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Ubiratan Iorio

Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

Domingo, 23 Setembro 2007 21:00

O Ritornello

Quem defende hoje a prorrogação da excrementícia CPMF é quem ontem, na oposição, a condenava furiosamente e quem agora deseja o seu fim é quem, quando no poder, a inventou, manteve e até elevou a sua alíquota.

 

Uma sociedade que sistematicamente sacrifica princípios em benefício de casuísmos não pode queixar-se de que os políticos sejam farinha do mesmo saco. Quem defende hoje a prorrogação da excrementícia CPMF é quem ontem, na oposição, a condenava furiosamente e quem agora deseja o seu fim é quem, quando no poder, a inventou, manteve e até elevou a sua alíquota. Não há motivo para espanto quando o presidente, exercitando seu riquíssimo vocabulário, argumenta que “nenhum governo do PMDB, do PSDB, do PT, do PFL (acho que quis dizer DEM) ou de qualquer outro partido conseguiria governar o país sem a CPMF”. Nem quando arremata: “qualquer pessoa de juízo, a não ser os que querem inviabilizar o país, sabe que não poderia abrir mão (da CPMF)”. Tem razão. Somente na Casa Civil, são 149 cargos, dos quais 109 estão ocupados. É preciso arrecadar para preencher os 40 restantes... Trata-se do ritornello – estrutura musical periódica que consiste na sucessão de três segmentos, um expositivo, um desenvolvente e um conclusivo. No caso da CPMF, o expositivo é a choradeira da situação, o desenvolvente os conchavos que faz para mantê-la e o conclusivo a sua perpetuação.

Os governos, universalmente, assemelham-se aos peixes ornamentais: quanto mais comida colocamos no aquário, mais eles comem, até morrerem. Só que, no caso, quem morre é o contribuinte, especialmente a classe média... Ronald Reagan, um dos poucos governantes que reduziram impostos, expressou isto de forma mais elegante, que acabou conhecida como lei de Reagan: “o imposto cria a sua própria despesa”.

A CPMF - uma dentre tantas aberrações tributárias - precisa ser fulminada, assim como a maioria dos mais de 110 tributos que atravancam o desenvolvimento da economia. Até uma irreverente pulga saltitando no lombo de um jegue em Garanhuns sabe que as despesas públicas vêm crescendo de modo irracional e que a trajetória dos gastos do Estado é insustentável. Mas é conveniente ao governo argumentar que a estupidarrona carga tributária destina-se ou a assegurar superávits primários ou a financiar o “crescimento” (com aspas) econômico. A primeira opção é verdadeira só na fachada, pois desconsidera a baixa qualidade do ajuste fiscal e a segunda é completamente falsa: a evidência empírica mostra que o crescimento não depende de gastos públicos, mas de liberdade econômica, valores éticos e boas leis. E nem um ingênuo querubim crê que os R$ 39 bilhões anuais da CPMF serão destinados a “bons” investimentos, ainda mais em ano de eleições municipais.

Entre 2000 e 2006, o dispêndio consolidado do setor público cresceu 48,8% em termos reais e as despesas com custeio da máquina pública subiram 40,3%. De 2003 a 2006 os gastos federais com pessoal aumentaram 14,3% acima da inflação, medida pelo IPCA. E crescerão mais em 2007 e 2008, pois o governo já anunciou que vai contratar 40 mil funcionários nesse período. A carga de tributos precisa continuar subindo para financiar a orgia, desfazendo qualquer sonho de crescimento auto-sustentado. Gastar mal o dinheiro dos contribuintes sempre foi uma característica dos príncipes, mas o “ético” PT jurava que, com ele, seria diferente...

Os que defendem a extinção gradual da CPMF parecem acreditar em contos da Carochinha. Quem acompanha a economia brasileira e conhece o eterno casuísmo de nossas políticas econômicas, sabe muito bem que ao primeiro solavanco interno ou externo aparecerão vozes do governo bradando que a queda programada da alíquota será impossível. A chantagem de sempre, agora praticada pelo governo e seus asseclas e no passado pela oposição e seus comparsas. O furor de arrecadar só vai ter fim quando a lei obrigar a obediência a princípios e desencorajar as acomodações.

Terça, 18 Setembro 2007 21:00

Aos "46 de Brasília", O Asco dos Justos!

Sinto a obrigação moral de manifestar, em nome de todos os brasileiros de bem, repúdio e indignação com o asqueroso, repugnante e nojento desrespeito ao povo brasileiro perpetrado pelos “46 de Brasília”.

Quem pensa nos quarenta senadores que absolveram o réu e para a meia dúzia de poltrões que preferiram lavar as mãos, dá imediatamente razão a Bacon, quando opinou que a esperança é um bom desjejum, mas um péssimo jantar. Quarenta e seis maus – péssimos! – brasileiros afogaram, em um lago de lama e sob as trevas do voto secreto, a esperança de todo um povo, de que, afinal, um mínimo de ética e credibilidade seria restabelecido. A Nação brasileira está chorando de vergonha. Os brasileiros de bem, de qualquer tendência política, estão decepcionados e sentindo justo nojo de Suas Excelências! A que ponto chegamos! Decorrem quase quatro meses desde que o arrogante absolvido foi denunciado por aquela revista. Nesse tempo, seu doentio apego ao cargo e sua vaidade, bem como a certeza de impunidade, levaram o Senado - indispensável em qualquer democracia - a esvair-se em descrédito e a jazer como está, inerte e inerme, por quanto tempo ainda não se sabe. Se tivesse realmente amor ao país e à coisa pública, o absolvido deveria ter pedido uma elementar licença para defender-se das pesadas acusações que se abateram – e vão continuar a cair - sobre sua cabeça. É intolerável alguém colocar suas pretensões políticas e amor ao poder acima do bem comum e do interesse público, mas quarenta e seis “representantes do povo” não pensaram assim.

