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Ubiratan Iorio

Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

Segunda, 16 Julho 2007 21:00

Buchanan e os Déficits

Como afirmou com propriedade o Prof. Buchanan, uma das características do século XX foi que, por influência do relativismo moral - de que o keynesianismo foi manifestação no campo da teoria econômica.

Aparentemente, as más conseqüências do hábito que os governos adquiriram, por influência das idéias de Keynes e de seus seguidores, de manterem déficits permanentes e de serem, conseqüentemente, obrigados a financiá-los, são mais compreendidas pelo público em geral do que pelos economistas profissionais. Essa anomalia, percebida pelo Professor James Buchanan, Nobel de Economia de 1986 e mentor da chamada Escola da Escolha Pública (Public Choice School), explica-se pela ênfase ao keynesianismo que os currículos das faculdades de Economia passaram a dar, no mundo inteiro, a partir dos anos 40 e que ainda prevalece, mesmo após o fracasso das políticas de "sintonia fina" e do "Estado do Bem-Estar Social".

A formação intervencionista dos economistas levou-os generalizadamente a crer que, com duas xícaras de política fiscal, algumas pitadas de política monetária, uma colher de sopa de controle cambial, uma raspa de política industrial e um tablete de “criatividade” - tudo isto levado ao forno do prestígio e poder de que passaram a usufruir -, poderiam, usando expressão jactanciosa do próprio Keynes, “transformar pedras em pães”. Mas o homem simples, obrigado a viver de acordo com suas posses, consegue enxergar com mais clareza os malefícios provocados pelos déficits crônicos. Com efeito, enquanto, para a grande maioria dos economistas, déficits são necessários, para o público eles são reflexo de hábitos perdulários. Como afirmou com propriedade o Prof. Buchanan, uma das características do século XX foi que, por influência do relativismo moral - de que o keynesianismo foi manifestação no campo da teoria econômica - a geração de déficits pelo setor público, assim como seus efeitos sobre a inflação, o desemprego e a dívida, deixaram de ser consideradas atitudes moralmente erradas.

Quando um chefe de família gasta permanentemente acima de sua renda, as conseqüências de sua imprudência não tardarão a surgir. Da mesma forma, quando uma empresa opera no "vermelho" durante vários exercícios seguidos, é quase certo que fechará as suas portas (a não ser que seus donos tenham “amigos” em Brasília). Em ambos os casos, para consertar a situação serão necessárias providências severas, com cortes de despesas. A rigor, tanto sob o ponto de vista moral como sob as óticas econômica e financeira, gastar seguidamente mais do que se ganha é uma decisão errada, que, se não corrigida, terminará sendo punida, não por algum carrasco conservador implacável, mas pelas próprias normas que regem a ação humana. O ponto essencial, mas que muitos não conseguem perceber, é que o Estado também está subordinado às restrições de natureza moral, econômica e financeira a que famílias e empresas necessariamente estão sujeitas. Como diria Adam Smith, o que é imprudente para chefes de família e empresários não pode ser prudente para os homens do governo. Keynes, mesmo involuntariamente, forneceu aos políticos o argumento “técnico” que sempre desejaram: gastem, porque isso gerará empregos...

Mas quem vai explicar isto para o deputado federal Pompeo de Mattos, do PDT gaúcho, que acaba de apresentar emenda constitucional propondo mais 5.189 vagas para vereadores, generosidade com o chapéu alheio que, se vier a ser aprovada por nosso patriótico Congresso, anulará resolução do TSE de 2004, que extinguiu mais de oito mil cadeiras nas câmaras municipais? Ou para os economistas da equipe de Mantega, que ainda crêem que o Estado é a grande e inexaurível fonte de geração de riqueza? Ou para o Judiciário, que curte alojar-se em verdadeiros palácios? Ou para este governo petista que vem irresponsavelmente inflando os gastos com pessoal à taxa anual de 13%, ou seja, oito e meio pontos percentuais acima da taxa média de crescimento do PIB real e que agora pretende substituir 30.000 terceirizados por funcionários concursados? Ou para políticos que preferem construir estádios e deixar escolas e hospitais à míngua? Ah, que bom seria essa gente ler The Calculus of Consent, de Buchanan!

Terça, 10 Julho 2007 21:00

Cotas e Lorotas

A ação realmente afirmativa de que carece o país é uma boa educação para todos, sem qualquer distinção, e que premie o mérito. Basta de cotas e de lorotas!

Há poucos dias, a Suprema Corte dos Estados Unidos, em decisão apertada – cinco votos contra quatro – desferiu um golpe letal no denominado princípio de ação afirmativa, ao decidir pela inconstitucionalidade do sistema de cotas étnicas em dois distritos: Seattle, no estado de Washington e Louisville, em Kentuky. Tal decisão deverá firmar jurisprudência, dando margem a ações judiciais contra as cotas, o que poderá pôr fim a essa prática. Entrementes, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o sistema de cotas acaba de ser aprovado...

Ações afirmativas são políticas que têm o objetivo de garantir o acesso à educação ou a empregos a grupos “historicamente não dominantes”, como as chamadas minorias - mulheres, homossexuais, negros e índios -, por meio de tratamentos preferenciais que os beneficiem, dos quais a imposição de cotas é um exemplo.

