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André Plácido

André Plácido

André Arruda Plácido nasceu em Pirajuí (SP) e é cidadão português. Reside em Londrina (PR) onde graduou-se em Relações Públicas e Teologia. Em Bauru (SP) concluiu o curso de Jornalismo. Fez especialização em Comunicação e Liderança em Missões Mundiais pelo Haggai Institute em Cingapura. É professor de comunicação, poeta, radialista, cronista e fotógrafo.

Sábado, 13 Janeiro 2007 21:00

Ferrar é Humano

Quem compreende a situação da América Latina é culpado por ficar apenas observando! A história vai nos ferrar por isso! Quem com ferro a si mesmo fere...
Há poucos dias o Brasil provou que faz parte da América Latina mesmo. Mas como o tempo é o senhor da razão, os 15 minutos de Andy Warhol se foram e o desembargador voltou atrás na decisão de bloquear o site que mostra uma modelo brasileira e seu namorado – sem nomes para evitar mais promoção – em aventura amorosa no mar da Espanha. Ferrados pela censura, mais de cinco milhões de internautas brasileiros morreram na praia ao tentar acessar o site. Ora, se o ato tivesse sido cometido dentro do quarto, do quintal ou até mesmo em praia de propriedade da modelo ou de seu namorado, vá lá, cada um que se ferre como quiser, mas, pessoa pública, fazendo sexo em local público, exigir privacidade é ferrar com a democracia!
O desembargador concluiu que houve o lado positivo: “impedir a divulgação de notícias falsas, injuriosas ou difamatórias não constitui censura judicial”. Qual imagem foi falsa, injuriosa ou difamatória se seus atores principais estavam encenando tranquilamente em público?!
 
Ferro por ferro o da Venezuela é mais embaixo: o filhote de Fidel Castro, Hugo Chávez, tomou posse de seu terceiro(!) mandato como presidente por meio da “via democrática”. O tri-eleito provocou caos financeiro ao afirmar a nacionalização de empresas estratégicas. É parte de seu projeto socialista. A ameaça surtiu efeito: a Bolsa de Caracas caiu 18,66%; a empresa de telefonia CANTV e a Eletricidade de Caracas despencaram obrigando a Bolsa a parar de negociar suas ações.
Mas o coito não pára: disse ainda que vai acabar com a autonomia do Banco Central e incrementar o controle do Estado sobre projetos petrolíferos na bacia do rio Orinoco. Os EUA, que não querem levar o ferro que o Brasil levou de Evo Morales, já retrucaram o óbvio: vão querer indenização.
 
Mas o sadomasoquista bolivariano quer mais: reformar a Constituição. Para isso exige de seus socialistas de estimação que formam maioria na Assembléia Nacional, poderes especiais para aprovar qualquer projeto por decreto, sem a interferência do Legislativo, como por exemplo, o de obter permissão à tara de concorrer à reeleição sem limites de mandatos. Na nomenklatura chavista isso significa “socialismo do século XXI”. Para quem possui pelo menos um par de neurônios significa “ditadura latina do século XXI”.
Aos que denomina “minorias oligárquicas” avisou: “Respeitando-nos, reconhecendo nossas diferenças, vamos assumir a decisão da maioria, regra de ouro se quisermos e acreditamos em uma democracia... A revolução bolivariana não depende de um homem, é o povo”.
 
Ferrado por ferrado, lembro a frase que uma cubana – segundo a qual seu povo “recebe em torno de 12 a 30 dólares mensais(!)”, conta com os “carnês de alimentação” que dão direito a “dez ovos por mês” e também ajudam a “comprar um frango, numa semana. Ou quatro pedaços de peixe congelado, em outra. Mas é sempre pouco, insuficiente” - disse ao jornalista Paulo Moreira Leite sobre a insatisfação do povo com a ferrenha ditadura de Fidel Castro, quem se gaba de ter prostitutas com nível superior pelas ruas de Havana: “Somos descontentes porque somos educados. Se fôssemos ignorantes, talvez pudéssemos aceitar essas dificuldades. Mas nossa educação não deixa.
 
Ah, se o dinheiro do mensalão e das sanguessugas fosse investido em educação, em construção de caráter, em preparo para o jovem encarar as demandas do mundo globalizado ao invés de receber “bolsa-esmola” para sobreviver e dizer amém aos pecados federais e aos fatos lastimáveis que parecem não ter fim no Brasil! Nunca que o presidente mais falastrão da “história desse país” seria reeleito com tantos escândalos e crescimento pífio da economia não fosse nossa falta de educação.
 
Quem compreende a situação da América Latina é culpado por ficar apenas observando! A história vai nos ferrar por isso! Quem com ferro a si mesmo fere...
Terça, 28 Novembro 2006 21:00

Hit Me!

Espero que ao se abrirem as cortinas dos novos Senado, Câmara e bi-Lula, apareçam os “soul men” da política, aqueles cheios de “soul power” que colocarão o Brasil no Hall of Fame da educação, da ética e do desenvolvimento.

