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Maria Lúcia V. Barbosa

Maria Lúcia V. Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br

Sábado, 15 Outubro 2005 22:00

Ingratidão Petista

Assim, ao modo guerreiro Ideli Salvati, o PT parte para a luta retirando companheiros do fundo do lamaçal, enquanto revida acusações com acusações a membros de outros partidos, notadamente do PSDB.

Enquanto o presidente Luiz Inácio faz mais uma adorável turnê pela Europa, afastando-se estrategicamente dos ares brasileiros empesteados pela corrupção do seu governo, do grave problema da febre aftosa, de mais uma misteriosa morte do sétimo envolvido com o assassinato de Celso Daniel, Ricardo Berzoini aparece nas fotos dos jornais com sorrisos de triunfo por sua apertada vitória sobre Raul Pont.

O chamado carrasco da terceira idade discursa sobre a unificação do PT, como se pudesse mudar o DNA (não do Marcos Valério, que sumiu juntamente com a lavanderia petista) do seu autofágico partido, rachado de alto a baixo. Ao mesmo tempo, ele minimiza as falcatruas dos companheiros, seguindo a linha de raciocínio do chefe Lula que não vê nada de mais em caixa 2 ou em recebimentos ilegais, desde que praticados pelos seus.

Como na eleição de Aldo Rebelo, comunista moderado que invoca Deus (essa mutação comunista deve ter se originado da Queda do Muro de Berlin), a facção majoritária exulta, recupera o ânimo e levanta a bandeira da reeleição do simbólico Lula. A ordem é ir com tudo para as únicas coisas o que o PT sabe fazer bem: campanha e oposição. Assim, ao modo guerreiro Ideli Salvati, o PT parte para a luta retirando companheiros do fundo do lamaçal, enquanto revida acusações com acusações a membros de outros partidos, notadamente do PSDB.

É preciso também resgatar a mística dos militantes e simpatizantes, muitos dos quais órfãos da agremiação em que tanto acreditaram. Afinal, militante é coisa útil: serve para com seus dízimos pagar os altos salários da cúpula partidária, é útil para bater bandeira na rua e, nas manifestações, podem compor uma claque eficiente para o líder.  Que eles regressem, pois, ao seu “primeiro e virginal abrigo” para dar continuidade ao projeto de poder do partido. E tal projeto inclui num segundo mandato a execução daquilo que se tentou no primeiro e não se conseguiu: a implantação do modelo do grande companheiro da Venezuela, Hugo Chávez.

Convenhamos que é o falso democrata Hugo Chávez, e não Luiz Inácio, o grande herdeiro de Fidel Castro, o líder que unificará sob sua bandeira vermelha os caudilhos sul-americanos de esquerda. Note-se que Chávez é o grande amigo das Farc e do MST que já lhe beija as mãos, o homem capaz de expropriar as terras dos malvados proprietários rurais de seu país, de por para correr as multinacionais que infectam a Venezuela com os males do emprego e da tecnologia, o comandante competente que organiza milícias e exércitos bem armados para se defender do grande Satã Branco, os Estados Unidos.

O PT jamais teve essa capacidade do pára-quedista venezuelano, seu poder de fogo para manter a mentalidade do atraso latino-americano.  No poder o que se viu foi petistas indo com muita sede ao pote, se lambuzando nos altos cargos, se deslumbrando com as facilidades palacianas e estatais, mandando a ética às favas e tratando de aproveitar a vida.

Tanto poder lhes trouxe a sensação de imunidade total, como se fossem cidadãos acima de qualquer suspeita. Isso, aliás, pode ser notado no comportamento do próprio presidente da República. Mesmo porque, aconteça o que acontecer ele é protegido pelo capital financeiro e pelas oposições. Já a Primeira Dama, supõe-se que falta pouco para encarnar uma Imelda brasileira, aquela dos mil pares de sapatos. Sem falar em outros familiares dessa espécie de realeza presidencial tupiniquim onde filhos e irmãos se sentem à vontade para prosperar rapidamente na República dos companheiros. Que o diga o primeiro-irmão, Vavá.

