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Maria Lúcia V. Barbosa

Maria Lúcia V. Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br

Sábado, 26 Novembro 2005 21:00

Mixórdia Brasil

Ao chegar ao topo do poder o PT instalou no Brasil a mais incrível mixórdia já registrada em toda nossa história.

Ao chegar ao topo do poder o PT instalou no Brasil a mais incrível mixórdia já registrada em toda nossa história. Isso porque, acostumados a militarem na oposição, os petistas são governo que não sabe governar.

 Exemplo disso se constata no próprio presidente Luiz Inácio, que parece ser incapaz de dirigir uma repartição pública. Homem de muita sorte, mesmo sem condições para exercer o cargo que ora ocupa obteve sucesso apelando ao símbolo operário, algo de efeito emocional e calcado nos recuados tempos em que seu partido surgiu de forças sindicais.

 Mesmo tendo trabalhado apenas por breve período, Luiz Inácio se apresenta, e é apresentado pela chamada esquerda (essa mixórdia ideológica cujos adeptos agem como direita e vivem como burgueses) como o pobre e injustiçado proletário, o que pretende também significar para efeitos de sedução populista o defensor de seus supostos iguais fracos e oprimidos.

Contradição ambulante que atinge seu paroxismo na farsa, Luiz Inácio, sempre se dizendo o torneiro mecânico que não é mais, encena a pantomima em que surge como paladino de uma hipotética luta de classes. Vestido como patrão, usufruindo as delícias da burguesia, os privilégios da corte, os luxos palacianos, ele simula ser o coitadinho perseguido pelas malvadas elites que, na verdade, ajudaram sua ascensão ao poder e nele o sustentam.

Em que pese a última pesquisa da CNT/Sensus, divulgada em 22/11, que aponta para expressiva queda de popularidade do presidente, uma porcentagem de crédulos – cada vez menor, é verdade – ainda não percebeu que o ídolo de pés de barro atingiu seu nível máximo de incompetência e, o que é pior, sustentou e sustenta junto a si ministros e assessores muito próximos sobre os quais pairam pesadas acusações de corrupção que lhes inviabilizariam a permanência no cargo não fosse o Brasil o país da mixórdia. Sem falar que em sua maioria os ministros são, por sua vez, inoperantes.

Espantosamente, esse presidente da República que em última instância é o responsável pela impressionante corrupção que grassa em seu governo, se apresenta feliz e risonho para a reeleição. A ele a ao seu partido (outra mixórdia onde predominam a falsa ética e a truculência oposicionista) interessa apenas a manutenção do poder custe o que custar e pelo maior tempo possível. Para tanto o PT supõe que basta cultivar o mito do eterno retirante para superar a realidade que afunda na sordidez das falcatruas e dos crimes acobertados pelo Legislativo, pelo Judiciário e por fortes interesses econômicos.

Mas se os atuais governantes não sabem governar, as oposições não sabem se opor. Sem partidos verdadeiramente oposicionistas se acentua a mixórdia. Vê-se, por exemplo, o PSDB proteger o PT do próprio PT sempre autofágico, no que conta com a ajuda do PFL, enquanto o PMDB utiliza sua tradicional estratégia de ser ao mesmo tempo oposição e situação.

No primeiro ano do governo Luiz Inácio, quando o Congresso foi quase dominado pelo Executivo a partir do modelo Hugo Chávez, o PSDB e o PFL, mesmo sem se venderem por mensalões foram os fiéis votantes das vontades governamentais a partir da postura de “oposições responsáveis”. E quem desenvolveu a tese de enfraquecer Luiz Inácio ao invés de pedir seu impeachment?” O cordato PSDB, que sempre demonstrou um amor não correspondido ao PT que, implacável, berrou durante oito anos “fora FHC”, e no poder tem clamado contra a herança maldita que lhe possibilitou o relativo sucesso na macroeconomia.

Somos faltos de oposição, exceção feita a certos parlamentares, e quando esta resolve assumir seu papel é crivada de críticas pela mídia. Na linha do bom-mocismo jornais passaram a acusar a cúpula do PSDB de “políticos de borduna”. E não faltam próceres desse partido que defendem o comportamento punhos de renda, como Aécio Neves que declarou: “não conseguiremos transformar o Lula em ladrão porque ninguém vai acreditar”. Será que não? O governador mineiro passa a impressão de que nada lhe agradaria mais do que ser o vice de Luiz Inácio na chapa da reeleição. E, afinal, no ano que vem a máquina do Estado jorrará de suas engrenagens a felicidade dos pobres com o aumento de esmolas governamentais que os deixarão mais pobres, os lucros dos ricos que ficaram mais ricos, enquanto as classes médias receberão alguns benefícios capazes de lhes despertar a gratidão que se externa em votos.

O PT tudo compra, tudo corrompe e na mixórdia Brasil, sem governo nem oposição, todas as surpresas, todas as malandragens, todas as iniqüidades, todas as hipocrisias são possíveis, pois acreditamos até em juiz de futebol ladrão.

Nada muda na espécie humana e pensando em 2006, meditemos sobre a frase proferida poucos anos antes de Cristo, na Roma Antiga, por Gaio Otávio, chamado de Augusto: “Cidadãos corruptos criam governantes corruptos, e é a turba que finalmente decide quando a virtude morrerá”.

Segunda, 14 Novembro 2005 21:00

A Exarcebação da Mentira

Mas acredito que perdemos a taça do festival de mentiras quando ouvi Fidel Castro dizer a Maradona, num programa de TV, que sofreu 600 atentados cometidos pela CIA.

Ao mentirmos nos isentamos de culpas e responsabilidades, criamos um mundo à nossa imagem e semelhança, pretendemos enganar aos outros e a nós mesmos. Mas para além das mentiras individuais, desde as mais grosseiras até as piedosas, a mentira trespassa todas as nossas instituições políticas e econômicas, e entranha nosso tecido social. E o que é pior, a mentira é bem aceita por nós. Como disse Otávio Paz, “a mentira política se instalou em nossos povos quase constitucionalmente e o dano moral tem sido incalculável, alcançando zonas muito profundas do nosso ser. Movemo-nos na mentira com naturalidade”.