À época em que ocupava o cargo de diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ, vi com preocupação o governo estadual impor, primeira vez no Brasil, cotas nos vestibulares da universidade, para candidatos afrodescendentes (dos quais a maioria - os mulatos - também são eurodescendentes) e para os originários de escolas públicas. Meu ceticismo era motivado por diversas razões: não há constituição, em qualquer sociedade que se preze, que não abrace o princípio da igualdade perante a lei; reprimindo pessoas qualificadas em favor de pessoas não qualificadas, fere-se a meritocracia; trata-se de uma forma aberta de discriminação; é uma prática do coletivismo; ao gerar ressentimentos contra os beneficiados, incita ao racismo; sob o ponto de vista da economia, as cotas são claramente contra-produtivas; contribuem para piorar a já tão enfraquecida qualidade acadêmica; tenta-se combater injustiças “históricas” mediante novas injustiças e enfrentar discriminação com discriminação - olho por olho e dente por dente.

Apenas com a melhoria da educação básica - e não usando critérios de raça, etnia ou sexo - é que seremos uma sociedade com mais igualdade de oportunidades! Isto é de uma clareza tão visível que é difícil acreditar existirem pessoas que não pensem assim! A luta deve ser por maior igualdade de oportunidades, ou seja, para que todos os cidadãos, indistintamente, tenham acessos semelhantes aos benefícios e que, mediante o esforço e a capacidade de cada um, possam deles usufruir. Não será lançando uns contra outros que construiremos uma grande nação!

O argumento de que as políticas afirmativas reparam “injustiças históricas” pode até ser bem intencionado, mas é uma bazófia que padece de impressionante falta de praticidade: muitos povos, historicamente, sofreram injustiças com guerras e outros flagelos, mas como consertá-las de forma “justa”? Babilônicos, assírios, sumérios, caldeus, amoritas, acádios, godos, visigodos, medos, celtas, samaritanos, cartagineses, etruscos, índios, negros, asiáticos, coríntios, efésios, hebreus e tantos outros... Se, por exemplo, algum remoto descendente de um cidadão da Esparta do general Leônidas fosse descoberto, seria “justo” obrigar um também longínquo descendente do exército de Xerxes da Pérsia a indenizá-lo por aquela injustiça “histórica”? Seria “justo” entregar a Alemanha para os judeus de hoje, a título de reparar os crimes hediondos de que seus pais, avós e bisavós foram vítimas? É “justo” contemplar descendentes de escravos negros com cotas, em detrimento de tataranetos de senhores de engenho, que nem conheceram? Quantas tribos foram massacradas por outras tribos, ainda na África? E quantos brancos, hoje, não serão descendentes distantes de escravos dos romanos ou atenienses, por exemplo?

Boas intenções, apenas, não bastam. Não se corrigem velhos erros com erros novos. A ação realmente afirmativa de que carece o país é uma boa educação para todos, sem qualquer distinção, e que premie o mérito. Basta de cotas e de lorotas!

Domingo, 01 Julho 2007 21:00

Nosso Dinheiro Não é Capim!

O governo, tão eficiente quando se trata de arrecadar, é de uma ineficiência aterradora na hora de gastar. Até quando vamos nos conformar em pagar essa conta?

É evidente que uma avestruz, que pesa de 90 a 150 kg, além de comer de tudo, aboca mais, muito mais, do que uma galinha, com cerca de 1,3 kg. O governo-avestruz do PT é o campeão absoluto da América Latina em número de ministérios: temos, já contando o novo “ministério da bola de cristal” confiado ao ininteligível – nas idéias e no sotaque - professor Mangabeira, 37 pastas de primeiro escalão; a ilha do decrépito tirano Fidel ocupa a vice-liderança com 28 e a Venezuela, do burlesco neo-ditador Chávez, aparece colada e cheia de inveja, em terceiro, com 27. É a combinação nefanda entre o patrimonialismo, que vê novos ministérios como soluções - quando são problemas - e a fragilidade institucional que leva, em nosso regime presidencialista sem partidos programáticos, os presidentes, no afã de obterem apoio político, a criarem pastas e mais pastas, para rateá-las entre companheiros e aliados.

O furor ministerial gera pencas de cargos de confiança que, no nível federal, abrangem desde o DAS 1, equivalente, hoje, a um salário de R$ 1.977, até os disputados DAS 5 e 6, que rendem, respectivamente, R$ 8.400 e R$ 10.488 por mês. Lula, que, quando candidato, jurou moralizar a administração pública, acaba de criar mais 626 cargos de confiança, para “atender à demanda gerada pela criação de mais ministérios para contemplar novos segmentos da sociedade” (é dose para avestruz). Na verdade, isto significa apenas aquinhoar os filiados ao PT e, em menor escala, os aliados de outros partidos que vendem apoio, pois os cargos comissionados são de livre provimento, sendo preenchidos por indicações políticas, sem qualquer vínculo com o serviço público e sem concurso. Aos amigos – tanto os fiéis como os de ocasião - tudo...