Em todo caso, os petistas, além de exímios em shows de cinismo e mentira, como se viu nas CPIs e na tentativa de escapar de seus deputados cassáveis, não deixam de ser ingratos com FHC. Afinal, este foi de fundamental importância para a vitória de Luiz Inácio. Durante a campanha de 2002 ele impediu que Serra entregasse um certo documento à imprensa, que poderia comprometer a candidatura do Lulinha de paz e amor. Declarou que se outro candidato, que não o do PSDB, chegasse ao segundo turno, votaria em Lula. De tão exultante com a vitória de seu sucessor lhe entregou o governo antes da hora. Durante o primeiro ano de mandato de Luiz Inácio, além dos mensalistas foram o PSDB e o PFL que compuseram a “oposição responsável” sem a qual não seriam votadas as medidas provisórias impostas pelo Executivo, e isso não teria o dedo de FHC? Agora, no auge da crise que teria derrubado qualquer presidente da República, não foi FHC que inventou a tese do “deixa-ele-lá-para-enfraquecer?”

O que não mata engorda e se depois de toda monumental corrupção a que se assiste o homem for reeleito, deverá mais esta a herança maldita de Fernando Henrique. E, é claro, mais do que tudo, aos brasileiros que gostam de pagar imposto e serem enganados. Ao final, como sempre, os justos pagarão pelos eleitores.

Sábado, 08 Outubro 2005 21:00

Voto 1 - Voto Nâo

Entendo que o sim ao desarmamento é mais uma empulhação governista. Visa ampliar o domínio Lula/PT sobre a sociedade, seguindo o rastro do companheiro ditador Fidel Castro.

Muito já foi dito e escrito sobre o referendo do desarmamento que será realizado em 23 de outubro. Os artigos mais inteligentes, bem fundamentados, lógicos são contra essa agressão do governo a liberdade individual. Não vou repetir estatísticas e argumentos que já foram usados, em que pese a força e a racionalidade dos muitos dados e citações apresentados, apenas expressarei minhas convicções.

Entendo que o sim ao desarmamento é mais uma empulhação governista. Visa ampliar o domínio Lula/PT sobre a sociedade, seguindo o rastro do companheiro ditador Fidel Castro. Objetiva também distrair as atenções do desfile de falcatruas e crimes perpetrados por excelentíssimas autoridades, que ofertam o maior escândalo de corrupção que o país já viu.

O desarmamento da população terá a adesão de ingênuos bem-intencionados, de amantes da paz que costumam serem violentíssimos em suas manifestações, de incautos românticos adeptos do açucarado bom-mocismo, de otários totalmente desinformados e, sem dúvida, dos bandidos. De modo que receio estar diante da maioria.

Que eu seja desmentida. Espero estar completamente equivocada. Que a Nação se insurja contra mais esse desmesurado intrometimento que estatiza a liberdade e extingue o direito de defesa da vida, do patrimônio e da família, em suma, da legitima defesa que cada cidadão possui constitucionalmente.

Lembremo-nos ainda, de que é muito raro surgir alguma coisa que nos beneficie quando o Estado se imiscui em nossa vida particular. A menos, é claro, que você seja compadre do governo, companheiro dileto dos poderosos de plantão. Nesse caso, um bom emprego e regalias inerentes ao cargo serão garantidos a você, seus familiares e amigos. E aí está o governo do PT que não me deixa mentir.

Compreende-se, pois, que para os apaniguados é vital a continuidade no poder de sua excelência, Luiz Inácio, que em sua eterna campanha, está sempre a frisar que só poderá mostrar a que veio em 20 ou 30 anos. Tanto tempo de governo petista requer uma população desarmada, portanto, indefesa; desinformada, porque nutrida pela propaganda enganosa; dependente de esmolas oficiais que mantém os pobres sempre pobres, as classes médias embasbacadas, os ricos contentes com os lucros auferidos no marxismo de mercado do maior governo de esquerda da América Latina, que age como direita e só pensa no lado de cima.

Quando me lembro de que quase 53 milhões de brasileiros acreditaram piamente na redenção do Lula-lá, e que muitos desses estão dispostos a reeleger o governante que tudo prometeu e nada cumpriu, me perpassa como clarão sinistro essa idéia de que o sim ao desarmamento pode vencer. Mesmo porque, muitos pensam que através da proibição do uso de armas de fogo a violência será extinta. Algumas pessoas até poderão dizer que haverá grande liberdade uma vez que não estão incluídos na proibição facas, tesouras, canivetes, agulhas de tricô, empurrões em escadas e os próprios punhos de cada um. Além do mais, podem argumentar os favoráveis ao desarmamento, que nem todos estão proibidos de portar armas. Continuarão totalmente livres para andarem armados até os dentes os bandidos e os sem-terra.

