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Heitor de Paola

Heitor de Paola

Médico, escritor e analista político. Membro do International Board of Directors da Drug Watch International, Diretor Cultural da BRAHA (Brasileiros Humanitários em Ação), autor do livro O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial. Articulista do site Midia Sem Máscara, dos Jornais Inconfidência e Visão Judaica.

Depois da Lei Seca, do Cansei!, da campanha da Ficha Limpa, agora “organizações da Sociedade Civil (dá-lhe Gramsci!) anunciou novas empulhações para os próximos dias: enérgicas atitudes contra a corrupção.

O AFFAIR ANN COULTER

Existe uma miríade de organizações que representam o pensamento conservador, entre elas a Atlas Economic Research Foundation, o Acton Institute, o Cato Institute, a Heritage Foundation, Hudson Institute, Brookings Institution,  e muitos mais. Além do ConservativeBookClub, abordado no artigo anterior, outros baluartes do conservadorismo americano vêm sofrendo abalos que partem de suas próprias fileiras, entre eles um dos mais importantes encontros anuais dos conservadores: o Conservative Political Action Conference , que costuma reunir aproximadamente 5.000 ativistas e representantes eleitos de todo o território nacional. Começou em 1973 como um pequeno encontro de conservadores que aos poucos foi atraindo a atenção dos congressistas e outras celebridades. O encontro é organizado por três das mais prestigiadas entidades conservadoras, sobre as quais vale a pena discorrer brevemente.

AMERICAN CONSERVATIVE UNION

Fundada em 1964 é, segundo seu site, o maior e mais antigo lobby que representa o povo americano tradicional, principalmente rural e das pequenas cidades. Seu intuito é levar avante os objetivos e princípios do conservadorismo, como a defesa intransigente da economia de mercado, as idéias originais dos elaboradores da Constituição Americana, os valores morais tradicionais e promover uma defesa nacional forte.

A ACU tem estado na linha de frente das grandes batalhas políticas do passado e do presente, tentando manter os tentáculos do governo afastados das pequenas empresas combatendo o aumento de impostos e taxas e os gastos governamentais excessivos se opondo à entrega do Canal de Panamá e aos tratados de limitação de armas nucleares apoiando os freedom fighters (combatentes da liberdade) nos países comunistas promovendo as causas conservadoras na Suprema Corte. Desde 1971 publica anualmente uma avaliação dos congressistas relativa aos parâmetros conservadores (http://www.acuratings.org/) e tem apoiado publicações de diversos autores.

HUMAN EVENTS

HUMAN EVENTS é a fonte de notícias que Reagan chamava seu “jornal favorito” e que se mantém até hoje fiel aos princípios por ele defendidos: governo mínimo, livre empresa e, acima de tudo, a forte e inabalável defesa das liberdades americanas. Talvez seja melhor escutar as palavras do próprio Reagan na apresentação: http://www.humanevents.com/about-he.php. Há mais de 60 anos publica algo inteiramente diferente da mídia comum para leitores que desejam informações não deturpadas pela ideologia liberal esquerdista. Mantém uma coluna especial de vigilância das ações jihadistas, a Jihad Watch que publica as verdadeiras intenções dos maiores inimigos dos EUA desde a queda da União Soviética. Ultimamente também mantém a coluna Hillary Watch que não dá sossego aos Clintons e suas maquinações para voltar à Casa Branca.

YOUNG AMERICAS FOUNDATION

A Young America’s Foundation teve início na Universidade Vanderbilt, Nashville, Tennessee, no final dos anos 60 por um grupo de estudantes que formou uma organização chamada University Information Services (UIS), como reação aos radicais de esquerda que dominavam o campus. Seu objetivo era fornecer aos estudantes idéias conservadoras que haviam sido retiradas de sua formação e, nos inícios dos anos 70, tornou-se uma organização nacional com o nome atual. Sua forma de atuação era levar os principais pensadores conservadores americanos para fazerem palestras, conferências e cursos nas universidades. Em 1974 fundou uma cadeia nacional de rádio que levava ao ar as palavras do então Governador da Califórnia Ronald Reagan sobre crime, impostos, diplomacia e política em geral. Este programa foi certamente um dos responsáveis pela eleição de Reagan para Presidente. Para contrabalançar o lançamento maciço de campanhas liberais de descrédito dos Founding Fathers criou um programa do Bicentenário da Declaração de Independência. Defende essencialmente a liberdade individual, a livre empresa, os valores tradicionais e uma forte defesa nacional.

