Dom09152019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

Editoria RPLib

Editoria RPLib

Os artigos identifdicados como sendo de responsabilidade da "Editoria RPLib" constituem-se em transcrição, realizada pelos editores do site, de artigos publicados em veículos da mídia impressa, artigos esses que foram considerados, pelo seu conteúdo, como adequados para fazerem parte do universo dos demais veiculados nesse espaço, de autoria dos articulistas que enriquecem o site com suas reflexões.
Desnecessário ressaltar que, dentro do contexto de espaço que pretende ser amplo e aberto a manifestações de todos os matizes, a responsabilidade pelas afirmações constantes dos artigos transcritos é, como não poderia deixar de ser, de seus autores.

Os primeiros dois anos de governo petista seguem monótonos, com demonstrações de esquerdismo, nacionalismo e, sobretudo, populismo.

Por André Balsalobre

Como poderia ter sido... ou não (como diz o inominável Caetano Veloso):

Os primeiros dois anos de governo petista seguem monótonos, com demonstrações de esquerdismo, nacionalismo e, sobretudo, populismo. A equipe econômica ficará desacreditada, reduzida ao papel de apagar incêndios eventuais. Ministros cairão no ridículo, os mais insignificantes primeiro.

Fidel visita o país. Acordos bilaterais são assinados, incluindo um de defesa mútua contra o imperialismo ianque.

As FARC ganham de presente um pedaço da Amazônia. Depois tomam à força três vezes isso.

Gilberto Gil continua cantando. Início do fim da MPB dita “cool” por causa da pressão das bancadas de pagodeiros e de música baiana no Congresso.

Erros crassos no programa Fome Zero causam um surto de fome africano, mas a propaganda oficial vai encobrir o fato. Até porque fome no Nordeste é difícil saber quando piorou.

Perdido, Lula tenta promover um grande debate com todos os segmentos da sociedade. Fracassa, pois ninguém se entende. Primeiros escândalos envolvendo membros do governo em 2004.

A nova pneumonia, SARS, após aniquilar 80% da população chinesa e adjacências, atinge Cuba, via turismo, chegando até o Nordeste graças ao intenso intercâmbio cultural com a ilha (uma idéia do PT). A SARS vira uma epidemia, apesar do que disse Euclides da Cunha (“O sertanejo é, antes de tudo, um forte.”).

Novos e maiores escândalos de corrupção em 2005. Lula diz não saber de nada.

Palocci e aderentes caem e são substituídos por Caetano, Gal e Betânia. Maria da Conceição Tavares é nomeada “presidenta” do Banco Central. Meirelles, desapontado, sai do governo e acaba ganhando a presidência mundial de um banco, dessa vez o Citibank.

Com a queda de Dirceu, envolvido em esquemas de corrupção do programa brasileño-cubano Bolsa-Camarada, Brizola vai para a Casa Civil. Morre logo em seguida. Cristovam Buarque termina seus dias numa cátedra de filosofia pós-moderna-existencialista-sartriana na Sorbonne, que resolveu agraciá-lo dias depois de sua saída do governo.

Um grupo dissidente das Forças-Armadas tenta um golpe, mas os tanques não pegam e faltam soldados.

Cansado de conversa e se dizendo vítima de uma “orquestração golpista” por parte da “burguesia reacionária do Centro-Sul do país”, Lula dissolve o Congresso e baixa seu primeiro Ato Individual, o AI 1. Era pra se chamar Institucional, mas o Presidente não sabia como soletrar, muito menos escrever, essa palavra — e ninguém teve coragem de dizer isso a ele. De qualquer forma, aproveitam a abreviação. Traindo a nomenclatura, tal ato de individual não tem nada, tendo sido redigido por um “grupo de notáveis” reunido às pressas. Participaram dele Marilena Chauí (filósofa do proletariado), João Pedro Stédile (recém-empossado no Ministério da Agricultura) e Roberto Bolaños, ator mexicano conhecido pelas séries Chavez e Chapolim. Frei Betto serve de guia espiritual.

No mês seguinte, o Executivo baixa o AI 2, na verdade, só uma revisão do primeiro, por causa do excesso de erros gramaticais, sem falar em excessos outros que nem o Houaiss seria capaz de cometer, cortesia do filosofês cheio de Kant e Hegel da Marilena Chauí. A República Federativa do Brasil é renomeada para República Nacional Democrática e Popular Brasileira das Américas.

O governo de exceção durará quatro anos. O que não incomoda muito o povo, pois a Seleção Brasileira segue ganhando as Copas do Mundo, que passam a acontecer de dois em dois anos, após intervenção do Itamaraty junto à FIFA. Ambos assinam um acordo pelo qual o Brasil se compromete a pagar por todas as despesas nas próximas dez Copas.

Medidas drásticas sufocam os últimos bolsões de insatisfação ao regime: a cerveja é incluída pelo governo na cesta básica, enquanto os canais Premiére de futebol da tv fechada são liberados para a população.
Revolta popular na Venezuela abre caminho para intervenção bem-sucedida dos EUA. Hugo Chávez se exila por aqui e vai morar no Lago Sul, onde constrói a suntuosa Mansão Bolívar.

Heloísa Helena e Babá abandonam o PT e fundam o movimento guerrilheiro campesino Comandante Ernesto (não, não é o Che Guevara, mas um ex-comandante da ROTA de São Paulo, que se converteu ao evangelho marxista-cristão numa das Igrejas Urbanas Populares do MSCP (Movimento dos Sem Casa Popular) na Zona Leste da capital). O movimento fracassa e seus líderes são mortos pelo MST, que chegou lá primeiro e tinha treinamento superior, das FARC.

