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Ubiratan Iorio

Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

Domingo, 14 Outubro 2007 22:00

Pois É...

Pois é. Está difícil viver no Brasil. Muito difícil. E a raiz de nossa triste situação é a podridão moral que se espalha por toda a sociedade.

Pois é. Está difícil viver no Brasil. Muito difícil. E a raiz de nossa triste situação é a podridão moral que se espalha por toda a sociedade, dos humildes aos coroados, dos bacharéis aos iletrados, dos goleiros aos avançados, dos mansos aos enfezados e que se alastra pela economia e a política, contaminando-as irremediavelmente. Há indícios de alguma percepção da infecção, mas não há sinais claros de que as pessoas lúcidas e de bem estejam prontas para uma ação moralizadora. Não me reporto apenas ao governo atual, embora, inquestionavelmente, ele seja co-responsável pela situação, mas à sociedade, aos hábitos, usos, costumes e instituições, de que o governo de Lula e seus companheiros e aliados sedentos por cargos é apenas um dos elementos.

Que mundo é este em que, para vencer na vida, basta a uma mulher ter um caso com um político, artista ou esportista famoso, deixando-se engravidar, e pronto: será capa de revistas de nudez, terá independência financeira e, muito provavelmente, um programa para apresentar na TV? Será que quem compra revistas desse tipo, ou assiste a programas do gênero, sabe que está contribuindo para a derrocada da ética do trabalho? Pois é.

Que droga de sociedade é esta, em que as pessoas, quando saem de casa, o fazem com medo de serem vítimas de alguma violência? E em que, se forem da chamada “classe média”, ainda serão responsabilizadas - por Ongs, sociólogos e magistrados engajados - pela brutalidade de que são vítimas? Será que os defensores de “direitos” de bandidos sabem que uma das causas do crescimento do crime é justamente a sua postura? Pois é.

Que país lamentável é este, em que o próprio presidente, em mais uma sandice das que comete diariamente, afirma que o choque de gestão de que o Estado carece será feito quando contratar mais gente? Será que a ministra da Casa Civil, quando afirma ser um “delírio tupiniquim” pretender que os cargos públicos sejam ocupados por pessoas competentes e de moral reta, sabe que está passando publicamente recibo de sua própria incompetência, já que seu cargo corresponde ao de uma gerente do governo? Pois é.

Que terra infeliz é esta, em que os políticos de oposição, via de regra, só fazem realmente oposição quando lhes convém; em que a opção do eleitor é entre esquerda e esquerda, pois a direita não dá as caras; e em que o presidente do Senado apega-se ao cargo como um carrapato ao cavalo? Será que os políticos que assim agem – e há motivos para crermos serem a maioria – sabem o mal que sua atitude causa ao país? Pois é.

Que dúvida descabida é esta, em que se argüi se os mandatos pertencem aos políticos ou aos partidos, quando são de propriedade do povo? Será que os eleitores percebem que, ao não lutarem pelo que é seu, estão desfigurando a democracia? Pois é.

Que sociedade deteriorada é esta, em que aquela expositora de um seminário sobre ética em uma universidade pública afirma, com ares doutorais, que há um sistema ético para cada situação específica? Será que ela sabe que o relativismo moral e sua teoria do “supermercado ético” justificam qualquer erro, vício, delito ou mesmo crime grave? Pois é.

Que ambiente estragado é este em que, quando alguém manifesta indignação contra o estado de coisas que prevalece em Brasília, é incontinenti taxado de “raivoso”? Será que os que assim julgam sabem que estão cavando a própria sepultura, ao aceitarem, por cegueira partidária, burrice ou pura covardia, o que não pode nem deve ser aceito? Pois é.

Enfim, que triste Brasil é este, em que, no Dia do Mestre, que hoje se deveria comemorar com alegria, respeito e reconhecimento, podemos seguramente perguntar: alegria? Respeito? Reconhecimento? Pois é...

O problema da educação no Brasil não de é falta de verbas, mas de excesso de verbos. De discursos por parte da miríade de pedagogos de gabinete, muitos dos quais jamais puseram os pés em uma sala de aula.

O problema da educação no Brasil não de é falta de verbas, mas de excesso de verbos. De discursos por parte da miríade de pedagogos de gabinete, muitos dos quais jamais puseram os pés em uma sala de aula como docentes, que iludem quem não está habituado a ligar causas e efeitos, mas que padecem de graves equívocos: são centralizadores, intervencionistas, burocráticos e ideologicamente enviesados.

Os “sábios” da Capes que avaliam os pesquisadores interessam-se somente em anotar em que publicação os resultados das pretensas pesquisas foram divulgados; não cogitam entrar no mérito da qualidade nem avaliar sua relevância para a economia do país. Nas áreas das ciências exatas, por exemplo, na matemática e na física, um dos principais objetivos do pesquisador deve ser o de ver o seu teorema, teoria, fórmula ou equação ser reconhecido no meio científico-acadêmico, o que conseguirá se for aceito para publicação em uma revista ou periódico científico comprovadamente reconhecido. É assim que a ciência costuma avançar. O Brasil, estimula os docentes dos cursos de pós-graduação a serem teóricos sem compromissos práticos, desligados do mundo real. De que vale para o país um pesquisador universitário com doutorado no exterior – pago com recursos públicos -, se a sua maior preocupação é com a cobrança quanto ao número de artigos publicados?

