Seg11202017

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Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP.

Quinta, 20 Outubro 2016 18:13

VÃO PRENDER O LULA!!!???

Pelo que a mídia tem informado, é de se supor que não é só o Seu Luís que tem passado as noites em claro, olhando pela fresta da janela.

Quarta, 05 Outubro 2016 16:22

CHEGOU A PRIMAVERA?

Está nas nossas mãos, particularmente dos que têm consciência de que estão sintonizados com as verdades mais puras da nacionalidade, não permitir retrocessos, novos descaminhos.

 

 

 

No Brasil, temos experimentado, particularmente nos últimos duzentos anos, meias soluções: uma independência que não independenciou; uma abolição que não aboliu; uma república que não republicou; uma revolução que não revolucionou.

Segunda, 05 Setembro 2016 14:27

POBRE BRASIL

 

 

 

Esse argumento foi usado e aceito cinicamente, por parcela significativa dos senadores brasileiros, com o endosso do Presidente do Supremo Tribunal Federal, como justificativa para que se rasgasse, desrespeitasse, descumprisse a Constituição Federal.

O que se assistiu, na sessão final do processo que visava votar o impedimento da, até então, Presidente afastada, é inominável, inacreditável, injustificável, indesculpável. Armada em conchavos inconfessáveis, com propósitos que desafiam nossa inteligência, mas que permitem que se imagine os mais sórdidos objetivos, promoveu literal desrespeito à Constituição Federal.

Domingo, 26 Junho 2011 18:30

Liberdade ! ??? - Parte 11 - Final

O Brasil vive, nos dias atuais, sob uma ditadura, uma ditadura cultural. A pior, a mais nojenta, asquerosa, repugnante forma de subjugação de uma coletividade. Aquela que reduz, anestesia, inviabiliza a possibilidade de reversão, de libertação do processo escravizante, na medida em que, nesse ambiente, o escravizado, não se apercebendo subjugado, não se rebelará.


 

O prezado leitor que acompanhou esta longa peregrinação reflexiva provavelmente, em mais de uma oportunidade, deverá ter se perguntado qual o seu propósito. O que se buscaria propor com essa seqüência extensa de raciocínios, que, assim se pretendeu, deveria guardar coerência e lógica?

Inicialmente, cabe que se renove a idéia central que justificou todo esse processo: deve-se ter, particularmente no Brasil de hoje, muito mais dúvidas a respeito do que seja “liberdade”, do que certezas (daí, no Título, três pontos de interrogação, sucedendo um único ponto de exclamação).

O que se pretende propor, finalmente, a você, caro leitor, é a afirmação de que o Brasil vive, nos dias atuais, sob uma ditadura, uma ditadura cultural. A pior, a mais nojenta, asquerosa, repugnante forma de subjugação de uma coletividade. Aquela que reduz, anestesia, inviabiliza a possibilidade de reversão, de libertação do processo escravizante, na medida em que, nesse ambiente, o escravizado, não se apercebendo subjugado, não se rebelará.

Não. Não se está tomado pelo germe da teoria da conspiração, não.

A verdade é que, a despeito do prezado leitor poder não reconhecer na esquerda brasileira (quando analisados os seus integrantes coletivamente) qualificação, competência, para conduzir um processo organizado, orquestrado, com um propósito definido anteriormente, ela soube, ou conseguiu, implementar a proposta gramisciniana de forma eficaz no Brasil, nas últimas quatro décadas. Houve perseverança, obstinação, há que se reconhecer.

O leitor, certamente, estará pensando que terá havido manifestações de inúmeros outros atributos menos nobres. Claro, é próprio dos processos revolucionários.

Fracassados na tresloucada experiência fratricida de 1935 e, posteriormente, na açodada tentativa encabeçada(?) por João Goulart, a esquerda brasileira parece ter decidido ressuscitar Antonio Gramsci.

Sugere-se ao prezado leitor que se questione quanto às provocações a seguir, revendo as considerações apresentadas nos artigos anteriores, se entender como pertinente.

