os ricos. Nenhum povo aceitou de forma subalterna a exorbitância tributária dos governantes que sempre levaram a melhor parte das arrecadações. Mas isso foi em outros séculos e parece que o brasileiro “moderno” adora ser o contribuinte otário que sustenta o luxo das cortes.

Num outro extremo nada amoroso, José Dirceu, o “chefe da quadrilha dos mensaleiros” e que ficou com apelido de Duas Caras desnudou o partido e jogou setas para todos os lados na entrevista dada à revista Piauí. Entre outras coisas, o deputado cassado ressuscitou o caso da sede do PT em Porto Alegre que, segundo ele teria sido construída com dinheiro de caixa 2 providenciado pelo pobre Delúbio (antes foi dito que era com dinheiro de bicheiros) e atacou até o filho do presidente, o Lulinha, “aquele que não se importa com a verdade”. Claro que foram mágoas com a Telebrás e a Telecom, o que poderia explicar a vendeta. Dirceu, um exemplo marcante de marxismo de mercado, nega que falou o que falou e foi para Recife fazer implante de cabelo. Será que vai voltar com outra cara?

Ao final desse singelo artigo fica uma sugestão: incluir os senadores Ideli Salvati e José Sarney no BBB. Fariam, sem dúvida, o maior sucesso. Sinal dos tempos.

Sábado, 05 Janeiro 2008 22:00

Lula da Silva, o Presidente Dos Impostos

O ex-metalúrgico, que sempre foi dotado de imensa sorte, não tem medo de ser feliz. Assim, parodiando Zeca Pagodinho segue a cantando: “Deixa a vida me levar, leva eu”.

Lula da Silva se esforça enormemente para ter seu nome gravado na história do Brasil como o maior presidente da República já havido nesse país. Para tanto se compara a Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e, se preciso for, a Jesus Cristo. Na sua egolatria, que o faz se sentir maior do que todos estes, resvala para aquele tipo de paranóia que acomete os poderosos e parece crer em suas próprias mentiras.

O ex-metalúrgico, que sempre foi dotado de imensa sorte, não tem medo de ser feliz. Assim, parodiando Zeca Pagodinho segue a cantando: “Deixa a vida me levar, leva eu”. Em que pese sua origem humilde, largamente explorada pela propaganda e convertida em mito e tabu (aí do elitista explorador que disser que o presidente é semi-analfabeto e exímio produtor de asneiras em seus discursos não preparados por assessores), ele tem sido levado pela vida de forma fácil e rendosa. Optou por não estudar e não trabalhar depois de ter passado rapidamente pelas lides do torno mecânico como elite dos operários de São Bernardo do Campo, os metalúrgicos. E sua facilidade retórica, típica dos repentistas, o fez enveredar pelas vias da política, primeiro como líder de seus iguais dos quais foi se afastando gradativamente.

Cabe aqui relembrar a análise de Roberto Michels sobre a “lei de bronze da oligarquia”. Explica Michels, um socialista alemão que se tornou amigo de Mussolini, que as massas são necessariamente governadas por uma minoria que se lhes impõe. Isto acontece até no interior das organizações reputadas “democráticas”, como os partidos socialistas e os sindicatos operários. Nestas entidades, por força da necessidade de organização, forma-se uma “direção profissional” que se impõe à base. A soberania das massas é, então, ilusória. Porque essa situação oligárquica assenta-se não só na tendência dos chefes, sempre vitoriosos, de perpetuar-se no poder e a reforçar sua autoridade, mas, sobretudo, na inércia das massas, prontas a entregar-se a uma minoria de especialistas, profissionais de ação pública.

Pois bem, estamos vivendo numa república sindicalista. Talvez, isso ajude a explicar o vezo autoritário do PT e sua ambição desmedida de se perpetuar no poder, pois não é impossível que o partido dos aloprados (segundo palavras de seu próprio líder, Lula da Silva) volte a trabalhar a idéia de um terceiro mandato. Parece que os sindicalistas governantes estão usando a lei de bronze da oligarquia com relação não aos sindicatos, mais extensiva a toda sociedade brasileira. Colabora com o êxito do ex-metalúrgico a inércia das massas, sequiosas por um pai estatal que lhes traga benefícios imediatos.