Como nas áreas tecnológicas, dependendo da qualidade da revista, a publicação internacional costuma ser muito difícil e demorada, a “saída” encontrada foi criar um montão de revistas nacionais, muitas delas com nomes em inglês - Brazilian Journal of Qualquer Coisa -, sem qualquer tradição e financiadas com os impostos que pagamos, em que as “contribuições para o avanço da ciência” são facilmente publicadas. Quem entrar na Internet e observar os comitês editoriais de muitas dessas revistas reputadas como “científicas” perceberá que, com honrosas exceções, são integrados por burocratas congênitos, irrelevantes no contexto científico-acadêmico de sua área de atuação, mas politicamente “engajados”. Muitos são docentes “pesquisadores” que poucas aulas ministram, o que lhes dá tempo para participar de reuniões em Brasília, em que, como consultores, além de aumentarem os proventos, ajudam a formular, votar e pôr em prática as nefastas políticas, bem como para militar na “política universitária”, praga que transformou as universidades públicas, com raríssimas exceções, em extensões de partidos políticos (quase sempre de esquerda), invertendo a relação de causalidade: ao invés de gerar idéias para serem absorvidas pelos partidos, estes é que influenciam os meios acadêmicos...

Os países que obtiveram êxito na educação também motivam seus físicos e engenheiros pesquisadores a contribuições intelectuais teóricas, divulgadas por meio de artigos científicos publicados em revistas e periódicos realmente consagrados, mas valorizam o compromisso desses profissionais com o mundo real. Neles, a pesquisa que resulta em uma patente, ou em um novo processo industrial, ou que ajuda a resolver um problema prático de uma empresa privada ou pública, vale tantos ou mais pontos do que o artigo acadêmico que simplesmente divulga uma idéia. Em alguns desses países, o governo gasta menos em educação como porcentagem do PIB quanto no Brasil e o pesquisador não tem emprego vitalício como aqui: ele tem que produzir, não só artigos acadêmicos, mas resultados práticos que financiem as pesquisas e, muitas vezes, seus próprios salários. O Ministério da Educação e seus braços – e, por contágio, as 27 secretarias estaduais e as mais de 5.560 municipais -, se não existissem, fariam menos mal à educação “deste país”!

O leitor pode, em sã consciência, arriscar-se a dizer quando um brasileiro ganhará algum prêmio Nobel na área tecnológica?

É o estilo PT de gerir, segundo o qual “mais sempre é preferível a menos, quando se trata de preencher cargos públicos com companheiros”.

Certos órgãos públicos serviriam muito melhor ao público se, simplesmente, fossem extintos! A Lei n.º 11.502, de 11 de julho de 2007, modifica as competências e a estrutura organizacional da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação. Para o ministro da área, o instrumento legal cria uma “Nova Capes”, que subsidiará o MEC “na formulação de políticas e no desenvolvimento de atividades de suporte à formação de profissionais de magistério para a educação básica e superior e para o desenvolvimento científico e tecnológico do país”. O que Sua Excelência omite é que, para exercer as “novas” funções, que conferem ainda mais poder aos burocratas, a “nova” Capes recebe de presente, na bandeja das nomeações, mais 410 cargos de assistentes e analistas “em Ciência e Tecnologia”, além de 52 cargos adicionais em comissão (DAS), que não exigem concurso para preenchimento.

É o estilo PT de gerir, segundo o qual “mais sempre é preferível a menos, quando se trata de preencher cargos públicos com companheiros”, não importando o bolso do contribuinte e nem preceitos morais e éticos. Segundo apregoam, a presente inchação destina-se a “induzir e fomentar a formação inicial e continuada de profissionais de magistério”. Ora, a própria Secretaria de Educação Superior do MEC, responsável pela regulação, supervisão e avaliação das 2.460 IES do sistema, com mais de 4 milhões e meio de alunos, dispõe de apenas 72 DAS e nenhum assistente ou analista com formação específica para a supervisão do ensino de graduação. Portanto, é injustificável que a Capes, que supervisiona 2.452 programas de mestrado e doutorado, com cerca de 130 mil alunos, mesmo com a ampliação absurda de suas funções, infle mais ainda a sua estrutura.

O Brasil ocupa desonroso lugar nos índices de realização tecnológica computados pela ONU, atrás de países que, em termos de capacidade instalada para a produção científico-tecnológica, são claramente inferiores. A má colocação brasileira reflete diversos vícios, como a falta de integração dos órgãos de fomento à pesquisa, a ineficácia dos incentivos à pesquisa e desenvolvimento, o baixo investimento nas áreas de inovação e, obviamente, a própria Capes - por si só, um hino aos controles burocráticos e ao desperdício. Nessa débâcle, a fundação responsável por mais da metade das bolsas de pós-graduação no país e pela avaliação da pós-graduação stricto sensu, vem servindo mais, na esbórnia a que se dá o nome de “governo do PT”, como um instrumento de aprofundamento de nosso vergonhoso atraso.