Em 1999, início do segundo mandato tucano, o total de cargos comissionados (DAS) já era extremamente elevado: 16.306; em 2003, começo do petelhato, havia 18.374 desses cargos e, atualmente, há 22.228. Eis para onde é destinada uma parte do nosso dinheiro, tomado à força pelo leão da Receita, certamente o animal mais eficiente, em sua insaciável voracidade, do zoológico estatal! E olhem que é uma bela parte: do início do período petista até hoje os gastos anuais com esses cargos experimentaram um crescimento nominal de cerca de 116,3% e um aumento real (descontada a inflação) de 63%, saltando de R$ 4,3 bilhões para R$ 9,3 bilhões, valor que supera o carro chefe da demagógica caravana dos barbudos, o Programa Bolsa Família, que suga R$ 8,7 bilhões anuais dos impostos que suamos para pagar. Se adicionarmos às sinecuras federais as estaduais e aquelas dos mais de 5.560 municípios, entenderemos a escassez de recursos nas áreas fundamentais da segurança, educação, saúde, justiça e infra-estrutura. Se somarmos, ainda, as tais “agências reguladoras”, que foram transformadas em cabides políticos pelo atual governo federal, bem como as estatais, ou infladas ou “ressuscitadas” pelo petismo, saberemos claramente porque a economia só cresce de forma sustentada na visão bufa e cínica do ministro da Fazenda, que, sem usar uma gota sequer de teoria econômica, enxergou nas multidões que padecem nos aeroportos um sinal de que a ordem e o progresso são incontestáveis.

Trabalhamos até o dia 26 de maio de cada ano para pagar tributos. Mas, se adicionarmos o que temos que gastar - em duplicidade - com educação, previdência e planos de saúde privados, porque, com justa razão, não confiamos nos serviços públicos, concluiremos com espanto, após ligeiros cálculos, que trabalhamos até meados de agosto para termos acesso digno a direitos nossos, pois nos são cobrados compulsoriamente. O governo, tão eficiente quando se trata de arrecadar, é de uma ineficiência aterradora na hora de gastar. Até quando vamos nos conformar em pagar essa conta? Nosso dinheiro suado não é capim para servir de refeição à avestruz estatal!

Quinta, 28 Junho 2007 21:00

Posturas, Composturas e Imposturas...

Já não chegam tantas notícias de crimes e corrupção pública? Já não basta o descrédito em que jaz o Congresso?

Nestes tempos em que o relativismo moral impinge praticamente qualquer atitude ou palavra, por mais chula, não só como tolerável, mas como aplaudível; mascara desvios de comportamento de “opções”; aclama mediocridades; justifica crimes; transforma terroristas e traidores - como Lamarca - em heróis; premia a esperteza e aceita palavrões em qualquer ambiente, é essencial recuperar dois atributos que soam ultrapassados: o da postura, que se refere ao corpo, ao andar, sentar e portar-se e o da compostura, que abrange as ações denotativas de boa educação. E, naturalmente, repelir a impostura, o ato de ludibriar sob a aparência de verdade.

Há certos comportamentos que não podemos deixar de exigir, especialmente de pessoas que se dizem públicas, sob pena de perdermos todo e qualquer ressaibo de respeito por elas e, conseqüentemente – o que é mais grave - pelas instituições. Um deles é a honestidade; outro, a preocupação com o bem comum e um terceiro a adoção de posturas e composturas compatíveis com as posições que exercem na sociedade. Presidentes, ministros, senadores, deputados, vereadores, magistrados, religiosos, professores, jornalistas, artistas e outros, na Suíça, na bella Italia e aqui, precisam ter compostura, para darem exemplo e para não caírem em descrédito. O descumprimento desses atributos por parte dessas pessoas especiais nos faz imaginá-las como impostoras e vigaristas, despreparadas para os cargos que ocupam, até mesmo no ambiente deteriorado vigente, em que a competência, os princípios morais e a boa educação não contam.

Essa exigência elementar deveria ter levado a ministra do Turismo, autora de uma das mais infelizes declarações pronunciadas por uma pessoa pública em todos os tempos - aquela besteira pornô a respeito do “apagão aéreo” – a ter pedido demissão. Seu deboche, cinismo e desrespeito para com os milhares de passageiros que padecem nos aeroportos superaram a reação falsamente atribuída a Maria Antonieta de França, há mais de duzentos anos, quando, ao ser informada de que a massa faminta invadiria o palácio porque não tinha pão, teria sugerido que lhe oferecessem brioches... Um pedido de desculpas, mesmo bisado, como aconteceu, é muito pouco para um caso colossal de falta de compostura como o da ex-prefeita paulistana. O péssimo exemplo exigiria, além de um pedido de perdão à população que a mantém, uma carta de demissão, senão de sua parte, pelo menos da de seu chefe.

Ma che, daquele mato não sai coelho... O chefe, no mesmo dia e referindo-se ao mesmo assunto, regurgitou mais algumas das tolices que se lhe esvaem com naturalidade do aparelho fonador, qual cascata em moto perpétuo, quando se põe a falar de improviso. Há posturas absolutamente incompatíveis com chefes de governo e ministros, sejam iletrados ou doutores!

As centenas de cartas de leitores publicadas em nossos jornais e os milhares de mensagens que circularam na Internet sobre os dois episódios podem ser resumidas em uma frase, como que pronunciada em uníssono por um coral de 180 milhões de vozes (já descontadas as dos bajuladores e fanáticos): “respeito é bom e eu gosto!”, à qual podemos aduzir um “gosto, exijo e é absolutamente necessário, porque os sustento”.

Já não chegam tantas notícias de crimes e corrupção pública? Já não basta o descrédito em que jaz o Congresso? Já não é suficiente a turma da ação “social” do estado do Rio querer instituir uma Bolsa Bad Boy para premiar famílias de menores infratores? Já não é demais pedagogos de gabinete decretarem a aprovação automática de todos os alunos? Já não é um descalabro que traidores sejam promovidos post mortem e suas famílias aquinhoadas com Bolsas Terrorismo? Será que, além de tudo isso, ainda temos que ouvir declarações chulas, infelizes, vulgares e desrespeitosas? A impostura, o embuste, a prestidigitação e o charlatanismo não têm limites!

