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Dartagnan Zanela

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

Domingo, 09 Abril 2006 21:00

Da Dignidade Humana

"Que cada um respeite o próximo, sem exceção, como "outro eu", levando em consideração antes de tudo a sua vida e os meios necessários para mantê-la dignamente".Nossa sociedade, nestes dias hodiernos, vive dificuldades econômicas, políticas e sociais gritantes beirando muitas vezes as raias do desespero. Isso, não é segredo para ninguém. E, diante dessa realidade, mais do que nunca vemos a dignidade humana sendo colocada em cheque, sendo vilipendiada, usurpada, negada a inúmeros de nossos semelhantes e, muitas vezes, nós mesmo acabamos por fazer isso, das formas mais estúpidas possíveis, não é mesmo? Por isso, tendo a frente de nós a Doutrina Sagrada Judaico-Cristã, cremos ser fundamental que reflitamos sobre a dignidade que é inerente a toda e qualquer criatura humana e que, por miopia existencial, acaba sendo negada por nós a muitos seres humanos tão humanos quanto nós.

Poderíamos iniciar através das veredas apontadas pelas seguintes questões: O que seria a dignidade e como ela se manifesta na criatura que foi criada a imagem e semelhança de Deus? Como a Sagrada Escritura tratam esse assunto? O que Cristo Jesus diria e como ele agiria diante das inúmeras violações realizadas contra a dignidade de pessoas inocentes?

Alias, o que seria a dignidade? Em si, seria um imperativo categórico que em hipótese alguma pode ser relativizado, por que tal valor seria intrínseco ao indivíduo. Ou, segundo a formula kantiana, todos nós deveríamos agir de tal forma que tratássemos a humanidade, tanto na nossa pessoa como na pessoa de qualquer pessoa humana, sempre como um fim em si mesmo e não como um meio para se chegar até algo.

Pois bem, mas qual seria o imperativo categórico do Cristianismo? Qual seria o valor que estaria inerente à pessoa humana segundo ao Doutrina Sagrada revelada nas Sagradas Escrituras?

Podemos ler no Livro do Gênese (I: 26-27) as seguintes palavras: Deus disse: “Façamos o homem a nossa imagem, como nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”. Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou”. Deste modo, toda vida humana seria, em si, Sagrada, justamente pelo fato de ser a própria imagem e semelhança Daquele que É. E não apenas isso. Quando abrimos a Bíblia, mais especificamente no Evangelho de São Mateus (XXV, 45), lemos que: “Todas as vezes que o deixastes de fazer a um desses pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer”.

Muito bem, e se estamos bem lembrados de nossas lições dominicais, sabemos claramente que não apenas é um imperativo categórico o fato de sermos a imagem e semelhança de Deus, pois, além disso, Aquele que É, fez-se carne e sangue para viver junto de nós e como nós para assim redimir as nossas faltas e, deste modo, reforçar o valor, a importância de nossa existência. E, para tal imperativo, o Rei dos reis solicita apenas que procuremos tratar o nosso semelhante como tratamos a nós mesmos e, nada mais. Não foi essa a mensagem deixada? Todavia, tal pedido não é algo compulsório, mas sim, como afirmamos, é apenas um pedido, um convite para uma longa e dura jornada que é a batalha contra as nossas mais adjetas paixões. Paixões essas que nos apegamos a ponto de macularmos o reflexo Divino que envolve a criatura humana tornando-nos cegos para a Sacra dignidade que se faz luzir nos olhos de qualquer pessoa.

Sobre esse aspecto, o da liberdade, o Concílio Vaticano II, nos trás mais alguns esclarecimentos. Segundo esse texto: “O homem não pode voltar-se para bem a não ser livremente. Os nossos contemporâneos exaltam e defendem com ardor a liberdade. E de fato com razão. Contudo eles a fomentam, muitas vezes de maneira viciada, como uma licença de fazer tudo o que agrada, mesmo o mal. A verdadeira liberdade, porém é sinal eminente da imagem de Deus no homem. Pois Deus quis ‘deixar o homem o poder de decidir’, para que assim procure espontaneamente o seu Criador”.

