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Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP.

Sexta, 15 Abril 2011 10:41

Liberdade ! ??? - Parte 6

Não exige esforço compreender que um estímulo propositalmente gerado no ambiente com o intuito de provocar uma determinada reação do estimulado, por não ser natural, por ser intencional, poderá induzir o tomador de decisão a fazer uma escolha que não corresponderia àquela que seria por ele adotada, caso tivesse consciência, conhecimento, de que aquele estímulo só tinha por propósito levá-lo a um comportamento específico e desejado por quem o gerou.


 

No artigo anterior, se buscou, apoiado pelo Ciclo da Tomada de Decisão de Lawson, compreender o que já se sabia intuitivamente: um mesmo estímulo, uma mesma provocação, tende a determinar reações diversas em diferentes pessoas.

Ficou claro que a circunstância de duas pessoas terem experimentado histórias diferentes determina referências distintas, as quais, na etapa da comparação do processo reflexivo que gera a decisão (vale dizer a escolha) tenderá a induzir na direção de reações próprias, pessoais, individuais.

 
Em tese, não há novidade nessa conclusão. Já se sabia da teoria da comunicação que a mesma mensagem é recebida de forma própria por destinatários diferentes e provoca em cada um impactos específicos e reações coerentemente distintas.
 
A novidade, se há, é a compreensão do papel da referência no processo reflexivo, uma vez que esse entendimento gera uma questão fundamental, quando se decide discutir liberdade: como foram construídas as referências?
 
Neste artigo, se deseja analisar uma outra etapa do Ciclo da Tomada de Decisão (a deteção) e como ela interfere no processo decisório.
 
O que se deseja, agora, é discutir como o estímulo impacta o tomador de decisão; qual a fidedignidade com que o estímulo é apresentado; qual a intenção que gerou o estímulo; qual a razão que determinou, no ambiente, a alteração que irá se constituir no estímulo a ser detetado.
 
Não exige esforço compreender que um estímulo propositalmente gerado no ambiente com o intuito de provocar uma determinada reação do estimulado, por não ser natural, por ser intencional, poderá induzir o tomador de decisão a fazer uma escolha que não corresponderia àquela que seria por ele adotada, caso tivesse consciência, conhecimento, de que aquele estímulo só tinha por propósito levá-lo a um comportamento específico e desejado por quem o gerou.
 
 
Ainda tendo o modelo disponível e recordando o caso do Pedro, que diante da provocação que lhe foi causada pela jovem com quem se deparou ao voltar para sua residência e que o levou a decidir abordá-la, ligando para a esposa e justificando a necessidade do atraso no retorno, imagine-se supor que, na continuidade do contato estabelecido então, ao chegar ao motel, para o qual o Pedro a convidou, fosse constatado que a jovem, na realidade, se tratava de um jovem travestido de mulher (“propaganda enganosa?”).
 
Cabe aqui a pergunta. Teria o Pedro adotado o procedimento “escolhido”, caso tivesse claro para ele, desde o primeiro instante, se tratar de um homem? Ele terá se sentido “livre” para escolher, não? Terá ele sido induzido tendenciosamente a se inclinar por um procedimento, fruto de intenção premeditada de levá-lo ao engano? Por que o jovem, propositalmente, travestiu-se?
 
Parece oportuno que se convide o leitor a divagar a respeito de quantas e quantas oportunidades se apresentarão a cada cidadão, nos dias atuais, na sua rotina de vida, nas quais se estará recebendo estímulos desonesta e/ou intencionalmente gerados com o intuito precípuo, específico, de produzir uma reação dos que com esses estímulos são sensibilizados na direção que só seja do interesse daquele, ou daqueles que os geraram.
 
Some-se, agora, as considerações submetidas à reflexão do leitor no artigo anterior e nesse.
 
