Ter03312020

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

Dartagnan Zanela

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

Terça, 16 Janeiro 2007 21:00

Toscas Reflexões

Nossa mídia, anti-americana até a medula, mostra o tempo todo imagens das ruínas de Bagdá, mas, até o momento, não mostrou a lista das armas químicas encontradas no Iraque. Por que será?

A vida em sociedade, com suas regras não escritas, é algo que fascina este missivista já há algum tempo. No final das contas, o que nós chamamos de comunidade humana nada mais é que um emaranhado de relações subjetivamente tecidas com vistas a abarcar relações e situações objetivamente percebidas. Dentre estas inúmeras relações humanas, uma que aqui no bojo destas linhas gostaríamos de destacar seria a da moralidade, enquanto uma instituição social edificada no interstício destas relações.

O filósofo alemão Athur Schopenhauer, se indagava com grande freqüência sobre este tema. Perguntava ele: “Como é possível que o sofrimento que nem é meu e nem me interessa me afete de imediato como se fosse meu e com a força tal a ponto de impelir-me à ação?” A essa atitude fundamentalmente humana, o referido filósofo atribuía a alcunha de “consciência metafísica”, ou seja, em situações extremas, em momentos de sofrimento intenso de uma pessoa conhecida ou desconhecida e, muitas vezes socialmente insignificante para o nosso grupo social, nós nos vemos, nos reconhecemos nesta imagem e nos percebemos como tendo uma unidade intrínseca com esse indivíduo que, se não estivesse naquela dada situação, nada significaria para nós.

Esta profunda empatia para com a dor daquele que até então não existia socialmente para nós, faz-nos ter a sensação de que não somos apenas uma pequena ilha existencial perdida no meio do oceano da vida, mas sim, que, de certo modo, nós somos parte de um grande continente chamado humanidade.

Todavia, no cenário hodierno, cremos ser extremamente relevante refletirmos sobre os uso dolosos que são feitos desta característica humana, em especial, quanto são utilizadas imagens deste gênero para ilustrar debates que deveriam ter um mínimo grau de racionalidade e uma boa dose de razoabilidade.

Exemplo disso é o modo como as notícias de um modo geral são apresentadas nos veículos de comunicação e, de um modo particular, as notícias que se referem a determinados fatos extremados como a ocupação Estadunidense do Iraque, onde imagens de situações extremas são utilizadas para desfocar os assuntos em questão e, deste modo, desvirtuando qualquer tentativa de reflexão séria.

Um primeiro ponto que destacaríamos neste caso é o discurso dos pacifistas que, adotam a postura anti-conflitos como uma categoria absoluta, idealizando relações que não existem no mundo atual e que nunca existiram em toda história universal. Idealismo este edificado sobre as chocantes imagens selecionadas e editadas pela mídia televisiva sobre o conflito. Ora, aí cabe algumas observações. Primeiro, no cenário internacional os USA não são a única força a atuar em defesa de seus interesses e, por isso, a defesa de ideal de um mundo sem guerras (em especial, a do Iraque), beneficia a quem? Segundo, já pararam para refletir sobre os grupos que se opuseram ao referido conflito? Alias, quanto a ONU, você sabia que a maioria absoluta dos países membros, são governados por regimes ditatoriais e que, 60 deles, são islâmicos? Sabendo disso, creio que não teríamos nem que indagar o porque da oposição desta organização medonha contra o destronamento de Hussein.

E mais, a ONU vinha a 10 anos enrolando o mundo, dizendo que estava tentando resolver o problema do Iraque pacificamente, mas que, na verdade seus burocratas estavam mesmo a encher as burras com os recursos oriundos do programa PETRÓLEO POR COMIDA. E mais. Nossa mídia, anti-americana até a medula, mostra o tempo todo imagens das ruínas de Bagdá, mas, até o momento, não mostrou a lista (presente no site do Pentágono) das armas químicas encontradas no Iraque. Por que será?

Não é uma questão de formularmos um texto que crie uma imagem em nossas mentes para que adotemos uma determinada postura, pois, tal atitude, é impensada e irrefletida já que é assim que se manifesta a “consciência metafísica” que neste cenário midiático vê-se mutilada e flagelada. Mas sim de refletirmos sobre essas informações e assim procurarmos novas fontes para podermos realmente constatarmos a magnitude do drama humano ocultado pelas lentes.

Todavia, como a sociedade brasileira não é afeita desta prática (estudo e reflexão) então, partilho aqui a seguinte indagação sobre esta “pia” organização: se a ONU, esta organização “humanitária” é tão preocupada com o drama humano, por que em seu quadro de burocratas, mais e mais tem surgido denúncias contra seus funcionários de estarem molestando sexualmente crianças de campos de refugiados? Claro que, tal notícia não é vinculada no Jornal Nacional ou em qualquer outro veículo de desinformação televisivo, mas, isso não significa que tais práticas não esteja sendo feitas só porque você não foi sensibilizado por nenhuma imagem.

Terça, 12 Dezembro 2006 21:00

Bakunin e os Marxistas

Já cansei de ouvir a balela de que o Partido dos Trabalhadores traiu os seus princípios e as bandeiras que historicamente foram os seus estandartes de luta.

Já cansei de ouvir a balela de que o Partido dos Trabalhadores traiu os seus princípios e as bandeiras que historicamente foram os seus estandartes de luta. Cansei de ouvir e ler bravatas sobre a contaminação que esse partido “purista” sofreu com a dita política “burguesa”. O meu cansaço frente a essas ladainhas e lamúrias se deve a inúmeros pontos que se fazem vazios no discurso dos simpatizantes desta ideologia, mas, brevemente, me aterei a apenas dois deles.

O primeiro no que diz respeito a sua suposta traição frente aos macabros ideais socialistas. Bem, para o amigo que ainda tem esse sentimento a corroer as suas entranhas sugiro que procure se informar das atividades que são orquestradas pelo Foro de São Paulo, entidade estas que congrega todos os partidos e organizações canhotas da Latino América e que foi fundada no início da década de 1990 pelo nosso atual presidente da República, Fidel Castro e et caterva. A documentação sobre a referida entidade se encontra disponível no próprio site do Partido dos Trabalhadores e as suas atas e demais deliberações disponíveis organizadamente no site Mídia Sem Máscara [http://midiasemmascara.com.br].

Ainda sobre este ponto, frisamos que, o que mudou na forma de atuação da esquerda não foi uma mudança quanto aos princípios, mas sim e unicamente de estratégia. Apenas aqueles militantes muito mais dotados de hormônios do que de uma predisposição a desenvolver sinapses mentais acreditam que só se chega ao cadafalso socialista através de barricadas e coisas do gênero. Por isso, recomendo, urgentemente, para todo aquele que queira compreender as ações da canhota brazuca e Latino-americana que leia as obras de V. Lênin (recomendação do próprio José Genuíno) e de A. Gramsci para assim melhor compreender a formação da casta dos revolucionários profissionais, da estratégia das tesouras, da ocupação de espaços e da revolução cultural.