Tal prerrogativa se faz presente e inerente a Doutrina Sagrada, pelo simples fato de que a Salvação e preservação da Divina dignidade humana não ocorrerão exteriormente, mas sim, quanto tal pulsão para o Bem eclodir do âmago de nossa alma. E, de mais a mais, o “bem” feito de maneira compulsória apenas gera novos males, piores do que os existentes. Para averiguar isso, basta que reflitamos sobre a boa intenção dos comunistas e seus nefastos frutos de suas trágicas obras.

E, por essa razão, o texto do Concílio Vaticano II é claro quanto afirma que: “A dignidade do homem exige que se possa agir de acordo com uma opção consciente e livre, isto é, movido e levado por convicção pessoal e não por força de um impulso cego ou debaixo de uma mera coação. O homem consegue a sua dignidade quando, liberado de todo o cativeiro das paixões, caminha para o seu fim pela livre escolha do bem e procura eficazmente os meios aptos com diligente aplicação”.

Sem mais delongas, nos perguntamos sobre o exposto: se é apenas através das veredas da liberdade que podemos nos encontrar com o Sapientíssimo, por que insistimos tanto em uma postura coativa para podermos supostamente propagar a Verdade revelada que afirmamos viver e seguir? Se, é apenas através da liberdade que podemos ter o respeito e a preservação da dignidade humana, por que vemos muitas vezes, como sendo algo de bom grato, uma atitude autoritária para se impor uma determinada ordem? Alias, se somos tão bons e pios, por que fazemos na maioria das vezes o uso de subterfúgios despóticos para podermos fazer valerem os nossos interesses e supostas opiniões?

Ora, meu caro, “O respeito pela pessoa humana passa pelo respeito deste princípio: ‘Que cada um respeite o próximo, sem exceção, como ‘outro eu’, levando em consideração antes de tudo a sua vida e os meios necessários para mantê-la dignamente’. Nenhuma lei seria capaz, só por si, de fazer desaparecer os temores, os preconceitos, as atitudes de orgulho e o egoísmo que constituem obstáculo para o estabelecimento de sociedades verdadeiramente fraternais”. Pelo menos é o que está escrito no Catecismo da Igreja Católica Apostólica Romana (p. 446). Agora, se essas palavras estão escritas em nossos corações marcando profundamente nossas atitudes com seus ensinamentos como se fosse uma chama viva e salutar, isso é uma outra história, uma prosa profundamente sincera que cabe a cada um de nós ter consigo mesmo. Não com esse hipócrita que vos escreve.
Quinta, 23 Fevereiro 2006 21:00

Da Hipocrisia da Santidade

Em meio a colossal degenerescência moral que vem assolando a cena pública de nosso país, ainda há aqueles que se dão ao trabalho de atirar mais algumas pedras no infeliz transeunte que mal e mal sabe o seu nome.

Coitado do “Zé povinho”. Em meio a colossal degenerescência moral que vem assolando a cena pública de nosso país, ainda há aqueles que se dão ao trabalho de atirar mais algumas pedras no infeliz transeunte que mal e mal sabe o seu nome como, se este fosse, o único comerciante de votos em atividade em nossa nação.

Já é conhecido de todos nós as inúmeras histórias absurdas, algumas que chegam a beirar o universo surreal da demência demasiadamente humana, que preenchiam e, de certo modo, ainda preenche o cenário político nacional como: a troca de um voto por uma dentadura, por um par de sapatos, por uma cesta básica, por um cobertor, por um casaco, por alguns trocados, etc. São indivíduos que pelo fato de estarem vivendo a margem das condições básicas para o exercício da cidadania que, por esse mesmo motivo, apresentam-se incapacitados de reconhecer na sua participação em um pleito eleitoral a devida importância, imperial, diga-se de passagem, que seu voto tem para uma positiva transmutação da ordem social e política. Não encontram nele, no voto, o significado áureo deste gesto, por isso, trocam-no por qualquer bem que esses estejam necessitando, de modo similar aos silvícolas ameríndios do início da dominação lusitana que, por não valorarem a madeira do pau-brasil, a trocavam por qualquer bugiganga que os portugueses lhes ofertassem acreditando que, estariam ainda a fazer um bom negócio. Essas pessoas que realizam esse tipo de ato, não o fazem por pura maldade e muito menos por estupidez congênita ou simplesmente por serem alienadas, como muitos preferem chamar. O fazem porque a sociedade lhes arrombou a dignidade desde o berço. O fazem porque eles mesmos se vêem excluídos do processo político e, quando lhes chega um senhor ou senhora de boa lábia (mas péssima índole) lhes falar e lhes ofertar benesses materiais, esses, acabam aceitando de bom grado, visto o fato de praticamente nunca serem agraciados pela vida na selva de pedra.