Tive a felicidade de assistir ao DVD que havia comprado semana passada daquele que é conhecido por “Soul Man”. Sensacional! É um show na The House of Blues do Mandalay Bay Hotel em Las Vegas. De início o apresentador avisou: “The House of Blues proudly presents: the Godfather of Soul”, e então se abriram as cortinas e as luzes brilharam recebendo a figura lendária, todo de azul cravejado de brilhantes, responsável pela revolução do gospel e do rhythm and blues para o soul e o funk, sendo que este foi invenção creditada a ele; James Brown!

“Papa, two, three, hit me!” e começa o show do cantor, músico, compositor e produtor musical, à época, 1999, com 63 anos e muita energia. “Get up offa that thing and dance as you feel better”, ateou fogo na galera já no primeiro acorde. Com suas belas crooners, carinhosamente chamadas de bittersweets, Brown canta, dança, toca bateria, harmônica, teclado, brinca com o público e põe abaixo o teatro. O palco é pequeno para o talento daquele que é conhecido por suas performances e que nas décadas de 1960 e 1970 participava ativamente da política norte-americana em favor dos pobres e dos negros.

Mais: Gonna have a funky good time, Popcorn, I got the feeling, Papa’s got a brand new bag, Funk a roll, Payback, Soul power e Papa don’t take a mess. Sobre o orgulho de ser norte-americano cantou: “super highways, coast to coast, easy to get anywhere” – já pensou se morasse no Brasil com essas estradas esburacadas? – “living in America, hand to hand, across the nation”, e lembrou Max Weber em sua Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo sobre o valor do trabalho: “but everybody's working overtime. Living in America, got to have a celebration. Rock my soul!” Essa tocou no filme Rocky IV, em 1995, lembra?

O membro ilustre do Rock and Roll Hall of Fame também apavorou com “love me tender, love me slow, if that don’t get it, come back for more”, Try me, Sex machine e “Georgia, oh Georgia. No place I find just an old sweet song. Sweet Georgia on my mind. I love you Georgia, oh Georgia”. Com “I fell good” a galera foi ao delírio!

Por pouco mais de uma hora e vinte minutos esqueci da política brasileira, dos desmandos, escândalos, do peculato, roubo, mensalão, propina. A maioria dos políticos mente tanto que acorrenta os eleitores em uma espécie de camisa-de-força mental e os deixam solitários na escuridão das negociatas. Aos cativos James Brown cantou: “alone from night to night you find me too weak to break the chains that bind me”. Mas depois mostrou a luz: “if I ruled the world every man and every woman would be as free as a bird, and every voice would be a voice to be heard”. James Brown 2010!

Espero que ao se abrirem as cortinas dos novos Senado, Câmara e bi-Lula, apareçam os “soul men” da política, aqueles cheios de “soul power” que colocarão o Brasil no Hall of Fame da educação, da ética e do desenvolvimento. Que se preocupem também com os pobres que sofrem preconceito. Que ao se abrirem as cortinas deste novo momento político em Brasília alguém com saúde mental perfeita grite bem alto: Hit me!

Quarta, 08 Novembro 2006 21:00

Só Não Vale Dançar Homem com Homem

Eleito presidente da República em 2002, Lula chorou ao receber, segundo ele, o primeiro diploma de sua nada mole vida. Não era verdade. Já havia recebido pelo menos dois: do Senai, como torneiro mecânico e, em 1986, como deputado federal.

Eleito presidente da República em 2002, Lula chorou ao receber, segundo ele, o primeiro diploma de sua nada mole vida. Não era verdade. Já havia recebido pelo menos dois: do Senai, como torneiro mecânico e, em 1986, como deputado federal.

Quem chorou mais tarde foi a população decente “desse país” com o mensalão. A Procuradoria-Geral da República denunciou uma quadrilha formada por 40 pessoas. Quadrilha sofisticada, organizada por companheiros do PT, que agia em plano federal a fim de “garantir a continuidade do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores mediante a compra de suporte político de outros partidos”.