Mas resistirá a grande sorte e inabalável prestígio de Lula da Silva aos aumentos de impostos? O presidente mentiu para as frágeis oposições. Mentiu para o povo quando disse à sombra de uma frondosa árvore de Natal, que não aumentaria os tributos para substituir a CPMF. Mas logo no início deste ano que mal alvorece fomos brindados com um pacotão que, em países onde os cidadãos são dotados de consciência cívica, seria repudiado com veemência.

O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para pessoas físicas foi simplesmente duplicado, o que vai complicar tremendamente a vida dos brasileiros que produzem. Tudo vai subir: prestações, crédito, empréstimos. A CSLL (Contribuição sobre o lucro líquido) paga por instituições financeiras, que também terá elevação de alíquotas, será, sem duvida, repassado pelos bancos aos seus clientes. E por aí vai, sendo que outros aumentos devem vir para matar a fome insaciável do PT no poder por recursos que mantenham o luxo da corte, as ONGs sustentadas pelo poder público, os cargos dos companheiros, os dadivosos presentes dados para outros países, os desperdícios, as maracutaias, termo usado no passado por Lula da Silva para criticar a falta de ética dos outros.

O ministro Guido Mantega justificou as medidas amargas dizendo que as promessas do presidente se referiam apenas a 2007, sendo que já estamos em 2008. Sem dúvida, um deboche que afronta os brasileiros, considerado pelo ministro como débeis mentais.

Resta agora a oposição funcionar de novo como tal. Oposição que ingenuamente aprovou a DRU acreditando na palavra, que nunca foi cumprida, do presidente da República, de que não haveria aumento de impostos. Oposição e Poder Judiciário que devem barrar as medidas adotadas pela Receita Federal de fiscalizar as operações financeiras, obrigando os bancos a repassar semestralmente dados sobre cidadãos e empresas, o que configura quebra do direito ao sigilo previsto pela Constituição no capitulo das garantias fundamentais. Oposição deve agir tendo em mente as medidas impopulares desse governo que mentiu e traiu seus governados. E que Lula da Silva passe à história como o presidente dos impostos. Isso deve ser o mote das oposições, ou então, que elas se extingam de vez.

Domingo, 16 Dezembro 2007 22:00

A Fome Pantagruélica do Governo Lula

Parece que as arrecadações cada vez maiores, os impostos elevadíssimos que pagamos em todos os produtos não satisfazem o apetite do nosso guloso Estado Pantagruélico.

Pantagruel é um personagem comilão criado por Rabelais. Pois bem, o governo de Lula da Silva tem fome pantagruélica de impostos. Parece que as arrecadações cada vez maiores, os impostos elevadíssimos que pagamos em todos os produtos não satisfazem o apetite do nosso guloso Estado Pantagruélico. Nada chega. Nada satisfaz. Na corte luxuosa os gastos são cada vez maiores, as contratações de companheiros cada vez mais numerosas, o desperdício mais abundante e a incompetência ou a má fé torna o governo incapaz de eleger prioridades para a aplicação dos pesados tributos no sentido de alcançar o bem comum, fim último da política. Além disso, esbanja-se dinheiro público com os tais cartões institucionais, as viagens constantes e nababescas do presidente da República, os presentes generosos para outras nações. Portanto, não há imposto que chegue para o Pantagruel estatal.

Para manter a imagem de salvador dos pobres e oprimidos, colada em LILIS através de primoroso marketing, o governo simula ajudar a classe mais baixa com bolsas-família em vez de geração de trabalho. O paternalismo governamental alcança, então, duas metas importantes: mantém os pobres sempre pobres, portanto dependentes dos benefícios do pai Estado e garante votos nas próximas eleições para o magnânimo partido presidencial. A propaganda faz o resto e o discurso que cultiva ódio e revanche por contas das diferenças sociais alimenta subliminarmente a doutrinação relativa à luta de classes, o que dá aquela tintura socialista tão simpática e importante na América Latina a qualquer governo.