Mas se todos os povos mentem existem países onde os poderes constituídos são mais respeitáveis que os nossos, que as atividades econômicas costumam se processar em níveis mais leais que nossas costumeiras práticas corruptas, que a confiança mútua é bem mais generalizada do que entre nós por força mesmo de outra formação cultural. O resultado disso se verá na estabilidade política, no notável desenvolvimento econômico, e aqui cito como exemplo os Estados Unidos, cuja mentalidade é bem diferente daquela dos latino-americanos o que inclui, é claro, a mentalidade brasileira.

Entretanto, nunca se mentiu tanto quanto agora. Avoluma-se de modo sem precedentes a mentira praticada pelo presidente da República e pelas mais altas autoridades do país. Mentem próceres petistas que se diziam exemplos de políticos éticos. Mentem depoentes nas CPIs e o último  a dar um show enojante de mentiras foi Vladimir Poleto, ex-assessor do ministro Antonio Palocci que por sua vez mente ao se esquivar das acusações de corrupção feitas por seus ex-homens de confiança com relação a sua administração como prefeito de Ribeirão Preto.

Nas CPIs a mentira é permitida legalmente por ministros do STF, que antes de tudo são companheiros do presidente, sendo que alguns devem à Sua Excelência a nomeação. Mente-se à vontade e os mentirosos não podem ser presos. Mas num país em que criminosos confessos são soltos, que a impunidade é a norma, o direito de mentir não parece chocar a sociedade que se move na mentira com naturalidade.

A questão é que estamos diante da exacerbação da mentira praticada pelos poderes mais altos da República que, se sempre mentiram, nunca mentiram tanto quanto agora. Pior, a mentira que contamina toda a estrutura governamental leva à completa imoralidade, à corrupção total da coisa pública, à eliminação de valores. Vale tudo. O PT, enquanto partido e enquanto governo, elevou a imoralidade no Brasil a um nível jamais visto.

Isso já era perceptível através da propaganda enganosa, engenharia da mentira brilhantemente construída por Duda Mendonça, aliás, um dos atuais desaparecidos do palco circense da mentira em que se transformou o País. Dados e estatísticas, que exaltam estrondoso êxito econômico, são mentiras revestidas da falsa verdade dos números. Bravatas lançadas pelo presidente da Republica, que se vangloria de um grandioso e fictício sucesso, compõe a mentira demagógica. E sua última entrevista, gravada, ensaiada, coreografada e exibida no circo eletrônico da TV, não me deixa mentir.

A mentira nesse momento da vida nacional levou ao apogeu o cinismo. Isso é visível quando o ex-ministro, José Dirceu, diz calmamente, e em tom de vítima, “sou Inocêncio”. Quando o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, debocha da sociedade com seu eterno riso de felicidade e mente sob cobertura judicial relativizando o caixa dois, o mensalão e outros crimes classificados por ele como piada de salão que será facilmente esquecida. Quando Marcos Valério, o office-boy de luxo da lavanderia do PT, nega seus crimes com aquele sorrisinho de Mona Lisa. E esses são apenas uns poucos exemplos de mentirosos.

Em meio à mentira exercida sem escrúpulos pelo presidente da República e por eminentes petistas (relembre-se José Genoino) se estabelece a amnésia. Ninguém viu nada. Ninguém sabe de nada. São todos “inocêncios”. E quando o presidente Luiz Inácio admite pela primeira vez que é responsável por seu governo, mas que sua função consiste em mandar apurar as pesadas acusações que denigrem a própria imagem do Brasil, a mentira raia ao absurdo. Quem tem um mínimo de informação sabe que manobras de todos os tipos, originadas no núcleo do governo e exibidas por sua tropa de choque no Congresso, são obstáculos freqüentes à elucidação dos deprimentes fatos.

Quando o mau exemplo vem de cima o que se pode esperar?  Como se educar um filho lhe ensinando a dizer a verdade, a ser honesto, a procurar através do trabalho o mérito que advém da competência?

Mas acredito que perdemos a taça do festival de mentiras quando ouvi Fidel Castro dizer a Maradona, num programa de TV, que sofreu 600 atentados cometidos pela CIA. Esses americanos

Vão ter pontaria ruim assim no inferno.

Domingo, 06 Novembro 2005 21:00

Os Fora-da-Lei

Não é à-toa que fomos chamados de fora-da-lei.

A reportagem da revista Veja versando sobre US$ 3 milhões de dólares, que teriam vindo de Cuba em garrafas de rum e uísque entre agosto e setembro de 2002 para incrementar o caixa dois do candidato Luiz Inácio, foi classificada por governistas e defensores do governo do PT como fantasiosa. E antes que mais esse escândalo caia no esquecimento, ou seja ultrapassado por outros como o mais recente que indica que R$ 10 mi foram repassados via Marcos Valério para o caixa dois do PT, volto a ele.

Entre os homens do presidente, o influente assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, foi um dos primeiros que se posicionou de maneira veemente contra a denúncia. O grande artífice de nossa desastrada e terceiro-mundista política externa, de Paris ironizou e desclassificou a matéria como uma “fabulação absoluta”.  Já o ministro de Relações Institucionais, Jaques Wagner, alegou transparência nos gastos de campanha do PT (ele parece desconhecer os escândalos do governo a que pertence) e taxou a publicação da revista de “especulações que não passam de fantasia”. No Congresso, a tropa de choque do governo entrou em ebulição e passou a repetir como um mantra que a reportagem era “frágil” e “fantasiosa”. Quanto ao presidente do PT, Ricardo Berzoine, conforme seu estilo, ameaçou processar a Veja. Curiosamente foram poupados os companheiros ou ex-companheiros Rogério Burati e Vladimir Poleto, ex-assessores do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que fizeram as denúncias. Em compensação, mais uma vez culpou-se a oposição. Para culminar, o próprio presidente Luiz Inácio prometeu guerra aos opositores, que a rigor não existem a não ser alguns poucos heróis da resistência. Repetiu-se, assim, a conhecida técnica de defesa petista: desmerecer, desclassificar, ameaçar, esmagar.

Pode ser que essa estória das garrafas de fato pareça algo mirabolante, lembrando apenas que já foi pego petista com dólar na cueca o que, convenhamos, é um método inusitado de transportar dinheiro. Por sinal, nada ficou esclarecido sobre o episódio que envolveu o assessor do deputado irmão de José Genoino, assim como não se houve mais falar dos três. De todo modo, seria interessante considerar alguns aspectos que decorrem da matéria da Veja:

A reação quase histérica que tomou conta dos governistas, ainda que tenham afirmado reiteradamente que tudo não passa de fantasia, não deixa de demonstrar que os petistas sabem que, se tal denúncia tivesse atingido o governo anterior eles teriam se encarregado prontamente derrubar o presidente da República.