Segundo ponto que gostaríamos de tecer alguns comentários é para o fato de essas viúvas do Muro de Berlim “pensam” o mundo como se a humanidade caminhasse univocamente para um destino de maneira uniforme e, que a maldita revolução só pode ocorrer a partir da correta observação dos pontos doutrinalmente estabelecidos nos Evangelhos segundo Marx que eles, na maioria conhecem apenas de ouvir falar. Mesmo após o amplo revisionismo que muitas escolas de intelectuais fizeram frente a tudo isso, estes ainda, mesmo que veladamente, nutrem as mesmas crenças, mesmo após um emaranhado de equívocos e, frente a tudo isso que eles pretensamente dão a alcunha de socialismo científico.

É tão cientifico que todas as suas tentativas de fazer acontecer o Éden socialista resultaram apenas na miséria socialmente distribuída. No Brasil atual, somente um cego não percebe isso sendo construído. Digo, somente quem é incapaz de perceber e compreender os acontecimentos serem desenrolados a médio e longo prazo.

Mas, como sempre, essa gente que nutre uma irascível fé em torno desta doutrina política despida de qualquer expressão resoluta e dedicada a compreensão, mais que depressa irão concluir que estas linhas seriam uma forma de heresia “neoliberal” ou “reacionária” contra o seu mantra materialista salvador.

Por isso, lembro aqui as palavras do filósofo anarquista (por infeliz coincidência, tradutor do Capital para a língua russa) Mikail Bakunin (1814 - 1876) que, de forma singular afirmava que: “O governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmo e a suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso, não conhece a natureza humana”.

Tamanha é a sanha destes indivíduos em transformar a natureza humana que pouco tempo acabaram por dedicar a compreensão dela, desconhecendo assim a natureza que pretendem, supostamente, melhorar. Tal é a incompreensão destes que pouco entendem do próprio movimento que eles fazem parte e julgam ser integrantes ativos e críticos e nós, obviamente, seriamos apenas alienados por não percebermos a doçura que eles dizem haver em seu fel.

Domingo, 26 Novembro 2006 21:00

Nada de Novo

Atualmente, nesta juvenil vivência de um regime democrático, vemos sempre, com grande freqüência, infelizmente, uma e outra voz queixar-se de perseguição de caráter político.

A experiência democrática nestas plagas é algo extremamente recente e ainda começa totalmente às avessas. Por isso, considero de grande relevância que reflitamos sobre a nossa formação histórica autoritária que, em várias ocasiões soube dissimular plúmbeos ares de odor democrático, ares simulados inclusive por aqueles de que diziam e disse serem os defensores da democracia.

Atualmente, nesta juvenil vivência de um regime democrático, vemos sempre, com grande freqüência, infelizmente, uma e outra voz queixar-se de perseguição de caráter político (ou formas dissimuladas de coação) e, ao mesmo tempo, uma e outra voz, brindar tal perseguição como se fosse algo aceitável e, até mesmo, justo.

Quanto a essas práticas que se encontram deveras presentes em nossa sociedade ainda hoje e que, creio eu, continuarão existindo por muitos anos e, por isso, devemos alimentar uma devida ponderação sobre a sua relação visceral para com as instituições de nossa sociedade. Por isso, julgamos necessário que refletirmos sobre a forma como é exercida muitas vezes a autoridade.

Erich Fromm (1900 – 1980), em sua obra TENER Y SER (pág. 53 – 55), nos aponta para a existência de duas formas de autoridade. Uma ele denominou de autoridade racional e a outra de autoridade irracional. Nesta caracterização o mesmo procura nos evidenciar a diferença entre ser uma autoridade e ter uma autoridade.

A primeira se caracterizaria simplesmente pelo exercício da competência e do mérito, onde aquele que a exerce procura promover o crescimento dos demais que estão a sua volta. A segunda, por sua deixa, seria a autoridade exercida a partir de um cargo, ou de uma posição social, ou mesmo (e praticamente em todos os casos) pelo exercício da coação física ou psicológica (principalmente esta, nos dias hodiernos).

Obviamente, volvendo nossas vistas sob a nossa civitas, encontraremos em abundancia a segunda forma de autoridade, aquela que apenas se têm sem sê-la, e em raras ocasiões perceberemos aquela que é exercida por simplesmente ser uma autoridade.

Lembro aqui, nestas linhas, que o exercício de uma autoridade irracional só é possível quando se tem uma ampla base de sustentação social movida pela procura desta irracionalidade. Frente a indivíduos pensantes, dificilmente teríamos o império da coação, mas, como via de regra, o que há seria tão só uma massa ignara disforme, apática e oportunista, o que temos é isso, em boa parte das instituição que dão forma a nossa sociedade.

Essa expressão torpe que dá forma ao corpo societal, em si, não seria um emaranhado de mentirosos que procuram ludibriar a vida para assim melhor se enquadrar em seus quadros, mas sim, uma multidão de neuróticos, ou seja: essa platéia bestializada, não suporta de modo algum a verdade e, para tanto, conta para si e para os demais uma mentira para acobertar o veritatis splendor. Porém, estes se esqueceram de que eles a propagaram e, deste modo, passam a aceitar esse engodo como sendo “a Verdade”, tornando-se incapazes de se livrar dela simplesmente porque a sua integridade psíquica depende de toda a farsa armada por eles mesmos.

Sobre este ponto, Fromm, e sua obra “O MEDO À LIBERDADE” nos explica que: “Nos impulsos neuróticos, a pessoa age devido a uma compulsão que possui caráter intrinsecamente negativo: escapar a uma situação intolerável. Os estímulos tendem para uma direção que só ilusoriamente constitui uma solução. Na verdade, o resultado é oposto àquilo que a pessoa quer alcançar; a compulsão para livrar-se de um sentimento insuportável era tão intensa que a pessoa não pôde escolher uma linha de ação que pudesse ser uma solução em outro sentido que não o imaginário”. (pág. 127)

Por essa razão que sempre quando uma verdade é proclamada os indivíduos que se encontram imersos num simulacro desta feitura, sentem-se agredidos, atacados, ou mesmo indignados. Não entendo muito bem como que pessoas indignas se indignam, mas o fato é que essas em sua reação “moralista” apenas estão a apresentar a sua feição neurótica e, por essa mesma razão, decadente, justamente por sua existência depender de uma autoridade irracional que tolhe o seu crescimento por eles literalmente necessitarem continuar humanamente insignificantes e, quando qualquer elemento, aponta essa situação, logo ficam todinhos arpoados com uma fera acuada.

Quebrar esse invólucro, literalmente é uma tarefa colossal e lutar contra isso, uma legítima epopéia quixotesca. Mas creio ser muito mais digno fazer-se um leão solitário frente a esta pasmaceira do que ser mais um membro desta patuleia que necessita insanamente fingir ser algo que não se é para poder garantir uma pacóvia existência rodeada de lisonjas artificiais e rasas, tais quais as suas diminutas almas. Ou seja: nada de novo por estas paragens, nem mesmo o brilho ofuscante do sol.

