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Dartagnan Zanela

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

Sexta, 20 Abril 2007 21:00

Sem Segredos

O brasileiro médio analisa os acontecimentos, sejam eles hodiernos ou pretéritos, dentro de uma lógica que nem mesmo seria cabível dentro de um conto de fadas.

O brasileiro médio analisa os acontecimentos, sejam eles hodiernos ou pretéritos, dentro de uma lógica que nem mesmo seria cabível dentro de um conto de fadas. Entretanto, como neste país boa parte das pessoas se ufanam de nunca terem lido um livro sequer, tudo que é parvo torna-se possível e mesmo desejável, em especial, esta maneira peculiar de “pensar” onde tudo se sabe sem a necessidade de ter-se embrenhado nas veredas soturnas do conhecer.

É incrível como pessoas que não tem o menor amor pelo conhecimento nutrem uma voracidade tão grande pelo debate, digo, pelo que elas entendem por debate. Já reparam como nós agimos em relação aos mais variados assuntos de modo “crítico”? Nunca lemos nada profundo e significativo sobre um determinado assunto que esteja em pauta, mas, obviamente temos uma bem “fundada” opinião sobre o mesmo.

Nossa sociedade, em especial a fatia media desta(em termos sócio-econômicos), ama fazer pose de intelectual. É tagarela, moralista, indignada e, acima de tudo, descarada. Nossa sociedade, de um modo amplo, é uma legitima encarnação da Teoria do Medalhão de Machado de Assis, onde o conhecimento da verdade é desnecessário, mas o fingimento faz-se fundamental para a sobrevivência da indigente alma nacional.

Fingimos nos preocupar com o situação em que se encontra o Estado Brasileiro, sem estudar a sua formação histórica. Nos preocupamos com a economia, sem nos perguntarmos sobre os seus fundamentos. Nos alvoroçamos com o tal do aquecimento global sem em um único instante termos consultado um dado que não fosse oriundo da mídia chique que, por incrível que pareça, é objeto de desconfiança atroz. Mas, mesmo assim, discutimos entusiasticamente todos estes assuntos como se fossemos uma casta de ilustrados. Seres iluminados pelo vácuo de nossa ignorância voluntária.

O que importa nesta assembléia de inconscientes é que sejamos capazes de construir frases de forte impacto emotivo, frases que sejam bonitas e eloqüentes. E o mais importante: elas devem ser belas a tal ponto que nós mesmos sejamos capazes de acreditar versadas balelas, senão não seriamos um idiota completo, não é mesmo? Seriamos apenas mais um entre tantos e aí, não tem graça. Chique bem, é ser uma celebridade da imbecilidade.

Para podermos fazer parte deste grupo seleto da idiotia nacional, os celebres (de)formadores opinião, temos que formar uma grande clientela de idiotas menores que, além de não serem capazes de pensar de modo independente como os idiotas magnos, repitam as frases vazias ditas por estes para assim, como em uma espécie de mantra sacrossanto, possamos todos, comodamente, “pensar” através dos chavões decorados.

Nos apegamos a estas concepções turvas como se estas fossem nossos animais de estimação. Tratamos elas como se fossem parte integrante de nossa alma e, nos recusamos a debate-las com a merecida seriedade. Preferimos nos esquivar de tudo que possa realmente levar o nosso auto-engano ao descrédito.

Exemplo cabal do que apontamos aqui é o avesso que muitas pessoas tem a determinadas idéias e a determinadas pessoas. Quando perguntam para mim o que acho de fulano ou beltrano, respondo: não acho nada. Agora, se me perguntam o que penso de suas idéias e obras, a conversa muda de figura, visto que, a maioria das pessoas apenas tem uma forte antipatia a uma figura (ou teorias) por esta ser “pouco carismática” ou coisa do gênero.

Um julgamento deste quilate realmente é de grande valia para a manipulação das massas medianas, não para um exercício sério de compreensão da realidade.

Para se libertar desta armadilha epistêmica, não há segredo. Basta apenas que estejamos realmente dispostos a estudar com paciência os problemas que realmente desejamos entender. Porém, quando a mentira passa a ser parte integrante de nossa identidade, de nossa existência, a verdade nos coloca em estado de pânico pelo simples fato de mostra que não somos nada além de um engodo cinicamente edificado pela nossa massificante idiotia.

Quarta, 07 Março 2007 21:00

Basta Apenas Uma Vela

Ora, ao invés de termos uma campanha combatendo a oferta de esmolas, porque não temos uma do tipo “adote uma família?”

Existem muitas obras por serem feitas pelas mãos humanas neste mundo. Obras que requerem muito mais do que recursos de ordem financeira, trabalhos que requerem muito mais do que apenas vontade. Estas tarefas, impossíveis de serem numeradas, que convocam as mãos humanas ao labor, chamam nossas almas a verterem através de nossos gestos uma gota de misericórdia (ao menos) pelo próximo.

Tomamos como exemplo laminar desta carência, as inúmeras campanhas que já há alguns anos desestimulam os indivíduos a ofertarem esmolas aos indigentes que suplicam por um gesto de caridade. Aí, fico cá eu com meus botões a refletir: nós deixamos de estender a nossa mão para o indivíduo espoliado para que o Estado passe a carrega-lo no colo. Não é isso que está ocorrendo? Não é nisso que o nosso Estado está, dia após dia, se transformando?

Obviamente que a prática hipócrita de ofertar a uma pessoa algumas moedas não irá lhe retirar da miséria e muito menos resolver os seus problemas, pois, gestos como este acabam trazendo mais uma espécie de conforto fingido para nossas almas do que alguma resolução para a vida do cidadão expropriado de sua dignidade que, em muitíssimos casos, fará uso do dinheiro ofertado para comprar um gole de cachaça barata para aliviar a sua infelicidade.