Inicialmente, imagine-se estímulos premeditada e propositalmente gerados no ambiente com o intuito determinado de induzir os estimulados a, em razão de os interpretarem erroneamente, virem a se comportar de forma diversa daquela que adotariam, caso não estivessem sendo lesados. Imagine-se complementarmente que as “vítimas”, na medida em que não se aperceberam manipulados, tenderão a entender que adotaram o procedimento correto face ao estímulo recebido e que, naturalmente, no futuro, em sendo novamente estimulados de forma semelhante, por terem experimentado e se satisfeitos anteriormente, tenderão a, com base na referência anteriormente construída, reeditar o mesmo procedimento.
 
Essas pessoas se sentirão felizes com suas escolhas. Sentir-se-ão livres, em pleno exercício de sua liberdade. Se-lo-ão?
 
Cabe, agora que se tenha em mente que não se vive isolado no mundo, razão pela qual o aproveitamento do modelo de Lawson nas presentes reflexões merece ser aprimorado como mostrado a seguir:
 
 
Ora, o ambiente com o qual o tomador de decisões da esquerda interage é absolutamente o mesmo com o qual interage o tomador de decisões da direita. Ambos têm interesses, necessidades específicas, referências próprias e ambos desejarão encontrar no ambiente em que estão inseridos circunstâncias que lhes agradem, que lhes assegurem uma sensação de prazer, de conforto, de equilíbrio.
 
É essa realidade que torna exequível, pertinente, previsível, o quadro que se tentou descrever nos parágrafos anteriores, neste e no artigo anterior. Poder-se-á dizer: não necessariamente haverá má fé no esforço de induzir o circunstante a agir de forma que interesse a quem se antecipou no atuar sobre o ambiente. Sem dúvida, mas é previsível o conflito de interesses, a tentativa de impor escolhas.
 
No próximo artigo, se buscará “iniciar” um sem número de considerações que pretendem provocar aqueles que têm persistido no compartilhar as reflexões até aqui submetidas à análise dos leitores a identificarem os malefícios que se pode produzir em uma coletividade quando se tem a intenção de manipular informações, sentimentos, vontades, escolhas, seja para poder, desonesta e intencionalmente, se tirar proveito pessoal ou grupal, seja por pretensiosamente se imaginar mais preparado, mais perto da verdade e com isso capaz de decidir pelo outro ou pela coletividade.
Quinta, 07 Abril 2011 14:36

Liberdade ! ??? - Parte 5

O que deve ser visto como preocupante e se constitui em objeto deste artigo específico é provocar a reflexão de que, em função da referência adotada, é possível que o certo seja visto como errado.

Segunda, 04 Abril 2011 17:21

Liberdade ! ??? - Parte 4

De pronto, decorre a compreensão de que é extremamente pretencioso se pretender definir como se poderia assegurar liberdade aos outros ou como se “regula” a liberdade de uma coletividade. Ao só enxergar o coletivo, esquecendo o individual, se comete erro crasso e o que decorrer daí carregará erro congênito.

 
É imprescindível que se compreenda, por tudo o que já se propôs até aqui, que a sensação de liberdade é experimentada de forma distinta em cada ser humano, função das peculiaridades que matizam a sua individualidade.
 
De pronto, decorre a compreensão de que é extremamente pretencioso se pretender definir como se poderia assegurar liberdade aos outros ou como se “regula” a liberdade de uma coletividade.
 
Ao só enxergar o coletivo, esquecendo o individual, se comete erro crasso e o que decorrer daí carregará erro congênito.
 
Em sua obra “Os Socialismos Utópicos”, Jean-Christian Petitfils (renomado sociólogo francês da atualidade) elenca e analisa um sem número de experiências vivenciadas pela humanidade ao longo de sua história, nas quais estudiosos “bem intencionados”, se sentindo  “iluminados”, mas certamente “pretenciosos”, se arvoraram capazes de propor soluções as mais diversas, para a conquista da felicidade plena por seus semelhantes. Todas fracassadas.
 
Desde os precursores analisados, passando por Thomas More, Rousseau, Deschamps, Saint-Simon, Robert Owen, Fourier, chegando às propostas marxistas/comunistas mais recentes, todos desconsideraram que o “processo humano se desenvolve de dentro para fora do homem”. Há que se admitir, aceitar e respeitar a individualidade do ser humano.
 