Também não se pode alegar que é mera suposição sem provas os elos fraternos que unem Luiz Inácio e Fidel Castro, castristas, petistas e esquerdistas de todas as nuances. Pode-se dizer, sem desdouro para Hugo Chávez, que Cuba, juntamente com a cerveja, é uma de nossas paixões nacionais. Aliás, como explica o cubano Carlos Alberto Montaner na sua magistral obra “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”, “a relação sentimental mais íntima e duradoura do idiota latino-americano é com a revolução cubana”. E no sentido de maior esclarecimento transcrevo aqui a conceituação de idiota que Álvaro Vargas Lhosa dá no prefácio da referida obra:

“A idiotice que impregna esse manual não é a congênita...” “É de outra índole. Em verdade, ela não é só latino-americana, corre como azougue e deita raízes em qualquer parte. Postiça, deliberada e eleita, se adota por preguiça intelectual, modorra ética e oportunismo civil. Ela é ideológica e política, mas, acima de tudo, frívola, pois revela uma abdicação de pensar por conta própria, de cotejar as palavras com os fatos, de questionar a retórica que faz às vezes de pensamento. Ela é a beataria da moda reinante, o deixar-se levar sempre pela corrente, pela religião do estereótipo e pelo lugar comum”.

Porém, uma coisa é certa: o ditador Fidel Castro não dispõe de tão vultosa quantia que teria sido enviada ao companheiro Lula. Na verdade, Cuba, além de tabaco, cana de açúcar e prostituição, hoje sobrevive com a ajuda do Brasil e, certamente com a do companheiro Chávez. Entretanto, não é tão fantasioso assim imaginar o pequeno e pobre país caribenho como ponte de trambique internacional. E Duda Mendonça (que sumiu também) não deixa ninguém mentir sobre a existência da origem externa de recursos para o caixa 2 do PT.

Finalmente, duas constatações emergem como efeitos colaterais da denúncia da Veja: a impressionante impunidade relativa ao governo petista, o que inclui o presidente da República, e o estado de anestesia geral do povo que a tudo assiste com a indiferença do cúmplice ou do alienado como se tudo não passasse de piada de salão. Não é à-toa que fomos chamados de fora-da-lei.

Sábado, 29 Outubro 2005 21:00

Dá Para Confiar em Nossas Autoridades?

Como evidência da falência do governo Lula, também em matéria de segurança, dinheiro e drogas foram roubados dentro das sedes das Polícias Federais do Rio e de São Paulo.

No noticiário da Band, dia 27deste, uma notícia ilustrou bem a falência institucional da autoridade nesse país violento. O fato se passou em Belo horizonte. Um bandido, com farta ficha policial, tentou assaltar uma empresa. O vigia, que possuía porte de arma, atirou. Certamente no intuito de afugentar o criminoso. A polícia prendeu o vigia e o bandido. O vigia ficou preso durante quatro dias, acusado de desrespeitar o Estatuto do Desarmamento. Foi solto, mas está em liberdade provisória. O bandido? O delegado soltou imediatamente.

O que se poderia esperar da parte do Estado diante dessa aberração? No mínimo uma indenização ao vigia por danos morais, além da expulsão do delegado que merecia, por sua vez, experimentar o ambiente da cadeia. O delegado foi apenas afastado e mais adiante, provavelmente, voltará e continuará a cometer abusos e injustiças. Dá para confiar nesse tipo de autoridade?

Em meio à crise que assola o país, no dia 26 desse agitado outubro o presidente da República foi comemorar no Rio de janeiro, num hotel de luxo, seu aniversário. Em mais um ambiente cinematográfico foi homenageado e ganhou “Parabéns pra Você”, cantado por Fafá de Belém que depois abraçou efusivamente o presidente Luiz Inácio tal qual uma Monroe morena enlaçando seu charmoso Kennedy. A musa das Diretas-já homenageou também em tempos idos Teotônio Vilela, Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Mas como o presidente Luiz Inácio diz ter o corpo fechado, tudo bem.

Enquanto o presidente se divertia a valer, Gilberto Carvalho, seu chefe de gabinete, homem de confiança, companheiro de longa data – como era Waldomiro Diniz com relação ao então ministro da Casa Civil, José Dirceu – era acareado na CPI dos Bingos com os irmãos do prefeito assassinado, Celso Daniel.

Carvalho seguiu a tradicional tática petista: desqualificou os irmãos, acusou um deles de desequilibrado, assumiu o papel de vítima, negou, negou e negou que tivesse dito ao Dr. João Francisco Daniel que transportava dinheiro extorquido de empresários de Santo André para alimentar o caixa 2 da campanha presidencial de Luiz Inácio. E para não perder o costume afirmou que por trás da atitude dos irmãos em busca de justiça se escondiam interesses da oposição.

Carvalho foi auxiliado pela tropa de choque petista. A senadora Ideli, como sempre estridente, de tudo fez para impedir que o senador Álvaro Dias lesse trechos de uma fita altamente comprometedora para Gilberto de Carvalho e outros companheiros. Também o senador Arns, em estilo Santo Ofício, tentou fazer com que Bruno Daniel caísse em contradição ao inquiri-lo sobre detalhes desnecessários, relativos a uma das vezes em que Carvalho falou aos irmãos sobre do transporte do dinheiro. Só faltou perguntar a cor do prato do bolo de aipim que Carvalho saboreara na casa de João Francisco enquanto contava sobre seus temores com relação o transporte de mais de um milhão de reais que seriam entregues a José Dirceu. Mas se alguém perguntar ao presidente Luiz Inácio se ele sabia de alguma coisa a respeito dessas misteriosas ocorrências ligadas a sua campanha, naturalmente ele dirá que nada sabe, nada viu e nada tem a ver com isso. Dá para confiar em alguma autoridade do PT?

No Congresso se assiste ao estrebuchar do deputado José Dirceu. Desesperadamente ele manobra para não ser cassado. Perdeu fragorosamente na Comissão de Ética por 13 voto a 1 e imediatamente seu advogado recorreu de novo ao STF. Zeloso de suas atribuições, o ministro Eros Grau ordenou que o relatório que pede a cassação seja refeito, o que enseja ao advogado de José Dirceu solicitar a anulação da sessão da Comissão de Ética que indicou a cassação.