Quarta, 15 Novembro 2006 21:00

Notas Sobre a Arrogância

Doravante, em nosso cotidiano soturno, costumamos demonstrar uma postura similar, se não pior, que a de muitos de nossos parlamentares, fazendo assim, jus a nossa parva representação política.

Em nosso dia a dia, temos muitas vezes que nos defrontar com situações inusitadas, situações estas que requerem de nossa pessoa, uma resposta imediata e que, ao menos, seja plausível. Todavia, nós, em nossa condição ridiculamente humana, somos incapazes em muitas destas circunstâncias de auferir uma resposta da monta que nos é exigido, pois, como bem nos lembrava Friedrich A. Hayek, nós somos, por nossa constituição, incapaz de conhecermos a realidade de uma maneira total, podendo abarcar apenas algum de seus aspectos para assim, interagindo com os demais seres humanos para, deste modo, podermos construir uma possibilidade de ação.

Este é um fato obvio até por demais e, por essa mesma razão, nós com grande freqüência o desdenhamos, consciente ou não de estarmos fazendo isso. Exemplo dessa prática podemos encontrar com grande freqüência nos discursos dos políticos demagogos, protótipos de tiranos totalitários, como em nossos gestos mais corriqueiros.

No primeiro caso, basta prestarmos atenção em alguns dos projetos propostos pelos nossos representantes políticos, para percebermos o quanto que essas propostas são inócuas, que pretendem transformar uma determinada realidade sem, ao menos, levá-la em consideração.

Caso flagrante do que estamos apontando seria o projeto de Lei do Senador Mineiro Eduardo Azevedo (PSDB), que pretendia regulamentar (entenda-se burocratizar e, conseqüentemente cercear) o acesso e o uso da internet. Podem ser enquadrados também os já arquivados projetos de complemento 10% de farinha de mandioca à farinha de trigo (para baixar o seu custo e torna-la mais acessível) que fora proposto pelo Deputado Aldo Rabelo. Também da autoria deste, temos a proibição de estrangeirismos. Outro curioso seria o Projeto de Lei 137/2004 que criaria assim chamada “Poupança Fraterna”. E por aí segue o andor.

Doravante, em nosso cotidiano soturno, costumamos demonstrar uma postura similar, se não pior, que a de muitos de nossos parlamentares, fazendo assim, jus a nossa parva representação política.

Ora, quantas e quantas vezes não opinamos de maneira contundente e até mesmo agressiva sobre assuntos que conhecemos apenas de maneira superficial ou que desconhecemos por completo? Lá estamos nós, em um bar, em uma barbearia, ou em uma sala de aula a simular um saber ao qual não possuímos. E pior. Em muitas destas ocasiões somos advertidos por alguém que conhece o assunto em pauta e, neste momentos, como reagimos? Ficamos em silêncio e desdenhamos todas a fontes de informação apontadas pelo mesmo ou, na pior das hipóteses, além do desdém auferido para as suas palavras e sugestões, nós o acusamos de pedantismo e arrogância. Não assim?

Ora, como bem nos aponta Rubem Alves, em sua obra “Filosofia da Ciência”, que: “A habilidade para prever e predizer os acontecimentos, de entender o mundo em que se vive, e assim a capacidade para antecipar eventos e evitar a necessidade de reajustamentos bruscos, é um pré-requisito absoluto para que o indivíduo se mantenha inteiro. O indivíduo deve sentir que ele vive num ambiente estável e inteligível, no qual ele sabe o que fazer e como fazê-lo...”.

A observação tecida pela educador é perfeita, porém, o que se faz incrivelmente curioso, é como nós, de um modo geral, somos capazes de encontrar ordem e estabilidade sem ao menos termos procurado qualquer informação que venha a nos dar o mínimo de sustentabilidade como se, de maneira inata, já tivéssemos todas as respostas necessárias para uma existência digna.

Bem, eis aí, o reflexo de nossa sociedade (com acesso a informação). Um amontoado de pessoas que se ufana de nunca ter lido um livro na vida (ou de ler todos os de auto-ajuda) e, mesmo assim, terem sempre uma “boa opinião” sobre o que está acontecendo a sua volta. Mas é claro que, para essa gente miúda, o arrogante será sempre pessoas similares ao missivista desta linhas, não é mesmo?

Quarta, 01 Novembro 2006 21:00

Simplex Véritas

De nada adiantará haver reforma política se a sociedade civil realmente resolver se organizar. Enquanto continuarmos a nos deixar fazer de reféns desta casta patrimonialista que nos espolia, seja ela rubra ou meramente de uma linhagem destra e fisiológica.

É curioso o fascínio que as pessoas alimentam em torno dos ritos de passagem, destes momentos que são envoltos de ponta e prestígio como um pleito eleitoreiro como o que acaba de findar. Alimenta-se uma expectativa tão grande que a impressão que se tem é de que não só a nação, mas o mundo todo irá se transformar com o toque da vara de condão de nossos caudilhos populistas.

Alias, nos orgulhamos bestamente de nosso eficiente sistema de urnas eletrônicas como se estas fossem a última palavra em “democracia” pelo simples fato de ser tão só (nada mais que isso) mais rápido do que o sistema de votação de outras nações mais avançadas tecnológica e economicamente do que nós. Quanto surge este tipo de comentário, obviamente que a pedra está sendo atirada nos USA.

Bem, então chamaria atenção da ufanista idiotia patrioteira para fazer uma outra comparação para avaliação da “validade” de nossa democracia. Compare a estrutura das Escolas e Colégios Brasileiros onde ficaram as maravilhosas urnas eletrônicas com a estrutura das Escolas e Colégios Estadunidenses onde são colocadas as suas urnas cafonas as quais nem fazem barulhinho quando você vota, para lhe lembrar que seu voto foi devidamente sufragado.

Pior que isso tudo é a crença praticamente patológica em nossa classe política como se esta fosse a única capaz, e mesmo autorizada, a atuar na resolução das pendengas de nossa sociedade. Ora, não nos esqueçamos que nós criamos essas aberrações que nos (des)governam, feito mães irresponsáveis, intoxicadas de desídia e chimarrão que parem os guris e os deixam por conta própria na casa enquanto se reúne com as demais da sua estirpe para falar da vida alheia na tentativa pífia de encontrar um bode expiatório para a situação criada por elas mesmas.

De nada adiantará haver reforma política se a sociedade civil realmente resolver se organizar. Enquanto continuarmos a nos deixar fazer de reféns desta casta patrimonialista que nos espolia, seja ela rubra ou meramente de uma linhagem destra e fisiológica. De pouco nos servirá tal reforma se não nos libertarmos de nossa lassidão cognitiva e cívica, se continuarmos a nos impressionar, a nos indignar e, sem tormentos ou receio, entregar nossa confiança cega e sonsa para outro grupelho politicamente organizado.