Culpado ou inocente das acusações a ele imputadas, a trajetória política do presidente do Senado já é suficiente para revelar total falta de princípios, por mais parecer um minueto ou uma quadrilha, com trocas sucessivas de partido e de pares, sempre no embalo do que executam os músicos transitórios do poder: foi comunista na juventude; em seguida; passou a integrar a tropa de choque de Collor; atualmente, está com Lula; e, se amanhã ou depois o presidente for, por exemplo, alguém chamado Pafúncio, será, certamente, um ardoroso “pafunciano”... Mas está longe de ser o único dentre o conjunto de “suas excelências” a agir assim, sempre flutuando ao sabor das circunstâncias. Precisava ser punido, até para servir como exemplo.

Sinto a obrigação moral de manifestar, em nome de todos os brasileiros de bem, repúdio e indignação com o asqueroso, repugnante e nojento desrespeito ao povo brasileiro perpetrado pelos “46 de Brasília”. Está patente que há quarenta e seis pessoas no Senado que não merecem sequer um emprego público dos mais humildes, quanto mais exercer um mandato popular de senador ou senadora, delegado pelo voto dos que iludiram! Entre muitas outras razões, uma é suficiente: quem, sendo representante do povo, rejeita o clamor popular, não está, logicamente, representando o povo.

A quem pode interessar um Senado enfraquecido, para não dizer nocauteado? Ao governo? Creio que não, pois doravante – e com os seus motivos – a oposição bloqueará as votações importantes. Só se for para, na linha de Chávez, Morales e Rodrigues, sufocar o Parlamento, fortalecer o Executivo e, assim, partir para o tal “terceiro mandato”, algo absolutamente indefensável por qualquer verdadeiro democrata e que precisa ser rechaçado imediatamente! E que não venham alguns torcedores do PT de plantão dizer que estamos vendo chifres em cabeça de cavalos, pois no recém realizado congresso do partido, uma das proposições “tiradas” foi, exatamente, a de acabar com o Senado e partir para um regime unicameral. Por isso, não é nenhum devaneio imaginar que alguns dos senadores que absolveram o réu, especialmente os petistas, o tenham feito com tal aberração em mente. Interessa ao absolvido? Só se ele acreditar que, depois do terremoto, conseguirá, por algum milagre, pôr novamente a Casa em ordem.

A Nação quer saber os nomes dos “46 de Brasília”, para não mais votar neles!

Quarta, 12 Setembro 2007 21:00

Médico? Professor? O Que?

Preocupar-se com as escolhas feitas pelos filhos é uma atitude, a um só tempo, emocional, racional, salutar e necessária.

Preocupar-se com as escolhas feitas pelos filhos é uma atitude, a um só tempo, emocional, racional, salutar e necessária. Opções como a da profissão, do cônjuge, da fé, das leituras, dos hábitos, dos gostos, das amizades e muitas outras, embora sejam decisões pessoais e intransferíveis, devem ser sempre acompanhadas de perto pelos bons pais, no exercício do direito e do dever de orientar os filhos, especialmente quando ainda jovens.

Lembro-me da alegria de minha sogra quando o mais novo de seus filhos resolveu seguir a carreira de Medicina e da que meus pais sentiram quando comecei a ensinar em uma faculdade. Eram outros tempos, em que o relativismo moral ainda permanecia sob certo controle e, portanto, as fronteiras entre o certo e o errado e o bem e o mal eram bem demarcadas e, na média, os políticos eram menos corruptos. Os pais de hoje não diferem dos de ontem, mas as coisas andam tão deterioradas que justificam seu receio quando um filho, a quem tanto amam, anuncia-lhes que decidiu ser médico ou professor. O que seria orgulho sadio e esperança justa já brota tisnado pelas nódoas da dúvida e da inquietação.

Como professores e médicos vêm sendo progressivamente maltratados no Brasil! Como são humilhados! Como estão sendo vitimados pelo crime da deterioração paulatina de suas condições de trabalho! Como sua dignidade profissional vem sendo crescentemente agredida! Como falta senso de bem comum e honradez à maioria de nossos políticos! E como têm sido ineficientes e ineficazes os sindicatos de suas categorias, mais preocupados com proselitismos partidários do que com os que deveriam representar!