O STF tem dado a depoentes das CPIs como, por exemplo, Delúbio Soares, o bode expiatório do PT que recentemente foi expulso do Partido o que confirma sua culpa, o direito de mentir e não ser preso. O ministro Jobim é também muito solicito com os companheiros. Se isso tudo isso é legal não parece legítimo. Portanto, pergunto: podemos confiar na autoridade de todos os ministros do STF? E o que Dirceu quer provocar, uma crise entre o Legislativo e o Judiciário para que prevaleça o Executivo? Lembremos que o Camarada Daniel só chora diante de Fidel Castro, seu ídolo e modelo.

Como evidência da falência do governo Lula, também em matéria de segurança, dinheiro e drogas foram roubados dentro das sedes das Polícias Federais do Rio e de São Paulo. Dá para confiar nessas autoridades?

Enquanto isso, um silêncio profundo caiu sobre a febre aftosa e seus calamitosos prejuízos. Leilões estão suspensos, frigoríficos fecham as portas, o agronegócio, esteio de nossa balança comercial, sofre profundo abalo enquanto cresce o número dos países que embargam a carne brasileira. Dá para confiar na autoridade desse governo? Eu não confio.

Segunda, 24 Outubro 2005 21:00

Enganação Nunca Mais

A propaganda, que é sempre enganosa, parece, portanto, ter encontrado seus limites na realidade e o recado está dado: enganação nunca mais.

De forma estrondosa, ultrapassando os resultados dos institutos de pesquisa, o povo consagrou o NÃO no referendo sobre a comercialização de armas.  Na Globo News, a apuração rápida dos votos foi entremeada por opiniões de cientistas políticos, que se esmeravam para explicar o que para eles era inexplicável. Entre os doutos intérpretes, Lucia Hipólito, a mais nova revelação global, contratada da CBN, “menina do Jô”, comentarista da Globo News, dona de uma coluna no O Estado de S. Paulo disse que a turma do SIM era vista como “da paz”, e a turma do NÃO como “da bala”. Depois, num rasgo de iluminação, aconselhou o governo a conservar o impedimento da comercialização legal de armas (visto que sobre o comércio ilegal não há controle por parte do Estado, o que beneficia os bandidos) através de um sutil estratagema: aumentar os impostos sobre as armas de modo a tornar quase impossível sua aquisição pelo cidadão comum. A comentarista não considerou que a “turma do NÃO” traduziu em votos mais da metade do eleitorado, ou seja, 63,94%, e que isso tem de ser respeitado.

Outro que se esmerou em explicar o maciço repúdio popular a mais uma violação dos direitos individuais por parte do governo foi o cientista político Abrucio, da Fundação Getúlio Vargas, o qual com certa freqüência também é visto na Globo News. Ele parecia indignado e partiu para uma espécie de defesa dos fracos e oprimidos ao afirmar que, se os partidários do NÃO defenderam o direito de portar armas, direito é coisa universal, como os pobres não têm recursos financeiros para comprar armas, logo se deveria dar a eles, na cesta básica, um revólver ao lado da goiabada.

O especialista em política estava também muito preocupado com os partidos políticos. Para ele a participação efetiva dos partidos no referendo teria sido essencial. O jovem cientista político pareceu não se dar conta de que, em primeiro lugar, a rigor não temos partidos políticos, mas clubes de interesse e, segundo, numa democracia o poder soberano vem do povo.

Além dessas houve várias interpretações de outros cientistas políticos que desfilaram para a fama televisiva, mas não se esmiuçou pontos fundamentais que podem lançar luz sobre a decisão popular.

O primeiro ponto se refere à falência do Estado em cumprir com sua obrigação fundamental: dar segurança aos cidadãos. Isso foi percebido pelos eleitores, o que não quer dizer que os que escolheram o NÃO vão sair por aí comprando armas de forma alucinada (mesmo porque foram mantidos os vários critérios que em nada facilitam a compra) ou atirando a esmo por puro prazer.

Outro aspecto importante foi a vitória inequívoca do povo e a derrota acachapante do governo. Este perdeu de maneira ainda mais contundente do que quando fracassou em sua intenção totalitária de impor a lei da mordaça aos promotores, a censura stalinista sobre os meios de comunicação e à imprensa. Alguém se lembra do malfadado Conselho de Jornalismo?

Nesses casos houve reação de grupos profissionais envolvidos. No referendo, na verdade mais um factóide do governo Lula para distrair as atenções da crise que o atinge, foi a população que fez a escolha e nela está implícito o repúdio não só ao Estado, mas ao governo o que, sem dúvida, se refletirá nas eleições de 2006.

Recorde-se que o próprio presidente da República declarou de forma aberta e politicamente imprudente, seu voto no SIM, tornando-se mais uma vez campeão em duas modalidades de tiro: tiro no pé e tiro pela culatra.

O resultado do referendo fez, portanto, incidir uma luz amarela sobre a reeleição de Luiz Inácio, cujo governo deverá enfrentar de agora em diante sérias dificuldades na área econômica com a eclosão da febre aftosa. Por mais que se queria subestimar este imenso problema é óbvio que já está sendo abalado um dos pilares de nossa economia, o agronegócio que sustenta quase metade de nossa balança comercial.

Diante do descalabro, economistas se revezam em explicações tão mirabolantes quanto as de certos cientistas políticos. Dizem eles, que a febre aftosa é ótima porque não podendo vender para o mundo consumiremos nós mesmos a carne contaminada, o que vai barateá-la pelo aumento da oferta e, portanto, a desgraça contribuirá para baixar a inflação e, de quebra, os juros. Os economistas não mencionaram a seca no norte e a possível entrada no Brasil da gripe do frango. Parece também que a calmaria econômica internacional poderá sofrer alterações. É muita urucubaca.

A propaganda, que é sempre enganosa, parece, portanto, ter encontrado seus limites na realidade e o recado está dado: enganação nunca mais.

Sexta, 21 Outubro 2005 21:00

Socialismo Selvagem

E assim vamos nós, embalados pelo socialismo selvagem que se refestela na mentira, se locupleta na corrupção, administra pelo cinismo, se impõe pela falsa propaganda e tem dado demonstrações de total incompetência.

