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Ubiratan Iorio

Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

Terça, 12 Dezembro 2006 22:00

A Revolução dos Tolos

Ser professor em uma universidade estatal, ou cineasta, escritor, sociólogo, artista ou socialista do Leblon, eis, com poucas exceções, os modos mais fáceis e diretos de ser intelectual sem ler, sem pensar e sem precisar esforçar-se para ligar duas simples idéias.

O que é o que é? É uma figura patética, mas perigosa. Banha-se em uma piscina de petrodólares, mas tem o aspecto de quem não é chegado a uma boa ducha. Tem cara de bobo, mas é esperto e anda armado... Refiro-me ao grotesco e paleolítico coronel Hugo Chávez - o “Chapolim de Miraflores”-, que, mercê de uma farsa democrática, quer perpetuar-se no poder até – vejam! – o ano de 2030... E que, a cada reeleição – que vence sabe-se lá como – apresta-se a mudar sua bíblia, a constituição “bolivariana” de seu país, para moldá-la à sua ganância de poder.

Os escravos de Nabucodonosor da Babilônia “ralavam” vinte horas por dia porque não havia outro jeito, por causa das chibatadas e, em casos extremos, da morte, mas, se tivessem chance, colocariam veneno na lauta refeição do tirano. Hoje, os socialistas, comunistas e “teólogos” de falsas “libertações” criaram outra forma de servidão, desta vez consentida e, até, agradecida. Na América Latina, só são considerados intelectuais os artistas, cineastas, escritores, sociólogos, invasores de propriedades alheias e catadores de lixo que têm a aquiescência e complacência das esquerdas. Como disse Nelson Rodrigues, “não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer”.

Até o século XIX os tolos eram apenas tolos, nada mais do que tolos e que se comportavam como tolos, mas, com Marx e a ascensão das ideologias, descobriram que eram em maior número e revestiram-se de súbita sabedoria, passando a “pensar” pelos preparados e inteligentes, com o apoio da mídia socialista, que infesta os cadernos ditos “culturais” dos jornais. Em outros tempos, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, são os idiotas que pensam pelos melhores, porque ou estes se submetem aos primeiros, ou são por eles engolidos.

Ser professor em uma universidade estatal, ou cineasta, escritor, sociólogo, artista ou socialista do Leblon, eis, com poucas exceções, os modos mais fáceis e diretos de ser intelectual sem ler, sem pensar e sem precisar esforçar-se para ligar duas simples idéias. Basta simular defender uma estranha liberdade, aplicável a eles, mas não aos demais; esganar-se de berrar contra todos os regimes de força de direita, mas levar em sua algibeira a sua ditadurazinha particular e, naturalmente socialista... A Revolução dos Tolos acusa Pinochet, Médici e qualquer outro direitista (especialmente Bush) de carniceiros e ditadores, enquanto entoa hosanas a Lênin, Mao, Guevara, Fidel, Saddam, Morales, Chávez e outros monstros autores de crimes bem mais brutais, como se fossem deuses “libertadores”. Voltemos a Nelson Rodrigues: “a URSS, a China e Cuba são nações que assassinaram todas as liberdades, todos os direitos humanos, que desumanizaram o homem e o transformaram no anti-homem, na anti-pessoa. A história socialista é um gigantesco mural de sangue e excremento. Tão parecidos, Stalin e Hitler, tão gêmeos, tão construídos de ódio. Ninguém mais Stalin do que Hitler, ninguém mais Hitler do que Stalin”.

Na América Latina o marxismo adquiriu uma forma difusa, volátil, caleidoscópica e etérea. É-se marxista sem estudar, sem pensar, sem ler, sem escrever, nem – seria exigir demais! – pensar, pois basta respirar e assumir ares de “socialmente engajado”. Vêem-se em cada beco “amantes espirituais” de Chávez e outros idiotas perigosos, formados por jornalistas, sociólogos, intelectuais, ex-frades, poetas, cineastas, taxistas e bombeiros hidráulicos. Só falta porem na parede retratos do pelintra, em uma pederastia fantasiada, idealizada, utópica, porno-fotográfica...

Sua raiva contra a pobreza e a má distribuição de renda é altamente profissional. Essa gente vive da fome dos que morrem de fome, mas em plena abundância. “Bolivariana” - é claro...

Segunda, 04 Dezembro 2006 22:00

Ovelhas e Lobos

Precisamos entender de uma vez que o legal nem sempre é justo e que não há justificativa moral para proteger com tarjas bandidos covardes, apenas porque ainda não completaram 18 anos.