Em sua obra A GAIA CIÊNCIA, Friedrich Nietzsche, nos aponta que os homens corruptos: “[...] sabem que há outras formas de matar que não seja pelo punhal e pela emboscada – sabem também que se acredita em tudo que é bem dito. – [...] é preciso esperar que ‘os costumes se corrompam’ para que esses seres chamados tiranos comecem a aparecer”. Bem, os nossos costumes mais do que a olhos vistos estão degradados e quanto aos tiranos, estes não nos faltam candidatos. Todavia, o mais sanguinário e truculento de todos praticamente já se assenhoreou do poder. Não é o Lula não meu caro. É a massa ignara, disforme, tal qual os nossos conceitos de ordem ética e moral.

Todavia, não vejo esse momento vivido como sendo negativo, pois, como todos sabemos, a estupidez humana é e sempre será tanto eterna como infinita. Alias, vejo neste momento pútrido como uma ótima ocasião para a emergência de uma percepção mais lúcida. Não por parte da sociedade como um todo, pois, a dita “consciência” coletiva nada mais é do que um resumo tosco, uma forma de decorada para macacos militantes imitadores temerosos de não fazerem parte da festa de idiotia democrática. Vejo como um momento ímpar para que os indivíduos, por si, sem terem de se atrelar a um dono ideológico, refletirem sobre a nossa desventura civilizacional. Fora disso, será apenas uma mudança nos rumos da manobra da referida massa.

O próprio Nietzsche, na obra referida linhas acima, nos lembra que (isso no século XIX), um dia, a política viria: “[...] a ser considerada tão vulgar que seria classificada, como toda literatura de partidos e de jornais, sob a rubrica ‘prostituição do espírito’”. Tal momento, creio eu, chegou em seu ápice, aqui nestas terras de Pindorama. Cabe a cada um pensar sobre isso com a seriedade que habita o seu ser, não mais através da volúpia das multidões.

Por fim, se você é daqueles que adora apregoar que a culpa aos miseráveis e desvalidos ou em nossa classe dirigente, esqueça. Pode ir parando por aí. Não foram eles que perverteram a nossa ordem moral, não foram eles que inverteram os pesos e as medidas éticas. Os responsáveis por isso foram justamente aqueles que, como eu e você, tiveram acesso a uma parva ilustração e que aprenderam a repetir verbetes decorados como se fossem verdades reveladas sem ao menos refletirmos sobre o assunto agindo como um bando de iludidos que fingem estar desiludido. Ora, sejamos sinceros: existe algo mais patético que isso?

Terça, 19 Setembro 2006 21:00

Assembléia dos Inconscientes

Por isso, sinceramente, acreditamos que uma boa dose de valores aristocráticos poderia revitalizar a nossa democracia. Chega de analfabeto funcional como legislador e como chefe do executivo.

A democracia é tida como sendo o melhor regime político possível para as sociedades modernas. Eis aí uma fala repetida a exaustão por inúmeras pessoas, para não dizer uma que é uma fala da maioria absoluta. Todavia, como muito bem nos lembrava o finado Nelson Rodrigues, toda a unanimidade é..., por isso, como já é da natureza dessa coluna ser politicamente incorreta, aqui seremos mais uma vez obrigados, volvendo nossa pena para a direção desta que é tida como sendo redentora e salutar para o progresso da liberdade e da prosperidade da humanidade, que é a dita democracia.

Primeiramente apenas reflitamos sobre a forma como este regime político se adapta a cultura política de uma nação. Isso mesmo. Muitas das vezes ficamos a bradar bravatas contra tudo o que julgamos não ser uma democracia por efetuarmos a nossa “análise” dos fatos a partir de um conceito idealizado de democracia que não existe em lugar algum a não ser em nossa imaginação delirante e que, por sua vez, tornar-se-ia inaplicável mesmo em relação as posturas tomadas por nós mesmos em relação as pessoas que são próximas de nós.

Olha, esse trololó de que um “verdadeiro” regime democrático seria tão só aquele em que todos seriam plenamente iguais não passa de uma quimera. Nem mesmo no berço da democracia, a cidade grega de Atenas, não se estendia o título de cidadãos a todos as pessoas, restringindo a participação na vida pública a apenas uma parcela da sociedade. Devemos lembrar também que nos regimes políticos que se auto-intitulam como sendo uma “democracia-popular”, foram e são justamente os regimes que mais tiranicamente governaram e governam o tal do povo e que mais cinicamente legitimam a desigualdade em nome do mesmo tal.

Ora, em todas as sociedades sempre temos, via de regra, a construção de um conceito de membro honrado da comunidade, conceito este que em nossa sociedade corresponde a alcunha de cidadão. Entretanto, o “ser cidadão” não é, do mesmo modo que a democracia, um conceito que pode ser compreendido de modo abstrato. Sua clara compreensão apenas se dá de modo satisfatório quando somos capazes de contextualizá-lo em sua realidade vivida, pois, este sempre será um conceito normativo que implicará em uma classificação dos atos dos indivíduos enquanto aceitáveis ou não pela comunidade. Ou seja, sempre o “ser cidadão” nada mais seria que um conjunto de atitudes que a comunidade espera que sejam realizadas na seara pública e bem como no universo cotidiano.

É sabido e clarividente que muitas vezes tais valores não se encontram redigidos em um documento oficial que normatize tais práticas, mas, encontram-se descritos de modo deveras evidente em nossa forma de nos relacionarmos com o nosso voto, com os poderes instituídos, com os nossos pares e com nossa consciência. Por isso que acho curioso que em nossa mídia muito se fala dos corruptos, mas pouco ou nada dos corruptores e suas ligações com os corruptos. Nós, meu caro, fazemos parte deste segundo grupo. Ou seja, compreende-se claramente o caráter de um regime democrático a partir do momento que paramos para refletir sobre os valores que norteiam a vida cotidiana das pessoas, ditas cidadãs, de uma dada sociedade, correto?

Por exemplo, o cidadão ateniense, segundo as palavras de Eduardo Mansano Bauman, “optando pela democracia, a exercia, também, de forma bastante diferente da encontrada atualmente. O ato da consciência política do cidadão ateniense não se restringia à legitimação de representantes que fariam, em outras instâncias, as opções que realmente importavam. O ateniense, em seu ato, deliberava diretamente acerca dos assuntos relevantes à vida da POLIS, significando que sua participação era direta e efetiva, e não apenas representativa, o que molda de forma absolutamente diversa a estrutura política daquela sociedade”.

Outro ponto relevante para darmos continuidade as nossas considerações é o fato de que na democracia ateniense havia um conjunto de valores claros para que um indivíduo pudesse integrar a vida política. Ora, vivia-se na polis de Atenas uma democracia fortemente acentuada por valores aristocráticos o que, ao nosso ver, tornava esse modelo originário bastante interessante quando pensamos em nossa “democracia patrimonialista”.

Falta-nos, de modo urgente, um conjunto de valores políticos, éticos e mesmo intelectuais para qualificar o que seria um cidadão em nossa pátria que, a cada dia, mais se assemelha a uma mediocracia. Falta-nos uma boa dose de valores aristocráticos para combater a organização oligárquica de nossa democracia (ou nossa democrática organização de nossas oligarquias).

Isso mesmo meu caro, vamos parar de nhenhenhé e trololó. Nossa patética democracia é apenas isso: um belíssimo arranjo para legitimar a distribuição do poder entre grupelhos que se assenhoram do poder em nossas comunidades locais, nos Estados e em nossa governança Federal e nada mais.