Apesar de ser um reduto conservador, às reuniões do CPAC podem se inscrever quaisquer entidades americanas que aceitem ser selecionadas pelos organizadores. No ano passado, por exemplo, foi aceita a Drug Policy Alliance, organização pró-liberação das drogas financiada por George Soros. Um dos maiores críticos foi Cliff Kincaid, Editor da Accuracy In Media (AIM) e neste ano (2007) não mais foi aceita. Já a American Civil Liberties Union (ACLU), uma organização esquerdista que apóia, entre outros, o casamento gay tendo mesmo uma seção chamada Lesbian & Gay Rights Project continuou sendo aceita, embora seus painéis fossem raramente freqüentados.

AS DECLARAÇÕES POLÊMICAS DE ANN COULTER

No último CPAC (1-3 março) a musa dos conservadores, convidada para 10 em cada 10 eventos, autora de livros importantes como Treason, Godless: the church of liberalism e How to Speak to a Liberal (If you must), Ann Coulter, vestindo uma roupa negra de couro (que lembra as usadas pelas lésbicas americanas) e uma cruz no pescoço saiu-se com um discurso que gerou controvérsias que aparentemente custarão a ser sanadas.  Num dos eventos mais concorridos, na presença de vários presidenciáveis Republicanos, ao falar dos candidatos pelos dois partidos, quando se referiu ao Ex-Senador Democrata John Edwards disse (pode-se ouvir o discurso ao vivo em http://mediamatters.org/items/200703030002):

“Eu ia fazer alguns comentários a respeito do outro candidato presidencial Democrata, John Edwards. Mas ocorre que alguém que use a palavra ‘bichinha’ [[]] tem que se submeter a um tratamento de reabilitação, portanto,..... estou num impasse, não posso realmente falar sobre Edwards. Acho que vou concluir aqui e ouvir as perguntas de vocês”.

Embora Ann tenha afirmado ter feito apenas uma piada, Cliff Kincaid, já no dia 5 de março publicou uma coluna com o título “A Britney Spears da Direita”  chamando-a de “liberal infiltrada cujo propósito é denegrir os conservadores” (...) “Sinto muito por aqueles candidatos republicanos que compareceram ao CPAC e tiveram que responder aos questionamentos da imprensa para que se posicionassem. Coulter assumiu o papel de ‘rock star’ da direita, mas esta performance parece indicar que sua estrela está caindo”.

Amy Ridenour, do National Center for Public Policy Research, cujo site chama Coulter de “Rainha da Difamação” disse que “Seria melhor não ter nenhum encontro do que permitir que num deles se apresente o conservadorismo como uma ideologia hostil e odiosa. Já temos problemas demais com afirmações falsas que fazem a nosso respeito para darmos o palco para quem vem dar tiro no próprio pé”.

Michelle Malkin escreveu em seu blog: “Com uma simples palavra Coulter manchou o trabalho árduo dos participantes e exibidores e enlameou a reputação coletiva de milhares de inscritos” (...) “Sua ‘piada’ não foi apenas numa exceção aos bons momentos do CPAC. Foi o equivalente a uma bomba de fragmentação retórica – uma granada detonada intencionalmente que explodiu no seu próprio acampamento”.

Protestos das organizações gays não se fizeram esperar, como o da Human Rights Campaign  exigindo retratação do Vice Presidente Dick Cheney, que estava lá, e dos Candidatos Republicanos presentes, nominalmente citados. A granada atingiu em cheio o acampamento aliado, funcionando como “fogo amigo”!

Não foi esta a primeira vez que Ann, que é considerada uma das maiores estrelas conservadoras, abusou da retórica e das piadas: afirmou maliciosamente que um grupo de viúvas do 11 de setembro estariam “se aproveitando da morte de seus maridos”. Kincaid escreveu na época que “um pedido de desculpas seria compatível com a Cruz de Cristo que Ann freqüentemente usa no pescoço”. Não houve pedido de desculpas. Além disto, já tinha criticado Edwards e outros candidatos Democratas por terem “explorados politicamente suas tragédias familiares, as exagerando, como os casos de seus filhos mortos em acidentes”. Um dos filhos de Edwards morreu em acidente automobilístico aos 16 anos e outro de Al Gore morreu atropelado. Afirmou então: “Os candidatos Democratas não têm muito cérebro, mas estão muito bem de catástrofes familiares”. Estranhamente, Ann protestou contra a invasão da sua privacidade quando um jornalista de esquerda perguntou como ela se tornara uma apologista da santidade do casamento se ela mesma já havia se divorciado três vezes. Protestou e não deu resposta!