Recorro também ao pensamento de Henry Louis Mencken, para justificar minha apreensão relativa a vitória do sim. Disse o genial jornalista norte-americano: “o que não é verdade, como todo mundo sabe, é imensamente mais fascinante e satisfatório para a maioria dos homens do que o que é verdadeiro”. E diante do frisson causado pelo referendo, que como em toda escolha popular oferece às pessoas o prazer de apostar como em corridas de cavalos, cito mais uma vez a H.L. Mencken: “O homem comum funcionando como cidadão, tem a sensação de que é realmente importante para o mundo – de que é ele que administra as coisas”. Ele não percebe, acrescento eu, o quanto é manipulado e serve a interesses que não são os seus.

Se ganhar o sim, terei a certeza de que vivemos num sistema político que bem poderia ser chamado de babacocracia.  Afinal, ninguém contesta o governo que, tentando atribuir ao povo a responsabilidade pela violência, falha miseravelmente em sua missão maior que é a de dar segurança.

Segurança é obtida em primeiro lugar com leis aplicadas rigorosamente segundo o princípio da isonomia, o que exclui advogados de porta de palácio que julgam de acordo com os interesses dos poderosos do momento; com policiais bem armados, bem treinados, inclusive, psicologicamente, e bem pagos; com mais presídios (onde estão os 12 presídios de segurança máxima que foram prometidos? Dinheiro não falta, conforme se viu na eleição de Aldo Rebelo), com métodos de reabilitação de presos; com oportunidades de vida mais digna, o que inclui trabalho.

Parece que ninguém está cobrando maior eficiência do governo para acabar com a violência. Em vez disso, corremos o risco de irmos para o matadouro como boiada que ignora seu destino. Por essas e por outras, voto 1, voto não. Chega de enganação.

Quinta, 29 Setembro 2005 21:00

Mensalinho, Mensalão, Aldosalão

Ninguém, contudo, deve estar mais feliz do que o presidente da República. A nuvem negra do impeachment desapareceu. O camarada Aldo lá está como um escudo para sustar qualquer investida de algum atrevido.

258 neopicaretas, para usar palavreado similar ao do presidente Luiz Inácio, elegeram o comunista Aldo Rebelo (PC do B – SP) presidente da Câmara dos Deputados a poder de muito capital neles investido pelo governo. José Thomaz Nonô (PFL-AL), que empatou com Rebelo no primeiro turno, fez 243 votos, e os 15 votos a mais levaram ao delírio principalmente petistas temerosos de serem cassados. De novo houve negociação de votos, desta vez pela fabulosa quantia de R$ 1,515 bilhões, mais promessas de cargos.

Quanto ao presidente Luiz Inácio, que recentemente ao receber campeões de Judô disse que ia ficar em cima do tapume (o certo seria tatame) para lutar, deve estar ainda comemorando a vitória. Afinal, foi ele em pessoa que operou o Aldosalão, um recorde muito acima de mensalinhos e mensalões.

Sua Excelência, que em entrevista em Paris justificou o caixa 2 “porque todo mundo muito tem”; que é a favor de perdoar o deputado petista, Professor Luizinho, porque este só recebeu R$ 20 mil de Marcos Valério; que considerou R$ 40 mil troco quando uma empresária de Santo André se queixou que tinha que dar mensalmente essa quantia a Prefeitura para abastecer o caixa 2 do PT; deve realmente estar orgulhoso da compra dos 258 neopicaretas. Afinal, não foi por nenhuma “peteca” que eles, como diria o personagem do Coronel e o Lobisomem, “curvaram o espinhaço subalternista” diante do governo.

Ressalve-se, contudo, que o poder de ouro de sua excelência é originado dos pesados impostos pagos pelos contribuintes, entre os quais se incluem os quase 53 milhões de eleitores que depositaram sua confiança no humilde operário que vinha para mudar, para acabar com a corrupção, para mostrar como a esquerda detém o monopólio da ética.

Só tem um problema para os que venderam seu voto: o PT e seu presidente da República têm se notabilizado em vender mercadoria e não entregar. Fiquem atentos, portanto, os 258 neopicaretas movidos a mesalinhos, mensalões e agora a Aldosalão.