Zé Maria, do PSTU, funda uma república separatista no terreno de uma faculdade pública. Logo explode uma guerra com o PCO – Partido da Causa Operária, que havia proclamado outra república ao lado. O exemplo se repete em outras faculdades pelo país. A revolta fica conhecida pelo nome de Facultada.

Remanescentes do Congresso, militares e membros da “sociedade civil”, seja lá o que isso queira dizer, criam um movimento de resistência ao regime.

Enéas faz um discurso emocionado no Congresso, provisoriamente reunido em lugar secreto, de acordo com o disposto no Art. 691, § 10º, inciso IX de seu Regimento Interno. Clama pela Reestruturação da Ordem Nacional, no que é rotineiramente apoiado pelos 4 Poderes (os 3 conhecidos, mais o Dinheiro). O povo sai às ruas. Não para derrubar o governo, mas para comemorar a vitória da Seleção num clássico qualquer. Lula desaparece. Tropas fiéis à resistência encontram em seu gabinete o rascunho do AI 3, sem maiores novidades além da supressão dos direitos que restavam, a criação de dois deveres para cada direito extinto — e a evidência clara de que Lula ainda não sabia como escrever “institucional”.

Enéas dissolve a República e convoca o Segundo Império, inspirado em Antônio Conselheiro. Maria da Conceição Tavares continua firme no Banco Central, o qual já não obedece ao novo regime. Ela mete medo em todo o mundo, por isso preferem deixá-la em sua sala.

Lula e derivados se instalam em Paris, na casa de Chico Buarque. Gilberto Gil morre durante atentado ao Palácio Presidencial Patrice Lumumba em Burkina Fasso. Estava em uma cerimônia oficial quando houve um golpe, com o retorno triunfal de Laurent Desirée Kabila, que se acreditava estar morto. Caetano Veloso, Marisa Monte, João Gilberto, Lenine e dezenas de outros expoentes da MPB estavam lá também. Chico César tenta cativar os nativos com sua música, mas os nativos da "Mama Africa", que é mãe solteira, não gostam. São todos cozinhados e servidos no almoço.

O Segundo Império rastreia e congela praticamente todas as contas, naturalmente, ilegais, do PT no exterior, graças a um substancial caderninho apreendido pela Polícia Federal na casa de Zé Dirceu. Em Paris, Lula descobre que até sua conta foi atingida, durante uma tentativa de saque (dessa vez não ao povo, mas em frente ao caixa eletrônico mesmo). Sem dinheiro nem para o croissant, com o estoque de aguardente acabando e sem conseguir encontrar cds de Zezé Di Camargo e Luciano para sua mulher, Lula cai em depressão. Chico Buarque cobra o aluguel e a conta do hospital de um assessor do ex-Presidente, que por meio de outro assessor manda avisar que não sabia que precisava pagar por alguma coisa, aliás, que não sabia de nada. Rompimento entre os dois.

Lula encena uma fuga para o Uruguai, tentando imitar Jango. Lá, diz ter posse de um dossiê, dado a ele por Brizola dias antes da morte deste, e que irá publicá-lo sem cortes. Adianta apenas que ele contém a verdadeira história da renúncia de Jânio, da fuga de Jango e da morte de Juscelino, entre outros esqueletos do passado, só que ninguém está mais lá para ouvi-lo: os jornalistas vêem notícia melhor nos novíssimos cassinos de Punta Del Este.

Lula cai no ostracismo. Bebe de maneira incontrolável. Ao seu lado ainda tem Dona Marisa e a ex-bela Maria Thereza, viúva de Jango.

Em seu aniversário de 115 anos, Oscar Niemeyer assina um abaixo-assinado com outros duzentos nomes do meio artístico e cultural, repudiando o Segundo Império. No dia seguinte o governo lhe encomenda umas obras e o abaixo-assinado vai para a lata de lixo da História, aquela mencionada por Trotski. Maria da Conceição Tavares se recusa a retirar o nome do abaixo-assinado.

Enéas adota um tom cada vez mais militarista. Com apenas um ano de governo, invade a Venezuela, reinstala Chavez no poder e diz que não vai parar até chegar ao Canal do Panamá. Os EUA esmagam os exércitos brasileiros nos arredores de Caracas. Chavez foge para a Colômbia, depois Equador, e por fim aluga uma casa no Lago Sul (sua saudosa Mansão Bolívar virou uma casa de bingo). Traído dentro de casa por uma coalizão partidária de última hora, Enéas foge para o Irã, onde espera escapar de um ataque de decapitação norte-americano, já que ele é igual a todo o mundo por lá. Reaparece anos mais tarde como um respeitado imã xiita.

Exilados em Paris, os remanescentes da república petista fazem ato de solidariedade e greve de fome ao lado de Fidel Castro, que também estava lá, fazendo compras. El Comandante convida os exilados para uma visita oficial a Havana, onde morre logo ao chegar, vítima de um resfriado (não havia mais bons médicos em Cuba, todos eles foram para Cleveland). Os exilados, companheiros e camaradas alegam um complô da CIA, que teria posto um veneno no ar-condicionado do avião presidencial. No entanto, outras mortes se seguem, reduzindo o número de exilados pela metade e fazendo com que a teoria conspiratória seja descartada. O laudo do serviço secreto cubano aponta para charutos cubanos estragados, distribuídos durante o vôo. Cuba Socialista cai e dá lugar ao Protetorado Guantanamenho. Havana passa a se chamar Cienfuegos City. Na verdade, um subdepartamento sob a responsabilidade de Porto Rico.