Lembro-me como se fosse hoje da imagem de um senhor, com a face e os lábios feridos, de passo cambaleante, que, em uma manhã qualquer havia me abordado solicitando algumas moedas. Mais que depressa lhe ofertei alguns trocados e, no mesmo instante em que eu havia estendido a minha mão, uma mulher, provavelmente sua esposa, disse-me: “não dê o dinheiro não moço, porque ele vai comprar pinga”. Bem, deixei de ofertar as moedas para aquele homem, mas creio que o Leviatã pouco ou nada fez por sua vida.

Mas não quero aqui analisar a hipocrisia do Estado. Quero aqui confessar a minha, analisando este ocorrido. A oferta das moedas, não estava ali sendo feita com a intenção de aliviar a dor alheia, mas sim, com a mesquinha postura de, com aquele gesto, conseguir retirar aquela pessoa que estava na minha frente para que a sua imagem não mais incomodasse minha vista, tal qual o flâneur do Charles Baudelaire. Não me compadeci da mulher que me falou sobre o possível destino dos trocados. Apenas retirei-me com pseudo-ares de indignação farisaica.

Não tive misericórdia daquele casal, daquela mulher sofredora, pois, em minha indecência existencial, ela havia permitido com sua declaração que eu realizasse, sem peso para minha consciência, o que eu queria desde o princípio sem declarar publicamente a ninguém: retirar ambos do raio de percepção das janelas de minha alma pérfida.

Creio que eu não seja o único a carregar esta mácula no coração, como também creio piamente que estas campanhas de combate à oferta de esmolas geram apenas situações similares, trazendo uma boa justificativa para aliviar o nosso sentimento de culpa em relação à tragédia vivida pelo nosso próximo sem, obviamente, aliviar a penúria destes viventes.

Neste ínterim, cremos que as palavras do finado Sumo Pontífice João Paulo II em sua Encíclica DIVES IN MISERICORDIA são laminares quando este nos diz que: “A verdade revelada por Cristo a respeito de Deus 'Pai das misericórdias', permite-nos 'vê-l'O' particularmente próximo do homem, sobretudo quando este sofre, quando é ameaçado no próprio coração da sua existência e da sua dignidade”.

Eis aí o ponto nevrálgico da questão, que é o despertar de nossas vidas para esta prática, para esta vivência. Entendamos por misericórdia não os fingimentos mencionados, mas todos os laços que ligam os membros de uma comunidade como o favor, a benevolência, o afeto e a bondade (ver: Gêneses XX, 13; XLVII, 29). E, em ambos os casos mencionados, o da campanha e o da prática da oferta de esmolas, estamos mais e mais a nos afastar desta dádiva Divinal, não é mesmo?

Ora, ao invés de termos uma campanha combatendo a oferta de esmolas, porque não temos uma do tipo “adote uma família?” Isso, ao invés do Estado fazer-se assistencial, pessoas como eu e você poderiam agir de modo providencial não apenas ofertando pão, mas também e principalmente, uma palavra, um ombro amigo, um conselho, em fim, um tratamento dignamente humano, reintegrando-as na vida em comunidade. Não seria a hora de nós não mais apenas ofertarmos pão e sim uma palavra de consolo e motivação para que estas pessoas até então desdenhadas por nós possam reencontrar a senda de sua dignidade até então perdida? E, se lembramos bem, Cristo Jesus havia dito que não é apenas de pão que vive o homem, não é mesmo?

Por fim, de hipócrita para hipócrita, sejamos sinceros: você, tal qual a minha pessoa, vai continuar com a alma em estado de letargia existencial ou vai deixar-se sensibilizar pela Palavra da Verdade revelada pelo exemplo de Nosso Senhor fartamente descrita na Sagrada Escritura? Sei que tal reflexão é infinitamente inútil nos dias atuais e, provavelmente tais práticas também o sejam. Porém, não nos esqueçamos nunca que basta a luz de uma vela para quebrar com a continuidade das trevas.

Esta vela pode ser você.

Sexta, 02 Março 2007 21:00

A Mácula na Imagem

Porém, a capacidade de refrearmos os nossos impulsos naturais foi a grande passada dada pela espécie humana que nos distanciou da animalidade.

Uma das maiores conquistas obtidas pela humanidade em sua jornada por este pequeno planeta perdido em meio ao infinito do Universo é a capacidade de auto-controle. Roda, domínio do fogo, agricultura, metalurgia, etc., foram conquistas significativas, não há dúvida alguma sobre isso. Porém, a capacidade de refrearmos os nossos impulsos naturais foi a grande passada dada pela espécie humana que nos distanciou da animalidade.

Quem nos explica este fenômeno com grande propriedade é o sociólogo Norbert Elias que, nos lembra em suas laudas sapienciais que o nascimento da civilização humana tem início a partir do momento em que o ser humano começa a criar sistemas normativos e interiorizá-los. Deste modo, estas estruturas culturais passam a fazer parte de sua individualidade que, por sua deixa, passa a integrar um grupo de individualidades ao qual chamamos de sociedade onde este elemento passa a manter uma ampla relação de interdependência com os membros da referida coletividade e bem como para com o meio onde esta coletividade se encontra inserida.

Mas, para tanto, há-se a necessidade de termos o controle individual (auto-controle) de nossas pulsões que se dá através deste processo de interiorização dos valores edificados pelos indivíduos em seu convívio grupal através de gerações.

Ora, Santo Deus! A civilização a qual integramos hoje, com todas as suas virtudes e decrepitudes, não surgiram do nada, ao acaso. Ela é fruto de um grande esforço coletivo, milenar, que vem se formando a passos lentos sob a influência de múltiplos grupos de indivíduos e mesmo de indivíduos singulares que moldaram parcialmente e de modo totalmente indeterminado os caminhos que seriam singrados pela espécie humana.

Vocês não acham que os Gregos, Romanos, Judeus e primeiros Cristãos imaginavam que o mundo se tornaria tal qual ele é hoje? Do mesmo modo, nós temos apenas uma vaga idéia de como será o amanhã, mesmo que estejamos a fazer inúmeros planos pretensamente precisos, pois, a sua forma escapará por entre nossos dedos como a fina areia do deserto, do mesmo modo que ocorreu com as gerações que nos antecederam neste trilhar do deserto da existência.