Terça, 29 Maio 2007 21:00

Pega Ladrão!

Está difícil agüentar toda a roubalheira, exaltação do vício, condenação da virtude e premiação da mediocridade!

Está difícil agüentar toda a roubalheira, exaltação do vício, condenação da virtude e premiação da mediocridade! Está insuportável saber de tantos crimes, tanta demagogia, tantas mentiras e sentir tanto desencanto. Parece até que o mau cheiro que tresanda do Brasil subiu aos céus e virou a terra de pernas para o ar, levando, em um giro vertical de cento e oitenta graus, o hemisfério sul para o norte e o norte para o sul. Roubam juízes, desembargadores, deputados e senadores; roubam senhoras e senhores, ministros e assessores; roubam funcionários, construtores, vereadores e mentores; roubam atacantes e defensores, analfabetos e doutores; roubam agnósticos e pastores, prefeitos e governadores... Pega ladrão!

Curioso é que muitos dos que, aqui e ali, na mídia, reclamam contra todo esse descalabro moral que contaminou a política e a economia nacionais nem de longe imaginam que têm alguma culpa no cartório. Sim, pois muitos deles não condenaram, por “falso moralismo”, os que sempre levantaram as bandeiras da ética? Não atacaram e continuam atacando a tradição judaico-cristã em que sempre se baseou o ocidente? Não tentaram e tentam romper com nossas raízes católicas, esquecidos de que o Brasil foi batizado antes como Terra da Santa Cruz e de que o primeiro ato oficial aqui realizado pelos portugueses foi uma missa? Não compraram e compram revistas que exibem mulheres participantes dos big brothers da vida, estimulando o “vencer na vida sem fazer força”? Quantos desses fariseus não entraram e entram com seus carros, nos fins de semana, nos acostamentos de nossas estradas, para ganharem um tempinho e ultrapassarem os motoristas “otários”? Ou não defenderam e defendem que ganhar cada vez mais dinheiro, em detrimento do convívio familiar e de princípios morais universais, é o que conta? Ou não sustentaram e sustentam que a defesa da família não passa de um tradicionalismo incompatível com o mundo atual? Ou, ainda, que os valores políticos e econômicos devem sobrepor-se aos morais?

Não é difícil perceber que atitudes como essas guardam forte correlação positiva com a roubalheira geral que apodrece a nação, tornando-a fétida. Quando os princípios morais sob os quais fomos educados são atacados, espezinhados e ridicularizados; quando os valores éticos de nossos ancestrais são adrede postos de lado e substituídos por um verdadeiro supermercado de produtos “éticos” à escolha do freguês; quando Deus é rendido pelo “super-homem” de Nietzsche, com o pretexto de que o estado moderno é laico e que não importa a liberdade interior, mas a falsa liberdade exterior de fazer o que der na veneta; quando padres de passeata deixam o Evangelho na estante e incentivam invasões de propriedades; quando, enfim, tudo isso acontece, passa automaticamente a vigorar uma das poucas leis respeitadas “neste país”: a lei do vale-tudo!

O mundo – e, especialmente, o Brasil – está doente e a causa é bastante clara para continuar a ser escamoteada: o abandono dos princípios morais judaico-cristãos que sempre nortearam o ocidente! Quem quiser “xingar” os que pensam desta forma de “falsos moralistas” que o faça e que continue bebendo do veneno que ajudou a destilar, mas que não reclame diante das notícias de corrupção que se sucedem na imprensa a um andamento prestissimo, que chega a fazer com que o escândalo de hoje nos leve até a esquecer um pouco o de ontem e a apagar completamente da memória o de anteontem...

Quando o sistema moral está se putrefazendo, acaba inelutavelmente contaminando os dois outros que compõem a sociedade: o político e o econômico. A crise brasileira é, com todas as letras, uma crise de valores morais! E a opção é clara para quem preza a dignidade: lutar para que o moralismo deixe de ser um “delito” politicamente incorreto ou continuar a conviver com o verdadeiro crime, do qual toda essa corrupção generalizada é apenas uma das manifestações!

Segunda, 21 Maio 2007 21:00

Sobre Bezerros e Bebês...

Não é preciso recorrer a argumentos religiosos para condenar o aborto: os econômicos e jurídicos bastam!

Naquela fazenda distante, festeja-se o nascimento de mais um bezerro. Júbilo nos olhares, alegria nos corações e esperança nas mentes, já que, afinal, acaba de vir ao mundo mais uma fonte de geração de renda e riqueza! Já se prevê a contribuição que o novo animal proporcionará à produção de carne e os lucros daí decorrentes, ao longo de toda a cadeia produtiva.

Entrementes, naquele posto de saúde, em uma grande cidade, uma mulher acaba de saber que está grávida. Mas os olhares, corações e mentes não mostram júbilo, nem alegria e nem tampouco esperança, mas preocupação, chateação e aborrecimento, já que, afinal, aparecerá mais uma fonte de estorvos e despesas... Já se antevê o quanto custará para os seus pais e para a sociedade aquela criança, mesmo antes de nascer.

