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Anselmo Heidrich

Anselmo Heidrich

Professor de Geografia no Ensino Médio e Pré-Vestibular em S. Paulo. Formado pela UFRGS em 1987.

Sexta, 16 Março 2007 21:00

Ilusões de apartamento

Sex Pistols era uma banda que cantava a infanto-juvenil “God Save the Queen”, mas que nas apresentações ao vivo, não raro trocava o "save" por "fuck". Só mesmo em um país democrático, em que pese seu propalado conservadorismo, isto seria permitido.

Sex Pistols era uma banda que cantava a infanto-juvenil “God Save the Queen”, mas que nas apresentações ao vivo, não raro trocava o "save" por "fuck". Só mesmo em um país democrático, em que pese seu propalado conservadorismo, isto seria permitido. Mas o jogo é conhecido, um produtinho embalado da mídia esperta que ganhou rios de dinheiro com uma bandinha de 5ª categoria. O responsável por esta alquimia barata foi o empresário Malcolm MacLaren, quem absorveu o clima reinante do underground nova-iorquino dos anos 70 e soube vendê-lo mundo afora. Uma de suas frases era: "se não te apoderas das coisas que te rodeiam, só porque te servem de inspiração, és estúpido. O mundo é feito de plágios."
 
Honrosas exceções existem. Mais verdadeiros seriam os pós-punk do New Model Army que com sua “51th State of America” fazendo menção à subserviência inglesa para os EUA. Não que eu corrobore o tema, mas eles são legítimos ao levarem adiante o que acreditam, uma canção que lhes rendeu a proibição de tocar seus esfuziantes acordes do outro lado do Atlântico.
 
Tempos depois, a fórmula "faça o que eu digo, não faça o que eu faço" se repete num eterno retorno da rebeldia de apartamento. É a vez de uma banda (de horrível musicalidade, diga-se de passagem) chamada Rage Against the Machine. Com um vídeo clip bem produzido eles alternam imagens tocando na New York Stock Exchange (NYSE) na Wall Street, com cenas de desgraças do III Mundo. Ao final são presos pela polícia nova-iorquina. Tudo bem produzido de encomenda para atiçar os hormônios de jovens púberes que também começam a se coçar para gastar com o cdzinho. Ocorre que sua gravadora era a Epic, subsidiária da Sony, multinacional bem capitalista...
 
Que jovens queiram extravasar sua fúria com rock, não vejo nada de mais, mas que sejam tão ingênuos de não verem as conexões óbvias de seus ídolos com o big business é enjoativo demais, assim como não perceberem que são suficientemente tolos.
 
Integrantes desta horrorosa banda se juntaram ao vocalista Chris Cornell, de um bom grupo, o Soundgarden e formaram o Audioslave que tem sonoridade bem aprazível (quem disse que juntar laranjas podres com uma boa apodrecem esta?). Mas, o curioso sobre o Audioslave é que eles foram o primeiro grupo de rock a tocar na Praça Anti-Imperialista em Havana em 40 anos, com um público de 50.000 pessoas sedentas pelas delícias do capitalismo. Vi o show em documentário da HBO que intercalava com entrevistas e cenas na capital cubana. Em certo momento, os integrantes da banda comentam sobre a famosa foto de Che Guevara, como um rosto que simboliza a luta pela justiça ou algo assim... Mais tarde, o baixista tentava se lançar de bicicleta cross por íngremes paredões ao que era impedido pelo seu segurança. Desistindo, desabafou que se morasse em Cuba abriria uma loja de artigos esportivos para quem curte bicicleta(!). Aquilo me extasiou, pois isto resume muito bem o conhecimento adolescente sobre a política comunista. Como ele poderia achar que teria este direito? A liberdade ao comércio e à propriedade privada em uma ditadura comunista?! Por isto reafirmo, salvo raríssimas exceções, eu gosto é de "rock alienado", pois a grande maioria dos que se dizem "cabeça" são inocentes úteis a alguma causa perdida que só reproduz tipos bobos. Prefiro ouvir adolescentes cantando sobre garotas do que críticas à Margaret Thatcher, cujas políticas alçaram o Reino Unido a uma confortável posição em crescimento e baixo desemprego entre os grandes países europeus; prefiro ouvir cantarem odes a cerveja do que protestos indignados contra a fome na África para depois enviarem recursos e disponibilizarem fundos a líderes corruptos no continente; prefiro ouvir sobre carros velozes do que sobre o aquecimento global sem nenhum conhecimento de suas teorias nem de ciclos naturais etc. etc. e etc.
 
Mudando de saco pra mala, outro dia desses visitei a casa de um pessoal que era ligado ao “partidão”. Como sou meio tonto para relações sociais, fui logo “dando bola fora”. Havia uma médica que comentava sobre um belíssimo documentário sobre a Rússia, czares, a Era Stálin e quetais, uma psicóloga que mostrava como tinha ficado bonito o sindicato dos bancários como centro cultural em Porto Alegre etc. Após isto, ainda elogiou Saramago ao comentar sua opinião sobre o imbróglio do Papa vs. Islã etc. E eu só pontuando, Stálin matou mais que Hitler, mandou matar o namorado da própria filha, sindicato é máfia, Saramago é hipócrita ao defender Cuba como referência de democracia, o Papa foi mal como político, mas o Islã é hipócrita... Só depois de alguns minutos que a cerveja escasseou, percebi que não estava agradando. Se é que é possível apreender algo de bom quando a cerveja já está quente, concluo que minha crítica anterior aos adolescentes era um pouco injusta. Pior são alguns adultos.
 
Alguns são burros mesmo, outros apenas ingênuos. O documentário dinamarquês Smiling In A Warzone, também passado na HBO é sobre uma aviadora comovida com o relato de uma adolescente afegã que sonha pilotar aviões. Ela põe então um plano em execução que a faz voar 6.000 quilômetros até Kabul para transformar o sonho da menina em realidade. Toda uma equipe foi montada para atender ao vago desejo, sem ao menos conhecer as idiossincrasias da cultura tribal. Tudo para, no final, dar de cara com o muro da realidade: seu tio não deixou que ela realizasse seu sonho, pois seria ridicularizado pelos amigos e vizinhos.

 

Simone Aaberg Kaerns que dirigiu o documentário e pilotou o avião



Stone passou três dias em Havana com Fidel Castro

O mundo é mesmo um amontoado de ignorância.

Sexta, 19 Janeiro 2007 22:00

De BRIC Para Brick

Obviamente que não vou afirmar que a “democracia econômica é muito mais importante que a democracia política”, mas que uma sem a outra não há sustentabilidade no próprio sistema.
No ano passado, a ONU projetou crescimento global de 3,6%. Só o leste asiático era estimado em mais de 7% e, mesmo para uma burocratizada Comunidade dos Estados Independentes (CEI), se esperava mais de 6%. A Europa, ainda carregando o peso de seus welfare states, beirava os 3%. É mais difícil para “economias maiores” darem mostras de flexibilidade superiores que a de países emergentes, o que explica, em parte, a pequena taxa européia.
 
Tais projeções parecem corroborar o “fim da História” de Fukuyama. O capitalismo veio para ficar, apesar de capengar conforme a região. Então, para que tanta celeuma sobre “um outro mundo possível” do Fórum Social Mundial?
 
Não adianta, sempre teremos descontentes com a globalização ou o velho e bom capitalismo. Quem pensa que tais questões são exclusivas da “esquerda” se engana. Há quem ache que o comunismo ainda não morreu e que a ONU faz parte de uma conspiração mundial para alicerçá-lo em novas bases. Claro que se pode discutir que o capitalismo global não é liberal o suficiente e que os conluios entre transnacionais e estados nacionais implicam em uma nova forma de despotismo econômico. Despotismo enfim. Ou tudo isto é um jogo em que nos enganam ou as visões conspiratórias não se sustentam.[1]
 
Se for verdade que 70% dos produtos vendidos no Wal-Mart são de procedência chinesa, o capitalismo vige e vinga ou é usado pelas velhas ditaduras comunistas que se reciclam? Não creio em permanência na História. Não tenho conhecimento de nenhuma classe econômica que ampliasse seu poder sem almejar (e conquistar) o poder político igualmente. Assim, em Pequim aguardo por transformações democráticas. Posso ser ingênuo ou incuravelmente otimista, mas o estado chinês irá mudar.
 
Mais que oposições diplomáticas entre China e EUA, os dois países aprofundam uma salutar dependência. A reciprocidade no comércio externo e nos influxos de capital é benfazeja, pois quando crescem, diminui o potencial de conflito.
 
A sinergia econômica parece que vai ser acompanhada pela política. Com a mudança do secretário de Defesa dos EUA que trocou Donald Rumsfeld (2001-2006) para Robert Gates, finda o breve período neocon[2], cuja pedra de toque idealista era o “ataque preventivo”. O realismo político que deverá ser a tônica com esta nova administração não é nada novo. Permeou a maior parte da política externa norte-americana e, apesar de seus inúmeros erros, como apoiar ditaduras latino-americanas, trouxe mais benefícios do que as desbaratadas ações preventivas que, na retórica pretendiam disseminar o vírus da democracia em regiões tribais do globo. Os neoconservadores ingenuamente acreditam que ações externas intervencionistas, dirigidas a mudanças de regimes, criariam um mundo melhor e mais pacífico.[3]
 
Política para quem domina não se move por ideologia, mas justamente por necessidade e senso de oportunismo mesmo. México, Índia, Brasil e União Européia não são ambíguos quando se aproximam dos EUA. Só executam os mesmos princípios que tonalizam a própria política deste país no seu comércio externo. Dizer que a opinião dominante na mídia e instituições culturais é maciçamente antiamericana não reflete o que os governos em suas “razões de estado” definitivamente fazem.
 
E é a própria burocracia chinesa que está influindo em sua economia ao definir 39 princípios básicos que diminuem o peso do estado e a encaminham em direção do setor privado, objetivando utilizar os preços de mercado tanto quanto possível. Teoricamente, as bases para a democratização da sociedade no futuro estão sendo sedimentadas. Recente estudo da consultoria McKinsey evidencia a redução da pobreza chinesa de 77,3%, em 2005, para 9,7% em 2025, a continuar o atual ritmo de crescimento.[4]
 
A China de hoje, não é mais apenas um “mercado”. É um mundo a parte que toma as rédeas de seu próprio destino. Acabou de ultrapassar o próprio Japão, em gastos em pesquisas científicas e tecnológicas. Sim, estou me referindo aquele Japão, campeão em inovações tecnológicas. Os gastos chineses foram de USD 136 bilhões no ano passado, seis a mais que seu vizinho insular.
 
Quando pensamos em reformas no Brasil (que não saem) não deixa de ser triste a conclusão de que um forte desincentivo parte, justamente, do aumento dos preços das commodities no mercado internacional devido ao aumento do consumo chinês e indiano. Diferente do gigante asiático, nosso gigante (“de pés de barro”, nunca é demais lembrar...) surfa em uma inativa postura diante das ondas globais definidas por outros países. Isto somado a derrubada de barreiras comerciais aos produtos brasileiros nos EUA que por mais de uma década vigoraram, aponta para uma lei física de nossa economia: a inércia, pois o que China ou EUA vierem a executar, nos bastará.
 
Falar em globalização nestes “bobos trópicos” parece significar apenas redução de tarifas alfandegárias que, por si só, acaba aí sem atenção maior ao próprio mercado interno. Apesar da ditadura comunista na China, este país atingiu uma eficácia em seu desempenho econômico muito maior do que o Brasil com sua democracia. A redução das exportações de calçados em 11% em 2005, afetando duramente a Serra Gaúcha, tradicional região produtora, enquanto que o maior produtor mundial hoje em dia, é um gaúcho que atua na China revelam como um ambiente propício influi no desempenho individual. Estamos repletos de batalhadores por aqui, cuja melhor alternativa tem sido o aeroporto.
 