É desnecessário descrever o calvário dos que dedicam suas vidas a transmitir os bens mais preciosos que podemos imaginar: a vida e o conhecimento, a boa saúde e a boa educação, o bem do corpo e o do espírito. Basta olharmos para nossas escolas e hospitais públicos. Quanto ganha aquele médico de um hospital do governo que, após tantos anos de estudo e de residência, trabalha com equipamentos deteriorados (quando existem) e apavorado com a iminência de alguma invasão de traficantes para resgatar algum companheiro? O que vem impresso no contracheque daquela professora dedicada que, muitas vezes, precisa levar de casa até giz e apagador e que também vive sobressaltada ante a impendência de eclosão, nas cercanias da escola, de mais um episódio da guerra entre policiais e bandidos, ou porque estes podem “decretar” que, naquele dia ou noite, não haverá aulas, em protesto contra a prisão ou morte de algum marginal?

E pensar, apenas para exemplificar, que o atual ministro da Saúde, diante de tantos problemas, preocupa-se com um plebiscito para legalizar o crime do aborto; que em hospitais públicos em que não há aparelhos para hemodiálise já se realizam cirurgias para troca de sexo; que os pedagogos de gabinete da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, com a anuência e o incentivo do prefeito (um ex-professor universitário!) estão em luta com o legislativo, que colocou óbices à estúpida e nefanda Resolução SME 946, de 25/4/07, que simplesmente assassina a autoridade do professor, ao abolir o “ótimo” e o “insuficiente” das avaliações escolares; e que, na própria Faculdade de Economia da UERJ, estou sem computador há onze meses, pois não há recursos para repor o que pifou.

Por que os políticos de todos os partidos, naquele embuste antidemocrático que é o horário eleitoral gratuito, juram, com nariganga de Pinóquio, respeito à saúde e à educação? Apenas para ganhar votos? Médico? Professor? O quê? Não, meu filho! Perdeu o juízo? Ficou maluco? Você é brasileiro! Por que não segue a carreira política, ou filia-se ao PT ou a algum partido aliado, para ter um emprego público garantido, com DAS? Triste pátria amada e idolatrada, mas sempre saqueada por filhos que não a merecem como mãe gentil...

Sábado, 01 Setembro 2007 21:00

Linguagem Para Embalagem

O método mais sutil e eficiente, fartamente utilizado por regimes totalitários de todos os matizes, para cooptar um povo e moldá-lo a objetivos políticos predefinidos, é o controle do vocabulário.

O método mais sutil e eficiente, fartamente utilizado por regimes totalitários de todos os matizes, para cooptar um povo e moldá-lo a objetivos políticos predefinidos, é o controle do vocabulário. Exemplo atual é a inoculação subliminar, pelos sectários de Gramsci - Il Gobbo , de uma linguagem-embalagem para adornar, com fitas “politicamente corretas”, caixas de conteúdo literalmante vazio. Esse vocabulário – que o ex-ministro petista Nilmário Miranda tentou tornar obrigatório com uma absurda cartilha paga com o nosso dinheiro - , taramelado ininterruptamente em bares, reuniões de artistas e “intelectuais”, passeatas, “atos”, “abraços”, universidades e assembléias de todos os tipos, lido, ouvido e visto incessantemente, acaba criando em suas vítimas o hábito de não pensar, substituindo a lógica pelos chavões e palavras de ordem. Multidões passam a se comportar como autômatos, marionetes, fantoches e bonifrates, escravas de um algoritmo, mas sem raciocínio, lógica e vontade própria. Isto serve bem à “Causa”.

A massificação calculada de palavras doninhas (mamíferos que sugam o interior dos ovos com um minúsculo furo, deixando-os aparentemente intactos), como as batizou o economista e cartunista Scott Adams, demarca uma conveniente área cinzenta entre o bom comportamento moral (o socialismo, naturalmente) e a delinqüência (a liberal-democracia). A senha maga tem seis letras - é a palavra “social”, que, quando pronunciada e confirmada, assegura conduto sem patrulhamento a conselhos e assembléias, reuniões e debates, com a cumplicidade da mídia da insídia. O dialeto injetado em milhões de marionetes, bombardeado diariamente e papagueado por apresentadores de TV e repórteres, ao ser progressivamente absorvido pela maioria das pessoas, transforma-se em prática consuetudinária, que exigirá muitos anos para ser desmascarada em sua farsa.

Quem não usa as expressões mágicas é carimbado como politicamente incorreto e acossado, a ponto de desejar enfiar-se em um buraco e chorar lágrimas de chafariz. Eis alguns exemplos desses verbetes, em ordem alfabética: afro-descendente, aquecimento global, articulação, cadeirante, cidadania, comunidade, consciência (ecológica, política), conservador, cotas, deficiente (visual, auditivo), desigualdades, desmonte do Estado, direitos (civis, humanos, de minorias, sociais), discriminação, dominação, elites, entidades, exclusão, função social da terra, grande capital, grande mídia, história (de vida), Império, inclusão, inconsciente coletivo, justiça social, libertação, mãe-terra, mesa de negociações, minorias étnicas, mobilização, modelo (perverso, concentrador), movimentos sociais, mudanças, opção (sexual, pelos pobres), parceria, patrimônio público, políticas (afirmativas, públicas), potência hegemônica, preconceito, privataria, progressista, projeto de país, reforma agrária, relação, responsabilidade social, soberania, sociedade (civil organizada), sucateamento (da universidade pública). E há muitos outros, Madonna mia!