Foi a fome pantagruélica do governo petista que o impeliu a lutar com unhas e dentes pela manutenção da famigerada CPMF. Todas as armas foram usadas: compra de votos através da moeda dos cargos, ameaças, terrorismo baseado num hipotético caos econômico caso o imposto caísse, apelo sentimentalóide pelos pobres.

O presidente da República entrou de cabeça na “guerra” do imposto do cheque e mostrou todo seu lado autoritário. Acostumado a ser obedecido por um Congresso subserviente, ele despejou sua ira contra aqueles que chamou de sonegadores. Vociferou, gritou, ameaçou em palanques ou diante de câmaras e microfones sempre à sua disposição. Era a postura despótica idêntica a um desses caudilhos que agora infestam a América Latina, e que LILIS tanto admira.

Todas as cartadas foram jogadas no momento da votação no Senado. Na Câmara subalterna tudo correra conforme seo Lula mandou. No Senado, nem a carta presidencial convenceu a oposição. Como acreditar num presidente que se diz uma metamorfose ambulante e que realmente não tem cumprido sua palavra? Hoje ele diz uma coisa e amanhã se desdiz.

Mas, então, de repente, não mais que de repente, aconteceu algo inédito: aos Democratas, que vêm apresentando uma oposição firme, sem vais vens ou dubiedades, uniu-se o PSDB. Num partido marcado por vacilações, onde poucos se destacam pela coerência e pela coragem, como o senador Álvaro Dias, se viu pela primeira vez uma inédita resistência. Inclusive, o líder do PSDB, Arthur Virgílio, ameaçou renunciar se seu partido caísse no canto da sereia do Executivo. Fortes pressões não faltaram, inclusive, dos governadores José Serra, Aécio Neves e Yeda Crusius, também sequiosos pela CPMF.

Ao final da nervosa reunião em que não faltaram os rompantes teatrais do senador Pedro Simon, ganhou a sociedade brasileira. Foram 45 votos a favor da continuidade da CPMF e 34 contra. O governo precisava de 49 votos. Naturalmente o senador Arthur Virgílio sabia que se os tucanos não mostrassem união e firmeza na batalha da CPMF estariam cometendo suicídio político.

A derrubada da CPMF fez exultar todos os brasileiros que possuem percepção política. Finalmente tínhamos oposição capaz de barrar os abusos do Executivo, o que permitiria melhor funcionamento da democracia. Mas felicidade tem a vida breve. Notícias dão conta que o PT e o PSDB podem se unir na reforma tributária e recriar uma CPMF com alíquota de 0,20%, apesar do presidente da República negar. O combativo senador Arthur Virgílio e governadores do PSDB estão de acordo com a recriação do imposto e a mais combativa ainda senadora Ideli Salvati quer que o imposto sucessor da CPMF seja permanente.

No momento é de se perguntar ao PSDB, considerando-se as honrosas exceções dos que procedem na defesa dos interesses da Nação, se mais esse apoio ao PT, na recriação da CPMF, não traduz a intenção de nos fazer de completos idiotas, de nos trair, de enxovalhar as esperanças daqueles que viram pela primeira vez, desde que o PT alcançou o poder, elevar-se uma oposição que nos pareceu real e não um amontoado de homens submissos, acovardados e rastejantes diante das ordens do chefe Lula.

Queremos, senhores políticos, menos impostos. Chega de derrama. Onde estão os novos inconfidentes?

Domingo, 09 Dezembro 2007 22:00

A Lição Que Veio da Venezuela

A Venezuela mostrou isso no recente referendo quando Chávez levou um “por que não te calas”, não de um rei, mas do povo.

Já mencionei em artigo que a leitura de jornais velhos é bem interessante. Especialmente as matérias relativas à política mostram claramente algumas coisas, dessas corriqueiras, tais como: traição, mentira, não cumprimento de promessas, negativa na prática dos discursos, sobretudo os de cunho ideológico e uma cultura do cinismo que chega a ser espantosa. Se essas atitudes são comuns aos seres humanos, acentuam-se de forma mais evidente no palco do poder. Assim, as metamorfoses ambulantes dos nossos governantes, que nos surgem em jornais passados, ajudam a refrescar a memória. Aliás, é costume dizer que a memória do povo é curta, verdade incontestável, sendo que uma curiosa e recente experiência científica demonstrou que os chipanzés ganham dos humanos quando se trata da capacidade de memorizar.