Menem é convidado pelos EUA para fazer parte de um novo governo multi-étnico pan-latino no Brasil. Logo assume como Primeiro-Ministro. Assim que o general americano encarregado da transição se retira, os peronistas quebram o Brasil assim como quebraram a Argentina. Hugo Chávez se torna uma figura influente na política local. Pede a volta de Lula. Menem prefere trazer FHC de volta, mas este recusa, dizendo que "assim não dá", que o “desrespeito às instituições democráticas é inaceitável” e continua lecionando em Paris.

Lula entra no movimento sindical francês mas perde muito dinheiro, pois as maracutaias são em francês e ele não entende nada. Pobre, tenta arrumar um emprego na Renault, outro na Citroen, mas as fábricas são totalmente automatizadas. Arruma emprego numa das fazendas de gado de seu amigo José Bové, que deixou os movimentos anti-globalização e agora vende carne para o MacDonalds, mas logo é demitido com a mecanização da ordenha. Contrabandeado para o Brasil por uma ONG, vira garoto-propaganda da Caninha Pacheco.

Terremoto de 13 pontos na escala Richter engole Brasília. O governo pouco sofre, principalmente o Congresso, que, pra variar, não estava lá. A cidade é totalmente devastada. Maria da Conceição Tavares é retirada dos escombros do prédio do BC com vida. Sofre escoriações leves e passa bem.

Menem cai, junto com todo seu gabinete, menos sua amada Cecília Bolocco, que se separa dele. Vai para o Japão, onde ocupa a mesma suíte presidencial usada por Alberto Fujimori. Chávez sai do Lago Sul em carreata e toma o poder. Dissolve o parlamento, criando sua tão sonhada Nación Bolivariana. Realiza o sonho de Bolívar, às avessas, claro. Lula fica ansioso, esperando por uma anistia para poder retornar, mas Chávez não é mais o Chapolim Colorado de outrora, apesar de dizer em seu discurso de posse: "Não contavam com a minha astúcia". Rompe de vez com as esquerdas, após negociações com o Departamento de Estado Norte-Americano e a rede Televisa do México, que absorve a Rede Globo e traz bilhões de guaranis-austrais em investimentos para cá. O Brasil se transforma no maior pólo produtor de telenovelas latinas. Os sobreviventes da Turma do Chaves se mudam para o Brasil, para delírio dos fãs brasileiros, mas eles não aprendem a falar português, ainda exigindo dublagem.

Cecilia Bolocco se casa com Chávez. Inédito: temos uma Primeira-Dama bonita. Maria da Conceição Tavares também se casa, com José Saramago, que a convence a sair do BC e voltar para Portugal, onde ela se filia ao bom e velho Partido Stalinista Português.

Internado com cirrose, Lula morre em 1º de Abril de 2019, Dia Internacional dos Bobos. Deixa fita gravada com frases de efeito muito originais, como “a História me absolverá” e “deixo a vida para entrar na História”. É enterrado ao lado de Fidel em Havana.

Chavez mantém o discurso radical bolivariano-marxista-leninista-trotskista para as massas, convertendo-se habilmente num capitalista neoliberal. Até privatiza a Petrobrás. O Brasil finalmente entra numa rota de desenvolvimento sustentável.

Quinta, 10 Maio 2007 21:00

Foco Ambiental Equivocado

Antes de mais nada gostaria de deixar bastante claro que, assim como a grande maioria das pessoas de bom senso, sou totalmente favorável às iniciativas de conscientização da importância da preservação ambiental.

Por Ricardo Dornelles Chaves Barcellos*

Antes de mais nada gostaria de deixar bastante claro que, assim como a grande maioria das pessoas de bom senso, sou totalmente favorável às iniciativas de conscientização da importância da preservação ambiental. Ocorre que alguns episódios recentes na execução de políticas públicas no setor de preservação do meio-ambiente, hoje galgado a nível de ministério, inclusive, demonstram certa insegurança e mesmo incerteza da condução do problema.

Refiro-me aos episódios envolvendo o zoneamento das áreas de reflorestamento e a demora na concessão das licenças ambientais aos respectivos empreendedores; a onda de denúncias que assolam nossa vizinha Florianópolis e, aí uma questão mais técnica, a política intimidatória de alguns órgãos públicos na fiscalização e repressão de atividades potencialmente poluidoras. O ruído na engrenagem entre a máquina do desenvolvimento industrial e o pano de fundo de proteção ambiental é, em apertada síntese, inevitável. Esse descompasso entre essas regras protetivas, por vezes rígidas demais ou subjetivas em excesso, e a necessidade de expansão de uma fábrica ou mesmo de implantação de uma nova cadeia de produção, como no caso da indústria da celulose, somente pode ser contornado se houver bom senso e agilidade na aplicação das normas ambientais. Como dizem: não há como fazer omelete sem quebrar os ovos. Não há como crescer o PIB gaúcho, através da atração de novos empreendimentos para o nosso Estado, sem afetar de algum modo o meio-ambiente.

As empresas, que são feitas de pessoas que respiram o mesmo ar, pais de família e moradores do entorno das fábricas, praças e rios, estão cada vez mais conscientes da necessidade de compatibilizar a atividade produtiva com a preservação ambiental.

Ocorre que o arcabouço legal que compõe o sistema de proteção ao meio ambiente está recheado de normas com conceitos abertos e que se prestam a variadas e, por vezes, tendenciosas interpretações. As regras do jogo não estão claras antes da partida iniciar, não há um grau adequado de confiança e estabilidade na condução do tema. Os empreendedores não sabem que tipos ou níveis de alterações ou adequações serão obrigados a realizar durante a execução de determinado projeto submetido à aprovação pelos órgãos ambientais. Tudo isso encarece o processo e o consumidor, em última instância, acaba pagando mais caro.