De mais a mais, mesmo compactuando com esse tipo de prática, os desvalidos da sociedade não participam deste troca-troca eleitoreiro de maneira passiva e apática. Jogam o jogo de acordo com as regras dadas e, deste modo, procuram tirar alguma vantagem da pérfida situação, devido o fato de não haver nota fiscal e muito menos recibo desta prática comercial escusa além da coação moral dos meliantes candidatos a augustos representantes do “povo”. Apenas a título de ilustração, fazemos saber que, em certa vez, em uma entrevista que estávamos desenvolvendo com alguns trabalhadores rurais, acabamos por tropicar no assunto política e eleições. Um deles de maneira espontânea e bem humorada disse-nos: “Olha moço, eu vou te dizer uma coisa. Eu não só vendi o meu voto pra toda essa corja, como “trabalhei” pra quase todos eles. Pelo menos foi o que eu disse pra eles.

Olha, naqueles dias de campanha eu ia direto pro alagado e sempre estava com o tanque do meu carro vomitando de tanta gasolina que eles me davam. Só que eu não votei pra nenhum destes caiporas e nem devia, não é mesmo”? Podemos dizer que neste caso como em muitos outros similares que se encenam em todo o território nacional, o adágio popular cabe como uma luva quando afirma que ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão. Como também, cai como uma luva as lições do sociólogo Michel de Certeau, quando esse afirma que todo ato de consumo, como todo ato humano, não é um ato passivo, mas sim, criativo. Por mais que a sociedade acabe criando mecanismos de controle, padrões estéticos e de comportamento, as pessoas não os assimilam de maneira passiva, dizendo amém ao que lhes é imposto e deixando-se sujeitar por inteiro as inúmeras formas de dominação. As pessoas as assimilam, porém à sua maneira e, de certo modo, dão o seu pitáco nas regras. Elas se apropriam ou se reapropriam dos bens, regras, produtos e de tudo o mais que lhes é imposto e as utilizam ao seu modo e mesmo que de modo microscópico, procurando sempre obter uma posição vantajosa em relação ao seu opressor, fazendo o jogo do dominador para assim diminuir a sua dominação. Trocando em moela: sociologicamente essa postura adotada pelos populares é explicável e moralmente compreensível, o que não significa que seja aceitável.

Por isso mesmo, o que nos impressiona não é a atitude destes desvalidados pela nossa realidade soturna. O que desgasta minhas entranhas com uma cólera abissal é vermos pessoas de classe média, pessoas que tem acesso a condições básicas para o exercício da cidadania, que dispõem de um grau de instrução relativamente bom e que, mesmo assim, trocam os seus votos por vantagens que eles, por serem caras de pau ou por sem-vergonhice pura afirmam de pés juntinhos que não é venda de voto não!

Alias, são eles os primeiros a encherem a boca para afirmar que a culpa de termos políticos corruptos é do tal do “povo” que vende os seu voto por ninharias. Talvez estejam afirmando que o “povo” deveria fazer como eles: vender os seus votos por algo mais aquilatado como um bom emprego ou cargo para si ou para algum familiar seu, ou uma facilidade no ganho de uma licitação, etc. Mas nunca miudeza. Isso é coisa de pobre. Por fim, senhores bem instruídos que vivem jogando a sua dignidade e de seus descendentes na lata de lixo populista, não estou aqui para dizer-lhes que vocês estão errados, que vocês devem parar com a prática do tráfico de influência mesquinho que dá sustentação a seu parasitismo passivo. Não mesmo. Mas lhes digo, com direito a dedada na cara: parem, pelo amor de Deus, de simularem santidade perante os outros para acobertar a sua hipocrisia covarde que acoberta a sua cumplicidade passiva com os criminosos que de tempos em tempos se entrincheiram nas entras da maquinaria Estatal com esse falso moralismo ridículo que vocês adoram encenar.

Se quiser continuar a comercializar sua dignidade, o problema maior será daqueles que ainda não nasceram, não é mesmo? Mas, pelo menos, tenha a mesma vergonha na cara que o dito “Zé povinho” que vocês dizem ser o grande mal deste país e que, por incrível que possa lhes parecer, tem muito mais sangue nas veias do que baratas tontas como eu e você poderão, um dia, ser capazes de imaginar.