Outra crítica veio de Pau Siegel, Coulter: The Siren of Conservatism.

O PRONUNCIAMENTO DA ACU

A ACU e o CPAC emitiram o seguinte pronunciamento oficial:

“O CPAC-2007, recentemente terminado (1-3 Março), foi o maior nos últimos 34 anos, tendo sido apresentados 33 painéis sobre uma variedade de itens políticos, 24 discursos pessoais incluindo políticos e institucionais, escritores, estudantes ativistas, personalidades da mídia e comediantes. A ACU, o principal patrocinador e o CPAC lutam para ceder uma plataforma e um forum para uma grande variedade de personalidades e visões de mundo. ACU/CPAC não toleram nem endossam todos os oradores ou seus comentários. Como tais ACU/CPAC deixam para a audiência decidir se os comentários são apropriados ou não”.

David A. Keene, Chairman da ACU, acrescentou: “Ann Coulter é conhecida por comentários que podem ser tanto provocativos quanto ofensivos. Este foi certamente o caso de sua apresentação no CPAC-2007 e também em vários outros anteriores. Mas quero deixar claro que ACU/CPAC não tolera nem endossa discursos cheios de ódio”.

DISCUSSÃO

Minha intenção nesta séria de três artigos era simplesmente mostrar a riqueza do debate político norte-americano, especificamente dentro do arraial conservador. A experiência com o artigo anterior me mostrou que o tema foi mais importante para os leitores do que a minha intenção. Por isto, acrescentei esta parte destinada mais a despertar o interesse dos leitores do que expressar minhas opiniões pessoais.

É certo que ocorreram muitas manifestações favoráveis à atitude de Ann Coulter, mas das que li – umas cem – nenhuma apresentava argumentos válidos, nem alguma prova da homossexualidade de Edwards, só ataques aos liberais que “também são desrespeitosos e caluniadores” e até mesmo aos Conservadores que a criticaram. Um leitor chegou a agredir Cliff Kincaid com palavras de baixo calão e acrescentando que “Ann tem peito, tem mais testosterona que você!”. Andam distribuindo por lá um vídeo em que Edwards “confessa” ser faggot numa música: “I’m a woman”. Só que não tem imagem, só som de uma voz cantando, o que nada prova.

O apoio a Ann Coulter veio de pessoas cansadas das ofensas diárias que os liberais lançam contra os conservadores. O discurso de Ann funcionou como uma catarse coletiva, uma vingança, de resto sua principal função inclusive nos livros que publica. Por exemplo, Rachel Alexander, num breve artigo com o irônico título Estes bastiões do discurso ‘sem-ódio’, Howard Dean e John Edwards, denunciam Ann Coulter por discurso virulento, se refere aos vários ataques tipo “golpe baixo” dos liberais, dos quais só reproduzirei o mais virulento, ofensivo e repugnante.

Depois de chamar os conservadores cristãos de malucos “cristofascistas” que “querem mandar em nossas famílias, nossas camas e nossas calças”, dois blogueiros contratados por Edwards perguntam: “E se Maria tivesse ingerido o PlanB [[†]] depois do Senhor enche-la com o branco, quente e úmido Espírito Santo?”. Segundo ela Edwards só pediu para os dois saírem da equipe após dois dias de intensos protestos, até mesmo por parte de liberais Cristãos.

A questão que se coloca aos leitores: vale a pena os conservadores baixar ao mesmo nível ofensivo dos liberais? Não é uma característica do conservadorismo a civilidade e as boas maneiras? Não tenho certeza, mas tendo a concordar com as observações abaixo:

Cliff declarou que reza “para os comentários que recebeu não reflitam o futuro do movimento conservador, senão, não haverá nada a conservar, ao menos nos termos em que entendo o conservadorismo.”