Obviamente que não vou afirmar que a “democracia econômica é muito mais importante que a democracia política”, mas que uma sem a outra não há sustentabilidade no próprio sistema. Por outro lado, no Brasil vige um pseudo-capitalismo, um “capitalismo de compadrio” em que contribuintes são explorados pelo estamento burocrático. A congênita inércia latino-americana tem a honrosa exceção do Chile que cresceu 4,3% entre 2001 e 2005. Mas, o próprio México, beneficiado pelo NAFTA não faz suas reformas internas e deixa de ser um atrativo para inversões externas. Não é a toa que nosso “grande mercado potencial” (e que sempre é potencial) esteja sob risco de perder posicionamento entre os BRICs – sigla formada pelas iniciais de economias emergentes de Brasil, Rússia, Índia e China: nosso governo cuja “esperança venceu o medo” teve otimismo desproporcionalmente maior do que a competência, como é sabido.
 
Dizem que nossa sociedade brasileira é “conservadora” ao ser contra o desarmamentismo, contra o casamento gay, contra o aborto, contra as quotas raciais etc. Só esquecem de observar que este mesmo “conservadorismo” também é conservador para a estagnação econômica que vivenciamos, deixando tudo como está ao fornecer salvo conduto para um governo que não prima por reformas e uma estrutura de estado parasitária. Em suma, uma flexibilidade de tijolo.

[2] Rumsfeld e o vice-presidente Richard Cheney não se enquadram bem no rótulo “neo-conservador”. O título é mais adequado para aqueles, como Paul Wolfowitz que consideram os Estados Unidos da América como mais que uma nação, mas uma causa.
 
[3] Uma das figurinhas mais rasas do novo conservadorismo americano é Ann Coulter, responsável por pérolas do seguinte quilate: “Nós devemos invadir seus países, matar seus líderes e convertê-los ao Cristianismo” (13 de setembro de 2001, itálicos meus e estupidez dela).
 
[4] Newsletter diária n.º 853 - 08/12/2006 - http://www.amanha.com.br/. Enquanto isto, a projeção é que o Brasil tenha 55 milhões vivendo em favelas em 2020, algo próximo a 25% da população nacional.
Sexta, 15 Dezembro 2006 22:00

Pinheiro solitário

Teus galhos já agüentaram tanta neve, teus braços já sustentaram tantas asas e patas. Mas, o solstício assinala um novo tempo, para nascer e morrer.
Pinheiro solitário
 
A RATIO PRO LIBERTAS foi criada com o objetivo de promover eventos educacionais, como apresentação de palestras, cursos e treinamentos nas áreas comerciais, industriais e de prestação de serviços.Visite o site Ratio Pro Libertas, um espaço destinado à discussão de idéias e propostas sobre liberdade, cidadania e sociedade.Teus galhos já agüentaram tanta neve, teus braços já sustentaram tantas asas e patas. Mas, o solstício assinala um novo tempo, para nascer e morrer.
 
Seja qual for o hemisfério e clima, tu estarás lá para anunciar a festa da sobrevivência. Não te encontras entre copas que tudo cobre, acaso também não estás entre outros como tu a barrar o vento. Apenas dobras gentilmente para voltar reto. O garçom de deus te cobra a conta, mas tu o ignoras.
 
Só. Mas, só tudo que podes fazer é resistir. Tuas folhas escuras absorvem o calor como nossas rugas retêm as lágrimas. Um fluxo de luz e água parece uma síntese da vida.
 
Tu exiges uma cota do solo, que parece pouco para quem tanto deu. Mesmo após as serras virem ao teu encontro, tua espécie aponta o céu imponente. Sejam lá quais forem os mistérios daquela abóbada, penso que posso furar seu zênite.
 
O farfalhar perante a brisa é um hino constante para ouvidos em um outeiro. Não foi uma maravilha forjada. É uma condição para sublimar.
 
Teu cone carnudo é devorado e das fezes dos que se beneficiam, renasce em outro vale. Tua resina te previne do excesso tornando meu temor pífio.
 
Viver por si mesmo, por que não há nada mais importante. Teu presente foi fruto de teu egoísmo e aqui estamos. Não há espaço para lamúrias de uma vida dura ou um futuro penoso, apenas a vontade de se erguer.
 
Nosso yule é lembrado por ti. Continuarás em tua sina, anunciando os padrões do tempo e a sombra de tua presença. Nenhuma cidade, nenhuma blizzard derrubarão teu significado.
 
Sábado, 11 Novembro 2006 22:00

Involução Americana

Diferentemente do que relata a epígrafe, conheci um sujeito no Brasil que emigrou para Los Angeles. E, como é de se esperar para qualquer trabalhador dedicado e bem informado, se deu bem. Entregando pizzas, obtém o suficiente para dividir um apartamento com outros imigrantes e dispõe de toda parafernália eletrônica para o lar, um Courier da Ford para trabalhar e um Neon da Chrysler para se divertir e “caçar”...

Mais velho que seus companheiros de infortúnio, confessava envergonhado por ter de aparecer diante dos officiales dos Estados Unidos com a roupa tão lamacenta e suja por causa da travessia. Insistiu, por conseguinte, em me mostrar que, por baixo, trazia uma camisa e uma calça limpas para se apresentar a algum empregador eventual e, ainda por baixo destas, mais um terceiro traje para ir à missa no domingo. Na realidade, Zaragoza não possuía nada mais que essas três roupas superpostas. Um agente recrutador sem escrúpulos viera até sua aldeia, em Ahucanetzingo, no estado de Morelos, e roubara todas as suas economias, mil dólares, a pretexto de lhe vender o endereço imaginário de um empregador americano, um fazendeiro em Nova York! Zaragoza não fala uma única palavra em inglês e só faz repetir “Nueva-York, Nueva-York”. Um agente dos border patrols tenta, com dificuldades, fazê-lo compreender que Nova Iorque está a cinco mil quilômetros de Tijuana e que lá, de qualquer modo, não existe mais nenhuma terra para cultivar.

Guy Sorman, A Nova Riqueza das Nações

Diferentemente do que relata a epígrafe, conheci um sujeito no Brasil que emigrou para Los Angeles. E, como é de se esperar para qualquer trabalhador dedicado e bem informado, se deu bem. Entregando pizzas, obtém o suficiente para dividir um apartamento com outros imigrantes e dispõe de toda parafernália eletrônica para o lar, um Courier da Ford para trabalhar e um Neon da Chrysler para se divertir e “caçar”... Para um self-made man desses, o recentemente aprovado projeto para construção de uma cerca de mais de 1.100 km na fronteira com o México, não é um ato dos mais simpáticos. Já, para aquele tipo de conservador que cheira conspirações em todo canto, o brasileiro a que me referi poderia muito bem estar entrando nos EUA para disseminar o germe da revolução.

O fluxo migratório não é obra de revolucionários, mas de sonhadores em busca de uma terra de oportunidades. Se não fosse pelo péssimo sistema de ensino brasileiro [1], não haveria tantos debandando. Na verdade, é difícil acreditar que a Revolução Americana, feita com as mãos calejadas de imigrantes já tenha terminado. Enquanto tomada do poder do estado, a revolução acabou sim, ela já foi. Mas, se entendermos como a mesma se gestou antes e depois de sua independência em relação à Inglaterra, o mesmo princípio ativo permanece.

São 300.000.000 de americanos hoje. A cada onze segundos, um novo habitante é adicionado à “terra dos bravos”. E o principal elemento desta adição não se encontra no próprio crescimento vegetativo, mas na imigração. Alemanha e EUA detêm hoje, mais de 50% dos imigrantes no mundo, o que traz incompreensão e insegurança.

O país se debate com a questão da imigração [2], não só a ilegal, mas igualmente a legalizada. Atualmente, já existem trechos de contenção que são atravessados preferencialmente à noite, pois caso seja pego, o imigrante passa menos tempo na cadeia até ser deportado no dia seguinte. Tática prática e funcional, mas se estiver portando documentos falsos pode amargar meses em um presídio até ser liberado. Com sua longa linha fronteiriça e o ímã que exerce, não vejo muita possibilidade de sucesso no muro. Exceto se o objetivo for a simples redução, o problema em si do fluxo migratório não tende a desaparecer.

liberdade cidadania sociedade Forças Armadas eventos educacionais racionalidade razão educação à distância liberal democracia filosofia ciência política poliarquia direito Amazônia problemas brasileiros governo estado justiça militar OTAN Alberto Oliva Alexandre M. Seixas André Plácido Anselmo Heidrich Carlos H. Studart Claudio A. Téllez Claudio Shikida Dartagnan Zanela Editoria - MSM Editoria - RPL Huascar Terra do Valle Janer Cristaldo João Costa Jorge Geisel José Nivaldo Cordeiro Lorenzo Bernaldo de Quirós Luiz Antonio Moraes Simi Luiz Leitão da Cunha Márcio Coimbra Maria Lucia V. Barbosa Mario de O. Seixas Mario Guerreiro Olavo de Carvalho Percival Puggina Roberto Romano Rodrigo Constantino Thomas Korontai Ubiratan Iorio

Muros de contenção mais apropriados não são um equívoco frente a atual situação. O equivoco está na própria “meia-integração” do NAFTA que, diferente de uma UE não integra comunidades efetivamente.

Bush não é um político tão limitado quanto muito de seus pares republicanos. Seu projeto era muito melhor, previa um programa de reciclagem que admitia trabalhadores para servir aos interesses de empresas americanas, especialmente para os trabalhos em que o cidadão americano rejeitava ou demonstrava pouco interesse. Os membros do Partido Democrata também não têm alternativa viável, nem parecem se interessar pelo assunto realmente. Preferem ficar em um cômodo oposicionismo. E acusam seus pares republicanos de fazerem uso político da questão. Ora, quem não faz? Pior eles, cuja posição é meramente crítica e nada propositiva. No entanto, não duvido que seja um projeto feito às pressas mesmo, com fins imediatistas frente às próximas eleições. Enquanto isto 1,2 milhão de ilegais foram presos ao longo da fronteira só no ano passado.

Se os EUA têm direito a limitar ou, em caso extremo, proibir a entrada de mais imigrantes, me parece óbvio que sim. O problema reside nas premissas de um projeto sem sustentação econômica e que, endossa claramente a paranóia de alguns puristas. O congressista americano J.D. Hayworth lançou um livro sobre o assunto, Whatever It Takes: Illegal Immigration, Border Security and the War on Terror, em que aponta os malefícios causados pela imigração. Segundo ele, além de estar na raiz da criminalidade de seu país, acusa como falsa a idéia do México ser um “país amigo”. Seu alerta cai como uma luva em tempos de terrorismo internacional. Abusando de uma retórica cara ao paranóico republicano, a decadência de sua civilização e as conspirações externas.

Entre os supostos mitos analisados, estão:

  1. Mentira: a alegação de que uma maior criação de empregos no México e uma redução da taxa de natalidade levariam a diminuição da migração para os EUA;
  2. Os EUA necessitam de mão-de-obra mais barata proveniente do exterior? É um absurdo pensar que sua vasta economia em pleno século XXI necessite do fluxo contínuo de mão-de-obra de baixo custo através da fronteira.

Com uma população de mais de 107 milhões e uma taxa de crescimento populacional de 1,16% (2006), o México sofre com a típica estratificação social tão comum aos latino-americanos, em que a base da pirâmide social não detém meios adequados de reprodução. Apenas citar a taxa de crescimento anual de sua economia em torno dos 5%, não é suficiente para que o desenvolvimento se internalize entre as diversas camadas da sociedade. Inversões de capitais externos já não têm mais sido suficientes para alavancar a economia regional, o que, por si só, não é remédio liberal algum se reformas internas aos países não são adotadas. Não passa de um remendo e pretexto para os estatistas difamarem o tal “neoliberalismo”.