Segunda, 28 Novembro 2005 21:00

E Agora José?

O que faz algo ou alguém ser realmente transparente? As palavras de ocasião, ou a postura constante de retidão?Depois de algum tempo fora de circulação, o zine E agora José? volta a estampar pelas ruas de Reserva do Iguaçu um olhar crítico sobre a realidade e, principalmente, sobre a condição humana.

E aqui, continuamos a nossa luta soturna contra as “almas sebosas” que tornam a nossa sociedade uma grande maré de lama moral e lodo espiritual. A luta não é fácil, mas apenas assim podemos afirmar que estamos a travar a Boa Luta.

Reflexões nada oportunas...para alguns...

Segundo o artigo 5º da Constituição Brasileira, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza...”. E como todos nós sabemos que a Carta Constitucional de 1988 é válida em todo o território nacional, menos no Estado do Paraná.
 
Exemplo do que afirmamos são as eleições para diretores que ocorreram em todo o Estado onde todos os membros das comunidades inúmeras escolares (pais e alunos) são iguais, porém, os professores e funcionários são, no Paraná, mais iguais que os outros.
 
Isso mesmo. Parece brincadeira, mas a voz da comunidade praticamente fica invalidada pela voz de meia dúzia de professores e funcionários pelo simples fato do voto destes ter um peso superior em relação ao dos demais cidadãos dentro do processo eletivo para diretores.
 
Tentou-se calar a voz de Cidadãos insatisfeitos com o estado que se encontra a educação. Vozes caladas pelo despotismo de algumas regras ditas democráticas que regem a nossa sociedade o que, de modo algum, fere a nossa altivez ou invalida a boa luta travada por todos nós em nosso dia a dia em nome da melhoria da educação.
Mas não fiquemos macambúzios nem aborrecidos com este fato, pois nós com nossa união conseguimos demonstrar a nossa insatisfação e, acima de tudo, nossa força e dignidade.

Assim ou assado?
 
O que é ser uma pessoa crítica? Primeiramente, é ser uma pessoa com um ponto de vista que causa incomodo na vida dos acomodados. Se você é daqueles que demonstram através de seus gestos e palavras a hipocrisia dos conformados, parabéns! Você é uma pessoa crítica, por isso, incômoda.
 
Muitos se dizem pessoas críticas, apesar de viverem conforme a música dos marajás de insistem em controlar a vida das pessoas. De mais a mais, da boca pra fora, muitas pessoas se dizem muitas coisas, mas por dentro tem suas almas dilaceradas pela sua delirante iniqüidade, não sabendo mais qual de suas duas caras é a sua verdadeira face.
Entretanto, os críticos de alma e palavra não são difíceis de serem reconhecidos, pois estes, são pessoas por inteiro, sem meias palavras, que olham a vida a partir da realidade dos fatos, não a partir do medo insuflado pelos covardes que nos juram generosa amizade e pelas costas nos apunhalam dia à dia.
Assim é o cidadão crítico. O resto é apenas isso: resto de si mesmo.
 
O que é o E AGORA JOSÉ?

O E agora José? é um fanzine independente onde um reris cidadão ousa falar o que pensa sobre o mundo que vê. A sua distribuição é gratuita. As idéias não. O preço é a sua reflexão. Mas, se isso não for possível, o seu incomodo diante dos injustos fatos, para nós, já está de bom tamanho.

A pergunta que não quer calar mesmo calada...

O que faz algo ou alguém ser realmente transparente? As palavras de ocasião, ou a postura constante de retidão?
Segunda, 14 Novembro 2005 21:00

Acredite Se Quiser

É compreensível que muitas vezes desconheçamos o significado de uma e outra palavra do vernáculo de nossa língua materna, todavia, essa que está em questão, é uma palavra extremamente cotidiana e, o seu significado lhe era desconhecido.
Há certos momentos em que um educador pira na batatinha, bate com a caixa craniana na parede pra ver se os neurônios realmente estão processando de maneira clara as informações que são captadas pelos nossos sentidos e assim ter certeza de que o que ele está constatando não é um mero devaneio e sim um dado concreto da realidade sensível captada.