No Brasil parece que realmente perdemos para nossos simpáticos primos macacos. Para começar, sabemos pouquíssimo sobre nossa história e muito menos sobre história mundial. E como somos parcos em heróis e tradições, nossos valores estão ligados àquilo que nos parece ser mais importante em termos de destaque coletivo, ou seja, o futebol. Já nossos ídolos não são mártires, estadistas ou vencedores do mundo empresarial. Diga-se de passagem, que odiamos a riqueza alheia, sempre vista com grandes desconfianças, apesar de desejarmos ardentemente sermos ricos.Na verdade, o que nos empolga são artistas ou cantores populares em seus fugazes momentos de glória. Faz também imenso sucesso programas televisivos como Big Brother Brasil que, ao espelhar através de seus participantes, mazelas sociais como mau-caratismo, vulgaridade, mediocridade, total ignorância dos mais básicos conhecimentos e abundância de anti-valores provocam aquela profunda e deliciosa sensação de identificação com os vencedores do glamouroso mundo da fama. Então, bem lá no seu íntimo, o homem comum, frustrado com sua vidinha desenxabida, conclui exultante: sou igualzinho a eles.

Mas, não apenas o desconhecimento da história é nossa marca registrada. Fatos recentes também nos escapam. E para piorar, ficou demonstrado que a Educação brasileira vai tão mal que nossos estudantes não entendem o que lêem e amargam a rabeira em matemática numa vasta lista de países. Conclui-se que passamos da civilização baseada na escrita e na racionalidade para a civilização auditiva, visual e emocional.

Desse modo, somos presas fáceis dos demagogos, dos populistas, dos tiranetes que satisfazem sua desmesurada ânsia de poder simulando ajudar os pobres, enquanto os mantém na pobreza através de caridades oficiais.

Na América Latina isso tem sido uma constante com momentos históricos em que a emergência de caudilhos é acentuada. Eles dão esmolas aos pobres, lucros aos ricos e carregam a classe média com impostos, fonte do sustento de suas cortes nababescas e perdulárias. Mas seu suporte político vem mesmo da classe mais baixa, sequiosa de um pai que lhe prodigalize facilidades e sedenta de revanche perante as classes médias e altas, que nem sempre, mas muitas vezes, não tratam bem os “de baixo”, além de estabelecer o contraste que, na sociedade de apelo desenfreado ao consumo, chega a ser doloroso.

É nesse caldo cultural que vicejam com êxito os Fidel Castro, os Hugo Chávez, os Evo Morales, os Rafael Correia, e, porque não, os Lula da Silva e tanto outros que já passaram em nossas plagas latino americanas e que ainda surgirão, pois a mentalidade do atraso, que rejeita a riqueza e a democracia dos países capitalistas, apóia em nossos países a esquerda que, explorando o recalque, o complexo de inferioridade e a inveja, promove subliminarmente aquilo que tem como base esses ingredientes, ou seja: a luta de classes.

Quanto aos que governam em nome da esquerda, ao invés de promover o verdadeiro desenvolvimento de suas nações, através do tripé: Saúde, Educação e Trabalho, apelam para o discurso fácil e emocional das promessas ilusórias, aproveitam da pouca instrução do povo para anestesiá-lo com falsa propaganda e pretendem viverem felizes para sempre nas suas cortes de luxo e corrupção, visto que na América Latina não se valoriza a verdadeira democracia porque não se tem noção do que isto significa.

Há, porém, por conta de origens coloniais e históricas uma diferença marcante entre nós e nossos vizinhos: eles sabem se opor a governos indesejáveis e radicalizam suas atitudes políticas, inclusive, sendo capazes de morrer por seus ideais.