Não bastassem os incontestes exemplos que a história nos lega, essa verdade pode ser compreendida de forma praticamente incontestável a partir de reflexões conduzidas com base no modelo que o Dr. Joel S. Lawson Jr. definiu, como decorrência de suas pesquisas para balizar projeto de sistemas de comando e controle que se prestassem a contribuir para a gestão eficaz de organizações humanas. Visando entender como uma organização humana deveria ser administrada para que atingisse plenamente seus propósitos, ele se dedicou a entender como se dá, no cérebro humano, o processo que o leva a decidir. Seu modelo ficou conhecido como o “Ciclo da Tomada de Decisão”, ou, para alguns, como “Boyd’s Cicle”.
 

Segundo proposto por Lawson (renomado cientista norte-americano, considerado referência no MIT, nos estudos destinados a modelagem da capacidade humana de, interagindo no ambiente, tomar decisões que lhe permitam atuar segundo suas necessidades, seus interesses) o processo que leva à tomada de decisão pelo homem e, por via de conseqüência, pelas organizações criadas e conduzidas por mãos humanas, se dá segundo o modelo apresentado a seguir:

 

Para que se possa compreender como a análise desse modelo de Lawson possibilita o entendimento do que vem a ser liberdade para o ser humano, assim como os desafios e perigos que estão presentes na realidade do homem, particularmente nos dias atuais, num mundo globalizado, perigos e desafios esses que tendem a, efetivamente, privar ou restringir sua liberdade, é necessário que se dedique algum espaço para a adequada compreensão do modelo. 

Inicialmente, há que se esclarecer que o propósito do modelo é representar o processo reflexivo humano (ou de uma organização criada pelo homem) que se desenvolve a partir da ocorrência de uma mudança da condição de harmonia, de estabilidade, do ambiente em que se encontre um ser humano inserido (ou uma organização), até que uma reação seja adotada, com o fim de restaurar a situação de harmonia, de equilíbrio, de conforto, que existia anteriormente. 

Tendo o gráfico como referência, se percebe que Lawson identifica com seu modelo que, ocorrendo uma alteração no ambiente, o processo reflexivo se inicia com a deteção da mudança. Considerando-se uma pessoa normal, essa deteção tende a se dar por intermédio de seus sentidos. Um som, uma mudança da luminosidade ambiente, uma leitura, alterações de temperatura, um novo odor, um sabor, ou, o que é fundamental compreender, “uma informação”, etc..... 

A percepção da mudança é então, automática e instanteneamente analisada pelo cérebro, com o fito de ser identificada, compreendida na sua integralidade.

A seguir, essa informação, agora identificadada, é comparada com as informações armazenadas pelo cérebro, ao longo da sua existência.

A análise e a comparação permitirão a correta compreensão do siginificado do estímulo que fora detetado.

O passo seguinte do processo é a decisão, o posicionamento adotado face ao estímulo, agora, claramente identificado ( ou claramente compreendido como desconhecido).

O processo se conclue com a materialização de uma reação que, no entender do “provocado” pelo estímulo inicial, seja aquela que é entendida como desejável, aquela que expressa, exterioriza sua “vontade”. Essa reação tende a ser compreendida, por quem a toma, como a que o recoloca, novamente, numa condição de conforto, ou na situação em que se encontrava antes de detetar o estímulo.

O recurso à compreensão de alguns exemplos simples parece poder completar o entendimento do modelo.

Primeiro exemplo: uma pessoa, ao sentar-se para uma refeição, sente um odor desagradável, e ao experimentar  a comida, um sabor igualmente ruim. Analisa o que poderia justificar a sensação experimentada. Atribui o fato à circunstância de que se tratava de sobras de comida do dia anterior, mantidas em geladeira. Recorda-se de que, na véspera, teria havido falta de energia elétrica por algum tempo e compara o sabor e o cheiro desagradável experimentado com outros vivenciados, no passado, quando ingerira comida estragada e sofrera conseqüências igualmente desagradáveis. Conclue que deverá ter ocorrido fato semelhante e decide descartar a comida, sendo sua reação depositar a alimentação no lixo.