Nas últimas quatro décadas, no Brasil:
- terá surgido um partido político (como proposto por Gramsci) “orgânico das classes subalternas”? Um partido “da classe” e não “de classe”, como insistia Gramsci?
- terá ocorrido infiltração da esquerda nos “aparelhos privados portadores materiais da hegemonia” na sociedade brasileira (sindicatos, partidos políticos, igrejas, órgãos de comunicação de massa, meios editoriais, movimentos populares, áreas de manifestação artísticas, entre tantas)?
- terá se materializado, como proposto por Gramsci, a construção de uma hegemonia (condição ou capacidade de influência e de direção política e cultural que um grupo social exerce sobre a Sociedade Civil, por intermédio de organismos sociais voluntários, para que esta exerça a mesma influência sobre a Sociedade Política, possibilitando que o partido exerça sobre todo o processo revolucionário, sobre a Sociedade Civil e sobre a Sociedade Política)?
- terá se construído, no Brasil de hoje, um “consenso” (conformação coletiva do grupo social - concordância e adesão ativas- espontânea e livre, com as iniciativas do estado que as propõe para alcançar os fins que a sociedade pretende)? Por que a sociedade brasileira está, hoje, subjugada aos conceitos enquadrados sob o rótulo do “politicamente correto”?
- estará o grupo político que veste, hoje, o governo brasileiro (e, diga-se de passagem, como veste) buscando, como proposto por Gramsci, se valer do poder inerente aos governos, implantar e implementar medidas “legais”, que inviabilizem a reversão do processo em fase final de consolidação, com o propósito de, ainda que por algum tempo dentro de uma “normalidade democrática”, se manter indefinidamente no poder?
- há perspectiva, em curto prazo, da saudável alternância no poder de partidos políticos adversários, característica própria das verdadeiras democracias?
- há oposição política, no Brasil de hoje, organizada, consciente da necessidade de se constituir em representante do universo da população, ainda não subjugada ao consenso, ou os partidos de oposição estão acachapados, porque igualmente amesquinhados, constrangidos de se contraporem ao consenso e porque integrados por profissionais mais preocupados em sobreviverem politicamente, para que possam sobreviver financeiramente?
- reeditando os quadros esquemáticos apresentados em artigo anterior, a sociedade brasileira, hoje, deveria ser representada pelo quadro à esquerda (sociedade plural, em que todas as posições encontram espaço para o exercício pleno da sua cidadania), ou se assemelha à representação do quadro da direita (sociedade pasteurizada pelo politicamente correto, acordeirada, tendo seus poucos integrantes dissonantes isolados, sem espaço de manifestação e sem qualquer expectativa de serem ouvidos e de poderem interferir no processo social)?

            

A partir das respostas que o prezado leitor terá dado às questões sugeridas, cabe que se reflita, novamente apoiados no Ciclo da Tomada de Decisão de Joel Lawson, já exaustivamente discutido anteriormente, sobre a real situação do cidadão brasileiro, hoje e o que isso tem a ver com liberdade.

Essa realidade a que está submetida a sociedade brasileira interfere na liberdade do cidadão? Claro que aqui se está falando na única e real liberdade que se deve desejar ao ser humano: a de pensar e decidir livremente. Livremente fazer as suas escolhas, tomar suas decisões.

Para tal, cabe questionar:
- as informações que são feitas chegar aos cidadãos são corretas, verdadeiras ou são divulgadas de forma a induzir comportamentos esperados, padronizados?
- no meio acadêmico, as discussões são livres, abertas, orientadas exclusivamente à busca do conhecimento, da verdade, ou o universo de jovens que, nas últimas décadas e particularmente nos dias atuais, sofre um verdadeiro processo de lavagem cerebral, conduzido com a intenção de torná-los inocentes úteis no futuro (ultimamente tenho visto a referência ao conceito de idiota útil que, apesar de ser agressivo, parece identificar melhor a idéia original da expressão)?
- no meio artístico, é admissível um artista ter espaço profissional assegurado e proporcional ao seu nível de competência, ou é indispensável que, ao menos aparentemente, ele se veja obrigado a aderir a um discurso coerente com o “politicamente correto”.
- no meio editorial, é possível encontrar a mesma facilidade para publicar uma obra que enfrente, questione, ataque o “status quo”, que haveria para publicar aquela que contribui para o fortalecimento do “consenso”?
- na mídia, em qualquer de suas expressões (ressalvada a internet, pelo menos por enquanto), é dado o mesmo espaço para a veiculação de informações que desnudem as maracutaias, as desonestidades, as iniciativas que pretendem completar o processo de consolidação da “hegemonia”, que é dado a tudo que contribua para a sedimentação das “verdades” desejadas de serem inculcadas na população?

Ora, se isso não acontece, se a informação que chega ao cidadão comum é “filtrada”, censurada, ainda que veladamente, como se viu a partir do Ciclo de Lawson, as decisões, as escolhas do cidadão são adotadas com base em estímulos falsos, em referências que não foram construídas livremente e em ambiente que restringe a possibilidade de manifestação livre de posição, de opiniões, sem risco iminente de sanções de alguma espécie.

Some-se a isso a covardia dos políticos brasileiros que não integram a “cesta” de apaniguados do poder, que por interesse e/ou necessidade de sobrevivência financeira, optam por sobreviver politicamente ao arrepio da ética, da moralidade, do respeito às normas primárias de cidadania.

Acrescente-se, por fim, a ganância do empresariado brasileiro, que, na sua grande maioria, particularmente no seio das grandes empresas, prefere aderir à prática da busca de sobrevivência conjuntural, admitindo para isso sustentar financeiramente os encastelados no poder em troca de benesses e contrapartidas que lhes assegure resultados imediatos.

Pronto. Está construído o ambiente perfeito para a escravização cultural de toda uma geração. E assim se fez.

Caro leitor.

Novamente apoiado na obra de Sergio Coutinho, já citada em artigos anteriores, é com tristeza que se constata que o processo revolucionário de inspiração gramisciniana implementado no Brasil atingiu sua terceira e última fase, a fase estatal, aquela na qual o partido representativo das “classes subalternas” conquista e se consolida no poder e impõe, progressivamente, uma nova ordem à sociedade.

