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Ubiratan Iorio

Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

Sábado, 01 Setembro 2007 21:00

Linguagem Para Embalagem

O método mais sutil e eficiente, fartamente utilizado por regimes totalitários de todos os matizes, para cooptar um povo e moldá-lo a objetivos políticos predefinidos, é o controle do vocabulário.

O método mais sutil e eficiente, fartamente utilizado por regimes totalitários de todos os matizes, para cooptar um povo e moldá-lo a objetivos políticos predefinidos, é o controle do vocabulário. Exemplo atual é a inoculação subliminar, pelos sectários de Gramsci - Il Gobbo , de uma linguagem-embalagem para adornar, com fitas “politicamente corretas”, caixas de conteúdo literalmante vazio. Esse vocabulário – que o ex-ministro petista Nilmário Miranda tentou tornar obrigatório com uma absurda cartilha paga com o nosso dinheiro - , taramelado ininterruptamente em bares, reuniões de artistas e “intelectuais”, passeatas, “atos”, “abraços”, universidades e assembléias de todos os tipos, lido, ouvido e visto incessantemente, acaba criando em suas vítimas o hábito de não pensar, substituindo a lógica pelos chavões e palavras de ordem. Multidões passam a se comportar como autômatos, marionetes, fantoches e bonifrates, escravas de um algoritmo, mas sem raciocínio, lógica e vontade própria. Isto serve bem à “Causa”.

A massificação calculada de palavras doninhas (mamíferos que sugam o interior dos ovos com um minúsculo furo, deixando-os aparentemente intactos), como as batizou o economista e cartunista Scott Adams, demarca uma conveniente área cinzenta entre o bom comportamento moral (o socialismo, naturalmente) e a delinqüência (a liberal-democracia). A senha maga tem seis letras - é a palavra “social”, que, quando pronunciada e confirmada, assegura conduto sem patrulhamento a conselhos e assembléias, reuniões e debates, com a cumplicidade da mídia da insídia. O dialeto injetado em milhões de marionetes, bombardeado diariamente e papagueado por apresentadores de TV e repórteres, ao ser progressivamente absorvido pela maioria das pessoas, transforma-se em prática consuetudinária, que exigirá muitos anos para ser desmascarada em sua farsa.

Quem não usa as expressões mágicas é carimbado como politicamente incorreto e acossado, a ponto de desejar enfiar-se em um buraco e chorar lágrimas de chafariz. Eis alguns exemplos desses verbetes, em ordem alfabética: afro-descendente, aquecimento global, articulação, cadeirante, cidadania, comunidade, consciência (ecológica, política), conservador, cotas, deficiente (visual, auditivo), desigualdades, desmonte do Estado, direitos (civis, humanos, de minorias, sociais), discriminação, dominação, elites, entidades, exclusão, função social da terra, grande capital, grande mídia, história (de vida), Império, inclusão, inconsciente coletivo, justiça social, libertação, mãe-terra, mesa de negociações, minorias étnicas, mobilização, modelo (perverso, concentrador), movimentos sociais, mudanças, opção (sexual, pelos pobres), parceria, patrimônio público, políticas (afirmativas, públicas), potência hegemônica, preconceito, privataria, progressista, projeto de país, reforma agrária, relação, responsabilidade social, soberania, sociedade (civil organizada), sucateamento (da universidade pública). E há muitos outros, Madonna mia!

Assim, ser contra cotas em universidades garante o carimbo de conservador; opor-se ao matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, de preconceituoso; ser a favor da exigência de diploma superior para o presidente do país (já que se requer o de curso médio para um gari), de elitista ou dondoca; sustentar que a função social da terra é uma completa tolice, de servo dos latifundiários... As doninhas jamais o perdoarão e o precipitarão nos abismos tenebrosos e lôbregos do Tártaro, para padecer em eterno choro e ranger de dentes.

Por isso, não há oposição efetivamente liberal-conservadora no Brasil e oscilamos entre PT e PSDB, ou seja, entre o apetite e a apetência... Automatizada, a maioria das pessoas passou a não ter opinião própria, e muitas das que a têm, sendo implacavelmente policiadas pelas doninhas, receiam cair em desgraça e entram no jogo. Pobre país.

Terça, 28 Agosto 2007 21:00

O "Estado Raquítico" de Hunger-Pochmann

Neste governo, em particular, parece viger um terceiro aforismo, que podemos denominar de “Princípio de Camargo”: “quanto pior, melhor para o cargo”...

Certos ocupantes de altos cargos na hierarquia pública parecem crer que os cidadãos são idiotas. Ao tomar posse na presidência do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), agora deslocado – na mais recente contra-dança do minueto que vem ensaiando desde a sua fundação – para a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo (sic), o economista (da Unicamp, naturalmente) Márcio Pochmann, secretário de Planejamento da ex-prefeita paulista, trombeteou a redefinição do papel Estado brasileiro, que, segundo suas doutas palavras, seria "raquítico".