Recentemente vivi um desses momentos que, diga-se de passagem, foi deveras desesperador. Estou até agora com a sua imagem em minha mente e não consegui ainda processar o que eu presenciei. Ou melhor, não estou querendo acreditar no que eu vi e ouvi, tamanho foi meu estado de perplexidade, o qual compartilho aqui com vocês através destas linhas mal fadadas.

Estava eu em uma biblioteca a ler pacientemente um livro quanto, de repente, uma moça interpela-me para perguntar-me o que significava a palavra “unificação”. Isso mesmo amigo leitor, a moça, que cursa um curso superior qualquer, em uma Faculdade como tantas outras, não sabia o que significava a palavra “unificação”.

É compreensível que muitas vezes desconheçamos o significado de uma e outra palavra do vernáculo de nossa língua materna, todavia, essa que está em questão, é uma palavra extremamente cotidiana e, o seu significado lhe era desconhecido.

Se a moça fosse uma aluna do Ensino Fundamental, o caso era aceitável. Se estivesse a cursar o Ensino Médio, tornar-se-ía preocupante. Entretanto, em um Curso Superior, o caso chega a se tornar digno daquele programa que era exibido na antiga Rede Manchete de Televisão: “Acredite, se quiser”!

Mas, em fim, o que nos preocupa é que provavelmente este não é um caso isolado e que, em um futuro próximo, teremos pessoas deste quilate diplomadas pelas Faculdades brasileiras e que, arrogarão para si, a imagem de doutos por serem possuidores de um canudo de papel que lhes valida a sua uma douta nesciedade.

Alias, este fenômeno já está dando os seus primeiros frutos podres na quitanda do saber. O primeiro nos vem da "Disneylândia sem graça", Brasília, que nos oferta mais de uma palhaçada por dia, onde um bando de patetas, ditos intelectuais renomados, que entregaram na Câmara dos Deputados um manifesto em favor de José Dirceu, alegando que o processo é "uma afronta às regras democráticas cuja conquista custou tanta luta e sacrifício". O que nós podemos pensar a respeito de uma cena como esta? Como respeitar intelectuais que, até pouco tempo posavam de baluartes da éti[ti]ca e agora, passam a mão na cabeça do senhor José Dirceu só porque ele é petista e pupilo de Fidel Castro e, por isso, pode cometer qualquer leviandade e sair ileso?

Todavia, a loucura não apenas está endereçada em terras distantes de nossas paragens no terceiro planalto paranaense. Ela mora bem em nosso âmago. Nesta semana, foi realizado pela UNICENTRO o segundo Psiu Training, onde convidaram nada mais, nada menos que INRI Cristo, o lunático que diz ser o próprio Cristo Jesus que teria retornado para a redenção de nossas faltas.

Aí, fico aqui a me indagar com minha ignorância abotoada e de pijamas: será que o universo intelectual paranaense não dispunha de nenhuma estrela mais interessante para integrar um debate em uma Instituição de Ensino Superior mantida com verbas públicas? Será que as Universidades Paranaenses estão tão folgadas em seus orçamentos a ponto de se darem ao luxo de "investir" em um espetáculo grotesco como este? Será que não ocorreu a ninguém nesta egrégia casa do saber que isso seria, no mínimo, uma falta de respeito para com os cidadãos desta nação que, através de seus tributos, ajudam a manter Instituições como ela?

Houve um tempo, nos primórdios da criação das primeiras Universidades, as UNIVERSITAS MAGISTRORUM EST SCHOLIARUM, inspiradas nas Escolas Neoplatônicas, em que os seus membros procuravam congregar as mais elevadas mentes pensantes de seu tempo, pois, a função prima que lhes fora atribuída era a preservação do patrimônio cultural da humanidade e sua ampliação através de zelosos e cautelosos estudos. E, o que vemos nos dias hodiernos e "odientos"? Minha Santa Tereza de Ávila, o que podemos dizer deste cenário que está se armando em nossa sociedade?

Tenho receio até mesmo de pensar sobre o assunto. Por isso, fico com as palavras de Sto. Tomás de Aquino que em sua Suma Teológica nos dizia que, "Há de se notar que um indivíduo, vivendo em sociedade, constitui de certo modo uma parte ou um membro desta sociedade. Por isso, aquele que faz algo para o bem ou para o mal de um de seus membros atinge, com isso, a toda a sociedade".