No Brasil, onde é politicamente correto ser de esquerda, sempre se criticou o capitalismo selvagem, com especial ênfase no capitalismo norte-americano. Naturalmente, nunca nos importamos de passar o chapéu para que o FMI resolvesse os problemas gerados pelos governos por nós eleitos, e que tradicionalmente se mostraram perdulários, incompetentes e corruptos, com as honrosas exceções de sempre.

Agora temos novidade. O primeiro presidente de esquerda do Brasil, conforme alardeado no dia da vitória triunfal de Luiz Inácio e do seu partido, o PT, instaurou no país o socialismo selvagem cujos pilares são: o marxismo de mercado, os recursos não contabilizados e a piada de salão.

O marxismo de mercado consiste em tentar fazer o que a China faz, ou seja, a mais pura economia de mercado num país politicamente socialista. Como estamos anos-luz atrás dos chineses e nossa realidade sócio-econômica nada tem a ver com a deles, os homens do presidente acabaram por nos por em situação difícil diante do colosso asiático. Na ânsia de conquistar o almejado assento no Conselho de Segurança da ONU, o Brasil declarou a China economia de mercado e agora nossos empresários, faltos em competitividade, se desesperam para obter salvaguardas que os livre da concorrência daqueles adoráveis e baratos produtos chineses que começam a inundar nossas lojas com atraentes e desejáveis mercadorias.

Em que pese o fracasso dos negócios da China, o governo persiste em sua ortodoxia macroeconômica, que se não encontra o esperado respaldo na China, na Rússia ou na União Européia, segue comercialmente atrelado ao odiado Estados Unidos. Assim, apesar de todo blábláblá sobre a decadência capitalista e a conversa mole de que este sistema cruel está nas últimas, enquanto os governantes petistas sonham com o dia em que poderão transferir o capital dos particulares para seus bolsos, “o mundo moderno”, conforme disse Henry Louis Mencken, “tanto pode dispensar o capital acumulado quanto a polícia ou as ruas pavimentadas”.

Os recursos não contabilizados compõem outro elemento intrínseco do socialismo selvagem, variante petista. Eufemismo semântico para o caixa 2, a maracutaia foi consagrada pelo presidente Luiz Inácio. Segundo ele, todo mundo faz, portanto, não tem a mínima importância fazer também. O ministro da Justiça disse que caixa 2 é crime e Collor foi julgado politicamente e cassado por causa de caixa 2, mas para o presidente tal ação é um pecadilho sem importância, desde que seja, é claro, praticado pelos seus. Aos outros, o rigor da lei, especialmente da lei do ministro Nelson Jobim, presidente do Supremo Tribunal Federal. E conforme o presidente do PT, Ricardo Berzoine, temos “caixa 2 com corrupção” e caixa 2 sem corrupção”. Traduzindo, a deles e a dos outros.

Também as diabruras dos deputados petistas, que receberam do Office-boy de luxo do PT, Marcos Valério, quantias respeitáveis, são perdoadas pelo presidente. Apoiando o chefe, o companheiro Tarso Genro diz que caixa 2 “é um problema grave, mas meramente tributário”.Isso significa, que no socialismo selvagem onde o limite entre a moral e a imoralidade se esvaiu, temos a corrupção do bem e a corrupção do mal.

O terceiro pilar foi construído por Delúbio Soares. Para o ex-tesoureiro do PT, tudo que se passa agora em seu governo e em seu partido, incluindo os mensalões e outras falcatruas, será logo considerado como piada de salão. Desse modo, ao mesmo tempo em que se relativiza os crimes cometidos pelo poder público e se consagra a desfaçatez, o socialismo selvagem medra na mais plena certeza de impunidade dos que comandam o crescimento do espetáculo da corrupção.

Nesse sistema não é de se espantar que o Índice de Percepções de Corrupção, da Transparência Internacional, divulgado em 18 de outubro desse conturbado 2005, tenha mostrado o Brasil como país com grave nível de corrupção, ocupando a 62ª posição de um total de 158 países, sendo que no ano passado estávamos em 59º lugar num universo de 158 países.

E enquanto o tempo passa, seguem no Congresso as manobras da tropa de choque petista e de seus aliados para salvar da cassação José Dirceu, o Inocêncio, além dos companheiros deputados que já foram denominados jocosamente de “gang dos cinco”. Assim, no saldo final das CPIs, é capaz de restarem dois cassados: Roberto Jefferson, que se cometeu erros foi o único a falar a verdade, e o brilhante e combativo deputado do PFL, Onyx Lorenzoni, que corajosamente levantou uma ponta do véu de falsa vestal de José Dirceu, que já havia assinado uma confissão de culpa quando obedeceu prontamente a ordem de Roberto Jefferson para deixar rapidinho seus imensos poderes governamentais.

E assim vamos nós, embalados pelo socialismo selvagem que se refestela na mentira, se locupleta na corrupção, administra pelo cinismo, se impõe pela falsa propaganda e tem dado demonstrações de total incompetência.

Sábado, 15 Outubro 2005 22:00

Ingratidão Petista

Assim, ao modo guerreiro Ideli Salvati, o PT parte para a luta retirando companheiros do fundo do lamaçal, enquanto revida acusações com acusações a membros de outros partidos, notadamente do PSDB.

Enquanto o presidente Luiz Inácio faz mais uma adorável turnê pela Europa, afastando-se estrategicamente dos ares brasileiros empesteados pela corrupção do seu governo, do grave problema da febre aftosa, de mais uma misteriosa morte do sétimo envolvido com o assassinato de Celso Daniel, Ricardo Berzoini aparece nas fotos dos jornais com sorrisos de triunfo por sua apertada vitória sobre Raul Pont.

O chamado carrasco da terceira idade discursa sobre a unificação do PT, como se pudesse mudar o DNA (não do Marcos Valério, que sumiu juntamente com a lavanderia petista) do seu autofágico partido, rachado de alto a baixo. Ao mesmo tempo, ele minimiza as falcatruas dos companheiros, seguindo a linha de raciocínio do chefe Lula que não vê nada de mais em caixa 2 ou em recebimentos ilegais, desde que praticados pelos seus.

Como na eleição de Aldo Rebelo, comunista moderado que invoca Deus (essa mutação comunista deve ter se originado da Queda do Muro de Berlin), a facção majoritária exulta, recupera o ânimo e levanta a bandeira da reeleição do simbólico Lula. A ordem é ir com tudo para as únicas coisas o que o PT sabe fazer bem: campanha e oposição. Assim, ao modo guerreiro Ideli Salvati, o PT parte para a luta retirando companheiros do fundo do lamaçal, enquanto revida acusações com acusações a membros de outros partidos, notadamente do PSDB.