Assim, ser contra cotas em universidades garante o carimbo de conservador; opor-se ao matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, de preconceituoso; ser a favor da exigência de diploma superior para o presidente do país (já que se requer o de curso médio para um gari), de elitista ou dondoca; sustentar que a função social da terra é uma completa tolice, de servo dos latifundiários... As doninhas jamais o perdoarão e o precipitarão nos abismos tenebrosos e lôbregos do Tártaro, para padecer em eterno choro e ranger de dentes.

Por isso, não há oposição efetivamente liberal-conservadora no Brasil e oscilamos entre PT e PSDB, ou seja, entre o apetite e a apetência... Automatizada, a maioria das pessoas passou a não ter opinião própria, e muitas das que a têm, sendo implacavelmente policiadas pelas doninhas, receiam cair em desgraça e entram no jogo. Pobre país.

Terça, 28 Agosto 2007 21:00

O "Estado Raquítico" de Hunger-Pochmann

Neste governo, em particular, parece viger um terceiro aforismo, que podemos denominar de “Princípio de Camargo”: “quanto pior, melhor para o cargo”...

Certos ocupantes de altos cargos na hierarquia pública parecem crer que os cidadãos são idiotas. Ao tomar posse na presidência do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), agora deslocado – na mais recente contra-dança do minueto que vem ensaiando desde a sua fundação – para a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo (sic), o economista (da Unicamp, naturalmente) Márcio Pochmann, secretário de Planejamento da ex-prefeita paulista, trombeteou a redefinição do papel Estado brasileiro, que, segundo suas doutas palavras, seria "raquítico".

É preocupante que o respeitado órgão da Av Presidente Antonio Carlos 51, abrigo de tantos economistas competentes, passe a ser comandado por quem, contra as evidências, emita juízo - falso e puramente ideológico - de tais proporções. Mais inquietante é que seu atual chefe, o excêntrico, ininteligível e “legendário” professor de Direito de Harvard, de sotaque e idéias tão claros quanto as águas do Tietê, Roberto Mangabeira Unger, o mesmo que há pouco tempo taxara o governo a que hoje pertence de "o mais corrupto da República", tenha debuxado, na solenidade de posse de seu subalterno, a necessidade de uma simbiose “dialética” entre economistas de diversas tendências. Para o simbiôntico professor, ao que parece, se alocarmos em uma mesma pesquisa um economista ortodoxo e uma heterodoxa e se ambos seguirem os nada cândidos conselhos relaxantes da atual ministra do Turismo, virá à luz, em nove meses, um genial bebê “moneterodoxo”, ou “desenvolvimentarista”, superior aos pais... Essa parvoíce hegeliana ignora que tal gestação é impossível, pela mesma razão que ou está chovendo ou não está: são atributos contraditórios, e não contrários, não admitindo meios termos.

Não é preciso explicar, para não subestimarmos a inteligência do leitor, mas é recomendável chamar a atenção para a gravidade das sandices fantasiadas de sabedoria pronunciadas naquele evento. Se nosso Estado é raquítico, só pode ser em termos da eficácia, caráter, eficiência, integridade, ética, moral, correção, idoneidade, honestidade, virtuosidade, dignidade e retidão de propósitos para com o bem comum, com que desenvolve as suas ações. É desnecessário buscar exemplos: basta observarmos que ano após ano trabalhamos para sustentá-lo até o dia 26 de maio, e lembrarmo-nos da própria assertiva do agora “Secretário da Bola de Cristal”, quando o qualificou como o mais deteriorado da República.

Não poucos dos que ocupam ou ocuparam o poder, incluindo vários ministros, ex-ministros, secretários e, obviamente, presidentes e ex-presidentes, não se limitam a validar o pitoresco “Princípio de Peter”, proposto por Laurence Peter em 1969 e hoje considerado um clássico no campo da gestão: "In a hierarchy, every employee tends to rise to his level of incompetence” (em uma hierarquia todo funcionário tende a ser promovido até o seu "nível de incompetência"), a partir do qual já não possui capacidade para exercer a função que ocupa. Vão além: tornam tímida a modificação ao Princípio de Peter proposta por Frey, para quem “há pessoas que sobem três níveis acima de seu nível de incompetência, até a ocasião em que sua incompetência é notada”. Três níveis, só? Mais, por favor... Neste governo, em particular, parece viger um terceiro aforismo, que podemos denominar de “Princípio de Camargo”: “quanto pior, melhor para o cargo”... Como as nomeações são feitas pelas hierarquias superiores, que se encontram num claro "nível de incompetência", podemos deduzir facilmente da máxima de Peter quão rasteiro deve ser o grau de nivelamento.

Estado raquítico no Brasil? “Dialética” entre liberais e intervencionistas? Pensar no “longo prazo”, justo um governo que há 56 meses ainda não deslanchou? Menos, por favor, até porque o grau de QI médio dos brasileiros é bem maior do que os 25 que caracterizam a idiotia...

Quarta, 22 Agosto 2007 21:00

Da Indignação, da Raiva e da Ira

O movimento conhecido como “Cansei”, capitaneado pela OAB de São Paulo, nada tem de irado ou raivoso: é pura e justa indignação em relação ao estado de coisas vigente no Brasil há anos.

Não se deve confundir raiva e ira, que são vícios, com indignação, que, quando envolve um saudável desejo de justiça, é uma virtude. O movimento conhecido como “Cansei”, capitaneado pela OAB de São Paulo, nada tem de irado ou raivoso: é pura e justa indignação em relação ao estado de coisas vigente no Brasil há anos.