É preocupante que o respeitado órgão da Av Presidente Antonio Carlos 51, abrigo de tantos economistas competentes, passe a ser comandado por quem, contra as evidências, emita juízo - falso e puramente ideológico - de tais proporções. Mais inquietante é que seu atual chefe, o excêntrico, ininteligível e “legendário” professor de Direito de Harvard, de sotaque e idéias tão claros quanto as águas do Tietê, Roberto Mangabeira Unger, o mesmo que há pouco tempo taxara o governo a que hoje pertence de "o mais corrupto da República", tenha debuxado, na solenidade de posse de seu subalterno, a necessidade de uma simbiose “dialética” entre economistas de diversas tendências. Para o simbiôntico professor, ao que parece, se alocarmos em uma mesma pesquisa um economista ortodoxo e uma heterodoxa e se ambos seguirem os nada cândidos conselhos relaxantes da atual ministra do Turismo, virá à luz, em nove meses, um genial bebê “moneterodoxo”, ou “desenvolvimentarista”, superior aos pais... Essa parvoíce hegeliana ignora que tal gestação é impossível, pela mesma razão que ou está chovendo ou não está: são atributos contraditórios, e não contrários, não admitindo meios termos.

Não é preciso explicar, para não subestimarmos a inteligência do leitor, mas é recomendável chamar a atenção para a gravidade das sandices fantasiadas de sabedoria pronunciadas naquele evento. Se nosso Estado é raquítico, só pode ser em termos da eficácia, caráter, eficiência, integridade, ética, moral, correção, idoneidade, honestidade, virtuosidade, dignidade e retidão de propósitos para com o bem comum, com que desenvolve as suas ações. É desnecessário buscar exemplos: basta observarmos que ano após ano trabalhamos para sustentá-lo até o dia 26 de maio, e lembrarmo-nos da própria assertiva do agora “Secretário da Bola de Cristal”, quando o qualificou como o mais deteriorado da República.

Não poucos dos que ocupam ou ocuparam o poder, incluindo vários ministros, ex-ministros, secretários e, obviamente, presidentes e ex-presidentes, não se limitam a validar o pitoresco “Princípio de Peter”, proposto por Laurence Peter em 1969 e hoje considerado um clássico no campo da gestão: "In a hierarchy, every employee tends to rise to his level of incompetence” (em uma hierarquia todo funcionário tende a ser promovido até o seu "nível de incompetência"), a partir do qual já não possui capacidade para exercer a função que ocupa. Vão além: tornam tímida a modificação ao Princípio de Peter proposta por Frey, para quem “há pessoas que sobem três níveis acima de seu nível de incompetência, até a ocasião em que sua incompetência é notada”. Três níveis, só? Mais, por favor... Neste governo, em particular, parece viger um terceiro aforismo, que podemos denominar de “Princípio de Camargo”: “quanto pior, melhor para o cargo”... Como as nomeações são feitas pelas hierarquias superiores, que se encontram num claro "nível de incompetência", podemos deduzir facilmente da máxima de Peter quão rasteiro deve ser o grau de nivelamento.

Estado raquítico no Brasil? “Dialética” entre liberais e intervencionistas? Pensar no “longo prazo”, justo um governo que há 56 meses ainda não deslanchou? Menos, por favor, até porque o grau de QI médio dos brasileiros é bem maior do que os 25 que caracterizam a idiotia...

Quarta, 22 Agosto 2007 21:00

Da Indignação, da Raiva e da Ira

O movimento conhecido como “Cansei”, capitaneado pela OAB de São Paulo, nada tem de irado ou raivoso: é pura e justa indignação em relação ao estado de coisas vigente no Brasil há anos.

Não se deve confundir raiva e ira, que são vícios, com indignação, que, quando envolve um saudável desejo de justiça, é uma virtude. O movimento conhecido como “Cansei”, capitaneado pela OAB de São Paulo, nada tem de irado ou raivoso: é pura e justa indignação em relação ao estado de coisas vigente no Brasil há anos.

A raiva é um sentimento - que difere entre os indivíduos - de protesto, insegurança, timidez ou frustração, que surge quando alguém se sente ameaçado. Suas causas mais comuns são a inveja, o ego, a necessidade de mostrar-se superior aos outros, os estímulos à competição predatória entre colegas de trabalho, a falta de carinho por parte da família (ou a ausência desta) e o caos no trânsito. Manifesta-se pela violência (verbal ou física), ódio e agressividade. É uma enfermidade que carcome de dentro para fora e que gera problemas no sistema nervoso central, disfunção glandular e desequilíbrio psicológico. Sua cura é o perdão. Já a ira é como uma raiva mais intensa, um caleidoscópio de emoções fortes, uma vontade de agressão, por causas acumuladas ou traumas, em que a emotividade subjuga a racionalidade e o juízo normal, podendo levar a atitudes que deixarão arrependimento posterior. Quando forte, pode converter-se em ódio, que leva, pelo uso da razão, ao desejo de vingança e ao prazer com o seu êxito. A ira – emocional - é um sentimento breve, mas o ódio – racional - pode durar uma vida inteira. Contudo, um acesso de ira pode levar a erros mais graves do que os provocados pelo ódio, tamanho seu poder de estimular arrebatamentos maléficos. Por isso, é considerada um dos sete pecados capitais.