E o pior! Somos nós que tolamente legitimamos isso tudo com nossa participação sonsa na vida política de nossa sociedade. Olha, chega até ser engraçado muitos carros arretamados com adesivos de fulano ou cicrano. Fico a me indagar sobre as razões que levam um mané “enfeitar” o seu carro com a face caricato de outro mané. Passada essa euforia qual atitude que fica de nossa parte além de nosso olhar de moscas tontas frente a melequinha que ficou dos adesivos em nossos veículos e frente a imundice espalhada pelas ruas na forma de santinhos, qual? Alias, nominho mais infeliz para estes pedacinhos de papel, impossível, não é mesmo?

Por isso, sinceramente, acreditamos que uma boa dose de valores aristocráticos poderia revitalizar a nossa democracia. Chega de analfabeto funcional como legislador e como chefe do executivo. Chega de vermos pessoas fazerem da vida pública profissão encastelando-se no poder de modo perene. Chega desta circularidade de oligarquias no poder. Sejamos mais aristocráticos em nossas ponderações como os helenos de Atenas para, pelo menos, elevarmos a nossa via democrática e, gradativamente, abolirmos o mandonismo dos tiranetes populistas de nossa nação se assim desejarmos.

Obviamente que tal ação não se realiza em um ou dois pleitos e muito menos se resolve com a criação de uma nova LEI. Ela ocorrerá apenas a partir do momento em que nós mudarmos a nossa atitude frente o que somos e frente a conseqüência de nosso ser. Sem isso, continuaremos a zanzar nesta assembléia de inconscientes, marionetes do oportunismo alheio por sermos escravos de nossa fome irascível por vantagens pessoais.

Terça, 06 Junho 2006 21:00

Contra-Ponto Sem Ponto

Estava recentemente a reler a obra “O Crepúsculo dos Ídolos” do filósofo alemão Friedrich Nietzsche e, como sempre, este poeta filosofante conseguiu o que praticamente sempre consegue com esse seu leitor teimoso: suscitar algumas reflexões sobre a desventura humana abaixo da linha do equador.

Estava recentemente a reler a obra “O Crepúsculo dos Ídolos” do filósofo alemão Friedrich Nietzsche e, como sempre, este poeta filosofante conseguiu o que praticamente sempre consegue com esse seu leitor teimoso: suscitar algumas reflexões sobre a desventura humana abaixo da linha do equador.

O ser humano moderno, o brazuca em especial, é cotidianamente atingido por mordazes golpes de martelo que, em cheio, vão gradativamente moldando a sua capacidade cognitiva, tolhendo o seu olhar frente a realidade vivida, frente a vida dissimulada em um simulacro apelidado de realidade. Tais golpes nos são dirigidos através de nosso sistema educacional ideologicamente constituído, de nossas mídias desinformantes e sorumbáticas e, acima de tudo, de nossa congênita predileção pelo que é-nos fácil e que, no caso, é a acomodação frente ao que aparentemente é incompreensível por temermos ser chamados de burros e, por isso, em muitos casos, preferimos dissimular um pseudo-entendimento para assim acobertar de maneira canhestra a nossa criancice existencial.

Machado de Assis realizou um diagnóstico sobre a nossa maneira brasileira de representar o humano com seus personagens cafajestes e canalhas, principalmente quando esse em seus contos, através da boca de seus personagens afirma que no Brasil fingir é fundamental e que, a verdade (pobre indigente), seria apenas conveniente. E não nos portamos mediocremente assim? Quando nada sabemos fingimos magistralmente tudo entender para melhor iludir os que nada sabem e que, também, fingem que é uma maravilha.

Trocando por dorso, podemos afirmar, mesmo que de modo inconveniente, que o princípio de equilibração apontado por Jean Piaget (perdoe-me mestre pela tosca síntese) seria magicamente desdenhado, pelo menos no caso de nós, brasileiros. Segundo Piaget, todo ser humano seria dotado deste princípio que moveria sempre o indivíduo a procurar um equilíbrio entre o que fora apreendido e processado pela sua capacidade cognitiva e o mundo perceptível a sua volta. Toda vez que um dado novo fosse captado, o indivíduo entraria em uma espécie de “desequilíbrio intelectivo” o que forçaria o elemento a novamente encontrar o seu ponto de equilibração através da compreensão do que lhe foi informado e o tirou de seu estado de “harmonia”. Tal processo iniciaria, a grosso modo, com a singela pergunta: o que é isso? E seguido de uma devida investigação.

E nós, o que fazemos quando estamos diante de informações que nos parecem aparentemente incompreensíveis? Não sei como, mas muitas vezes conseguimos dissimular um “claro” entendimento da situação sem compreender absolutamente nada do que se trata. E pior! Não sei como conseguimos argumentar e dialogar com os sujeitos supostamente informados sobre o dito assunto e fingir uma medonha seriedade no diálogo travado. Pode uma coisa desta? É de morrer!

Exemplo deste tipo de comportamento do homo brasilienses, que pode ser mencionado, foi a forma como nós processamos os atentados perpetrados pelo PCC em conexão com outros movimentos sociais. Inúmeros policiais foram assassinados através de uma ação sincronizada com altíssimo grau de organização e nós, enquanto sociedade, demonstramos um pacato sentimento de normalidade.

Dio Santo! Como continuarmos a tratar uma situação destas como sendo “normal” sabendo que, meses atrás um dos líderes do PCC, em gravação transcrita na revista Veja, confessou que o ministro da Justiça, o senhor Márcio Thomaz Bastos, havia ajudado a organização a obter o apoio do MST e este, até hoje, continua a ocupar o referido cargo com direito a todos os louros que cabem a seu ocupante. Minha burrice congênita não se cala e com um bagual em um baita um coice me pergunta: será que não há nada de errado nesta história toda? Um néscio normal (pelo menos penso que sou um ignaro deste tipo) faria essa pergunta para ter uma visão mais clara sobre o que está ocorrendo, mesmo que a resposta não lhe traga a paz desejada.

Outra informação que seria interessante articular com o atual cenário para podermos, pelo menos, levantarmos algumas questões que poderiam nos tirar dessa torpeza voluntária é a declaração dada pelo senhor Olivério Medina, de que havia ele trazido 5 milhões de dólares doados pelas FARC para a campanha eleitoreira do PT que, ao que parece, de modo algum suscitou alguma indagação que fosse na cívica e inerme massa ignara.

Não podemos também nos esquecer da resistência da governança petista em reconhecer que este grupo, as FARC, pelo que são: um grupo terrorista. Tal postura se explica pelo fato de que ambos integram a mesma organização continental de caráter revolucionário que é o Foro de São Paulo. Bingo! Essa seria uma outra perguntinha interessante para indagarmos e nos incomodarmos: o que é essa dita organização e qual o reflexo de suas ações na América Latina e, em especial, em nosso país? Alias, será que o fato de o partido governista hodierno ser um dos fundadores desta organização não implica em nada nas atuais atitudes de nosso Presidente em relação as “irmãs” Argentina e Bolívia que atualmente são governadas por outros dois membros do referido Foro?

