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Last updateDom, 01 Set 2013 9am

Anselmo Heidrich

Anselmo Heidrich

Professor de Geografia no Ensino Médio e Pré-Vestibular em S. Paulo. Formado pela UFRGS em 1987.

 

 

 

A Noruega tem o maior percentual de armas do continente (32%) europeu e a menor taxa de homicídios. Precisa dizer mais?

Sexta, 28 Março 2014 15:07

COTAS RACIAIS VS. COTAS SOCIAIS

 

 

Nada contra, mas esta divisão rígida é sim uma importação cultural de outra realidade onde a cisão foi muito mais abrupta. E antes que me acusem de insensiblidade, não se trata de negar o racismo, mas de compreender a forma fluída e diferenciada com que ocorreu no Brasil.

Sábado, 18 Janeiro 2014 17:52

ROLÊ vs ROLEX, UMA FALSA OPOSIÇÃO

O que eles querem dizer, já que precisam "ser ouvidos"? Que nossa sociedade tem desigualdade? Que precisam de mais programas de transferência de renda? Que são "segregados" por que não têm acesso à produtos caros em lojas especializadas? Isto é uma enorme palhaçada, sofisma mesmo.

Domingo, 11 Setembro 2011 16:06

O 11 de Setembro e a Nova Ordem Mundial

Nesta linha de argumentação, a obra mais bem acabada é o “documentário” Zeitgeist dividido em três partes, as duas últimas dedicadas a definir sua tese, de que todas grandes guerras e operações militares foram e são guiadas por interesses de grandes grupos mundiais dedicados a enganar a população mundial.

Quarta, 10 Agosto 2011 08:42

Civilidade Pela Metade

A solução para o problema, além de obedecer às regras de trânsito, é colocar pedestres e ciclistas no mapa mental dos motoristas.

Terça, 17 Setembro 2013 10:23

FORO FORA DE FOCO - 1

Após o período de manifestações que sacudiram o país no mês passado, qual foi nosso saldo? Vinte centavos economizados? Brincadeira a parte, não ficou claro qual teria sido o objetivo e resultado disto tudo, sobretudo para quem não é brasileiro e um tanto orientado sobre os acontecimentos da política nacional, bem como a percepção política e ideológica de nosso país.

Segunda, 09 Setembro 2013 14:49

O VERDADEIRO NOME DO "NACIONALISMO"

Comércio é troca e se troca por vantagem. Pensar que comércio beneficia somente "alguns poucos" é falta de conhecimento.

Quarta, 06 Outubro 2010 09:00

Valor, Justiça e Democracia

Há uma fronteira tênue entre o ceticismo e a justiça. O ceticismo requer mais a dúvida que a crítica (pré-determinada) e a justiça não pode descartar a possibilidade de reversão de nosso pré-julgamento quando tivermos motivos suficientes.

Quarta, 20 Maio 2009 21:00

Enem Que a Vaca Tussa

Já se tornou um clichê dizer que se procura melhorar a ponta e não a base do sistema, o ingresso na universidade e não o fundamento de tudo, que é o ensino básico

 
Porém, dizer só isto e concluir que a escola pública é um fracasso por ser pública não serve de subsídio para se entender o que passa. As escolas técnicas federais, antigos CEFETs, atuais IFs contam com elevado nível de concorrência para ingresso do professor. Os salários iniciais com mestrado são da ordem de R$ 5.000,00. Mas, não são boas só por isto. O aluno passa por avaliação prévia, como um vestibular. É um modelo bastante antigo, dos milicos se não me engano. Aliás, na época deles, ao contrário que se diz por aí, o ensino era muito melhor...
Aqui em Florianópolis, a escola que até bem pouco tempo mais aprovava nas universidades mais concorridas (que são públicas) era a militar.
 
No entanto, esta polarização entre socialistas e liberais empobrece o debate. Perde o foco mesmo. Se mais de 600 dentre as 1.000 piores avaliadas são públicas e apenas 35 destas estão entre as 1.000 melhores há um fato inquestionável: o ensino público está péssimo. Não adianta socialistas chiarem nem brigarem com números. No máximo pode se questionar a metodologia do ranking, mas não é o que costumo ver nas listas de discussão.
 
Por outro lado, os liberais que me perdoem, mas suas análises são ridiculamente pobres. Tem que se observar os detalhes: 50% das piores entre as públicas são nordestinas. E não me venham falar em preconceito, falemos em números que estão ali. O que provoca isto? Assim como a classe média se afastou do ensino público fazendo seu nível baixar, é sintomático que exista alguma correlação entre os índices e uma dada tradição. Se não gostou, brigue com quem formulou a pesquisa, diga que o Enem não avalia nada... No que não concordo, apesar de achar o Enem fraco: a prova deixa a desejar frente outras, como a Fuvest dos anos 80, p.ex.
 