E a indignação? É um sentimento que brota naturalmente, uma espécie de revolta interior diante de algo que parece inaceitável. Pode ser má, egoísta e farisaica, quando visa apenas a interesses próprios lesados, mas é salutar quando contempla a dignidade de todas as pessoas na sociedade.A palavra “indignação” refere-se à dignidade negada ou agredida, com a conseqüente revolta. Mas a justa indignação pressupõe capacidade, ou seja, percepção do que é digno para si e para as outras pessoas e requer a cristalização na consciência da dignidade a que cada pessoa humana tem direito. Quem não tem essa percepção não é capaz de indignar-se e, assim, diante de coisas graves, mantém-se passivo. Não tem senso de dignidade. Depende, também, da livre informação, pois é esta que mostra como a dignidade está sendo tratada. As restrições à liberdade de informar e a desinformação ideológica levam ou à passividade ou à indignação injusta.

No Brasil de hoje, existe um conjunto enorme de informações sobre fatos que desrespeitam radicalmente a dignidade humana e é importante que a indignação que hoje sente o cidadão brasileiro desencadeie uma ação ética que nos leve a argüir o que podemos fazer para que essa indignidade tenha um cabo. O movimento da OAB-SP é importante porque sugere que não nos conformemos com a indignidade apenas quando os fatos nos atinjam mais de perto.Aceitar que tudo fique como está é ofender a própria nação. Ademais, manifestar indignação é também uma forma de crer: o próprio Jesus derrubou as mesas do templo e pegou um chicote para manifestar a sua indignação diante da profanação da "casa de oração", que se tinha transformado em uma “espelunca de ladrões” (Lc 19,46). Permanecer passivo e resignado diante do mal e da injustiça não é misericórdia nem mansidão, mas covardia, ou inépcia, ou cegueira ideológica.

Cansei, sim, do manicômio tributário (112 tributos!); da maior carga tributária dentre os países emergentes; dos péssimos serviços do Estado; de um Congresso que só pensa, com raras exceções, em vantagens; de tanta corrupção; de tribunais que não condenam; da insegurança; de um presidente do Senado que não mostra dignidade para, ao menos, licenciar-se; e de um presidente da República sem preparo para governar e que não gosta de governar!

Segunda, 13 Agosto 2007 21:00

A Charanga dos Sacripantas

Lula e seus acólitos por interesse desrespeitam seguidamente o imenso contingente de cidadãos que, democraticamente, discordam deles e de seu modelo construtivista de país, que prima pela supremacia do Estado sobre os indivíduos.

O lulopetismo, hoje incrustado no Estado, sempre teve o totalitarismo socialista de Cuba como objetivo de longo prazo, a ser imposto ao povo brasileiro. Não é por outro motivo que, ao primeiro sinal de insatisfação popular com o presidente apedeuta – aquele que não ouve com os ouvidos, mas com as “orelhas” -, recorre logo à surrada artimanha do contra-ataque, acusando a exaurida classe média de tramar um “golpe de direita”, que é como tenta desqualificar o movimento “Cansei”. Não é por outra razão que está criando uma rede de televisão estatal, desperdiçando recursos escassos, subtraídos da educação analfabeta, da saúde doente, da segurança insegura e da infra-estrutura desestruturada, para formar uma rede oficial de exaltação ao regime e ao líder iletrado, para mostrá-los, respectivamente, como o Éden e o Descobridor. Não é por outro intuito que o seu ex-ministro chefe da Casa Civil, relatado pelo Procurador da República como formador de quadrilha, defende, aqui mesmo no pluralista JB, aberrações como o Conselho Nacional de Jornalismo e a Ancinav e sugere que o Estado precisa estabelecer um “controle social” (por parte da “sociedade dos seus amigos”, decerto) sobre os meios de comunicação. Não é por outro escopo que repatria os pugilistas cubanos evadidos da delegação de seu país e aqui inexplicavelmente aprisionados por terem cometido o “crime” de desejarem abandonar a sua terra. E não é por outra causa que atribui os fracassos contundentes do governo a uma pretensa orquestração da “Grande Imprensa”, que reputa de “conservadora”.

Os sacripantas do lulopetismo - imitações das personagens violentas e de caráter fraco dos poemas Orlando Innamorato, de Matteo-Maria Boiardo (1434-1494) e Orlando Furioso, de Luigi Ariosto (1474-1533) -, que se arvoram em porta-vozes das “democracias populares”, quando, na verdade, não passam de locutores do totalitarismo esquerdista, demonstram sobejamente, em cada discurso (começando pelas tolices presidenciais) ou declaração, em cada entrevista ou artigo, que não estão preparados para conviverem com a discordância verdadeiramente democrática. Karl Popper os desmascarou, em seu brilhante A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, mas quem, “neste país”, dá-se ao trabalho de estudar o grande filósofo e economista austríaco, se nem 1% dos que se dizem esquerdistas sequer leram o outro Karl, aquele do Das Kapital?

Lula e seus acólitos por interesse desrespeitam seguidamente o imenso contingente de cidadãos que, democraticamente, discordam deles e de seu modelo construtivista de país, que prima pela supremacia do Estado sobre os indivíduos. Assim, convocam a militância – esta, sim, teleguiada - contra a “direita” e a “imprensa”, emulando com os nazistas, que lançavam a SS contra seus opositores e com Chávez, que joga irmãos contra irmãos. Por isso, qualquer atitude contrária ao governo é acusada de “tentativa de golpe” contra o melhor presidente desde que o infante D. Henrique, conforme a lenda, fundou, no Algarve, por volta de 1417, a Escola Náutica de Sagres... Seu ícone Fidel, pelo menos, já atingiu o estágio cínico-caquético-revolucionário que o dispensa de qualquer máscara: “oposição para que, se o povo está conosco”?