A política que aplica nas avaliações dos cursos é centralizadora, ultrapassada, ineficaz, mecânica e desprovida de inteligência e induz os pesquisadores de nossas universidades a preocuparem-se mais em publicar seus artigos “acadêmicos” – que nem sempre são de fato acadêmicos -, para que a sua instituição alcance uma boa nota na avaliação trienal, do que em produzir ciência e tecnologia com resultados positivos para o país. É um erro crasso prestigiar mais os papers acadêmicos - que, muitas vezes, são publicados em revistas “científicas” irrelevantes -, do que pesquisas que possam resultar em inovações tecnológicas, patentes industriais e geração de riqueza material e intelectual para o Brasil. É a política do paper acadêmico pelo paper acadêmico, sem qualquer preocupação quanto à eficácia dos resultados, em que o artigo publicado não é mera conseqüência, mas o fim próprio da pesquisa: não é o cavalo que sacode o rabo, mas o rabo que balança o cavalo... O objetivo, adulterado, passa a ser o de publicar a qualquer custo, inclusive ao imenso custo do esbanjamento de recursos escassos, em um país pobre.

Domingo, 23 Setembro 2007 21:00

O Ritornello

Quem defende hoje a prorrogação da excrementícia CPMF é quem ontem, na oposição, a condenava furiosamente e quem agora deseja o seu fim é quem, quando no poder, a inventou, manteve e até elevou a sua alíquota.

 

Uma sociedade que sistematicamente sacrifica princípios em benefício de casuísmos não pode queixar-se de que os políticos sejam farinha do mesmo saco. Quem defende hoje a prorrogação da excrementícia CPMF é quem ontem, na oposição, a condenava furiosamente e quem agora deseja o seu fim é quem, quando no poder, a inventou, manteve e até elevou a sua alíquota. Não há motivo para espanto quando o presidente, exercitando seu riquíssimo vocabulário, argumenta que “nenhum governo do PMDB, do PSDB, do PT, do PFL (acho que quis dizer DEM) ou de qualquer outro partido conseguiria governar o país sem a CPMF”. Nem quando arremata: “qualquer pessoa de juízo, a não ser os que querem inviabilizar o país, sabe que não poderia abrir mão (da CPMF)”. Tem razão. Somente na Casa Civil, são 149 cargos, dos quais 109 estão ocupados. É preciso arrecadar para preencher os 40 restantes... Trata-se do ritornello – estrutura musical periódica que consiste na sucessão de três segmentos, um expositivo, um desenvolvente e um conclusivo. No caso da CPMF, o expositivo é a choradeira da situação, o desenvolvente os conchavos que faz para mantê-la e o conclusivo a sua perpetuação.

Os governos, universalmente, assemelham-se aos peixes ornamentais: quanto mais comida colocamos no aquário, mais eles comem, até morrerem. Só que, no caso, quem morre é o contribuinte, especialmente a classe média... Ronald Reagan, um dos poucos governantes que reduziram impostos, expressou isto de forma mais elegante, que acabou conhecida como lei de Reagan: “o imposto cria a sua própria despesa”.

A CPMF - uma dentre tantas aberrações tributárias - precisa ser fulminada, assim como a maioria dos mais de 110 tributos que atravancam o desenvolvimento da economia. Até uma irreverente pulga saltitando no lombo de um jegue em Garanhuns sabe que as despesas públicas vêm crescendo de modo irracional e que a trajetória dos gastos do Estado é insustentável. Mas é conveniente ao governo argumentar que a estupidarrona carga tributária destina-se ou a assegurar superávits primários ou a financiar o “crescimento” (com aspas) econômico. A primeira opção é verdadeira só na fachada, pois desconsidera a baixa qualidade do ajuste fiscal e a segunda é completamente falsa: a evidência empírica mostra que o crescimento não depende de gastos públicos, mas de liberdade econômica, valores éticos e boas leis. E nem um ingênuo querubim crê que os R$ 39 bilhões anuais da CPMF serão destinados a “bons” investimentos, ainda mais em ano de eleições municipais.

Entre 2000 e 2006, o dispêndio consolidado do setor público cresceu 48,8% em termos reais e as despesas com custeio da máquina pública subiram 40,3%. De 2003 a 2006 os gastos federais com pessoal aumentaram 14,3% acima da inflação, medida pelo IPCA. E crescerão mais em 2007 e 2008, pois o governo já anunciou que vai contratar 40 mil funcionários nesse período. A carga de tributos precisa continuar subindo para financiar a orgia, desfazendo qualquer sonho de crescimento auto-sustentado. Gastar mal o dinheiro dos contribuintes sempre foi uma característica dos príncipes, mas o “ético” PT jurava que, com ele, seria diferente...