Entretanto, em algo cremos ser correto afirmar. Se o que nos levou a avançar no processo civilizador foi à gênese e o respectivo progresso do auto-controle, podemos concluir que o desdém a esta categoria de nossa existência demasiadamente humana poderá levar-nos a passos largos a um retorno irrefreável ao estado da barbárie. Por isso nos indagamos, de modo amiúde: em que medida nós, pais e professores temos ensinado as gerações de idade mais tenra esta lição?

Apenas para ilustrar, lembramos aqui que as Religiões Tradicionais de um modo geral (não essas coisas biônicas criadas no vácuo do acaso pós-moderno), sempre ministraram lições que ensinam isto para os seus adeptos. Sobre isso, nos detenhamos apenas neste libelo ao caso da tradição Cristã Católica. Meditemos sobre o caso do Tempo da Quaresma.

Iremos nos esquivar nestas linhas das reflexões sobre o profundo significado místico e simbólico deste Tempo. Procuraremos apenas lembrar a grande contribuição que as práticas ascéticas que eram realizadas neste período no ensino do auto-controle dos nossos impulsos primários. O jejum, a abstenção de carne vermelha, em fim, as mais variadas formas de auto-sacrifício levavam o indivíduo por si a dominar as suas fraquezas e a meditar sobre a nossa debilitada condição humana.

Isso mesmo, ao que tudo indica, levava. Não leva mais. O sentido do auto-sacrifício perdeu muito do seu significado original. Mesmo o discurso sobre a necessidade de sua prática tornou-se mais ameno, para não dizer mais “superficial”, não é mesmo?

Tal fato, nada mais seria que um reflexo da circunstância de decrepitude em que se encontra a Civilização Ocidental onde dia após dia o lema “é proibido proibir”, gritado em maio de 1968, vem tomando mais e mais corpo, dando forma a esta enfermidade que infecta a todos em um misto turvo de consumismo parvo com a sanha hipócrita-revolucionária. Tudo muito bem temperado com o mais pérfido hedonismo.

Por fim, este é o mundo que estamos parindo com os nossos pequenos atos norteados pela mera satisfação irrefletida de nossos impulsos primários e imediatistas. Neste contexto, tudo se tornou chato se não for espetacularizado. Estudar tornou-se enfadonho. Rezar, para muitos fiéis, também. E, como o filósofo espanhol Julian Marías nos alertou em uma de suas conferências que, este cenário turvo que se desenha hoje é ainda um cenário que tem como pano de fundo os valores civilizacionais, mesmo que em decadência.

Agora, imaginem. Repito: imaginem o desenvolvimento deste cenário em um momento em que não mais exista este decadente pano de fundo. Será a barbárie? Não sei. Depende das escolhas que eu e você fizermos no correr de nossa mísera existência e do lugar que reservarmos para o auto-controle neste nosso percurso e, o Tempo da Quaresma, creio eu, seja um ótimo momento para refletirmos sobre isso.

Quinta, 22 Fevereiro 2007 21:00

A Tragédia da Tragédia

Infelizmente, o que vejo é apenas a espetacularização desta tragédia para esconder a grande desgraça de nosso País que é o fato que estamos no mato (de impostos) sem Estado (eficiente).

Antes de versar sobre o tema que pretendo discorrer nestas linhas mal fadadas, gostaria de lembrar um ponto que julgo ser simples e, por isso mesmo, basilar. Toda vez que decidimos tomar uma atitude de grande importância estando sob um forte bombardeio de emoções, corremos um sério risco de nos distanciarmos da verdade ou, no mínimo, de uma resposta lúcida as questões que nos convocam a contenda de idéias, que nos convocam a reflexão.

Corremos seriamente este risco diante do caso do garoto João Hélio, que Deus o tenha, por estarmos nos manifestando sobre um tema que até então não marcava presença marcante em nossas conversas formais e informais a não ser de modo secundário.

Que nossos representantes assim procedam para darem vazão aos seus projetos é deveras compreensível, visto que, estes não passam de uma massa de pusilânimes que fazem uso de todo e qualquer expediente para simular coragem frente a grande responsabilidade que estes deveriam fazer transparecer em seus atos mais corriqueiros. Mas, como a muito havia nos dito Humberto de Campos, nossos políticos são tal qual a nossa fauna: não há gigantes. Por isso muitos deles fazem uso da infelicidade desta família de brasileiros honestos e trabalhadores para demonstrar alguma preocupação para com a sociedade que eles dizem representar.

De minha parte, quanto ao ocorrido, por respeito a dor dos pais, prefiro me calar, pois sou pai e confesso: não sei o que faria se estivesse no lugar deles. Imagino que definharia até morte diante de tamanha tristeza.

Mas ouso lembrar apenas um acontecimento. Alias, ouso apenas indagar sobre três fatos que creio que sejam relevantes para serem trazidos a baila neste momento. Vamos avivar a nossa memória. Primeiro: que destino foi dado aos assassinos do índio Galdino? Isso mesmo! Que destino foi dado aos rapazes que, por farra, ensoparam um índio Pataxó com álcool, índio este que eles imaginavam ser apenas um indigente e, em seguida, lhe atearam fogo? Qual foi o destino que a justiça lhes auferiu? Qual foi o destino que nossa memória atribuiu a este caso?

Segundo: a quantas anda as investigações do assassinato do ex-prefeito da cidade de Santo André, Celso Daniel que, até o momento, colecionou inúmeros óbitos de pessoas que estavam direta ou indiretamente envolvidas nas investigações? Como está a família do finado que, segundo alguns, não foi assassinado por motivos políticos escusos? Atualmente, encontra-se exilada fora do país devido as inúmeras ameaças de morte, repetimos a pergunta: qual a atenção que nossa memória deu a este caso medonho?

Terceiro: fiquei curioso. Confesso que é uma curiosidade macabra, mas, como foi a morte dos outros 50.000 cidadãos brasileiros que foram estupidamente assassinados? Será que foram menos trágicas ou apenas não tiveram a mesma atenção dada pela mídia a esta tragédia carioca?