A Venezuela mostrou isso no recente referendo quando Chávez levou um “por que não te calas”, não de um rei, mas do povo. Como bom democrata, segundo os petistas, e democrata elegante, conforme nosso chanceler de direito, Celso Amorim (o chanceler de fato é Marco Aurélio Garcia, aquele dos gestos obscenos), Chávez disse que a vitória de seus oponentes era de m... Só esqueceu de que o povo o mandou a isso mesmo. Aprendamos a lição dos venezuelanos.

Domingo, 25 Novembro 2007 22:00

Doença Nacional

Assim, idiotizados pela propaganda, enlevados pelo mito do “pobre operário” cuidadosamente construído pelo PT, aceitamos com naturalidade a total inversão de valores que aos poucos vai erodindo o que resta de nossa civilidade.

Se você, caro leitor, não tem o hábito de ler jornais e sua informação deriva apenas do que é veiculado pelas redes de televisão, irá crer com fé inquebrantável que Deus é brasileiro porque nosso país é o próprio paraíso na terra depois que Lula da Silva ascendeu ao poder. A Saúde, disse o presidente, está perto da perfeição. O desemprego caiu. Os pobres comem três refeições por dia porque o programa Fome Zero deu certo. O mundo se curva para o Brasil, mesmo porque, ganhamos o jogo contra o Uruguai. Portanto, essa coisa de caos aéreo, caos da Saúde, caos do gás, impostos escorchantes, entre eles a famigerada CPMF apresentada como salvação nacional, falta de infra-estrutura, fracasso de políticas públicas, violência urbana chegando a níveis insuportáveis, violência praticada pelos chamados movimentos sociais ligados a Via Campesina, como o MST e congêneres, não existem. São intriga da oposição, mentiras dos que não aceitam que o Brasil deu certo. Tão pouco existe corrupção no governo, apesar da queda constante de ministros ou de casos escabrosos onde petistas, diante de montanhas de provas e evidências se declaram inocentes, enquanto seu líder afirma que nada vê, de nada sabe. Afinal, ele é apenas um pobre presidente da República.

Assim, idiotizados pela propaganda, enlevados pelo mito do “pobre operário” cuidadosamente construído pelo PT, aceitamos com naturalidade a total inversão de valores que aos poucos vai erodindo o que resta de nossa civilidade. Temerosos de infringir o politicamente correto damos por certo que elite é um termo pejorativo ao invés de significar produto de qualidade. Nos curvamos ao veneno destilado pelos seguidores dos novos donos do poder que, usando a velha tática de dividir para dominar, a qual por sua vez é indutora de simplismos maniqueístas, divide a sociedade entre maus (aqueles que não são do PT) e bons (os que são petistas); elites (ricos maus e exploradores, em que pesem as doações dos grandes empresários para as campanhas milionárias do mitológico pobre operário e do fato deste e de seus mandarins da cúpula petista terem chegado ao paraíso da burguesia) e pobres (classe majoritária que foi resgatada das garras do capitalismo selvagem por LILS, o iluminado salvador da pátria); brancos (transgressores dos direitos humanos e opressores dos negros) e negros (cujo direito de odiar brancos e agredi-los é algo natural, como disse uma ministra do bondoso pai Lula). E temos apenas dois partidos: PT e PSDB (quem não pertence ao Partido dos Trabalhadores fatalmente é tucano, ainda que não faça parte de nenhum partido).

Acentua-se no Brasil, portanto, o etnocentrismo, ou seja, o julgamento que tudo o que é de alguns é bom e de outros é mau. É o radicalismo do “meu” e do “seu”. Não temos meios termos. Não existem morenos, mulatos, cafusos. Ou se é negro ou se é branco. Ninguém se salva fora do PT e todos que pertencem ao PT são cidadãos acima de qualquer suspeita, façam o que fizerem.

A chamada base governista, ou adesistas de ocasião, capazes de se vender a qualquer preço, mesmo por um “chinelinho novo”, não possuem tanta imunidade. São usados e depois jogados fora. Que o diga o PMDB, partido cujos integrantes, segundo uma amiga internauta, trazem na testa um código de barra, é só passar em qualquer maquininha que sai o preço. Aliás, os mais experientes políticos de diversos partidos nunca aprendem que o PT possui leis próprias, entre elas, esmagar os que não pertencem à casta dos companheiros, triturar os que ajudam o partido e ao seu líder máximo.