Veja os crimes de alguns e tente lembrar de alguém preso. José Dirceu: ex-ministro chefe da Casa Civil e ex-deputado federal pelo PT, cassado por envolvimento no mensalão e acusado de ser o chefe da quadrilha. Foi indiciado por corrupção ativa, peculato (desvio de dinheiro público) e formação de quadrilha; José Genoino: ex-presidente do PT é acusado de ser integrante do núcleo da quadrilha e foi indiciado por corrupção ativa, peculato e formação de quadrilha; Delúbio Soares: “nosso Delúbio”, como fraternalmente o acolheu Lula, é o ex-tesoureiro do PT responsabilizado pelo esquema irregular de financiamento de campanha. Foi indiciado por corrupção ativa, peculato e formação de quadrilha; Silvio Pereira: ex-secretário-geral do PT é acusado de participar do núcleo da quadrilha e foi indiciado por corrupção ativa, peculato e formação de quadrilha; Marcos Valério: anda sumido ele, não?! Acusado de operar o mensalão e o caixa 2 do PT foi indiciado por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, peculato, evasão de divisas e falsidade ideológica; João Paulo Cunha: reeleito com a força do povo foi acusado de envolvimento no mensalão. Foi absolvido pelo plenário da Câmara. Indiciado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro; Luiz Gushiken: ex-ministro da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica é acusado de desviar dinheiro do VISANET em benefício do grupo liderado por Marcos Valério. Foi indiciado por peculato; Paulo Rocha: ex-deputado federal (PT-PA) renunciou para não ser cassado por causa do mensalão e foi indiciado por lavagem de dinheiro; Professor Luizinho: absolvido pelo plenário da Câmara da acusação de mensaleiro foi indiciado por lavagem de dinheiro. Quando o Conselho de Ética da Câmara aprovou o pedido de cassação do “professor”, Lula reprovou na matéria sobre ética: “Lamento, porque o Luizinho é uma figura tão digna, tão decente”; João Magno: deputado federal (PT-MG) absolvido pelo plenário da Câmara de participar do mensalão foi indiciado por lavagem de dinheiro. Apenas uma pergunta: Quem é o chefe da quadrilha que se beneficiou do esquema criminoso?

Sobre Palocci Lula concluiu: “É um monumento de sinceridade, é um monumento de inteligência... muito sincero, muito honesto e muito digno”. Palocci foi denunciado pelo Ministério Público por crimes de formação de quadrilha, falsificação de documento público, peculato e pode ser condenado a 225 anos de prisão. Mas a força do povo o elegeu e poderá ter foro privilegiado. Lula em agosto de 2005, quando Rogério Buratti fez as primeiras acusações contra o monumento: “A verdade vencerá”.

É de chorar a reeleição do presidente que afirmou que sua mãe “nasceu analfabeta”, que “ler é pior que fazer exercício em esteira”, que o Brasil faz fronteira com a Bolívia e que Napoleão invadiu a China. Os eleitores parecem ignorar de que caímos oito pontos no Índice de Percepção de Corrupção. Pior ainda é que estamos em penúltimo lugar entre os países latino-americanos em relação ao crescimento. Perdemos apenas para o Haiti, em guerra civil.
Minas Gerais, 1994, em comício, sobre a má escolha dos candidatos, Lula lamentou: “Às vezes, penso que o povo gosta de ser enganado”.

É triste, mas para 60,83% dos eleitores, na política brasileira, infelizmente, vale tudo! “Só não vale dançar homem com homem, nem, mulher com mulher. O resto vale!”.

Quarta, 20 Setembro 2006 21:00

Diga Não ao Analfabetismo Político

Mas, imagine, também, candidatos lobos vestidos com pele de cordeiro, pilantras que tentam ludibriar você no momento da escolha para os cargos de confiança de que a empresa oferece.

Imagine você acionista de uma das maiores empresas do mundo. Participante dos lucros. Essa empresa necessita de um presidente e de uma equipe responsáveis, honestos, de extrema confiança, preparados para enfrentar problemas e, acima de tudo, capazes de apontar soluções. Você deve ter responsabilidade ao contratá-los e escolherá candidatos que podem sentenciar a empresa ao fracasso, endividamento e falência por corrupção, perder mercado por ineficácia e produtos de péssima qualidade e incompetência ou, com responsabilidade e amor ao seu maior patrimônio, você escolherá pessoas de alto nível que irão conquistar mercados exportando aos países ricos porque a empresa produz tecnologia de ponta, e, assim, lucrar por sua história de bons negócios e competência, e ainda dividir os lucros de maneira justa e transparente.

Imagine que um candidato se apresentará com grandes idéias, capacidade comprovada por trabalhos em várias empresas de sucesso, outro com vontade de trabalhar e conquistar seu espaço, outro com responsabilidade com a saúde financeira da empresa para que seus funcionários e acionistas possam dela ter seu sustento e amparo na velhice, outro com preparo conquistado nos bancos das melhores universidades do País, outro preocupado com investimentos para que a cada ano a empresa cresça ainda mais e que assim seus lucros sejam repartidos de forma que todos sejam beneficiados, e outros reunindo a maioria destas qualidades.
Mas, imagine, também, candidatos lobos vestidos com pele de cordeiro, pilantras que tentam ludibriar você no momento da escolha para os cargos de confiança de que a empresa oferece. Imagine o candidato corrupto querendo te subornar com alguns míseros reais para ocupar o cargo e depois roubar a empresa. Imagine o candidato enviar, antes do dia da escolha, um “assessor” com 25, 30 mil reais para “comprar” o seu direito de escolha para um cargo de vital importância na sua empresa. Imagine que poucos dias antes da escolha você receba uma “doação” em dinheiro de um candidato para tentar te convencer de que ele será a melhor opção do que qualquer outro que comprove capacidade, honestidade e vontade de trabalhar para a empresa.