É preciso também resgatar a mística dos militantes e simpatizantes, muitos dos quais órfãos da agremiação em que tanto acreditaram. Afinal, militante é coisa útil: serve para com seus dízimos pagar os altos salários da cúpula partidária, é útil para bater bandeira na rua e, nas manifestações, podem compor uma claque eficiente para o líder.  Que eles regressem, pois, ao seu “primeiro e virginal abrigo” para dar continuidade ao projeto de poder do partido. E tal projeto inclui num segundo mandato a execução daquilo que se tentou no primeiro e não se conseguiu: a implantação do modelo do grande companheiro da Venezuela, Hugo Chávez.

Convenhamos que é o falso democrata Hugo Chávez, e não Luiz Inácio, o grande herdeiro de Fidel Castro, o líder que unificará sob sua bandeira vermelha os caudilhos sul-americanos de esquerda. Note-se que Chávez é o grande amigo das Farc e do MST que já lhe beija as mãos, o homem capaz de expropriar as terras dos malvados proprietários rurais de seu país, de por para correr as multinacionais que infectam a Venezuela com os males do emprego e da tecnologia, o comandante competente que organiza milícias e exércitos bem armados para se defender do grande Satã Branco, os Estados Unidos.

O PT jamais teve essa capacidade do pára-quedista venezuelano, seu poder de fogo para manter a mentalidade do atraso latino-americano.  No poder o que se viu foi petistas indo com muita sede ao pote, se lambuzando nos altos cargos, se deslumbrando com as facilidades palacianas e estatais, mandando a ética às favas e tratando de aproveitar a vida.

Tanto poder lhes trouxe a sensação de imunidade total, como se fossem cidadãos acima de qualquer suspeita. Isso, aliás, pode ser notado no comportamento do próprio presidente da República. Mesmo porque, aconteça o que acontecer ele é protegido pelo capital financeiro e pelas oposições. Já a Primeira Dama, supõe-se que falta pouco para encarnar uma Imelda brasileira, aquela dos mil pares de sapatos. Sem falar em outros familiares dessa espécie de realeza presidencial tupiniquim onde filhos e irmãos se sentem à vontade para prosperar rapidamente na República dos companheiros. Que o diga o primeiro-irmão, Vavá.

Em todo caso, os petistas, além de exímios em shows de cinismo e mentira, como se viu nas CPIs e na tentativa de escapar de seus deputados cassáveis, não deixam de ser ingratos com FHC. Afinal, este foi de fundamental importância para a vitória de Luiz Inácio. Durante a campanha de 2002 ele impediu que Serra entregasse um certo documento à imprensa, que poderia comprometer a candidatura do Lulinha de paz e amor. Declarou que se outro candidato, que não o do PSDB, chegasse ao segundo turno, votaria em Lula. De tão exultante com a vitória de seu sucessor lhe entregou o governo antes da hora. Durante o primeiro ano de mandato de Luiz Inácio, além dos mensalistas foram o PSDB e o PFL que compuseram a “oposição responsável” sem a qual não seriam votadas as medidas provisórias impostas pelo Executivo, e isso não teria o dedo de FHC? Agora, no auge da crise que teria derrubado qualquer presidente da República, não foi FHC que inventou a tese do “deixa-ele-lá-para-enfraquecer?”

O que não mata engorda e se depois de toda monumental corrupção a que se assiste o homem for reeleito, deverá mais esta a herança maldita de Fernando Henrique. E, é claro, mais do que tudo, aos brasileiros que gostam de pagar imposto e serem enganados. Ao final, como sempre, os justos pagarão pelos eleitores.

Sábado, 08 Outubro 2005 21:00

Voto 1 - Voto Nâo

Entendo que o sim ao desarmamento é mais uma empulhação governista. Visa ampliar o domínio Lula/PT sobre a sociedade, seguindo o rastro do companheiro ditador Fidel Castro.

Muito já foi dito e escrito sobre o referendo do desarmamento que será realizado em 23 de outubro. Os artigos mais inteligentes, bem fundamentados, lógicos são contra essa agressão do governo a liberdade individual. Não vou repetir estatísticas e argumentos que já foram usados, em que pese a força e a racionalidade dos muitos dados e citações apresentados, apenas expressarei minhas convicções.

Entendo que o sim ao desarmamento é mais uma empulhação governista. Visa ampliar o domínio Lula/PT sobre a sociedade, seguindo o rastro do companheiro ditador Fidel Castro. Objetiva também distrair as atenções do desfile de falcatruas e crimes perpetrados por excelentíssimas autoridades, que ofertam o maior escândalo de corrupção que o país já viu.

O desarmamento da população terá a adesão de ingênuos bem-intencionados, de amantes da paz que costumam serem violentíssimos em suas manifestações, de incautos românticos adeptos do açucarado bom-mocismo, de otários totalmente desinformados e, sem dúvida, dos bandidos. De modo que receio estar diante da maioria.

Que eu seja desmentida. Espero estar completamente equivocada. Que a Nação se insurja contra mais esse desmesurado intrometimento que estatiza a liberdade e extingue o direito de defesa da vida, do patrimônio e da família, em suma, da legitima defesa que cada cidadão possui constitucionalmente.

Lembremo-nos ainda, de que é muito raro surgir alguma coisa que nos beneficie quando o Estado se imiscui em nossa vida particular. A menos, é claro, que você seja compadre do governo, companheiro dileto dos poderosos de plantão. Nesse caso, um bom emprego e regalias inerentes ao cargo serão garantidos a você, seus familiares e amigos. E aí está o governo do PT que não me deixa mentir.

Compreende-se, pois, que para os apaniguados é vital a continuidade no poder de sua excelência, Luiz Inácio, que em sua eterna campanha, está sempre a frisar que só poderá mostrar a que veio em 20 ou 30 anos. Tanto tempo de governo petista requer uma população desarmada, portanto, indefesa; desinformada, porque nutrida pela propaganda enganosa; dependente de esmolas oficiais que mantém os pobres sempre pobres, as classes médias embasbacadas, os ricos contentes com os lucros auferidos no marxismo de mercado do maior governo de esquerda da América Latina, que age como direita e só pensa no lado de cima.