Ouso ainda levantar uma quarta indagação que, neste momento, me ocorreu. Nos três pontos que levantei linhas acima, em especial, nos dois primeiros, houve uma visível intenção de matar regado com requintes de crueldade, não é mesmo? Qual a postura dos poderes do Estado em relação a estes casos? Qual a nossa postura? De indignação ou conformismo?

Por fim, em meio a esta plúmbea atmosfera, pergunto: frente ao nosso sistema prisional, frente as limitações materiais de nossa força policial, frente ao envolvimento de muitas “otoridades” com pessoas da mais baixa estirpe, em fim, frente a este acampamento de refugiados chamado Brasil, você acredita mesmo que apenas com uma mudança aqui e outra acolá em nosso Código Penal irá resolver uma pequena parcela que seja da epidemia de insegurança que está tomando conta de nossa sociedade?

Olha meu amigo se a criação de leis e ministérios resolvessem os problemas de modo efetivo, a muito os estraves burocráticos deveriam ter sido resolvidos pelo extinto Ministério da Desburocratização (criado nos idos dos governos Militares) e o crime organizado deveria já estar em rápido processo de desmantelamento com o Estatuto do Desarmamento, não é mesmo?

Infelizmente, o que vejo é apenas a espetacularização desta tragédia para esconder a grande desgraça de nosso País que é o fato que estamos no mato (de impostos) sem Estado (eficiente). Sim, este com seus parasitas, irão fazer do flagelo deste inocente um circo para assim se esquivarem de sua responsabilidade, como sempre fazem.

E pior! Nós sempre caímos feito patinhos nestas bravatas que nem mesmo mudam de cor ou de tom da tragédia das tragédias que é circunstância atual em que vivemos imersos.

 

http://zanela.tk

Quinta, 25 Janeiro 2007 21:00

Dejeto Societal

Tornou-se um lugar comum a afirmação de que é muito mais fácil “governar” um povo sem instrução do que um que seja instruído.

Tornou-se um lugar comum a afirmação de que é muito mais fácil “governar” um povo sem instrução do que um que seja instruído. Tal lugar comum se fia no intento de justificar o relativo desdém que seria auferido pelas autoridades públicas pela educação. Ora, como é sabido por todos nós, os investimentos em educação existem, sim. Não na medida desejada pelos profissionais da educação (em especial com relação aos seus soldos), mas existem e vem crescendo dia após dia, mesmo que de maneira minguada.

Gostemos ou não, isto é um fato. Todavia, ponto que passa muito distante da percepção destes indivíduos que pensam a sociedade apenas através de um viés economicista, seria quanto a forma da educação que está sendo promovida atualmente e quais os princípios que são inerentes a essa forma de gestionar o fazer educativo e bem, principalmente, quanto ao conteúdo inerente a este fazer.

Povo inculto nada mais é que um aglomerado de indivíduos não inseridos formalmente nas regras oficiais do convívio social, porém, estes, através das tradições que lhe eram legadas, construíram um manancial conceitual, tradicional, que lhes permitia ter uma visão parcial dos fenômenos e, deste modo, intuir uma compreensão clara do mundo a sua volta. Estes valores poderiam até certa medida serem errôneos, mas, eram um ponto sólido que eles adotavam como referência para guiar os seus passos pelo vida.

No que tange o sistema educacional brasileiro contemporâneo, temos presente justamente um prisma inverso ao que fora apresentado acima. Primeiro, os valores que são ministrados são tão errôneos quanto os que eram transmitidos tradicionalmente nos aglomerados incultos, porém, no sistema educacional, não se fia nenhum porto seguro, nenhum valor, que se faça baliza para a compreensão do universo a volta dos indivíduos, visto que, o princípio que norteia esse fazer educacional seria tão só um relativismo absoluto que, por sua deixa, é reforçado pelo bombardeio estridente da mídia que praticamente tomou conta do espaço que antes era ocupado pela tradição oral da massa inculta.

Deste modo, as pessoas sendo assim instruídas, tornaram-se muito mais fáceis de serem manipuladas por terem sido e por serem, o tempo todo, condicionadas a mudarem de “ponto de vista” rapidamente, sem a devida análise do que estão fazendo por não terem mais a solidez de uma tradição para lhes servir de referência e por não serem capacitadas para realizar uma devida reflexão do que estão fazendo, por terem sido instruídas por veredas fundadas em princípios avessos a inteligência (no sentido escolástico-tomista do termo).

Querem um exemplo tosco? Vamos supor que em uma sexta-feira seja exibido uma reportagem no Globo Repórter que afirma que se comermos “tantas” maças por dia nós envelheceremos mais lentamente. No sábado a tarde, se formos ao supermercado, com certeza, encontramos pouquíssimas maças. Isso dermos sorte.

Com este exemplo não estamos questionando o conteúdo explícito do programa, mas a atitude implícita no sistema cultural de nossa sociedade. Ora, basta uma reportagem qualquer para mudarmos assim nosso “ponto de vista” sobre algo? Alias, como mudamos, não é mesmo?

Vejamos outra situação, esta inerente ao sistema educacional. Logo no início da guerra Contra o Terror, houve uma “sugestão” do Governo do Estado para que todos os professores da Rede Pública de Ensino trabalhassem com os alunos temas referentes ao que eles denominaram por “cultura da paz” para que os alunos aprendessem a ver os conflitos armados de modo mais “crítico”. Bem, o professorado, “criticamente”, acatou a “sugestão” da Secretaria Estadual de Educação de modo tão “crítico” quanto a proposta sem, ao menos, em um momento que fosse, terem dedicado a devida atenção para a compreensão do Conflito no Iraque e muito menos para os mais de quarenta conflitos (aproximadamente) que estavam em curso naqueles idos.

Com práticas como esta, o que se ensina? A acatar ordens na forma de sugestão para assim, o indivíduo imaginar que está pensando criticamente. Quer canalhice maior que essa? Por isso, governar um povo instruído, nestes moldes, é muito mais fácil do que uma massa inculta, visto que, a indolência da ignorância de uma é muito mais independente do que a servidão da nesciedade adestrada da outra.