O crime no Rio de Janeiro atingiu as raias do intolerável, o que nos remete a uma oportuna declaração do Primeiro-Ministro britânico Tony Blair, a de que “uma sociedade decente não se baseia em direitos, mas em deveres”. Precisamos entender de uma vez que o legal nem sempre é justo e que não há justificativa moral para proteger com tarjas bandidos covardes, apenas porque ainda não completaram 18 anos. E respeitar a máxima irretorquível de que, se a lei é para ser cumprida, não podemos esquecer que, para tal, precisa ser justa. Afinal, são as regras de conduta que existem para os homens corretos ou são estes que existem para elas? A foto sem tarja do menor que assassinou, covarde e friamente, uma empresária no Leblon - que o JB, corajosamente, estampou na primeira página da edição do dia 26 passado, um domingo -, fez chover na redação muitas cartas de leitores, a maioria apoiando a atitude. Mas sempre há os que, embora aparentemente bem intencionados – um atributo necessário, mas não suficiente para livrá-los um dia do inferno – teimam em defender “di menores” useiros e vezeiros em furtar, roubar, assaltar e assassinar cidadãos de bem. Têm obviamente razão quando alegam que nosso sistema prisional, em particular no que diz respeito à recuperação de infratores contumazes, é uma vergonha e uma indecência. A solução do atual descalabro em termos de criminalidade, certamente, passa por pesados investimentos nesse sistema, que deseduca, abrutalha e exacerba vícios, ao invés de educar, recuperar e ensinar virtudes. Mas transita também – e negar isto é demagogia ou pura ignorância – pela reforma do atual Estatuto do Menor, um instrumento, como tantos outros, bem intencionado, mas que só tem contribuído para elevar ao estado de calamidade pública a incidência do crime, já que o torna compensável, em nossa cidade tão querida e tão maltratada.

Quantas pessoas de bem – ricas ou pobres - ainda precisarão ser roubadas, assaltadas, estupradas, seqüestradas e assassinadas para que o calamitoso quadro presente comece a ser revertido? Quando os políticos entenderão que é necessário investir na ampliação e modernização do sistema prisional? Quando os defensores de pretensos direitos humanos (de criminosos) – de resto, um pleonasmo e artimanha politicamente correta – compreenderão que os humanos direitos estão cada vez mais se engaiolando em suas próprias casas, evitando sair delas, gastando com medicamentos, psicólogos e psiquiatras por conta do estado de estresse permanente em que vivem e com seu “direito de ir e vir” conspurcado? Quando a União, o governo estadual e o município deixarão de desperdiçar a receita dos tributos que exaurem o contribuinte carioca com dispêndios supérfluos ou, no mínimo, questionáveis e passarão a gastar em presídios e na efetiva recuperação de delinqüentes? Quando empresas públicas, como a endeusada Petrobras - em demonstração de autêntica responsabilidade social –, redirecionarão os vultosos recursos que atualmente despendem com ONGs ligadas a interesses políticos para a recuperação do sistema prisional? E, enfim, quando a lei vai ser mudada, deixando de proteger marginais e passando a resguardar os direitos de quem estuda, trabalha e respeita o próximo, seja pobre, rico, negro ou branco?

O economista português José Manuel Moreira, professor da Universidade de Aveiro, em conferência proferida há poucos dias no Rio, abordando o importante e pouco compreendido tema da responsabilidade social, pronunciou uma frase lapidar, que devemos sempre ter em mente: “Uma sociedade de ovelhas costuma dar lugar a um Estado de lobos”. Corroboro o meu colega, aduzindo que, enquanto cruzarmos os nossos braços, em se tratando de nossa práxis política, só aparecerão os lobos maus... A reação terá que brotar de baixo para cima, dos cidadãos e dos agentes intermediários entre indivíduos e Estado, para forçar as soluções inadiáveis. Precisamos deixar de nos comportar como ovelhas, para que possamos voltar a viver com tranqüilidade!

Domingo, 26 Novembro 2006 22:00

Quando Morre Um Conservador...

Aliás, se o Chile é hoje uma democracia sólida e uma economia que cresce de forma sustentada há muitos anos, a “culpa” é de Friedman e dos Chicago Boys, como são pejorativamente chamados seus ex-alunos e seguidores...

No último dia 16, faleceu o Prof. Milton Friedman, aos 94 anos, nos Estados Unidos. Laureado com o Nobel de Economia em 1976, notabilizou-se por sua defesa intransigente da liberdade nos campos econômico, político e de consciência. Considerado o pai do monetarismo, doutrina que, partir dos anos 50, levou para o papel a chamada “tradição oral” da Universidade de Chicago, ousou desafiar o keynesianismo dominante nos cursos de economia no mundo inteiro. De baixa estatura física, não admitia perder nenhum duelo com alunos ou pares, mas, com coragem e forte equipamento intelectual, foi um dos gigantes da liberdade, ao lado de outros valorosos economistas, que não se deixaram contaminar pela falácia maior do século XX, a de que as “soluções políticas” seriam superiores aos resultados voluntários do processo de mercado, como os austríacos Mises e Hayek e outros colegas norte-americanos, do calibre de Knight (mais velho), Stigler, Johnson, Becker (seus contemporâneos) e Sargent e Lucas (bem mais jovens).

Friedman foi muito mais do que o “consultor econômico da ditadura de Pinochet”, como nossa mídia – dominada pelos velhinhos da “Irmandade dos Órfãos do Muro de Berlim” – fez questão de frisar nos obituários. Aliás, se o Chile é hoje uma democracia sólida e uma economia que cresce de forma sustentada há muitos anos, a “culpa” é de Friedman e dos Chicago Boys, como são pejorativamente chamados seus ex-alunos e seguidores...

Pois o bom velhinho, além de indicar ao governo militar do Chile o caminho correto das reformas – o que, infelizmente, não aconteceu no Brasil – ousou reafirmar o que era sabido desde São Tomás e os pós-escolásticos: que a inflação, sempre e em qualquer lugar, a par de ser um mal intolerável, é um fenômeno monetário, truísmos considerados crimes de lesa-pátria em plagas latino-americanas, o que levou, apenas no Brasil, a cinco nefandos congelamentos de preços. Aqui, tragicomicamente, ainda se podem ver economistas, colunistas e ministros rupestres dizendo que “afinal, um pouquinho de inflação é até desejável para que o país possa voltar a crescer”... À ignorância econômica embutida em tais afirmativas podemos associar a hipótese plausível de que a memória desses pseudo-“desenvolvimentistas” deve ocupar área semelhante à da cabeça de um alfinete, pois nossa inflação acumulada em quinze anos, de 1980 a junho de 1995, foi de mais de 8 trilhões por cento.