Caminhamos rumo ao atraso e a decadência, sob o comando do espaçoso Hugo Chávez, mas vamos felizes entre uma partida de futebol e outra. Afinal, não vamos sediar a Copa do Mundo? Querer mais o quê?

E enquanto o povo se alegra assistindo futebol, gesta-se nos bastidores do poder o terceiro mandato do amado avatar, Lula da Silva. Quem poderá impedi-lo? E que outro mito o PT possui para se perpetuar no poder? Como o próprio presidente afirma que seu comandante Hugo Chávez é um democrata, basta seguir seus passos, como, aliás, vem acontecendo de forma mais branda, conforme a marca registrada brasileira da dubiedade. Calmamente, cuidadosamente o PT fabrica sua ditadura sob aplausos gerais e toques de tambores de guerra de seus estridentes e fanáticos militantes e simpatizantes. Alertas parecem soar inutilmente enquanto triunfa a ignorância, a truculência, a incompetência, a corrupção. A decadência da nossa sociedade já é uma doença que parece incurável, pois progrediu muito. Perdemos nossa elite no sentido dos melhores, dos mais virtuosos e isso faz lembra o portentoso pensamento de José Ortega y Gasset em Espana Invertebrada: “quando a massa nacional chega a determinado ponto, são inúteis os argumentos racionais. Sua enfermidade consiste, então, no fato de que a maioria não se deixará influenciar, fechará freneticamente os ouvidos e pisoteará com mais força naqueles que queiram contrariá-la”. A partir daí se segue o triste espetáculo dos piores suplantando os melhores”.

Domingo, 18 Novembro 2007 22:00

Cala Boca, Chávez

A resposta veio rápida. O atual premiê espanhol, José Luis Rodrigues Zapatero. por sinal adversário político de Aznar, deu uma lição ao venezuelano, que seria impensável como reação brasileira.

No encerramento da 17ª Cúpula Ibero-americana, em Santiago do Chile, o falastrão Hugo CHÁVEZ disse o que quis e, pela primeira vez, ouviu o que não quis, inclusive, foi surpreendido por um cala-boca real que, ao que parece, o está perturbando até agora. Desta vez o falso democrata venezuelano resolveu, ao invés de atacar, como costuma fazer, os Estados Unidos, seu maior parceiro econômico, partir para uma fanfarronada contra a Espanha. Seu alvo foi o ex-primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar, que por sinal foi um excelente governante, homem de mentalidade moderna e dotado de visão de estadista, ou seja, o avesso do caudilho populista.

Acostumado ao mando, O boquirroto DITADOR DE FATO, chamou Aznar de fascista, acusando-o de ter apoiado o golpe ocorrido na Venezuela em abril de 2002.

A resposta veio rápida. O atual premiê espanhol, José Luis Rodrigues Zapatero. por sinal adversário político de Aznar, deu uma lição ao venezuelano, que seria impensável como reação brasileira. Recorde-se que quando Chave disse que Congresso brasileiro era o papagaio de Washington, as cabeças se abaixaram humildemente sem a menor reação. Diferentemente, Zapatero reagiu e disse: “Senhor Chávez, podemos discordar radicalmente da idéias de uma pessoa. Mas para respeitar e sermos respeitados, não podemos nunca desqualificar essa pessoa”. Imagina se Zapatero conhecesse os métodos de ataque petistas, que sempre começam com o achincalhamento dos que não rezam por sua cartilha. Como Chávez insistia em sua arenga, ouviu do rei Juan Carlos I da ESPANHA um incisivo :” Por que não te calas?”