A raiva é um sentimento - que difere entre os indivíduos - de protesto, insegurança, timidez ou frustração, que surge quando alguém se sente ameaçado. Suas causas mais comuns são a inveja, o ego, a necessidade de mostrar-se superior aos outros, os estímulos à competição predatória entre colegas de trabalho, a falta de carinho por parte da família (ou a ausência desta) e o caos no trânsito. Manifesta-se pela violência (verbal ou física), ódio e agressividade. É uma enfermidade que carcome de dentro para fora e que gera problemas no sistema nervoso central, disfunção glandular e desequilíbrio psicológico. Sua cura é o perdão. Já a ira é como uma raiva mais intensa, um caleidoscópio de emoções fortes, uma vontade de agressão, por causas acumuladas ou traumas, em que a emotividade subjuga a racionalidade e o juízo normal, podendo levar a atitudes que deixarão arrependimento posterior. Quando forte, pode converter-se em ódio, que leva, pelo uso da razão, ao desejo de vingança e ao prazer com o seu êxito. A ira – emocional - é um sentimento breve, mas o ódio – racional - pode durar uma vida inteira. Contudo, um acesso de ira pode levar a erros mais graves do que os provocados pelo ódio, tamanho seu poder de estimular arrebatamentos maléficos. Por isso, é considerada um dos sete pecados capitais.

E a indignação? É um sentimento que brota naturalmente, uma espécie de revolta interior diante de algo que parece inaceitável. Pode ser má, egoísta e farisaica, quando visa apenas a interesses próprios lesados, mas é salutar quando contempla a dignidade de todas as pessoas na sociedade.A palavra “indignação” refere-se à dignidade negada ou agredida, com a conseqüente revolta. Mas a justa indignação pressupõe capacidade, ou seja, percepção do que é digno para si e para as outras pessoas e requer a cristalização na consciência da dignidade a que cada pessoa humana tem direito. Quem não tem essa percepção não é capaz de indignar-se e, assim, diante de coisas graves, mantém-se passivo. Não tem senso de dignidade. Depende, também, da livre informação, pois é esta que mostra como a dignidade está sendo tratada. As restrições à liberdade de informar e a desinformação ideológica levam ou à passividade ou à indignação injusta.

No Brasil de hoje, existe um conjunto enorme de informações sobre fatos que desrespeitam radicalmente a dignidade humana e é importante que a indignação que hoje sente o cidadão brasileiro desencadeie uma ação ética que nos leve a argüir o que podemos fazer para que essa indignidade tenha um cabo. O movimento da OAB-SP é importante porque sugere que não nos conformemos com a indignidade apenas quando os fatos nos atinjam mais de perto.Aceitar que tudo fique como está é ofender a própria nação. Ademais, manifestar indignação é também uma forma de crer: o próprio Jesus derrubou as mesas do templo e pegou um chicote para manifestar a sua indignação diante da profanação da "casa de oração", que se tinha transformado em uma “espelunca de ladrões” (Lc 19,46). Permanecer passivo e resignado diante do mal e da injustiça não é misericórdia nem mansidão, mas covardia, ou inépcia, ou cegueira ideológica.

Cansei, sim, do manicômio tributário (112 tributos!); da maior carga tributária dentre os países emergentes; dos péssimos serviços do Estado; de um Congresso que só pensa, com raras exceções, em vantagens; de tanta corrupção; de tribunais que não condenam; da insegurança; de um presidente do Senado que não mostra dignidade para, ao menos, licenciar-se; e de um presidente da República sem preparo para governar e que não gosta de governar!

Segunda, 13 Agosto 2007 21:00

A Charanga dos Sacripantas

Lula e seus acólitos por interesse desrespeitam seguidamente o imenso contingente de cidadãos que, democraticamente, discordam deles e de seu modelo construtivista de país, que prima pela supremacia do Estado sobre os indivíduos.

O lulopetismo, hoje incrustado no Estado, sempre teve o totalitarismo socialista de Cuba como objetivo de longo prazo, a ser imposto ao povo brasileiro. Não é por outro motivo que, ao primeiro sinal de insatisfação popular com o presidente apedeuta – aquele que não ouve com os ouvidos, mas com as “orelhas” -, recorre logo à surrada artimanha do contra-ataque, acusando a exaurida classe média de tramar um “golpe de direita”, que é como tenta desqualificar o movimento “Cansei”. Não é por outra razão que está criando uma rede de televisão estatal, desperdiçando recursos escassos, subtraídos da educação analfabeta, da saúde doente, da segurança insegura e da infra-estrutura desestruturada, para formar uma rede oficial de exaltação ao regime e ao líder iletrado, para mostrá-los, respectivamente, como o Éden e o Descobridor. Não é por outro intuito que o seu ex-ministro chefe da Casa Civil, relatado pelo Procurador da República como formador de quadrilha, defende, aqui mesmo no pluralista JB, aberrações como o Conselho Nacional de Jornalismo e a Ancinav e sugere que o Estado precisa estabelecer um “controle social” (por parte da “sociedade dos seus amigos”, decerto) sobre os meios de comunicação. Não é por outro escopo que repatria os pugilistas cubanos evadidos da delegação de seu país e aqui inexplicavelmente aprisionados por terem cometido o “crime” de desejarem abandonar a sua terra. E não é por outra causa que atribui os fracassos contundentes do governo a uma pretensa orquestração da “Grande Imprensa”, que reputa de “conservadora”.