Os mesmos que, há poucos anos, vociferavam “fora Sarney”, “fora Collor”, “fora FMI”, “fora FHC” e, de resto, “fora qualquer coisa”, alegando que o faziam como “manifestações democráticas”, ao ouvirem o primeiro “fora Lula”, acusam-no de tentativa de golpe. Na charanga dos sacripantas, o vento que venta lá não pode ventar cá...

Quem viveu as agruras de um regime fechado – embora muito menos do que os idolatrados pelo lulopetismo – sabe que a melhor arma das sociedades abertas é o voto. Inácio da Silva deve governar (verbo que é mera força de expressão, pois desde 2003 o país espera por seu governo) até 31 de dezembro de 2010. Dois meses antes, não mais apenas cansados, mas exaustos, exangues, exânimes, estafados, estropiados, extenuados, falidos e mal pagos, por conta de sua incompetência apavorante e fanfarronice arrogante, a era das trevas acabará. Pelas urnas!

Quarta, 08 Agosto 2007 21:00

O Letes do Caribe

Porque o “paraíso” cubano – a Disneylândia da esquerda - nada tem de paraíso. Está mais para um presídio leteu, encravado nas margens do Letes, um dos cinco rios do Inferno mitológico!

Em todas as competições esportivas internacionais de que Cuba participa, atletas daquele país escafedem-se da concentração, desaparecem por algum tempo e depois pedem asilo político ao país que organiza o evento. Nos Jogos Pan-Americanos recentemente realizados no Rio não foi diferente, a ponto do ditador-irmão-substituto, Raul Castro, após mais algumas dessas fugas e com medo de novas deserções, ter ordenado que a delegação antecipasse o seu retorno ao país, antes mesmo de receber as medalhas do basquete, embora, naturalmente, negasse com veemência a medida. É óbvio que precisava negar, para não passar recibo.

Até um obstinado carrapato agarrado a um esquálido jegue pastando placidamente em Garanhuns sabe a razão das fugas, mas os pretensos intelectuais tupiniquins e uma parte de nossa mídia teimam em apresentar a ilha-presídio comandada há meio século pelo mesmo ditador como um paraíso caribenho, um exemplo de “democracia popular” a ser imitado e implantado não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. Conforme os documentos do Foro de São Paulo e as ações da atual política externa de Amorim e do obsceno senhor Garcia estão aí para atestar, o sonho-pesadelo do risível Hugo Chávez, sorrateiramente acalentado pelas chamadas cabeças pensantes (sic) do petismo e das esquerdas latino-americanas, é remontar aqui uma réplica da antiga URSS. Parecem torcedores do São Cristóvão, campeão carioca de 1926...

O que leva nossa intelectualidade ballantines a continuar pintando o regime decrépito e comatoso de Cuba com as cores do paraíso, quando na realidade é um inferno, ao qual cabe perfeitamente o dístico de Dante, lasciate ogni speranza, voi ch´entrate? Hayek, em “Intellectuals and Socialism” e Mises, em diversos artigos e livros, esquadrinharam essa doença que acomete muitas pessoas bafejadas pela fama e sucesso, que as leva a adotarem o socialismo como um escudo, para simularem que, “apesar” de ricos (resultado que apenas reflete sua aptidão natural), preocupam-se com os “excluídos”. A explicação está muito mais nos meandros da psicologia do que nas frias escolhas da teoria econômica, despida de capacidade de mergulhar na alma humana. Sentindo-se, de alguma forma, culpadas pelo próprio sucesso, quando deveriam estar felizes com os resultados de seu trabalho e talento, precisam dar uma “explicação” para o seu êxito, até mesmo para que possam continuar a usufruir as delícias mundanas da fama, e o fazem apoiando o socialismo e, naturalmente, o cruel regime cubano. Assim, a massa ignorante - que não sabe discernir igualdade de oportunidades de igualdade por decreto -, os vê com bons olhos.

Os atletas de Cuba podem ser mal educados, mas são, em geral, excepcionais. Não mais do que os nossos, só que, como em qualquer ditadura que se preze, lá o Estado trata os esportes como uma questão política, de afirmação da pretensa superioridade do regime. Daí o seu sucesso e as suas medalhas. Mas quem se apropria de suas suadas vitórias, a não ser os que mandam no país? De que adianta você, amigo leitor, bater um recorde mundial em sua modalidade, se, ao retornar à sua casa, mesmo tendo comprovado o seu talento e vendo coroado de êxito o seu esforço, vai continuar a ter direito aos mesmos quatro ovos de galinha mensais que o governo estabelece como cota para todos? É óbvio que, na primeira oportunidade, após pesar custos e benefícios da decisão de pedir asilo no exterior, muitos decidem que o custo de ficar longe da pátria, da família e dos amigos é inferior ao benefício da liberdade e do êxito que podem obter no estrangeiro. Estes são os motivos das fugas. Não há outros. Se alguém com memória melhor do que a minha conseguir apontar algum caso de um vietnamita do sul que fugiu para o Vietnã do Norte, de um ex-alemão ocidental que se evadiu para a antiga Alemanha comunista, de um coreano do sul que escapou para o norte ou de um norte-americano que buscou asilo em Cuba, darei o braço a torcer.