Outra questão importante é por que algumas públicas estão entre as melhores se, como dizem por aí, é “lixo”? Isto é infantilidade, torcida... Nível baixo de argumentação, tão baixo quanto as piores notas da pesquisa em debate.
 
Por outro lado, o estado é dividido em vários níveis, esferas e o que se esperaria, caso a pesquisa servisse para algo efetivo é que o exemplo destas boas escolas públicas fosse estudado e, quiçá, adotado como modelo. As boas escolas públicas são federais, distantes da formulação de diretrizes locais, municipais do ensino. Ou seja, a própria sociedade não se envolve cobrando melhoria no ensino, que por sua vez parte, infelizmente, de Brasília. O que, aliás, eu detesto admitir, mas é o que os números mostram. O que elas fazem de diferente deveria ser nosso ponto de partida para o questionamento. É só salário? Com meus 20 anos de experiência na área digo que isto, sem dúvida, pesa, mas não é tudo. "Basta aumentar os salários dos professores para que a educação melhore" é o equivalente a dizer que para acabar com a corrupção policial basta aumentar o salário... Dos policiais corruptos!
 
Agora, longe de mim dizer que temos que melhorar o ensino público para que o ensino público se universalize. Vade retro! Nada disto. O que tem que haver é a competição, e não só com o ensino privado, mas entre todos os tipos de escola. Em outras palavras, a escola pública que funciona adota o melhor das escolas privadas. O melhor das melhores escolas privadas, bem entendido. Pois, o ensino privado via de regra no Brasil também é fraco. Ridículo, para dizer a verdade. Não adianta se comparar com a miséria intelectual e disciplinar e achar que está bom, assim como não adianta olhar para a Somália e achar que o IDH brasileiro está satisfatório. Quem solta foguete em nome da empresa privada porque está melhor do que o país tem de pior não conhece o meio cultural, a administração e a prática cotidiana do que foi avaliado.
 
O Enem foi feito para nivelar por baixo. Sem ele, dificilmente, os alunos da maioria das escolas públicas teriam alguma chance de ingressar nas universidades mais concorridas. Mas, vejam bem: quem criou o Enem é um ignorante em matéria de comportamento social. Isto é, de mercado. Pois, os alunos de escolas privadas, e cursinhos, também usam o Enem. Logo, são eles que obtêm os melhores resultados. Não adianta tentar curar febre com compressas de água fria. E se for para criar cotas para estudantes de escolas públicas também é falho, pois a classe média também está colocando seus filhos nas escolas públicas para lhes garantir vaga, nem que seja só no último ano como sacrifício. Tolice de quem não é do ramo criar o Enem, tolice de quem não conhece resultados/externalidades advindas de políticas públicas mal formuladas. Conheço gente, amigos que colocam seus filhos em boas escolas públicas podendo pagar por melhores instituições ou empresas. No entanto, estão agindo racionalmente, como agentes de mercado. Ou seja, o poder público criou um sistema, a guisa de melhorar a educação que favorece quem já não precisa.
 
Já se tornou um clichê dizer que se procura melhorar a ponta e não a base do sistema, o ingresso na universidade e não o fundamento de tudo, que é o ensino básico. Mas, a raiz disto está no fato de que o burocrata do MEC não conhece porque vive imerso em ideologias advindas do que há de mais inútil: uma pedagogia da 'inclusão', como se a capacidade do aluno aprender a concorrer e desenvolver seu potencial fosse perverte-lo.
Quarta, 03 Dezembro 2008 22:00

Perene e Ingênuo

Em Elite de Assassinos (The Killer Elite, 1975) dirigido por Sam Peckinpah, assassinos profissionais são contratados para proteger político japonês ameaçado de morte. Como do lado oposto havia um antigo colega e desafeto do mercenário-protagonista, o trabalho serviria como pretexto para um acerto de contas.

 

(The Killer Elite)
 Em Elite de Assassinos (The Killer Elite, 1975) dirigido por Sam Peckinpah, assassinos profissionais são contratados para proteger político japonês ameaçado de morte. Como do lado oposto havia um antigo colega e desafeto do mercenário-protagonista, o trabalho serviria como pretexto para um acerto de contas. A certa altura, Mac (Burt Young) diz a seu comparsa Mike (James Caan) que de tão envolvido na operação, ele já não sabe mais quem é o vilão da história. Que, na realidade, nenhum sistema vale a pena, que enquanto discutem sobre “liberdade e progresso”, a vida dos civis não é levada na devida conta. Então, num arroubo realista, Mike responde:
 
- O vilão é todo mundo que tenta me machucar.