Sinto falta realmente de vozes liberais na política regional. Tudo que se vê por parte dos auto-intitulados “liberais” em países latino-americanos é um clamor por mais investimentos externos. Nada contra estes, mas não são, bem entendido, o único motor do desenvolvimento. Seu tipo de crescimento que não parece buscar o desenvolvimento do mercado interno pari passu ao externo leva ao respaldo de idéias nacional-desenvolvimentistas, isto é, protecionistas na melhor das hipóteses e outras, claramente socialistas. Exemplos nunca nos faltaram, como se vê na pobre e condenada Venezuela de Hugo Chávez.

Vejamos um endosso teórico da reciclagem nacional-desenvolvimentista, de um expert da ONU:

(...) el uso de aduanas y de protecciones temporales y mesurables puede ayudar al desarrollo si se saben manejar dentro de una política macroeconómica "ofensiva y no defensiva".

Esta “solução” nós já conhecemos bem com Perón e Vargas, dentre outros. Dívidas públicas, ineficiência burocrática, desincentivo à inovação tecnológica, uso político de estatais, privilégios aos funcionários públicos e, de quebra, muita apologia estatal e demonização do estrangeiro. Junte-se ao tipo de falsa solução latino-americana reprodutora de caudilhos políticos, o medo dos conservadores americanos e teremos o caldo de cultura perfeito ao não encaminhamento correto da situação. Hipocritamente, ambos os lados não disponibilizam solução alguma. A imigração ilegal continuará, novos governantes americanos reclamarão e gastarão mais de seu orçamento em medidas paliativas, ao lado de lideranças ao sul do Rio Grande que pouco ou nada farão, exceto distribuir algumas migalhas de seus estados hipertrofiados com o emprego público. O muro entre México e EUA promete ter tanta eficácia quanto o combate ao tráfico de drogas. Uma de suas externalidades será, possivelmente, a evolução e o encarecimento dos serviços de máfias que arrebanham braceros.

Embora todos os grupos envolvidos neste xadrez expressem seu descontentamento, conservadores, liberais, liberals [3], socialistas etc., a previdência social nos EUA ganharia com o projeto rejeitado de Bush. O incremento de uma enorme força de trabalho disposta a pagar um preço pelo seu “sonho americano” teria o agradecimento dos aposentados. Como nos EUA, estar integrado ao mercado de trabalho não significa, necessariamente, ser cidadão americano, a economia e o fisco ganham. Esta é uma das grandes diferenças da economia americana frente à européia, sua flexibilidade. Enquanto os europeus ficam temerosos de incorporar as dezenas de milhões de turcos (e outras dezenas de milhões de curdos, indiretamente) o crescimento dos maiores PIBs da UE é letárgico. Se for justo dizer que Europa está se “arabizando” devido à formação de cistos étnicos, os EUA poderão se “europeizar” no sentido econômico deste neologismo.

Claro está que ressaltar os benefícios trazidos à economia pelos imigrantes não significa aprovar os objetivos sindicais das ligas que dizem representar os mesmos. É absolutamente normal que qualquer sindicato trabalhista se utilize de retórica socialista, mais ou menos branda. Mas, nem por isto os imigrantes que atravessam a fronteira por que optaram pelas benesses da economia de mercado mais pujante do planeta acreditam que isto levaria a institucionalização de uma “república socialista”. Isto seria o mesmo que acreditar que alemães orientais entravam em Berlim Ocidental para encontrar uma estátua de Lênin.

Não que conspirações não existam, mas confundir a ação e intenção de grupos civis de índole e ideologia terceiro-mundistas com o posicionamento e, mais importante, ação do governo mexicano não passa de estratégia de um político esperto para angariar votos de caipiras mal informados. Se a imigração fosse assim tão ruim aos EUA como um todo, ela simplesmente não existiria pela simples razão de que não existiriam empregos. Crer no contrário é assumir a premissa que o congresso americano e o Pentágono estão sendo, ingenuamente, manipulados. Isto não é geopolítica, isto é teoria conspiratória da grossa. Infantil até.

Se for para afirmar que a imigração traz prejuízos à sociedade americana precisamos de números e não suposições fantasiosas. Quais seriam os padrões homogêneos para comprovar quanto os nativos sofrem ou se beneficiam pela entrada de imigrantes? Na verdade, a relação entre número de imigrantes e emprego no país mostra amplas variações.

Segundo estudo feito pelo Pew Hispanic Center, entre 2000 e 2004, cerca de 25% dos nativos americanos residiam em cidades onde o rápido crescimento da população estrangeira se relacionava com benefícios a estes e 15% dos nativos residia em cidades onde o fluxo intenso não trazia boas associações. E, o mais interessante, refere-se aos 60% restantes que vivem onde a entrada de estrangeiros era pequena. Neste caso, os nativos americanos não tiveram benefícios no plano trabalhista. Sim, a conclusão é que a imigração, no computo final, traz mais benefícios que prejuízos.

Claro que os puristas da cultura americana discordarão. Seja para um operário que já achava desnecessário o aprimoramento de suas habilidades profissionais, seja para uma KKK, a ambos convêm mesmo desdenhar do princípio que construiu aquela potência: o sonho e o trabalho do imigrante.

NOTAS

[1] Segundo estudo do Bird, divulgado pela Exame de setembro de 2006, o Brasil ostenta os piores índices em educação entre os chamados “emergentes”: 13% analfabetos; apenas cinco anos de escolaridade média; 9% de mão-de-obra qualificada; 21% de repetência no ensino fundamental. Notem que este último dado aponta mais para a (má) qualidade dos professores do que seus alunos.

[2] De acordo com a Oficina de Censos de Estados Unidos, se estima que o país tenha 34 milhões de imigrantes legais e ilegais maiores de 16 anos. Até 2001 eram quase 30 milhões. Mas, apesar da cifra estratosférica, o incremento de ingressantes no mercado americano continua menor que os trabalhadores nascidos nos EUA.

[3] Socialistas, social-democratas e, numa tradução grosseira, porém didática, “esquerdistas”.

Sábado, 14 Outubro 2006 21:00

Liquidez de Sofismas

Segundo, relatório citado do Conselho Mundial da Água (WWC) no 4o fórum mundial da água, realizado na Cidade do México com representantes de 121 países, a situação mais crítica encontrada no mundo é, como já é de conhecimento público, a africana.

Segundo, relatório citado do Conselho Mundial da Água (WWC) no 4o fórum mundial da água, realizado na Cidade do México com representantes de 121 países, a situação mais crítica encontrada no mundo é, como já é de conhecimento público, a africana.

O continente, com aproximadamente 3,5 vezes a extensão do Brasil, conta com uma densa rede hidrográfica que vai rareando em direção ao norte (Saara) e a sudoeste (Calaari). Apesar disto, o volume pluviométrico e sua distribuição variam imensamente no território. 

No entanto, o déficit hídrico é encontrado em regiões intensamente povoadas e não, como se poderia imaginar, nos desertos. Simplesmente por que ele ocorre onde a demanda é grande. Assim, temos 300 milhões de africanos que representam cerca de 5% da população mundial e utilizam 3,8% do total de água doce.[1]

Já, o conceito de stress hídrico se refere à diferença entre a água utilizada e a disponível em recursos naturais. E esta é sua distribuição mundial:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

WaterGAP 2.0 - December 1999 apud Water Crisis (http://www.worldwatercouncil.org/index.php?id=25)

Como se vê, claramente, no mapa acima extraído do próprio site do Conselho Mundial da Água, a maioria dos países situados ao sul do Saara não sofre de stress hídrico. É no mínimo estranho que o relatório anteriormente citado, seja contradito pela informação contida neste mapa... E por causas do stress entende-se as:

-         Quantitativas, como a sobre-exploração de aqüíferos, ressecamento de rios etc.

-         Qualitativas. Eutrofização, dejetos orgânicos, salinização etc.

Problemas como a eutrofização, que consiste na falta de oxigênio na água podem ser causados também por processos naturais como a presença excessiva de organismos vivos na água (animais, plantas, bactérias, algas) tornando a disputa por oxigênio mais intensa que pelo alimento. Claro, não poderia deixar de ser, que a tendência do nosso jornalismo ambiental, é a de enfatizar tão somente a eutrofização artificial, de causas antrópicas, como os esgotos e efluentes ricos em matéria orgânica que aumentam a concentração de seres vivos.

Não nos deixemos também levar por médias regionais em áreas tão vastas. Em uma análise mais depurada[2], observamos que é relativo. Bahamas e Cingapura, por exemplo, têm os mais baixos níveis de potencial per capita de água em m3/ano (menos de 500). Claro que como são países ricos, isto não chega a configurar um problema.[3] O Gabão, país africano equatorial tem grande disponibilidade, mas como já era de se esperar dado seu atraso econômico, usa muito pouco (pouca produção, baixo consumo...). Ao passo que os EUA, com reservas consideradas suficientes, detêm regiões em que o planejamento prevê o abastecimento apenas para os próximos dez anos, como é o caso do Utah. A Austrália, país que tem a maior porção de território desértico do mundo, graças a sua pequena população (menor que a da Grande São Paulo) e seu planejamento de uso dos recursos, encontra-se da confortável situação de rico em recursos hídricos. Mas, se achar que não há mais regiões onde a escassez pode vir a ser uma realidade, existe a Sibéria com mais de 100.000 m3/ano per capita disponíveis.[4] De fato, não é a ausência absoluta de água que configura um problema real, mas o não tratamento da mesma. Mundialmente falando, morre uma criança a cada 15 segundos por desnutrição e doenças relacionadas.

No Brasil, como seria de esperar no caso de tão vasto país, a disponibilidade varia muito. De mais de 1.500.000 m3/ano per capita em Roraima, podemos chegar aos pífios 1.270 de Pernambuco ou 1.555 m3/ano per capita do Distrito Federal. Com baixo investimento na infra-estrutura, já que obra subterrânea não dá voto, a construção de poços sem fiscalização traz riscos de consumo de água contaminada. Em todo o Brasil, estatísticas não oficiais acusam a existência de 700 mil poços artesianos clandestinos. Só no estado de São Paulo podem chegar a 40 mil.[5] De acordo com o Pnad (2002), somos 22,6 milhões sem acesso à água potável.

E, no caso africano relatado, em que cerca de 50-60% da população vive na zona rural, seria óbvio constatar que o stress de ordem qualitativa não é predominante, uma vez que a dispersão populacional coaduna seu “gênero de vida” com o equilíbrio de ecossistemas naturais. Mas, não. A tônica de qualquer reportagem sobre meio ambiente acusa fatores verdadeiramente alienígenas, como a industrialização ou a moderna agricultura em regiões que vivem na completa penúria e isolamento. Alguém em sã consciência diria que a realidade comum ao continente africano, expressa na foto abaixo tem causas industriais em seus problemas ambientais?

  

 

 

Photo by ADMVB

Ainda se pode questionar a racionalidade deste tipo de argumento, pois a obtenção de água mundo afora, especialmente para a agricultura, não depende exclusivamente, de recursos naturais disponíveis sem as devidas obras de infra-estrutura que podem ampliar a oferta.

O WWC, como qualquer organismo ambientalista, tem seus méritos e limites. Os méritos consistem em chamar a atenção para a gestão de recursos que, até bem pouco tempo, não detinha a devida atenção de administrações públicas; os limites teóricos (que levam às implicações práticas) consistem em partir da premissa sobre a finitude dos recursos como causas do problema em si. E o que resta a partir de então, senão o alarmismo?