Porque o “paraíso” cubano – a Disneylândia da esquerda - nada tem de paraíso. Está mais para um presídio leteu, encravado nas margens do Letes, um dos cinco rios do Inferno mitológico!

Segunda, 30 Julho 2007 21:00

Os Limites da Incompetência

Até quando a inépcia de um governo formado por pessoas despreparadas e por indicações meramente políticas de quem não entende do assunto e não sabe tomar decisões vai continuar ceifando vidas inocentes?

Após dez meses de indecisões, de dois desastres de proporções gigantescas, de declarações desencontradas dos responsáveis pela quase dezena de órgãos existentes hoje em nossa aviação civil, de deboches dos fantoches do Planalto ocupantes de cargos de ministros, de desconsideração das empresas aéreas para com os passageiros, de insubordinações de controladores de vôos, enfim, depois de quase um ano de demonstrações quase que diárias de incompetência por parte do governo federal, o que podemos esperar?

Até quando a inépcia de um governo formado por pessoas despreparadas e por indicações meramente políticas de quem não entende do assunto e não sabe tomar decisões vai continuar ceifando vidas inocentes? E até que ponto de desespero o despreparo oficial vai manter sob estado de permanente tensão os milhões de passageiros das aeronaves que cruzam – quando decolam - nossos céus que deixaram de ser de brigadeiro?

Anac, Infraero, DCEA, Cindacta, Ministério da Defesa, Comando da Aeronáutica, CONAC... A sopa de letras e siglas soa inexaurível, como sem fim é o sofrimento dos familiares das vítimas dos dois acidentes e inesgotável o dos usuários de nossos aeroportos com essa intolerável situação! Com tantas letras, afinal, quem controla o que e quem manda em quem? A impressão que se tem é que ninguém comanda ninguém, cada responsável pelos diversos órgãos diz o que lhe vem à telha – e isto quando se digna de dizer alguma coisa – e que, pelo andar da carruagem, o caos, tantas vezes negado quanto tantas confirmado pelos fatos, não tem data marcada para terminar. Para este governo, incompetência parece não ter limites.

O que pensar de um governo que, na mesma semana em que duzentas pessoas perderam tragicamente suas vidas, ousou condecorar com uma medalha “por bons serviços prestados à aviação brasileira” o presidente da Anac, um engenheiro especializado em turismo, colocado no cargo por ser politicamente ligado ao PT, que não pode ser demitido e que só pode largar o posto caso um ressaibo de remorso o faça a ele renunciar? De um governo cuja ministra do Turismo, há cerca de um mês, sugeriu aos passageiros que adotassem atitudes que alguém do primeiro escalão não pode sugerir? De um mesmo governo cujo mentor de nossa política externa terceiro-mundista, na companhia de um assessor, comemorou a notícia de que o avião da TAM estaria com um defeito com gestos obscenos? O que diriam disso os pioneiros de nossa aviação comercial, os fundadores da Varig, da Transbrasil e o comandante Rolim, da própria TAM, por exemplo, caso ainda vivessem? Certamente, devolveriam as próprias medalhas.

Este pandemônio não pode continuar sendo tolerado pelos brasileiros. O mercado de aviação civil no Brasil está mais concentrado que há alguns anos atrás: a rigor, está nas mãos de duas empresas e a solução seria abri-lo à competição com as companhias estrangeiras, o que geraria ganhos para os consumidores, tanto em termos de tarifas mais baixas quanto de liberdade de escolha. Os aeroportos – que são um bom negócio em termos econômicos – permanecem nas mãos do Estado, quando urge que sejam privatizados mediante concessões, tal como ocorreu com algumas rodovias. Os órgãos que compõem a sopa de letras estão inflados de “companheiros” que entendem tanto de aviação quanto um cupim de mecânica quântica. Alguns devem, simplesmente, ser extintos; outros necessitam passar por um processo severo de despolitização e fusão, passando a obedecer a um só comando, subordinado à Aeronáutica e formado por pessoal técnico oriundo da Força Aérea e das próprias empresas do setor.

Parece evidente que a troca do ministro da Defesa, embora tardia, não será suficiente para acabar com a crise, porque aviação não é a área do novo ministro e porque seu nome representa, apenas, mais uma dentre tantas escolhas políticas, em detrimento de uma decisão técnica. Talvez o presidente, quem sabe, o tenha escolhido por ter sobrenome de aeroporto internacional?

Terça, 24 Julho 2007 21:00

Vovô Ouviu as Vaias...

Poucas coisas apavoram tanto os políticos populistas e demagogos quanto o apupo, a vaia, o motejo e a assuada do povo que eles imaginam adorá-los.

Poucas coisas apavoram tanto os políticos populistas e demagogos quanto o apupo, a vaia, o motejo e a assuada do povo que eles imaginam adorá-los. O episódio em que o presidente foi vaiado seis vezes, na abertura do Pan do Rio, com uma nitidez que não passou despercebida nem aos ouvidos de 97 anos de meu querido sogro e amigo, retrata fielmente duas artimanhas de que o populismo de esquerda sempre se valeu. A primeira, repetir exaustivamente uma tolice, até transformá-la em verdade inquestionável, que passa então a ser repetida, sem qualquer reflexão, por milhões de papagaios, e a segunda, sempre que pressionada por adversários, colocar qualquer argumento racional no armário e partir para o ataque, na tentativa de desqualificar o oponente.