Agora pense. O Brasil é a nossa grande “empresa”. Se o Brasil tiver grandes administradores públicos, se colocarmos no olho da rua os políticos profissionais e deixarmos trabalhando para o País apenas pessoas de bem, se fizermos um “Programa de Demissões Involuntárias” e demitirmos os maus funcionários do nosso escritório em Brasília – por meio de eleições -, o Brasil cresce e nós seremos os maiores beneficiados! No dia 1º de outubro, conheça a vida do seu candidato, sua história, suas lutas no passado. Veja com vão seus negócios pessoais. Se ele não consegue cuidar do seu próprio negócio vai saber cuidar do Brasil?

Enfim, a citação de Bertold Brecht sobre o analfabeto político: “Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato, do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, de sua ignorância nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior dos bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo”.

Sábado, 08 Julho 2006 21:00

O Gabinete de Brasília

Muitas cenas de banditismo explícito do maior filme de 5ª categoria da “história desse País” foram exibidas em horário impróprio nas tevês de todo o Brasil sem que os adultos fossem alertados a tirarem as crianças da sala.

“O Gabinete do Dr. Caligari” filme mudo, em preto e branco e dirigido por Robert Wiene é um marco no cinema expressionista alemão. Caligari domina, por meio de hipnose, um rapaz chamado Cesare, quem jazia sonâmbulo havia 23 anos. A comparação entre Caligari e Hitler é evidente. Assim como aquele controlava a mente de Cesare, este dominava milhões de alemães. Caligari usava Cesare por ter a certeza de que a mente de um sonâmbulo poderia ser facilmente dominada. Para mostrar a confusão mental de Caligari os cenários são pintados em planos e linhas tortuosos, distorcidos, com forte contraste em claro-escuro, deixando o ambiente ainda mais macabro.

No Brasil o cenário eleitoral é muito parecido. Lula, aos moradores da periferia de Olinda, dizendo que a oposição faz jogo rasteiro e não possui caráter: “Todo dia aparece alguém para me agredir. Essas pessoas estão pensando: puxa vida, nós estamos governando o Brasil desde que Cabral pôs os pés aqui e não conseguimos fazer nada. Por que esse metalúrgico está fazendo?” O próprio “pai dos pobres” respondeu: “Este metalúrgico está fazendo porque tem uma coisa que eles não têm: este metalúrgico tem caráter.”

O metalúrgico deve ter esquecido o caráter em casa quando se confraternizou, no evento em que seu partido homologou as candidaturas de petistas mensaleiros, com aqueles que o “traíram” em um outro famoso filme de terror. A lista de atores candidatos ao Oscar, categoria “Valerioduto”: José Genoino, Antônio Palocci, João Paulo Cunha, Professor Luizinho, José Mentor e a deputada dançarina Ângela Guadagnin.

O problema é que na refilmagem do épico Ali-Babá e os 40 ladrões, o procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, denunciou uma quadrilha de 40 criminosos, entre eles, o ex-capitão do time José Dirceu, Anderson Adauto, Luiz Gushiken, José Genoino, Delúbio Soares, Silvio Pereira, Marcos Valério e Duda Mendonça.

Pior: na cena mais assustadora do encontro petista, Aloízio Mercadante, candidato ao governo paulista, defendeu a presença dos mensaleiros. “A população terá o direito de julgar, nas urnas, se a biografia dos protagonistas do escândalo é mais importante que seus erros”. Quais biografias? Ser ex-guerrilheiro conta? Não foram apenas erros; foram crimes. Ao menos uma palavra do roteiro Mercadante decorou: “protagonistas”.

Muitas cenas de banditismo explícito do maior filme de 5ª categoria da “história desse País” foram exibidas em horário impróprio nas tevês de todo o Brasil sem que os adultos fossem alertados a tirarem as crianças da sala: a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo, os dólares na cueca e em caixa de uísque, os milhões da Telemar na empresa do filho de Lula, os R$ 55 milhões repassados por Marcos Valério ao PT e aliados do governo Lula que, segundo o relatório da CPI dos Correios, a origem de quase R$ 31 milhões veio da Brasil Telecom, Banco do Brasil, Usiminas e Visanet, além de inúmeras outras perversidades. Já no remake de “Sexo, mentiras e vídeo tape” vieram a cafetina de Brasília e a “República de Ribeirão”, os depoimentos às CPIs e o vídeo flagrando o funcionário dos Correios recebendo propina.

Hoje as pesquisas apontam Lula como o preferido do eleitor Cesare, o sonâmbulo, cuja mente é facilmente dominada pelo “quadrado mágico” da propaganda. Em “De Caligari a Hitler, uma história psicológica do cinema alemão”, Siegfried Kracauer afirma: “Os filmes de uma nação refletem a mentalidade desta, de uma maneira mais direta do que qualquer outro meio artístico”.

Como a vida imita a arte, em 2002 o jingle para o thriller do PT era: “Por um Brasil decente”. Mas como em seu romance inacabado Lula disse que “Sarney foi um parceiro extraordinário” e ainda assistiu ao jogo da seleção ao lado de Jader Barbalho, na campanha à reeleição uma frase do novo jingle é ainda mais horripilante: “São milhões de Lulas povoando este Brasil”. Kracauer está coberto pelo manto sagrado da razão.

