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Dartagnan Zanela

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

Terça, 23 Setembro 2008 21:00

Outra Resposta Necessária

Como é que pode apenas a menção feita, por uma indigna pessoa como eu, sobre a validade do voto nulo deixou tantas pessoas ouriçadas.

"Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta." (John K. Galbraith)

"É necessário que os princípios de uma política sejam justos e verdadeiros." (Demóstenes)

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Como é que pode apenas a menção feita, por uma indigna pessoa como eu, sobre a validade do voto nulo deixou tantas pessoas ouriçadas. Bem, isso faz parte da ambiente democrático e são justamente essas divergências que dão o tom desta criação grega.

Mais uma vez, lá estava o meu perfil no Orkut recebendo comentários sobre o meu artigo PENSO, LOGO ANULO. Todavia, desta vez não era uma pessoa magoada e manhosa que estava tecendo os seus queixumes quanto as minhas convicções políticas, não mesmo. A pessoa levantou um questionamento bastante interessante, o que literalmente demonstra que a pessoa que escreveu o comentário meditou e refletiu sobre minhas parvas palavras e isso, meus caros, muito me alegra, pois, neste caso, sinto que atingi o meu magno intento, que é o de convidar as pessoas a pensarem com a devida seriedade e serenidade sobre um momento como este e não apenas se empastelar em panelinhas de petralhas que torcem por “A”, “B”, “C” ou por nenhum deles.

Este novo comentador questionava-me sobre o fato que nós deveríamos dar um voto de confiança, sim, para os políticos, pois, via de regra, os pais dão um voto de confiança para nós, professores, no momento que eles matriculam seus mancebos em uma Instituição de Ensino.

Muito bem, ótima colocação. Mas, vamos analisar um pouco esta observação. Se os pais dos jovens e crianças confiam em nós, professor, da mesma forma que eles confiam nos representantes públicos, muito se explica porque o sistema educacional brasileiro está do jeito que está, não é mesmo? Aliás, o maior fruto de nosso sistema educacional que muitos pais confiam cegamente são alunos que, nos testes internacionais, sempre ficam nos últimos lugares (WEBER; 2007).

De mais a mais, se os pais colocam os seus filhos nas escolas da mesma forma que eles elegem um candidato, não teremos como discordar do filósofo Olavo de Carvalho quando ele afirma que a diferença do sistema educacional brasileiro e do crime organizado seria que o crime é organizado (CARVALHO; 2007).

Ainda sobre este ponto, o economista Claudio de Moura Castro (2001), fala-nos que “O programa mostra que a escola brasileira não está ensinando seus alunos a ler um texto escrito e a retirar dele as conclusões e reflexões logicamente permitidas. ‘Das mil coisas e conteúdos que a escola faz ou tenta fazer, o Pisa está nos mostrando que ela se esquece da mais essencial: dar ao aluno o domínio da linguagem’."

Bem, um pai que confia, cegamente, a formação de seus filhos para um sistema educacional como o brasileiro, deve se questionar o mais rápido possível sobre a confiança que ele deposita nesta instituição decrépita que é o ensino obrigatório em Instituições de Ensino (ILLICH; 1977). Aliás, nós, professores, se realmente amamos nosso ofício, devemos, urgentemente, também refletir sobre este ponto e, fundamentalmente, agir para modificar este cenário.

Doravante, se fôssemos calcular a porcentagem de pais que acompanham a vida escolar de seus filhos o número seria assustador, visto que, estes, ao “confiarem” a educação de seus filhos para uma Escola, não o fazem como faria um bom cidadão, fiscalizando tanto o andamento do seu filho como o funcionamento da Escola onde o pequeno fora matriculado, mas sim, age como a maioria dos cidadãos brasileiros de meia-pataca: largando (não confiando) seus filhos nas mãos dos educadores e apenas vão se preocupar como eles se, porventura, ele vier a reprovar de ano ou não. Ora, não é assim que acontece?

E mais! As Instituições de Ensino não são entidades etéreas que existem acima da sociedade. Estas, via de regra, refletem e reproduzem os valores da própria sociedade (BOURDIEU; 1998) e, para piorar o angu, servem muitas vezes (no Brasil, constantemente) como um mecanismo de controle do Estado e não como um ambiente para fomentar o crescimento individual do aluno (ALTHUSSER; 1974).

No caso de nosso país, também não podemos esquecer que as escolas, tal qual a sociedade em que ela está inserida, impera a troca de favores, o apatrinhamento (velado ou não), os redutos eleitorais (ou currais eleitoreiros, se preferirem), o mandonismo e tutti quanti. Estes, que se fazem presentes e muitíssimo vivos na cultura política de nosso país também estão dentro da maioria avassaladora das Instituições de Ensino brasileiras (ALMEIDA; 1996). Infelizmente, não temos como negar este fato (bem que eu gostaria de ser desmentido).

Por essas e outras que reiteramos o que já havíamos dito no artigo citado no início desta missiva (2008a) e no artigo UMA RESPOSTA NECESSÁRIA (2008b). A parte de menor relevância na vida política de uma cidade é o ato de votar. O que é mais importante na vida cívica é o que você faz no dia a dia em sua CIVITAS.

Claro que não se deve dar tanta importância para as palavras escritas por um professor caipira como eu. Por isso, vejamos como os gregos, nos áureos tempos de Péricles (pai da democracia), faziam. Nestes idos, em muitas ocasiões não havia votação para ocuparem-se determinados cargos públicos. Fazia-se apenas um sorteio entre os cidadãos, pois, para serem cidadãos, os indivíduos deveriam ser pessoas dignas e que tivessem servido ao bem da POLIS (WELLS, 1970). Ou seja, no nascedouro da democracia, o votar não era o centro da vida cívica. O ponto central era a sua dedicação na preservação dos valores da comunidade (HELD; 2001). Cada cidadão não via o governo como algo externo e distante, mas sim, se consideravam como parte integrante e atuante da máquina governamental (ROSTOVTZEFF; 1977).

Ora, se formos tecer uma análise, por mais breve que seja, a respeito de nossa sociedade e de sua cultura política, tomando como modelo comparativo a cultura política da Grécia Clássica, inevitavelmente chegaremos a conclusão que nos é apresentada pelo Estagirita (ARISTÓTELES; [s/d]). Este nos diz que quanto um governante (Rei, Aristocratas ou Povo) governam para o bem, nós temos um governo virtuoso (Monarquia, Aristocracia e Democracia, respectivamente). Todavia, quando os governantes governam para o seu próprio bem, nós temos o governo dos medíocres tomados e cegos pelos vícios. Ou seja: uma Tirania, uma Oligarquia ou uma Oclocracia.
Nossa cultura política, como ela é vivida em nosso dia a dia e que é reproduzida em nossas Instituições de Ensino se enquadraria em qual dos “tipos” apresentados pelo filósofo grego Aristóteles? Seja sensato.