A estultice que acabou adquirindo ar de verdade irretorquível é a de que apenas governos de esquerda seriam “populares e democráticos”. Aquelas vaias, por si, desqualificaram essa baboseira. Mostraram que nosso presidente - desprovido de espírito esportivo e acostumado à inebriante exaltação dos áulicos de plantão -, não é tão popular como apregoam seus defensores e revelaram também que ele e seus assessores imediatos nada têm de democráticos, até pelo contrário, apresentam muitas dificuldades para tolerar a divergência, o que explica a quebra de um protocolo que vinha sendo respeitado há 56 anos, segundo o qual sempre coube ao presidente anfitrião declarar abertos os jogos. Vovô ouviu. E o mundo inteiro também...

A tentativa de desqualificar o “adversário” – formado por um coro de mais de 80 mil pessoas – foi ligar os apupos a uma pretensa “orquestração”, indiretamente atribuída ao prefeito do Rio. Conversa para boi dormir, mas que não faz sequer bocejar nem os gordos animais do rebanho do presidente do nosso Senado... Mas é sempre assim. É da psicologia dos demagogos não saber perder. Se César Maia – ou qualquer outro – conseguisse organizar um coro com aquelas proporções, mereceria todas as medalhas de ouro, prata e bronze que estão sendo disputadas, além do cargo de regente vitalício da orquestra do Teatro Municipal...

O Rio de Janeiro, mais uma vez, deu uma lição ao país, no mais democrático espaço público nacional, o Maracanã. O povo vaiou o presidente seis vezes (sem contar os apupos do ensaio geral do evento): à chegada, quando apareceu no telão; nas três saudações em que teve o nome citado; quando Carlos Nuzman pronunciou o seu nome; e, finalmente, ao ser chamado por Mario Vázquez Raña, presidente da Organização Desportiva Pan-Americana. A sétima, certamente, seria quando começasse a falar. A arquitetura e a alma do estádio mais importante do mundo tornaram impossível ao zeloso cerimonial da Presidência evitar o contacto do seu messias com o povo, o que não ocorre nas outras aparições públicas do “maior presidente de todos os tempos”, em que sempre é possível separar quem quer aplaudir de quem deseja vaiar, mantendo-se os últimos a uma distância que os impeça de gritar ou arremessar tomates...

Maracanã é lugar de classe média, que lê jornal: a turma do “Bolsa Família” não estava lá, nem tampouco a das ONGs petistas subvencionadas pelo governo, nem o séqüito de bajuladores oficiais aquinhoados com empregos de DAS e nem certos professores de História que crêem ser sua missão doutrinar crianças desde a mais tenra idade... E quem pertence à classe média é tão “trabalhador” quanto quem é pobre, muito mais trabalhador do que os puxa-sacos oficiais e, até prova em contrário, também faz parte do “povo”. Ou não?

O recado do Maracanã é claro: a parcela mais esclarecida do povo está cansada de ser enganada, ludibriada, tapeada, tungada e sugada por políticos que tudo prometem e que se acham os donos da verdade. A primeira reação foi vaiar e a seguinte, certamente, será votar. Os institutos de pesquisas de opinião precisam abrir os olhos, para não caírem em descrédito. A verdade, cedo ou tarde, sempre aparece.

Segunda, 16 Julho 2007 21:00

Buchanan e os Déficits

Como afirmou com propriedade o Prof. Buchanan, uma das características do século XX foi que, por influência do relativismo moral - de que o keynesianismo foi manifestação no campo da teoria econômica.

Aparentemente, as más conseqüências do hábito que os governos adquiriram, por influência das idéias de Keynes e de seus seguidores, de manterem déficits permanentes e de serem, conseqüentemente, obrigados a financiá-los, são mais compreendidas pelo público em geral do que pelos economistas profissionais. Essa anomalia, percebida pelo Professor James Buchanan, Nobel de Economia de 1986 e mentor da chamada Escola da Escolha Pública (Public Choice School), explica-se pela ênfase ao keynesianismo que os currículos das faculdades de Economia passaram a dar, no mundo inteiro, a partir dos anos 40 e que ainda prevalece, mesmo após o fracasso das políticas de "sintonia fina" e do "Estado do Bem-Estar Social".

A formação intervencionista dos economistas levou-os generalizadamente a crer que, com duas xícaras de política fiscal, algumas pitadas de política monetária, uma colher de sopa de controle cambial, uma raspa de política industrial e um tablete de “criatividade” - tudo isto levado ao forno do prestígio e poder de que passaram a usufruir -, poderiam, usando expressão jactanciosa do próprio Keynes, “transformar pedras em pães”. Mas o homem simples, obrigado a viver de acordo com suas posses, consegue enxergar com mais clareza os malefícios provocados pelos déficits crônicos. Com efeito, enquanto, para a grande maioria dos economistas, déficits são necessários, para o público eles são reflexo de hábitos perdulários. Como afirmou com propriedade o Prof. Buchanan, uma das características do século XX foi que, por influência do relativismo moral - de que o keynesianismo foi manifestação no campo da teoria econômica - a geração de déficits pelo setor público, assim como seus efeitos sobre a inflação, o desemprego e a dívida, deixaram de ser consideradas atitudes moralmente erradas.