Sexta, 09 Junho 2006 21:00

Bem-Vindos ao Século XI

Mergulhados nas profundezas da escuridão intelectual do século XI, descobrimos que o relatório dos Indicadores de Desenvolvimento Mundial, divulgado pelo Banco Mundial, afirma que a América Latina cresceu menos do que a África entre 1995 e 2004.

“Foram presos 497 intelectuais do Movimento de Libertação dos Sem Terra – sendo 42 menores de idade - cujo maior legado ao futuro “deste país” será a destemida invasão e destruição de parte da Câmara dos Deputados. Armados com paus, pedras, indignação filosófica e não contentes em apenas apedrejar a democracia ianque, os heróis do povo, possuídos pelo libertador espírito antiburguês e absoluta coragem revolucionária, ainda quebraram uma das portas de vidro da Câmara e viraram um veículo, no mais sensato e destemido ato contra a indústria automobilística estrangeira. Também foram alvo da bravura dos companheiros vários computadores, em nítida discordância ao poderio imperialista e ao ‘American way of life’ do consumo desenfreado pregados pela Microsoft. Cerca de 41 malignos agentes da ditadura do capital foram feridos, sendo que um dos opressores dos pobres – integrante da chamada Força de Segurança do Legislativo -, foi castigado com afundamento de crânio e está em estado grave.

O grande mártir e pensador Bruno Maranhão foi detido por aquilo que ainda resta dos sangrentos dias de chumbo. Maranhão, por ser petista desde criancinha, fazer parte da Executiva Nacional do Partido, ocupar o posto de secretário nacional de Movimentos Populares e ainda ter sido recebido no Planalto pelo “nosso Guia” Lula, foi vergonhosamente submetido aos mais graves e violentos atos contra a vida humana e seus direitos. Mas Maranhão foi além de apenas reivindicar a mudança na lei que determina que toda propriedade ocupada fica impedida por dois anos de ser vistoriada para fins de reforma agrária e cunhou a frase histórica: ‘Não somos vândalos’.”

Tal relato poderia até ser encarado como fato corriqueiro se tivesse sido escrito na idade média ou quando ainda habitávamos as cavernas. Mas na América Latina do esquerdismo revolucionário e do populismo de Chávez, Morales e Lula, do paternalismo, do nacionalismo xenófobo, do estatismo e da ditadura militar de Fidel Castro, isso é normal.

Mergulhados nas profundezas da escuridão intelectual do século XI, descobrimos que o relatório dos Indicadores de Desenvolvimento Mundial, divulgado pelo Banco Mundial, afirma que a América Latina cresceu menos do que a África entre 1995 e 2004. A África Subsaariana cresceu economicamente 3,4% ao ano e sua produção per capita aumentou 0,9%. Nas revolucionárias América Latina e Caribe a taxa de crescimento total foi de apenas 2,1% ao ano e a per capita de pífios 0,6%.

O pior de tudo é que a economia proletária cresceu menos ainda: 2% ao ano no mesmo período. Enquanto a América Latina e Caribe estacionaram no cenário econômica mundial, os africanos deram passos mais longos do que em outras épocas: 20 dos 48 países da região cresceram mais de 5% em 2004.

Aos brasileiros que possuem o mínimo de informação a respeito daquilo que é a maior tsunami de denúncias de corrupção da “história desse país”, resta a indignação de sabermos que para nós apenas restou um misto de corrupção e populismo jamais vistos. Nos restaram os da ideologia esquerdista de botequim, anacrônica, débil, inconsistente e carcomida por suas próprias mazelas até então ocultas pela clandestinidade. Nos restaram as hordas de baderneiros travestidos de movimentos sociais e suas intermináveis siglas que depredam e, aos poucos, destroem a crença na democracia. Nos resta Lula-lá que nunca sabe de nada.

E depois ainda queremos ser respeitados pelo mundo muito mais do que apenas por sermos o pais do futebol, os pentacampeões do mundo.

Sábado, 25 Março 2006 21:00

Do Campo à Indústria Automobilística

“É preciso que haja mais fiscalização, pois parte dessa verba pode estar servindo para treinamento guerrilheiro”.

Depois de as mulheres da Via Campesina destruírem os laboratórios da Aracruz Celulose causando prejuízos de US$ 400 mil, e assim terem sido perdidos materiais genéticos de mais de 15 anos de pesquisa, além de 1 milhão de mudas de eucaliptos serem exterminadas e mais 4 milhões estarem em processo de recuperação, João Pedro Stédile, do MST, avisou que seus seguidores camponeses são solidários ao vandalismo.