Os sacripantas do lulopetismo - imitações das personagens violentas e de caráter fraco dos poemas Orlando Innamorato, de Matteo-Maria Boiardo (1434-1494) e Orlando Furioso, de Luigi Ariosto (1474-1533) -, que se arvoram em porta-vozes das “democracias populares”, quando, na verdade, não passam de locutores do totalitarismo esquerdista, demonstram sobejamente, em cada discurso (começando pelas tolices presidenciais) ou declaração, em cada entrevista ou artigo, que não estão preparados para conviverem com a discordância verdadeiramente democrática. Karl Popper os desmascarou, em seu brilhante A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, mas quem, “neste país”, dá-se ao trabalho de estudar o grande filósofo e economista austríaco, se nem 1% dos que se dizem esquerdistas sequer leram o outro Karl, aquele do Das Kapital?

Lula e seus acólitos por interesse desrespeitam seguidamente o imenso contingente de cidadãos que, democraticamente, discordam deles e de seu modelo construtivista de país, que prima pela supremacia do Estado sobre os indivíduos. Assim, convocam a militância – esta, sim, teleguiada - contra a “direita” e a “imprensa”, emulando com os nazistas, que lançavam a SS contra seus opositores e com Chávez, que joga irmãos contra irmãos. Por isso, qualquer atitude contrária ao governo é acusada de “tentativa de golpe” contra o melhor presidente desde que o infante D. Henrique, conforme a lenda, fundou, no Algarve, por volta de 1417, a Escola Náutica de Sagres... Seu ícone Fidel, pelo menos, já atingiu o estágio cínico-caquético-revolucionário que o dispensa de qualquer máscara: “oposição para que, se o povo está conosco”?

Os mesmos que, há poucos anos, vociferavam “fora Sarney”, “fora Collor”, “fora FMI”, “fora FHC” e, de resto, “fora qualquer coisa”, alegando que o faziam como “manifestações democráticas”, ao ouvirem o primeiro “fora Lula”, acusam-no de tentativa de golpe. Na charanga dos sacripantas, o vento que venta lá não pode ventar cá...

Quem viveu as agruras de um regime fechado – embora muito menos do que os idolatrados pelo lulopetismo – sabe que a melhor arma das sociedades abertas é o voto. Inácio da Silva deve governar (verbo que é mera força de expressão, pois desde 2003 o país espera por seu governo) até 31 de dezembro de 2010. Dois meses antes, não mais apenas cansados, mas exaustos, exangues, exânimes, estafados, estropiados, extenuados, falidos e mal pagos, por conta de sua incompetência apavorante e fanfarronice arrogante, a era das trevas acabará. Pelas urnas!

Quarta, 08 Agosto 2007 21:00

O Letes do Caribe

Porque o “paraíso” cubano – a Disneylândia da esquerda - nada tem de paraíso. Está mais para um presídio leteu, encravado nas margens do Letes, um dos cinco rios do Inferno mitológico!

Em todas as competições esportivas internacionais de que Cuba participa, atletas daquele país escafedem-se da concentração, desaparecem por algum tempo e depois pedem asilo político ao país que organiza o evento. Nos Jogos Pan-Americanos recentemente realizados no Rio não foi diferente, a ponto do ditador-irmão-substituto, Raul Castro, após mais algumas dessas fugas e com medo de novas deserções, ter ordenado que a delegação antecipasse o seu retorno ao país, antes mesmo de receber as medalhas do basquete, embora, naturalmente, negasse com veemência a medida. É óbvio que precisava negar, para não passar recibo.

Até um obstinado carrapato agarrado a um esquálido jegue pastando placidamente em Garanhuns sabe a razão das fugas, mas os pretensos intelectuais tupiniquins e uma parte de nossa mídia teimam em apresentar a ilha-presídio comandada há meio século pelo mesmo ditador como um paraíso caribenho, um exemplo de “democracia popular” a ser imitado e implantado não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. Conforme os documentos do Foro de São Paulo e as ações da atual política externa de Amorim e do obsceno senhor Garcia estão aí para atestar, o sonho-pesadelo do risível Hugo Chávez, sorrateiramente acalentado pelas chamadas cabeças pensantes (sic) do petismo e das esquerdas latino-americanas, é remontar aqui uma réplica da antiga URSS. Parecem torcedores do São Cristóvão, campeão carioca de 1926...

O que leva nossa intelectualidade ballantines a continuar pintando o regime decrépito e comatoso de Cuba com as cores do paraíso, quando na realidade é um inferno, ao qual cabe perfeitamente o dístico de Dante, lasciate ogni speranza, voi ch´entrate? Hayek, em “Intellectuals and Socialism” e Mises, em diversos artigos e livros, esquadrinharam essa doença que acomete muitas pessoas bafejadas pela fama e sucesso, que as leva a adotarem o socialismo como um escudo, para simularem que, “apesar” de ricos (resultado que apenas reflete sua aptidão natural), preocupam-se com os “excluídos”. A explicação está muito mais nos meandros da psicologia do que nas frias escolhas da teoria econômica, despida de capacidade de mergulhar na alma humana. Sentindo-se, de alguma forma, culpadas pelo próprio sucesso, quando deveriam estar felizes com os resultados de seu trabalho e talento, precisam dar uma “explicação” para o seu êxito, até mesmo para que possam continuar a usufruir as delícias mundanas da fama, e o fazem apoiando o socialismo e, naturalmente, o cruel regime cubano. Assim, a massa ignorante - que não sabe discernir igualdade de oportunidades de igualdade por decreto -, os vê com bons olhos.