E, sendo assim, creio que todos aqueles que integram uma Instituição de Ensino Superior, incluso eu, seja na posição de docente ou discente, devem passar a refletir sobre a forma que estamos a influir a sociedade. Devemos meditar sobre os reflexos dolosos de nossa ação no corpo societal que, a olhos vistos, já se fazem bem presentes e nós, cinicamente, agimos como se isso não tivesse nada haver com o nosso modo de ser. Por isso, reflitamos!

Ah! Mas é Claro! Isso se não nos acharmos imaculados seres que supostamente estejam acima do bem e do mal, não é mesmo?
Segunda, 17 Outubro 2005 21:00

Os Calos do Caráter

Pelo simples fato que não é a miséria a causa da violência, mas sim, uma das inúmeras circunstâncias em que ela pode vir a si manifestar.Em um depoimento dado por Victor Frank, grande psiquiatra e pai do que ele denominava psiquiatria das alturas, em oposição à psiquiatria profunda freudiana, disse-nos que em uma visita a um presídio, onde proferiu uma palestra e ele, ao invés de bajular os detentos dizendo-lhes que eles cometeram tais e quais crimes porque tiveram um trauma na infância, ou porque o sistema os excluiu, ou devido as suas circunstâncias sócio-econômicas, disse-lhes unicamente que eles eram plenamente culpados por tudo que eles fizeram, que como ele, todos que ali estavam tiveram a oportunidade de escolher, de optar pelo caminho que desejassem trilhar e eles, escolheram a senda da criminalidade e por isso deveriam pagar pelos seus atos frente a sociedade.

Tal assertiva, nos dias de hoje, soa nos ouvidos de muitos com se fosse uma violação aos direitos humanos. Como se pode afirmar isso?, diriam alguns. Que um indivíduo, vítima da sociedade, do sistema, pode ser responsabilizado um crime, sendo que quem primeiro fora agredido foi ele, por ter sido excluído? Ora, pode se afirmar isso sim, bastando que acabemos com a confusão que há entre o que seja a causa e o que seja a circunstância em que um ato doloso é cometido.

Afirmamos isso, pois, é lugar comum também entre nós, ouvir-se a afirmativa de que a causa prima da violência é a miséria. Aí eu pergunto: se esta é a causa prima desta chaga, por que então há cada vez mais um número crescente de delinqüentes em meio a famílias abastadas? Ou então, por que em meio a tanta pobreza que impera em uma favela, podemos encontrar tanta dignidade nas faces da maioria de seus habitantes, ao invés de um olhar criminoso em potencial? Se a violência nasce deste fato, como pode, existir na história da humanidade tantos casos de Santidade entre pessoas que optaram viver como mendigos e fundando Ordens Sacras?

Pelo simples fato que não é a miséria a causa da violência, mas sim, uma das inúmeras circunstâncias em que ela pode vir a si manifestar. E nesta tentativa populista das classes falantes de “agradar” os mais humildes em suas falas proferidas quase que sempre, a pessoas de classe mediana, acabam sim, por insulta-los de maneira injusta e imperdoável.

Como assim? Ora, se a carência material é a causa da violência, a pessoa humilde, poderá ser apenas duas coisas em sua vida: ou um bandido por predestinação, ou um otário por optar em ser digno e preferir ganhar a sua vida com o suor que escorre de seu rosto. Mas, como eu não engrosso esta fileira que vive a repedir esta verborréia, afirmo que, não é a pobreza material a causa da violência, mas sim, a pobreza espiritual. É violenta a pessoa que não tem uma constituição sólida de valores, é violenta a pessoa que pensa que o mundo foi feito para ela e para satisfazer todas as suas sandices.

Com toda certeza, não sofriam da primeira os assassinos do índio Galdino, mas e quanto a segunda? E um Fernadinho Beira-mar, até que ponto a circunstância em que ele nasceu justifica a sua brutalidade, visto que, já há muito ele não mais sofre de carências materiais? Até quanto criminosos serão tratados como adolescentes?