Implantou-se uma ditadura, uma ditadura cultural.

Seriam necessárias algumas outras tantas décadas para que se reverta o processo agora vitorioso. Só que, para isso, seria imprescindível:
- primeiro, o despertar da consciência da realidade que, nessa série de artigos, se buscou descrever;
- segundo, o surgimento de um movimento organizado que tivesse a vontade, a determinação, a coragem de iniciar um processo de convencimento, alicerçado na verdade, que pudesse, progressivamente, agregar cidadãos para uma cruzada de libertação.

Desnecessário registrar que isso só teria perspectiva de sucesso se houvesse, antes de tudo, desambição pessoal e se políticos, empresários e intelectuais aderentes ao novo processo estivessem dispostos a abrir mão de facilidades, vantagens e lucros conjunturais, em nome de uma causa maior: a construção da verdadeira liberdade para a nação brasileira.

Não se acredita que isso seja viável.

Pelo menos, dentro da realidade atual.

Há esperança?

Há. É que, felizmente, em razão da imensidão desse país, os executores do processo revolucionário de esquerda necessitaram ser arrebanhados em quantidades tão grandes, que entre eles há um universo considerável de indivíduos tão desonestos, tão despreparados, tão egoístas, tão limitados e tão culturalmente condicionados (viva Pavlov), que acabam por se constituírem em fonte permanente de corrosão intestina do processo, promovendo escândalos desmoralizantes, fracassos administrativos indefensáveis, falcatruas as mais diversas, facilmente detetáveis e tornadas públicas, que talvez se deva ter esperança de que essas circunstâncias possam tirar a sociedade da condição letárgica em que foi imersa e venha a se rebelar no futuro.

Eles se destroem a si próprios e à sua causa.

Até que isso possa acontecer, resta espernear, clamar e reclamar.

Este espaço estará permanentemente aberto a todos quantos desejem se juntar aos que não admitem imaginar seus filhos e netos submetidos a uma sociedade subjugada, acovardada, escravizada.
 

Quinta, 09 Junho 2011 11:47

Liberdade ! ??? - Parte 10

Quando se confronta a concepção estratégica do processo revolucionário proposto por Antonio Gramsci, explicitada no artigo anterior, com as considerações feitas nos artigos antecedentes, tendo como referência o Ciclo da Tomada de Decisão de Joel Lawson, fica inquestionavelmente evidente a intenção subjacente na concepção de Gramsci de manipulação da sociedade para que os propósitos do projeto possam ser alcançados com êxito.


Quando se confronta a concepção estratégica do processo revolucionário proposto por Antonio Gramsci, explicitada no artigo anterior, com as considerações feitas nos artigos antecedentes, tendo como referência o Ciclo da Tomada de Decisão de Joel Lawson, fica inquestionavelmente evidente a intenção subjacente na concepção de Gramsci de manipulação da sociedade para que os propósitos do projeto possam ser alcançados com êxito.

Basicamente, o que Gramsci propõe?

Que a ocupação do poder, dentro do contexto de normalidade democrática, seja precedida da construção, no seio da sociedade, de um consenso, definido por ele como sendo “a conformação coletiva do grupo social (concordância e adesão ativas), espontânea e livre, que favoreça o direcionamento político e cultural dessa sociedade para o atingimento dos fins que (veja-se o cinismo) a própria sociedade pretende” (Vide obra de Sergio Coutinho, identificada no artigo anterior).

Observe-se que o atingimento dos fins historicamente perseguidos pela sociedade, de acordo com Gramsci, passa pela “necessidade de uma conformação espontânea e livre, que se manifesta por uma concordância e adesão ativas”. Isso é de um cinismo inacreditável.

“Livremente”, “espontaneamente”, a sociedade deverá se conformar (vale dizer, ajustar a sua forma), ou seja, ajustar seus valores, suas referências, suas verdades historicamente construídas, seus princípios, de modo a concordar e a aderir ativamente à prática de novos princípios, novos valores, novas referências, novas verdades, que contribuam para que sejam mais facilmente atingidos os fins desejados pela própria sociedade (naturalmente, fins esses que ela, sociedade, não sabia que perseguia, porque, se soubesse, não precisaria da “ajudinha” dos revolucionários).

Dizendo de outra forma: porque a sociedade é integrada por um sem número de idiotas, que jamais seriam capazes de identificar e perseguir o atingimento de seus objetivos por conta própria, é imperioso que uma meia dúzia de iluminados, motivados pelo “único” propósito de auxiliar aqueles energúmenos a achar o seu caminho, promovam a redefinição de suas referências, de modo que, em sendo reaculturados, possam se constituir em agentes ativos da transformação que levará a coletividade a experimentar o nirvana proporcionado pelo comunismo.

Com isso, segundo Gramsci, seria desnecessário a tomada do poder pela força.