Os que defendem a extinção gradual da CPMF parecem acreditar em contos da Carochinha. Quem acompanha a economia brasileira e conhece o eterno casuísmo de nossas políticas econômicas, sabe muito bem que ao primeiro solavanco interno ou externo aparecerão vozes do governo bradando que a queda programada da alíquota será impossível. A chantagem de sempre, agora praticada pelo governo e seus asseclas e no passado pela oposição e seus comparsas. O furor de arrecadar só vai ter fim quando a lei obrigar a obediência a princípios e desencorajar as acomodações.

Terça, 18 Setembro 2007 21:00

Aos "46 de Brasília", O Asco dos Justos!

Sinto a obrigação moral de manifestar, em nome de todos os brasileiros de bem, repúdio e indignação com o asqueroso, repugnante e nojento desrespeito ao povo brasileiro perpetrado pelos “46 de Brasília”.

Quem pensa nos quarenta senadores que absolveram o réu e para a meia dúzia de poltrões que preferiram lavar as mãos, dá imediatamente razão a Bacon, quando opinou que a esperança é um bom desjejum, mas um péssimo jantar. Quarenta e seis maus – péssimos! – brasileiros afogaram, em um lago de lama e sob as trevas do voto secreto, a esperança de todo um povo, de que, afinal, um mínimo de ética e credibilidade seria restabelecido. A Nação brasileira está chorando de vergonha. Os brasileiros de bem, de qualquer tendência política, estão decepcionados e sentindo justo nojo de Suas Excelências! A que ponto chegamos! Decorrem quase quatro meses desde que o arrogante absolvido foi denunciado por aquela revista. Nesse tempo, seu doentio apego ao cargo e sua vaidade, bem como a certeza de impunidade, levaram o Senado - indispensável em qualquer democracia - a esvair-se em descrédito e a jazer como está, inerte e inerme, por quanto tempo ainda não se sabe. Se tivesse realmente amor ao país e à coisa pública, o absolvido deveria ter pedido uma elementar licença para defender-se das pesadas acusações que se abateram – e vão continuar a cair - sobre sua cabeça. É intolerável alguém colocar suas pretensões políticas e amor ao poder acima do bem comum e do interesse público, mas quarenta e seis “representantes do povo” não pensaram assim.

Culpado ou inocente das acusações a ele imputadas, a trajetória política do presidente do Senado já é suficiente para revelar total falta de princípios, por mais parecer um minueto ou uma quadrilha, com trocas sucessivas de partido e de pares, sempre no embalo do que executam os músicos transitórios do poder: foi comunista na juventude; em seguida; passou a integrar a tropa de choque de Collor; atualmente, está com Lula; e, se amanhã ou depois o presidente for, por exemplo, alguém chamado Pafúncio, será, certamente, um ardoroso “pafunciano”... Mas está longe de ser o único dentre o conjunto de “suas excelências” a agir assim, sempre flutuando ao sabor das circunstâncias. Precisava ser punido, até para servir como exemplo.

Sinto a obrigação moral de manifestar, em nome de todos os brasileiros de bem, repúdio e indignação com o asqueroso, repugnante e nojento desrespeito ao povo brasileiro perpetrado pelos “46 de Brasília”. Está patente que há quarenta e seis pessoas no Senado que não merecem sequer um emprego público dos mais humildes, quanto mais exercer um mandato popular de senador ou senadora, delegado pelo voto dos que iludiram! Entre muitas outras razões, uma é suficiente: quem, sendo representante do povo, rejeita o clamor popular, não está, logicamente, representando o povo.

A quem pode interessar um Senado enfraquecido, para não dizer nocauteado? Ao governo? Creio que não, pois doravante – e com os seus motivos – a oposição bloqueará as votações importantes. Só se for para, na linha de Chávez, Morales e Rodrigues, sufocar o Parlamento, fortalecer o Executivo e, assim, partir para o tal “terceiro mandato”, algo absolutamente indefensável por qualquer verdadeiro democrata e que precisa ser rechaçado imediatamente! E que não venham alguns torcedores do PT de plantão dizer que estamos vendo chifres em cabeça de cavalos, pois no recém realizado congresso do partido, uma das proposições “tiradas” foi, exatamente, a de acabar com o Senado e partir para um regime unicameral. Por isso, não é nenhum devaneio imaginar que alguns dos senadores que absolveram o réu, especialmente os petistas, o tenham feito com tal aberração em mente. Interessa ao absolvido? Só se ele acreditar que, depois do terremoto, conseguirá, por algum milagre, pôr novamente a Casa em ordem.

A Nação quer saber os nomes dos “46 de Brasília”, para não mais votar neles!

Quarta, 12 Setembro 2007 21:00

Médico? Professor? O Que?

Preocupar-se com as escolhas feitas pelos filhos é uma atitude, a um só tempo, emocional, racional, salutar e necessária.

Preocupar-se com as escolhas feitas pelos filhos é uma atitude, a um só tempo, emocional, racional, salutar e necessária. Opções como a da profissão, do cônjuge, da fé, das leituras, dos hábitos, dos gostos, das amizades e muitas outras, embora sejam decisões pessoais e intransferíveis, devem ser sempre acompanhadas de perto pelos bons pais, no exercício do direito e do dever de orientar os filhos, especialmente quando ainda jovens.