Quando um chefe de família gasta permanentemente acima de sua renda, as conseqüências de sua imprudência não tardarão a surgir. Da mesma forma, quando uma empresa opera no "vermelho" durante vários exercícios seguidos, é quase certo que fechará as suas portas (a não ser que seus donos tenham “amigos” em Brasília). Em ambos os casos, para consertar a situação serão necessárias providências severas, com cortes de despesas. A rigor, tanto sob o ponto de vista moral como sob as óticas econômica e financeira, gastar seguidamente mais do que se ganha é uma decisão errada, que, se não corrigida, terminará sendo punida, não por algum carrasco conservador implacável, mas pelas próprias normas que regem a ação humana. O ponto essencial, mas que muitos não conseguem perceber, é que o Estado também está subordinado às restrições de natureza moral, econômica e financeira a que famílias e empresas necessariamente estão sujeitas. Como diria Adam Smith, o que é imprudente para chefes de família e empresários não pode ser prudente para os homens do governo. Keynes, mesmo involuntariamente, forneceu aos políticos o argumento “técnico” que sempre desejaram: gastem, porque isso gerará empregos...

Mas quem vai explicar isto para o deputado federal Pompeo de Mattos, do PDT gaúcho, que acaba de apresentar emenda constitucional propondo mais 5.189 vagas para vereadores, generosidade com o chapéu alheio que, se vier a ser aprovada por nosso patriótico Congresso, anulará resolução do TSE de 2004, que extinguiu mais de oito mil cadeiras nas câmaras municipais? Ou para os economistas da equipe de Mantega, que ainda crêem que o Estado é a grande e inexaurível fonte de geração de riqueza? Ou para o Judiciário, que curte alojar-se em verdadeiros palácios? Ou para este governo petista que vem irresponsavelmente inflando os gastos com pessoal à taxa anual de 13%, ou seja, oito e meio pontos percentuais acima da taxa média de crescimento do PIB real e que agora pretende substituir 30.000 terceirizados por funcionários concursados? Ou para políticos que preferem construir estádios e deixar escolas e hospitais à míngua? Ah, que bom seria essa gente ler The Calculus of Consent, de Buchanan!

Terça, 10 Julho 2007 21:00

Cotas e Lorotas

A ação realmente afirmativa de que carece o país é uma boa educação para todos, sem qualquer distinção, e que premie o mérito. Basta de cotas e de lorotas!

Há poucos dias, a Suprema Corte dos Estados Unidos, em decisão apertada – cinco votos contra quatro – desferiu um golpe letal no denominado princípio de ação afirmativa, ao decidir pela inconstitucionalidade do sistema de cotas étnicas em dois distritos: Seattle, no estado de Washington e Louisville, em Kentuky. Tal decisão deverá firmar jurisprudência, dando margem a ações judiciais contra as cotas, o que poderá pôr fim a essa prática. Entrementes, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o sistema de cotas acaba de ser aprovado...

Ações afirmativas são políticas que têm o objetivo de garantir o acesso à educação ou a empregos a grupos “historicamente não dominantes”, como as chamadas minorias - mulheres, homossexuais, negros e índios -, por meio de tratamentos preferenciais que os beneficiem, dos quais a imposição de cotas é um exemplo.

À época em que ocupava o cargo de diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ, vi com preocupação o governo estadual impor, primeira vez no Brasil, cotas nos vestibulares da universidade, para candidatos afrodescendentes (dos quais a maioria - os mulatos - também são eurodescendentes) e para os originários de escolas públicas. Meu ceticismo era motivado por diversas razões: não há constituição, em qualquer sociedade que se preze, que não abrace o princípio da igualdade perante a lei; reprimindo pessoas qualificadas em favor de pessoas não qualificadas, fere-se a meritocracia; trata-se de uma forma aberta de discriminação; é uma prática do coletivismo; ao gerar ressentimentos contra os beneficiados, incita ao racismo; sob o ponto de vista da economia, as cotas são claramente contra-produtivas; contribuem para piorar a já tão enfraquecida qualidade acadêmica; tenta-se combater injustiças “históricas” mediante novas injustiças e enfrentar discriminação com discriminação - olho por olho e dente por dente.

Apenas com a melhoria da educação básica - e não usando critérios de raça, etnia ou sexo - é que seremos uma sociedade com mais igualdade de oportunidades! Isto é de uma clareza tão visível que é difícil acreditar existirem pessoas que não pensem assim! A luta deve ser por maior igualdade de oportunidades, ou seja, para que todos os cidadãos, indistintamente, tenham acessos semelhantes aos benefícios e que, mediante o esforço e a capacidade de cada um, possam deles usufruir. Não será lançando uns contra outros que construiremos uma grande nação!