Provavelmente até, a sociedade brasileira chegar a Idade da Razão. E que ela chegue, mesmo que tardiamente.
Quarta, 05 Outubro 2005 21:00

Metendo o Pé na Jaca do Desarmamento

Você, amigo leitor, não é uma pessoa tola, obviamente, e deve já ter pelo menos levantado a uma reris questão que seja sobre os motivos de termos tanto apoio da mídia frente a este tema, não é mesmo?O referendo sobre a proibição da venda de armas de fogo e munições está aí, a invadir nossos lares. Entretanto, a propaganda descarada pelo desarmamento da sociedade vem ocorrendo sistematicamente a longos anos com o apoio dos grandes conglomerados de mídia como a Globo, SBT, et caterva, juntamente com o financiamento de ONG’s internacionais milionárias e instituições como a Fundação Ford e metacapitalistas como o senhor George Soros, maior financiador do Partido Democrata dos USA. Ah! Tudo isso com o endosso da ONU, é claro.

Você, amigo leitor, não é uma pessoa tola, obviamente, e deve já ter pelo menos levantado a uma reris questão que seja sobre os motivos de termos tanto apoio da mídia frente a este tema, não é mesmo? E mais: o leitor como bom observador que é deve ter percebido que será pela primeira vez no correr deste mês que teremos um espaço para a apresentação do ponto de vista dos cidadãos que vêem com muita desconfiança a suposta “benevolência” da proposta que está em pauta, não é mesmo? E, alias, com propagandas bastante modestas em comparação com o show publicitário dos que apóiam a dita regulamentação.

Dito isso, vamos a alguns pontos que, ao nosso ver, devem ser abordados para que possamos refletir um pouco sobre o assunto. Você sabia que as sociedades democráticas, como nós a conhecemos hoje, surgiram justamente no momento em que as armas de fácil manejo e de baixo custo passaram a ser fabricadas? Antes, quando estas tinham um alto custo de produção e eram de difícil manuseio acabaram sendo criadas castas que monopolizava o seu uso gerando os Estados absolutistas e autoritários de todo gênero. Para conferir basta estudar um pouquinho de história que você irá averiguar este fato capcioso.

Doravante, no correr do século XX, quanto estas já existiam, para se criar regimes em que os cidadãos tornaram-se meros instrumentos do Estado, foi-se proibido que o homem comum pudesse portar uma arma e assim poder ser colocado abaixo dos flancos de ditaduras totalitárias. Assim procedeu-se no correr do século XX na Alemanha nazista, na ex-URSS, na Bulgária, na Romênia, etc., e ainda hoje, no século XXI, na China “Popular”, na Coréia do Norte, em Cuba (amada dos Petistas) e tutti quanti.

O amigo leitor pode estar neste momento imaginando que estes são simplórios devaneios, de um lunático ensandecido e perguntando-se o que isso tudo tem haver com um assunto tão imediato como o referendo com hipóteses tão “imaginárias”, não é mesmo? Ora, deite seus olhos sob a nossa história recente, sob nossa história republicana e você verá quatro golpes de Estado, dez revoltas e tentativas de golpe de Estado e dois regimes ditatoriais por baixo e, por mais que nossas instituições democráticas estejam consolidadas, ainda são como a um castelo de cartas. Ora, se hoje temos um Presidente que afirma que na Venezuela governada por Hugo Chávez há um “excesso de democracia”, quem nos dirá que em um futuro breve não venhamos a ter um “excesso de democracia” similar aqui?

Outro ponto que, creio eu, deve chamar a atenção do leitor são algumas das experiências recentes com desarmamento da população civil realizada em outros países que, ao invés de reduzir o número de crimes, apenas os fez aumentar na mesma proporção em que se fez diminuir o número de armas de fogo legalmente adquiridas. Parece absurdo, mas não é. Foi o caso da Austrália. E a explicação é simples e ao mesmo tempo irônica: o fato de as pessoas honestas estarem entregando as suas armas para as autoridades competentes (e lá, são de fato), transmitiu uma certa tranqüilidade para os delinqüentes que passaram a agir com maior “segurança” em seus delitos pois sabiam que a maioria das pessoas de bem haviam entregue os seus artefatos bélicos.

Imaginem se isso ocorre aqui onde as autoridades não tem o mesmo aparato que as autoridades Australianas? Imaginem o que ocorreria aqui, onde as autoridades não são capazes de impedir que marginais comandem os seus “negócios” de dentro das carceragens que deveriam isola-los de seus pares do mundo exterior? Bem, neste caso a sociedade padeceria e a marginalidade agradeceria, não é mesmo?