Ora, da análise do Ciclo de Lawson se aprendeu que a decisão humana de como reagir aos estímulos que lhe são oferecidos pelo ambiente passa pela necessidade de identificar adequadamente esses estímulos e analisá-los corretamente, com base nas referências que assumiu ao longo de sua vida pregressa.

Constatou-se que estímulos falsos e/ou referências inadequadas, adotadas erroneamente, levariam a decisões discrepantes daquelas que teriam sido tomadas caso as referidas distorções não tivessem ocorrido.

Pior. Viu-se que a assunção de referências induzidas tenderiam a gerar uma mudança de postura e a reedição de decisões na mesma direção, tendendo a criar um caminho sem volta.

Verificou-se que o embate das individualidades numa coletividade, fonte congênita de conflitos, pode produzir, caso um grupo se organize de forma mais adequada,  uma realidade em que, a necessidade de sobrevivência nessa coletividade imponha comportamentos, procedimentos não necessariamente desejados em parcela minoritária e/ou menos organizada daquela coletividade.

Concluiu-se, finalmente, que nesses casos, a despeito de poder se sentir aparentemente livre, aquele que foi manipulado, seja por ter sido submetido a estímulos falsos, seja porque foi induzido a aceitar referências inadequadas, seja porque, por pressão do ambiente, se viu na contingência de se comportar como esperado pelo grupo, na verdade, deveria ser considerado “escravizado”.

Buscou-se conduzir tais reflexões na expectativa de defender a tese de que, para o ser humano, a verdadeira liberdade só se manifesta quando se é livre para assumir referências que balizem reflexões e decisões livremente assumidas e realizadas.

E o que propõe Gramsci?

Exatamente o oposto. Que se utilize os organismos sociais voluntários (aparelhos privados portadores materiais da hegemonia), ou seja, clubes, sindicatos, corporações, partidos, igrejas, órgãos de comunicação de massa, editoras, expressões artísticas, movimentos populares, para conformar (dar nova forma) a sociedade, vendendo-lhe novas referências, para isso valendo-se de estímulos mentirosos, falsos, tudo com o propósito de, manipulando a sociedade, obter sua concordância e adesão ativa.

Obtida essa pasteurização cultural, seria fácil conquistar sem luta armada o poder, porque o partido que representasse aquelas novas referências receberia apoio inconteste da massa, agora escravizada.

Os quadros apresentados a seguir pretendem pictoricamente favorecer a visualização do que se buscou definir como o resultado pretendido por Gramsci.

À esquerda do leitor, a sociedade originalmente constituída com a multiplicidade que a caracteriza, mercê do exercício pleno e livre das individualidades que a integram.

Na direita, a sociedade manipulada, despersonalizada, acordeirada, “conformada”, pasteurizada, pronta para “ativamente aderir” a qualquer proposta apresentada e, com sua “concordância”, viabilizar a adoção de qualquer encaminhamento que se dê a vida da coletividade.

O quadro da direita procura mostrar que, ainda que se possa observar algumas nuanças diferentes entre os integrantes da coletividade, há um matiz comum que aproxima a sua imensa maioria. Nesse contexto, os que discrepam ficam marginalizados, acuados, sem possibilidade de defender suas possíveis posições discrepantes.

            

No próximo artigo, que se pretende que seja o último, buscar-se-á analisar a realidade político-social brasileira nas últimas décadas, tomando por base toda essa seqüência de considerações que compuseram esses dez artigos.

Domingo, 05 Junho 2011 21:45

Liberdade ! ??? - Parte 9

A seqüência de artigos em que tem se constituído essa série de reflexões pode ser resumida na seguinte cadeia de idéias:
- a verdadeira liberdade a ser perseguida deve ser a liberdade de decidir, a partir de referências, princípios, critérios, “verdades”, valores, livremente assumidos;
- para o homem em seu atual estágio de evolução em que, na sua esmagadora maioria, pode ser identificado como instintivo-intelectivo, definir-se liberdade a partir das manifestações de liberdade de locomoção, liberdade de credo, liberdade de reunião, ou mesmo liberdade de expressão, tende a gerar uma visão distorcida, amesquinhada, do que deve ser liberdade;
- com o apoio do modelo proposto por Joel Lawson do Ciclo da Tomada de Decisão, constata-se que decisões e escolhas, aparentemente adotadas “livremente”, na verdade, poderão ter ocorrido com base em estímulos falsamente apresentados ao tomador da decisão e/ou como decorrência de terem se dado com base em referências assumidas, assimiladas, de forma inconsciente, em razão de circunstâncias externas do ambiente em que o tomador de decisão está inserido.

É importante que se compreenda (e foi exatamente isso que se buscou propor nessa série de artigos) que, nesse caso, se experimenta a mais torpe circunstância de escravização do ser humano, na medida em que, ao imaginar estar experimentando liberdade, não se sentirá, em hipótese alguma, motivado a reverter o quadro em que se encontra.

Os grilhões atados aos pés dos escravos na antiguidade se constituam no seu primeiro e maior estímulo para a busca da liberdade.