Outro risco, frequentemente lembrado, é a possibilidade de conflitos civis ou internacionais devido à escassez hídrica. Com as migrações decorrentes em busca de sítios favoráveis, sua disputa em margens fluviais ou lacustres tende a crescer. Isto é certo, mas não é tão simples assim... Se for verdade afirmar que a disputa mundial pelas fontes hídricas leva às tensões onde a escassez seja diretamente proporcional ao conflito, o mundo teria bem mais guerras e genocídios que apresenta, mesmo por que cerca de 260 bacias hidrográficas no mundo são divididas por dois ou mais países. Se não é assim que se desenvolve a lógica da “guerra pela água” é por que há a mediação dos estados-nações. É a competência ou não dessas estruturas de poder que pode contar para a maior amplificação da destruição.

Algo pode e deve ser feito. Não é possível que continuemos a culpar “São Pedro” ou a vingativa “Mamãe Gaia” pelo que a humanidade faz... Antes da paranóia ambientalista-catastrofista tomar vulto, se falava em projetos, se procuravam soluções. Enquanto que no Piauí há uma probabilidade de quase 50 vezes mais de crianças não terem acesso à água comparado a São Paulo, estados que eventualmente são acossados pela seca também procuram eliminar o déficit hídrico.

O Rio Grande do Sul carrega problema crônico com a falta de chuva esporádica. Proporcionalmente, é mais grave que o caso do Sertão Nordestino, pois este tem a semi-aridez como uma constante. No estado, a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) está realizando um plano estadual para diagnosticar e disponibilizar água para áreas mais problemáticas.[6] Serão 22 bacias hidrográficas a serem identificadas, seus maiores usuários e destino preponderante do recurso como à pesca e a agricultura.[7]

Ações filantrópicas internacionais têm seu mérito.[8] Não faço parte daqueles que a excluem, mas é evidente que isto vicia[9] e, assim sendo, as chances reais que tem um estado africano ou outro qualquer de adquirir independência, capacidade de gerência própria se tornam cada vez mais distantes.

Vez por outra também tomamos ciência de absurdos proferidos ou executados por aqueles que se dizem “porta-vozes dos excluídos”. Muitos, bem intencionados – embora, de boas intenções se diz que o Inferno está cheio... – baseiam-se em utopias. Como as “vermelhas” estão um pouco fora de moda mundo afora (exceto, na América Latina...), as mais disseminadas são as utopias “verdes”.

Em Eco-Imperialismo – Poder Verde, Peste Negra, Paul Driessen disseca a atuação do Greenpeace em sua “ajuda” à África. Em um capítulo, apropriadamente, chamado de “Bosta de vaca para sempre” diz que, através de sua influência em agências de fomento como o Bird, o Greenpeace obstrui a construção de hidroelétricas. A solução: consumo de biomassa renovável em suas choupanas, isto é, esterco. São um bilhão de mulheres e crianças expostas todos os anos à contaminação. São quatro milhões de mortes anuais de crianças no mundo todo. Pneumonia, asma ou câncer pulmonar, caso tenham tido a “sorte” de sobreviver às outras doenças. Tudo graças à “romantização da pobreza” feita pelos advogados dos “direitos étnicos” em sua luta contra a tecnologia.

Enquanto a tônica das análises continuar recaindo sobre a falaciosa e sofismática imagem geográfica da oposição “Norte/Sul”, os estados e estados-nações mais pobres continuarão pagando caro por tal conveniência, cujos pseudos-argumentos apresentam alta liquidez em nossos meios acadêmicos eivados de terceiro-mundismo até a medula.

_________________________________________________________________________________________

[1] Minha fonte que se arvora “o maior portal ambiental da América Latina”, contém alguns erros de análise ao afirmar que a África Subsaariana é uma região formada por 53 países e maior parte da água disponível desemboca no oceano ou se perde em ambientes áridos. Na verdade, 53 correspondem ao total de países no continente inteiro e não em uma secção deste, por maior que seja esta; ademais, “desembocar no mar” não é um problema em si, Brasil e Canadá têm drenagens predominantemente exorréicas e, nem por isto deixam de usufruir deste potencial. O Chade, por contraste, tem seus principais rios em drenagem endorréica, o que não exime o país de ter uma grande aridez e semi-aridez em seu território; e, algo que “se perde” em zonas desérticas revela o quê? Uma inclemência da natureza ou uma inadaptabilidade humana? É bem conhecida a experiência bem sucedida da ocupação israelense no Negev, sob as mais adversas condições naturais e políticas. Estas, aliás, é que são as mais difíceis de contornar. E para não ficar apenas com o bem sucedido caso israelense, tomemos exemplos de países africanos mesmo, como o Egito que desenvolve projeto de transferência de águas do Nilo deserto adentro ou a Líbia com vários campos de irrigação em pleno Saara ou a Argélia que está projetando 11 usinas de dessalinização no litoral para 2009.

[2] Decifrando a Terra/organizadores: Wilson Teixeira...[et al.]. – São Paulo : Oficina de Textos, 2000, pp. 425-426.

[3] Cingapura tem a cômoda posição de ser um dos maiores fornecedores de eletro-eletrônicos para o mundo e, de acordo com suas necessidades, importa água das Filipinas; o arquipélago das Bahamas, como é bem sabido, além de ser um famoso pólo turístico do Caribe, também é um “paraíso fiscal”.

[4] Com a internet, uma série de spams paranóicos têm circulado. Alguns dos mais freqüentes são sobre a intenção de os EUA efetivarem um plano maligno em conluio com a ONU para nos tirarem a Amazônia ou usar algum expediente para nos roubar a água da Bacia Amazônica! Estes antiamericanistas não se dão sequer ao trabalho de calcular, fosse o caso seria muito mais cômodo politicamente e barato economicamente importar água das geleiras e lagos canadenses, um dos países com maior capacidade hídrica mundial e além do mais, fracamente povoado.

[5] No estado de São Paulo, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) tem, em cadastro, apenas 15 mil poços (“Água clandestina” - OESP - Sábado, 25 de outubro de 2003).

[6]Estiagem: gaúchos querem aproveitar melhor o potencial hídrico do RS.” http://amanha.terra.com.br/ - Newsletter diária n.º 811 - 06/10/2006.

[7] "Para os primeiros anos, nós imaginamos ações preventivas, como reflorestamento das margens dos rios e programas de educação ambiental (...) No final de 2007, as conclusões serão transformadas em um projeto de lei. No médio prazo, um sistema de irrigação deverá ser implantado em todo o Estado." (idem).

[8] Acompanhe à respeito, o fantástico relato de Kaplan em Os Confins da Terra:

Dias depois em Abidjan jantei com um embaixador que me falou da viagem que fizera ao extremo nordeste da Costa do Marfim, perto da Guiné e do Mali, para observar um projeto internacional de erradicação da oncocercíase (cegueira de rio), apoiado pelas Nações Unidas. Moscas pretas que enxameiam nos rios do interior da África picam africanos que tomam banho e lavam roupa, e as picadas transmitem a doença. O objetivo do programa era erradicar as larvas borrifando repelente nos cursos d’água.

Dizer isto é fácil, fazer é que são elas. Os helicópteros borrifadores precisavam voar contra o vento a alta velocidade perto da água, sobre riachos não mais largos que as pás dos rotores, com árvores dos dois lados. Satélites transmitiam imagens computadorizadas indicando a condição de cada rio e riacho. Computadores de alta sensibilidade monitoravam a composição química da água do rio, o que requeria constantes ajustamentos na proporção dos seis elementos químicos do repelente. Os pilotos eram americanos, canadenses, peruanos, portugueses e antigos iugoslavos. O embaixador disse ter ficado impressionado com o espírito de equipe e a disciplina paramilitar dos pilotos. Eles tinham conseguido erradicar a cegueira de rio da região adjacente, porem ela podia voltar facilmente pela Libéria e Nigéria se o projeto parasse.

– Pense no esforço – disse o embaixador encantado com o que tinha visto. – Tecnologia do mais alto nível, atenção aos mínimos detalhes, os mais extraordinários talento e comportamento ético para erradicar uma doença em uma parte da África, e temporariamente. – Disse o embaixador que os pilotos levantavam-se todos os dias antes do amanhecer para receber instruções e estudar as imagens computadorizadas que orientariam seus planos de vôo, isso durante vários anos. Rações ocidentais eram mandadas de avião de Abidjan e depois levadas de caminhão para o alojamento dos pilotos, que tinham geradores próprios para eletricidade. A instalação mais parecia uma base na lua.

[9] Veja o apelo do economista queniano James Shikwati:

Essas intenções estão prejudicando nosso continente nos últimos 40 anos. Se os países industrializados realmente querem ajudar os africanos, deveriam finalmente cancelar essa terrível ajuda. Os países que receberam mais ajuda ao desenvolvimento também são os que estão em pior situação. Apesar dos bilhões que foram despejados na África, o continente continua pobre. 

Segunda, 02 Outubro 2006 21:00

Garrinhas de Fora

Para os fundamentalistas, a separação entre igreja e estado atenta contra os princípios da própria liberdade dos povos em manter sua fé e cultura.
Em The Common What?, Paul Hein critica a noção de bem comum. Afinal, o que é um “bem comum”, o que é um “bem” e o que é “comum”? Por outro lado, o que não é incomum é vermos religiosos proferindo suas visões mal acabadas sobre economia, definitivamente se metendo em seara que não são lá muito afeitos. Podem começar a falar da Natureza (“que Deus nos deu...”) para, tranquilamente, sem remorso ou preocupação conceitual alguma, se iniciarem a comentar sobre o emprego, a segurança, a Globalização etc. Mas, para consumidores de automóveis japoneses ou alemães, o “bem comum” pode ser, contrariamente ao que pensam pastores, baixos tributos, redução de tarifas alfandegárias por exemplo. Para o dono de um boteco, consumo livre de fumo e bebida. O maior bem comum não é o que pensam os burocratas no comércio externo, assistentes sociais ou funcionários do serviço de saúde, mas o livre-arbítrio.
 
Analogamente, no Brasil a Teologia da Libertação se espalhou como praga na lavoura. Um exemplo de que é, hoje no Brasil, a influência religiosa na política e sua aproximação ao estado, conceitos como “luta de classes”, introduzidos em sua leitura do evangelho não são mera “manipulação externa”, são manifestações de um tipo de religioso semeado nos próprios solos latino-americanos, tão férteis na produção de caudilhos que também os complementam com vozes messiânicas. A crença de que o pobre é pobre por que há riqueza, que a propriedade privada e a livre iniciativa são coisas do demônio etc. É uma adaptação do jogo de soma zero às escrituras.
 
Isto não veio do nada, não veio recentemente através de um partido, do Foro de São Paulo etc. Como o pontua Augusto Zimmermann, em 1950 a Ação Católica Brasileira (ACB) já abraçava o marxismo com a intenção de abolir a Constituição de 1946, cujo líder, um franciscano chamado Thomas Cardonnel advogava o conceito de “desordem estabelecida” que denunciava a falsidade de uma paz social baseada em uma “injustiça natural”.
 
A similaridade entre a retórica light de bens comuns e o espírito revolucionário que atenta contra o mercado é uma diferença de grau, não de princípio. E muito embora esta percepção possa partir igualmente de ateus que endossem valores similares a determinadas crenças religiosas (naturalismo, pacifismo, igualitarismo) é notório que as militâncias religiosas ligadas à Teologia da Libertação sejam as principais multiplicadoras do anti-capitalismo latino-americano.
 
A religião neste caso é mais funcional que uma ideologia atéia. Ela serve como expressão de identidade cultural, tal como se vê no Islã. E, apesar de toda defesa que antropólogos possam fazer de outras culturas, ao admitirmos o respeito às outras culturas de modo irrestrito, significa fecharmos os olhos para atrocidades como a que muitas mulheres muçulmanas são acometidas. Em alguns casos, o “meio termo” simplesmente não é possível.[1] Uma coisa é usar o véu de livre e espontânea vontade que, sabemos, não é o que ocorre. Outra, que é o que ocorre, é levar uma chuva de pedradas de alguma “polícia moral”, caso seu tornozelo fique exposto.
 