Infelizmente, há gente que festeja nascimentos de bezerros, potros, crocodilos e micos-leões-dourados, enquanto o simples anúncio de que mais uma pessoa humana virá à luz as incomoda a ponto de defenderem – alegando motivos de “saúde pública” – que a gravidez pode ser interrompida. A insensatez e a frieza não têm mesmo limites!

Há um argumento puramente financeiro, que nada tem a ver com princípios religiosos, que demonstra claramente o erro desse tipo de atitude: é que, inapelavelmente, o valor presente dos fluxos de rendimentos a serem proporcionados por um ser humano, ao longo de sua vida, é infinitamente superior ao de um bezerro, ou seja, a adição ao estoque de capital da economia é necessariamente maior, quando se trata de pessoas humanas! Basta dar-lhes acesso à educação e à saúde, um ambiente institucional estável e liberdade para regerem suas próprias vidas e isto é muito mais verdadeiro no mundo de hoje, em que as principais fontes do crescimento econômico são a inteligência, a criatividade e o capital humano, do que antigamente.

É claro que o nascimento de um bezerrinho deve ser recebido com alegria, por representar manifestação de vida e por ser a incorporação de mais uma fonte de renda e riqueza: a carne e seus derivados, como sabemos, têm valor de mercado. Mas o de uma criança – e isto é indiscutível! – tem um valor incomensuravelmente maior, por ser a mais perfeita forma de manifestação de vida que existe, porque se trata de um ser que, contrariamente aos bezerros, é dotado de dignidade e porque sua capacidade de geração de renda e riqueza é muito superior!

Aves agourentas – e perigosas -, dentro e fora do governo federal, alegando motivos de “saúde pública”, vêm sugerindo que se faça uma “ampla discussão” (que lugar-comum!) sobre o aborto, prática que, velada ou abertamente, defendem. Só que, ao fazê-lo, estão implicitamente reconhecendo sua incompetência e a falência de nosso sistema político, econômico, jurídico e social para cumprir o axioma da superioridade do valor presente do bebê, mesmo que ainda no útero materno. Além de ignorantes em economia, são pessimistas de carteirinha: aquele ser, que já possui vida desde o momento da concepção, para essa gente, já está condenado a ser um marginal por toda a sua vida, ou a ser um menor abandonado, ou, na melhor das hipóteses, a ser mais um dentre os milhões de pobres que o país ostenta. Estão redondamente errados! Ao invés de defenderem o “direito” à prática do aborto, o correto seria que brigassem sem tréguas por boa educação e boa saúde ou, em outras palavras, que lutassem pela igualdade de oportunidades, o que garantiria a realização do axioma elementar. Mas, para elas, a depreciação do capital humano excederá sempre, por algum teorema - tão falso quanto misterioso - sua formação bruta...

Não é preciso recorrer a argumentos religiosos para condenar o aborto: os econômicos e jurídicos bastam! Aqui mesmo no JB, o jurista Ives Gandra Martins, ao invocar o direito constitucional à vida, o fez com precisão. A economia e o direito são suficientes para a condenação dessa abominável prática, embora o peso moral da questão seja inquestionável.

Quinta, 26 Abril 2007 21:00

Legítimo?

A “função social da terra” é uma filigrana jurídica, um arabesco redundante.

Desde criança, sempre desejei um piano Steinway & Sons de cauda inteira, cujo valor equivale ao de um bom apartamento de três quartos na zona sul do Rio. Um instrumento maravilhoso e uma aspiração legítima, mas nem por isso vou encostar um caminhão na porta de uma loja musical e, ajudado por meia dúzia de companheiros da musculação, levá-lo para casa, pois estarei infringindo a lei, por ferir o direito de propriedade estabelecido constitucionalmente.

Onde não se respeita esse princípio - que, ao lado dos direitos à vida e à liberdade, é basilar na sociedade -, a lei do mais forte passa a regular as relações pessoais: Brederodes é um “sem mulher” e deseja casar-se - o que é legítimo - mas, por isso, como é forte, rapta a noiva de Xerxes, que é fraco; Pafúncio não tem cabelos, mas desejaria tê-los - o que também é legítimo – e, sendo assim, avança sobre Menelau e, tesoura nas mãos, tosa-lhe a vasta cabeleira; Criméia gostaria de usar os perfumes franceses de Cremelinda e, como seu desejo é legítimo, rouba-os. Imaginem que tipo de sociedade seria resultante de uma visão torta desse tipo! É claro que o desejo de possuir um ótimo piano, de casar-se, de ter cabelos e de usar bons perfumes, como de resto o de ter a posse de um bem qualquer, é legítimo, mas o que importa não é isso, porém a forma como esse desejo se realiza. Roubar ainda é crime!

No entanto, no país do faz-de-conta em que o Brasil está transformado – uma autêntica terra sem lei -, se os pianistas, Brederodes, Pafúncios e Criméias conseguirem organizar os que possuem suas mesmas aspirações em “movimentos sociais”, terão respaldo do governo, que “legitimará” os delitos que cometerem e ainda por cima colocará a culpa nas “elites”, nos “ricos” e – naturalmente – no “neoliberalismo excludente”. Claro, nas cabeças povoadas de minhocas de muitos dos que teriam obrigação de zelar pelo cumprimento da lei, Brederodes não tem noiva porque Xerxes, que pertence à “elite”, o impede; Pafúncio é careca porque Bush arrancou-lhe os cabelos e Criméia não pode comprar perfumes de grife porque é “explorada” pela perua Cremelinda... Tais considerações vêm a propósito de três fenômenos impensáveis em uma sociedade onde se preza a lei, mas que vêm sendo não apenas tolerados, como – o que é um verdadeiro crime – incentivados, mesmo que por omissão, por nossas autoridades.