Aldo Rebelo, que como deputado se distinguiu com o relevante Projeto de Lei 2772/2003, que instituiu 31 de outubro como o “Dia Nacional do Saci Pererê”, tem perfil que se encaixa às mil maravilhas aos desígnios de domínio do Executivo.  Direi até que ele é muito melhor do que quaisquer petistas já que esses, sendo autofágicos, acabam mais atrapalhando do que ajudando. Calado, feições inexpressivas, Rebelo é o típico comunista que se anula em nome do todo. Isso ele demonstrou de sobra quando foi usado pelo então todo-poderoso José Dirceu, que manobrava à sombra e mandava para frente de batalha o aparente coordenador político do governo. Quando as manobras fracassavam, e isso aconteceu várias vezes, a culpa era do Aldo. E durante a fritura de meses, o disciplinado camarada se submeteu sem queixas às labaredas da fogueira da humilhação.

Agora o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, testemunha de defesa de José Dirceu, apesar de ser tão sério se permitiu uma piada: disse ser independente do governo. Entretanto, ele está pronto para continuar a trajetória de serviços à causa. Na verdade, já trouxe esperanças a Dirceus e Janenes, a Luizinhos e João Paulos. Desse modo, não será surpresa se das longas CPIs restar como cassado somente Roberto Jefferson. Os demais seriam inocentados. Apenas no caso do deputado José Dirceu, que se diz o mais inocente de todos, permanece um mistério: se ele é tão puro quanto uma criancinha, por que será que saiu chispando quando Roberto Jefferson desferiu aquele “saí daí Zé, para não complicar o presidente?”

Ninguém, contudo, deve estar mais feliz do que o presidente da República. A nuvem negra do impeachment desapareceu. O camarada Aldo lá está como um escudo para sustar qualquer investida de algum atrevido.

A apertada vitória, que elevou Aldo Rebelo à condição de terceiro homem mais importante da República, pois na falta do presidente e do vice-presidente é ele que assume o comando da Nação, faz pensar em como nossa democracia está se esvaindo sob o governo petista. Nesse sentido, os 258 neopicaretas são emblemáticos na medida em que, com sua peculiar ganância e postura aética, não se importaram nem um pouco em entregar a chave da porta do Legislativo ao Executivo. Como no Judiciário um outro presidente segura as pontas do governo, a pergunta a se fazer é a seguinte: já estamos vivendo sob uma ditadura disfarçada, versão adaptada e mais branda do modelo de Hugo Chávez que “fez uma Constituição e um referendo a seu favor”, como bem afirmou em discurso o presidente Luiz Inácio ao elogiar de forma contraditória o companheiro como grande democrata? A resposta deve ser dada pela outra metade da Câmara.

 

NOTA RPL: O presente artigo, assinado pela Professora Dra. Maria Lúcia Vitor Barbosa, é o milésimo publicado pela Ratio Pro Libertas.

Domingo, 25 Setembro 2005 21:00

A Trombeta do Mensalão

Impávido segue em frente o presidente Luiz Inácio, sempre poupado dos sons da trombeta. Alega-se que ele nada sabe, nada vê, por nada de seu governo é responsável.

Desde que o ex-deputado Roberto Jefferson, único parlamentar a ser cassado até agora, fez soar a trombeta do mensalão, começaram a ruir os muros do governo e de seu partido, o PT. Arrebentaram os diques da falsa ética e a lama atingiu outras agremiações nas quais mensalistas corrompidos por mensaleiros corruptores ainda tentam se salvar.

O Partido dos Trabalhadores, porém, foi o mais atingido. A bandeira vermelha que tanto entusiasmo causou a brasileiros tomados de cansaço cívico tornou-se um trapo puído pelos vermes da ganância e da corrupção.  Dos incansáveis defensores dos pobres e oprimidos, dos implacáveis opositores, dos arrogantes que olhavam o mundo de cima de sua verdade absoluta restou um grande entulho, disputado por facções em eleição interna do partido através de práticas eleitorais condenáveis.

No governo, o que foi chamado núcleo duro derreteu. Destaque-se o primeiro a sofrer o impacto da trombeta, o ex-todo-poderoso José Dirceu que foi ministro da Casa Civil, gerentão, articulador político, chanceler paralelo, gestor das práticas stalinistas de aparelhamento do Estado pelos companheiros e do centralismo democrático. Bastou uma trombetada, cujo som ribombou “sai daí Zé”, e o superministro, antes tão senhor de si nos cumes de sua arrogância, escafedeu-se dos recintos palacianos com a rapidez dos roedores. Do primeiro companheiro resta agora no Congresso uma sombra clamando por absolvição para tentar manter um mandato, cuja legitimidade perante a opinião pública já está perdida.