Mesmo após a concessão das licenças, percebe-se uma tendência mais exacerbada em punir quando há algum tropeço na condução do projeto ao invés de buscar a remedição. De novo, as normas abertas que caracterizam nosso arcabouço jurídico-ambiental permitem que fatos por vezes corriqueiros sejam tipificados como crimes ambientais. Premidos pela falta de pessoal ou mesmo de equipamentos, os órgãos ambientais optam por denunciar esses fatos para deixar que a instância policial investigue; esta por sua vez prefere que o Ministério Público avalie se houve ou não crime; e o MP acaba denunciando o investigado para que o juiz decida, condenando ou absolvendo. Imagine-se o custo dessa sucessão de fatos e a vantagem que se teria se o processo de aprovação de projetos e cumprimento das licenças concedidas estivesse focado na viabilização ambiental, mas também econômica do projeto.

Não o fiscalizar por fiscalizar ou o punir por punir, mas o agir com respeito ao meio ambiente e a favor dos empreendedores bem intencionados. Focar na educação e na valorização dos empreendimentos ambientalmente corretos. Afinal, falta de investimentos novos causa desemprego e recessão que afetam, em última análise, também o meio-ambiente. Numa economia forte, as pessoas são mais conscientes da importância da preservação ambiental. Ao contrário, numa economia em recessão ou sem perspectiva de crescimento, a conscientização ambiental fica fragilizada.

____________________________________________________________________________________________

* Presidente do Instituto Liberdade

Sábado, 14 Abril 2007 21:00

O Grande Motim ... A Vir

Aumentam-se os salários dos sargentos controladores, mas se mantêm os salários dos sargentos que militam nos quartéis e são os responsáveis primeiros pela disciplina da tropa. O grande motim seguir-se-á a essa situação de desconforto.
Por Oliveiros S. Ferreira em 14 de abril de 2007, publicado por MSM.
 
Não serão muitos os que darão a devida importância ao fato de o Poder de Estado haver cedido ao motim dos sargentos da FAB que controlam o espaço aéreo. Haverá outros, bem menos que os primeiros, que se lembrarão de que o motim aconteceu na noite de 30 para 31 de março, exatos 43 anos depois que o General Luis Carlos Guedes sublevou a guarnição de Belo Horizonte, e poucas horas depois o General Olímpio Mourão Filho iniciou sua marcha para o Rio de Janeiro. Esses poucos dirão que os sargentos comemoraram, a seu modo, o aniversário da “Contra-Revolução de 1964”. A coincidência das datas — inclusive das horas — permite essa interpretação dramática.
 
Para que possamos ter dos acontecimentos uma visão mais completa, será conveniente enunciarmos fatos que já não moram na memória de quase todos. Vamos a eles.
1961 — Para silenciar a “cadeia da legalidade” que Brizola estabelecera a partir de uma emissora de rádio instalada no Palácio Piratini, alguns Oficiais da FAB pretenderam levantar vôo em Porto Alegre e bombardear o palácio. Os sargentos da base esvaziaram os pneus dos aviões e a operação não se realizou. Não se tem notícia de que, naquele ambiente em que o General Machado Lopes formava com Brizola, os sargentos ou os Oficiais da FAB tivessem sido punidos.
1963 — Os sargentos se revoltam em Brasília, de armas na mão. Para protestar contra a decisão do Superior Tribunal Eleitoral que, amparado na Constituição, havia declarado sem efeito a eleição de alguns sargentos para a Câmara dos Deputados. A reação do Poder de Estado fez-se também de armas na mão, havendo mortos e feridos. O Presidente da República era o Sr. João Goulart.
 
A partir desse fato, os Oficiais (especialmente do Exército) passaram a ter fundados receios de que os sargentos de suas unidades pudessem sublevar-se, repetindo o que acontecera em 1935. Para diminuir o risco pessoal, passaram a dormir com suas armas pessoais, e o controle do armamento das guarnições passou a ser extremamente rigoroso, mais do que o habitual.
 
A reação de parte da opinião pública, para não dizer de quantos não se guiavam pela cantilena esquerdoide de que os sargentos eram o Proletariado e os Oficiais eram a Burguesia (e havia quem sustentasse essa sandice), a reação foi de temor de que o Estado pudesse fraquejar diante de novas sublevações desse tipo.
1964 — Na Semana Santa (março daquele ano) marinheiros e fuzileiros navais se sublevam em seus navios e em terra. Pelo menos de uma belonave, Oficiais foram jogados no mar. Em seguida, os amotinados se reuniram no Sindicato dos Metalúrgicos, realizando tumultuada assembléia em que o orador mais ardoroso foi um marujo (depois conhecido como cabo) chamado Anselmo. O ministro da Marinha mandou um destacamento de fuzileiros navais para prender os revoltosos. Os fuzileiros aderiram aos que estavam no sindicato. Foi preciso que o Exército enviasse tropa para que o motim terminasse. Os marinheiros e fuzileiros foram recolhidos presos a um quartel do Exército e na mesma tarde anistiados pelo Presidente João Goulart.
 