Modernizou a incrível intuição de Richard Cantillon, quando, dois séculos e meio depois, calcado nos avanços da Econometria, mostrou que os efeitos das variações na oferta de moeda sobre a economia real diferiam no curto prazo e no longo prazo. Com isso, demonstrou que não existe dilema, a não ser temporariamente, entre inflação e desemprego e que as políticas ativistas de expansão da demanda apenas aumentam os níveis de emprego e de renda fictícia e transitoriamente. Mostrou também às viúvas do intervencionismo, com outras tintas, o que Hayek já percebera nos anos 30, que, quando os bancos centrais mantêm as taxas de juros artificialmente baixas para “estimular o crescimento”, o efeito de longo prazo é a estagflação; que não existe nada grátis em economia; que liberdade econômica e liberdade política são, cada uma, condição necessária para a outra; e que sai mais barato e é mais eficiente que o Estado pague para que todos possam estudar e ter acesso à saúde do que cuidar diretamente desses setores.

Quando morre um conservador, ao invés de enaltecer-lhe as virtudes, nossas carpideiras socialistas entregam-se à compulsão de rotular-lhe rútilos vícios e de lançá-lo ao choro e ranger de dentes do opróbrio, expurgando-o do noticiário, tal como os regimes totalitários que defendem fazem com os dissidentes...

Mas o mundo perdeu um verdadeiro campeão da liberdade.

Segunda, 20 Novembro 2006 22:00

A Sociedade Livre e Virtuosa

Uma sociedade livre, uma “sociedade de homens livres” – deve sustentar-se em princípios, valores e instituições que lhe garantam a própria essência de liberdade co-responsável.

Uma sociedade livre – ou melhor, para atendermos à advertência do professor austríaco Friedrich von Hayek -, uma “sociedade de homens livres” – deve sustentar-se em princípios, valores e instituições que lhe garantam a própria essência de liberdade co-responsável, liberdade de ou negativa (e não liberdade para ou positiva ) e seus subprodutos de progresso, respeito aos direitos individuais e cooperação, com base no respeito inalienável à dignidade da pessoa humana. O que entendemos por uma sociedade livre e ao mesmo tempo virtuosa? O que vêm a ser liberdade e virtude nos contextos dos três grandes subsistemas que compõem as sociedades, a saber, o econômico, o político e o cultural-ético-moral? Creio que a principal premissa a ser posta, a pedra angular, é a da prevalência dos valores éticos e morais da civilização ocidental, da tradição judaico-cristã sobre a qual erigimos a nossa sociedade. Com efeito, dos três sistemas mencionados, embora cada um tenha seus próprios mecanismos e leis de funcionamento, sabemos que o sistema social é uma complexa interação entre eles e, sem dúvida, o sistema ético-moral-cultural – em particular, a rica tradição do Ocidente, da qual a chamada Doutrina Social da Igreja representa, a meu ver, uma síntese bastante satisfatória, deve prevalecer sobre o sistema político e sobre o sistema econômico. Caso contrário, estes acabam contaminados e apodrecem.

Quatro são os princípios que devem reger uma sociedade livre e virtuosa, a saber: o do respeito irrestrito à dignidade humana, o do bem comum, o da solidariedade e o da subsidiariedade. Seu caráter é geral e são basilares, uma vez que se referem à realidade social no seu conjunto: das relações entre os indivíduos, àquelas que se desenvolvem nas ações políticas, econômicas e jurídicas, bem como às que dizem respeito às inter-relações dos organismos intermediários entre os indivíduos e o Estado e aos intercâmbios entre os diferentes povos e nações. São princípios imutáveis no tempo e possuem um significado universal, o que os qualifica como parâmetros ideais de referência para a análise e a interpretação dos fenômenos sociais, assim como para a orientação da ação humana no campo social, em uma perspectiva ampla, que outro economista austríaco, o Professor Ludwig von Mises, denominava de Preaxeologia.

Esses princípios devem ser analisados em sua unidade, conexão e ligações, cada um deles requerendo a presença dos outros três para que se possa tentar promover uma articulação da verdade da sociedade, mediante a qual cada consciência é instada a interagir com as demais, sob a égide da liberdade e em total co-responsabilidade com todos e em relação a todos. Possuem um profundo significado moral, por nos remeterem aos próprios elementos ordenadores da vida em sociedade.

Os valores sociais básicos são três e são todos inerentes ao princípio da dignidade da pessoa humana, da qual representam o que em economia chamamos de “variável instrumental” e são: a verdade, a liberdade, e a justiça.

Três são também as instituições básicas de uma sociedade virtuosa, a saber: o Estado de Direito, a economia de mercado e a democracia representativa. Apesar destes três elementos, a partir do final dos anos 80, terem experimentado avanços e se tornado consensuais no mundo ocidental, alguns países, em especial algumas repúblicas da América Latina, vêm dando preocupantes sinais de recuos, como a Venezuela e a Bolívia na América do Sul.