Por isso, a afirmação que se faz repetir com grande freqüência de que povo instruído é mais difícil de se governar relativamente é verídica, mas, em si, seria uma nefasta mentira. Não? Então me diga por que Vargas, Hitler, Castro, Chávez e tutti quanti investiam e investem tanto em um sistema educacional uniforme e no controle dos meios de comunicação? Bem, você pode pesquisar e pensar um pouco sobre ou simplesmente acatar a minha sugestão como se fosse um pensamento seu.

Você é quem sabe, sabendo do que se trata ou não.

Obs.: sugerimos ao amigo leitor que acesse o nosso site e assista ao slide “O reino do Brasil”.

Terça, 16 Janeiro 2007 21:00

Toscas Reflexões

Nossa mídia, anti-americana até a medula, mostra o tempo todo imagens das ruínas de Bagdá, mas, até o momento, não mostrou a lista das armas químicas encontradas no Iraque. Por que será?

A vida em sociedade, com suas regras não escritas, é algo que fascina este missivista já há algum tempo. No final das contas, o que nós chamamos de comunidade humana nada mais é que um emaranhado de relações subjetivamente tecidas com vistas a abarcar relações e situações objetivamente percebidas. Dentre estas inúmeras relações humanas, uma que aqui no bojo destas linhas gostaríamos de destacar seria a da moralidade, enquanto uma instituição social edificada no interstício destas relações.

O filósofo alemão Athur Schopenhauer, se indagava com grande freqüência sobre este tema. Perguntava ele: “Como é possível que o sofrimento que nem é meu e nem me interessa me afete de imediato como se fosse meu e com a força tal a ponto de impelir-me à ação?” A essa atitude fundamentalmente humana, o referido filósofo atribuía a alcunha de “consciência metafísica”, ou seja, em situações extremas, em momentos de sofrimento intenso de uma pessoa conhecida ou desconhecida e, muitas vezes socialmente insignificante para o nosso grupo social, nós nos vemos, nos reconhecemos nesta imagem e nos percebemos como tendo uma unidade intrínseca com esse indivíduo que, se não estivesse naquela dada situação, nada significaria para nós.

Esta profunda empatia para com a dor daquele que até então não existia socialmente para nós, faz-nos ter a sensação de que não somos apenas uma pequena ilha existencial perdida no meio do oceano da vida, mas sim, que, de certo modo, nós somos parte de um grande continente chamado humanidade.

Todavia, no cenário hodierno, cremos ser extremamente relevante refletirmos sobre os uso dolosos que são feitos desta característica humana, em especial, quanto são utilizadas imagens deste gênero para ilustrar debates que deveriam ter um mínimo grau de racionalidade e uma boa dose de razoabilidade.

Exemplo disso é o modo como as notícias de um modo geral são apresentadas nos veículos de comunicação e, de um modo particular, as notícias que se referem a determinados fatos extremados como a ocupação Estadunidense do Iraque, onde imagens de situações extremas são utilizadas para desfocar os assuntos em questão e, deste modo, desvirtuando qualquer tentativa de reflexão séria.

Um primeiro ponto que destacaríamos neste caso é o discurso dos pacifistas que, adotam a postura anti-conflitos como uma categoria absoluta, idealizando relações que não existem no mundo atual e que nunca existiram em toda história universal. Idealismo este edificado sobre as chocantes imagens selecionadas e editadas pela mídia televisiva sobre o conflito. Ora, aí cabe algumas observações. Primeiro, no cenário internacional os USA não são a única força a atuar em defesa de seus interesses e, por isso, a defesa de ideal de um mundo sem guerras (em especial, a do Iraque), beneficia a quem? Segundo, já pararam para refletir sobre os grupos que se opuseram ao referido conflito? Alias, quanto a ONU, você sabia que a maioria absoluta dos países membros, são governados por regimes ditatoriais e que, 60 deles, são islâmicos? Sabendo disso, creio que não teríamos nem que indagar o porque da oposição desta organização medonha contra o destronamento de Hussein.

E mais, a ONU vinha a 10 anos enrolando o mundo, dizendo que estava tentando resolver o problema do Iraque pacificamente, mas que, na verdade seus burocratas estavam mesmo a encher as burras com os recursos oriundos do programa PETRÓLEO POR COMIDA. E mais. Nossa mídia, anti-americana até a medula, mostra o tempo todo imagens das ruínas de Bagdá, mas, até o momento, não mostrou a lista (presente no site do Pentágono) das armas químicas encontradas no Iraque. Por que será?

Não é uma questão de formularmos um texto que crie uma imagem em nossas mentes para que adotemos uma determinada postura, pois, tal atitude, é impensada e irrefletida já que é assim que se manifesta a “consciência metafísica” que neste cenário midiático vê-se mutilada e flagelada. Mas sim de refletirmos sobre essas informações e assim procurarmos novas fontes para podermos realmente constatarmos a magnitude do drama humano ocultado pelas lentes.

Todavia, como a sociedade brasileira não é afeita desta prática (estudo e reflexão) então, partilho aqui a seguinte indagação sobre esta “pia” organização: se a ONU, esta organização “humanitária” é tão preocupada com o drama humano, por que em seu quadro de burocratas, mais e mais tem surgido denúncias contra seus funcionários de estarem molestando sexualmente crianças de campos de refugiados? Claro que, tal notícia não é vinculada no Jornal Nacional ou em qualquer outro veículo de desinformação televisivo, mas, isso não significa que tais práticas não esteja sendo feitas só porque você não foi sensibilizado por nenhuma imagem.

Terça, 12 Dezembro 2006 21:00

Bakunin e os Marxistas

Já cansei de ouvir a balela de que o Partido dos Trabalhadores traiu os seus princípios e as bandeiras que historicamente foram os seus estandartes de luta.