É, bem que Nietzsche, com suas causticas palavras tinha razão na obra citada no início deste libelo quando afirmava que: “Aquele que não sabe dispor sua vontade nas coisas quer ao menos atribuir-lhes um sentido: o que faz acreditar que já existe uma vontade nelas”. Se os atuais fatos nos fogem a compreensão e nossa vontade para refletir sobre eles é nula, então continuemos a desdenhá-los atribuindo-lhes um tosco significado como se tal atitude denotasse uma resolução do caso e, quando algo de maior envergadura vier à tona possamos nos confortar com a crença de que esse seria um golpe do destino e que nós não tínhamos como evitar nada disso. Tudo isso por termos fingido pensar através de um contra-ponto existente apenas em nossa imaginária compreensão da realidade que, sem ponto de referencia tudo pontua para assim nada de concreto apontar.

Sexta, 19 Maio 2006 21:00

Quem é esse tal de neoliberalismo?

Os indivíduos mais odiados por serem apontados como os grandes responsáveis pelas desventuras de nosso país são os ditos liberais e, atualmente, os malditos neoliberais.
Os indivíduos mais odiados por serem apontados como os grandes responsáveis pelas desventuras de nosso país são os ditos liberais e, atualmente, os malditos neoliberais. Perfeito! Entretanto, o grande problema que encontro nesta percepção é que justamente não consigo encontrar os ditos liberais e neoliberais para trocar umas figurinhas. Inclusive entre meus amigos que são economistas por ofício. Os poucos que conheço são via web e, diga-se de passagem, bem poucos.
 
         Por isso me indago diuturnamente: se esses são os grandes responsáveis pela desgraça brasileira das duas uma: ou eles são poderosos demais que, mesmo estando distante das Potestades Estatais e Acadêmicas conseguem desgraçar o país todo ou então, a sociedade brasileira que é muito estúpida e consegue ser persuadida por uma minoria tão ínfima que nem tem o privilégio de ter disponibilizado nas estantes das universidades as suas principais obras em quantia similar às obras marxistas.
 
         Não, meus amigos. Não é nem a primeira e muito menos a segunda opção que responderia a nossa indagação. O problema é que temos aí o uso de um forte estratagema erístico para desviar o foco central da discussão. Estratagema este deveras eficiente que seria empregado do seguinte modo: cria-se um inimigo hipotético e projeta-se sobre ele as mais pesadas injúrias deste e de qualquer outro mundo “possível”. Criado o monstrengo hipotético, basta usar o termo que passou a significar toda a pecha de maldade sobre qualquer adversário real e teremos a transformação do indivíduo no referido monstrengo hipotético.
 
         Esse modo de atuação é claramente perceptível entre os grupelhos que estão a disputar o poder atualmente. Vejam só: o PSDB, partido com estreitas ligações com o Partido Socialista Francês e com o Partido Trabalhista Inglês é nominado como Neoliberal. Atualmente, o PT, partido ligado (e co-fundador) ao Foro de São Paulo, é rotulado pelos malucos do PSTU, PSOL, PCO, PDT e et caterva como sendo também neoliberal. Raios só porque um governo procura adotar uma política monetária austera não significa, necessariamente, que ele seja neoliberal. Se assim o fosse, até a China Comunista seria “neoquarquecoisa”, não é mesmo?
 
         Por isso, coloquemos nossos pés no chão e volvamos nossos olhos para o horizonte e não para as nuvens dos devaneios utópicos. Isso mesmo, vamos procurar refletir um pouco sobre a forma como esse estratagema malicioso é edificado. Alias, diga-se de passagem, a sacanagem epistemológica é tão grande que neste libelo procuraremos apenas apontar um dos muitos casos e que se instrui destruindo qualquer possibilidade de clara compreensão.
 
         Por isso, fiquemos apenas com uma das leituras, das muitas leituras, falaciosas da obra O CAMINHO DA SERVIDÃO de Friedrich A. Von Hayek. Tal leitura sacana se encontra no quarto volume do livro História Crítica de Mário Schmidt, destinado a crianças que estão a freqüentar o 8o. ano do Ensino Fundamental.
 
         Neste livro nós temos o excerto da obra “Pós-liberalismo. As políticas sociais e o Estado Democrático” organizada por Pablo Gentili e Emir Sader. O excerto em questão seria do capítulo “Balanço do Neoliberalismo” escrito por Perry Anderson que diz: “A chegada da grande crise do modelo econômico do pós-guerra, em 1973, quando todo mundo capitalista avançado caiu numa longa e profunda recessão, combinando, pela primeira vez, baixas taxas de crescimento com altas taxas de inflação, mudou todo. A partir daí as idéias liberais passaram a ganhar terreno. [...] As raízes da crise, alegava Hayek e seus companheiros, estavam localizadas no poder excessivo e nefasto dos sindicatos, [...] que haviam corroído as bases da acumulação capitalista com suas pressões reivindicativas sobre os salários e com sua pressão parasitária para que o Estado aumentasse cada vez mais os gastos sociais”.
 
         Pois bem, mas em nenhum momento é esclarecido por Perry Anderson ou por Mário Schmidt que os sindicados aos quais Hayek se referia eram os sindicatos Corporativistas e, mais especificamente, os sindicatos que serviam de base para partidos políticos como o Partido Nacional-socialista dos Trabalhadores da Alemanha (Nazista), o Partido Fascista e os Partidos Comunistas e não todo e qualquer sindicato.
 
Cabe também lembrarmos aqui que os sindicatos corporativistas não defendiam os interesses dos trabalhadores de um modo geral, mas sim, de determinados grupos de modo especial que acabava levando a uma supervalorização salarial de um determinado grupo em detrimento dos demais sem uma devida razão plausível que, acima de tudo, feria o princípio liberal de que todos devem ser tratados de modo igual perante a lei.
 
         Outro ponto que acreditamos ser salutar lembrar é o fato de que Hayek combatia gastos com programas assistenciais, ditos sociais, porque, em primeiro lugar, são um ótimo caminho para desviar recursos (corrupção em português bem claro). Em segundo lugar, são sempre recursos oriundos da tributação do setor produtivo (nós, trabalhadores, no caso) que perde forças para alavancar novos investimentos. Nos piores casos, gera-se expansão monetária que leva a nação a mergulhar em um funil inflacionário. A curto prazo, tais práticas são aparentemente ótimas. Uma maravilha! Todavia, em longo prazo, geram recessão, visto que, o bem-estar gerado fora propiciado sem haver o devido contra-ponto do crescimento econômico. Em terceiro lugar: os efeitos nefastos não seriam fruto dos sindicatos em si, mas sim, dos políticos populistas que estariam por traz deles.
 