Muito bem. No que tange o sistema educacional, as considerações tecidas no parágrafo acima também são necessariamente cabíveis, principalmente em uma sociedade como a nossa onde as Potestades Estatais controlam direta e indiretamente todo o sistema educacional e ameaçam prender todo pai e toda mãe que ouse educar os seus filhos em casa contrariam os ditames dos iluminados do MEC (HOFFMAN; 2008).

E mais! Junte a isso uma sociedade tomada pelo parasitismo clientelista e pelo descaso em relação a vida cívica e você terá uma clara visão deste acampamento de refugiados chamado Brasil. Se você quer se entregar a esse angu (depre)cívico, tudo bem, eu respeito. Mas, não me peça para participar disso como se fosse algo digno, elevado e bom, pois, a duras penas, venho me esforçando para deixar de ser tal qual a sociedade brasileira descrita por Machado de Assis: uma sociedade cínica e dissimulada.

E confesso: nadar contra toda esta maré, não é fácil. Mas creio, piamente, que vale a pena, pois a reforma do sistema educacional não começa pelas instituições ou pela troca de governantes, mas sim, pela reforma de nossas atitudes e, conseqüentemente, de nós mesmos. Eis aí, o grande desafio político e educacional de nossa nação que nós preferimos nos esquivar através do fascínio ululante que um ano eleitoral causa em nossas almas.

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REFERÊNCIAS:

ALMEIDA, Ana Maria Fonseca de. O jogo com a regra – Clientelismo na administração da educação pública. In: Revista Educação & Sociedade – UNICAMP (pág. 52 – 89), n. 54 – 1996.

Alunos brasileiros ficam em último lugar em ranking de educação. In: Folha de São Paulo, 04 de dezembro de 2001. Disponível na internet:  http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u7328

ARISTÓTELES. A Política. Tradução de Nestor Silveira Chaves. São Paulo: Editora Atenas, 6ª edição, [s/d].

ALTHUSSER, Louis. Ideología y aparatos ideológicos de Estado. Traducido por Alberto J. Pla. Buenos Aires/Argentina: Ediciones Nueva Visión, 1974.

BOURDIEU, Pierre. Escritos de Educação. Petrópolis: Editora Vozes, 1998.

CARVALHO, Olavo de. De Platão a Mangabeira. In: Jornal do Brasil, 04 de outubro de 2007. Disponível na internet: http://www.olavodecarvalho.org/semana/071004jb.html

HELD, David. Modelos de democracia. Madrid/Espanha: Alianza Editorial, 2001.

HOFFMAN, Matthew Cullinan. Adolescentes que estudam em casa alcançam vitória surpresa em confronto com o governo. IN: Escola em Casa, 04 de setembro de 2008. Disponível na internet: http://escolaemcasa.blogspot.com.

ILLICH, Ivan Illich. Sociedade sem Escolas. Petrópolis: Editora Vozes, 1997.

ROSTOVTZEFF, Michael. História da Grécia. Tradução de Edmond Jorge. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1977.

WEBER, Demétrio. Entre os piores também em matemática e leitura. In: O Globo, 05 de dezembro de 2007. Disponível na Internet:http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=398093

WELLS, Herbert George. História Universal – Vol. 03. Tradução de Anísio Teixeira. São Paulo: Editora Companhia Nacional, 1970.

ZANELA, Dartagnan da Silva. PENSO, LOGO ANULO. In: FALSUM COMMITTIT, QUI VERUM TACET, 31 de agosto de 2008a. Disponível na internet:http://dartagnanzanela.k6.com.br.

__________. UMA RESPOSTA NECESSÁRIA. In: FALSUM COMMITTIT, QUI VERUM TACET, 04 de setembro de 2008b. Disponível na internet: http://dartagnanzanela.k6.com.br

Sexta, 05 Setembro 2008 21:00

Penso, Logo Anulo

Por que eu devo sentir-me obrigado a dar um voto de confiança para alguém que não é digno deste gesto? Por que eu devo confiar em alguém que não inspira a menor confiança?

"Os grandes só parecem grandes porque estamos ajoelhados". (Pierre Joseph Proudhon)

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Por que eu devo sentir-me obrigado a dar um voto de confiança para alguém que não é digno deste gesto? Por que eu devo confiar em alguém que não inspira a menor confiança? Julgamos que essas duas perguntas apontas nas linhas iniciais deste modesto libelo são indagações que de modo algum devem ser caladas na (depre)cívica alma do povo brasileiro neste ano de 2008 da Graça de Nosso Senhor.

Fazer essas duas perguntas seria a atitude que toda pessoa decente deveria necessariamente fazer, pois votar, nada mais é do que atribuir a outrem um gesto de confiança de que este fulano irá dirigir a coisa pública de modo que venha a refletir os valores que você julga serem os corretos, os mais elevados.

Votar, neste sentido, não é apenas um ato de escolher de uma pessoa, ou de apoiar uma legenda partidária, não mesmo. Votar, antes de tudo, é um gesto de escolha de valores, um ato axiológico por excelência.

Isso mesmo, meu amigo. Os candidatos, cínicos ou não, os partidos políticos, putrefazes ou não, são apenas símbolos que representam os valores que nós, simiescos cidadãos brasileiros, escolhemos para refletir o que há de mais semelhante com a nossa fingida existência. Podemos dizer que em num processo eleitoral, temos a presença de inúmeros espelhos que nos são apresentados para que escolhamos em qual nós desejamos ver a nossa imagem refletida, nada mais e nada menos que isso.

Não? Ora meu caro amigo leitor, não seja hipócrita, ainda mais no obsequioso silêncio desta solitária leitura desta medíocre missiva. É praticamente impossível que no atual contexto a nossa classe política possa ser melhor do que a que se apresenta, visto que, nós, enquanto sociedade, somos tão torpes quanto eles. Se não é assim, então me diga por que não temos uma quantidade de políticos decentes proporcional ao número de brasileiros que se auto-declaram respeitáveis? Simplesmente porque, realmente, a quantidade é totalmente proporcional.