O primeiro são as invasões aos montes perpetradas pelos ditos “sem teto” em diversas grandes cidades brasileiras, sob a benção da secretária nacional de Habitação, que as qualificou como “legítimas”. Sim, segundo a referida ministra-“heroína”, “não pode haver gente sem moradia num país onde outros têm imóveis demais”... Ora bolas, penso que, ao invés de dizer abobrinhas (estragadas) como essa, seu papel seria o de construir habitações populares e, caso o ministro da Fazenda lhe negasse os recursos para tal, o de pedir o boné e largar o cargo, por simples imposição do que conhecemos, há séculos, como dignidade.

O segundo é o nosso Largo do Boticário, tombado pelo patrimônio histórico e cultural, que está com uma de suas casas invadida há um ano por dezenas de “sem teto”, que se mostraram também sem-vergonhas, ao tentarem organizar uma festa rave cobrando ingresso, no que foram impedidos pela polícia. Por que o governo do Rio ainda não os expulsou de lá? Como, caro leitor, você dirá levá-los para onde? Ora, não existe uma secretaria de Habitação, recheada de políticos e apadrinhados, encarregada exatamente de resolver problemas graves como esse?

Por fim, temos as invasões dos arruaceiros “sem terra”, engolidas e até estimuladas pelo governo e por pseudo-acadêmicos marxistas. A “função social da terra” é uma filigrana jurídica, um arabesco redundante: galinhas, vacas, porcos, jacas, açaís, eleitores, professoras, cidadãos, clubes de futebol, médicos, tudo, enfim, o que existe na sociedade tem uma “função social”...

Madonna mia, ser brasileiro tem sido um permanente e exaustivo exercício de paciência!

Segunda, 16 Abril 2007 21:00

Um Bonito Exemplo

Que Deus abençoe você, Marlene, que não é “pobre por vocação”, pois nunca esperou que os governos fizessem chover o maná!

Nestes tempos inacreditáveis, em que uma ministra que ganha para promover uma “igualdade racial” que já existe constitucionalmente, manda às favas o seu cargo de “heroína” – que, sobre ser redundante, também é caro para os contribuintes -, para semear nos nossos irmãos negros o ódio contra os brancos; em que, a pretexto de uma “igualdade na chegada”, muitos, inclusive magistrados, justificam crimes bárbaros pelas “desigualdades”; em que se pretende premiar famílias de bandidos com “bolsas”; em que um rabino esquerdista tisna a respeitável tradição moral judaica furtando gravatas (caras, pois ele não é bobo); em que “teólogos”, que se dizem católicos, atacam o Papa e exaltam hereges da “Teologia da Libertação”; em que a hierarquia militar é desrespeitada pelos controladores de vôo e o governo cede à insubordinação, só recuando por pressão; em que os deputados decidem que não trabalharão mais em Brasília às segundas-feiras; em que a mediocridade é enaltecida e a inteligência execrada; nestes tempos incríveis, o exemplo – real – de Marlene é uma lufada de ar fresco no ambiente moral podre que nos circunda e um veemente desmentido às teses sociológicas e antropológicas das “esquerdas”.

Moradora de um morro carioca em área bastante violenta - que redundância! -, abandonada pelo marido com quatro filhos ainda crianças, pobre, mas digna, não buscou as bolsas-esmolas que os governos distribuem, em troca de votos e de adesão compulsória à seita do mau pastor de plantão que detém sua partilha. Pelo contrário, olhou para dentro de si e enxergou-se uma mulher de fibra, valente, honesta, trabalhadora e, sobretudo, empreendedora. Esperar pelos governos? Para que? Reclamar? Nada disso! E Marlene foi à luta, sozinha. Primeiro, voltou a estudar, no supletivo de uma escola estadual, perto do pé do morro. Esforçada e sempre com um sorriso para oferecer, despertou a simpatia de professoras dedicadas, verdadeiras heroínas como ela e abandonadas como ela pelos governantes. Abriu uma tendinha ao lado de sua casa, onde vendia café e média com pão e manteiga, feitos com esmero e carinho, mostrando que qualquer trabalho honesto, por mais humilde que seja, deve ser realizado com dedicação. Em meses, passou a vender também sanduíches, com grande saída, porque, além de bem feitos, tinham preços justos.

Soube ser firme com os filhos: nenhum deles envolveu-se com o tráfico que domina o morro e que, diversas vezes ao ano, “ordena” que a escola seja fechada. O mais velho, inclusive, está terminando o segundo grau, prepara-se para prestar vestibular no segundo semestre deste ano e vai ganhar um computador da mãe, comprado a prazo, ainda neste mês.

Vendo que seu negócio ia bem, matriculou-se em um curso gratuito de preparação de salgadinhos, que já sabia fazer, mas sem aquela arte que, segundo ela, cativaria os consumidores. Assim que se sentiu em condições, passou a vendê-los em sua tendinha, sempre com limpeza, capricho, ingredientes de boa qualidade e preços bons. A demanda, naturalmente, foi grande, o que a conduziu, com seu espírito de iniciativa, à quarta etapa, a de preparar refeições “quentinhas”, vendidas, primeiro, no morro, mas, logo, a famílias do asfalto, atraídas pela fama, já corrente, de limpeza, qualidade e bom preço. Hoje, Marlene vive a quinta fase de seu empreendimento: fornece refeições para alguns restaurantes e, como a procura tem sido grande, já conta com quatro auxiliares de cozinha, que, com olho na qualidade, orienta em tempo integral. Segue firme na escola, sempre com bons conceitos e notas. E a sexta etapa já sabe qual será: abrir uma loja no asfalto, daqui a um ou dois anos.