De todo modo, o ataque gratuito dirigido a Aznar chegou a ser grotesco na boca de um golpista como Chávez, o criador das milícias bolivarianas que são arremedos das milícias fascistas de Mussolini. E bem nesse momento em que acusa ao rei da Espanha de golpista, Chávez está reinventando a Constituição venezuelana que, aliás, já tinha moldado conforme seus interesses golpistas. Agora quer leis que o dotem de poderes ilimitados, portanto ditatoriais, que incluem o fim da propriedade privada. e permitem sua perpetuação no poder através de eleições sucessivas. Isso significa que ele sempre poderá dizer que é um democrata, pois obedece às leis, mas se o estratagema legal pode retratar o Estado de Direito, jamais traduzirá o Estado democrático de Direito. Mesmo porquê, Hugo Chávez vem enxovalhando todos os requisitos da democracia em seu país. Vejamos como fez isso: Ele dominou O Legislativo e o Judiciário, rompendo com o equilíbrio dos Poderes constituídos, extinguiu a liberdade de expressão, de organização de opinião e fala diretamente às massas na forma de governar que chamam de democracia direta, idéia, aliás, que sempre foi cara ao PT e característica do mando dos tiranos. Portanto, Chávez tem mais de Mussolini dos trópicos do que de Simón Bolívar. Este, ao final da vida, frustrado por suas tentativas de unificar parte da América na Grande Colômbia partilhada entre Colômbia, Venezuela e Equador, profetizou: “Este país, a Grande Colômbia, cairá infalivelmente nas mãos da populaça desenfreada para passar em seguida para a dominação de obscuros tiranetes”. E concluiu: “Entregues a todos os crimes e esgotados pelos nossos cruéis excessos, os europeus não procurarão sequer reconquistar-nos”. Depois de suas grosserias é possível que Chávez não tenha mais facilidades com os europeus, especialmente com a Espanha.

Nosso grande problema na América Latina se concentra na nossa mentalidade do atraso que pode ser traduzida da seguinte maneira: buscamos respostas às nossas necessidades no passado ao invés de procurá-las no futuro. Dotados de um anti-americanismo xenófobo preferimos a ALBA de Chávez à Alca norte-americana, nos ufanamos de ser de esquerda e permanecemos no século XIX a cultivar um marxismo requentado. Odiamos a globalização mesmo sem entender o que é isso, enquanto a China comunista, sem o menor pudor ideológico, entendeu muito bem e caminha para ser a próxima potência mundial. Para culminar, o Brasil, através de seu chanceler de fato, Marco Aurélio Garcia que se notabilizou não pela nossa desastrada política externa da qual é mentor, mas por gestos obscenos, não abre mão de incluir Chávez no Mercosul. Pior, a Câmara já aprovou a entrada do ditador, ignorando que a Venezuela não se enquadra nas regras do organismo que exige de seus membros a prática da democracia e da economia de mercado. Como disse o embaixador Sérgio Amaral: “com Chávez e seu confuso socialismo do século XXI o Mercosul terá o beijo da morte”.

Seria, pois, interessante, nosso governo, que inclui nossos parlamentares, pensarem bem sobre isso, caso contrário, Chávez, e seus seguidores como Evo Morales que além de expropriar a Petrobrás na Bolívia, fechou a torneira do gás, chegarão à conclusão que, se não somos propriamente uma República das Bananas, estamos nos tornando uma República dos bananas. E viva o rei Juan Carlos I.

Quarta, 07 Novembro 2007 22:00

PSDB, CPMF e Traição

Note-se, também, que os parlamentares do PSDB, autodenominando-se de “oposição responsável”, votaram tudo que o Executivo enviou ao Congresso, especialmente no primeiro ano do primeiro mandato de LILS.

Não faz muito tempo lia-se na imprensa que o PSDB era o verdadeiro e mais forte opositor do PT, o único partido capaz de fazer frente a candidaturas petistas. Afinal, Fernando Henrique Cardoso havia derrotado Luiz Inácio duas vezes, o Plano Real fora um êxito entre tantas tentativas frustradas de outros governantes para acabar com o malefício da inflação, a política econômica trouxera a estabilidade desejada, os projetos sociais funcionaram e no exterior FHC foi considerado um estadista, ajudando a melhorar a imagem do Brasil. E não se pode negar que nos mandatos presidenciais do PSDB houve elevação do nível de vida dos brasileiros, uma vez que a contenção da inflação possibilitou o acesso a bens antes impossíveis de serem adquiridos. Com isso diminui a distância entre ricos e pobres, e a sociedade pode fazer planos para o futuro, pois a inflação já nos corroia os salários.