Bobby Eberle diz que estamos assistindo à completa erosão da civilidade, o que não é apenas frustrante, mas também entristecedor. “As pessoas estão substituindo a crueza e a agressividade de reposta por “peito” e dando às celebridades um espaço para vomitar qualquer coisa que eles querem, independentemente de quem as esteja escutando.” Acrescenta que “é verdade que a mídia e a esquerda vivem nos atacando e que devemos lutar de volta. Correto, mas podemos responder duramente sem nos rebaixarmos a esta linguagem de baixo calão. Só porque os liberais não têm padrões de discursos isto não significa que devamos nos rebaixar a palavras que não queremos que nosso filhos escutem. Não há desculpas para isto e é totalmente contraproducente.” “O povo comum é muito mais efetivo quando luta por alguma coisa do que contra algo. Se eles apoiarem passionalmente um candidato trabalharão por ele com muito mais empenho do que simplesmente contra um oponente.”

Ainda resta uma pergunta: existe alguma razão para que um homossexual não possa ser Presidente? É preciso distinguir a luta contra os  movimentos gays que querem destruir a civilização ocidental e atacar os homossexuais como indivíduos. Antes que os leitores pensem que eu  tenho uma resposta escondida na manga, não tenho É uma dúvida real minha.

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NOTA DO AUTOR: o próximo artigo não mais terá o mesmo titulo principal embora versará sobre a oposição desencadeada entre os Conservadores pelo apoio de George W. Bush à formação da North American Union, abrindo mão da soberania dos Estados Unidos. O assunto, porém é muito mais amplo e será apresentado no contexto do Governo Mundial.

[] A palavra usada foi ‘faggot’ que pode ser traduzida por qualquer dos termos pejorativos da gíria usados para os homossexuais masculinos efeminados, com trejeitos, até mesmo pelos homossexuais não efeminados.

[†] Plan B® é uma pílula de levonorgestrel que, tomada até 72 horas após a relação sexual, impede a ovulação ou a fecundação ou a nidação do óvulo, fecundado ou não, no endométrio. http://www.go2planb.com/ForConsumers/Index.aspx. É abortiva quando age na nidação,  apesar de ser propagada como não, ver http://www.gopusa.com/theloft/?p=420 .

Os analistas políticos da mídia brasileira sempre apresentam os Estados Unidos da América como um bloco homogêneo. A grande maioria o faz por total e absoluta ignorância da extrema complexidade da política interna e seus reflexos na externa, e uma pequena minoria, o faz de pura má-fé.

Esperar que movimentos islâmicos instaurassem a democracia e a liberdade equivale a esperar que uma passeata de prostitutas restaure a moralidade.

Este texto pode ser doloroso para muitos que viveram aqueles tempos terríveis, mas, como já venho fazendo em outros artigos, tem a intenção de alertar os leitores para perigos atuais e muito próximos.

Após sérias discussões sobre as pretensões dos “aquecimentistas” internacionais, como Al Gore e outros e seus sacripantas nacionais, foi possível dissipar a cortina de fumaça que estava ocultando as engendradas maquinações envolvidas no processo, bem como suas conseqüências para o Brasil.

Como é possível que a maior parte da humanidade acredite piamente nestas bobagens ambientalistas e tomem a sério alimentos "orgânicos", energias renováveis e outras?

Está-se, portanto, diante de uma crise do modo mesmo pelo qual até hoje vivemos e representamos o mundo. Em tal contexto, as idéias de Gramsci parecem não encontrar um terreno propício ao seu desenvolvimento, a despeito do fato de ele ser considerado por muitos intelectuais como o "teórico da crise".

Quarta, 01 Junho 2011 08:10

O Cerco a Israel

Embora a dinastia Assad na Síria, os sauditas e Muammar Kadhafi tenham sempre usado uma retórica anti-israelense agressiva, se eles também caírem a ameaça de um cerco fatal a Israel ficará mais próxima.

Quarta, 25 Maio 2011 08:39

A Quarta Fronteira

No último encontro dos articulistas do Jornal Inconfidência, no Rio de Janeiro, assistimos a uma brilhante apresentação do Cel. Manuel Soriano Neto sobre Estratégias de Defesa das Fronteiras Brasileiras, abordando as fronteiras terrestre, marítima e aérea. Há poucos dias tivemos a oportunidade de assistir na TV Bandeirantes à entrevista do Gen. Augusto Heleno Pereira com especial ênfase na fronteira da Amazônia e as enormes dificuldades de patrulhar tão extenso território - são 11.000 km só de fronteira na selva com uma quantidade incontável de rios, riachos e igarapés - com o orçamento apertado das FFAA brasileiras.