E não paremos por aqui que a novela é longa. Retomemos os longos anos do tema sendo abordado pelas mídias, em especial pela rede Globo de televisão, inclusive em suas cansativas, melosas e enfadonhas telenovelas. Isso sem falar nos inúmeros bonitinhas das telinhas e palcos de nosso Brasil que também se manifestam em prol da proibição. Você não vê nada de errado nisso? Se a intenção é tão benevolente por quê de tantos paetês, de tanta maquiagem para defender uma idéia?

Por fim, por mais convencido que você esteja de sua opinião edificada a partir das imagens das telenovelas e das informações supostamente imparciais dadas pelos longos anos de propaganda em prol do desarmamento e da proibição da venda de armas de fogo legalmente, dê o benefício da dúvida e reflita sobre estas questões que estão em voga apesar de não estarem sendo colocadas em pauta, pois, se tapar o sol com uma peneira pouco resolve um problema, imaginem acabar com a violência tapando-a com uma bandeira com duas mãos unidas em forma de cisne e cantarolando “eu sou da paz”. Ou você é daqueles que acredita que o crime organizado terá os seus corações sensibilizados com os seus slogans decoradinhos?

Basta que pensemos com a necessária seriedade e com a devida sinceridade para procurarmos uma resposta que, não será dada pela Maria Paula do Caceta & Planeta e muito menos pelo Fasto Silva, mas sim, pela sua consciência. Ou isso lhe basta, essas imagens bonitinhas para tomar uma decisão desta magnitude?
Terça, 27 Setembro 2005 21:00

A Cultura Que o Povo Quer

Enfim, graças ao Bom Deus o povo brasileiro tem muito mais a mostrar e deseja aprender muito mais do que demagogas como Regina Casé desejam mostrar que eles sejam.Fico muito feliz nas muitas vezes que converso com pessoas que não passaram longos anos por uma dita “educação formal”, principalmente quando essas me falam de suas preferências quanto a programas televisivos.

Todos, sem exceção, afirmam de maneira enfática que eles procuram ver televisão não para se “entreter” ou para assistir programas vazios de conteúdos. O que eles gostam mesmo são de programas educativos, informativos, sem lengalenga. Dentre estes programas eles destacam os documentários da TV Escola, TVE Brasil e TV Cultura, juntamente com programas como Globo ecologia, Globo Rural, etc.

Enfim, as pessoas que são classificadas pelos demagogos como “povão”, gosta mesmo de informação e de uma programação de qualidade e estão pouco interessadas nos produtos tóxicos enlatados pela industria cultural de maneira direta ou indireta.

Tal percepção que construímos da realidade cultural do Brasil dos desterrados nos permite afirmar que o novo quadro apresentado pela senhora Regina Casé no Fantástico não passa de mais uma visão grotesca do que seja a cultura popular em nosso país e o que vem a ser o foco de interesse de nossos co-cidadãos.

Grosserias a parte, o que falar de uma empresa que, ao mesmo tempo, afirma ser a educação o caminho para a “salvação nacional”, faz um culto hedonista a imagens vazias e a desejos superficiais consumistas como se estes fossem exemplos de bem-aventurança.

Enfim, graças ao Bom Deus o povo brasileiro tem muito mais a mostrar e deseja aprender muito mais do que demagogas como Regina Casé desejam mostrar que eles sejam. O povo brasileiro deseja se tornar melhor com as suas experiências sócio-culturais e não apenas ficar dando voltas em círculos em espetáculos do ridículo pós-modernista. Basta voltar o seu olhar para além da janela de ilusões televisivas para confirmar esse belo fato que tanto se quer ocultar afirmando que popular vem a ser sinônimo de ser chulo.
Domingo, 11 Setembro 2005 21:00

Notícias do Companheiro Hugo Chávez

Bem, segundo a agência Prensa Latina, o presidente venezuelano Hugo Chávez, falando no seu habitual programa de rádio "Alô Presidente", afirmou que a Venezuela iniciou a sua transição para o socialismo.

Quinta, 01 Setembro 2005 21:00

A Canalhice dos Intelectuais

Houve um tempo em que o vocábulo intelectual identificava aquelas pessoas que se dedicasse às coisas relativas ao intelecto, à compreender do mundo e acima de tudo, compreender a si enquanto indivíduo.

Quinta, 25 Agosto 2005 21:00

Brasil, Um País de Tolos

O que realmente falta é uma oposição séria e comprometida com a sociedade. Bem, mas isso já é pedir demais neste país, não é mesmo?

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