Nós, enquanto sociedade, fingimos uma decência da mesma forma que fingimos levar a sério tudo o mais em nossas vidas. Somos tão sérios no trato das coisas que merecem a nossa atenção que tratamos a democracia como se fosse uma grande festa, carnavalizando o pleito e transformando nossas escolhas em uma grande brincadeira de pessoas que cresceram apenas biologicamente e, por isso, julgam que tal avanço é o suficiente para se tomar decisões, mesmo que adotemos por prática sistemática a desinformação contínua como sinônimo de auto-consciência.

Por essa razão toda manifestação da sociedade civil (des)organizada contra a corrupção e demais bandalheiras sempre soa de maneira inócua junto a classe política de nosso país, visto que, eles conhecem muito bem a clientela deles. Alias, eles nos conhecem muitíssimo melhor do que nós a nós mesmos.

Eles sabem muito bem do que é feito a alma do brasileiro médio, sabem muito bem que a palavra dignidade foi a muito tempo arrancada de nosso dicionário e se nós teimosamente insistirmos em fingir ser o que não somos continuaremos a ser muito bem representados, pois, nós, brasileiros, somos exatamente isso: uma sociedade de fingidos, de comediantes que encenam de tempos em tempos uma palhaçada eleitoreira em um palco com um dramático fundo civilizacional e decadente pensando que estamos realizando um grande épico. Tal qual nossa classe dirigente.

Por essas e outras que considero o voto nulo não um simples gesto de repúdio ou de protesto. Anular o voto, na atual conjuntura política é um gesto de auto-afirmação da própria dignidade enquanto valor que nos diferencia enquanto o que somos: seres dotados de razão. Obviamente que apenas anular o voto nada significa. Este gesto deve refletir o contrário da situação reinante e, tal reflexo deve necessariamente se dar em nossa conduta cotidiana. Do contrário, será apenas mais uma macaqueação do que se apresenta em meio à fauna política brasileira: mais um anão moral fingido ser um gigante ético.

Campanha de moralização deve iniciar em nossa morada íntima, em nossa própria consciência. O primeiro voto nulo que devemos sufragar é contra nós mesmos, para que realmente possamos com esse gesto irradiar algo de autêntico em nossa sociedade. Caso contrário, continuaremos a ser o que somos: apenas mais um fingido em meio a uma multidão de dissimulados. 

Terça, 26 Agosto 2008 21:00

Notícias do Campo de Batalha

Tudo bem, eles tem todo o direito de serem pacifistas da mesma forma que eu tenho o direito de ser pacífico, mas, por que eles até o momento não se pronunciaram em relação a invasão da Geórgia feita pela Rússia?

"A hipocrisia é uma homenagem que o vício presta à virtude". (François de La Rochefoucauld)

 

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Onde estão os pacifistas que agitaram o mundo quando o governo dos Estados Unidos da América do Norte havia anunciado a libertação do Iraque que estava sob o domínio de Saddam Hussein? Pergunto isso diante da questão que este mísero missivista julga ser obvia, porém, frente ao olhar seletivo e cínico da mídia chique é algo que de modo algum é vislumbrado.

Lembro-me com grande clareza que quanto foi feito o anúncio da possível libertação do Iraque através de uma possível intervenção feita por tropas estadunidenses, mais do que depressa tivemos a invasão de propagandas e discursos de publicistas na mídia impressa, nos folhetins eletrônicos na internet e na mídia televisiva gritando aos quatro ventos: “diga não a guerra e sim a soberania do Estado Nação”. Mesmo que o Estado em questão fosse uma ditadura totalitária de inspiração Nazi-comunista, tal qual os cânones presentes nos manifestos do partido Ba’th, partido que o falecido Saddam integrava.

Não é deletado de minha memória a edição do (C)Fantástico logo após o início das manobras militares das tropas estadunidenses no Iraque onde, em cada quadro, após o intervalo, havia um folhetim propagandístico pacifista. Ora raios, então me esclareçam uma coisa só: por que a mesma “revista eletrônica”, ou o mesmo canal de televisão, não fez nenhuma chamada similar diante da invasão bélica da Geórgia, feita de maneira brutal, sem anuncio ou negociação, pela Rússia?

E mais! Lembro-me claramente que na época dos preparativos para a libertação do Iraque, havia um idiota, brasileiro, diga-se de passagem, que lá estava para servir de escudo humano para proteger o Saddam Hussein e seu povo. Lembro-me também que quando as tropas estadunidenses iniciaram as suas manobras o macunaímico herói de meia pataca vazou pela tangente e desistiu dos préstimos prometidos ao povo iraquiano. Bem, dito isso, mais uma vez pergunto: onde estão os histriônicos escudos humanos, similares ao idiota citado, na Geórgia para proteger o povo desta nação que a poucos anos havia se libertado do domínio do Ex-Império Russo-Soviético?

Putz! Mais uma lembrança me arrebata a memória. Na época da libertação da nação supra citada havia uma ONG nominada “Humanos Direitos”, ou diria, um grupo de idiotas úteis politicamente corretos, que propagandeavam inúmeras inserções nos canais de televisão abertos afirmando que tal ação do exército estadunidense era uma violação aos direitos humanos, que tudo aquilo era um absurdo e todo aquele blá blá blá politicamente correto que todos nós estamos cansados de ouvir e ler.

Tudo bem, eles tem todo o direito de serem pacifistas da mesma forma que eu tenho o direito de ser pacífico, mas, por que eles até o momento não se pronunciaram em relação a invasão da Geórgia feita pela Rússia? Será que apenas a deposição de Saddam Hussein é um crime contra humanidade? Será que a morte de cidadãos inocentes de um país do Leste Europeu não o é?

A verdade, meus caros amigos, sem nenhuma alusão a revista Caros Umbigos, é que todas essas manifestações supostamente pacifistas, nada mais eram do que propaganda anti-americana, nada mais e nada menos que isso. Se não é isso, então me digam por que tanto a mídia chique quanto as ONG’s supostamente humanitárias nada falam, nada gritam, sobre os outros inúmeros conflitos espalhados pelo mundo? Por que eles nada declaram a respeito das guerras esquecidas que assolam o mundo? Por que eles nada falaram, da mesma maneira atávica, como haviam dito no caso do Iraque, com relação a invasão criminosa da Geórgia? Por que?

Não encontra uma resposta plausível para estas questões meu caro? Então lhe pergunto mais uma coisinha: você não reparou que essa gente supostamente humanitária é mais cínica do que preocupada com o bem do próximo?

Alias, você nunca se perguntou quem financia esses grupos? Se você se dedicar a investigar essa última pergunta, terá uma (in)grata surpresa, pois, verificará que os mesmos grupos que financiam esses grupos humanitários financiam o Fórum Social Mundial, apóiam o MIR Chileno, as FARC et caterva.