E mais! Hayek escreveu todo isso na década de 40, mais especificamente em 1946 e tudo o que ele havia previsto em sua obra “O Caminho da Servidão” ocorreu, do mesmo modo que a sua teoria monetária exposta através do que ficou conhecido como os “Triângulos de Hayek”, demonstrada nos idos da década de 20 da centúria passada contra as teorias de Keynes, também. E isso sem falar da teoria das escolhas racionais. Aí também é pedir demais. Mas tudo isso meus caros, é omitido no texto de Anderson (seja no excerto ou no original). E pior! Coloca a sua teoria com sendo a responsável pela crise que se seguiu na década de 80 (a década perdida para nós brasileiros).
 
         Mas, as medidas “neoliberais” não ampliaram a recessão? Sim, pois para que se corrigisse a crise, para que a economia voltasse a patamares reais e, pensadores como ele não procuravam ser populista, mas sim, realistas, como todos nós, reris cidadãos, somos como as nossas finanças, coisa que nenhum populista é com a governança de uma nação.
 
         Dito isso, nos indagamos: se os referidos autores omitem tudo isso de sua obra que visão os seus leitores terão sobre o tal neoliberalismo? Uma visão excessivamente maniqueísta e doutrinária que, por essa mesma razão, o levará a cada vez menos conhecer o que seria a doutrina liberal. Mas, com toda certeza, irá vociferar contra a imagem distorcida que lhe foi inculcada desde tenra idade sem saber do que definitivamente se trata o objeto de sua injúria.
 
 
Terça, 25 Abril 2006 21:00

Educar Para...

Alias, se esse seria o intento de nosso sistema educacional não é estranho que a educação básica seja compulsória mesmo que o seu real acesso não seja universal?

As instituições de ensino atualmente estão sendo incumbidas de tarefas literalmente hercúleas. Tarefas essas que, via de regra, não são só impossíveis de serem cumpridas por elas, mas que, em momento algum, deveriam ter sido atribuídas a elas.

Uma dessas tantas tarefas atribuídas às instituições de ensino é a de “libertar as mentes” dos indivíduos para que eles venham a se tornar “livres pensadores”, pessoas com um “senso-crítico” aguçado e provocador. A intenção, aparentemente é deveras benevolente, mas apenas em aparência e não mais que isso e lhes apontamos o porquê desta nossa afirmação. Libertar o indivíduo de que e para que?

A pergunta é simples e talvez por isso incomode tanto e por esse mesmo motivo seja tão desdenhada. Incomoda pelo fato de termos em nossa nação a troca de uma doutrinação ideológica por outra que, na maioria dos casos, é mais perversa que a primeira. Mas, essa segunda forma de doutrinação se apresenta de forma mais elegante por ter maior número de porta vozes junto ao corpo docente e, por isso, passa a ser tratada como “teoria de ensino-aprendizagem” e não “teoria de manipulação de massas”. Essa segunda agrada o educador-doutrinador e por isso o mesmo entende essa nova escravidão por libertação ou, se preferirmos, pelo fato do doutrinador ver nessa nova alienação da realidade vivida uma expressão mais decantada da dita e escarrada “consciência crítica”. Que nojo!

Ideologia, meus caros, não se combate com contra-ideologia, mas sim, com ilustração, muito estudo e reflexão. Não se acaba com manipulação de massa com outra forma de manipulação, visto que, a única coisa que se troca é a coleira de cão servil e nada mais que isso. Para uma legítima e sincera libertação do intelecto ser ensejada, as instituições de ensino, de um modo geral, não mais devem se ver como entidades libertadoras. Chega das falácias, pois, em muitos casos, nós sabemos que elas são literalmente o inverso.

Por exemplo: o que se entende pela dita consciência crítica nos dias atuais? Nada mais que um decorar mal “frojado” de alguns slogans politicamente corretos ou a assimilação de alguns trejeitos da mesma ordem como se a repetição destes fosse sinalizar que esses indivíduos seriam superiores aos demais. Como se um elemento só pelo fato de proclamar-se a favor da “paz”, ou defensor do “desarmamento” da sociedade civil, ou dizer que em algum momento da vida leu “O manifesto do Partido comunista de 1848”, ou que é contra a dita ALCA, etc., em si, denotasse alguma inteligência superior. Se assim o fosse todo papagaio poderia ser muito bem candidato a mente bem pensante.

O caminho para a liberdade intelectual pode até ser apontado por uma instituição de ensino e até mesmo por uma entidade doutrinadora, porém, nunca estas lhes poderão ofertar a liberdade de pensamento enquanto um de seus regalos. A liberdade é antes de tudo uma ânsia, um clamar individual e não uma promoção de bazar de roupas usadas ou novas. Se este, o clamor pela liberdade, não é cultivado pelo indivíduo, tudo o mais, de antemão, se encontrará fadado ao servilismo como são os casos apontados nas linhas acima e claramente visíveis em nossa sociedade para aqueles que realmente usarem os olhos para observar e analisar a realidade.

Como podemos afirmar que uma pessoa realmente está sendo iniciada no labor do livre pensar, sendo que, boa parte de nós segue sempre o caminho mais cômodo para podermos desenvolver um parecer sobre algum assunto? Nem falemos dos adultos porque esses são muito chatos e cheios de si. Iniciemos pelas pesquisas escolares: o que são a maioria delas senão uma cópia literal de um e outro verbete da Enciclopédia Britânica ou do Almanaque Abril? Raios! Que fome é essa por saber sendo que os mancebos simplesmente realizam cópias chulas e nada meditadas de textos pouco compreendidos?

Provavelmente similar a fome por saber de muitos “educadores” que partiram para realização de uma especialização e lá chegando são incapazes de fazer um trabalho e muito menos mostram-se aptos a fazer uma monografia recorrendo, muitas vezes, de maneira mais que indigna, para o mercado negro dos trabalhos acadêmicos. E, serão esses mesmos elementos que irão falar da dita necessidade de (de)formarmos livres pensadores e que os nossos egressos são indivíduos tomados até os gorgomilos pela desídia.

De um modo geral e muito claro para todo aquele que procura alimentar a suas almas com uma visão sincera da realidade, o que temos hoje em termos de educação, em um nível muito mais elevado do que em outros tempos e de maneira gritante frente a tolerância do bom senso é uma grande encenação, cínica e medíocre, onde todos nós, enquanto sociedade, fingimos estar preocupados com a educação fingindo que sabemos algo e nos indignando com os que, sinceramente, não querem aprender nada e, por isso, fingem, mal, aprender, para assim nos agradar e fazer-nos sentir aliviados diante do fracasso da nossa experiência societal.

Diante disso, julgamos ser basilar a indagação que fizemos linhas atrás: se hoje tanto se fala em educar para libertar seria mais do que plausível indagar-se de quais grilhões temos o intento de livrar as gerações de idade mais tenra. De que e pra que? Alias, se esse seria o intento de nosso sistema educacional não é estranho que a educação básica seja compulsória mesmo que o seu real acesso não seja universarl.