O ministro Gushiken perdeu o cargo. É bem verdade que continua junto ao presidente Luiz Inácio, mas o descrédito o acompanha. Jura com indignação que nunca foi senhor dos Fundos de Pensão. Mas quem acreditará nele?

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, resiste rodeado por nuvens negras de suspeição. Preservado por fortes interesses financeiros ostenta o estandarte do êxito da macroeconomia e seus guardiões são os especuladores, os investidores de curto prazo que aproveitam os juros mais altos do planeta para lucrar como nunca no Brasil.

Enquanto isso seguimos como um dos países mais desiguais do mundo, ostentamos o título de campeão da desigualdade social da América Latina e só estamos melhor, segundo o Bird, do que quatro países africanos: Suazilânida, República Centro-africana, Botswana e Namíbia. Já na vizinha Argentina a diferença entre ricos e pobres caiu pela primeira vez desde 2001.

Acrescente-se, que conforme a previsão de algumas instituições, cresceremos este ano abaixo da média mundial o que inclui os principais países latino-americanos e emergentes como a China e a Índia. O Ipea faz a previsão mais generosa para o PIB, que teria taxa de crescimento de 3,5. Ainda assim, o ministro Palocci, considerado como prodígio, segue fortemente protegido juntamente com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

No rastro do efeito devastador da trombeta ministros caíram e deputados, muito poucos é verdade, podem perder seus mandatos. Dentre esses poucos os que são companheiros contam com o STF, especialmente através do presidente da Instituição, o ministro Nelson Jobim. Recorde-se que Jobim inseriu na Constituição de 88 dois artigos que não haviam sido votados e, recentemente, já como presidente do STF, afirmou que direito adquirido é algo relativo. Foi também o ele que apelou para uma espécie de terrorismo político quando disse que o impeachment do presidente Luiz Inácio provocaria a ruptura das instituições, o que não é verdade.  Estamos, portanto, a mercê de julgamentos com base não na Lei, mas em ambições políticas pessoais o que configura, isso sim, um grave perigo para o Estado Democrático de Direito.

Em decorrência do som da trombeta caiu Severino Cavalcanti, que não teve alternativa a não ser renunciar à presidência da Câmara e ao mandato. E vai prosseguindo no picadeiro da política o show de intrigas, o desfile de personagens de ópera bufa, de escaramuças enquanto aflora o crescimento do espetáculo da corrupção. É como se a trombeta de Roberto Jefferson tivesse exposto o submundo do poder, que se antes já existia, sob o comando do governo petista foi ampliado institucionalmente de forma nunca vista.

Impávido segue em frente o presidente Luiz Inácio, sempre poupado dos sons da trombeta. Alega-se que ele nada sabe, nada vê, por nada de seu governo é responsável. O presidente viaja, discursa e só falta inaugurar queda de barreira em estrada esburacada. Metade dos eleitores já não acredita nele. Até quando, então, seus muros de proteção continuarão de pé? É pergunta que se deve fazer, sobretudo, aos senhores congressistas se eles mesmos quiserem sobreviver.

Sábado, 17 Setembro 2005 21:00

O Advogado do PT

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Azevedo Jobim, que em passado recente foi chamado pelos petistas de “líder do governo FHC no STF”, agora é visto como advogado do PT e isso tem algumas causas.

Terça, 13 Setembro 2005 21:00

Sancho Pança no Peru

Todos esses episódios levam a constatação de que atual governo, além de oferecer o maior espetáculo de corrupção de toda nossa história, é também o que melhor utilizou a farsa, a mentira, a simulação, a propaganda enganosa para se manter no poder.

Terça, 06 Setembro 2005 21:00

O Sonho Acabou

Quanto a mim, entendo que se o PT, ex-partido da ética, acoberta os seus como vem fazendo, é problema da sigla que se desmancha no ar.

Sábado, 20 Agosto 2005 21:00

Nem Lombroso Nem Freud

Aliás, os meninos do senhor presidente têm aproveitado a estadia de seu pai em poder tão alto para fazer bons negócios e desfrutar de lazer inacessível ao comum dos trabalhadores.

Quarta, 17 Agosto 2005 21:00

Do Marketing Para a História

Na véspera do insignificante pronunciamento, o criador que esculpira a imagem de um pretenso salvador preferiu salvar a própria pele.

Terça, 09 Agosto 2005 21:00

Engolindo Sapo Barbudo

No comício de Garanhuns não faltaram manifestações de apoio e apreço de tradicionais aliados como Jaime Amorim, líder do MST e Manoel dos Santos, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

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