Ano passado o governo petista enviou R$ 9,5 milhões do Orçamento Geral da União para entidades ligadas ao MST, ou seja, quatro vezes mais do que FHC: R$ 2,17 milhões. O aumento de repasses aos sem-terra foi de 76% em comparação aos últimos três anos de FHC. De 2003 a 2005 da era proletária, ocorreram 373 invasões a mais do que entre 2000 e 2002 da era sociológica. Em 2004, ano em que o repasse de dinheiro foi maior, de 327 invasões, 218 foram via MST. Em 2002, quando curiosamente houve menor repasse de verbas, ocorreu também o menor número de invasões. Em 2005 o recorde: 502 invasões.

Já o vice-presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento da Câmara (CAPADR), Luis Carlos Heinze (PP-RS), lembra que tais repasses carecem de controle, e que a CPMI da Terra encontrou inúmeras irregularidades na prestação de contas ao governo pela CONCRAB e ANCA, entidades ligadas ao MST. “É preciso que haja mais fiscalização, pois parte dessa verba pode estar servindo para treinamento guerrilheiro”.

A quebra do sigilo bancário do caseiro da “República de Ribeirão” certamente é o retrato de um país que nunca desejaríamos ao pior dos argentinos. Apesar disso o presidente do Sebrae e ex-tesoureiro informal da família Lula-lá, Paulo Okamotto, continua protegido pela decisão de Nelson Jobim. Okamotto teria pago a dívida de Lula com o PT, contribuído para pagar a campanha de Lurian, filha do presidente, além de que teria doado dinheiro à campanha de Vicentinho.

“Esse Okamotto é o Fiat Elba do Lula. Collor caiu por causa de um Fiat Elba. A ligação pessoal com o presidente, de pagar as contas do presidente, da filha do presidente, se dá através do Okamotto. Ele é o Fiat Elba, é o elo. Se quebrar o sigilo dele, a coisa pode ficar muito ruim para o presidente Lula. Por isso ele está sendo tão protegido assim”, metralhou Roberto Jefferson.

“Vamos acabar com essa multinacional”, gritavam as enfurecidas revolucionárias das cavernas. A Aracruz, uma das maiores produtoras de celulose do mundo, segundo o jornalista Augusto Nunes, é “inteiramente controlada por brasileiros. Oferece 10 mil empregos diretos. No interior gaúcho, mantém há 20 anos um laboratório para experiências de ponta, além do horto florestal e do viveiro com milhões de mudas de eucalipto.” Sobre Stédile e seu amigo Lula, Nunes considerou: “O rosto de Stédile informa: esse jamais empunhou enxadas nos campos do Brasil. Nem empunhará: o chefe quer terra para todos, menos para ele. Talvez lhe falte vontade para arar o solo. Certamente lhe falta tempo. Stédile passa a maior parte dos dias entretido em discursos ou enfurnado em reuniões que planejam um fevereiro negro, um março vermelho, um abril lilás. Não se sabe quanto ganha (não deve ser pouco). Nem se conhece a origem do dinheiro que paga o salário do provocador profissional. A reação indignada ao ataque do dia 8 não lhe tirou o sono. Stédile é amigo de Lula, que gosta de usar o boné do MST. Entra no gabinete presidencial sem marcar audiência e sem pedir licença. Sempre consegue alguma verba para agitar os campos do Brasil”.

Algum camponês saberia dizer o quanto custaria hoje um Fiat Elba?

Fugindo das acusações da oposição que o perseguia pelo deserto das evidências, Lula atravessou o mar de lama vermelha das falcatruas de seu partido, e chegou ileso à terra prometida onde a oposição tem parte com o Zaqueu petista.

À época de nossos avós, o conto do vigário era uma história contada para tirar dinheiro de alguém. Descobertos o mensalão e o valerioduto, Lula e seus fiéis discípulos negaram mais de três vezes as acusações, jurando com a mão sobre a Bíblia, de que tudo não passava de armação diabólica das elites conservadoras, da direita, da imprensa reacionária, do imperialismo ianque. Quem nunca usou caixa 2 bandido que atire o primeiro Delúbio!

Mas o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), D. Odilo Scherer, ateou a fogueira da indignação sobre os hereges do PT dizendo que o governo Lula, não lá muito católico, decepcionou: “Sabemos que os governos têm limites, mas não podemos deixar de dizer que a sociedade tinha expectativas de políticas sociais e de combate à pobreza mais eficazes”. Scherer faz o sinal-da-cruz às políticas econômicas que beneficiam apenas os malignos bancos, os quais obtiveram “lucros históricos” e tratam o Brasil como um “paraíso financeiro”. “São políticas que concentram renda em vez de distribuí-las”. Também excomungou nosso crescimento de mirrados 2,3%, o qual nos deixa, na América Latina, à frente apenas dos irmãos do Haiti.

Sobre eleições presidenciais Scherer jogou mais lenha: “a população vai querer saber o que cada um dos candidatos propõe para gerar trabalho e renda, e para reduzir a sangria de recursos que acabam nas mãos dos grandes bancos”. Quanto ao tratamento de Lula-lá aos pobres por meio de suas políticas sociais, o bispo disse que elas são utilizadas em conjunto com uma política econômica “não orientada para a inclusão social”.