Tais indagações, para realmente terem o devido aprofundamento, devem ser ensaiadas, meditadas e refletidas não só por agentes que atuam diretamente em instituições de ensino, mas sim, por todas as pessoas, principalmente pelos pais e alunos que estão no meio deste angu de caroços burocráticos em uma miscelânea com o fingimento e desdém crônico que nos domina e assombra. Se não for assim, continuaremos a relegar essa responsabilidade para as pessoas que são incumbidas pelos nossos governantes e, creio eu, responsabilidade deste tamanho não deveria ser jamais relegada a um pequeno grupo de pessoas. Alias, a nosso ver, quando lavamos nossas mãos diante das grandes questões que afetam a nossa sociedade, acabamos sempre relegando a resolução das mesmas questões para as pessoas menos preparadas e menos dignas para tratarem de tal questão, tamanha nossa indignidade frente a nossa desqualificada condição de dito cidadão que, tão só nos comprometemos com nossos colossais umbigos.

Domingo, 16 Abril 2006 21:00

O Pecar

É curioso como no correr da modernidade a consciência humana foi gradativamente sendo “libertada” da idéia do pecar colocando-se essa categoria como se fosse uma construção moral danosa para a constituição do livre pensar humano.É curioso como no correr da modernidade a consciência humana foi gradativamente sendo “libertada” da idéia do pecar colocando-se essa categoria como se fosse uma construção moral danosa para a constituição do livre pensar humano. Deste modo, o sentimento de culpa que tal concepção traria à consciência individual seria algo inadmissível para os mais variados projetos de modernidade que foram gestados a partir do século XVIII, visto que, o sentimento de culpa, segundo os pensadores modernos, seria apenas uma concepção usual e preconceituosa que a sociedade nos investiria para assim poder nos dominar com maior facilidade.
 
         Entretanto, o que torna tudo isso algo mais interessante, é o fato de, ao mesmo tempo, que se atira pela janela da alma a concepção do pecado, joga-se junto a própria consciência humana. Isso mesmo. Desde o materialismo histórico, passando pela psicanálise e caindo no buraco doloso do existencialismo sartreano passando pelo pós-estruturalismo foucoultiano o que nós temos sistematicamente é a negação da individualidade humana, onde a visão do humano se restringiria a apenas uma massa orgânica determinada por um amontoado de “múltiplas determinantes” que acabam dando forma ao que somos e nada mais.
 
E quanto ao livre-arbítrio? Bem, seria, segundo eles, outra invenção usada para nos dominar, como a idéia de pecar, pois, a partir dessas concepções, a responsabilidade pelos nossos atos deveriam ser assumidas por nós e não depositada nas costas da sociedade, do sistema ou do raio que nos parta, como querem tanto os pensadores modernos.
 
Todavia, cabe aqui lembrarmos que tal posição de negação do pecar e do livre-arbítrio trouxe para a nossa sociedade algumas características que acabaram por tornar a vida em sociedade cada vez mais em um universo instável. Afirmamos isso devido ao seguinte fato: sociedade, sistema, Estado, em si, são meras abstrações e nada mais. O que lhes dá sentido e existência são apenas as relações de interdependência que são edificadas entre os indivíduos e não uma determinação externa e etérea as relações humanas.
 
E, quando acabamos por depositar a responsabilidade pela sorte humana a categorias abstratas em si, acabamos por libertar toda e qualquer responsabilidade pelos nossos atos, e aí, todos os delitos passam a ter uma “boa” justificativa em um suposto “trauma” sofrido na infância ou na “adolescência”, ou na “exclusão” da sociedade ou na pouca atenção que a sociedade nos oferta pela nossa carência de grandes dotes.
 
Bem, mas é justamente aí que a porca torce o rabo. Se todo o pensar humano é condicionado e controlado, os intelectuais que afirmam poder se libertar de todas essas lorotas socialmente estabelecidas podem apenas ser “seres iluminados”, não é mesmo? Pois, segundo suas “idéias”, todo ser humano é apenas um condicionamento, não mesmo? Ou não seriam eles pessoas extremamente confusas com sua própria existência que, não estando satisfeitos em estar perdidos e desesperados, procuram arrastar uma multidão junto de suas idéias para assim, não se sentirem tão só? Francamente, isso não passa de colóquio flácido para boi dormir.
 
E mais! Segundo o filósofo Olavo de Carvalho: “Na Bíblia, esses dois erros fatais da inteligência humana já estavam anunciados com muita precisão. A ilusão de julgar o mundo enquanto se está dentro dele é o “conhecimento do bem e do mal” que a serpente promete a Eva. O muro que veda o acesso à transcendência é a “insensatez” que limita a visão da existência à esfera do imediatamente acessível.[...] O primeiro promete a posse de um conhecimento impossível; o segundo inibe e frustra a aquisição de um conhecimento possível. Correspondem a dois nomes do demônio: Lúcifer e Satã. O demônio da falsa luz e o demônio das trevas falsamente triunfantes. O demônio do conhecimento errado e o demônio da ignorância soberba”. O demônio da negação do erro e o que nega a própria consciência individual.
 
Mas Carvalho é um filho de nossa época, brazuca, contemporâneo nosso. Aí não vale, que pena!
 
Então, recorramos ao Doutor Angélico, Sto. Tomás de Aquino. Segundo o Aquinate, os vícios capitais seriam a vaidade, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e acídia (preguiça). Todos eles se fundamentariam em algum desejo natural e o homem, ao seguir qualquer desejo natural, tende à semelhança divina, pois todo bem naturalmente desejado é uma certa semelhança com a bondade divina. Deste modo, o pecado seria o desvio da reta apropriação de um bem, como muito bem nos explica o filósofo Jean Lauand. E, continua Lauand, se a busca da própria excelência é um bem, a desordem, é o desvio dessa busca, é a soberba que, assim, se encontra em qualquer pecado: seja por recusar a superioridade de Deus que dá uma norma, norma esta recusada pelo pecado.
 
Deste modo, poderíamos com grande franqueza afirmar que a humanidade na modernidade carece por demais cultivar o que poderíamos denominar por consciência do pecar (dos erros) para assim curar a ressaca de tanta “consciência [supostamente] crítica” que tanto nega a responsabilidade do indivíduo que, essa mesma consciência afirma não existir.
 
Provavelmente se estivéssemos munidos de uma visão clara de nossos pecados, com toda certeza os pesares que recaíram sob a humanidade na centúria que findou, pesares estes, que continuam a nos acompanhar neste milênio, não seriam da magnitude que são, visto o fato de que, cada um de nós, ao invés de estarmos a procura de um bode expiatório para as nossas faltas estaríamos cada qual abraçando o nosso fardo e seguindo o nosso caminho, construindo o nosso destino.
 
Mas, como todos nós temos um certo pavor de sentirmo-nos culpados de algo, seguimos muitas vezes a via espúria da hipotética libertação em nosso esforço de negação da responsabilidade individual em detrimento da culpa coletiva simbolizada em alguma entidade abstrata que todos passamos a vitimar para assim nos sentirmos mais aliviados, sem, todavia, deixarmos de sermos culpados e responsáveis pela nossa tragédia existencial.
 
De mais a mais, quem a de nos julgar não é um mane como o que vos escreve, mas apenas Aquele que É, que tanto tentamos imitar pelos nossos desvios travestidos de suposta decência moderninha.
  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.