Deve existir uma relação de reciprocidade entre os quatro princípios, os três valores e as três instituições de uma sociedade virtuosa e de cidadãos livres, uma vez que expressam o apreço que se deve guardar para com diversos aspectos do bem moral que os princípios objetivam alcançar, servindo como ponto de referência para a estruturação e a ordenação da vida social.

Domingo, 12 Novembro 2006 22:00

Pior Impossível...

O lado bom de julgarmos que pior é impossível é que, implicitamente, estamos admitindo que melhor é possível.

O lado bom – afinal, já dizia São Paulo, omnia in bonum (tudo é para o bem) - de julgarmos que pior é impossível é que, implicitamente, estamos admitindo que melhor é possível... Como pessimismo e realismo são coisas diferentes, é importante levar ao conhecimento do leitor alguns entraves que impedem a nossa sociedade de desfrutar de um padrão de vida melhor, para que os cidadãos brasileiros transformem a letargia atual em sinergia que inste nossos políticos a mudarem o estado das coisas “neste país”. Esta é a tônica do 1º Curso Internacional sobre as Novas Perspectivas da Responsabilidade Social, organizado em conjunto pelo CIEEP e pela Fundação Konrad Adenauer, que está acontecendo na Firjan: mais sociedade e menos Estado. Eis apenas três dos obstáculos acima mencionados.

O primeiro é também uma correção, sugerida por um colega do Rio Grande do Sul, a meu artigo da semana anterior aqui no JB, quando listei os percentuais de impostos sobre os preços finais de dezenas de produtos, para mostrar a autêntica extorsão tributária de que somos – cidadãos e empresas – vítimas. Gostaria de ter errado para mais, mas errei para menos, porque os percentuais verdadeiros são maiores do que os registrados, uma vez que no Brasil os tributos sobre a produção incidem “por dentro” (sobre eles mesmos). O percentual do imposto sobre a gasolina, por exemplo, não é de 57,0%, como registrei, mas de 57/(100-57) = 132,5%; o do telefone não é de 47,9%, mas de 47,9/(100-47,9) = 91,9% e assim para todos os demais produtos arrolados. Nos Estados Unidos ele é cobrado "por fora": você olha uma mercadoria na vitrine, com preço de, digamos, US$ 100, vai comprá-la e o vendedor cobra, por exemplo, US$ 105, adicionando, por fora, o imposto, no caso, de 5%. Aqui, é adicionado por dentro, o que o faz incidir sobre ele mesmo. Se você compra uma mercadoria por R$ 100,00 e vende-a por R$ 150,00 o lucro embutido sobre a venda é de 50/150 = 33,33%, mas sobre o custo é de 50/(150-50) = 50%. O governo costuma dizer que a alíquota é, no caso, de 33,33%, quando, na realidade, é de 50%.

O segundo decorre também de nosso manicômio tributário e diz respeito ao recente ranking elaborado pelo Banco Mundial (Bird) e a Price Waterhouse Coopers, que colocou o Brasil no último lugar em tempo gasto para o pagamento de impostos, em um total de 175 países pesquisados. De acordo com o levantamento, as empresas brasileiras levam em média 2,6 mil horas em todo o processo, enquanto a média geral é de 332 horas. O estudo comparou alíquotas, número de taxas e tempo gasto para apuração, pagamento e controle de impostos nos 175 países e verificou que as economias do leste da Ásia são as que oferecem condições tributárias mais favoráveis às empresas. Na América Latina, nenhuma nação aparece entre as 10 melhores da lista. Além disso, o total de tributos pagos no Brasil equivale a 148% do lucro bruto das empresas, ao passo que na América Latina representa 53% e nos países da OCDE, 45%. Quanto à facilidade para o pagamento de tributos, o Brasil aparece em 140º lugar. Com a elevadíssima carga tributária e sua inextricável complexidade, as empresas são forçadas a manterem estruturas paralelas – que lhes custam caro – para ficarem em dia com o fisco, ou para encontrar clareiras na selva fiscal que lhes permitam pagar menos.

O terceiro é que se leva, em média, 152 dias para obter-se autorização para abrir uma empresa “neste país”; na América Latina, 71 dias, na Europa, 1 mês e em outras plagas, como EUA, Nova Zelândia e Austrália, menos de uma semana. Para fechar uma empresa, 10 anos...

Responsabilidade social não é apenas exigir que empresas sejam compulsoriamente “caridosas”, nem esperar tudo das ações do Estado, mas um mutirão da sociedade, voluntário e consciente, uma verdadeira cidadania que reduza substancialmente o “custo Brasil” e venha a colocar esse Estado espoliador a serviço do bem comum.

Sábado, 28 Outubro 2006 21:00

Liberais do Brasil: Acordai!

Defender idéias decrépitas e comatosas de estatização é como torcer pelo Football and Athletic Club, da Tijuca, time extinto em 1907.