O Exército, parte do Poder de Estado, reagiu, prendendo os amotinados. A anistia, violentando dispositivos constitucionais, veio simplesmente consagrar a fraqueza da Presidência da República, que cedia aos amotinados em nome da concórdia nacional. No dia 30 de março, o Presidente João Goulart fez um discurso no Automóvel Clube para sargentos e praças, quebrando a hierarquia e a disciplina. Naquela noite, o General Guedes, apoiado no governo de Minas Gerais, levantou-se; horas depois, após alguma hesitação, o General Mourão Filho assumiu o comando da sublevação.
1979 — O General João Batista Figueiredo mal acabara de tomar posse, quando o sindicalista Lula comandou grande greve no ABC paulista. Grande cobertura dos meios de comunicação, especialmente do vôo de helicópteros e aviões sobre o campo de futebol onde se reuniam os grevistas, em massa. O Tribunal Regional do Trabalho determinou que a greve cessasse. Lula desafiou a decisão da Justiça, tecnicamente se colocando contra o Poder de Estado. O espetáculo da massa de grevistas desfiando o Governo da Revolução impressionava todos. O Presidente Figueiredo mandou seu ministro do Trabalho negociar com Lula. A negociação foi feita, a decisão do TRT jogada às urtigas e a greve cessou.
1999 — O Presidente Fernando Henrique Cardoso cria o Ministério da Defesa, com o que os comandantes das Forças passaram a ser subordinados, desde então, a um ministro civil pouco familiarizado com o espírito das Forças Armadas, que se articula em torno das noções de Hierarquia e Disciplina.
2002 — O sindicalista que desafiara o General-Presidente e a Justiça foi eleito Presidente da República, tendo sido reeleito em 2006. Os que acreditam em teorias conspirativas dizem que o sindicalista de apelido Lula foi transformado no líder político de nome Lula da Silva por obra e graça das artimanhas do General Golbery do Couto e Silva. As mesmas pessoas — repito, que acreditam em teorias conspirativas — diziam em 1964 que o General Golbery buscara o apoio dos intelectuais de esquerda de São Paulo para o governo Castelo Branco, tendo malogrado em sua aproximação.
2005/6 — Os que têm acesso à Internet podem acompanhar manifestações de sargentos, que disputam cargos eletivos, e de Oficiais da reserva reclamando, todos, aumento de salários e criticando em tom revanchista os comandos das Forças Armadas.
2006 — Apenas registrado o trágico acidente com o avião da Gol, começa a crise no controle do espaço aéreo. O noticiário nos meios de comunicação, primeiramente voltado para apontar a culpa dos pilotos norte-americanos do jato que colidira com o Boeing da Gol, lentamente passa a ser centrado nos controladores. Há notícias, sem atribuição formal de fonte, de que um ou outro controlador, sargento da FAB, poderia ser responsável por um mau controle dos dois aviões. 
 
Iniciam-se os chamados “apagões”. Coloca-se em dúvida, sem desmentido das autoridades, que o equipamento para controle do espaço aéreo está ultrapassado diante do aumento do tráfego aéreo comercial-civil, quando não sucateado. As condições de trabalho dos controladores, dados como forçados a controlar mais aeronaves que o estabelecido em lei, merecem grande destaque na imprensa. Inicia-se uma campanha para que o controle do espaço-aéreo saia das mãos da FAB e seja feito por civis sem que se especifique que Governo, autoridade ou empresa privada assumirá a responsabilidade por esse controle. O ministro da Defesa recebe uma comissão de controladores, passando por cima da hierarquia. 
2007 — Os “apagões” repetem-se. O ministro da Defesa desempenha, no decorrer de todo o episódio, o triste papel de nada saber de fonte própria. O Presidente da República, diante do espetáculo degradante que se observa nos aeroportos nesses dias, exige uma solução com data e hora... Às 18h30 do dia 30 de março, os controladores, sargentos e civis, reúnem-se no auditório do Cindacta de Brasília e enviam seu ultimato ao governo: nenhum avião levantará vôo a menos que suas reivindicações sejam atendidas: nada de punições, cancelamento das transferências já feitas, aumento de salários e transferência do controle para civis. Brasília é importante como “entroncamento” (a imagem é ferroviária, mas diz bem o que tenho em mente) do tráfego aéreo do Norte e do Nordeste para as demais regiões e vice-versa. O caos se estabelece mais uma vez, afetando desta feita os aviões de empresas internacionais e os vôos nacionais para o Exterior.
 
O comandante da FAB decide prender os amotinados e é impedido. O Presidente da República, em vôo para os Estados Unidos, decide que nada se faça contra eles e que o Governo deve negociar. Os sargentos se recusam a negociar com o comandante da FAB, reclamando a presença da ministra Dilma. Ela se encontra no Rio Grande do Sul; o Presidente determina que o ministro do Planejamento e o secretário-geral da Presidência negociem. 
 
Eles não negociam — aceitam as exigências dos amotinados. O ministro do Planejamento justifica sua presença na negociação, dizendo que se o ministro da Defesa e o comandante da FAB fossem negociar, teriam de tomar posição diferente da que adotou.
 
O pano cai sobre Brasília, isto é, sobre o Poder de Estado. O ministro da Defesa, jogado às urtigas pelo Presidente, não renuncia. O comandante da FAB, humilhado pelos amotinados e pelo Presidente, teria pensado em renunciar, mas depois pensou melhor e não apresentou sua demissão. A FAB, por seu comando, deixou claro que não quer mais assumir o controle do espaço aéreo. Que os civis cuidem disso, no Ministério da Defesa. É como se dissesse, lembrando as vezes em que pediu providências e não foi atendido: “Quem pariu Mateus, que o embale”. Uma coisa não ficou clara, se de fato houver uma creche para o ministro Pires tomar conta: quem controlará o espaço aéreo, quando se tratar de vôos militares? 
 
O General de Gaulle, diante da revolta dos coronéis e dos estudantes em Argel, dizia que o Poder não recua. Acostumei-me a dizer: desde que haja um Poder.
 
Não se deve, a partir dessa lembrança do General de Gaulle, dizer que não há poder no Brasil. Há. Só que não é Poder de Estado consagrado, mal e mal, na Constituição de 1988; pelo contrário, é um poder que pretende substituir o atual Estado por outro. Sobre esse fato, é preciso meditar antes de avançar.
 
É preciso, porém, tirar conclusões de tudo o que enunciei acima. Talvez sejam “conspirativas”. Desde, porém, que a realidade as sustente, têm boa probabilidade de traduzir o que está em curso. Vamos a elas.
 