Aquele que não se apercebe manipulado (“escravizado”), jamais lutará por libertar-se.

No último artigo, buscou-se, com uma expansão do modelo de Lawson a seguir reapresentada, deixar absolutamente claro que aquelas fontes de distorção identificadas parágrafos antes tendem a estar naturalmente presentes na vida das coletividades, uma vez que a convivência das individualidades é uma das características congênitas de qualquer sociedade, o que se constituirá, sempre, em fonte de conflitos.

O que se pretende registrar no presente artigo é que há que se admitir, por tudo o que já se discutiu nos artigos anteriores, que as distorções que tendem a se manifestar no seio de uma coletividade podem ser intencionalmente trabalhadas com o propósito de “acordeirar” a coletividade, “pasteurizando” referências, verdades, valores, princípios, tudo conduzido desonestamente com a intenção de capacitar aqueles responsáveis pela iniciativa a obter daquela coletividade as reações que lhes favoreçam pessoal e/ou grupalmente.

Para que se compreenda de forma mais profunda o que aqui se coloca, cabe que se resgate conteúdos da obra de Sergio Augusto de Avellar Coutinho, “A REVOLUÇÃO Gramscista NO OCIDENTE – A Concepção Revolucionária de Antonio Gramsci em os Cadernos do Cárcere” (Estandarte Editora – 2002).

De forma extremamente clara e particularmente didática, o autor nos traz a lógica proposta por Gramsci para a tomada do poder em nações no ocidente, identificadas por ele como constituída por sociedades em estágio evolutivo mais avançado.

Segundo Gramsci, as sociedades ocidentais, mais adequadamente organizadas, disporiam de mecanismos de defesa que as tornariam menos sujeita a mudanças políticas bruscas de regime, de sistema. Assim sendo, o emprego de processos revolucionários apoiados no uso da força tenderiam a não produzir resultados eficazes, diferentemente do que se experimentava nos países no oriente, nos quais suas populações acostumadas a se subordinarem “feudalmente” a um “senhor”, enxergavam o processo revolucionário como, simplesmente, uma troca de “senhor”.

Como decorrência lógica, Gramsci propunha que, nos países ocidentais, o processo revolucionário marxista deveria ser construído de forma diversa, sendo precedido por fases de anestesiamento daqueles mecanismos identificados como potenciais obstáculos ao êxito do processo, devendo, para isso, se valer das “franquias próprias do regime democrático vigente nessas sociedades”

Assim, como esclarece Sergio Coutinho (Cap II – Concepção Estratégica de Gramsci - pag 34), no Conceito Estratégico de Gramsci, o processo de transição para o socialismo marxista deveria ser conduzido em três fases:
- Na primeira fase, nominada econômico-corporativa, se buscaria organizar o “partido das classes subalternas”, lutar-se-ia pela valorização do estado democrático e pela ampliação das franquias que o caracterizam. Desnecessário ressaltar que o propósito dessa fase seria o de se valer dessa liberdade própria da democracia, para uma atuação o menos susceptível possível de embates políticos, de questionamentos e enfrentamentos.
- A segunda fase teria como objetivo “lutar pela hegemonia das classes subalternas sobre a sociedade, tornando-a dirigente e criando condições para a tomada do poder”. Ressalte-se que essa tomada do poder dar-se-ia dentro das normas próprias dos regimes democráticos.
- Na terceira fase, chamada “estatal”, tomar-se-ia o poder político, impor-se-ia uma nova ordem e estabelecer-se-ia o socialismo, visto como etapa provisória e anterior para a chegada ao comunismo.

É particularmente importante que se compreenda o significado, para Gramsci, do que seria “hegemonia”.

Como Sergio Coutinho relembra, hegemonia seria a “condição ou capacidade de influência” e de direção política e cultural que, por intermédio de organismos sociais voluntários, um grupo social exerce sobre a sociedade civil, que esta exerce sobre a sociedade política e que o partido da classe exerce sobre todo o processo revolucionário, sobre a sociedade civil e sobre a sociedade política.

Tentando clarificar: Gramsci propunha que, tendo o “partido das classes subalternas” no controle de todo o processo, um grupo social, valendo-se dos organismos sociais voluntários, construiria condição, capacidade, de influir política e culturalmente sobre a sociedade civil, de forma que ela influísse sobre a sociedade política (o estado).

Gramsci estabelecia ainda, que “o exercício da hegemonia pelo grupo social teria por finalidade fundamental obter o consenso e a direção política e cultural”.

Por consenso, Gramsci entendia “a conformação coletiva do grupo social (concordância e adesão ativas), espontânea e livre, com as iniciativas do estado que as propõe como necessárias para alcançar os fins que a sociedade pretende”.

Observe-se bem. A conformação coletiva espontânea e “livre” (livre?), por intermédio de concordância e adesão ativas significa, em outras palavras, o amoldamento (acordeiramento?) da coletividade a uma específica forma desejada pelo partido que teria o controle de todo o processo, de modo a produzir como resultado pressão sobre a sociedade como um todo para que por seu intermédio se exercesse pressão sobre a classe política visando que tudo fluísse na direção da consolidação da tomada do poder, eufemisticamente identificado como sendo “os fins que a sociedade pretende”.

