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Maria Lúcia V. Barbosa

Maria Lúcia V. Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br

Domingo, 16 Abril 2006 21:00

Os Homens do Presidente

Resta, então, esperar outubro para se saber se a quadrilha continua ou não a reinar. De todo modo, seus integrantes fazem lembrar a estória infantil: “Ali Babá e os Quarenta ladrões”. Quem gostar de Ali Babá que vote nele.

“O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra 40 pessoas envolvidas com o esquema do mensalão”. Esse é o trecho da notícia que se lia no O Estado de S. Paulo (12/04/2006) e que vinha encimada pela manchete: “MP: PT formou organização criminosa para manter o poder”.

Continuando a ler a matéria, mais espanto da parte do leitor capaz de indignação, pois os quadrilheiros são os homens mais importantes do presidente Luiz Inácio. Destaque para o chefão José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoino, Sílvio Pereira. Também foram denunciados Luiz Gushiken, João Paulo Cunha, Duda Mendonça e o prestimoso auxiliar de falcatruas, Marcos Valério.

Apesar de ligações tão íntimas, Luiz Inácio continua um cidadão acima de qualquer suspeita. Nada sabe, nada vê, mesmo diante da queda de seu ministro mais importante, Antonio Palocci, tido como responsável pelo êxito da política macroeconômica do governo. E mais espantoso ainda: pesquisas continuam a indicar, pelo menos no momento, que o candidato à reeleição se mantém em primeiro lugar perante a opinião pública, o que leva a pergunta inevitável: que povo é esse, que se compraz com a corrupção?

Certamente só as urnas em outubro poderão responder a essa indagação. De todo modo, é possível indicar pelo menos alguns fatores responsáveis pela manutenção do presidente da República em situação privilegiada, ainda que seus companheiros mais chegados sejam considerados como uma quadrilha. Entre as pistas para compreender o que se passa vejamos, então, algumas.

Com relação aos eleitores nota-se uma grande desinformação. Mesmo na era da informação as pessoas tendem a vivenciar e perceber apenas seu restrito círculo familiar, seu grupo de trabalho e seu círculo de amizades. Além desse entorno limitado os indivíduos são seletivos quanto ao tipo de informação que lhes é passada, sobretudo pela TV. Isso por sua vez está ligado ao nosso nível educacional e, assim, o que motiva o maior interesse do público de modo geral é o entretenimento, as programações leves onde faz sucesso o Big Brother Brasil, naturalmente o futebol, além das tragédias que são sempre bem-vindas. Da comodidade do sofá se assiste os ídolos populares e o circo eletrônico dos programas de auditório alcançam grande índices de audiência. Como espelho mágico a TV reflete a sociedade e trabalha em cima das “necessidades” de divertimento popular.

Não se pode desconsiderar também que, sem conhecimentos sólidos e informações mais requintadas, as mentes se tornam muito sensíveis às pregações demagógicas e às crenças diversas que são buriladas pela propaganda. E propaganda intensiva não tem faltado nesse governo.

Ao comportamento popular estão associadas por sua vez as características da política brasileira. Por exemplo, não temos partidos naquele sentido clássico, no qual a organização partidária aparece nacionalmente como elo de ligação entre povo e governo, e é dotada de ideologia, disciplina e orientação programática. Nossos partidos são clubes de interesses particulares e por causa disso as pessoas votam geralmente não no partido, mas na pessoa do candidato.  Decorre disso que não temos oposição para valer e apenas o PT sabe se opor, e de forma violenta. Mesmo assim, essa agremiação, que se dizia ideológica e ética, vem demonstrando que ao alcançar seus objetivos tornou-se o avesso da pregação de longos anos. Restou a pessoa do candidato mitologicamente apresentado como um pobre operário, único capaz de salvar a pátria.

Isso explica também a excessiva proteção em torno da figura presidencial de Luiz Inácio o que, inclusive, atende às aspirações de poder dos seus correligionários, como diversos interesses de políticos de outros partidos. Não fosse a redoma em que o colocaram o presidente Luiz Inácio ele já poderia ter sofrido o impeachment, porque se acontecesse com outra autoridade os fatos a que se assiste, está já teria caído estrondosamente, sobretudo, se o PT fosse oposição. Note-se que uma das falsas defesas do presidente se baseia no argumento de que sempre houve corrupção no Brasil, o que absolutamente não justifica a aceitação da quadrilha formada pelos companheiros.