Lembro-me da alegria de minha sogra quando o mais novo de seus filhos resolveu seguir a carreira de Medicina e da que meus pais sentiram quando comecei a ensinar em uma faculdade. Eram outros tempos, em que o relativismo moral ainda permanecia sob certo controle e, portanto, as fronteiras entre o certo e o errado e o bem e o mal eram bem demarcadas e, na média, os políticos eram menos corruptos. Os pais de hoje não diferem dos de ontem, mas as coisas andam tão deterioradas que justificam seu receio quando um filho, a quem tanto amam, anuncia-lhes que decidiu ser médico ou professor. O que seria orgulho sadio e esperança justa já brota tisnado pelas nódoas da dúvida e da inquietação.

Como professores e médicos vêm sendo progressivamente maltratados no Brasil! Como são humilhados! Como estão sendo vitimados pelo crime da deterioração paulatina de suas condições de trabalho! Como sua dignidade profissional vem sendo crescentemente agredida! Como falta senso de bem comum e honradez à maioria de nossos políticos! E como têm sido ineficientes e ineficazes os sindicatos de suas categorias, mais preocupados com proselitismos partidários do que com os que deveriam representar!

É desnecessário descrever o calvário dos que dedicam suas vidas a transmitir os bens mais preciosos que podemos imaginar: a vida e o conhecimento, a boa saúde e a boa educação, o bem do corpo e o do espírito. Basta olharmos para nossas escolas e hospitais públicos. Quanto ganha aquele médico de um hospital do governo que, após tantos anos de estudo e de residência, trabalha com equipamentos deteriorados (quando existem) e apavorado com a iminência de alguma invasão de traficantes para resgatar algum companheiro? O que vem impresso no contracheque daquela professora dedicada que, muitas vezes, precisa levar de casa até giz e apagador e que também vive sobressaltada ante a impendência de eclosão, nas cercanias da escola, de mais um episódio da guerra entre policiais e bandidos, ou porque estes podem “decretar” que, naquele dia ou noite, não haverá aulas, em protesto contra a prisão ou morte de algum marginal?

E pensar, apenas para exemplificar, que o atual ministro da Saúde, diante de tantos problemas, preocupa-se com um plebiscito para legalizar o crime do aborto; que em hospitais públicos em que não há aparelhos para hemodiálise já se realizam cirurgias para troca de sexo; que os pedagogos de gabinete da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, com a anuência e o incentivo do prefeito (um ex-professor universitário!) estão em luta com o legislativo, que colocou óbices à estúpida e nefanda Resolução SME 946, de 25/4/07, que simplesmente assassina a autoridade do professor, ao abolir o “ótimo” e o “insuficiente” das avaliações escolares; e que, na própria Faculdade de Economia da UERJ, estou sem computador há onze meses, pois não há recursos para repor o que pifou.

Por que os políticos de todos os partidos, naquele embuste antidemocrático que é o horário eleitoral gratuito, juram, com nariganga de Pinóquio, respeito à saúde e à educação? Apenas para ganhar votos? Médico? Professor? O quê? Não, meu filho! Perdeu o juízo? Ficou maluco? Você é brasileiro! Por que não segue a carreira política, ou filia-se ao PT ou a algum partido aliado, para ter um emprego público garantido, com DAS? Triste pátria amada e idolatrada, mas sempre saqueada por filhos que não a merecem como mãe gentil...

Sábado, 01 Setembro 2007 21:00

Linguagem Para Embalagem

O método mais sutil e eficiente, fartamente utilizado por regimes totalitários de todos os matizes, para cooptar um povo e moldá-lo a objetivos políticos predefinidos, é o controle do vocabulário.

O método mais sutil e eficiente, fartamente utilizado por regimes totalitários de todos os matizes, para cooptar um povo e moldá-lo a objetivos políticos predefinidos, é o controle do vocabulário. Exemplo atual é a inoculação subliminar, pelos sectários de Gramsci - Il Gobbo , de uma linguagem-embalagem para adornar, com fitas “politicamente corretas”, caixas de conteúdo literalmante vazio. Esse vocabulário – que o ex-ministro petista Nilmário Miranda tentou tornar obrigatório com uma absurda cartilha paga com o nosso dinheiro - , taramelado ininterruptamente em bares, reuniões de artistas e “intelectuais”, passeatas, “atos”, “abraços”, universidades e assembléias de todos os tipos, lido, ouvido e visto incessantemente, acaba criando em suas vítimas o hábito de não pensar, substituindo a lógica pelos chavões e palavras de ordem. Multidões passam a se comportar como autômatos, marionetes, fantoches e bonifrates, escravas de um algoritmo, mas sem raciocínio, lógica e vontade própria. Isto serve bem à “Causa”.