Já cansei de ouvir a balela de que o Partido dos Trabalhadores traiu os seus princípios e as bandeiras que historicamente foram os seus estandartes de luta. Cansei de ouvir e ler bravatas sobre a contaminação que esse partido “purista” sofreu com a dita política “burguesa”. O meu cansaço frente a essas ladainhas e lamúrias se deve a inúmeros pontos que se fazem vazios no discurso dos simpatizantes desta ideologia, mas, brevemente, me aterei a apenas dois deles.

O primeiro no que diz respeito a sua suposta traição frente aos macabros ideais socialistas. Bem, para o amigo que ainda tem esse sentimento a corroer as suas entranhas sugiro que procure se informar das atividades que são orquestradas pelo Foro de São Paulo, entidade estas que congrega todos os partidos e organizações canhotas da Latino América e que foi fundada no início da década de 1990 pelo nosso atual presidente da República, Fidel Castro e et caterva. A documentação sobre a referida entidade se encontra disponível no próprio site do Partido dos Trabalhadores e as suas atas e demais deliberações disponíveis organizadamente no site Mídia Sem Máscara [http://midiasemmascara.com.br].

Ainda sobre este ponto, frisamos que, o que mudou na forma de atuação da esquerda não foi uma mudança quanto aos princípios, mas sim e unicamente de estratégia. Apenas aqueles militantes muito mais dotados de hormônios do que de uma predisposição a desenvolver sinapses mentais acreditam que só se chega ao cadafalso socialista através de barricadas e coisas do gênero. Por isso, recomendo, urgentemente, para todo aquele que queira compreender as ações da canhota brazuca e Latino-americana que leia as obras de V. Lênin (recomendação do próprio José Genuíno) e de A. Gramsci para assim melhor compreender a formação da casta dos revolucionários profissionais, da estratégia das tesouras, da ocupação de espaços e da revolução cultural.

Segundo ponto que gostaríamos de tecer alguns comentários é para o fato de essas viúvas do Muro de Berlim “pensam” o mundo como se a humanidade caminhasse univocamente para um destino de maneira uniforme e, que a maldita revolução só pode ocorrer a partir da correta observação dos pontos doutrinalmente estabelecidos nos Evangelhos segundo Marx que eles, na maioria conhecem apenas de ouvir falar. Mesmo após o amplo revisionismo que muitas escolas de intelectuais fizeram frente a tudo isso, estes ainda, mesmo que veladamente, nutrem as mesmas crenças, mesmo após um emaranhado de equívocos e, frente a tudo isso que eles pretensamente dão a alcunha de socialismo científico.

É tão cientifico que todas as suas tentativas de fazer acontecer o Éden socialista resultaram apenas na miséria socialmente distribuída. No Brasil atual, somente um cego não percebe isso sendo construído. Digo, somente quem é incapaz de perceber e compreender os acontecimentos serem desenrolados a médio e longo prazo.

Mas, como sempre, essa gente que nutre uma irascível fé em torno desta doutrina política despida de qualquer expressão resoluta e dedicada a compreensão, mais que depressa irão concluir que estas linhas seriam uma forma de heresia “neoliberal” ou “reacionária” contra o seu mantra materialista salvador.

Por isso, lembro aqui as palavras do filósofo anarquista (por infeliz coincidência, tradutor do Capital para a língua russa) Mikail Bakunin (1814 - 1876) que, de forma singular afirmava que: “O governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmo e a suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso, não conhece a natureza humana”.

Tamanha é a sanha destes indivíduos em transformar a natureza humana que pouco tempo acabaram por dedicar a compreensão dela, desconhecendo assim a natureza que pretendem, supostamente, melhorar. Tal é a incompreensão destes que pouco entendem do próprio movimento que eles fazem parte e julgam ser integrantes ativos e críticos e nós, obviamente, seriamos apenas alienados por não percebermos a doçura que eles dizem haver em seu fel.

Domingo, 26 Novembro 2006 21:00

Nada de Novo

Atualmente, nesta juvenil vivência de um regime democrático, vemos sempre, com grande freqüência, infelizmente, uma e outra voz queixar-se de perseguição de caráter político.

A experiência democrática nestas plagas é algo extremamente recente e ainda começa totalmente às avessas. Por isso, considero de grande relevância que reflitamos sobre a nossa formação histórica autoritária que, em várias ocasiões soube dissimular plúmbeos ares de odor democrático, ares simulados inclusive por aqueles de que diziam e disse serem os defensores da democracia.

Atualmente, nesta juvenil vivência de um regime democrático, vemos sempre, com grande freqüência, infelizmente, uma e outra voz queixar-se de perseguição de caráter político (ou formas dissimuladas de coação) e, ao mesmo tempo, uma e outra voz, brindar tal perseguição como se fosse algo aceitável e, até mesmo, justo.

Quanto a essas práticas que se encontram deveras presentes em nossa sociedade ainda hoje e que, creio eu, continuarão existindo por muitos anos e, por isso, devemos alimentar uma devida ponderação sobre a sua relação visceral para com as instituições de nossa sociedade. Por isso, julgamos necessário que refletirmos sobre a forma como é exercida muitas vezes a autoridade.

Erich Fromm (1900 – 1980), em sua obra TENER Y SER (pág. 53 – 55), nos aponta para a existência de duas formas de autoridade. Uma ele denominou de autoridade racional e a outra de autoridade irracional. Nesta caracterização o mesmo procura nos evidenciar a diferença entre ser uma autoridade e ter uma autoridade.

A primeira se caracterizaria simplesmente pelo exercício da competência e do mérito, onde aquele que a exerce procura promover o crescimento dos demais que estão a sua volta. A segunda, por sua deixa, seria a autoridade exercida a partir de um cargo, ou de uma posição social, ou mesmo (e praticamente em todos os casos) pelo exercício da coação física ou psicológica (principalmente esta, nos dias hodiernos).

Obviamente, volvendo nossas vistas sob a nossa civitas, encontraremos em abundancia a segunda forma de autoridade, aquela que apenas se têm sem sê-la, e em raras ocasiões perceberemos aquela que é exercida por simplesmente ser uma autoridade.