Escrevo antes de saber quem venceu a eleição para presidente, mas estou convencido de que estas linhas, infelizmente, aplicam-se aos dois candidatos e, portanto, têm implicações sobre os rumos de nossa economia, cultura e sociedade nos próximos quatro anos, pelo menos. Refiro-me à extemporânea, senil e caquética acusação, usada na campanha pelo PT e endossada pelos tucanos – sem qualquer surpresa para quem sabe que ambos os partidos são de esquerda e, portanto, embora divergindo em grau de miopia, abraçam uma visão demodée sobre o papel do Estado -, de que o candidato do PSDB venderia alguns elefantes estatais, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a ECT e o proboscídeo maior, ícone do “nacional-estatismo” tupiniquim, que Roberto Campos, apropriadamente, denominava de “Petrossauro”. Em meio à mentira – sim, mentira, pois jamais passaria pela cabeça de social-democratas a boa idéia de vender essas idolatradas empresas – as baboseiras de sempre com relação ao governo de Fernando Henrique, que teria “torrado o patrimônio público, fruto do suor do povo, a preços de banana”, quando, em boa hora, privatizou alguns setores de nossa economia, esquálida de tanto ser devorada pelos dentes afiados do Estado.

O que fez o candidato tucano? Se fosse um liberal, teria tomado duas atitudes: declarar que venderia de fato as referidas empresas e mostrar que isto seria altamente benéfico para os contribuintes, como, de resto, para o país. Mas preferiu desmentir. Argumentos não lhe faltariam, já que seria suficiente, se tivesse convicção, dirigir-se ao povão e mostrar, primeiro, que os tais “preços de bananas” foram definidos em leilões públicos; segundo, lembrar o sucesso – apoiado em profusão impressionante de números – dos casos, dentre outros, da telefonia, da Vale do Rio Doce, da Usiminas e de Volta Redonda; e terceiro, demonstrar como os referidos paquidermes vêm sendo usados, há muito tempo, com destaque para o atual governo, como fontes de empregos para apadrinhados de quem detém o poder, de privilégios para funcionários e de uso inadequado – e algumas vezes ilegal – de recursos públicos para promover este ou aquele grupo político.

Apenas nos últimos quatro anos – período a que Campos teria se referido, se ainda vivesse, como “petelhato” – houve três diretores do Banco do Brasil, dois da ECT e um presidente da Caixa, ligados a episódios contrários à ética (e lesivos ao tal “patrimônio público”), para não nos referirmos ao seu inchaço por companheiros e ao uso indefensável de verbas publicitárias da Petrobrás para financiar coisas como a revista do grupo de desordeiros conhecido como MST. Patrimônio público ou de políticos, partidos e falecidas ideologias?

A verdade é que não há a menor possibilidade de avanços para o nosso pobre país enquanto, de um lado, prevalecer a idéia retrógrada de que as estatais são patrimônio do povo e, de outro, os nossos liberais não perderem a inadmissível vergonha de se assumirem como tal, organizarem-se em um partido realmente representativo e combaterem de peito aberto, com a força dos argumentos, os oráculos do atraso, agora ressuscitados e em macabro alvoroço. Até lá, continuaremos condenados a votar em Fulano, não porque representa nossas idéias, mas porque acarretará um mal menor do que Beltrano, ou seja, seremos mantidos – por absoluta incompetência e falta de patriotismo de nossa parte – prisioneiros do duopólio político PSDB-PT.

Defender idéias decrépitas e comatosas de estatização é como torcer pelo Football and Athletic Club, da Tijuca, time extinto em 1907 e que disputou o primeiro título carioca com o Fluminense... Mamma mia, quem tem que se envergonhar não somos nós, são eles! Mas, lembremos, vivemos no Brasil...

Liberais brasileiros, eis o desafio: acordai, levantai-vos e caminhai!

Sábado, 21 Outubro 2006 21:00

Ética Tétrica

Temos uma tarefa gigantesca pela frente: a de mostrar que o certo é certo e o errado é errado. Precisamos abolir a ética tétrica, medonha e sinistra, que nos ronda como um abutre.

Vivemos uma época em que a ética foi transformada em grife, em valor agregado à mercadoria, em produto de marketing político e em assunto obrigatório até em ambientes onde se costuma agredi-la quotidianamente. Mas, ao longo dos séculos, filósofos e teólogos debruçaram-se sobre este precioso tema, produzindo memoráveis páginas de profunda reflexão. Durante a XVII Semana de Filosofia e Teologia, promovida a partir de hoje pelo Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese do Rio, pela Faculdade Eclesiástica de Filosofia João Paulo II e pelo CIEEP, tal tradição será resgatada, buscando apontar subsídios para legitimar os comportamentos de um homem cada vez mais atônito diante do vazio ético com que se depara na era denominada de pós-modernidade.

Todas e quaisquer normas são legítimas? Não deve existir nenhuma forma de julgamento da validade dos costumes morais? A ética se propõe a pensar criticamente essas questões e a tentar respondê-las, porém sem ser entendida como pura teoria, mas, principalmente, como um conjunto de princípios e disposições voltados para orientar a ação humana, a praxis.

Quando lemos, aqui mesmo no JB, um teólogo desgarrado, a serviço do marxismo mais barato, escrever, confessando-se influenciado por feministas sabidamente a favor do aborto, que haveria - verdadeiro absurdo! - uma “ética masculina” contrapondo-se a uma “ética feminina” (sic) e uma “ética da justiça” em cotejo com uma “ética do cuidado” (sic); quando nos deparamos, em um outro jornal, com as declarações de um cineasta, especializado em obter recursos públicos para produzir odes ao comunismo com ressaibos de pornografia, afirmar, para justificar seu apoio ao PT, como aquele ator de novelas já o fizera – duas confissões explícitas de deslavada cumplicidade! -, que “a ética política é elástica” (sic); quando assistimos ao desplante com que alguns dos quadrilheiros denunciados pelo Exmo. Procurador Geral da República tentam desviar a atenção dos eleitores dos gravíssimos problemas éticos deste governo para outros temas, ao mesmo tempo lembramo-nos de Goebbels, o marqueteiro mor de Hitler, de Lenin e de outros totalitários assassinos da mesma estirpe, para quem os fins (a perpetuação no poder) justificariam sempre os meios, aí incluídos assassinatos em massa de dissidentes. Ora, acontece que a questão ética não é de fins (todos concordamos com a erradicação da pobreza e o estabelecimento de uma autêntica democracia social), mas, essencialmente, de meios, de escolher as (boas) ações pelas quais poderemos obter os ideais almejados!