Dom Geraldo Majella Agnelo, presidente da CNBB, recorreu ao Santo Ofício em relação à bruxaria do Bolsa Família: é “assistencialista”, “politicalha” para angariar votos. “Quem está com fome deve receber seu alimento, mas não ficar assim, sendo estimulado a não fazer nada, ganhando R$ 60, R$ 80 por mês. Dê trabalho para todos”. E ainda jogou água benta no governo Lula, classificado como o “mais submisso” aos banqueiros ateus na história do Brasil catequizado.

D. Agnelo afirmou também que a CNBB vai oferecer uma cartilha ao eleitor, podendo recomendar sessões de exorcismo ao candidato endemoninhado que pratique o caixa 2 satanista. “Se estamos numa democracia, desejamos que os políticos tenham competência e probidade”.

O final dos tempos se confirma com a anunciação da Austin Rating de que o crescimento recorde de R$12 bi nos lucros dos bancos em 2005 - média de 40% - não refletiu em aumento de pagamento do IR. O apetite do Leão pelas instituições financeiras aumentou apenas 9,9%; enquanto os pecadores levamos mordida 11,7% maior e as empresas não-financeiras de 22,4%. Esse deve ser o motivo de os dízimos dos bancos para o PT nacional e estadual de São Paulo terem crescido cerca de 1.000% desde 2002. Eles são os maiores doadores do partido de Lula: R$ 5,7 milhões.

Fugindo das acusações da oposição que o perseguia pelo deserto das evidências, Lula atravessou o mar de lama vermelha das falcatruas de seu partido, e chegou ileso à terra prometida onde a oposição tem parte com o Zaqueu petista. Mas pela extrema-unção da CNBB, para Lula continuar lá, terá de se livrar do falso profeta da ética, do anticristo da corrupção e da marca da besta valeriana. In nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti, amém!

Terça, 28 Fevereiro 2006 21:00

O Maior Espetáculo da Terra

Como seria diferente o Brasil se tivéssemos por ele o mesmo amor que temos por carnaval e futebol. Nosso trio seria o da educação, do desenvolvimento e da distribuição de renda.

Finalmente o carnaval acabou! Sei que o brasileiro ama a festa e respeito a manifestação popular, a expressão máxima da cultura nacional etc. Mas é sempre a mesma coisa gente! Todo ano a tevê mostra as mesmas danças, as mesmas fantasias, o ritmo - que passou por uma revolução na década de 60 quando mestre André, da Padre Miguel, inventou a famosa “paradinha” da bateria -, o Rei Momo, os trios elétricos, as mulatas. Bem, as mulatas...

Perceba que as letras sempre são mais ou menos assim: “Vem comigo amor, nas asas da ilusão”, “Vem viver comigo essa emoção”, “Vem amor, nessa festa me levar”, “Vem ser feliz nas asas da emoção”.

Como no reinado de Lula-lá é orgulho nacional alguém dizer que é ignorante, que não possui diploma e que é pobre - ser rico, e ainda por cima dono de terras então, é ser um herege das causas revolucionárias latino-americanas - além de ser quase que um crime falar em português compreensível, e ainda descobrirmos um esquema de corrupção jamais visto em outros carnavais, pensei em algumas escolas de samba que fariam sucesso. É só chamar Duda Mendonça: “Escola de Samba Unidos do Caixa 2 Bandido”, “Grêmio Recreativo Excluídos do Mensalão”, “Acadêmicos Comparsas do ‘nosso Delúbio’”, “Marginalizados do Recurso Não Contabilizado”, “Unidos do Contrato Assinado Sem Ler”, “Estação Primeira do Paraíso Fiscal” e a “Gaviões do Erário Público”. Enquanto estivesse ocorrendo sua apoteótica apresentação, os simpatizantes da Gaviões – parentes, construtoras etc. -, poderiam gritar: “Ahá, uhú, o Erário é nosso!” O samba enredo: “E se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”. Os confetes e serpentinas seriam feitos das toneladas de papéis vindos de processos contra eles movidos mas rapidamente arquivados.

Haveria também o bloco dos parlamentares que renunciaram: “Unidos da Renúncia Ética”. Imagine os ensaios do bloco no salão do Congresso e a bandinha dos puxa-sac... quer dizer, dos suplentes e assessores tocando: “Quanto riso, óh, quanta alegria, mais de mil palhaços no salão”.

O PT, por sua vez, poderia formar o “Revolucionários da Amnésia Proletária”, já que eles fazem tudo aquilo que prometiam não fazer se estivessem onde hoje estão, e o tema do samba enredo: “Esqueçam tudo que dissemos até hoje no Brasil, o país do valerioduto e do marketing político”. Paulo Maluf poderia lançar o “Mocidade Alegre das Ilhas Jersey”, bloco que teria integrantes a dar com pau! Já o povo viria representado pelo “Grêmio Recreativo Massa de Manobra”. Na comissão de frente os caras-pintadas, verdadeiros ícones da Escola, e o tema seria escolhido durante um “café com o presidente” da Massa.