Os “apagões” anteriores haviam provocado irritação, mas não comoção da opinião pública. Comoção no sentido de que os cidadãos se sentissem prejudicados e colocados em situações de enorme constrangimento e de prejuízos muitas vezes irreparáveis. O acúmulo de um “apagão”, hoje, outro daqui a dez dias, porém, fez transbordar o copo da paciência. Ninguém mais queria saber de coisa alguma, especialmente depois que o Presidente Lula da Silva, ao invés de marcar prazo para a crise terminar, disse que queria que uma data fosse marcada — no seu estilo muito à la Stalin, de jogar a culpa nos subordinados. O motim do dia 30 apanhou todos os passageiros, no fim da tarde, sem informações, sem dinheiro para passar a noite, sem saber quando poderiam viajar. E nos trouxe a imagem de mães que havia horas levavam suas crianças no colo e a daquela senhora que pretendia embarcar em Brasília para Rondônia, creio, porque seu marido tinha sido assassinado, e teve de ficar presa no aeroporto sem perspectiva alguma de poder aliviar sua dor e prantear a morte do marido junto a seu cadáver. Sem falar do cidadão que enfartou no aeroporto de Curitiba e morreu a caminho do hospital. 
 
É importante reter esse fato: as anteriores “operações padrão” só atingiam o Governo Lula da Silva na medida em que os passageiros que não podia embarcar tendiam a responsabilizar as empresa. Os porta-vozes do governo, aliás, lançaram a população contra elas. No dia 30, porém, a coisa foi diferente criou-se o caos em todo o País, com um agravante: pelo que se viu do noticiário de televisão, não houve quem dissesse aos passageiros que a culpa não era das empresas, mas dos controladores. Esse silêncio, culposo se não doloso nas circunstâncias, aumentou a tensão e fez que passageiros menos calmos agredissem funcionários e depredassem os balcões de empresas. 
 
Foi diante disso, situação criada com sabedoria e montada peça por peça, que o Presidente Lula da Silva mandou negociar, vale dizer, ceder. É lícito supor que teve presente a situação de 1979: comoção nos meios de comunicação (sem censura, lembremo-nos); massa reunida em um estádio de futebol, famílias lamentando a situação de seus chefes em greve etc.. Tudo o que viveu e deve ter-se lembrado. 
 
O clima foi criado e a cena montada: a população com raiva do governo e da situação; comentaristas de TV fazendo, conscientemente ou não, a apologia do motim. Advogados ilustres dizendo que prender um sargento amotinado seria violentar o preceito constitucional que garante o direito de ir e vir. A tragédia não poderia ter sido melhor encenada. 
 
O próximo ato será mais trágico. Não irá comover a opinião pública, a não ser aqueles que se preocupam com o Poder de Estado que não pode recuar. O ato será encenado nas Forças Armadas. Qual o enredo até agora, no que poderíamos dizer terem sido os ensaios (e o ensaio-geral, o do dia 30) de uma grande tragédia?
Primeiro ato: difunde-se pelos canais possíveis a idéia de que as Forças Armadas são desnecessárias enquanto força militar; 
Segundo ato: o Governo Lula da Silva continua a política do Governo Fernando Henrique Cardoso sucateando as FFAA e nomeia para ministro da Defesa quem nada tem a ver com os problemas da Pasta e, Lula consule, quem teve ligações com a situação deposta em 1964;
Terceiro ato: o Governo Lula da Silva não aumenta os soldos e cria insatisfação nas Forças, especialmente nos sargentos;
Quarto ato: o acidente com o avião da Gol permite que a “operação 30 de março” comece a ser montada. Difunde-se a idéia de que o controle do espaço aéreo deve ser civil e a de que os salários pagos aos sargentos e seus equivalentes civis são irrisórios (e o salário pagos aos demais sargentos? São bons?);
Quinto ato: a “operação 30 de março” é vitoriosa. Com ela lançam-se as bases para a tragédia principal, que poderá desenrolar-se em um ou mais atos, e que pode ser assim resumida — não entrando na consideração de quem irá controlar o espaço aéreo:
Aumentam-se os salários dos sargentos controladores, mas se mantêm os salários dos sargentos que militam nos quartéis e são os responsáveis primeiros pela disciplina da tropa. O grande motim seguir-se-á a essa situação de desconforto. 
 
Não preciso dizer mais. O quadro está pronto para a grande subversão que será concluída com uma grande negociação, desta feita com Dilma ou talvez com o próprio Lula, que negociou o descrédito da Justiça com um Ministro do Trabalho em 1979.
Domingo, 23 Abril 2006 21:00

Alternativas à Realidade

É impressionante quantas vidas inocentes têm sido sacrificadas por uma frase inconseqüente - Por Thomas Sowell

Por Thomas Sowell em 24 de abril de 2006.

Histórias horríveis sobre estupros e assassinatos de crianças e sobre juízes que são condescendentes com criminosos sexuais que atacam jovens têm estimulado as assembléias legislativas estaduais americanas a tornar mais rígidas as leis e a restringir a liberdade dos juízes na determinação das penas.

Poucos na mídia ou na intelligentsia têm se mostrado tão indignados sobre esses crimes sádicos contra as crianças quanto sobre o fato de os telefonemas de terroristas poderem ou não ser interceptados.[1]

Isso é parcialmente devido à situação política atual mas é, também, a continuação de uma tradição, velha já de mais de dois séculos: o descrédito da punição de criminosos.[2]

Indivíduos que, hoje, apontam para as falhas da “sociedade” como as “causas intrínsecas” do crime estão ecoando o que foi dito no século XVIII por Condorcet na França e William Godwin na Inglaterra, dentre outros.