A ética existe como medida para os indivíduos, com vistas a tornar a sociedade mais humana, preservando a dignidade dos cidadãos. Cavalos e porcos não precisam de ética, mas a pessoa humana, a única das criaturas revestida de dignidade, não pode prescindir dela para que possa, inclusive, viver na companhia de seus semelhantes. Existe um verdadeiro supermercado de sistemas éticos, no bojo do maior dos males do mundo atual, que é o relativismo moral. Assim, sob os disfarces da “preocupação social” e da “igualdade”, os tétricos da ética pensam justificar praticamente tudo, desde pecados veniais até crimes bárbaros. Se alguém quiser matar seu semelhante, ou estuprar, ou invadir propriedades, ou roubar, ou assaltar, ou pagar propinas e mensalões, ou forjar dossiês, ou mentir, ou enganar os eleitores, ou usar verbas públicas para fins de perpetuar-se no poder, ou caluniar, ou mesmo fingir que de nada sabe, tudo, caro leitor, tudo mesmo pode ser justificado por uma “ética” convenientemente montada, derivada do relativismo.

Temos uma tarefa gigantesca pela frente: a de mostrar que o certo é certo e o errado é errado. Precisamos abolir a ética tétrica, medonha e sinistra, que nos ronda como um abutre.

Quarta, 11 Outubro 2006 21:00

É A Ética Que Está em Jogo!

São de impressionar as contorções verbais que o referido ex-ministro e outros acólitos petistas, como Tarso Genro e Marco Aurélio Garcia, vêm espasmodicamente desenvolvendo, como se fôssemos um bando de parvos.

“Três coisas um homem de bem não deve fazer: comprar mula desdentada, casar com mulher mal falada e votar no PT”... A sábia frase no pára-choque daquele caminhão, em uma esburacada estrada mineira – com a ressalva de que há pessoas desinformadas, mas de bem, que ainda crêem no presidente – cabe para encabeçar este artigo, de um brasileiro que, se não se sente enganado, porque jamais votou na estrela vermelha, vem sendo sucessivamente ultrajado por tantas agressões à ética, à moral e aos bons costumes cometidas por um governo, que, no dizer do então ministro José Dirceu, “não roubava e nem deixava roubar”...

São de impressionar as contorções verbais que o referido ex-ministro e outros acólitos petistas, como Tarso Genro e Marco Aurélio Garcia, vêm espasmodicamente desenvolvendo, como se fôssemos um bando de parvos. O amigo de Waldomiro, tentando desviar a atenção dos leitores do escândalo do dossiê que estourou pouco antes do primeiro turno, vem tentando atribuir à oposição e à “mídia conservadora” (sic), aqui no JB – sempre revelando total ignorância em Economia -, um pretenso “moralismo farisaico” (sic), um “falso moralismo” (sic) que estaria tornando “opaca” (sic) a questão central a ser debatida na eleição. Tentativas de desqualificar os adversários com base em mentiras sempre fizeram parte dos manuais gramscianos, mas precisam ser repudiadas e desmascaradas com veemência.

Ora, quem é o grande fariseu? Quem consumiu décadas em denúncias raivosas? Quem sempre se julgou monopolista da moral? Quem, no final de 1989, derrotado por Collor, mostrou seu caráter despido de ética, montando um antipatriótico “governo paralelo”? E quem se revelou, ao assomar ao poder, absolutamente alheio a qualquer princípio moral? Não foram alguns dos principais nomes do PT, estes, sim, fariseus ideológicos, falsos moralistas, verdadeiros sepulcros caiados? E aquela montanha de dinheiro sujo para pagar o dossiê, é opaca?

A política econômica do PSDB e do PT (?), é a mesma, mas as políticas externas e os projetos políticos são bem diferentes. O Itamaraty de Lula envergonha a tradição de Rio Branco, ao abraçar, sob o comando de Celso Amorim, um terceiro-mundismo equivocado, sob a égide de dois falsos teoremas: (a) “somos pobres porque “eles” são ricos” e (2) “o somatório das pobrezas é igual à riqueza”. E tome alianças com Chávez, Morales, Fidel e outras fantasmagóricas figuras que tresandam o odor de empoeirados livros tomados por traças...

Quanto aos projetos políticos, temos de um lado a social-democracia tucana, no estilo europeu, uma esquerda civilizada e, de outro, a volúpia autoritária de perpetuação no poder, que sempre norteou as ações petistas, desde que o partido foi fundado, uma esquerda raivosa.