Lembro aqui, nestas linhas, que o exercício de uma autoridade irracional só é possível quando se tem uma ampla base de sustentação social movida pela procura desta irracionalidade. Frente a indivíduos pensantes, dificilmente teríamos o império da coação, mas, como via de regra, o que há seria tão só uma massa ignara disforme, apática e oportunista, o que temos é isso, em boa parte das instituição que dão forma a nossa sociedade.

Essa expressão torpe que dá forma ao corpo societal, em si, não seria um emaranhado de mentirosos que procuram ludibriar a vida para assim melhor se enquadrar em seus quadros, mas sim, uma multidão de neuróticos, ou seja: essa platéia bestializada, não suporta de modo algum a verdade e, para tanto, conta para si e para os demais uma mentira para acobertar o veritatis splendor. Porém, estes se esqueceram de que eles a propagaram e, deste modo, passam a aceitar esse engodo como sendo “a Verdade”, tornando-se incapazes de se livrar dela simplesmente porque a sua integridade psíquica depende de toda a farsa armada por eles mesmos.

Sobre este ponto, Fromm, e sua obra “O MEDO À LIBERDADE” nos explica que: “Nos impulsos neuróticos, a pessoa age devido a uma compulsão que possui caráter intrinsecamente negativo: escapar a uma situação intolerável. Os estímulos tendem para uma direção que só ilusoriamente constitui uma solução. Na verdade, o resultado é oposto àquilo que a pessoa quer alcançar; a compulsão para livrar-se de um sentimento insuportável era tão intensa que a pessoa não pôde escolher uma linha de ação que pudesse ser uma solução em outro sentido que não o imaginário”. (pág. 127)

Por essa razão que sempre quando uma verdade é proclamada os indivíduos que se encontram imersos num simulacro desta feitura, sentem-se agredidos, atacados, ou mesmo indignados. Não entendo muito bem como que pessoas indignas se indignam, mas o fato é que essas em sua reação “moralista” apenas estão a apresentar a sua feição neurótica e, por essa mesma razão, decadente, justamente por sua existência depender de uma autoridade irracional que tolhe o seu crescimento por eles literalmente necessitarem continuar humanamente insignificantes e, quando qualquer elemento, aponta essa situação, logo ficam todinhos arpoados com uma fera acuada.

Quebrar esse invólucro, literalmente é uma tarefa colossal e lutar contra isso, uma legítima epopéia quixotesca. Mas creio ser muito mais digno fazer-se um leão solitário frente a esta pasmaceira do que ser mais um membro desta patuleia que necessita insanamente fingir ser algo que não se é para poder garantir uma pacóvia existência rodeada de lisonjas artificiais e rasas, tais quais as suas diminutas almas. Ou seja: nada de novo por estas paragens, nem mesmo o brilho ofuscante do sol.

Quarta, 15 Novembro 2006 21:00

Notas Sobre a Arrogância

Doravante, em nosso cotidiano soturno, costumamos demonstrar uma postura similar, se não pior, que a de muitos de nossos parlamentares, fazendo assim, jus a nossa parva representação política.

Em nosso dia a dia, temos muitas vezes que nos defrontar com situações inusitadas, situações estas que requerem de nossa pessoa, uma resposta imediata e que, ao menos, seja plausível. Todavia, nós, em nossa condição ridiculamente humana, somos incapazes em muitas destas circunstâncias de auferir uma resposta da monta que nos é exigido, pois, como bem nos lembrava Friedrich A. Hayek, nós somos, por nossa constituição, incapaz de conhecermos a realidade de uma maneira total, podendo abarcar apenas algum de seus aspectos para assim, interagindo com os demais seres humanos para, deste modo, podermos construir uma possibilidade de ação.

Este é um fato obvio até por demais e, por essa mesma razão, nós com grande freqüência o desdenhamos, consciente ou não de estarmos fazendo isso. Exemplo dessa prática podemos encontrar com grande freqüência nos discursos dos políticos demagogos, protótipos de tiranos totalitários, como em nossos gestos mais corriqueiros.

No primeiro caso, basta prestarmos atenção em alguns dos projetos propostos pelos nossos representantes políticos, para percebermos o quanto que essas propostas são inócuas, que pretendem transformar uma determinada realidade sem, ao menos, levá-la em consideração.

Caso flagrante do que estamos apontando seria o projeto de Lei do Senador Mineiro Eduardo Azevedo (PSDB), que pretendia regulamentar (entenda-se burocratizar e, conseqüentemente cercear) o acesso e o uso da internet. Podem ser enquadrados também os já arquivados projetos de complemento 10% de farinha de mandioca à farinha de trigo (para baixar o seu custo e torna-la mais acessível) que fora proposto pelo Deputado Aldo Rabelo. Também da autoria deste, temos a proibição de estrangeirismos. Outro curioso seria o Projeto de Lei 137/2004 que criaria assim chamada “Poupança Fraterna”. E por aí segue o andor.

Doravante, em nosso cotidiano soturno, costumamos demonstrar uma postura similar, se não pior, que a de muitos de nossos parlamentares, fazendo assim, jus a nossa parva representação política.

Ora, quantas e quantas vezes não opinamos de maneira contundente e até mesmo agressiva sobre assuntos que conhecemos apenas de maneira superficial ou que desconhecemos por completo? Lá estamos nós, em um bar, em uma barbearia, ou em uma sala de aula a simular um saber ao qual não possuímos. E pior. Em muitas destas ocasiões somos advertidos por alguém que conhece o assunto em pauta e, neste momentos, como reagimos? Ficamos em silêncio e desdenhamos todas a fontes de informação apontadas pelo mesmo ou, na pior das hipóteses, além do desdém auferido para as suas palavras e sugestões, nós o acusamos de pedantismo e arrogância. Não assim?

Ora, como bem nos aponta Rubem Alves, em sua obra “Filosofia da Ciência”, que: “A habilidade para prever e predizer os acontecimentos, de entender o mundo em que se vive, e assim a capacidade para antecipar eventos e evitar a necessidade de reajustamentos bruscos, é um pré-requisito absoluto para que o indivíduo se mantenha inteiro. O indivíduo deve sentir que ele vive num ambiente estável e inteligível, no qual ele sabe o que fazer e como fazê-lo...”.