A massificação calculada de palavras doninhas (mamíferos que sugam o interior dos ovos com um minúsculo furo, deixando-os aparentemente intactos), como as batizou o economista e cartunista Scott Adams, demarca uma conveniente área cinzenta entre o bom comportamento moral (o socialismo, naturalmente) e a delinqüência (a liberal-democracia). A senha maga tem seis letras - é a palavra “social”, que, quando pronunciada e confirmada, assegura conduto sem patrulhamento a conselhos e assembléias, reuniões e debates, com a cumplicidade da mídia da insídia. O dialeto injetado em milhões de marionetes, bombardeado diariamente e papagueado por apresentadores de TV e repórteres, ao ser progressivamente absorvido pela maioria das pessoas, transforma-se em prática consuetudinária, que exigirá muitos anos para ser desmascarada em sua farsa.

Quem não usa as expressões mágicas é carimbado como politicamente incorreto e acossado, a ponto de desejar enfiar-se em um buraco e chorar lágrimas de chafariz. Eis alguns exemplos desses verbetes, em ordem alfabética: afro-descendente, aquecimento global, articulação, cadeirante, cidadania, comunidade, consciência (ecológica, política), conservador, cotas, deficiente (visual, auditivo), desigualdades, desmonte do Estado, direitos (civis, humanos, de minorias, sociais), discriminação, dominação, elites, entidades, exclusão, função social da terra, grande capital, grande mídia, história (de vida), Império, inclusão, inconsciente coletivo, justiça social, libertação, mãe-terra, mesa de negociações, minorias étnicas, mobilização, modelo (perverso, concentrador), movimentos sociais, mudanças, opção (sexual, pelos pobres), parceria, patrimônio público, políticas (afirmativas, públicas), potência hegemônica, preconceito, privataria, progressista, projeto de país, reforma agrária, relação, responsabilidade social, soberania, sociedade (civil organizada), sucateamento (da universidade pública). E há muitos outros, Madonna mia!

Assim, ser contra cotas em universidades garante o carimbo de conservador; opor-se ao matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, de preconceituoso; ser a favor da exigência de diploma superior para o presidente do país (já que se requer o de curso médio para um gari), de elitista ou dondoca; sustentar que a função social da terra é uma completa tolice, de servo dos latifundiários... As doninhas jamais o perdoarão e o precipitarão nos abismos tenebrosos e lôbregos do Tártaro, para padecer em eterno choro e ranger de dentes.

Por isso, não há oposição efetivamente liberal-conservadora no Brasil e oscilamos entre PT e PSDB, ou seja, entre o apetite e a apetência... Automatizada, a maioria das pessoas passou a não ter opinião própria, e muitas das que a têm, sendo implacavelmente policiadas pelas doninhas, receiam cair em desgraça e entram no jogo. Pobre país.

Terça, 28 Agosto 2007 21:00

O "Estado Raquítico" de Hunger-Pochmann

Neste governo, em particular, parece viger um terceiro aforismo, que podemos denominar de “Princípio de Camargo”: “quanto pior, melhor para o cargo”...

Certos ocupantes de altos cargos na hierarquia pública parecem crer que os cidadãos são idiotas. Ao tomar posse na presidência do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), agora deslocado – na mais recente contra-dança do minueto que vem ensaiando desde a sua fundação – para a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo (sic), o economista (da Unicamp, naturalmente) Márcio Pochmann, secretário de Planejamento da ex-prefeita paulista, trombeteou a redefinição do papel Estado brasileiro, que, segundo suas doutas palavras, seria "raquítico".

É preocupante que o respeitado órgão da Av Presidente Antonio Carlos 51, abrigo de tantos economistas competentes, passe a ser comandado por quem, contra as evidências, emita juízo - falso e puramente ideológico - de tais proporções. Mais inquietante é que seu atual chefe, o excêntrico, ininteligível e “legendário” professor de Direito de Harvard, de sotaque e idéias tão claros quanto as águas do Tietê, Roberto Mangabeira Unger, o mesmo que há pouco tempo taxara o governo a que hoje pertence de "o mais corrupto da República", tenha debuxado, na solenidade de posse de seu subalterno, a necessidade de uma simbiose “dialética” entre economistas de diversas tendências. Para o simbiôntico professor, ao que parece, se alocarmos em uma mesma pesquisa um economista ortodoxo e uma heterodoxa e se ambos seguirem os nada cândidos conselhos relaxantes da atual ministra do Turismo, virá à luz, em nove meses, um genial bebê “moneterodoxo”, ou “desenvolvimentarista”, superior aos pais... Essa parvoíce hegeliana ignora que tal gestação é impossível, pela mesma razão que ou está chovendo ou não está: são atributos contraditórios, e não contrários, não admitindo meios termos.

Não é preciso explicar, para não subestimarmos a inteligência do leitor, mas é recomendável chamar a atenção para a gravidade das sandices fantasiadas de sabedoria pronunciadas naquele evento. Se nosso Estado é raquítico, só pode ser em termos da eficácia, caráter, eficiência, integridade, ética, moral, correção, idoneidade, honestidade, virtuosidade, dignidade e retidão de propósitos para com o bem comum, com que desenvolve as suas ações. É desnecessário buscar exemplos: basta observarmos que ano após ano trabalhamos para sustentá-lo até o dia 26 de maio, e lembrarmo-nos da própria assertiva do agora “Secretário da Bola de Cristal”, quando o qualificou como o mais deteriorado da República.