Que Deus abençoe você, Marlene, que não é “pobre por vocação”, pois nunca esperou que os governos fizessem chover o maná! Houvesse muitas e muitos com a sua têmpera, os políticos populistas que preferem manter a pobreza, ao invés de atacar suas causas, morreriam de fome.

Domingo, 08 Abril 2007 21:00

Auctoritas Quae Sera Tamen!

A Nação precisa e quer saber o que existe de fato por trás desses lamentáveis episódios em nossos aeroportos.

Vivemos uma crise de autoridade sem precedentes em todos os níveis e não poderíamos esperar que assim não fosse, porque a virtude da autoridade, essencial em qualquer sociedade organizada, tem sido, nas últimas décadas, maliciosamente confundida com o vício do autoritarismo. Com efeito, nossa esquerda – jurássica, mas muito mais bem organizada do que os telespectadores e leitores, tratados, durante duas gerações, como bonecos de ventríloquos, sequer imaginam – conseguiu transformar o termo “autoridade” em uma palavra maldita, própria da “ditadura militar” que alguns pegaram em armas para derrubar. Só que – mas isso eles não dizem - para implantar em seu lugar um regime verdadeiramente autoritário, como fez Fidel e como Chávez e Morales vêm fazendo, abertamente e sem pudor, na Venezuela e na Bolívia, seguidos de perto, com a inveja dos que correm atrás, pelo novo presidente do Equador...

Já escrevia São Tiago (3; 10) que a boca que louva é a mesma que amaldiçoa. E a cavidade bucal presidencial, habitualmente mais descontrolada do que carro sem freio descendo ladeira, mostrou a verdade deste ensinamento. No dia da inadmissível greve dos controladores de vôo, falando pela boca do ministro do Planejamento, passou a mão na cabeça dos insubordinados, massacrou a hierarquia militar e a própria Constituição, aceitando negociar com os que paralisaram o país e prometendo que o setor seria desmilitarizado (decerto, para ser “petetizado”, como outros). Deixou em posição incômoda a Força Aérea, seu comandante e as demais armas, que, por sinal, vêm sendo tratadas há bastante tempo a pão e água, por conta de um revanchismo evidente, embora disfarçado. No dia seguinte, a boca que abençoara os insubordinados passou a maldizê-los, afirmando que sua atitude fora absurda, ao mesmo tempo em que tentava benzer os chefes militares, amaldiçoados na véspera, agora com promessas de liberações de verbas e com o anúncio de que a tal desmilitarização (“petetização”?) do Sindac seria adiada.

A Nação precisa e quer saber o que existe de fato por trás desses lamentáveis episódios em nossos aeroportos. Falta de autoridade tem um nome, bastante claro: baderna! Já não basta o crime desrespeitar as forças de segurança interna e aterrorizar os cidadãos? Já não chega a ocupação dos pontos estratégicos das principais estradas do país pelos baderneiros dos “movimentos sociais”, sob a complacência benevolente das pseudo-autoridades? Já não é suficiente que responsáveis por esquemas de desvio de recursos públicos não tenham ainda sido punidos, desde o episódio Waldomiro Diniz e passando pelos mensaleiros e sanguessugas?

É preocupante, em qualquer país, quando um partido que está no poder ocupa espaços que transcendem a órbita normal de governo, o que vem ocorrendo de forma bastante clara, embora silenciosa. Se muitos dos espaços não estão sendo preenchidos com membros do PT, o estão com “movimentos sociais”, “entidades” e Ongs milionários, muitos até mais radicais em seu socialismo retrógrado do que alguns setores do partido do presidente.

Será que a lição de 63 não foi aprendida? Nem o que ocorreu em 64? Ou nos anos seguintes? A quem, a esta altura, pode interessar a instauração da baderna, com a democracia consolidada e com as costas calejadas pelos estragos provocados por aqueles episódios, se nem direita organizada existe mais e seções da CNBB parecem escritórios de partidos de esquerda?

Com a insubordinação tolerada dos controladores de vôo, um de meus filhos, que está morando em Brasília, não pode vir ao Rio para assistir ao sepultamento da avó materna. Como este, poderemos encontrar milhares de outros transtornos que seu levante causou.

Autoridade, leitor, não é “autoritarismo” e é fundamental! A Nação está a clamar: “autoridade, ainda que tardia”!

Segunda, 02 Abril 2007 21:00

Mentiras Calculadas

Se a tolerância é uma virtude a ser cultivada e a intolerância um vício a ser combatido, no campo da religião ela pode assumir o status de crime hediondo, a ser extirpado pelo bem da humanidade.

Se a tolerância é uma virtude a ser cultivada e a intolerância um vício a ser combatido, no campo da religião ela pode assumir o status de crime hediondo, a ser extirpado pelo bem da humanidade.