Os atletas de Cuba podem ser mal educados, mas são, em geral, excepcionais. Não mais do que os nossos, só que, como em qualquer ditadura que se preze, lá o Estado trata os esportes como uma questão política, de afirmação da pretensa superioridade do regime. Daí o seu sucesso e as suas medalhas. Mas quem se apropria de suas suadas vitórias, a não ser os que mandam no país? De que adianta você, amigo leitor, bater um recorde mundial em sua modalidade, se, ao retornar à sua casa, mesmo tendo comprovado o seu talento e vendo coroado de êxito o seu esforço, vai continuar a ter direito aos mesmos quatro ovos de galinha mensais que o governo estabelece como cota para todos? É óbvio que, na primeira oportunidade, após pesar custos e benefícios da decisão de pedir asilo no exterior, muitos decidem que o custo de ficar longe da pátria, da família e dos amigos é inferior ao benefício da liberdade e do êxito que podem obter no estrangeiro. Estes são os motivos das fugas. Não há outros. Se alguém com memória melhor do que a minha conseguir apontar algum caso de um vietnamita do sul que fugiu para o Vietnã do Norte, de um ex-alemão ocidental que se evadiu para a antiga Alemanha comunista, de um coreano do sul que escapou para o norte ou de um norte-americano que buscou asilo em Cuba, darei o braço a torcer.

Porque o “paraíso” cubano – a Disneylândia da esquerda - nada tem de paraíso. Está mais para um presídio leteu, encravado nas margens do Letes, um dos cinco rios do Inferno mitológico!

Segunda, 30 Julho 2007 21:00

Os Limites da Incompetência

Até quando a inépcia de um governo formado por pessoas despreparadas e por indicações meramente políticas de quem não entende do assunto e não sabe tomar decisões vai continuar ceifando vidas inocentes?

Após dez meses de indecisões, de dois desastres de proporções gigantescas, de declarações desencontradas dos responsáveis pela quase dezena de órgãos existentes hoje em nossa aviação civil, de deboches dos fantoches do Planalto ocupantes de cargos de ministros, de desconsideração das empresas aéreas para com os passageiros, de insubordinações de controladores de vôos, enfim, depois de quase um ano de demonstrações quase que diárias de incompetência por parte do governo federal, o que podemos esperar?

Até quando a inépcia de um governo formado por pessoas despreparadas e por indicações meramente políticas de quem não entende do assunto e não sabe tomar decisões vai continuar ceifando vidas inocentes? E até que ponto de desespero o despreparo oficial vai manter sob estado de permanente tensão os milhões de passageiros das aeronaves que cruzam – quando decolam - nossos céus que deixaram de ser de brigadeiro?

Anac, Infraero, DCEA, Cindacta, Ministério da Defesa, Comando da Aeronáutica, CONAC... A sopa de letras e siglas soa inexaurível, como sem fim é o sofrimento dos familiares das vítimas dos dois acidentes e inesgotável o dos usuários de nossos aeroportos com essa intolerável situação! Com tantas letras, afinal, quem controla o que e quem manda em quem? A impressão que se tem é que ninguém comanda ninguém, cada responsável pelos diversos órgãos diz o que lhe vem à telha – e isto quando se digna de dizer alguma coisa – e que, pelo andar da carruagem, o caos, tantas vezes negado quanto tantas confirmado pelos fatos, não tem data marcada para terminar. Para este governo, incompetência parece não ter limites.

O que pensar de um governo que, na mesma semana em que duzentas pessoas perderam tragicamente suas vidas, ousou condecorar com uma medalha “por bons serviços prestados à aviação brasileira” o presidente da Anac, um engenheiro especializado em turismo, colocado no cargo por ser politicamente ligado ao PT, que não pode ser demitido e que só pode largar o posto caso um ressaibo de remorso o faça a ele renunciar? De um governo cuja ministra do Turismo, há cerca de um mês, sugeriu aos passageiros que adotassem atitudes que alguém do primeiro escalão não pode sugerir? De um mesmo governo cujo mentor de nossa política externa terceiro-mundista, na companhia de um assessor, comemorou a notícia de que o avião da TAM estaria com um defeito com gestos obscenos? O que diriam disso os pioneiros de nossa aviação comercial, os fundadores da Varig, da Transbrasil e o comandante Rolim, da própria TAM, por exemplo, caso ainda vivessem? Certamente, devolveriam as próprias medalhas.