O argumento de que as políticas afirmativas reparam “injustiças históricas” pode até ser bem intencionado, mas é uma bazófia que padece de impressionante falta de praticidade: muitos povos, historicamente, sofreram injustiças com guerras e outros flagelos, mas como consertá-las de forma “justa”? Babilônicos, assírios, sumérios, caldeus, amoritas, acádios, godos, visigodos, medos, celtas, samaritanos, cartagineses, etruscos, índios, negros, asiáticos, coríntios, efésios, hebreus e tantos outros... Se, por exemplo, algum remoto descendente de um cidadão da Esparta do general Leônidas fosse descoberto, seria “justo” obrigar um também longínquo descendente do exército de Xerxes da Pérsia a indenizá-lo por aquela injustiça “histórica”? Seria “justo” entregar a Alemanha para os judeus de hoje, a título de reparar os crimes hediondos de que seus pais, avós e bisavós foram vítimas? É “justo” contemplar descendentes de escravos negros com cotas, em detrimento de tataranetos de senhores de engenho, que nem conheceram? Quantas tribos foram massacradas por outras tribos, ainda na África? E quantos brancos, hoje, não serão descendentes distantes de escravos dos romanos ou atenienses, por exemplo?

Boas intenções, apenas, não bastam. Não se corrigem velhos erros com erros novos. A ação realmente afirmativa de que carece o país é uma boa educação para todos, sem qualquer distinção, e que premie o mérito. Basta de cotas e de lorotas!

Domingo, 01 Julho 2007 21:00

Nosso Dinheiro Não é Capim!

O governo, tão eficiente quando se trata de arrecadar, é de uma ineficiência aterradora na hora de gastar. Até quando vamos nos conformar em pagar essa conta?

É evidente que uma avestruz, que pesa de 90 a 150 kg, além de comer de tudo, aboca mais, muito mais, do que uma galinha, com cerca de 1,3 kg. O governo-avestruz do PT é o campeão absoluto da América Latina em número de ministérios: temos, já contando o novo “ministério da bola de cristal” confiado ao ininteligível – nas idéias e no sotaque - professor Mangabeira, 37 pastas de primeiro escalão; a ilha do decrépito tirano Fidel ocupa a vice-liderança com 28 e a Venezuela, do burlesco neo-ditador Chávez, aparece colada e cheia de inveja, em terceiro, com 27. É a combinação nefanda entre o patrimonialismo, que vê novos ministérios como soluções - quando são problemas - e a fragilidade institucional que leva, em nosso regime presidencialista sem partidos programáticos, os presidentes, no afã de obterem apoio político, a criarem pastas e mais pastas, para rateá-las entre companheiros e aliados.

O furor ministerial gera pencas de cargos de confiança que, no nível federal, abrangem desde o DAS 1, equivalente, hoje, a um salário de R$ 1.977, até os disputados DAS 5 e 6, que rendem, respectivamente, R$ 8.400 e R$ 10.488 por mês. Lula, que, quando candidato, jurou moralizar a administração pública, acaba de criar mais 626 cargos de confiança, para “atender à demanda gerada pela criação de mais ministérios para contemplar novos segmentos da sociedade” (é dose para avestruz). Na verdade, isto significa apenas aquinhoar os filiados ao PT e, em menor escala, os aliados de outros partidos que vendem apoio, pois os cargos comissionados são de livre provimento, sendo preenchidos por indicações políticas, sem qualquer vínculo com o serviço público e sem concurso. Aos amigos – tanto os fiéis como os de ocasião - tudo...

Em 1999, início do segundo mandato tucano, o total de cargos comissionados (DAS) já era extremamente elevado: 16.306; em 2003, começo do petelhato, havia 18.374 desses cargos e, atualmente, há 22.228. Eis para onde é destinada uma parte do nosso dinheiro, tomado à força pelo leão da Receita, certamente o animal mais eficiente, em sua insaciável voracidade, do zoológico estatal! E olhem que é uma bela parte: do início do período petista até hoje os gastos anuais com esses cargos experimentaram um crescimento nominal de cerca de 116,3% e um aumento real (descontada a inflação) de 63%, saltando de R$ 4,3 bilhões para R$ 9,3 bilhões, valor que supera o carro chefe da demagógica caravana dos barbudos, o Programa Bolsa Família, que suga R$ 8,7 bilhões anuais dos impostos que suamos para pagar. Se adicionarmos às sinecuras federais as estaduais e aquelas dos mais de 5.560 municípios, entenderemos a escassez de recursos nas áreas fundamentais da segurança, educação, saúde, justiça e infra-estrutura. Se somarmos, ainda, as tais “agências reguladoras”, que foram transformadas em cabides políticos pelo atual governo federal, bem como as estatais, ou infladas ou “ressuscitadas” pelo petismo, saberemos claramente porque a economia só cresce de forma sustentada na visão bufa e cínica do ministro da Fazenda, que, sem usar uma gota sequer de teoria econômica, enxergou nas multidões que padecem nos aeroportos um sinal de que a ordem e o progresso são incontestáveis.

Trabalhamos até o dia 26 de maio de cada ano para pagar tributos. Mas, se adicionarmos o que temos que gastar - em duplicidade - com educação, previdência e planos de saúde privados, porque, com justa razão, não confiamos nos serviços públicos, concluiremos com espanto, após ligeiros cálculos, que trabalhamos até meados de agosto para termos acesso digno a direitos nossos, pois nos são cobrados compulsoriamente. O governo, tão eficiente quando se trata de arrecadar, é de uma ineficiência aterradora na hora de gastar. Até quando vamos nos conformar em pagar essa conta? Nosso dinheiro suado não é capim para servir de refeição à avestruz estatal!

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