Mesmo em sociedades ocidentais, o perigo emerge, especialmente após episódios como o 11/09 nos EUA, quando fundamentalistas cristãos aproveitam o expediente para “equilibrar suas forças” com o fundamentalismo muçulmano. Assim, estamos assistindo ao recrudescimento de teocracias (ou mesmo, regimes constitucionais com maior peso de igrejas) no seio do mundo civilizado, em nossas sociedades abertas.
 
Para os fundamentalistas, a separação entre igreja e estado atenta contra os princípios da própria liberdade dos povos em manter sua fé e cultura. O fato de que os religiosos americanos justifiquem sua posição, devido aos governos americanos apoiarem os Dez Mandamentos não pode justificar, por exemplo, a discriminação contra outras religiões. A tão propalada cultura ocidental, ao defender a liberdade de culto não é, eminentemente, cristã. É muito mais do que isto, é uma democracia liberal.
 
Qual é o temor? Ele reside em uma visão de dês-cristianização do Ocidente. Qualquer imoralidade política é vista como perda das “bases cristãs da sociedade”. Como se não houvesse corrupção de religiosos... Se a corrupção não é maior entre eles, isto só ocorre por que sua ordem religiosa não é (ainda) um sistema de poder hegemônico. Mas, qualquer sistema que não esteja sujeito às mudanças através do sufrágio universal institucionaliza o roubo em um sistema mais ou menos autoritário. Ou alguém crê que uma teocracia é “mais santa” que uma democracia?
 
A secularização da sociedade não é, exclusivamente, uma dês-cristianização mas, mais do que isto, uma dês-religiosização da mesma em sua processualidade política. Ao mesmo tempo em que ocorre a secularização, novas fés e dogmas são assegurados aos crentes, sejam eles budistas, muçulmanos e também, por que não?, cristãos. O que é eliminado não é a religião do cenário cultural, mas sim o favoritismo de uma única religião. E este não beneficia a própria liberdade de culto. Ou admitimos isto ou ao falarmos que a “cultura ocidental” é, essencialmente, cristã endossaremos o fato de que cristãos devem ser, em nossas sociedades, “cidadãos de primeira classe”.
 
Acho maravilhoso sim, que nosso modelo social comporte o maior número possível de religiões. Só assim teremos uma espécie de “competição pela fé”. Analisemos o caso judaico que, devido justamente ao primor que esta cultura tem pela educação, em que pese o fato dos judeus serem historicamente desfavorecidos, em que pese toda a adversidade que enfrentaram e enfrentam alhures, têm se notabilizado por sua grande contribuição à humanidade através da produção científica, do conhecimento. Isto não foi dado por nenhum estado. Pelo contrário, os estados é que se beneficiaram deles e se há algum mérito destes, foi permitir o desenvolvimento de uma cultura particular sem intrometer-se em seus negócios. E vice-versa.
 


[1] Creio que há uma confusão sobre o direito à expressão cultural e preservação da própria identidade com a adoção de um modelo ocidental, liberal e democrático. A questão não exposta é quem escolhe, quem decide adotar este ou aquele modelo cultural? Uma corrente afirmativa da antropologia conhecida como “antropólogos da ação” endossam que os “direitos culturais”, “direitos étnicos” etc. têm que ser preservados da ameaça da globalização, ocidental, massificante. Mas, quem decide isto? Intelectuais sediados em metrópoles de I Mundo? Cidadãos “politicamente corretos” que, efusivamente, rejeitam qualquer interferência nos outros países, mas que não vêem como a dita “preservação cultural” significa, na prática, a tortura e repressão sistemática a um sexo, como no caso islâmico. Se realmente defendem o isolacionismo cultural, é um direito seu, mas que não venham falar que advogam “direitos humanos”. Se o fizerem, não passam de hipócritas. Tais antropólogos defendem sim, no caso do Islã, única e exclusivamente o direito masculino.
Domingo, 10 Setembro 2006 21:00

Enem "Tô Aí!"

Quando vi que acusaram a última prova do Enem, em que participaram 3,7 milhões de inscritos, de exagerar na geografia, pensei que algo bom tinha acontecido. Não pela valorização da disciplina que ensino, pois não suporto o corporativismo acadêmico, mas sim pela possibilidade de serem feitas diversas relações entre outras matérias que aquele campo de conhecimento enseja.
Quando vi que acusaram a última prova do Enem, em que participaram 3,7 milhões de inscritos, de exagerar na geografia, pensei que algo bom tinha acontecido. Não pela valorização da disciplina que ensino, pois não suporto o corporativismo acadêmico, mas sim pela possibilidade de serem feitas diversas relações entre outras matérias que aquele campo de conhecimento enseja. Em suma, por uma prova, ao menos, potencialmente inteligente.
 Se utilizarmos como critério o grau de dificuldade na resolução das questões, a prova em questão pode ser considerada boa. Mas, se avaliarmos seu teor, ela não passou de uma droga de doutrinação ideológica. E eu estaria mentindo se dissesse que não esperava por isto... Enfim, mais uma prova e mais um caso de sofisma sistemático tentando se passar por “ciência” aplicada à educação. Apesar disto me fornecer “pano para manga”, sou obrigado a pagar um preço pelo tom repetitivo de minhas freqüentes críticas ao conteúdo de geografia nos vestibulares. Ossos do ofício... 
O caso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) me parece ainda pior do que os vestibulares tradicionais, pois visa a definição de “competências” em que o candidato a uma vaga na universidade tem por avaliação:
 ENEM – COMPETÊNCIAS 
I.          Dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica. 
II.       Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.  
III.     Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema.  

IV.    
Relacionar informações, representadas em diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente.

.       Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.

Documento Básico em http://www.inep.gov.br/basica/enem/publicacoes/ 

Com exceção da primeira, que me parece de necessidade óbvia (para vestibulandos, não para presidentes), as outras subentendem exatamente o quê? O que é um “processo histórico-geográfico” na cabeça de um marxista? O que é uma “situação problema” na cabeça de um militante anti-Davos ou anti-Globalização? Definamos uma “situação concreta” frequentemente lembrada em provas deste tipo, a desigualdade social, para a partir de então “relacionar informações”. Leia-se associar a desigualdade ao capitalismo, não importando quantos tipos de capitalismo existam ou o peso do estado em cada sociedade específica. Já, associar a desigualdade extrema encontrada nos casos africanos poderia implicar em acusações de preconceito, nesses tempos em que citar África só se for para louvar nossas “raízes”. Desigualdade na África? Para nossos professores universitários, tudo foi culpa do colonialismo europeu. Nada que se possa relacionar ao quadro cultural endógeno, onde mesmo hoje em dia, um governo como a da Mauritânia é acusado de fazer vistas grossas a escravidão. A análise da cultura, mais do que a economia, ou dos “modos de produção”, já seria Weber e a maioria dos “geógrafos” apenas leu as orelhas de alguma edição d’O Capital. Ou se limitou aos artigos de Emir Sader...
 
O que significa, precisamente, “elaborar propostas de intervenção solidária”? Solidária com quem, cara-pálida? Com o cidadão, genericamente, falando, o que eu aprovo. Ou solidária com o operariado, ensejando que venha a ser uma “classe para si”, na terminologia marxiana? Ou com os povos “oprimidos” por um injusto sistema de trocas internacionais, mesmo que às expensas de uma congênita corrupção e paquidérmica carga tributária? O que significa “considerar a diversidade sociocultural”? Defender minorias culturais advogando um “direito alternativo” no qual o Direito individual, o próprio Direito Civil seja relativizado?
 
Tudo isto passa, subrepticiamente, sem consideração e explicitação.
 
Deixando de lado a total vaguidade que estes itens subscrevem, a “habilidade” número 8 subseqüente dá o tom necessário ao aluno:

Analisar criticamente, de forma qualitativa ou quantitativa, as implicações ambientais, sociais e econômicas dos processos de utilização dos recursos naturais, materiais ou energéticos.

Documento Básico (idem) 

A inter-relação entre vários fenômenos tem que ser feita “criticamente”, leia-se criticando a ordem sócio-econômica vigente. Nada além de clichês marxistas temperados por terceiro-mundismo, como de praxe. Nesta inter-relação, os “estudos” das chamadas “humanidades”, tradicionais antros da militância que tem Cuba como parâmetro de sistema a ser seguido pelos “povos oprimidos”, são “legitimados” por questões de parceria com matemática, física, química, biologia... Assim, posso tranquilamente “empurrar” para um aluno que o aquecimento global é inexorável devido a uma correlação de variáveis que, interessadamente, eu selecionei. E, de bônus, ainda coloco alguma notícia ou artigo de imprensa extraído de uma Caros Amigos ou Carta Capital “provando” que os EUA são os grandes culpados pelo caos ambiental. Ainda, por mera inferência tendenciosa, posso “provar” por A + B que o furacão Katrina foi conseqüência lógica do atual governo Bush. Simples assim é que se faz uma prova do Enem.
 
Questões sobre aquecimento global e suas “inevitáveis” conseqüências eram, inevitáveis sim, de acordo com a ideologia incutida sistematicamente por nosso professorado. Mesmo que o Painel Inter-Governamental para Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, feito a cada sete anos, aponte vários cenários futuros possíveis, somente os ruins a péssimos são utilizados como recursos para análise na prova. Vivemos tempos de verdadeira “pornografia climática”, em que órgãos governamentais e mídia só falam em meio ambiente com matizes catastrofistas. Não se dão ênfase às propostas práticas que levem a gestão racional dos recursos, mas tão somente ao mais tosco alarmismo, contraditório, caótico e confuso. Claro está que uma miríade de ONGs ambientalistas vêem nisto um campo fértil para disseminar o medo em parceria com governos nacionais, tanto do chamado primeiro mundo quanto nos países em desenvolvimento.[1]
 
E se em torno de assuntos ambientais e realidade física, natural já é possível deturpar conteúdos que deveriam ser eticamente ministrados, quanto mais nas chamadas “ciências sociais”. Foi isto que se viu na questão sobre as transformações políticas da Europa Oriental:
 

 
Pois bem, qualquer pessoa relativamente informada, assinalaria o item “C”. A única ressalva que se pode fazer é que o primeiro mapa não é pré-Segunda Guerra e, uma vez que a escolha depende deles, aí estaria uma condição para a resposta. No entanto, mesmo com tal “pegadinha”, a morte do general Tito e a mão de ferro com que dirigia o partido comunista, as antigas dissensões entre os diversos grupos étnicos e nacionalidades, reprimidas durante as décadas de socialismo puderam aflorar novamente, resultando no mapa fragmentado que temos hoje. Seja de forma violenta como na antiga Iugoslávia, seja pacífica, como se viu na então Tchecoslováquia que resolveu suas diferenças através de um plebiscito nacional. Mas não, o gabarito oficial é “D”... Sim, invertendo totalmente causa e efeito, foi o capitalismo e seu espectro ideológico neoliberal que causaram a onda de secessão, embora tais inexistissem há décadas nos Bálcãs. Não importa que as populações locais nem soubessem do que se trata o capitalismo, quanto mais sua versão liberalizante, ele estava presente em espírito. Assim vaticinam nossos “criativos” professores universitários que, “cientificamente” conseguiram inverter a cronologia da História. Das duas uma: ou o marxismo é uma droga alucinógena ou nossos professores exageram na cachaça.
 
Note-se ainda a péssima cartografia apresentada, particularmente Hungria e Romênia. Mas, o que é uma linha de fronteira para quem deturpa toda a História?
 