Este pandemônio não pode continuar sendo tolerado pelos brasileiros. O mercado de aviação civil no Brasil está mais concentrado que há alguns anos atrás: a rigor, está nas mãos de duas empresas e a solução seria abri-lo à competição com as companhias estrangeiras, o que geraria ganhos para os consumidores, tanto em termos de tarifas mais baixas quanto de liberdade de escolha. Os aeroportos – que são um bom negócio em termos econômicos – permanecem nas mãos do Estado, quando urge que sejam privatizados mediante concessões, tal como ocorreu com algumas rodovias. Os órgãos que compõem a sopa de letras estão inflados de “companheiros” que entendem tanto de aviação quanto um cupim de mecânica quântica. Alguns devem, simplesmente, ser extintos; outros necessitam passar por um processo severo de despolitização e fusão, passando a obedecer a um só comando, subordinado à Aeronáutica e formado por pessoal técnico oriundo da Força Aérea e das próprias empresas do setor.

Parece evidente que a troca do ministro da Defesa, embora tardia, não será suficiente para acabar com a crise, porque aviação não é a área do novo ministro e porque seu nome representa, apenas, mais uma dentre tantas escolhas políticas, em detrimento de uma decisão técnica. Talvez o presidente, quem sabe, o tenha escolhido por ter sobrenome de aeroporto internacional?

Terça, 24 Julho 2007 21:00

Vovô Ouviu as Vaias...

Poucas coisas apavoram tanto os políticos populistas e demagogos quanto o apupo, a vaia, o motejo e a assuada do povo que eles imaginam adorá-los.

Poucas coisas apavoram tanto os políticos populistas e demagogos quanto o apupo, a vaia, o motejo e a assuada do povo que eles imaginam adorá-los. O episódio em que o presidente foi vaiado seis vezes, na abertura do Pan do Rio, com uma nitidez que não passou despercebida nem aos ouvidos de 97 anos de meu querido sogro e amigo, retrata fielmente duas artimanhas de que o populismo de esquerda sempre se valeu. A primeira, repetir exaustivamente uma tolice, até transformá-la em verdade inquestionável, que passa então a ser repetida, sem qualquer reflexão, por milhões de papagaios, e a segunda, sempre que pressionada por adversários, colocar qualquer argumento racional no armário e partir para o ataque, na tentativa de desqualificar o oponente.

A estultice que acabou adquirindo ar de verdade irretorquível é a de que apenas governos de esquerda seriam “populares e democráticos”. Aquelas vaias, por si, desqualificaram essa baboseira. Mostraram que nosso presidente - desprovido de espírito esportivo e acostumado à inebriante exaltação dos áulicos de plantão -, não é tão popular como apregoam seus defensores e revelaram também que ele e seus assessores imediatos nada têm de democráticos, até pelo contrário, apresentam muitas dificuldades para tolerar a divergência, o que explica a quebra de um protocolo que vinha sendo respeitado há 56 anos, segundo o qual sempre coube ao presidente anfitrião declarar abertos os jogos. Vovô ouviu. E o mundo inteiro também...

A tentativa de desqualificar o “adversário” – formado por um coro de mais de 80 mil pessoas – foi ligar os apupos a uma pretensa “orquestração”, indiretamente atribuída ao prefeito do Rio. Conversa para boi dormir, mas que não faz sequer bocejar nem os gordos animais do rebanho do presidente do nosso Senado... Mas é sempre assim. É da psicologia dos demagogos não saber perder. Se César Maia – ou qualquer outro – conseguisse organizar um coro com aquelas proporções, mereceria todas as medalhas de ouro, prata e bronze que estão sendo disputadas, além do cargo de regente vitalício da orquestra do Teatro Municipal...

O Rio de Janeiro, mais uma vez, deu uma lição ao país, no mais democrático espaço público nacional, o Maracanã. O povo vaiou o presidente seis vezes (sem contar os apupos do ensaio geral do evento): à chegada, quando apareceu no telão; nas três saudações em que teve o nome citado; quando Carlos Nuzman pronunciou o seu nome; e, finalmente, ao ser chamado por Mario Vázquez Raña, presidente da Organização Desportiva Pan-Americana. A sétima, certamente, seria quando começasse a falar. A arquitetura e a alma do estádio mais importante do mundo tornaram impossível ao zeloso cerimonial da Presidência evitar o contacto do seu messias com o povo, o que não ocorre nas outras aparições públicas do “maior presidente de todos os tempos”, em que sempre é possível separar quem quer aplaudir de quem deseja vaiar, mantendo-se os últimos a uma distância que os impeça de gritar ou arremessar tomates...

Maracanã é lugar de classe média, que lê jornal: a turma do “Bolsa Família” não estava lá, nem tampouco a das ONGs petistas subvencionadas pelo governo, nem o séqüito de bajuladores oficiais aquinhoados com empregos de DAS e nem certos professores de História que crêem ser sua missão doutrinar crianças desde a mais tenra idade... E quem pertence à classe média é tão “trabalhador” quanto quem é pobre, muito mais trabalhador do que os puxa-sacos oficiais e, até prova em contrário, também faz parte do “povo”. Ou não?

O recado do Maracanã é claro: a parcela mais esclarecida do povo está cansada de ser enganada, ludibriada, tapeada, tungada e sugada por políticos que tudo prometem e que se acham os donos da verdade. A primeira reação foi vaiar e a seguinte, certamente, será votar. Os institutos de pesquisas de opinião precisam abrir os olhos, para não caírem em descrédito. A verdade, cedo ou tarde, sempre aparece.

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