Isso mesmo meu caro. Se você é daqueles que ainda pensa naquele esqueminha pacóvio que apresenta de um lado o malvado Império Americano e do outro os baluartes da liberdade, reflita com seriedade e sinceridade sobre estas questões apontadas.

Poderia eu, de minha parte, recomendar aqui a leitura do livro O JARDIM DAS AFLIÇÕES do filósofo Olavo de Carvalho, porém, provavelmente me taxariam de direitista de maneira similar a forma que seus detratores fazem com esse grande estudioso. Por essa razão, recomendo a leitura do livro EL IMPÉRIO do intelectual comunista Antonio Negri, escrito em parceria com Michael Hardt, que, mesmo ambos sendo marxistas, apresentam uma lúcida visão dos problemas hodiernos.

Se você deseja entender a situação, creio que estas leituras sejam um bom começo. Mas, se você deseja apenas macaquear tudo o que você vê e lê na grande mídia para fingir que entende alguma coisa, esqueça que algum dia leu esta breve e indigna missiva.

Esqueça...

Terça, 05 Agosto 2008 21:00

Dos Jovens

Estes jovens de hoje não tem mais jeito mesmo. São materialistas, tem uma visão do mundo do tamanho de seus umbigos, não nutrem o menor respeito pelas tradições e pelos valores e um total (ou parcial) desdém pelos mais velhos.

"A verdadeira maturidade é atingir a seriedade de uma criança brincando." (Soren Kierkegaard)

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Estes jovens de hoje não tem mais jeito mesmo. São materialistas, tem uma visão do mundo do tamanho de seus umbigos, não nutrem o menor respeito pelas tradições e pelos valores e um total (ou parcial) desdém pelos mais velhos. Trocando por miúdos, se os jovens são o futuro da nação, este, por sua deixa, está feio, bem feio.

Ora, mas este sentimento de insatisfação com relação aos jovens não é fruto exclusivo de nossos dias, não mesmo. Nos idos do século VIII a.C. Hesíodo afirma o seguinte sobre os jovens: “Não tenho mais nenhuma esperança no futuro de nosso país, se a juventude de hoje tomar o poder amanha, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível”.

Ou então, retomemos aqui os ensinamentos do Patrono da filosofia, o grande Sócrates que, no século V a.C. afirmava que: “Nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, caçoa da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus”.

Se essas palavras vindas de tão distante época ainda não for o suficiente para convencê-los de que esse sentimento não é simplesmente um reflexo da crise vivida pela sociedade hodierna, vejamos então as palavras proferidas por um Sacerdote Egípcio que viveu no século XXI a.C. Diz-nos ele: “Nosso mundo atingiu o seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais os pais. O fim do mundo não pode estar muito longe”.

E, por fim, as palavras de um indivíduo anônimo da babilônia que, provavelmente, teria sido um Sacerdote, afirma: “Esta juventude está estragada até o fundo do coração: Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura”. Observação: estas últimas palavras datam do século XLI a.C.

Dito isso, lembramos que toda multidão, em qualquer época da história da humanidade, sempre será abjeta, vulgar e medíocre. Isso mesmo, seja a juventude de ontem ou a mocidade de hoje, estes sempre serão o que são: apenas uma multidão anônima ciosa por solapar o mundo da mão daqueles que permitiu chegar até aquela idade e que os auxiliarão para chegar até a “maturidade”.

Todavia, uma afirmação dura como esta de modo algum condena os jovens, pois, uma coisa é afirmarmos isso da massa ignara, outra coisa são os jovens que, solitariamente, singram o seu caminho trabalhando, estudando, rezando e, deste modo, se esforçando para se tornar uma pessoa melhor para assim, deste modo, serem dignas dos sonhos que eles cultivam em seus corações, bem ao contrário dos revoltadinhos sem-causa ou crentes de que possui alguma.

Doravante, não fiquemos com nossa vista apenas presa nos disparates cometidos pelas tenras gerações. Vejamos como é a geração anterior, como são os pais, professores, sacerdotes, em fim, como são os adultos que antecederam a esta geração juvenil que se apresenta a nós hoje. Vejamos o que os adultos de hoje tem feito de bom para que sirva de exemplo para esta. Diga-me, sinceramente, o que?

Pergunto, em especial, aos pais, quantas vezes vocês rezaram um Terço com os seus filhos? Quantas vezes vocês tomaram a Sagrada Escritura e leram juntos com eles? Ou então, quantas vezes vocês simplesmente leram um livro com ou para os seus filhos? Quantas vezes vocês confessaram as suas fraquezas para essas pessoas que vocês dizem que amam?

É meus caros, a educação de uma criança começa, no mínimo, dezoito anos antes do seu nascimento. Começa com a nossa própria auto-educação, com a auto-consciência de nossas falhas que devem, o tempo todo, serem corrigidas e nós, enquanto pessoas, o tempo todo nos colocarmos em uma devota e contínua postura de aprimoramento.

Ora raios, nós demonstramos isso para os nossos jovens? Nós damos esses bons exemplos? Não? Porém, cobramos isso deles e, agindo desta forma, acabamos dando uma lição de moral de cuecas, como dizem os populares ou, como nos ensina a Sagrada Escritura, simplesmente agimos como hipócritas que somos e, neste nosso agir, eles, nossos filhos, aprendem muito bem a lição que é ministrada pelo exemplo contraditório das nossas palavras ocas com nossos gestos ignóbeis tornando-se o que são: um reflexo turvo de nossa geração hipócrita que hoje, covardemente simplesmente quer despejar sob a atual geração o fardo dos erros cometidos por nós, não é mesmo? 

Segunda, 28 Julho 2008 21:00

Para Educar Sem Fingimentos

Todos nós temos gravado em nossa memória inúmeras imagens de nossa infância, de momentos lúdicos, de situações onde passamos alguns apuros que não teríamos coragem de contar para nossos filhos e muito menos para os nossos alunos.

"O amor recíproco entre quem aprende e quem ensina é o primeiro e mais importante degrau para se chegar ao conhecimento". (Erasmo de Rotterdam)

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O filósofo renascentista Erasmo de ROTTERDAM em seu livreto DE PUERIS nos apresenta algumas considerações deveras significativas quanto a maneira de se educar uma criança e nos lembra, de modo muito profícuo, a importância que as pequenas historietas, fábulas, aforismos, etc., tem na formação de uma pessoa e, principalmente, o grande significado do o ato de rir (e chorar) no ensino de algo na formação de um indivíduo.