Quem é o Grande Fariseu, senão aquele que simula desconhecer todas as bandalheiras praticadas ao seu redor? É impossível, absolutamente impossível, que o presidente não tenha tomado conhecimento delas, a não ser que, ao atributo de iletrado, acrescentemos os de alienado, poltrão, leniente e sem qualquer autoridade, de duvidosa aplicação à sua pessoa. E quem, no passado, bradou colericamente impropérios contra Sarney, Barbalho, Newtão, Quércia e Collor e que agora, em ávida busca de votos, busca agasalhar-se nessas mesmas asas, avariadas pelos ventos pretéritos de tantas acusações, formuladas por ele mesmo e por sua seqüela de súcubos?

É inaceitável que os petistas – alguns dos quais deveriam estar em cadeias - tentem desviar o debate da ética para a economia, pois não é esta a questão em jogo, mas uma gravíssima crise moral, protagonizada por eles próprios! Não se esqueça, leitor, de que o Procurador Geral da República referiu-se à montagem de uma quadrilha para saquear o erário e que legitimar corruptos com o seu voto não é ser mero eleitor, mas conivente e cúmplice de corrupção!

Sexta, 06 Outubro 2006 21:00

A Ética em Julgamento

Eleições que deverão ser decididas desta vez não pelo desempenho da economia, mas pelo julgamento dos brasileiros sobre os valores éticos que vêm sendo tão maltratados nos últimos tempos.

Outubro, mês de eleições. Eleições que deverão ser decididas desta vez não pelo desempenho da economia, mas pelo julgamento dos brasileiros sobre os valores éticos que vêm sendo tão maltratados nos últimos tempos. Este foi, embora com exceções, o ensinamento que pudemos extrair dos resultados do primeiro turno, em que, mesmo elegendo alguns corruptos convictos e contritos, o povo jogou a eleição presidencial para um segundo turno, contrariando os institutos de pesquisa que, sabe-se lá porque escusas razões, apontavam para a vitória ao Apedeuta Maior, o atual presidente, aquele que nunca viu, ouviu ou soube de qualquer coisa, desde que lhe interessasse assim agir.

“Três coisas um homem de bem não deve fazer: comprar mula desdentada, casar com mulher mal falada e votar no PT”... A sábia frase no pára-choque daquele caminhão, em uma esburacada estrada mineira – com a ressalva de que há pessoas desinformadas, mas de bem, que ainda crêem no presidente – cabe para encabeçar este artigo, de um brasileiro que, se não se sente enganado, porque jamais votou na estrela vermelha, vem sendo sucessivamente ultrajado por tantas agressões à ética, à moral e aos bons costumes cometidas por um governo, que, no dizer do então ministro José Dirceu, “não roubava e nem deixava roubar”...

São de impressionar as contorções verbais que o referido ex-ministro e outros acólitos petistas, como Tarso Genro e Marco Aurélio Garcia, vêm espasmodicamente desenvolvendo, como se fôssemos um bando de parvos. O amigo de Waldomiro, mostrando que vergonha é palavra inexistente em seu dicionário revolucionário e tentando desviar a atenção dos leitores do escândalo do dossiê que estourou pouco antes do primeiro turno, vem tentando atribuir à oposição e à “mídia conservadora” (sic), em seus nauseabundos artigos no Jornal do Brasil – sempre revelando total ignorância em Economia -, um pretenso “moralismo farisaico” (sic), um “falso moralismo” (sic) que estaria tornando “opaca” (sic) a questão central a ser debatida na eleição. Tentativas de desqualificar os adversários com base em mentiras sempre fizeram parte dos manuais gramscianos, mas precisam ser repudiadas e desmascaradas com veemência.

Por que o moralismo seria farisaico ou falso e porque julgar quem são os agressores da ética revestiria de opacidade o pleito? Por que luar por valores morais básicos, como honestidade e compostura, em um momento grave como o atual, em que a política nacional submerge na areia movediça de tantos escândalos, seria tentar desviar a atenção dos eleitores?

Ora, quem é o grande fariseu? Quem consumiu décadas em denúncias raivosas? Quem sempre se julgou monopolista da moral? Quem, no final de 1989, derrotado por Collor, mostrou seu caráter despido de ética, montando um antipatriótico “governo paralelo”? E quem se revelou, ao assomar ao poder, absolutamente alheio a qualquer princípio moral? Não foram alguns dos principais nomes do PT, estes, sim, fariseus ideológicos, falsos moralistas, verdadeiros sepulcros caiados? E aquela montanha de dinheiro sujo para pagar o dossiê, é opaca?

A política econômica do PSDB e do PT (?), é a mesma, mas as políticas externas e os projetos políticos são bem diferentes. O Itamaraty de Lula envergonha a tradição de Rio Branco, ao abraçar, sob o comando externo de Celso Amorim, o pintassilgo do Itamaraty, e concebida por Marco Aurélio Garcia, um terceiro-mundismo equivocado, sob a égide de dois falsos teoremas: (a) “somos pobres porque “eles” são ricos” e (2) “o somatório das pobrezas é igual à riqueza”. E tome alianças com Chávez, Morales, Fidel e outras fantasmagóricas figuras que tresandam o odor de empoeirados livros tomados por traças...

Quanto aos projetos políticos, temos de um lado a social-democracia tucana, no estilo europeu, uma esquerda civilizada e, de outro, a volúpia autoritária de perpetuação no poder, que sempre norteou as ações petistas, desde que o partido foi fundado, uma esquerda raivosa.