Assim também agem os que falam presunçosamente de “alternativas à prisão” ou que continuam a depositar esperanças na “reabilitação” ou na “prevenção”.

As pessoas com esse tipo de concepção se envolvem em quedas-de-braço infindáveis sobre o que fazer com os estupradores. Por outro lado, muitas das pessoas comuns diriam que eles devem ser trancafiados – e, se eles forem muito perigosos para serem soltos, devemos jogar fora as chaves da fechadura.

Mas aqueles cuja auto-imagem é baseada na sua presumível superioridade em relação às pessoas comuns nunca poderão concordar com tais idéias. Eles empacam até ante a idéia de notificar o público quando algum estuprador condenado é solto nesta ou naquela vizinhança.

O pensamento – chamemo-lo assim – desse tipo de gente é que aquele estuprador que foi solto da prisão já “pagou seu débito com a sociedade” e sua ficha deve ser limpa, permitindo a esses sádicos esconder suas ações passadas.

É impressionante quantas vidas inocentes têm sido sacrificadas por uma frase inconseqüente.

Um período de cadeia não paga nada. As pessoas são presas como punição e para colocá-las fora de circulação. As vítimas infantis de estupro e assassinato não podem ser trazidas de volta. O débito nunca pode ser pago.

O máximo que podemos esperar é poupar outras crianças e seus pais da angústia infligida por pessoas más – não pessoas “doentes”, mas pessoas más. Estupradores sabem exatamente o que estão fazendo, sabem que aquilo é errado e, ou não se importam, ou se comprazem com sua ação, justamente, por ela ser má.

Dizer que elas são “doentes” implica que há, para elas, tratamento ou cura a ser aplicado. Quantas vidas adicionais estamos preparados a sacrificar no altar de tal noção?

A ilusão de poder controlar os estupradores postos, secretamente, em liberdade em meio a famílias e crianças, tem se revestido de muitas formas e de uma retórica reconfortante.

Liberdade condicional “supervisionada” é uma das frases reconfortantes. A realidade é, na verdade, uma apresentação ocasional a um oficial que supervisiona vários condenados em liberdade condicional – que não consegue controlá-los nos outros 99% do tempo em que eles não estão se apresentando.

A mais recente pretensão desse controle é um aparelho de GPS (global positioning satellite) instalado no corpo desses indivíduos.

Pense bem. O que um GPS nos diria se um estuprador estivesse com duas meninas presas no seu porão? Que ele estava em casa. Que reconfortante!

Mesmo que o aumento da pressão pública para uma proteção mais responsável para nossas crianças tenha forçado algumas assembléias legislativas a empreenderem esforços nesse sentido, evasão e resistência ainda são a ordem do dia, em muitos lugares.

Na Califórnia, a assembléia legislativa está considerando leis sobre o uso do GPS para seguir criminosos sexuais em liberdade – mas só aqueles considerados “perigosos”.

O proponente de uma dessas leis descreve o GPS com uma “tecnologia incrivelmente útil”. Sem dúvida – se você está perdido e quer encontrar seu caminho de volta. Por outro lado, se você não quer ser encontrado, você pode sempre se desvencilhar do aparelhinho.

As leis da Califórnia são apresentadas como substitutos a um plebiscito sobre a implantação, no estado, da “Lei Jéssica”,[3] que imporia grande rigidez em relação à determinação das sentenças, ao invés dessas alternativas políticas à realidade.

____________________________________________________________________________________________

Publicado por Townhall

Tradução Antônio Emílio Angueth de Araújo

[1] Até onde eu pude acompanhar pela TV, Bill O’Reilly tem feito uma implacável cruzada em favor de leis mais rígidas contra os estupradores, em seu programa na Fox News, O’Reilly Factor – o programa de maior audiência da TV americana. Infelizmente para nós brasileiros, a operadora de TV a cabo de que dispunha, a NET, eliminou esse canal de sua lista, substituindo-o por um ridículo canal italiano. (N. do T.)

[2] Esse é um dos temas do livro de Sowell, The Quest for Cosmic Justice (A Procura pela Justiça Cósmica), The Free Press, 1999. (N. do T.)

[3] Jéssica Lunford tinha 9 anos quando foi raptada, estuprada e assassinada na Flórida, em fevereiro de 2005, causando grande consternação. O criminoso, John Evander Couey, era um estuprador previamente condenado. Quase imediatamente, a assembléia legislativa da Florida votou e o governador Jeb Bush assinou uma lei que ficou conhecida com Lei Jéssica, que determina uma pena mínima de 25 anos para crimes sexuais em crianças de até 13 anos e o uso perpétuo, pelo criminoso, do aparelho de GPS. (N. do T.)

Quarta, 12 Abril 2006 21:00

A Esquerda e a Pobreza

Os que estão preocupados com o bem-estar dos pobres são os que descobrem, com o passar do tempo, que muito da agenda esquerdista não faz bem ao pobre e que parte dela – extremismo ambientalista, por exemplo – faz, de fato, mal - Por Thomas Sowell

Por Thomas Sowell*

As privações e os sofrimentos do pobre têm sido um dos temas centrais da visão política da esquerda. Isso é o que atraiu muitos de nós em nossa juventude. Mas as reais conseqüências da agenda esquerdista em relação aos pobres – e aos outros – é o que, ao final, nos direcionou à direita.

A maioria dos principais oponentes da esquerda, nos Estados Unidos e em todo o mundo, começaram na esquerda. Essa maioria inclui Ronald Reagan, Milton Friedman e todo o movimento neo-conservador, assim como Raymond Aron na França e Friedrich Hayek na Áustria.

Não há um êxodo comparável da direita para a esquerda. Por quê? A explicação favorita daqueles que permanecem na esquerda é que os ex-camaradas se “venderam”.