Outra coisa que não entendo é a contraditoriedade dos que elaboram tais questões. Sempre dizem que natureza e sociedade não devem ser analisados separadamente, que há inter-relações constantes, que a humanidade afeta cada vez mais o meio ambiente gerando uma crise sem precedentes, que é necessário entendermos o mundo de forma holística e blá-blá-blá. Mas, quando não interessa, quando não é conveniente faz-se uma análise tópica e parcial dessa mesma realidade. Foi isto que se viu na questão sobre o cacau no sul da Bahia:
 

 
Mesmo que o plantio pudesse, naturalmente, levar a disseminação da praga vassoura-de-bruxa entre o cacau, nada, nenhuma palavra sobre a ação criminosa, intencional feita por petistas, como é de conhecimento público. É como se, fosse algo resultante da agricultura intensiva. Culpa, lógico, do capitalismo na agricultura. É esta, em suma, a tônica da resposta “B”. Ora, qualquer cultura convencional em que procura se maximizar a produtividade do plantio deveria, portanto, levar a disseminação de pragas, pois até onde sei, o cultivo em série é padrão. Imagine a seguinte alternativa para a questão acima:
 
"Que a única forma de tomar o poder na região cacaueira era enfraquecer economicamente os produtores de cacau".
 
Ou...
 
"Que a melhor forma de enfraquecer e quebrar o poder econômico dos produtores de cacau era a introdução e disseminação da vassoura-de-bruxa na região para o PT tomar conta".

http://www2.uol.com.br/aregiao/serv/denuncia-timoteo.html

Como tal resposta poderia não agradar ao professor militante, aceite a mistificação. Se quiser conquistar uma vaga na universidade pública e “gratuita”, acate a doutrinação ideológica de experts goebbelianos que já a exigem como pré-requisito há um bom tempo.

A satanização do capital é condição necessária para a ideologização marxista do ensino (não somente público, mas também privado). Em tudo deve haver “explorados” e “exploradores”, “oprimidos” e “opressores”. O que grassa no conteúdo é trazido para as relações entre professores e alunos, para a própria sala de aula. Trata-se de uma ética anti-Capital, anti-Civilização que já se tornou norma não apenas no conteúdo e programa curriculares, mas da própria interação entre profissionais de ensino com seu público. Perto disto tudo, uma pedrada no rosto de uma professora é um sintoma de todo um sistema que já deixou não só o compromisso profissional, mas o próprio código de convivência civil na lata do lixo da História. Graças ao Estatuto da Criança e do Adolescente estamos formando marginais com o aval da mais moderna e comprometida pedagogia.
 
Aliás, a “pedagogia do oprimido” serve, explicitamente, para oprimir a moral, tida como opressora pelos revolucionários. Para imorais, que não estão nem aí, longa vida ao Enem!

[1] Prepare-se leitor para começar a “se coçar” e financiar, sem nenhuma chance de apelo, uma miríade de ONGs que serão isentas de prestar contas à sociedade civil através do “imposto de renda ecológico”. Cf.

http://www.ambientebrasil.com.br/noticias/index.php3?action=ler&id=26529  

Pelo visto, esteimposto “ecológico” peca em não considerar a extinção da “espécie contribuinte” em seu ecossistema de hipocrisia.  

Portanto, nem tudo que é natural é necessariamente melhor. Mesmo por que o que é chamado de “natural” faz parte de uma evolução induzida na maioria dos casos e, muitas vezes, superada tecnologicamente.
Um conceito bastante vago, adotado pelos ambientalistas, é o de “superpopulação”. Vago por que o que é super? Algo demais? O Japão tem uma população próxima a de Bangladesh e não apresenta problemas como este país. Pelo contrário, os japoneses são muito bem providos em suas necessidades e a tecnologia nipônica, igualmente bem adaptada ao seu meio.[1]
 
Isto confunde muito os leitores, mesmo os com critérios liberais-econômicos, pois quando a população é tratada como mero recurso se esquece que é formada por gente, de pessoas. Esta visão torpe os aproxima dos próprios opositores desenvolvimentistas que costumam louvar as benesses do controle de natalidade como se fosse uma panacéia, o que é na verdade uma Caixa de Pandora. Separar o joio do trigo faz bem. O que ocorreu na China é um bom exemplo disto. O controle (coerção) estatal em que cada casal possa ter apenas um filho levou à preferência por homens, sobretudo na zona rural (melhores como “burros de carga”). Como conseqüência, nos anos 80 para cada 100 mulheres havia 118 homens. Sombrio... Hoje em dia, o estado chinês tenta driblar esta tendência, inclusive coibir o infanticídio feminino, não revelando o sexo em exames pré-natais.
 
Uma proposta liberal, por seu turno, permite o consciente planejamento familiar que só pode merecer desaprovação mediante algum dogma religioso. Enquanto que o controle de natalidade parte de premissas socialistas e totalitárias, o planejamento familiar parte do liberalismo, decidido e escolhido pelos próprios progenitores e que tem como subproduto desejável, não ter que recorrer ao aborto. Digo isto, pois o argumento liberal-econômico não pode prescindir de outro, liberal-moral em que o próprio agente de interesse, o ser humano, não seja um mero recurso, mas fim em si mesmo, i.e., dotado de meios necessários para atingir seu próprio bem-estar. E qual é o maior bem-estar se não aquele condizente ao princípio de liberdade?
 
Um modo mais inteligente de se conceituar “superpopulação” não é por seus números absolutos, mas por sua distribuição. Uma das maneiras consiste em distinguir o que é zona urbana de rural. Mas, cuidado! Mesmo aí tem maracutaia! Ocorre que muitas vezes se chama algo de “urbano” pela simples conveniência de criar mais municípios e com isto, ampliar a rede de dependência dos governos estaduais na geração de empregos públicos e seus subprodutos indesejáveis como clientelismo, fisiologismo, nepotismo etc. Esta “mania” não é exclusividade nossa, mas também de outros países latino-americanos que definem “cidade” como um amontoado de favelas e submoradias semi-rurais sem infra-estrutura básica.[2] No Brasil do IBGE somos 80% urbanos, mais que nos EUA! Com este recurso quantitativista, professores ensinam aos alunos que já temos nossas “cidades globais”, simplesmente por que estão conectadas ao mercado mundial e têm filiais de multinacionais. É compadre... Analise o que seu filho anda estudando por aí. No Brasil do IBGE somos 80% urbanos, mais que nos EUA! Com este recurso quantitativista, professores ensinam aos alunos que já temos nossas “cidades globais”, simplesmente por que estão conectadas ao mercado mundial e têm filiais de multinacionais. É compadre... Analise o que seu filho anda estudando por aí.
 
O vício de citar números sem a menor consideração sobre as premissas de seus levantamentos tem respaldo entre ambientalistas e nacionalistas-estatistas. Refiro-me aqui aos “nacionalistas” que louvam o subsolo e deploram os “macacos pelados” que o pisam. A matriz teórica de ambos é a mesma, não passa de um desprezo e ignorância sobre o capital cultural e uma apologia à “mãe natureza” tão somente.
 
Um exemplo caro aos dois consiste no senso comum sobre a economia restrita a extração de matérias-primas, a mera retirada de recursos do subsolo. Em um passe de mágica, de verdadeiro fetichismo econômico, tomamos o extrativismo como cabeça de ponte da geração de riqueza. O que é problema vira “solução econômica” já que tudo não passa de uma questão de “conservação de recursos”. Esta chaga, a de não beneficiar nossos produtos, enviando-os em estado bruto decorre de outra: quanto mais beneficiado o produto, mais imposto se paga.
 
O que pode haver de “sustentável” no simples extrativismo? Nada. Portanto, nada mais conveniente a ambientalistas tomarem extrativismo como sinônimo de economia capitalista aplicada à natureza. Sua visão de “sustentabilidade”, econômica e ambiental, a primeira de ciclo curto e a segunda de uma utopia de produtores de subsistência não passam de uma distorção.
 
Exemplos desta tática deturpadora como a tradicional poluição de mercúrio nos rios, embora já exista métodos de evitá-la, são recorrentes. Assim, explorar pedras preciosas e semi-preciosas na Amazônia não deveria ser um problema enquanto tal. Tais mistificadores criam um “problema”, enquanto se trata de uma situação que já tem soluções.
 
A ignorância é mimetizadora. Vocês já devem ter ouvido ambientalistas e “nacionalistas” defenderem, paranoicamente, nossas riquezas naturais, especialmente as amazônicas. E ainda com a seqüência de que nossa dívida externa não passa de um expediente para tomá-la de nós, sendo este o objetivo último de los gringos! Quanto às riquezas inexploradas na Amazônia brasileira, bem sei eu que são  potencialmente enormes, mas dentro do que se conhece, é exagero supor que dêem para pagar a dívida externa. Mesmo por que, quanto mais se explora, mais cai o valor da matéria-prima, ao passo que os juros da dívida têm efeito inverso. Se o fossem, seria estúpida uma proposta de penhora da Amazônia, uma vez que as possibilidades de ganhos futuras com a sintetização de seus produtos seriam ainda maiores. Pior vai ser quando propuserem o mesmo para pagamento da dívida pública gerada pela gastança estatal, cujo financiamento é mais caro que o da dívida externa.
 
Mas, diriam nossos “defensores geológicos”, “o país perde com o contrabando, com a biopirataria, com as privatizações”... E continuaremos assim, enquanto existir a atual obstrução burocrática e carga tributária que incidem sobre os empreendimentos, sem contar que privatização não tem nada a ver com contrabando. Isto é sofisma de nacional-desenvolvimentista de outrora reciclado pelo ambientalista de hoje. É a atual legislação que atrapalha. Ao invés da sede por “mais legislação”, temos que desenvolver facilidades na legislação. Seria mais conveniente se perguntar por que as reservas indígenas de muitas regiões já exploram seus recursos e de forma altamente predatória, senão pelo fato de que com um estado hipertrofiado e inepto como o nosso, a própria sociedade cria suas regras e métodos. Contrabando e ilegalidade não são causa, mas conseqüência em um sistema político e econômico, este sim, insustentável. senão pelo fato de que com um estado hipertrofiado e inepto como o nosso, a própria sociedade cria suas regras e métodos. .
 
Sustentabilidade deveria ser encarada como viabilidade de longo prazo, coincidindo necessidades de mercado com reprodução ambiental. Uma prova disto pode ser encontrada na atividade madeireira legalizada. Justamente, a idéia de se aproveitar o reflorestamento ou mesmo o simples florestamento (introdução de florestas onde não havia vegetação superior) para evitar o desmatamento irracional de uma biodiversidade amazônica, potencialmente mais lucrativa com fármacos entre outros. Creio na sensatez de equilibrar a idéia de economia de mercado com o ambientalismo cético e de resultados. Neste sentido, sou realmente fã do eucalipto, esta “planta high tech” que se adapta a ambientes áridos. Ele possui alelopatia, i.e., ele puxa água quando não tem, quando não há, ele sobrevive com pouca.
 
Portanto, nem tudo que é natural é necessariamente melhor. Mesmo por que o que é chamado de “natural” faz parte de uma evolução induzida na maioria dos casos e, muitas vezes, superada tecnologicamente. O mesmo princípio que norteou avanços de outrora que, hoje é defendido pelos ambientalistas é o que move as inovações hoje contestadas e rejeitadas in limine. Um exemplo que nossos ambientalistas ludditas desconhecem é que os produtos orgânicos têm alto risco. Vocês já imaginaram qual o grau de contaminação ao consumir um produto que utilize como insumo, bosta de cavalo? Que tal uma invasão de bactérias como tempero?
 