É necessário que se relembre finalmente, ainda com o suporte da obra de Sergio Coutinho, que, ao citar os organismos sociais voluntários, Gramsci se referia aos “aparelhos privados portadores materiais da hegemonia, entidades relativamente autônomas ante a sociedade política”. Seriam eles os clubes, os sindicatos, as corporações, partidos, igrejas, órgãos de comunicação de massa, editoras, expressões artísticas, movimentos populares, etc...
Novamente, tentando tornar bem clara e objetiva a proposta Gramiscista:
- A utilização inteligente de clubes, sindicatos, editoras, órgãos da mídia, movimentos populares, setores artísticos, igrejas, partidos, etc, produziria a “concordância e adesão ativas do grupo social (conformação coletiva)”, ou seja, o consenso. Em outras palavras, far-se-ia a coletividade ter as mesmas referências, desejar as mesmas coisas, enfraquecendo, ou mesmo anestesiando reações a iniciativas do grupo político/social que estivesse na liderança do processo revolucionário;
- tendo toda a coletividade moldada segundo uma visão que lhe foi “imposta” de forma indolor, imperceptível, na medida em que se instalou como se nascesse do seu seio, fruto de seus anseios, o partido político que representasse esses valores, esses anseios, tenderia a ser guindado ao poder;
- no poder, valendo dos seus meios próprios, institucionais, o grupo político ocupante do governo poderia ir progressivamente promovendo as transformações políticas e sociais que “estariam indo ao encontro da satisfação daqueles anseios”.

Rememorada a proposta de Gramsci, escorados no trabalho admirável de Sergio Coutinho, no próximo artigo, buscar-se-á estabelecer a necessária conexão (que justifica essa série de artigos e sua lógica reflexiva) entre essa proposta, a teoria de Joel Lawson sobre a tomada de decisões pelo ser humano e como tudo isso se inter-relaciona com o exercício de verdadeira liberdade.

Segunda, 25 Abril 2011 09:39

Liberdade ! ??? - Parte 8

A necessidade de “sobreviver”, de ser aceito (ou de evitar ser rejeitado), de se furtar a constrangimentos, tende a induzir aquele integrante que se apercebe sem condições de impor o que seria do seu interesse, sua inclinação natural, ou seja, sua vontade, a tomar a decisão que se lhe apresenta como aquela que lhe traria menor desconforto, desequilíbrio, desprazer, ou seja, a aceitar a escolha que lhe éimpostapelas circunstâncias.


 
Para que se dê continuidade à série de considerações em que tem se constituído essa seqüência de artigos, entende-se como necessário o estabelecimento de uma nova evolução no aproveitamento do modelo de Joel Lawson, que esquematiza o processo decisório do ser humano e que tem servido de suporte para o desenvolvimento desse exercício reflexivo.
 
A seguir, com um novo quadro, se buscará retratar como se poderia enxergar uma coletividade, visualizando cada integrante dessa coletividade com um ser intelectivo, pensante, que diante do ambiente em que está inserido, a cada momento, interage com esse ambiente e com os demais circunstantes, reagindo à realidade que se lhe apresenta, evidentemente, sempre buscando assegurar para si um estado de conforto, de segurança, no qual suas necessidades, seus anseios, seus interesses possam ser atendidos, satisfeitos, alcançados.
 
Buscou-se, nesse novo quadro, materializar a multiplicidade, a diversidade que caracterizaria essa, como de resto qualquer outra coletividade, atribuindo cores distintas aos seus integrantes (todos tomadores de decisões) representados no modelo. Desnecessário, talvez, lembrar que essa diversidade sempre existirá, porque decorrência intrínseca das individualidades que “vestem” cada representado.
 
Acredita-se como absolutamente lógico, que se aceite que, no âmbito da coletividade, se identifique conjuntos de integrantes que possuam interesses, necessidades, se não iguais, muito próximas. Essa circunstância tenderia a aproximá-los num esforço associativo com o objetivo de perseguir satisfazer seus interesses comuns.
 
As quantidades diferentes de integrantes com a mesma cor, pretendem representar o que, na realidade, é previsível ocorrer. Universos distintos, com efetivos igualmente distintos. Uns maiores; outros, nem tanto e, há que se admitir, poder-se-á ter, na coletividade, o conjunto de um só (no caso representado na cor vermelha).
 
A compreensão de que se identificaria maiorias e minorias nessa coletividade parece ficar evidente.
 
A expectativa é de que a confrontação do que se constata com enorme facilidade nesse quadro agora apresentado, com as considerações trazidas à reflexão nos artigos anteriores, ilumine aquelas colocações, de forma a torná-las inquestionavelmente claras.
 
Parece ficar transparente que o convívio/conflito da busca da satisfação de interesses diversos, por vezes antagônicos e/ou do atendimento de necessidades díspares tenderá a produzir uma previsível efervescência na relação entre os integrantes da coletividade, sinalizando a grande probabilidade de que as distorções visualizadas nos artigos anteriores venham a ocorrer.
 