Na minha intervenção naquela memorável reunião pus ênfase no fato de que, por mais que se possam defender eficientemente essas fronteiras físicas, há outra fronteira, invisível aos olhos de quem não estudou a matéria, mas que é tão ou mais importante: aquela que, na falta de um termo melhor, denomino genericamente fronteira ideológica. Não me refiro ao conceito hegeliano de ideologia, mas à infiltração muitas vezes subliminar, de idéias que minam não somente o conceito de nacionalidade, como também as crenças religiosas, os valores pátrios e as tradições nacionais, a moral e os costumes, a linguagem - enfim, tudo o que mantém nosso país uno e indivisível.

Não há espaço para abordar todas as fronteiras num único artigo. Limitar-me-ei, portanto, a uma delas, a mais palpitante na atualidade, deixando as demais para as próximas edições.

A FRONTEIRA LINGUÍSTICA

"Não tomem quartéis, tomem escolas e universidades, não ataquem blindados, ataquem idéias". Antonio Gramsci

Um dos fundamentos que nos une é a língua. Na Espanha, um país de várias etnias e identidades regionais que se preparava para conquistas além mar, Elio Antonio de Nebrija, professor da Universidade de Salamanca, redigiu a primeira gramática européia em língua vulgar em 1492 - a Grammatica castellana - e a dedicou a Isabel de Castilla, a Católica. Como esta não entendeu sua utilidade, Nebrija esclareceu: "Majestade, a língua é o instrumento do Império", se referindo ao idioma como sinal de identidade que facilitaria a unificação política da Espanha e de suas futuras conquistas naquele mesmo ano. Três anos depois redigiu o primeiro dicionário espanhol. Os primeiros sinais de que este país está em risco de desaparecer como unidade nacional foi a adoção do catalán como língua oficial da Catalunha e a retirada do Espanhol do currículo oficial. Mais modestamente o mesmo está ocorrendo na Galícia.

O Brasil, assim como Estados Unidos e Canadá, teve a felicidade de adotar uma única língua com gramática unificada, absorvendo a linguagem nativa. Os nomes de Estados Paraná, Dakota, Saskatchewan, são exemplares.

O que se pretende fazer oficialmente em nosso País com a nova "gramática" que elimina a norma culta e a substitui não somente por regionalismos como oficializa erros grosseiros de linguagem com base na eliminação de "preconceitos"? O que é a Gramática senão uma série imensa de pré-conceitos para a fala e a escrita - a regência, a conjugação, a concordância? Entre as funções da palavra talvez a mais importante seja a definição de algum conceito. E o que é a unidade da língua senão o fato de todos os que a falam entenderem este conceito com clareza?

A obra de Rondon e dos primeiros indigenistas, civilizando os índios e ensinando-os o português, tornando-os, portanto, brasileiros, foi da maior importância para a unificação da Pátria. Hoje, como atesta o General Heleno, os índios integrados às FFAA têm uma função importantíssima, pois conhecem a selva amazônica como ninguém.

Não é coincidência que simultaneamente com os ataques às fronteiras físicas por partes de ONGs estrangeiras que se valem do entreguismo de brasileiros 'defensores do meio ambiente', o Ministério da Educação una-se ao do Meio Ambiente, ao da Justiça para, numa ação integrada, cumprir a missão de imbecilizar nossas crianças e adolescentes, os futuros professores, através da destruição da nossa língua.

É um plano integrado seguindo as orientações de Gramsci [i]. Estão transformando a Gramática numa "gramscimática", a Novilíngua do esquema de poder - ou pudê - revolucionário. Não é burrice nem inocência: é pura má-fé revolucionária.

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Nota:

[i] Abordarei num próximo artigo as noções de Gramsci sobre a linguagem hegemônica. Ver Gramsci e o Estado, Christine Buci-Glucksman, Ed. Paz e Terra, 1980. Para as contribuições da Escola de Frankfurt ao tema: O Marxismo Ocidental, José Guilherme Merquior, Nova Fronteira, 1986. 

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