Não poucos dos que ocupam ou ocuparam o poder, incluindo vários ministros, ex-ministros, secretários e, obviamente, presidentes e ex-presidentes, não se limitam a validar o pitoresco “Princípio de Peter”, proposto por Laurence Peter em 1969 e hoje considerado um clássico no campo da gestão: "In a hierarchy, every employee tends to rise to his level of incompetence” (em uma hierarquia todo funcionário tende a ser promovido até o seu "nível de incompetência"), a partir do qual já não possui capacidade para exercer a função que ocupa. Vão além: tornam tímida a modificação ao Princípio de Peter proposta por Frey, para quem “há pessoas que sobem três níveis acima de seu nível de incompetência, até a ocasião em que sua incompetência é notada”. Três níveis, só? Mais, por favor... Neste governo, em particular, parece viger um terceiro aforismo, que podemos denominar de “Princípio de Camargo”: “quanto pior, melhor para o cargo”... Como as nomeações são feitas pelas hierarquias superiores, que se encontram num claro "nível de incompetência", podemos deduzir facilmente da máxima de Peter quão rasteiro deve ser o grau de nivelamento.

Estado raquítico no Brasil? “Dialética” entre liberais e intervencionistas? Pensar no “longo prazo”, justo um governo que há 56 meses ainda não deslanchou? Menos, por favor, até porque o grau de QI médio dos brasileiros é bem maior do que os 25 que caracterizam a idiotia...

Quarta, 22 Agosto 2007 21:00

Da Indignação, da Raiva e da Ira

O movimento conhecido como “Cansei”, capitaneado pela OAB de São Paulo, nada tem de irado ou raivoso: é pura e justa indignação em relação ao estado de coisas vigente no Brasil há anos.

Não se deve confundir raiva e ira, que são vícios, com indignação, que, quando envolve um saudável desejo de justiça, é uma virtude. O movimento conhecido como “Cansei”, capitaneado pela OAB de São Paulo, nada tem de irado ou raivoso: é pura e justa indignação em relação ao estado de coisas vigente no Brasil há anos.

A raiva é um sentimento - que difere entre os indivíduos - de protesto, insegurança, timidez ou frustração, que surge quando alguém se sente ameaçado. Suas causas mais comuns são a inveja, o ego, a necessidade de mostrar-se superior aos outros, os estímulos à competição predatória entre colegas de trabalho, a falta de carinho por parte da família (ou a ausência desta) e o caos no trânsito. Manifesta-se pela violência (verbal ou física), ódio e agressividade. É uma enfermidade que carcome de dentro para fora e que gera problemas no sistema nervoso central, disfunção glandular e desequilíbrio psicológico. Sua cura é o perdão. Já a ira é como uma raiva mais intensa, um caleidoscópio de emoções fortes, uma vontade de agressão, por causas acumuladas ou traumas, em que a emotividade subjuga a racionalidade e o juízo normal, podendo levar a atitudes que deixarão arrependimento posterior. Quando forte, pode converter-se em ódio, que leva, pelo uso da razão, ao desejo de vingança e ao prazer com o seu êxito. A ira – emocional - é um sentimento breve, mas o ódio – racional - pode durar uma vida inteira. Contudo, um acesso de ira pode levar a erros mais graves do que os provocados pelo ódio, tamanho seu poder de estimular arrebatamentos maléficos. Por isso, é considerada um dos sete pecados capitais.

E a indignação? É um sentimento que brota naturalmente, uma espécie de revolta interior diante de algo que parece inaceitável. Pode ser má, egoísta e farisaica, quando visa apenas a interesses próprios lesados, mas é salutar quando contempla a dignidade de todas as pessoas na sociedade.A palavra “indignação” refere-se à dignidade negada ou agredida, com a conseqüente revolta. Mas a justa indignação pressupõe capacidade, ou seja, percepção do que é digno para si e para as outras pessoas e requer a cristalização na consciência da dignidade a que cada pessoa humana tem direito. Quem não tem essa percepção não é capaz de indignar-se e, assim, diante de coisas graves, mantém-se passivo. Não tem senso de dignidade. Depende, também, da livre informação, pois é esta que mostra como a dignidade está sendo tratada. As restrições à liberdade de informar e a desinformação ideológica levam ou à passividade ou à indignação injusta.

No Brasil de hoje, existe um conjunto enorme de informações sobre fatos que desrespeitam radicalmente a dignidade humana e é importante que a indignação que hoje sente o cidadão brasileiro desencadeie uma ação ética que nos leve a argüir o que podemos fazer para que essa indignidade tenha um cabo. O movimento da OAB-SP é importante porque sugere que não nos conformemos com a indignidade apenas quando os fatos nos atinjam mais de perto.Aceitar que tudo fique como está é ofender a própria nação. Ademais, manifestar indignação é também uma forma de crer: o próprio Jesus derrubou as mesas do templo e pegou um chicote para manifestar a sua indignação diante da profanação da "casa de oração", que se tinha transformado em uma “espelunca de ladrões” (Lc 19,46). Permanecer passivo e resignado diante do mal e da injustiça não é misericórdia nem mansidão, mas covardia, ou inépcia, ou cegueira ideológica.