A observação tecida pela educador é perfeita, porém, o que se faz incrivelmente curioso, é como nós, de um modo geral, somos capazes de encontrar ordem e estabilidade sem ao menos termos procurado qualquer informação que venha a nos dar o mínimo de sustentabilidade como se, de maneira inata, já tivéssemos todas as respostas necessárias para uma existência digna.

Bem, eis aí, o reflexo de nossa sociedade (com acesso a informação). Um amontoado de pessoas que se ufana de nunca ter lido um livro na vida (ou de ler todos os de auto-ajuda) e, mesmo assim, terem sempre uma “boa opinião” sobre o que está acontecendo a sua volta. Mas é claro que, para essa gente miúda, o arrogante será sempre pessoas similares ao missivista desta linhas, não é mesmo?

Quarta, 01 Novembro 2006 21:00

Simplex Véritas

De nada adiantará haver reforma política se a sociedade civil realmente resolver se organizar. Enquanto continuarmos a nos deixar fazer de reféns desta casta patrimonialista que nos espolia, seja ela rubra ou meramente de uma linhagem destra e fisiológica.

É curioso o fascínio que as pessoas alimentam em torno dos ritos de passagem, destes momentos que são envoltos de ponta e prestígio como um pleito eleitoreiro como o que acaba de findar. Alimenta-se uma expectativa tão grande que a impressão que se tem é de que não só a nação, mas o mundo todo irá se transformar com o toque da vara de condão de nossos caudilhos populistas.

Alias, nos orgulhamos bestamente de nosso eficiente sistema de urnas eletrônicas como se estas fossem a última palavra em “democracia” pelo simples fato de ser tão só (nada mais que isso) mais rápido do que o sistema de votação de outras nações mais avançadas tecnológica e economicamente do que nós. Quanto surge este tipo de comentário, obviamente que a pedra está sendo atirada nos USA.

Bem, então chamaria atenção da ufanista idiotia patrioteira para fazer uma outra comparação para avaliação da “validade” de nossa democracia. Compare a estrutura das Escolas e Colégios Brasileiros onde ficaram as maravilhosas urnas eletrônicas com a estrutura das Escolas e Colégios Estadunidenses onde são colocadas as suas urnas cafonas as quais nem fazem barulhinho quando você vota, para lhe lembrar que seu voto foi devidamente sufragado.

Pior que isso tudo é a crença praticamente patológica em nossa classe política como se esta fosse a única capaz, e mesmo autorizada, a atuar na resolução das pendengas de nossa sociedade. Ora, não nos esqueçamos que nós criamos essas aberrações que nos (des)governam, feito mães irresponsáveis, intoxicadas de desídia e chimarrão que parem os guris e os deixam por conta própria na casa enquanto se reúne com as demais da sua estirpe para falar da vida alheia na tentativa pífia de encontrar um bode expiatório para a situação criada por elas mesmas.

De nada adiantará haver reforma política se a sociedade civil realmente resolver se organizar. Enquanto continuarmos a nos deixar fazer de reféns desta casta patrimonialista que nos espolia, seja ela rubra ou meramente de uma linhagem destra e fisiológica. De pouco nos servirá tal reforma se não nos libertarmos de nossa lassidão cognitiva e cívica, se continuarmos a nos impressionar, a nos indignar e, sem tormentos ou receio, entregar nossa confiança cega e sonsa para outro grupelho politicamente organizado.

Em sua obra A GAIA CIÊNCIA, Friedrich Nietzsche, nos aponta que os homens corruptos: “[...] sabem que há outras formas de matar que não seja pelo punhal e pela emboscada – sabem também que se acredita em tudo que é bem dito. – [...] é preciso esperar que ‘os costumes se corrompam’ para que esses seres chamados tiranos comecem a aparecer”. Bem, os nossos costumes mais do que a olhos vistos estão degradados e quanto aos tiranos, estes não nos faltam candidatos. Todavia, o mais sanguinário e truculento de todos praticamente já se assenhoreou do poder. Não é o Lula não meu caro. É a massa ignara, disforme, tal qual os nossos conceitos de ordem ética e moral.

Todavia, não vejo esse momento vivido como sendo negativo, pois, como todos sabemos, a estupidez humana é e sempre será tanto eterna como infinita. Alias, vejo neste momento pútrido como uma ótima ocasião para a emergência de uma percepção mais lúcida. Não por parte da sociedade como um todo, pois, a dita “consciência” coletiva nada mais é do que um resumo tosco, uma forma de decorada para macacos militantes imitadores temerosos de não fazerem parte da festa de idiotia democrática. Vejo como um momento ímpar para que os indivíduos, por si, sem terem de se atrelar a um dono ideológico, refletirem sobre a nossa desventura civilizacional. Fora disso, será apenas uma mudança nos rumos da manobra da referida massa.

O próprio Nietzsche, na obra referida linhas acima, nos lembra que (isso no século XIX), um dia, a política viria: “[...] a ser considerada tão vulgar que seria classificada, como toda literatura de partidos e de jornais, sob a rubrica ‘prostituição do espírito’”. Tal momento, creio eu, chegou em seu ápice, aqui nestas terras de Pindorama. Cabe a cada um pensar sobre isso com a seriedade que habita o seu ser, não mais através da volúpia das multidões.

Por fim, se você é daqueles que adora apregoar que a culpa aos miseráveis e desvalidos ou em nossa classe dirigente, esqueça. Pode ir parando por aí. Não foram eles que perverteram a nossa ordem moral, não foram eles que inverteram os pesos e as medidas éticas. Os responsáveis por isso foram justamente aqueles que, como eu e você, tiveram acesso a uma parva ilustração e que aprenderam a repetir verbetes decorados como se fossem verdades reveladas sem ao menos refletirmos sobre o assunto agindo como um bando de iludidos que fingem estar desiludido. Ora, sejamos sinceros: existe algo mais patético que isso?

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