De um lado, ator ou grupo de atores tentando influir no ambiente de forma a apresentá-lo aos demais atores de maneira que os estimule a reagir da forma que lhes seja favorável (vale dizer, manipulando-os).
 
De outro, grupos de atores tentando construir, gerar referências, verdades, valores para a coletividade que leve seus integrantes a reagirem de modo uniforme, diante de um mesmo estímulo, matando as individualidades.
 
Em ambas as circunstâncias, aqueles que, poder-se-ia dizer, são “vítimas” dessas iniciativas, acreditariam estar agindo “livremente”.
 
O que se pretende destacar neste artigo, especificamente, é que, no segundo caso, se materializa o maior risco ao real exercício da liberdade e que, na verdade, justifica toda a seqüência de reflexões em que têm se constituído essa série de artigos.
 
O ambiente passa a condicionar vontades, decisões, escolhas.
 
A necessidade de “sobreviver”, de ser aceito (ou de evitar ser rejeitado), de se furtar a constrangimentos, tende a induzir aquele integrante que se apercebe sem condições de impor o que seria do seu interesse, sua inclinação natural, ou seja, sua vontade, a tomar a decisão que se lhe apresenta como aquela que lhe traria menor desconforto, desequilíbrio, desprazer, ou seja, a aceitar a escolha que lhe é “imposta” pelas circunstâncias.
 
Tendo o quadro como modelo, poder-se-ia ver como livre o representado “vermelho”, se se vê na contingência de aceitar as escolhas impostas à coletividade, por exemplo, pelos “amarelos”? Ou pelas decisões acordadas entre amarelos e azuis?
 
Quantas e quantas vezes, na rotina do dia-a-dia, já se experimentou a necessidade de se “engolir sapos”, de se ser “polido” (“educado”), de demonstrar “trato social”, de se ser “compreensivo”, ou como se introjectou no imaginário coletivo do brasileiro, hoje, de se ser “politicamente correto”.
 
O que se está tentando propor é que de tanto reagir a determinados estímulos do ambiente de uma determinada forma, como já se viu em artigo anterior, se assimila aquela reação como referência e, sem que se aperceba, se passa a ser massa de manobra, se perde a liberdade, a única manifestação de verdadeira liberdade que deve ser valorizada pelo ser humano: a liberdade de pensar e, sem interferências desonestas, construir suas referências.
 
No próximo artigo, se buscará trazer para a realidade política brasileira do hoje as considerações em que têm se constituído essa série de reflexões as quais se batizou de Liberdade ! ???, com o intuito de registrar que, a respeito de “liberdade”, se tem muito mais questionamentos a fazer, do que afirmações a atestar.
Terça, 19 Abril 2011 10:04

Liberdade ! ??? - Parte 7

Se as referências são cruciais para a definição das decisões que a cada instante o ser humano é convidado a tomar e se a construção dessas referências, hoje, passa pela volatilidade da realidade na qual se está inserido, é lícito se supor que fica, a cada tempo, mais difícil se admitir que as escolhas, as decisões a serem tomadas estejam assentadas em referências conscientemente construídas e assumidas.


Parece interessante, que antes de se prosseguir no processo reflexivo em que têm se constituído essa série de artigos, se busque sintetizar o que já se submeteu à consideração de todos quantos têm persistido nessa caminhada.
 
O propósito básico é o de questionar o verdadeiro significado de ser livre para o ser humano, hoje, instintivo-intelectivo.
 
Com o apoio do Ciclo da Tomada de Decisão de Joel Lawson, se constatou que no processo que leva o homem a definir seu interesse, sua escolha, diante das provocações que a realidade do ambiente em que está envolvido lhe apresenta, duas circunstâncias devem ser consideradas com especial atenção, na medida em que podem desvirtuar o processo decisório e comprometer a liberdade da decisão, da escolha e, por via de conseqüência, comprometer a com preensão do que se deva entender por “liberdade”.
 
Assim, se buscou deixar claro que a veracidade do estímulo com que o ambiente se manifesta ao tomador de decisão é transcendental. Falseado, camuflado, desvirtuado propositalmente o estímulo, o provocado decidirá por reagir de forma diversa daquela que teria adotado caso tivesse recebido o estímulo verdadeiro. Poderá sentir-se livre na sua decisão, na sua escolha, mas, na verdade, terá sido manipulado, usado.
 
Da mesma forma, constatou-se que diante de um mesmo estímulo, uma mesma provocação do ambiente, pessoas diferentes poderiam reagir de forma diversa e que esse comportamento discrepante, muito provavelmente, quase que certamente, se deveria à circunstância de que cada um teria, na sua história de vida, construído para si “referências” distintas.
 
Registrou-se a preocupação de que, não necessariamente as referências de um e de outro teriam sido construídas consciente e livremente (na verdade, talvez se devesse propor que muito provavelmente essas referências terão sido assimiladas sem qualquer consciência), o que se buscou deixar claro, comprometeria congenitamente a manifestação de uma verdadeira liberdade nas decisões dessas pessoas.
 