Quando me lembro de que quase 53 milhões de brasileiros acreditaram piamente na redenção do Lula-lá, e que muitos desses estão dispostos a reeleger o governante que tudo prometeu e nada cumpriu, me perpassa como clarão sinistro essa idéia de que o sim ao desarmamento pode vencer. Mesmo porque, muitos pensam que através da proibição do uso de armas de fogo a violência será extinta. Algumas pessoas até poderão dizer que haverá grande liberdade uma vez que não estão incluídos na proibição facas, tesouras, canivetes, agulhas de tricô, empurrões em escadas e os próprios punhos de cada um. Além do mais, podem argumentar os favoráveis ao desarmamento, que nem todos estão proibidos de portar armas. Continuarão totalmente livres para andarem armados até os dentes os bandidos e os sem-terra.

Recorro também ao pensamento de Henry Louis Mencken, para justificar minha apreensão relativa a vitória do sim. Disse o genial jornalista norte-americano: “o que não é verdade, como todo mundo sabe, é imensamente mais fascinante e satisfatório para a maioria dos homens do que o que é verdadeiro”. E diante do frisson causado pelo referendo, que como em toda escolha popular oferece às pessoas o prazer de apostar como em corridas de cavalos, cito mais uma vez a H.L. Mencken: “O homem comum funcionando como cidadão, tem a sensação de que é realmente importante para o mundo – de que é ele que administra as coisas”. Ele não percebe, acrescento eu, o quanto é manipulado e serve a interesses que não são os seus.

Se ganhar o sim, terei a certeza de que vivemos num sistema político que bem poderia ser chamado de babacocracia.  Afinal, ninguém contesta o governo que, tentando atribuir ao povo a responsabilidade pela violência, falha miseravelmente em sua missão maior que é a de dar segurança.

Segurança é obtida em primeiro lugar com leis aplicadas rigorosamente segundo o princípio da isonomia, o que exclui advogados de porta de palácio que julgam de acordo com os interesses dos poderosos do momento; com policiais bem armados, bem treinados, inclusive, psicologicamente, e bem pagos; com mais presídios (onde estão os 12 presídios de segurança máxima que foram prometidos? Dinheiro não falta, conforme se viu na eleição de Aldo Rebelo), com métodos de reabilitação de presos; com oportunidades de vida mais digna, o que inclui trabalho.

Parece que ninguém está cobrando maior eficiência do governo para acabar com a violência. Em vez disso, corremos o risco de irmos para o matadouro como boiada que ignora seu destino. Por essas e por outras, voto 1, voto não. Chega de enganação.

Quinta, 29 Setembro 2005 21:00

Mensalinho, Mensalão, Aldosalão

Ninguém, contudo, deve estar mais feliz do que o presidente da República. A nuvem negra do impeachment desapareceu. O camarada Aldo lá está como um escudo para sustar qualquer investida de algum atrevido.

258 neopicaretas, para usar palavreado similar ao do presidente Luiz Inácio, elegeram o comunista Aldo Rebelo (PC do B – SP) presidente da Câmara dos Deputados a poder de muito capital neles investido pelo governo. José Thomaz Nonô (PFL-AL), que empatou com Rebelo no primeiro turno, fez 243 votos, e os 15 votos a mais levaram ao delírio principalmente petistas temerosos de serem cassados. De novo houve negociação de votos, desta vez pela fabulosa quantia de R$ 1,515 bilhões, mais promessas de cargos.

Quanto ao presidente Luiz Inácio, que recentemente ao receber campeões de Judô disse que ia ficar em cima do tapume (o certo seria tatame) para lutar, deve estar ainda comemorando a vitória. Afinal, foi ele em pessoa que operou o Aldosalão, um recorde muito acima de mensalinhos e mensalões.

Sua Excelência, que em entrevista em Paris justificou o caixa 2 “porque todo mundo muito tem”; que é a favor de perdoar o deputado petista, Professor Luizinho, porque este só recebeu R$ 20 mil de Marcos Valério; que considerou R$ 40 mil troco quando uma empresária de Santo André se queixou que tinha que dar mensalmente essa quantia a Prefeitura para abastecer o caixa 2 do PT; deve realmente estar orgulhoso da compra dos 258 neopicaretas. Afinal, não foi por nenhuma “peteca” que eles, como diria o personagem do Coronel e o Lobisomem, “curvaram o espinhaço subalternista” diante do governo.

Ressalve-se, contudo, que o poder de ouro de sua excelência é originado dos pesados impostos pagos pelos contribuintes, entre os quais se incluem os quase 53 milhões de eleitores que depositaram sua confiança no humilde operário que vinha para mudar, para acabar com a corrupção, para mostrar como a esquerda detém o monopólio da ética.

Só tem um problema para os que venderam seu voto: o PT e seu presidente da República têm se notabilizado em vender mercadoria e não entregar. Fiquem atentos, portanto, os 258 neopicaretas movidos a mesalinhos, mensalões e agora a Aldosalão.

Aldo Rebelo, que como deputado se distinguiu com o relevante Projeto de Lei 2772/2003, que instituiu 31 de outubro como o “Dia Nacional do Saci Pererê”, tem perfil que se encaixa às mil maravilhas aos desígnios de domínio do Executivo.  Direi até que ele é muito melhor do que quaisquer petistas já que esses, sendo autofágicos, acabam mais atrapalhando do que ajudando. Calado, feições inexpressivas, Rebelo é o típico comunista que se anula em nome do todo. Isso ele demonstrou de sobra quando foi usado pelo então todo-poderoso José Dirceu, que manobrava à sombra e mandava para frente de batalha o aparente coordenador político do governo. Quando as manobras fracassavam, e isso aconteceu várias vezes, a culpa era do Aldo. E durante a fritura de meses, o disciplinado camarada se submeteu sem queixas às labaredas da fogueira da humilhação.

Agora o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, testemunha de defesa de José Dirceu, apesar de ser tão sério se permitiu uma piada: disse ser independente do governo. Entretanto, ele está pronto para continuar a trajetória de serviços à causa. Na verdade, já trouxe esperanças a Dirceus e Janenes, a Luizinhos e João Paulos. Desse modo, não será surpresa se das longas CPIs restar como cassado somente Roberto Jefferson. Os demais seriam inocentados. Apenas no caso do deputado José Dirceu, que se diz o mais inocente de todos, permanece um mistério: se ele é tão puro quanto uma criancinha, por que será que saiu chispando quando Roberto Jefferson desferiu aquele “saí daí Zé, para não complicar o presidente?”