Que fique bem entendido, não sou contra a comercialização dos orgânicos, desde que estes atendam normas de segurança alimentar. Não sou contra a priori por que acho que é um mercado interessante, mais uma alternativa de consumo. Vê-los, por outro lado, como uma “redenção alimentar” é ingenuidade.[3]
 
Em um tempo em que o produtor não era penalizado por melhorar sua produção, as técnicas de aprimoramento produtivo já eram testadas e introduzidas. Na Inglaterra, as cercas vivas constituem tradição para os entre propriedades agrícolas e, muitas vezes, entre cultivos dentro de cada uma. Além da beleza cênica proporcionada, o que é um fator a mais para incremento do turismo rural, elas mantêm uma pequena fauna local que ataca insetos que poderiam se tornar pragas, contém deslizamentos de terra e minimizam a erosão. Se deixassem tudo “ao natural” a própria eficiência agrícola e preservação ambiental seriam menores, bem como, daí sim, a destruição se alastraria.[4]
 
Não há contradição intrínseca entre produção e conservação. É uma simples verdade e o resto que se diz por aí é pura mistificação. Para produzir no longo prazo é necessário conservar, com vistas ao mercado. Mas, ambientalistas são personagens sui generis que condenam o aquecimento global, cada vez mais contestado teoricamente, o buraco na camada de ozônio, que em alguns anos tem diminuído ou, simplesmente, sumido sem refletir minimamente quando compram mochilas e óculos de plástico com detalhes emborrachados para suas trilhas, nem quando sonham com um Land Rover no merchandising de uma revista Terra. Para muitos desses seres urbanos por excelência, não há nenhuma aparente contradição nisto tudo. Usar botinas e comer pão integral é legal, mas ter que trabalhar em banco, usar terno, não. Tudo se resume a uma questão de estilo. Para eles, “ser ambientalmente correto” se resume a ignorar os avanços tecnológicos, desdenhar a compreensão da economia e filosofia clássicas, enquanto que usar trancinhas rastafari parece adequado e suficiente.
 


[1] Se pudermos objetar a caça à baleia, isto não significa o mesmo para seu excelente programa de reciclagem de resíduos domésticos, por exemplo. Cabe diferenciar um caso de outro...
 
[2]Quem dá a dica sobre o que seria a real urbanização brasileira segundo critérios aceitos comumente no mundo é José Eli da Veiga em seu Cidades Imaginárias.
 
[3]Para compreender melhor a situação vale acessar este link da agência nacional de biossegurança: www.anbio.org.br/mentiras_verdades.pdf
 
[4] Exemplos de falta completa de planejamento (por parte do produtor) e inadaptação ambiental existem “às toneladas”. Um caso que me ocorre agora é o do café no Vale do Paraíba, entre Rio de Janeiro e São Paulo, introduzido em vertentes íngremes que poderia ser evitado com a simples técnica de plantio em curvas de nível ou terraceamento.
 
Terça, 25 Julho 2006 21:00

Neodogma Ambiental e Controle Social

“Destruir a natureza” não é pecado, para quem não leva questões teológicas como norteadoras da vida social. Elas simplesmente não importam. Mas, destruir a natureza é, antes de mais nada, irracional.

A natureza, concordava um observador na década de 1820, era “notavelmente simples em todas suas ações, econômica em seus procedimentos e frugal em seus meios”. Poucos decênios depois, Karl Marx criticaria Charles Darwin por representar o estado selvagem do mundo animal como de livre-competição e por enxergar no mundo das plantas e dos bichos a própria sociedade inglesa, “com sua divisão de trabalho, competição, abertura de novos mercados, ‘invenções’, e a malthusiana ‘luta pela existência’”. Ao retratar as formas mais ferozes de competição como parte da ordem natural das coisas, Darwin se inseria na tradição daqueles numerosos autores precedentes para os quais as classes inferiores deveriam aceitar suas agruras de bom grado, pois a natureza asseguraria que tudo ocorria para o melhor. A fome e as mortes, pensava ele, eram os meios pelos quais a contínua produção de animais mais avançados era assegurada; “não se sente medo [...] a morte é em geral imediata [...] e os vigorosos, os saudáveis e os felizes sobrevivem e se multiplicam”.

Keith Thomas, O Homem e o Mundo Natural


“Destruir a natureza” não é pecado, para quem não leva questões teológicas como norteadoras da vida social. Elas simplesmente não importam. Mas, destruir a natureza é, antes de mais nada, irracional. Trata-se de analisar a relação custo-benefício de uma ação sobre o meio ambiente. Custos e benefícios para a sociedade e a própria natureza, bem entendido. Já, o ambientalismo de massa é uma moda pseudo-intelectual sem reflexão sobre suas premissas, uma vez que sua crítica se direciona para uma suposta “essência da natureza” ou “o caráter intrinsecamente mau de nossa sociedade moderna”. Sua crítica deveria ser outra, a de que algo melhor poderia ser feito efetivamente para aproveitar nossos recursos de modo sustentável. E embora, os ambientalistas falem muito em sustentabilidade, sua particular concepção sobre a mesma, baseia-se na anulação da ação humana sobre os ecossistemas. O ser humano simplesmente é visto como um hóspede indesejável neste planeta. Por outro lado, tal proposição é sempre bem vinda para quem lucra com mensagens apocalípticas.

Uma palavrinha sobre a expressão “sustentável”: não me refiro aqui ao mantra ambientalista de que ela, a natureza, deve ser preservada de humanos, mas sim aproveitada de modo racional permitindo sua exploração sem extinção dos próprios recursos. E, por racional também divirjo do dogma de que só é alcançado via planificação estatal. A falta de racionalidade econômica leva, no limite, por definhar não só as espécies, mas o próprio meio abiótico que é base para a indústria extrativista. E isto deveria ser observado pelos liberais que se mantêm reticentes quanto à ecologia que, diferencio do ambientalismo de matizes socialistas.

O que lamento nisto tudo é que no afã de nos posicionarmos contra um modismo de “Nova Era”, a qual se associa o ambientalismo, ainda mais mesclado com uma retórica socialista, estejamos jogando o bebê fora com a água suja do banho. Explorar não é um problema em si, pois temos como subproduto a construção de novos ambientes reinventando a natureza, com vistas à perenidade da própria economia.  O prefixo eco desta palavra não é gratuito.

Ainda pode se objetar que a “realidade” não aponta para isto... Mas, como dizia o bom e saudoso Roberto Campos “estatística é como calcinha: mostra muito, mas esconde o essencial”. Alarmes sugestivos existem aos borbotões:

• Dois milhões de anos atrás, quando teria surgido a espécie humana, os impactos causados ao meio seriam muito menores do que hoje, com 6,2 milhões de seres humanos. Só esqueceram de comentar que, atualmente as técnicas de reciclagem e substituição de materiais também evoluíram, proporcionalmente;

• Outro dado sem muita análise diz que 40% da superfície terrestre foi alterado devido ao desmatamento, pastagens e pavimentação. Só não comentam também que o período maior de desmatamento correspondeu ao final da Idade Média e início do Renascimento, época em que se exigia maior aporte de recursos naturais e as inovações técnicas engatinhavam.

E, mesmo revistas de divulgação científica como a National Geographic (2002) comparam a ação humana a das placas tectônicas ou a New Scientist (2001) a um meteoro que, supostamente, teria extinguido os dinossauros. Bem entendido que são revistas de “divulgação científica” e não revistas acadêmicas que trabalham com menos certezas e mais probabilidades. Mas, há dois “detalhes” curiosos que atestam a falta de compreensão da natureza pelos próprios ambientalistas:

• Se não fosse pelas próprias placas tectônicas a se mover na crosta terrestre não teríamos a elevação de terrenos por orogênese (formação de montanhas) e epirogênese (soerguimento de superfície) e, sendo assim, não teríamos rios, nem vida no interior continental. Por acaso, os ambientalistas das revistas advogam um mundo plano como uma bola de bilhar?

• Se os ambientalistas realmente endossam os avanços científicos de uma teoria da evolução, a extinção dos dinossauros, seja qual for o motivo, não é um mal em si, mas prova evolutiva, de melhoria e adaptação das espécies. O exemplo foi péssimo, pois se quantitativamente tem algum sentido, qualitativamente é o contrário do que querem dizer.

O que mais temos são meras suposições e, a partir delas, o mainstream catastrofista vende imagens apocalípticas, bem ao gosto de fiéis em busca de novos dogmas. Além disto, ser radical é in, é chique, é bacana, o que é reflexo de um comportamento de grupo a que o jovem sem leitura e com péssimos professores é facilmente sugestionado.

Vejamos este claro exemplo de desinformação citado por Lomborg no já clássico O Ambientalista Cético: segundo Pimentel , a estimativa de erosão do solo, posteriormente generalizada para o mundo inteiro (!) por diversos outros “cientistas” e divulgadores, é de 17ton/hectare ao ano. Não é aterrador? Do jeito que vai, ficaremos “sem chão”... O “detalhe” é que este famoso estudo se baseou em uma única pesquisa de um lote de 0,11 hac na Bélgica. Apesar de o autor advertir contra generalizações, tais ocorreram abundantemente. Sem contar a internet, que favoreceu as comunicações mundiais, sem dúvida, mas também em medida maior, os famosos hoax ou pulhas virtuais que disseminam desinformações e exageros convenientes às agendas sectárias de nossos “verdes” e “vermelhos”.

Daí para ouvirmos com insistência que a população mundial não para de crescer; que a questão ambiental só pode ser resolvida pela redução da desigualdade social, i.e., por políticas de redistribuição de renda; que nós desapareceremos junto com toda a vida na Terra (para breve!) é um passo, preconceituosamente, lógico.

Não é isto que ocorre. Os problemas mundiais não estão aumentando, mas diminuindo. Segundo o mesmo Lomborg, em 1915, 75% dos jovens em países pobres era de analfabetos, hoje (1997-2001) são 16%; em 1970, apenas 30% da população do mundo subdesenvolvido tinha acesso à água potável, hoje são 80%.

É claro que apesar desta melhora, isto não significa que tenhamos atingido um estágio suficientemente bom. O ótimo é inimigo do bom... Mas, se não atentarmos para esta evolução positiva e, acreditarmos em visões dogmaticamente catastróficas, seremos úteis para o jogo dos que propõem maior controle estatal sobre os recursos e, sobre todo o mercado.

Controlando o meio abiótico, a livre-iniciativa, por que também não iriam almejar o controle da imprensa, dos meios de comunicação, da formulação de políticas e supressão do livre-arbítrio?

[1] Em Teoria da crise e a verdadeira escassez, apresento uma digressão à respeito.

[2] Pimentel et al. “Environmental and economic costs of soil erosion and conservation benefits.” Science 267:1, 117-23.

 

 

Quinta, 20 Julho 2006 21:00

Alienação Não Tem Cor

A luta de classes utilizada como subterfúgio para racismo pouco dissimulado tem sua aplicação hodierna no Brasil e alguns negros, tão cegos por seu ódio histórico aos brancos serão, provavelmente, mais uma vez, úteis.
Números racistas
 
Existe um discurso da militância do movimento negro que acusa a sociedade brasileira de discriminá-los. Especialmente, as “elites” que seriam “brancas“ por definição. Ele se baseia em dados objetivos, como a renda média do branco pobre no Brasil estipulada em 400,00 reais mensais ao passo que a do negro pobre rondaria os meros 170,00. A causa de tamanha desigualdade seria simples: trata-se da mais pura e ostensiva discriminação contra a categoria, ou “raça” se preferirem.
 
Se for verdade que o Brasil é um país racista, nosso empresariado é míope e, sinceramente, não creio que este seja o caso. Se eu fosse um destes empresários, com certeza empregaria mais trabalhadores negros, pois ganham menos! No entanto, não é o que acontece. Segundo pesquisa do IBGE em 2001, Salvador, 45% dos negros estão desempregados, em São Paulo são 41% e, em Porto Alegre, 35%. Lembremos que a pesquisa não averiguou o trabalho, mas o emprego formal, aquele com carteira assinada.[1]
 
Tanto quanto dizer que todo trabalhador fora da situação de trabalho regulamentar é um desocupado, o que não faz sentido algum é dizer que não há mais indivíduos negros empregados por que por pura discriminação. A tese (óbvia) que endosso é que o maior de desemprego se dá por que o nível de educação dos mesmos é inferior ao dos brancos em 2 anos e 3 meses na média. Apesar de pouco em termos absolutos é muito em termos relativos, especialmente para um país cuja escolaridade média é de 6 anos.