Concluiu-se o artigo anterior, destacando que, como o ambiente com o qual se interage é comum a todos quantos nele estão inseridos, o fato de se ter referências diversas, tenderia a se constituir em potencial fonte de conflito.
 
Assim, diante de um mesmo estímulo, aquele que reagisse mais rápido, tenderia a impor a satisfação de seu interesse aos demais, na medida em que os demais se veriam na contingência de reagir, não mais ao estímulo inicial, mas sim ao decorrente da ação daquele que foi mais rápido. Da mesma forma (e isso é fundamental nesse contexto) ocorreria quando um dos integrantes da “coletividade” pudesse vir a ter maior capacidade de influir no ambiente (que detivesse maior “poder”).
 
Prosseguindo.
Aqui caberia que se transcrevesse texto da romancista Stephanie Laurens, autora de “best-sellers” do New York Times, que na sua obra “A verdade sobre o amor” (Sedna Editora, 1ª edição, 2009), na página 183, afirma por meio de um de seus personagens: “Manipular os pontos de vista da sociedade significa necessariamente ser socialmente ativo”.
 
Naturalmente, é de se supor que a autora jamais terá pretendido submeter à consideração de quem quer que seja, entre seus leitores, qualquer tratado sociológico. O que parece pertinente ser explorado aqui e justifica a citação no contexto que se busca discutir, ainda que se deva ressalvar alguma licenciosidade da tradução, é a utilização da expressão manipular.
 
Nas reflexões de parágrafos anteriores se admitiu que a interação dentro de um mesmo ambiente, seria fonte de conflito de interesses e que seria esperável a tentativa de imposição desse ou daquele ator.
 
O que se pretende com essa série de reflexões é, exatamente, buscar caracterizar que há um limite extremamente tênue nesse processo de relações que tende a por em risco os aspectos éticos dos comportamentos, interferindo dramaticamente no exercício da liberdade. Naturalmente, liberdade vista sob a ótica que, tem se insistido em caracterizar, deve ser aquela que se deve desejar para o ser humano: a de livremente construir as referências que irão lhe permitir decidir, fazer escolhas livremente.
 
Interferir, influenciar, impactar, atuar sobre, sim. Manipular, nunca.
 
Manipular significa ter nas mãos, ou, se se desejar ser mais contundente, escravizar.
 
Nova consideração.
O Dr. Wladimir Pirró Y Longo, Livre Docente da Universidade Federal Fluminense, em palestra, discorreu, apoiado pelo gráfico mostrado a seguir, sobre a relação que se pode identificar entre as alterações de hábitos, valores, comportamentos da humanidade, no tempo, em relação direta com a evolução da produção científico-tecnológica gerada pela humanidade.
 
 
Pretende-se explorar o referido gráfico com propósito ligeiramente distinto.
 
Observe-se que o gráfico sugere que, até próximo do que se convencionou identificar como Idade Média, não houve significativas evoluções tecnológicas. A forma de fazer as coisas não sofria alterações significativas ao longo do tempo. Como decorrência, hábitos, costumes, valores, se mantinham.
 
O que se deseja ressaltar é que, naquele contexto, as “referências” tendiam a passar de geração em geração. Uma geração transmitia para a subseqüente suas referências e essa nova geração, tendendo a reeditar comportamentos, tenderia a se sentir mais segura nas suas escolhas.
 
A partir no Renascimento, com mais velocidade após a revolução industrial e, intensamente com a revolução eletrônica, o processo de produção tecnológica se agudizou, trazendo consigo mudanças de hábitos, costumes, valores, tornando os novos “modismos”, a cada tempo, mais efêmeros.
 
Comparando com a reflexão desenvolvida para os momentos de estagnação tecnológica talvez se pudesse dizer que, hoje, uma geração diria a subseqüente: o que se faz hoje, não tem a ver com o que se fazia e não terá com o que se fará.
 
Qual a significância dessas últimas considerações?
 
Se as referências são cruciais para a definição das decisões que a cada instante o ser humano é convidado a tomar e se a construção dessas referências, hoje, passa pela volatilidade da realidade na qual se está inserido, é lícito se supor que fica, a cada tempo, mais difícil se admitir que as escolhas, as decisões a serem tomadas estejam assentadas em referências conscientemente construídas e assumidas.
 
Ora, se assim se admite, decorre a sensação de temor de que as gerações atuais possam estar mais susceptíveis, a serem, progressivamente mais, levadas de roldão pelas circunstâncias da realidade experimentada, correndo o risco de se constituírem em massa de manobra, inocentes úteis, “manipulados” pelos que, na coletividade, disponham de maior “poder” de interferir nessa realidade.
 
Como falar em “liberdade”, então?
 
No próximo artigo, se deseja introduzir considerações a respeito de como as reflexões até aqui desenvolvidas possibilitam que se discuta a relação entre liberdade e democracia.
 
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