Acabado o maior espetáculo deprimente da Terra no sambódromo de Brasília, o momento da apuração: Qual será campeã? Brigas, negociatas, ameaças, dossiês, mortes, compra de votos etc. Quem sabe até mesmo uma renúncia de última hora pela acusação de suborno dos juizes. Com o heróico e republicano ato, o retorno no próximo ano fica garantido e a eterna brincadeira recomeça sem problemas no próximo carnaval.

Como seria diferente o Brasil se tivéssemos por ele o mesmo amor que temos por carnaval e futebol. Nosso trio seria o da educação, do desenvolvimento e da distribuição de renda. Não pisariam mais no solo sagrado de nossa avenida o bloco dos corruptos, dos ladrões e dos incompetentes travestidos de salvadores da pátria. Não entrariam em nosso salão a indecência e a corrupção. Teríamos um bloco de foliões conscientes nas eleições e faríamos então da festa democrática o maior espetáculo da Terra. Melhor de tudo: não nos esqueceríamos das mulatas!

O samba enredo do momento: “Vem comigo amor, vem nas asas da indignação descobrir o que faz nossa rica e maltratada nação, ser ninho de político ladrão e de um povo maravilhoso que acredita em ilusão”.

Quarta, 01 Fevereiro 2006 21:00

Bombeiros de Satã

É por essas e muitas outras que se jogarem metade da incoerência do PT e da “oposição” no inferno o fogo se apaga.

Sem sombra de dúvida, Lula-lá, o homem-massa de Ortega Y Gasset, será um marco em nossa política. Daqui a trinta anos, se alguém se lembrar dele, o valerioduto será sua essência. Empossado, aliou-se a partidos e a políticos sobre os quais sempre destilou ódio e repulsa. Ao chamar os ex-presidentes de “covardes”, por não terem erradicado a seca no nordeste – em poucos meses mais um “covarde” será incluído na lista -, Sarney foi assegurado por Genoino e Mercadante de que não estava incluído na crítica, mas que era sim, um “grande estadista”.

Mas o PT não está só. Na Assembléia Legislativa de São Paulo há 65 pedidos de CPIs mas a base do governador Alckmin as estaria boicotando desde 2003: supostas irregularidades na execução de contratos de financiamento estrangeiro para as obras de despoluição do Tietê, investigação da Febem e a apuração de supostas irregularidades nas obras do Rodoanel são exemplos.

O “Congresso em Foco”  avaliou o Partido Verde como o “que esteve mais distante do plenário em 2005. O único integrante da bancada com mais de 90% de presença é Fernando Gabeira (RJ)”. Também os “principais partidos de oposição ao governo Lula, o PFL e o PSDB estão entre as cinco bancadas com menor índice de freqüência em plenário.”

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, devia muitas explicações à CPI dos Bingos. Acusações de corrupção de quando era prefeito em Ribeirão Preto não faltam: suposta arrecadação clandestina de dinheiro na campanha de Lula, tráfico de influência com participação de antigos e atuais assessores, irregularidades em licitações, o Cubagate etc. Foram seis horas de negações.

Segundo a Folha de S. Paulo, Palocci “articulou diretamente a liberação de recursos públicos para agradar a senadores oposicionistas e ser bem tratado no depoimento na CPI dos Bingos.” Pelo afago, “foi poupado de críticas mais duras”. No dia em que foi depor na CPI, “Palocci autorizou o refinanciamento de até R$ 184 milhões em dívidas de cacaueiros da Bahia”, atendendo ao senador ACM (PFL-BA). A atuação pessoal de Palocci na liberação de verbas aos parlamentares oposicionistas vem ocorrendo desde o final de 2005.

E mais: Cláudio Mourão, ex-tesoureiro do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), afirmou à Polícia Federal de que houve caixa 2 bandido na campanha de 1998, e que Duda Mendonça recebeu “por fora” R$ 3,8 milhões via valerioduto. Já o deputado tucano Gustavo Fruet foi trocado no Conselho de Ética por outro de seu partido: Jutahy Magalhães. É que Fruet faz parte da CPI dos Correios e, por orientação de Alberto Goldman, líder tucano na Câmara, teria de votar pela absolvição de Roberto Brant (PFL-MG) por receber R$ 108 mil da Usiminas também via valerioduto. Conversa entre Fruet e Goldman: “Como posso desfazer no Conselho de Ética o trabalho que ajudei a fazer na CPI dos Correios? Seria uma incoerência”, argumentou Fruet. Goldman insistiu. “Mas essa é uma posição do partido? O partido vai lançar nota oficial defendendo a absolvição de Brant?”, indagou Fruet. “Não podemos chegar a tanto”, respondeu Goldman.

Já a deputada petista Ângela Guadagnin, afirmou ter votado na absolvição de Brant por “coerência”, pois sempre tem defendido penas menores aos citados no escândalo.

É por essas e muitas outras que se jogarem metade da incoerência do PT e da “oposição” no inferno o fogo se apaga.

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