Quem é o Grande Fariseu, senão aquele que simula desconhecer todas as bandalheiras praticadas ao seu redor? É impossível, absolutamente impossível, que o presidente não tenha tomado conhecimento delas, a não ser que, ao atributo de iletrado, acrescentemos os de alienado, poltrão, leniente e sem qualquer autoridade, de duvidosa aplicação à sua pessoa. E quem, no passado, bradou colericamente impropérios contra Sarney, Barbalho, Newtão, Quércia e Collor e que agora, em ávida busca de votos, busca agasalhar-se nessas mesmas asas, avariadas pelos ventos pretéritos de tantas acusações, formuladas por ele mesmo e por sua seqüela de súcubos e bajuladores?

É inaceitável que os petistas – alguns dos quais deveriam estar em cadeias - tentem desviar o debate da ética para a economia, pois não é esta a questão em jogo, mas uma gravíssima crise moral, protagonizada por eles próprios! Não se esqueça, leitor, de que o Procurador Geral da República referiu-se à montagem de uma quadrilha para saquear o erário e que legitimar corruptos com o seu voto não é ser mero eleitor, mas conivente e cúmplice de corrupção!

Definitivamente, não é a oposição esquerda versus direita que está em jogo, mesmo porque tanto o PSDB como o PT são, ambos, partidos de esquerda. São valores morais e éticos que estarão sob o crivo do julgamento do povo, nessas eleições. Os brasileiros serão chamados a escolher entre carimbar a bandalheira e expulsar os “mensaleiros”, sanguessugas e demais exemplares da espécie. Esperemos que se decidam pela ética.

Sábado, 30 Setembro 2006 21:00

A Bomba-Relógio

Refiro-me à verdadeira bomba-relógio que o governo petista está armando desde o início deste ano, com o fim claro de reeleger o presidente-Pinóquio, aquele que afirma nada ver, ouvir e saber.

Aquele que os brasileiros escolheram ontem – ou serão novamente chamados a escolher, caso haja segundo turno - para nos governar durante os próximos quatro anos, terá uma tarefa bastante ingrata para executar, seja pela impopularidade que provocará, seja pelas dificuldades políticas que terá para levá-la a cabo. Refiro-me à verdadeira bomba-relógio que o governo petista está armando desde o início deste ano, com o fim claro de reeleger o presidente-Pinóquio, aquele que afirma nada ver, ouvir e saber. Não se gasta tanto sem um preço a ser pago, assim determina a inexorabilidade prática que o bom patrício dono da padaria da esquina e o cantante paesano gerente da banca de revistas do bairro conhecem melhor do que muitos PHDs em Economia formados em certas escolas...

Quando governos gastam, necessariamente – e como esta aritmética elementar é incômoda para a maioria dos políticos! – têm que buscar as fontes de financiamento para tal, que são apenas quatro: emissão de moeda (que gera inflação), aumento na tributação (que sufoca a livre iniciativa), maior venda de títulos públicos (que eleva a taxa de juros) e contratação de dívida no mercado internacional (que debilita as contas externas do país). Ora, o governo petista, coincidentemente ou não, depois da saída de Palocci da Fazenda, da proximidade das eleições e da sucessão de incríveis escândalos envolvendo pessoas muito próximas ao presidente, resolveu abrir escancaradamente as “burras” fiscais, sem a menor cerimônia. Por outro lado, o Copom, desde setembro do ano passado e, portanto, há mais de um ano, vem reduzindo paulatinamente a taxa Selic, em parte porque havia mesmo algum espaço para baixá-la e em parte também por conta das eleições; a carga tributária, de cerca de 40% do PIB, não tem mais como continuar crescendo; aumentar a dívida externa pública, por ser uma alternativa que já causou muitos problemas no passado recente, está fora de cogitações e permitir expansões acima do desejado na oferta de moeda, além de não fazer mais parte do cardápio de qualquer governante responsável no mundo de hoje, nos remeteria de volta ao triste período em que os brasileiros, especialmente os mais pobres, foram devastados por um processo inflacionário absolutamente ensandecido.

Como o futuro presidente irá desarmar a bomba-relógio do financiamento da orgia orçamentívora que vem ocorrendo nos últimos meses para reeleger o atual? Bem, se este senhor for reeleito – diria um passante distraído – ele que se “vire”, de acordo com o ensinamento que manda Mateus cuidar dos filhos que pôs no mundo. Só que, seja lá o que se passa na cabeça de alguém que nada vê, sabe e vê à sua volta, na condição de presidente, acabará afetando toda a população.

Quem quer que seja o ungido pelo povo, parece-me que a agenda mínima a ser cumprida deve começar por uma reforma política com vistas à obtenção de maioria estável no Congresso e, a partir desta, por um pacote que contemple as reformas do Estado-elefante, a saber, a tributária, a previdenciária, a trabalhista, a administrativa, a desburocratização, o desmonte do aparelho partidário inoculado no serviço público e a autonomia do Banco Central. Estamos adiando essas reformas desde o início dos anos 90 e, curiosamente, os sucessivos governos desde então vêm sendo “xingados” de neoliberais...

A esta altura do campeonato, Lula, mesmo se reeleito, não disporá do capital político que detinha há quatro anos, depois de tantos escândalos a milímetros de sua cabeça. Se o vencedor for Alckmin, ainda se pode esperar algum progresso, desde que a agenda acima seja levada a cabo. Mas o primeiro abacaxi a ser descascado é o desarme da bomba-relógio...

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