Outro aspecto que beneficia Luiz Inácio é o fato que ele fez campanha desde o primeiro dia de sua posse, e conta com a máquina estatal que lhe possibilita, em que pese a incompetência de seu governo, distribuir bondades que na maioria das vezes não se realizam e utilizar intensivamente a mídia, principalmente os palanques eletrônicos da TV.

Resta, então, esperar outubro para se saber se a quadrilha continua ou não a reinar. De todo modo, seus integrantes fazem lembrar a estória infantil: “Ali Babá e os Quarenta ladrões”. Quem gostar de Ali Babá que vote nele.

Domingo, 09 Abril 2006 21:00

Sentimento de Asco

Quando se pensa que tudo foi visto, o PT e seu governo oferecem ao Brasil mais espetáculos degradantes sob a conivência ou conveniência do presidente da República.

Quando se pensa que tudo foi visto, o PT e seu governo oferecem ao Brasil mais espetáculos degradantes sob a conivência ou conveniência do presidente da República. Nessa conjuntura, aqueles que possuem consciência cívica se sentem tomados de profundo asco e perguntam o quê fazer para livrar o país da barafunda institucional em que estamos mergulhados. A sensação é a de que não se tem a quem recorrer para organizar protestos que tomem as ruas com transbordante indignação. E a quem se queixar, se é das mais altas autoridades que partem os piores exemplos?  A percepção é a de que não existem instituições com as quais se pode contar.

Podemos contar com o Legislativo? Em que pese existirem parlamentares que fazem jus ao voto que receberam, parece até que por trás da desmoralização do Congresso há um plano concebido para acabar com a frágil democracia brasileira. Prova disso se pode ver com clareza no caso da estrondosa corrupção que envolve os chamados mensaleiros, cuja maioria, pelo menos a declarada, vai se safando despudoradamente. Quatro deles renunciaram para fugir ao castigo. Oito já foram perdoados. Dois ainda não julgados pelo plenário devem estar comemorando antecipadamente com champanhe sua absolvição. Apenas três foram cassados, entre estes, o então deputado Roberto Jefferson que anunciou que ele e pouquíssimos dos envolvidos nas falcatruas seriam punidos.

A última absolvição, certamente obra de companheiros solidários e dos que se venderam ao governo do PT através dos mensalões, causou mais uma vez profunda repugnância. Nem bem a deputada petista, Ângela Guadagnin (PT-SP), tinha executado sua dança da vitória para comemorar a impunidade do companheiro João Magno (PT-MG), e eis que outro se livra: o mensaleiro João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, homem de notória ligação com Marcos Valério, deputado que confessou ter recebido o “troco” de R$ 50 mil do esquema montado por Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, e que mentiu dizendo que a quantia era para pagar prestação de TV a cabo.

O relator do processo de João Paulo, o deputado Cézar Schirmer (PMDB-RS), elaborou relatório irretocável, irrespondível, brilhante, provando de forma arrasadora a culpa do deputado cuja cassação foi pedida pelo Conselho de Ética. Em vão. O plenário perdoou João Paulo, tão corrupto quanto os demais mensaleiros, por 256 votos contra 209. Houve nove abstenções e dois votos nulos.

Ainda no Congresso outras cenas nauseantes se repetiram quando da aprovação do relatório final da CPI dos Correios. Tomada de desespero quando viu que perderia, e que os companheiros indiciados teriam seus nomes mantidos, a tropa de choque do PT desencadeou seu habitual terrorismo legislativo querendo ganhar no grito e na truculência. Além da estridente senadora Ideli Salvati, que tentou até o fim invalidar o relatório do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), depois de muita gritaria histérica dirigiu-se à mesa e xingou de “F.d.p.” o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS). Segundo consta, se não fossem alguns colegas Bittar teria esmurrado Delcídio. É que o PT está acostumado com suas reuniões onde, conforme comentado pela imprensa, se costuma fazer “democracia” com base em cadeiradas.

 Entre os espetáculos apresentados ao respeitável público por ilustres petistas, outro se destacou na semana quando o advogado do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, fez (como se diz popularmente) os jornalistas de bestas. Enquanto seu cliente, de forma privilegiada, conversava comodamente em casa com delegado da Polícia Federal sobre sua ordem de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, o advogado, José Roberto Batochio, ex-presidente da OAB, atraiu os jornalistas para outro local dizendo que comunicaria uma “bomba”. Na verdade Palocci não queria ser incomodado pela imprensa. Se não fosse o achincalhe ao qual os jornalistas foram submetidos, o episódio lembraria aquela brincadeira de crianças: “enganei o bobo na casca do ovo”.