Naturalmente todo governo comete erros e FHC, por exemplo, errou ao dar início ao sucateamento das Forças Armadas. Como Luiz Inácio seguiu no mesmo rumo estamos vulneráveis militarmente enquanto o coronel Hugo Chávez tem o maior e mais forte exército latino-americano. Agora, já em segundo mandato, LILS promete reaparelhar as FFAA com investimentos feitos em suaves prestações diluídas em muitos anos, mas nada garante que mais uma de suas promessas será cumprida.

Em resumo, com suas atitudes, incluindo a de colocar no Ministério da Defesa não mais um militar, mas um civil, Fernando Henrique atraiu para si o ódio das Forças Armadas. Estas se voltaram para Luiz Inácio e ajudaram com seus votos a elegê-lo. No atual governo, com exceção de grupos militares da reserva, as FFAA parecem cooptadas não obstante as humilhações sofridas (entre outras, Luiz Inácio chamou os militares de bando de sem-pólvora), as promessas não cumpridas, os baixos soldos.

FHC errou também quando manobrou para instituir o segundo mandato, quando investiu em gás na Bolívia e não no Brasil. E errou feio ao sempre ajudar LILS em vez de fazer de seu partido o baluarte de uma verdadeira e enérgica oposição.

Durante oito anos de mandato Fernando Henrique sofreu oposição implacável, estridente e stalinista dos petistas que não se cansavam de gritar de forma histérica: “fora, FHC”. Mesmo assim, na quarta campanha de Luiz Inácio, quando este disputou com José Serra, disse que se seu candidato não chegasse ao segundo turno votaria no postulante do PT.

Uma vez consumada a vitória petista, FHC promoveu a chamada transição, ou seja: colocou à disposição da futura equipe de Luiz Inácio sua própria equipe que tentou ensinar aos despreparados petistas como se governa. Não contente, colocou no ministério da Fazenda seus técnicos mais preparados, os quais fizeram a fama de Antonio Palocci que parece não entender nem de medicina. A ajuda substancial foi chamada de “herança maldita” pelo PT, mas copiada de modo mais ortodoxo, e isso, mais condições favoráveis externas, manteve o Brasil no rumo certo e fez as glórias de Luiz Inácio que costuma apresentar as conquistas alheias como suas, e seus erros apenas como conseqüência dos desacertos dos outros.

Antes de ser empossado Luiz Inácio pediu a FHC que enviasse um navio com combustível para a Venezuela. O objetivo era o de torpedear a greve dos petroleiros daquele país que se insurgiam contra Hugo Chávez. Pedido atendido, o navio partiu.

Note-se, também, que os parlamentares do PSDB, autodenominando-se de “oposição responsável”, votaram tudo que o Executivo enviou ao Congresso, especialmente no primeiro ano do primeiro mandato de LILS. E quando as CPIs desencadeadas pelo deputado Roberto Jefferson mostraram que o rei estava nu, FHC não deixou que se pedisse o impeachment do presidente, alegando que era preciso deixá-lo sangrando para enfraquecê-lo e depois vencê-lo. Com isso salvou o amigo e lhe proporcionou o segundo mandato.

Recorde-se ainda, que na última campanha presidencial o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, foi cristianizado, ou seja, traído por seu próprio partido, o que possibilitou a vitória de Luiz Inácio.

Agora se trama o apoio que pode ser o derradeiro, pois se afigura como um suicídio político: Tucanos de alta plumagem, notadamente os governadores Aécio Neves (MG), José Serra (SP) e o trio Arthur Virgílio, Tasso Gereissati e Sérgio Guerra querem impor aos parlamentares de um PSDB dividido o voto pela continuidade da famigerada CPMF.

Se prevalecer o apoio tucano se configurará a mais alta traição aos eleitores que confiaram em candidatos do PSDB. Nesse caso, melhor será o partido se dissolver e engrossar as fileiras do PT. Que pensem nisso os parlamentares que deveriam ser oposição e que muito têm deixado a desejar nesse sentido.

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