Atualmente, por ficarmos muito tempo com nossas vistas presas ao universo que edificamos em nossas salas de aula, acabamos nos esquecendo, ou mesmo desdenhando, as experiências vividas por todos nós fora do ambiente escolar, fora da sala de aula e distante da presença de um educador. Nos esquecemos o quanto que o riso, o clima de confraria e as situações difíceis nos marcavam a alma e, por isso mesmo, nos fizeram ser o que somos.

De um modo geral, uma sala de aula não seria mais tão só um simulacro do universo social, mas (i)legitimante tornou-se uma grande farsa sobre a vida, um grande engodo sobre a realidade, em fim, um ambiente de fingimento contínuo em meio a estatísticas que não convencem nenhum Barnabé.

Não estamos aqui, com estas considerações, menosprezando a importância do papel que um professor tem na formação de uma pessoa, não mesmo. O que desejamos com estas mal fadadas linhas é chamar a atenção para a importância que a sátira, que o riso e até mesmo as diatribes tem na formação de um indivíduo e que, muitas vezes, não damos a devida importância devido ao costume professoral que se faz presente em nossas escolas, ou devido a outros fatores que, sinceramente, não gostaríamos de tocar nestas indignas linhas deste breve libelo.

Por isso, sigamos em frente. Todos nós temos gravado em nossa memória inúmeras imagens de nossa infância, de momentos lúdicos, de situações onde passamos alguns apuros que não teríamos coragem de contar para nossos filhos e muito menos para os nossos alunos. Todos nós temos marcado a ferro e fogo em nossa alma os sermões que nossos pais, familiares e pessoas próximas nos passavam quando fazíamos o que não devíamos ter feito. Em fim, não nos esquecemos praticamente de nada que nos tenha tocado profundamente, pois, como a muito nos ensina Santo Tomás de Aquino, não nos esquecemos daquilo que amamos (como também não esquecemos daquilo que desgostamos).

Na maioria das vezes este sentimento de afeto ou desafeto fica reservado a figura do professor ou da instituição de ensino e, raras vezes, a situação que gerou o aprendizado de algo como ocorre nos casos em que temos as lições ministradas pela “escola da vida”. Este sim, seria um grande desafio que atribuiria uma grande carga significativa no conteúdo que estaria sendo ministrado em sala de aula.

Para exemplificar o que afirmamos, lembro aqui, das lições que me foram ministradas pelos meus Senseis que, em muitas ocasiões até se destemperavam no ministrar seus ensinamentos. Tal destempero emocional não me levavam a manifestar um sentimento de repulsa aos meus mestres, de modo algum. Mas tornavam aquelas lições inesquecíveis.

Sabia que, no final das contas, toda aquela fúria, era um teatrinho e que eu havia aceitado estudar aquela arte dentro daquelas regras que davam sentido ao jogo do aprendizado da mesma. Por essa razão, me indago cá com meus botões: quais são as regras que nossos alunos tem de se curvar para adentrarem no jogo do aprendizado em um ambiente escolar? Alias, em que consiste o jogo do aprendizado escolarizado?

Uma regra, em qualquer universo cultural, necessariamente tem que manter a bilateralidade atributiva e esta, corresponder a uma possível sansão, correto? Ora, me diga o que ocorre, via de regra, se um jovem não cumpre com as “regras” em um ambiente escolar hodierno? Ora, em um micro-sociedade como a escola onde todas as regras e metas são apenas tipos ideais etéreos, quimeras imaginadas, que um e outro conhecem e a maioria absoluta desdenha nada de significativo poderá ser aprendido a não ser o desrespeito generalizado pelos valores vigentes e, edificando-se mais e mais uma cultura de impunidade e transgressão, tal qual nós vemos crescer, dia após dia, em nossa sociedade.

Chegamos a tal ponto que um grupo de adolescentes pode agredir violentamente uma senhora de idade (servente do colégio), jogar carteiras no professor quando falta energia na Instituição de Ensino, atear fogo no cabelo da professora, colocar uma bomba na mesa do educador, furar os pneus de seu carro que nenhuma medida devidamente proporcional é tomada contra os “inocentes” mancebos. As lições ensinadas de maneira estéril serão esquecidas com o tempo, mas estas ficaram gravadas em seus corações, gostemos disso ou não.

Por isso, desescolarizar a escola é preciso, para salvar o pouco que resta de seu sentido educacional. Trazer de volta a realidade para o seu âmago. Não estamos afirmando que se deva falar sobre sexualidade, drogas, etc. Estamos falando da vida e de sua severa clareza, dando-se um basta a este joguinho de faz de conta que mais deturpa do que educa. 

Domingo, 29 Junho 2008 21:00

Democracia Americana

Por fim, se Thomas Jefferson tinha razão quando afirmava que um dos pontos fundamentais para se consolidar uma república é o livre acesso ao conhecimento.

"Quando alguém assume um cargo público deve considerar a si mesmo como propriedade pública." (Thomas Jefferson)


 


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Toda vez em que a mídia chique brasileira faz a “cobertura” de uma eleição presidencial nos Estados Unidos, imediatamente, somos obrigados a ter que ouvir os grunhidos daqueles (de)formadores de opinião que passam a falar sobre o sistema eleitoral estadunidense, sobre os USA e o quanto eles são pseudo-democráticos, visto que, as eleições presidenciais lá não são diretas, mas sim indiretas, através de seus “colégios eleitorais” só porque em três momentos de sua história, a decisão do Colégio Eleitoral foi diferente do visto nas urnas. No caso, foi nas eleições de 1876, 1888 e, mais recentemente, no ano de 2000.

Mas o que há de errado nisso? Pra começo de prosa, quem escolhe os delegados, não é o povo estadunidense? Segundo, o número de delegados para integrar o “colégio eleitoral” é proporcional ao número de eleitores do Estado e por essa razão simples nas duas ocasiões apontadas acima que o resultado das urnas foi diferente do “colégio”. De mais a mais, cada Estado da Federação tem liberdade para legislar sobre os procedimentos das eleições. Isso meus caros concidadãos brasileiros, não é pseudo-democracia, mas sim, plena autonomia. Coisa que nós, em nosso país de longa “tradição democrática”, (des)conhecemos na íntegra, não é mesmo?

Doravante, justo deve ser mesmo o nosso sistema eleitoral onde Estados com uma população ínfima em comparação com a de outros Estados da Federação tem, (des)proporcionalmente, uma quantidade maior de deputados e senadores. É, você já parou pra calcular o quanto um voto Acreano, por exemplo, vale mais que um voto paranaense? É só ver com quantos votos um acreano elege um Senador ou um deputado e comparar com a quantidade de votos que são necessários em nosso Estado para eleger uma pessoa para os mesmos cargos. Isso sim que é um calculo justo e proporcional, não é mesmo?