Quando se fala que o cristianismo é “intolerante” com os homossexuais, é uma grossa mentira, pois jamais Cristo pregou isso. O que condenou – e veementemente – foi o pecado, embora sempre tenha ensinado que os pecadores, uma vez mostrando-se arrependidos, devem ser perdoados, “setenta vezes sete”, se for preciso, ou seja, tantas vezes quantas o arrependimento for sincero.

O homossexualismo é, para a Igreja Católica e para qualquer cristão, um vício que precisa ser combatido. Mas, se um cristão de verdade, de qualquer denominação, não “discrimina”, não deve e nem pode ser intolerante com os homossexuais, também deve repudiar o homossexualismo, senão não será um cristão de obras, mas de fachada.

Os mesmos que acusam o cristianismo de ser intolerante com os homossexuais calam-se diante da postura dos islâmicos, que os tratam, no Oriente, com verdadeira intolerância, a ponto de castigá-los fisicamente. Os acusadores são movidos por duas razões: ideologia e medo.

As razões ideológicas são bastante evidentes. Existe no mundo de hoje uma infernal orquestração da esquerda mundial que, em seu afã de implantar o “Outro Mundo Possível” – o horror do socialismo – infiltrou-se em todas as manifestações da cultura ocidental, para deformá-la e semear a cizânia. A finalidade, assustadoramente clara para quem tem olhos e quer enxergar, é destruir os fundamentos de nossa sociedade e, entre eles, toda a tradição judaico-cristã, que vêm como um elemento vital do capitalismo e, portanto, como enorme empecilho à implantação do socialismo ateu. Infiltraram-se também no seio da Igreja de Roma, com a “Teologia da Libertação”, que substituiu a figura de Cristo pela de Marx, distorcendo a doutrina do primeiro para tentar justificar as teorias do segundo.

Condenada diversas vezes por João Paulo II, que chegou a advertir, de dedo em riste, ainda nos anos 70, em um aeroporto da América Central, um famoso cardeal “libertador”, a heresia, contudo, parece ter encantado muitos bispos latino-americanos, incluindo alguns da CNBB, aqui no Brasil. Asseguro que são, dentro do episcopado, minoria, mas provocam barulho, sempre com o palco gratuito e os aplausos interesseiros da mídia esquerdista, por razões óbvias. Alguns são bem intencionados. Outros, infelizmente, não. Erraram duplamente, pois sua vocação é a política e não o serviço de Deus.

O atual Pontífice, Bento XVI, desde os tempos em que era o Cardeal Ratzinger, um dos braços direitos de João Paulo II, soube combater o bom combate contra a heresia marxista. Vários “teólogos” marxistas foram expulsos do seio da Igreja e Gaudêncio Boff (cujo nome, quando religioso, era Leonardo), dele retirou-se antes que fosse expulso.

Muitos, sabendo de minha condição de católico, me perguntam, com justa dúvida, por que a Igreja não “passa um carão” definitivo nos padres e bispos que teimam em rezar (este não seria o verbo indicado) pelo “catecismo marxista”. Sempre respondo que, em seus mais de dois mil anos de história, a postura da Igreja sempre foi de cautela, tolerância e comedimento, porque sabe que a Verdade haverá de vir à tona e que “as forças do inferno jamais haverão de prevalecer contra ela”. De fato, basta conhecer a história da Igreja (ver, por exemplo, a fenomenal obra de Daniel Rops), para saber perfeitamente que a “Teologia da Libertação” não é a primeira e nem será a última das heresias.

O segundo motivo que move os acusadores da tradição judaico-cristã e, em especial, os que tentam desqualificar como “antiquada”, “conservadora” ou “anti-progressista” a postura firme dos Papas em assuntos como o homossexualismo é o medo. Sim, o medo, ou melhor, a falta dele... Não dos cristãos, mas dos intolerantes de outras religiões, como os fundamentalistas islâmicos. Ora, se não têm medo de acusar cristãos, ou judeus, é porque estes, naturalmente, são tolerantes e jamais açoitarão ou deceparão pescoços de homossexuais a golpes de cimitarra, com transmissão pela TV Al Jahzira, pelo simples fato de serem homossexuais.

Isto é que é “homofobia”, e não o fato de considerar o homossexualismo um desvio moral! O que o Ocidente judaico-cristão não deve e não pode aceitar são aberrações como a PL 5003/2001, proposta para atender ao movimento “gay” no Brasil, que colocará na cadeia quem pronunciar qualquer palavra ou frase que não seja do agrado desses movimentos, pelo crime de “homofobia”... Como explica magistralmente Olavo de Carvalho em artigo no Jornal do Brasil de 29/3/2007, não existe a escolha entre “homofobia” e “anti-homofobia”, caso contrário, se os heterossexuais usassem as mesmas armas, por absurdo que fosse, poderiam também tentar aprovar uma lei instituindo o crime de “heterofobia”...

É triste. Tantas pessoas passando fome, tantos políticos roubando, tantos crimes sendo cometidos impunemente contra a população e as pessoas que deveriam zelar pelo crescimento da economia, pela ética e pela ordem pública perdendo tempo com propostas como essa da PL 5003/2001.

São as mentiras calculadas, que Carvalho denomina de “moldar o debate”, ou seja, de desviar a atenção da plebe ignara da essência dos problemas sociais, canalizando-as para posturas artificialmente impostas, para servirem aos interesses da vontade de poder dos “esquerdopatas”.

Sinceramente, de tanta desilusão, dá até para pensar em ser “brasilfóbico”... Mas não dá. Um dia, o sol voltará a brilhar.

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