É um filme de ação interessante, pleno de diálogos com “crise de consciência”. E, muito embora seu protagonista tenha alguma razão, não se sujeita fazer qualquer trabalho por dinheiro. Tem lá sua ética... Se o vilão é quem tenta machucá-lo, ele escolhe quem quer beneficiar. É o “bom bandido”, que só existe porque tem seu oposto, o vilão vilão mesmo, George Hansen, interpretado por
Robert Duvall. Este, literalmente, não está nem aí para quaisquer considerações de ordem moral. É apenas um mercenário puro e livre no exercício de sua profissão.

Melhor do que o filme em si é interpretar o tipo de padrão que orientava o argumento das produções hollywoodianas nos anos 70. Mesmo em uma situação nebulosa, assassino contra assassino, mercenário contra mercenário se tornava possível distinguir um ‘bem’ de um ‘mal’ que, se não absolutos, existem com certo critério. A primeira vista, com olhar assumidamente anacrônico, é de surpreender a ingenuidade daquela época.
 
(Man of the Year)

Ingênuo? Então, que tal isto... Candidato Aloprado (
Man of the Year, 2006), dirigido por BarryLevinson narra história de um apresentador de talk show que chega à presidência dos EUA. Além de me ser particularmente difícil assistir um filme protagonizado pelo intragável Robin Williams, seu personagem Tom Dobbs faz um discurso, hipocritamente açucarado, no qual critica o financiamento de campanhas eleitorais e seu comprometimento com lobbistas. Preocupações como saúde, educação e meio ambiente seriam postas em segundo plano frente aos compromissos com companhias petrolíferas, químicas e farmacêuticas. Não deveriam existir “estados Democratas” ou “estados Republicanos”, mas só os Estados Unidos etc e etc.

A diferença entre os argumentos adotados pelos personagens é que, embora o filme sobre os mercenários admita que os conflitos sejam perenes, resoluções imperfeitas, mas viáveis não só são possíveis, como desejáveis. O ônus é delegado, em última instância, somente ao indivíduo em busca de soluções aos seus dilemas. No filme com Williams, o indivíduo também escolhe, mas basicamente porque a harmonia é certa e o conflito aparenta um “erro de percurso”. Para o presidente Dobbs, conflitos são acidentais e o bom senso deve nos guiar. O mal é plenamente identificável, as empresas que almejam lucros. Como se milhões de famílias atendidas e empregadas nessas estruturas produtivas fossem simples vítimas e não cúmplices ou beneficiárias de tudo que se faz.
 
Sem dúvida que o financiamento sugere compromisso, mas será que sua diversidade não permite certa autonomia para contemplar interesses, por vezes, díspares? Se uma campanha for financiada por setores agrícolas e industriais, o governo eleito teria que se equilibrar entre decidir manter subsídios aos produtores de milho, no caso do etanol americano, bem como fornecer matéria-prima barata às plantas industriais, o que poderia contradizer o compromisso anterior. Se tratasse de uma eleição na qual, os protagonistas Mike, o mercenário e Tom, o presidente estivessem em disputa em quem você votaria? Naquele que considera haver critério para definir quem está contra nós, o vilão, ou quem acha que podemos nos harmonizar sem conflito de interesses?
 
Dito de outra forma: você votaria em um mercenário com crise de consciência ou um apresentador ingênuo? Em um realista ou um pacifista? Ou ainda, em um isolacionista ou um neocon?
 
Se o critério para votarmos no personagem de Robin Williams for o “bem maior”, como é o caso da saúde, como poderíamos ir contra companhias farmacêuticas, cujos impostos cobrados mantêm o orçamento da união? Como tributarmos grandes fortunas, como propõe Barack Obama,[1] sem prejuízo aos indivíduos que se formarão na educação pública e trabalharão para estas empresas? É muito fácil quando a causa dos problemas é externalizada, quando não se assume uma réstia de responsabilidade individual.

E vejam como é possível empurrar idéias com germens totalitários como se fossem o supra-sumo do bom-mocismo: “só há um Estados Unidos...” No limite, o argumento presidencial do personagem de Man of the Year é antidemocrático. Não ocorreu ao roteirista perguntar que os estados se dividem por suas representações políticas, que estas refletem os diversos e, por vezes, divergentes interesses de civis e estados. É fácil criticar uma vaga e nebulosa entidade como os “estados” ou os “lobbistas” ou, pior ainda, o “sistema” quando esquecemos que quem demanda pelos estados, lobbies e compõem um sistema são indivíduos que pensam, agem e votam em representantes. Culpar uma abstração não passa de tentar nos eximir de nossa concreta cota de responsabilidade.
 



[1] Embora McCain se
opusesse a este tipo de tributo passou a defender o contrário após o estouro da atual crise.

 

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