E tem mais! Desde que os Estados Unidos tornou-se uma nação independente nunca tiveram um golpe de Estado, nenhuma tentativa de violação do Estado Democrático de Direito. Já aqui nestas terras de Pindorama, faltam dedos para contar as tentativas de golpe e os golpes que foram bem sucedidos no seu intento de usurpar o poder. Isso sim, meus caros, que é uma bela demonstração de “civilidade democrática”.

É claro que mais uma vez nossos meios de (des)informação irão apresentar os seus cáusticos comentários sobre a “ineficiência” do sistema eleitoral deste país e ufanarão as nossas maravilhosas urnas eletrônicas e blá blá blá. Bem, mas e quem disse que a validade de um regime democrático se mede pela velocidade da apuração dos votos?

De mais a mais, nós em nossa vaidosa brasilidade, carente de força e de uma substância, poderíamos nestas eleições presidenciais dos USA prestar um pouco de atenção em um detalhe que, muitas das vezes, nossas vistas desdenham. Prestemos atenção nas escolas estadunidenses onde estarão instaladas as urnas para votação e compare a estrutura das escolas da América com as instituições de ensino de nossa Pátria.

Por fim, se Thomas Jefferson tinha razão quando afirmava que um dos pontos fundamentais para se consolidar uma república é o livre acesso ao conhecimento, podemos então, com certa intranqüilidade, pararmos com essa histeria patrioteira de ficar ufanando virtudes que inexistem em nosso ethos e passarmos a nos espelhar nas virtudes cívicas que realmente existem, mesmo que sejam virtudes que são vividas por um outro povo, em uma outra nação, pois, não há dignidade alguma em ufanar a própria vileza.

Para nos convencermos disso, você não tem que dar ouvidos a esse indigno escrivinhador. Basta apenas que volte as suas vistas para a sua volta e estude um pouco da formação histórica dos Estados Unidos. Alias, quantos livros você já leu sobre a história dos USA? Nenhum? E é com base nesse tipo de fundamentação que você constrói a “criticidade” brazuca, “criticidade” edificada no vácuo de sua ignorância congênita.

Sexta, 20 Junho 2008 21:00

O Caminho Turvo Possível

Alias, uma sociedade que não quer enfrentar a realidade dos fatos, está simplesmente apresentando sinais desta doença descrita sucintamente nestas mal fadas, mas sinceras, linhas.

"A política baseia-se na indiferença da maioria dos interessados,

sem a qual não há política possível". (Paul Valéry)

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O fenômeno totalitário, ao contrário do que muitos pensam, não é algo distante de nossa realidade vivida de maneira ordinária. O totalitarismo, nos seus mais variados tons ideológicos, tem as suas raízes muito bem calcadas justamente neste âmbito e, por essa mesma razão, a sua implantação acaba passando desapercebida aos nossos olhos. Quando nos damos conta, já nos encontramos imersos em meio a este cipoal infernal.

Por isso mesmo, a pergunta que, pelo menos em meu íntimo, não quer calar de modo algum é justamente aquela que clama por uma resposta sobre esse terrível destino que assolou a humanidade pelo correr da centúria passada e que continua a assombrar-nos no início do terceiro milênio. Ora, como é possível que as pessoas de uma determinada sociedade se entreguem “docilmente” ao domínio dos tentáculos leviatânicos de um Estado Totalitário?

A resposta para tal inquietação não é de modo algum simples, visto a complexidade do fenômeno. Todavia, podemos, modestamente, traçar algumas linhas sobre os fatores que levam uma sociedade democrática a permitir que um Estado Democrático de Direito se transmute em Estado Totalitário.

O ponto basilar para que tal situação se desenhe seria a geração de um grande clima de insegurança, onde o indivíduo se sinta literalmente desemparado, desprotegido e fragilizado. Obviamente, meu caro Watson, que tal clima de insegurança não se constrói da noite para o dia, mas sim, gradativamente, sem que percebamos o começo da cena que vai-se armando e muito menos o fim dramático que nos aguarda, pois, se assim o fosse, ao menos teríamos uma visão parcial do problema gerado e, com relativa tranqüilidade, poderíamos evitar o pior.

Este estar “perto do coração selvagem” é uma condição sine qua non para que se possa implantar este Estado demoníaco, visto que, os indivíduos sentindo-se desprotegidos e fragilizados irão procurar a salva-guarda de um “bem-feitor” para protegê-los do clima de anomia que se faz reinante na sociedade.

Mais uma vez, lembramos o óbvio ululante de que tal processo não ocorre de maneira brusca, mas sim, gradual. E mais! O agente que se apresenta como o “bem-feitor dos bem-feitores” é justamente aquele que pacientemente estimulou e fomentou toda a esbórnia que ameça a tranqüilidade dos pacatos cidadãos.

Com conhecimento de causa, Andrei Pleshu, Ministro das Relações Exteriores da Romênia (Diretor do New Europe College de Bucareste), lembra-nos também que: “Durante anos, a retórica do estado totalitário tentou compensar a ausência de soluções imediatas com sua superabundância de um futuro 'dourado', garantido ideologicamente mas, de fato, indefinido. Diziam-nos que o hoje era difícil, mas que o amanhã seria maravilhoso, que a glória da atual geração consistia em seu desejo de sacrificar-se pelas gerações futuras”.

De mais a mais, se você estudar, pacientemente, todos os regimes totalitários que aterrorizaram boa parte da humanidade no correr do século XX, perceberá que todos eles procederam desta fora. Apenas a título de ilustração, sugerimos que o leitor deite as suas vistas na história da ascensão de Adolf Hitler ao poder e perceberá que este se assenhorou do poder na Alemanha de maneira gradativa e não de modo repentino e que, todo o clima de insegurança fora gerado por ele e seus partidários. Outro exemplo que julgamos ser de grande relevância é o da nossa vizinha Venezuela.

Alias, para que recorrermos a exemplos que habitam o tubo de ensaio da história universal se nós podemos perfeitamente visualizar isso em nosso país, não é mesmo? É claro que não perceberemos nada disso se apenas olharmos para as manchetes imediatas, entretanto, se fizermos um estudo paciente sobre a história recente de nosso país perceberemos que esse processo mesmo sendo, por sua natureza, gradual, está caminhando a passos acelerados nestas terras cabralinas.