Em alguns aspectos, o “negro estatístico”, aquele que nós podemos avaliar através dos censos está bastante distante do “negro virtual” imaginado pelos críticos da democracia racial brasileira e, não muito distante do branco avaliado pelo censo.
 
O que verificamos é que além de uma “questão de raça” o que pesa mais, senão por inteiro, é o nível educacional e a condição feminina relacionada ao grupo. Mais do que negros, são as negras que sofrem com falta de oportunidades.

Segundo os mesmos dados do IBGE/Pnad, a média de anos de estudo de instrução formal por cor ou raça segundo a faixa etária no Brasil e Grandes Regiões em 2001[2], a população branca tem 8,3 e 8,1 anos de escolaridade formal entre 15 a 24 anos e 25 a 44 anos, respectivamente. A população negra, por sua vez, apresenta 6,4 e 5,8 anos de escolaridade formal para os mesmos intervalos.
 
Da mesma fonte, a taxa de analfabetismo em pessoas de 15 anos ou mais é de 12,4% em 2001; apenas 7,7% para brancos, mas 18,2% para negros. Existe aí uma maior taxa de evasão escolar da população negra: enquanto que 97,5% de jovens brancos entre 7 e 14 freqüentam a escola, a taxa entre negros não é tão diferente: 95,4%. Mas o gap aumenta significativamente quando analisamos a população de 15 a 17 anos: 84,1% de brancos contra 78,1% de negros. Ao longo do processo é que as diferenças se acumulam.
 
Tais taxas não confirmam “racismo”, pois a diferença volta a diminuir na faixa de 18 a 24 anos, 35,9% entre brancos contra 31,7% de negros nas escolas, quando a maioria já está procurando emprego. A diferença maior é prévia e está ligada ao período da adolescência. Uma queda brutal de alunos matriculados se verifica do ensino fundamental para o ensino médio no país: cai de 93,3% para 37,8% (!). Mas ela é muito mais pronunciada entre a população negra, 22,5% maior[3]. No cômputo final os brancos têm certa vantagem, com quase 1/3 a mais de anos de estudo. Em um país cuja média é de apenas seis anos isto é irrisório, se considerarmos as atuais necessidades do mercado de trabalho.
 
O que os militantes do movimento negro e críticos da situação social negra deveriam realmente se perguntar é:
 
Por que nossa “raça” evade mais da escola?
 
Como a resposta é complexa, envolvendo vários fatores melhor explicados por estudos de antropologia urbana, fica muitíssimo mais fácil e de forte apelo emocional aludir a discriminação em grau inexistente.
 
Alguns desses fatores envolvem a localização dos “discriminados” em bairros pobres, mais sujeitos ao tráfico como opção, às gravidezes de jovens negras que estimulam a sair da escola, casamentos precoces etc. Todos eles teriam que ser meticulosamente avaliados, para evitar que especulações se tornem conclusões.
 
Ideologias conflitantes
 
Para o articulista Hamilton Cardoso[4], não houve reconhecimento da raça negra como fato político, ou seja, não houve qualquer consideração à respeito. Ao que o autor chama de “alienação branca”, podemos chamar esta de “alienação negra”? Alienação tem cor?

Para este tipo de intelectual negro, os grandes líderes inspiradores da causa abolicionista só tomaram alguma importância quando estes se “racializaram”. Nesta “conexão metafísica com a senzala”, o perigo é que este processo se perdesse no “branqueamento da sociedade brasileira”. Para ele, candomblés baianos, escolas de samba cariocas e paulistas, congadas, moçambiques e outras agremiações negras como pagodes, blocos de carnaval, “verbalizam críticas à situação social brasileira”. Ao passo que a maioria de nossos antropólogos assinalarem o sincretismo cultural como uma marca característica de nossa sociedade, Hamilton vê em tais manifestações um tipo de ruptura com a sociedade branca, onde fica bem expresso que:
 
(...) o movimento dos trabalhadores negros (...) jamais [viverá] a contradição teórica raça e classe porque são o que são: a alma, o espírito e a matéria-prima do proletariado.
 
Lembrou de algo?
 
Sim, sim, eles rodam, rodam e rodam, mas sempre caem no mesmo ponto: sua luta racial é, na verdade, uma oposição de classes sociais:
 
(...) não têm vergonha de trabalhar na Casa Grande, onde, ao limpar banheiros ou aparar jardins, conspiram contra as culturas das elites. Nas madrugadas. Este movimento definiu o perfil cultural do país do futebol, do samba e da cachaça: um país negro, chamado Brasil.
 
Se esta não é uma proposta de luta racista, me digam o que é.
 
Outro ponto muito interessante, abordado pelo militante, é a duplicidade deste tipo de política e movimentação social.
 
(...) há petistas hoje capazes de verbalizar noções de política para a Casa Grande e outros que as verbalizam para as senzalas. Tudo é uma questão de opção. Mesmo porque há uma nova conspiração em movimento. Axé. (Grifos meus.)
 
Denis Lerrer Rosenfield já tinha chamado a atenção para este “conflito”, em que se namora o autoritarismo de esquerda, mas em outros momentos se “aceita” a democracia. A duplicidade não é funcional por muito tempo. Ou ela é engendrada para confundir mesmo, ou este drama tende a se dissolver de modo a atrelar o estado à posições ideológicas conflitantes. Como eu não acredito em dialética marxiana, apenas uma das posições irá predominar.
 
Conspirando contra negros e brancos
 
 
Segundo Hamilton se trata de uma conspiração. E, embora eu nunca tenha visto uma conspiração anunciada pelo conspirador, vamos admitir sua possibilidade segundo uma lógica marxiana.
 
Para o próprio Marx, seria uma heresia buscar equivalência entre raça e classe social. Mesmo por que, para estes militantes são duas classes em conflito e para o filósofo existiam mais de duas em disputa, mas duas em oposição estrutural. As classes médias eram vistas como oscilantes, não predestinadas, mas que dependendo da conjuntura poderiam ser úteis.
 
Outro ponto óbvio que entra em contradição com as especulações místicas, é que na fonte marxiana da qual pensa se basear com coerência, é que as diferenças entre classes não se dão pela renda, mas por sua posição em relação aos meios de produção (se detentora ou não destes).
 
O principal “divisor de águas” entre as raças, de acordo com os dados mais acima, se refere especificamente à renda. Tanto é assim que uma das principais alegações de que existe racismo pelos militantes do movimento negro é que, desempenhando as mesmas funções, negros e brancos teriam rendimentos diferentes. Ora! Então não há a aludida divisão racial-classista sugerida por esta militância.
 
Se a sociedade brasileira fosse constituída de duas classes fundamentais: os exploradores (brancos) e os explorados (negros), não seria possível qualquer sutileza do modelo capitalista em sua sanha de extrair a chamada mais-valia. E a própria “necessidade” do capitalismo ocultar ideologicamente as relações de classe seria desmascarada.
 
Nem o mais vulgar dos marxistas imaginou tamanha simplificação. Se eu fosse maldoso, diria que isto se dá devido à supracitada taxa de evasão...
 
Para um marxista heterodoxo, este raciocínio se torna mais inviável ainda quando pensamos no conflito social moderno que seria “triangular”: interesses entre acionistas, gerentes e trabalhadores que é muito diferente do modelo dicotômico e “biologicista” que propunha Karl Marx no século XIX.
 
Talvez a análise devesse levar em conta o critério comportamental, ausente em seu racismo. Em qualquer grande corporação, temos altos executivos, técnicos e outros subordinados devido ao critério da competência, ou em grande medida a uma boa dose de “capital cultural” herdada da família, o que também foge ao alcance de qualquer teoria marxiana mais ou menos ortodoxa.
 
Mesmo que para militância racista isto fosse, na melhor das hipóteses, um eufemismo para a discriminação pura e simples, sua cegueira ideológica não consegue abarcar sutilezas entre classes presentes na ordem capitalista. Como enfiar goela abaixo da sociedade o critério de cotas raciais para ingresso em universidades e serviço público se se admitir a meritocracia na moderna estrutura capitalista? Fica mais fácil pressupor que nada mudou ou pouco mudou desde os tempos da Casa Grande e da Senzala.
 
A mistificação racista tem, no entanto, um componente estratégico que sempre se deu nas estratégias dos jogos de poder, na qual a aliança contra um inimigo remoto tem serventia contra um inimigo imediato. Isto fica claro na seguinte passagem:
 
Este mesmo movimento, afinal, com seus operários e operárias deu à luz ao movimento negro pós 1978, que, de certa forma, começou a combinar o vigor da luta cultural e impor novas noções de política à sociedade. Ele, neste momento, se encontra e procura criar uma nova síntese ao lado de milhares de lideranças brancas com noções mais universalizadas do país e que se defrontam com a mesma indagação dos movimentos negros de 78: o que fazer no dia 13 de Maio, quando se comemora a abolição da escravatura no Brasil? Agora, o centenário da abolição. (Grifos meus.)

No excerto acima, não fica claro o que se entende por “noções mais universalizadas”. O que haveria depois da sociedade ser dominada pela ideologia racista? Um alento para o “bom branco”, aliado que foi por sua serventia à causa? Ou mais tarde afloraria a máxima de “branco bom é branco morto”? Falta muito?
 
Assim como Marx dizia que a causa da fraqueza do campesinato francês se dava ao seu isolamento geográfico e baixa capacidade de se comunicar, esta visão racista se empenha em ultrapassar uma barreira similar ao propor uma aproximação entre seus membros da “classe-raça” através de um núcleo ideológico. E, assim como um dogma religioso, nada mais conveniente para esta agregação quando se encontra um inimigo comum.
 
No entanto, há obstáculos bem vindos à formação da “consciência negra”, como o papel dos sindicatos, que no Brasil são inter-raciais por excelência. Aí poderíamos assinalar um limite plausível a disseminação dessa “panacéia ideológica racial”.
 
Mas, seja dentro de uma social-democracia capitalista ou um ridículo sistema socialista, as clivagens étnicas, culturais ou religiosas sempre representaram um enfraquecimento do movimento trabalhista. Se o movimento negro pretende suplantá-lo, teremos algo pior que um estado socialista, talvez um apartheid às avessas, tão hediondo quanto seu antigo exemplo sul-africano no tempo da dominação böer.
 
Esse imbróglio pode ter conseqüências não explícitas, como aquele onde um terceiro elemento se beneficia de um conflito que não ajudou a criar. Sua sanha sectária pode aproveitar a situação para estender seu poder e amarras políticas pré-totalitárias ao traçar linhas de ocupação e direção da classe trabalhadora entre brancos e negros. No fundo, quem passa a comandar será nossa “nomenklatura pós-moderna”. Se para um marxista, uma luta entre facções capitalistas poderia beneficiar o operariado, nesse caso uma estúpida luta inter-racial beneficiaria a emanação dos tentáculos estatais e diminuição do prestígio da sociedade baseada no valor individual. Um movimento que beneficia o totalitarismo, do qual os socialistas bebem na fonte.
 
A luta de classes utilizada como subterfúgio para racismo pouco dissimulado tem sua aplicação hodierna no Brasil e alguns negros e brancos – alguns por que a imensa e absoluta maioria é formada por trabalhadores que age individualmente em busca de seu mérito -, tão cegos por seu ódio histórico serão, provavelmente, mais uma vez, úteis.
 
A quem esta alienação interessa, é uma questão de tempo para que os fatos falem por si.
 




 
 


[1] Sobre deturpação similar, confira Números não mentem. O Dieese sim!..
 
[2] Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.
 
 
[3] A queda entre os brancos é de 94,9% para 50,7% e 91,8% para 25,1% entre os negros.
 
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