Segundo exemplo: uma empresa fabricante de refrigerantes recebe relatório de vendas de período imediatamente anterior, no qual há o registro de queda na comercialização de um de seus produtos. Analisa quais seriam as possíveis causas e conseqüências da queda. Compara os dados disponibilizados com circunstâncias anteriores experimentadas pela empresa. Constata que tem havido redução da publicidade do produto e que a redução nas vendas precisa ser revertida. Decide, então, que deve, imediatamente, lançar nova campanha publicitária e reage ao fato contratando importante empresa de propaganda e renomada artista televisiva para ancorar a nova campanha.

Um exemplo militar: na tela de uma radar de forças em operação, é detetado um novo ponto luminoso. Equipamento de última geração, automaticamente é desencadeada a análise do significado do dado novo e valendo-se de comparação de dados armazenados na memória do computador que controla o funcionamento do radar, identifica o sinal como o de um míssel inimigo se dirigindo para um alvo amigo. Imediatamente após, decide e sinaliza para a necessidade de reação imediata e um míssel de defesa é disparado.

Compreendido o que pretende e como se aplica o modelo de Lawson na realidade humana, passa a ser possível que se mergulhe mais profundamente na análise do que  signifique ser livre para um ser humano, hoje instintivo-intelectivo, o que se fará nos próximos artigos, nos quais ainda se buscará identificar riscos e desafios que pairam sobre a realidade do homem, de uma forma geral e do brasileiro, em particular, em razão do empenho de utilização da proposta de Gramsci para o tomada e permanência no poder por parte de setores político-partidários no país.

Segunda, 28 Março 2011 14:41

Liberdade ! ??? - Parte 3

Enquanto instintivo, o homem, em tese, não experimentava conflito, uma vez que não dispondo de intelectividade, não poderia dever. Instintivamente se inclinava na busca de satisfação de suas “necessidades”.

Quarta, 23 Março 2011 14:51

Liberdade ! ??? - Parte 2

Talvez seja esse processo evolutivo, ainda inacabado, o responsável pela grande dicotomia angustiante experimentada pelo ser humano – o concreto versus o abstrato; a realidade versus a intangibilidade; o horizontal versus o vertical, sintetizado pela cruz cristã.

Segunda, 21 Março 2011 23:30

Liberdade ! ??? - Parte 1

Em síntese, o problema em questão era: Há que haver liberdade? Sim. Todos concordavam. Usufruímos liberdade? Havia dúvidas. Como garantir a todos liberdade era a questão.

Sexta, 24 Setembro 2010 22:41

A Democracia Ameaçada

Imagino que, no futuro, esse período que antecede o final do primeiro turno do processo eleitoral no Brasil, merecerá reflexões de historiadores e cientistas políticos, particularmente em razão dos fatos ocorridos em 22/23 de setembro em São Paulo e no Rio de Janeiro, suas causas e desdobramentos.

Sexta, 17 Setembro 2010 14:18

Socialismo x Cristianismo

O artigo do senhor FRANCESCO SCAVOLINI, publicado no jornal Folha de São Paulo, em 10 de setembro último e, por sua importância, imediatamente transcrito pela editoria da Ratio Pro Libertas neste espaço, artigo no qual ele nos remete à constatação da desfaçatez com que a candidata da situação, camaleonando-se ao ambiente eleitoral num mimetismo constrangedor

Quinta, 02 Setembro 2010 14:50

Azarados

Ao longo da minha vida profissional, em razão de suas características, me foi dada a oportunidade de percorrer a quase totalidade dos rincões desse país.

Quando distante do Brasil em que nasci, cresci, casei e constituí minha família e, naturalmente, sempre que possível, me vali das oportunidades de tempos livres para, acompanhado de esposa e filhos, realizar pequenas viagens por espaços cujas realidades discrepavam daquelas que matizam os centros mais desenvolvidos do país nos quais nos acostumamos a viver.

Quinta, 04 Novembro 2010 11:04

O Brasil Ainda Feudal

Estar-se-ia, no Brasil, buscando utilizar a “vontade induzida” de uma “pequena e manipulável maioria”, para viabilizar o “despotismo de Estado”?

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