Ninguém, contudo, deve estar mais feliz do que o presidente da República. A nuvem negra do impeachment desapareceu. O camarada Aldo lá está como um escudo para sustar qualquer investida de algum atrevido.

A apertada vitória, que elevou Aldo Rebelo à condição de terceiro homem mais importante da República, pois na falta do presidente e do vice-presidente é ele que assume o comando da Nação, faz pensar em como nossa democracia está se esvaindo sob o governo petista. Nesse sentido, os 258 neopicaretas são emblemáticos na medida em que, com sua peculiar ganância e postura aética, não se importaram nem um pouco em entregar a chave da porta do Legislativo ao Executivo. Como no Judiciário um outro presidente segura as pontas do governo, a pergunta a se fazer é a seguinte: já estamos vivendo sob uma ditadura disfarçada, versão adaptada e mais branda do modelo de Hugo Chávez que “fez uma Constituição e um referendo a seu favor”, como bem afirmou em discurso o presidente Luiz Inácio ao elogiar de forma contraditória o companheiro como grande democrata? A resposta deve ser dada pela outra metade da Câmara.

 

NOTA RPL: O presente artigo, assinado pela Professora Dra. Maria Lúcia Vitor Barbosa, é o milésimo publicado pela Ratio Pro Libertas.

Domingo, 25 Setembro 2005 21:00

A Trombeta do Mensalão

Impávido segue em frente o presidente Luiz Inácio, sempre poupado dos sons da trombeta. Alega-se que ele nada sabe, nada vê, por nada de seu governo é responsável.

Desde que o ex-deputado Roberto Jefferson, único parlamentar a ser cassado até agora, fez soar a trombeta do mensalão, começaram a ruir os muros do governo e de seu partido, o PT. Arrebentaram os diques da falsa ética e a lama atingiu outras agremiações nas quais mensalistas corrompidos por mensaleiros corruptores ainda tentam se salvar.

O Partido dos Trabalhadores, porém, foi o mais atingido. A bandeira vermelha que tanto entusiasmo causou a brasileiros tomados de cansaço cívico tornou-se um trapo puído pelos vermes da ganância e da corrupção.  Dos incansáveis defensores dos pobres e oprimidos, dos implacáveis opositores, dos arrogantes que olhavam o mundo de cima de sua verdade absoluta restou um grande entulho, disputado por facções em eleição interna do partido através de práticas eleitorais condenáveis.

No governo, o que foi chamado núcleo duro derreteu. Destaque-se o primeiro a sofrer o impacto da trombeta, o ex-todo-poderoso José Dirceu que foi ministro da Casa Civil, gerentão, articulador político, chanceler paralelo, gestor das práticas stalinistas de aparelhamento do Estado pelos companheiros e do centralismo democrático. Bastou uma trombetada, cujo som ribombou “sai daí Zé”, e o superministro, antes tão senhor de si nos cumes de sua arrogância, escafedeu-se dos recintos palacianos com a rapidez dos roedores. Do primeiro companheiro resta agora no Congresso uma sombra clamando por absolvição para tentar manter um mandato, cuja legitimidade perante a opinião pública já está perdida.

O ministro Gushiken perdeu o cargo. É bem verdade que continua junto ao presidente Luiz Inácio, mas o descrédito o acompanha. Jura com indignação que nunca foi senhor dos Fundos de Pensão. Mas quem acreditará nele?

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, resiste rodeado por nuvens negras de suspeição. Preservado por fortes interesses financeiros ostenta o estandarte do êxito da macroeconomia e seus guardiões são os especuladores, os investidores de curto prazo que aproveitam os juros mais altos do planeta para lucrar como nunca no Brasil.

Enquanto isso seguimos como um dos países mais desiguais do mundo, ostentamos o título de campeão da desigualdade social da América Latina e só estamos melhor, segundo o Bird, do que quatro países africanos: Suazilânida, República Centro-africana, Botswana e Namíbia. Já na vizinha Argentina a diferença entre ricos e pobres caiu pela primeira vez desde 2001.

Acrescente-se, que conforme a previsão de algumas instituições, cresceremos este ano abaixo da média mundial o que inclui os principais países latino-americanos e emergentes como a China e a Índia. O Ipea faz a previsão mais generosa para o PIB, que teria taxa de crescimento de 3,5. Ainda assim, o ministro Palocci, considerado como prodígio, segue fortemente protegido juntamente com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

No rastro do efeito devastador da trombeta ministros caíram e deputados, muito poucos é verdade, podem perder seus mandatos. Dentre esses poucos os que são companheiros contam com o STF, especialmente através do presidente da Instituição, o ministro Nelson Jobim. Recorde-se que Jobim inseriu na Constituição de 88 dois artigos que não haviam sido votados e, recentemente, já como presidente do STF, afirmou que direito adquirido é algo relativo. Foi também o ele que apelou para uma espécie de terrorismo político quando disse que o impeachment do presidente Luiz Inácio provocaria a ruptura das instituições, o que não é verdade.  Estamos, portanto, a mercê de julgamentos com base não na Lei, mas em ambições políticas pessoais o que configura, isso sim, um grave perigo para o Estado Democrático de Direito.

Em decorrência do som da trombeta caiu Severino Cavalcanti, que não teve alternativa a não ser renunciar à presidência da Câmara e ao mandato. E vai prosseguindo no picadeiro da política o show de intrigas, o desfile de personagens de ópera bufa, de escaramuças enquanto aflora o crescimento do espetáculo da corrupção. É como se a trombeta de Roberto Jefferson tivesse exposto o submundo do poder, que se antes já existia, sob o comando do governo petista foi ampliado institucionalmente de forma nunca vista.

Impávido segue em frente o presidente Luiz Inácio, sempre poupado dos sons da trombeta. Alega-se que ele nada sabe, nada vê, por nada de seu governo é responsável. O presidente viaja, discursa e só falta inaugurar queda de barreira em estrada esburacada. Metade dos eleitores já não acredita nele. Até quando, então, seus muros de proteção continuarão de pé? É pergunta que se deve fazer, sobretudo, aos senhores congressistas se eles mesmos quiserem sobreviver.

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