Não estamos aqui criando nenhum clima de terror. Não mesmo. O que estamos fazendo, de maneira pacóvia, é chamar a atenção para as inúmeras invasões, para a criminalidade organizada, para a bandalheira que infesta o Estadossauro que se agiganta dia após dia, enfim, para a semelhança assustadora destes fatos para com o caminho percorrido em outras paragens, guiados por políticos que tinham e tem gurus intelectuais e ideológicos similares (para não dizer que são os mesmos). Caminhos esses que terminaram e possivelmente terminarão naquilo que o tribunal da história ensina para quem desejar realmente aprender esta lição escrita com lágrimas e sangue.

Alias, uma sociedade que não quer enfrentar a realidade dos fatos, está simplesmente apresentando sinais desta doença descrita sucintamente nestas mal fadas, mas sinceras, linhas.

Sexta, 23 Maio 2008 21:00

Noções Elementares Sobre

"A política e os destinos da humanidade são forjados por homens sem ideais nem grandeza. Aqueles que têm grandeza interior não se encaminham para a política".

"A política é uma delicada teia de aranha em que lutam inúmeras moscas mutiladas". (Alfred de Musset)

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O filósofo francês Albert Camus nos lembra que: "A política e os destinos da humanidade são forjados por homens sem ideais nem grandeza. Aqueles que têm grandeza interior não se encaminham para a política". Talvez essa seja a primeira lição que nós devemos aprender quando nos dispomos a estudar e refletir sobre o fenômeno político, principalmente, quando nos decidimos a estudar a sua manifestação na sociedade hodierna.

Isso não significa de modo algum que os espaços de poder sejam sempre ocupados por pessoas que sejam simplesmente criaturas degradas e ignóbeis. Apenas significa que dificilmente veremos uma pessoa de alma aquilatada ocupar esses cargos, especialmente na sociedade em que vivemos hoje.

A razão para tal fato é muito simples. Um representante público, que ocupe um cargo, seja no executivo ou no legislativo, simplesmente é um espelho das tensões e valores que estão presentes no tecido social. Isso mesmo, todo governante simplesmente é o fruto dos valores que as pessoas de um modo geral pactuam e das tensões que estão ao redor destes ou geradas a partir dos objetos valorados que são cultivados pela maioria.

Até mesmo uma ditadura autoritária, ou mesmo totalitária é, nada mais, nada menos, que uma resposta para as manifestações destes valores que norteiam as relações sociais. Talvez, um exemplo bastante claro sobre o que estamos apontando seria o anti-semitismo que estava presente no discurso Nacional-Socialista Alemão nas décadas de 30 e 40. Tal elemento não era uma criação dos correligionários deste partido político, mas sim, um reflexo de um sentimento que se fazia presente em toda Alemanha e bem como em toda Europa, como nos lembra o sociólogo polonês Zygmunt Bauman em sua obra MODERNIDADE E HOLOCAUSTO.

Alias, anti-semitismo que se faz presente no mundo até hoje.

Doravante, quando pensamos as relações de poder de nossa localidade, sempre temos um olhar bastante atento para os mandos e desmandos dos nossos mandatários locais, entretanto, fazemos vista grossa para os nossos atos que, em si, são de modo similar, forjados pelos mesmos valores que dão forma aos atos das “otoridades” públicas.

Não é à toa que as pessoas mais aquilatadas se afasta da vida pública e de seus torpores e, quando se fazem próximas, acabam sendo condenadas ao ostracismo ou mesmo à morte por simplesmente anunciar algumas verdades que as pessoas, de um modo geral, não gostam de ouvir.

E eis aí a grande diferença entre as pessoas do primeiro e do segundo grupo apresentadas por Camus. As primeiras, as pessoas públicas, dizem simplesmente o que as multidões desejam ouvir ou, em casos mais degradados, sugerem a elas o que devem desejar ouvir. No segundo caso, que seria representado por pessoas santas e filósofos, simplesmente diriam as pessoas o que elas precisam ouvir, mesmo que não gostem do que está sendo dito.

Uma sociedade saudável, digamos assim, tem os dois grupos de pessoas (políticos e santos) muito bem distribuídos para que as multidões ouçam o que desejam, mas também curvem as suas cabeças uma vez ou outra diante da Verdade (mesmo que seja a contra gosto). Uma sociedade em que há apenas o segundo tipo seria apena uma quimera. Todavia, uma sociedade onde há unicamente os do primeiro gênero, inevitavelmente acaba se degenerando da maneira mais vil imaginável, pois, se o que determina o discurso dos mandatários em uma sociedade moderna é a superficialidade das massas e estas, neste caso, não encontram mais o equilíbrio através do anúncio regular da Verdade, o único cenário possível é a degeneração total de tudo e de todos, tal qual nos vemos ocorrer na sociedade brasileira onde a única coisa que faz sentido é a procura da satisfação de suas ambições pessoais ou grupais. Da satisfação dos instintos mais primários, mesmo que isso tenha um elevado custo.

O que virá depois disso, só Deus sabe.

Quinta, 08 Maio 2008 21:00

Cinismo Pouco é Bobagem

É curioso vermos como os militantes, simpatizantes e a intelectuaria esquerdopata de um modo geral, fazem questão de minimizar o mal advindo de seus ideais benevolentes.

 "Os dois monstros gêmeos, o comunismo e o nazismo, têm vocação genocida. Naquele, o genocídio de classe; neste, o genocídio de raça". (Roberto Campos)

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É curioso vermos como os militantes, simpatizantes e a intelectuaria esquerdopata de um modo geral, fazem questão de minimizar o mal advindo de seus ideais benevolentes. Sempre quando um elemento pacóvio, como este que vos escreve, apresenta alguns dados de matemática macabra eles mais que depressa se alvoroçam em defesa de seus lindos sonhos de um “mundo melhor possível”.

Por essa mesma razão e motivado pelo artigo “Lembrando o Holodomor”, da autoria de Viktor Yushchenko e publicado no site Mídia Sem Máscara que venho a público com essas mal fadadas linhas. Holodomor é uma das muitas atrocidades cometidas pelos humanistas socialistas que eles tanto fazem questão de ocultar e mesmo de negar.

Esta estranha palavra de origem ucraniana é atribuída à fome de caráter genocida que devastou o território da República Socialista Soviética da Ucrânia - Estado satélite da URSS - entre os anos de 1932 - 1933.

A Grande Fome da Ucrânia, como também é conhecido essa fatalidade da história da humanidade, ceifou aproximadamente, de 5 a 6 milhões de vidas humanas, entre os anos de 1931 e 1933. A arma utilizada para esse genocídio foi simplesmente a fome. Mas, como isso se deu? Eis a pergunta que muitos gostariam que fosse calada.