Cansei, sim, do manicômio tributário (112 tributos!); da maior carga tributária dentre os países emergentes; dos péssimos serviços do Estado; de um Congresso que só pensa, com raras exceções, em vantagens; de tanta corrupção; de tribunais que não condenam; da insegurança; de um presidente do Senado que não mostra dignidade para, ao menos, licenciar-se; e de um presidente da República sem preparo para governar e que não gosta de governar!

Segunda, 13 Agosto 2007 21:00

A Charanga dos Sacripantas

Lula e seus acólitos por interesse desrespeitam seguidamente o imenso contingente de cidadãos que, democraticamente, discordam deles e de seu modelo construtivista de país, que prima pela supremacia do Estado sobre os indivíduos.

O lulopetismo, hoje incrustado no Estado, sempre teve o totalitarismo socialista de Cuba como objetivo de longo prazo, a ser imposto ao povo brasileiro. Não é por outro motivo que, ao primeiro sinal de insatisfação popular com o presidente apedeuta – aquele que não ouve com os ouvidos, mas com as “orelhas” -, recorre logo à surrada artimanha do contra-ataque, acusando a exaurida classe média de tramar um “golpe de direita”, que é como tenta desqualificar o movimento “Cansei”. Não é por outra razão que está criando uma rede de televisão estatal, desperdiçando recursos escassos, subtraídos da educação analfabeta, da saúde doente, da segurança insegura e da infra-estrutura desestruturada, para formar uma rede oficial de exaltação ao regime e ao líder iletrado, para mostrá-los, respectivamente, como o Éden e o Descobridor. Não é por outro intuito que o seu ex-ministro chefe da Casa Civil, relatado pelo Procurador da República como formador de quadrilha, defende, aqui mesmo no pluralista JB, aberrações como o Conselho Nacional de Jornalismo e a Ancinav e sugere que o Estado precisa estabelecer um “controle social” (por parte da “sociedade dos seus amigos”, decerto) sobre os meios de comunicação. Não é por outro escopo que repatria os pugilistas cubanos evadidos da delegação de seu país e aqui inexplicavelmente aprisionados por terem cometido o “crime” de desejarem abandonar a sua terra. E não é por outra causa que atribui os fracassos contundentes do governo a uma pretensa orquestração da “Grande Imprensa”, que reputa de “conservadora”.

Os sacripantas do lulopetismo - imitações das personagens violentas e de caráter fraco dos poemas Orlando Innamorato, de Matteo-Maria Boiardo (1434-1494) e Orlando Furioso, de Luigi Ariosto (1474-1533) -, que se arvoram em porta-vozes das “democracias populares”, quando, na verdade, não passam de locutores do totalitarismo esquerdista, demonstram sobejamente, em cada discurso (começando pelas tolices presidenciais) ou declaração, em cada entrevista ou artigo, que não estão preparados para conviverem com a discordância verdadeiramente democrática. Karl Popper os desmascarou, em seu brilhante A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, mas quem, “neste país”, dá-se ao trabalho de estudar o grande filósofo e economista austríaco, se nem 1% dos que se dizem esquerdistas sequer leram o outro Karl, aquele do Das Kapital?

Lula e seus acólitos por interesse desrespeitam seguidamente o imenso contingente de cidadãos que, democraticamente, discordam deles e de seu modelo construtivista de país, que prima pela supremacia do Estado sobre os indivíduos. Assim, convocam a militância – esta, sim, teleguiada - contra a “direita” e a “imprensa”, emulando com os nazistas, que lançavam a SS contra seus opositores e com Chávez, que joga irmãos contra irmãos. Por isso, qualquer atitude contrária ao governo é acusada de “tentativa de golpe” contra o melhor presidente desde que o infante D. Henrique, conforme a lenda, fundou, no Algarve, por volta de 1417, a Escola Náutica de Sagres... Seu ícone Fidel, pelo menos, já atingiu o estágio cínico-caquético-revolucionário que o dispensa de qualquer máscara: “oposição para que, se o povo está conosco”?

Os mesmos que, há poucos anos, vociferavam “fora Sarney”, “fora Collor”, “fora FMI”, “fora FHC” e, de resto, “fora qualquer coisa”, alegando que o faziam como “manifestações democráticas”, ao ouvirem o primeiro “fora Lula”, acusam-no de tentativa de golpe. Na charanga dos sacripantas, o vento que venta lá não pode ventar cá...

Quem viveu as agruras de um regime fechado – embora muito menos do que os idolatrados pelo lulopetismo – sabe que a melhor arma das sociedades abertas é o voto. Inácio da Silva deve governar (verbo que é mera força de expressão, pois desde 2003 o país espera por seu governo) até 31 de dezembro de 2010. Dois meses antes, não mais apenas cansados, mas exaustos, exangues, exânimes, estafados, estropiados, extenuados, falidos e mal pagos, por conta de sua incompetência apavorante e fanfarronice arrogante, a era das trevas acabará. Pelas urnas!

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