Mas ninguém se vende pelo preço mais baixo. O dinheiro graúdo, pelo menos para os intelectuais, vai maciçamente para a esquerda. Intelectuais negros, especialmente, podem ganhar salários anuais de seis dígitos, apenas por conferências e aulas em universidades e faculdades espalhadas pelo país. Tudo o que se requer são algumas espalhafatosas acusações de racismo (contra os brancos) e denúncias contra a sociedade americana em geral, temperadas com eventuais observações anti-semitas que sempre caem bem. Em lugar nenhum você consegue ganhar tanto dinheiro, fazendo tão pouco.

Em contraste, há muito pouca demanda por conferencistas conservadores – negros ou brancos – nos campi e os poucos que aparecem são, quase sempre, interrompidos por gritos e vaias. Não há, tampouco, refúgios para os conservadores no jornalismo ou nas artes. Longe disso. Qualquer que tenha sido a lista negra da era McCarthy contra os comunistas e seus companheiros de viagem, ela tem sido completamente ultrapassada pela atual lista negra – e pela intimidação – contra os conservadores.

Se o êxodo da esquerda não é devido ao pessoal se vendendo pelo preço mais baixo, qual a sua causa? Voltemos ao pobre. Por que estamos preocupados com eles? Alguns estão preocupados em prover a eles casa, comida e outras necessidades básicas adequadas. Outros estão preocupados com as desigualdades e disparidades que os afligem. E há ainda outros que se mostram “preocupados” por saberem que os pobres podem servir como desculpa para o aumento do poder da esquerda.

Os que estão preocupados, principalmente, com o bem-estar dos pobres são os que, provavelmente, descobrem, com o passar do tempo, que muito da agenda esquerdista não faz bem ao pobre e que parte dela – extremismo ambientalista, por exemplo – faz, de fato, mal.

Por outro lado, não se conhece nada que tenha tanto sucesso em alçar milhões de pessoas acima da linha de pobreza do que a economia de livre mercado. Muitos dos pobres “oficiais” dos EUA de hoje possuem bens com os quais a classe média americana do passado poderia apenas sonhar – incluindo-se aí TV colorida, videocassetes, fornos de micro-ondas e seus próprios carros. Além disso, metade dos lares pobres tem ar condicionado. A redistribuição de renda esquerdista nunca poderia realizar tal façanha, pois não haveria, simplesmente, um número suficiente de ricos para que sua riqueza tivesse efeito tão dramático nos padrões de vida do pobre, mesmo se houvesse um confisco e uma redistribuição geral.

Acrescente-se a isso que muitas tentativas de redistribuição de riqueza que foram feitas em vários países em todo o mundo terminaram por redistribuírem a pobreza. Afinal, os ricos podem identificar os ventos políticos, pegar seu dinheiro e deixar o país, muito antes que um programa de governo possa começar o confisco. Eles, muito provavelmente, levam, também, as habilidades e as experiências empresariais que são mais difíceis ainda de serem repostas do que o dinheiro.

Para aqueles de nós cuja principal preocupação é com o bem-estar das pessoas comuns, foi automático o êxodo da esquerda, tão logo adquirimos um conhecimento suficiente sobre o que estava, realmente, acontecendo, em oposição ao que as teorias esquerdistas diziam.

Uma história bem diferente se passa com aqueles esquerdistas cujo objetivo tanto pode ser provar um auto-proclamado senso de superioridade, quanto conseguir o poder político com o qual se possa expressar sua egolatria, pela imposição de sua visão aos outros. Aqui o pobre é um meio para um determinado fim. Esse tipo de esquerdista mostra um interesse extraordinariamente pequeno pela criação de riqueza – que tem elevado o padrão de vida do pobre – quando comparado à sua obsessão pela redistribuição de renda – que não eleva padrão nenhum. Esse tipo de esquerdista concentra-se nas desigualdades que podem ser resolvidas se dinheiro e poder forem dados a pessoas como eles. Esse tipo de esquerdista nunca desertará da causa que o serve tão bem, independentemente de quão mal ela serve aos outros.

 

Publicado por Townhall

Tradução Antônio Emílio Angueth de Araújo

* O autor Thomas Sowell é doutor em Economia pela Universidade de Chicago e autor de mais de uma dezena de livros e inúmeros artigos, abordando tópicos como teoria econômica clássica e ativismo judicial. Atualmente é colaborador do Hoover Institute.

Quinta, 22 Setembro 2005 21:00

Direitas & Esquerdas

Entretanto, os conceitos de esquerda e direita são nebulosos. Poucos sabem precisamente o que eles significam. Em geral, diz-se que os socialistas são de esquerda e que o nazismo e o fascismo foram movimentos de direita.

Quarta, 20 Julho 2005 21:00

Um 7 de Julho Permitido

Durante dois minutos, na Oxford Street, coração de Londres, uma das ruas mais barulhentas da cidade, o único som que se ouvia era o sopro gracioso do vento nas árvores - Por Ranyere Rodrigues

Sexta, 01 Julho 2005 21:00

O Socialismo Precisa de Enterro

De mentira em mentira, de empulhação em empulhação, os socialistas foram conseguindo adeptos em muitos países do mundo.

Sexta, 20 Maio 2005 21:00

A Excluída

Apesar de ser uma cidadã brasileira tenho consciência de que a Constituição deste país não me abrange, posto que só tenho obrigações, tais como: pagar impostos, tributos, e ser qualificada "classe média alta".

Quinta, 05 Maio 2005 21:00

A Formiga e o Gafanhoto

Um estória simples e que pode ensinar a diferença entre o empreendedorismo e sua conseguente valorização do indivíduo e o assintecialismo falacioso e totalitário do Estado.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.