Joseph Stalin, nesta época, estava orquestrando em toda União Soviética o processo de coletivização das terras, “desapropriando” as propriedades rurais dos camponeses, forçando-os a aderir às propriedades colectivas ou estatais, os assim chamados kolkhozes e sovkhozes, respectivamente.

Na seqüência, o governo Soviético passou a realizar a coleta da produção dos agricultores, centralizando assim a distribuição “justa” da produção. Fazendo isso, meus caros, Stalin, literalmente, repetiu um morticídio deliberado similar ao do “Comunismo de Guerra” dos idos de Vladimir Ulianov Lênin.

Sei que não seria necessário lembrar a lógica desta trama, todavia, se a história deve sempre nos lembrar acontecimentos que não devem ser esquecidos, lembremos então que, quando um Estado Totalitário ou Autoritário, centraliza a coleta (não compra), o armazenamento e a distribuição dos alimentos, este passa a deter em suas mãos o destino de todas as pessoas de uma nação. Ou seja: a determinação de quem poderá comer e quem não terá direito a comida será dada por um burocrata do partido.

Este era o caso dos camponeses ucranianos que além de não poderem ter acesso a sua própria produção agrícola, muitos acabaram sendo deportados para outras regiões da URSS para serem utilizados como mão-de-obra escrava (algo que é muito comum em países socialistas até hoje, diga-se de passagem). No total foram deportadas 2.800.000 de ucranianos apenas entre 1930 e 1932.

O “guia genial dos povos” (como alguns chamam Stalin) assim procedeu, pois havia uma grande resistência por parte do campesinato às políticas soviéticas e, como em toda “democracia popular socialista”, aqueles que são contrários aos ditames do partido são simplesmente arquivados em uma vala comum com suas carcaça e idéias.

Para o governo de Moscou, o Governo comunista ucraniano estava infiltrado por agentes nacionalistas e espiões polacos. Para o Partido Comunista Russo, as aldeias que resistiam à coletivização eram focos de influência contra-revolucionária e, por essa razão, deveriam ser expurgados. Em português bem claro: eliminados.

Por essa razão, Stalin ordena a substituição de inúmeros agentes do Partido Comunista que estavam na Ucrânia, devido as suspeitas apontadas e, obviamente, que os novos agentes passaram a desempenhar o seu “trabalho” de coleta, prisão, deportação e extermínio, sob um grande pressão, visto que, se os números das coletas, deportações, prisões e óbitos não fossem significativos, eles também poderiam ser acusados de ser “contra-revolucionários” e se tornarem as próximas vítimas da máquina genocida Soviética.

O que é mais lamentável nesta história infeliz é que apenas em 16 de dezembro de 2003, Koichiro Matsuura, Diretor-Geral da UNESCO, condenou o regime soviético pela sua responsabilidade no holocausto de Holodomor. É triste, pois apenas em 1991 a Ucrânia consegue libertar-se dos tentáculos da URSS e até hoje os responsáveis por esse e muitos outros crimes não foram condenados no Tribunal Internacional.

Mas, o que realmente é lamentável, é nós termos fatos como este omitidos dos livros didáticos de história e mais lamentável ainda termos de ouvir pessoas (muitas delas, professores) afirmarem que crimes como este nunca existiram. No caso destes sujeitos, cinismo pouco é bobagem.

Quinta, 01 Maio 2008 21:00

Carpideiras de Fidel

Um dos aspectos mais característicos da mentalidade dos defensores de “um mundo melhor possível”, de um mundo regido e ordenado pelo demente projeto marxista é a incapacidade de reconhecer a conseqüência inevitável de seu sonho infernal de transformar o mundo em sua imagem e semelhança.

Um dos aspectos mais característicos da mentalidade dos defensores de “um mundo melhor possível”, de um mundo regido e ordenado pelo demente projeto marxista (ou similares e genéricos da mesma estirpe) é a incapacidade de reconhecer a conseqüência inevitável de seu sonho infernal de transformar o mundo em sua imagem e semelhança.

Não estou me referindo simplesmente aos militantes e simpatizantes de um modo geral. Refiro-me em especial àqueles que se apresentam como sendo os entendidos no assunto, me refiro aos ditos intelectuais (professores, jornalistas, formadores de opinião, políticos e sacerdotes) que fomentam essas idéias e as disseminam na sociedade como se fosse a quinta essência.

Este mísero escriba já escreveu, de maneira simplória, sobre isso. Todavia, mais do que nunca, creio ser basilar que esse assunto seja retomado, pois, é mais do que corriqueiro ouvirmos muitas pessoas que ocupam as funções apontadas linhas acima afirmarem que todas as ditaduras totalitárias e todo o democídio que assombrou o século XX não foi obra de regimes socialistas de “verdade”, mas sim de Estados dirigistas, ou Capitalismo de Estado, ou regimes burocráticos, mas que aquilo tudo, de modo algum, era socialismo.

Ora, vejam que o cômico nesta história toda é que à frente de todas as revoluções e regimes socialistas, digo, que não foram socialistas, haviam intelectuais socialistas, líderes socialistas, partidos socialistas e, se bobear, até supositórios socialistas. Porém, não se enganem. A obra trágica não era socialista.

Alias, não era o finado Jorge Amado que saldava Stalin como “guia genial dos povos”? Não era o famigerado Sartre que afirmava que na época de Stalin a liberdade na URSS era total? Não era toda a intelectuária empedernida que, na época defendia aquele genocídio dirigido como sendo a edificação de um mundo melhor? E, mesmo assim, muitos ainda hoje tem a cara de pau de dizer que aquilo tudo não era o dito socialismo só porque não era o que ele queria que fosse.

O problema é que muitos desses indivíduos não tem caráter e dignidade o suficiente para se render a verdade revelada pelas suas turvas intenções. Isso mesmo. Os militantes marxistas de hoje não estavam junto no assassinato das mais de 100.000.000 de vidas de civis inocentes mortos pelo governo (em tempo de paz) de seu próprio país que dizia estar construindo o “homem superior”, mas ainda hoje defendem essas mesmas idéias e dizem que todas essas vidas ceifadas não passam de propaganda enganosa.

Para eles, que rezam essa cartilha maldita, as pontuações feitas certa vez por Paul Singer caem como um balsamo em sua alma putrefaz quando esse dizia em seu livreto “O socialismo hoje” que somente poderia ser chamada de socialista uma sociedade que fosse superior a sociedade capitalista. Que lindinho, não? Quer dizer que por maior que seja a tragédia desencadeada pelos marxista, no fim da contas, isso não poderá ser chamado de socialismo, por isso, não os culpe pela realidade que eles construíram porque não era com isso que eles sonhavam.

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