 Podemos contar com o Judiciário? Aqui relembro a séria questão por mim já levantada em artigos: o STJ tem julgado várias vezes não com base na da lei, mas de acordo com a vontade política do Executivo. Resta esperar que essa anomalia institucional termine com a saída de Nelson Jobim, que foi de uma fidelidade ímpar ao presidente Luiz Inácio.

Podemos contar com o Executivo? Isso é impossível no momento, pois que é o próprio governo do senhor Luiz Inácio que está desconstruindo os outros dois Poderes para se fortalecer cada vez mais. E sendo o governo petista a origem dos desmandos que hoje se observam, torna-se o Executivo o menos confiável dos Poderes.

O que resta então? Resta o principal, ou seja, o povo, cujos votos em outubro determinarão o fim do asco ou sua continuidade.

Terça, 04 Abril 2006 21:00

No Brasil o Crime Compensa

O que mais impressiona, porém, é que diante de todos esses fatos estarrecedores, essa corrupção nunca vista, esse descalabro que sepultou quaisquer noções de valor, Luiz Inácio continua o grande protegido da República.

Depois de nove meses a CPI dos Correios deu à luz um calhamaço de 1.839 páginas, que foram lidas durante horas pelo relator Osmar Serraglio (PMDB-PR). No documento, que ainda provocará discussões, sofrerá revisões e corre o risco de ser substituído por outro elaborado pelo PT, está o pedido de indiciamento de 118 pessoas. Entre elas, os ex-ministros petistas José Dirceu (que aparece como chefe do mensalão), Luiz Gushiken (o homem dos fundos de pensão), Marcos Valério (gerente da lavanderia petista), Delúbio Soares (ex-tesoureiro e bode expiatório do PT que resumiu todas as falcatruas a uma piada de salão), José Genoino (ex-presidente do PT acometido como muitos de seus companheiros por terrível amnésia, pois não nunca se recordou de ter assinado certos papéis comprometedores), Silvio Pereira (ex-secretário-geral do PT e apelidado de Silvinho Land Rover por conta de um régio presente de generoso amigo), Marcelo Sereno (também da cúpula do único partido ético que veio para mudar os maus costumes na política), Duda Mendonça (miraculoso propagandista que transformou Lulão voz de trovão em Lulinha de paz e amor, homem das brigas de galo e dos paraísos ficais).

O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Clésio Andrade (PTB-MG, vice-governador de Minas), também incluídos no documento, tiveram pedido de indiciamento por crimes eleitorais, que já estariam prescritos. Sobre o presidente Luiz Inácio e seu filho, o Lulinha, apenas sutis indícios de culpabilidade. De todo modo, o relatório prova que existiu o mensalão, coisa que o presidente da República sempre negou com veemência.

 Provavelmente os indiciamentos darão em nada, o que prova que no Brasil o crime compensa. Haja vista as absolvições dos mensaleiros saudadas até com dança como no caso da deputada petista, Ângela Guadagnin, que comemorou de forma exuberante o triunfo da impunidade.

Que aqui se recorde, que o governo do PT, partido que outrora era recordista em pedidos de CPIs, de tudo fez para impedir o funcionamento das atuais, enquanto Luiz Inácio se gabava de ser o presidente que mais combateu a corrupção. Para provar isso aconteceram algumas poucas prisões espetaculares, como a da dona da Daslu, loja de luxo freqüentada por senhoras petistas. Eram escândalos convenientes para distrair a opinião pública e encobrir aquele algo de podre no reino do Brasil.  

Mesmo depois de funcionando a CPI dos Correios, conforme queixa do relator Osmar Serraglio, teve sua ação dificultada por impedimentos de acesso a dados importantes. Houve também habeas corpus em profusão para os companheiros, que assim puderam mentir e não ser presos quando depunham.

Na verdade, ao longo do funcionamento das Comissões parlamentares de Inquérito ficou evidente muitas vezes que os entraves que prejudicaram o bom andamento dos trabalhos partiram não só da tropa de choque do PT no Congresso, mas do Judiciário através de sua instância mais alta, o Supremo Tribunal Federal onde se notabilizou por seus julgamentos o ex-presidente, ministro Nelson Jobim. E se o STF procede assim a conclusão é óbvia: no Brasil o crime compensa. Pelo menos para alguns.

A interferência mais contundente aconteceu quando, a pedido do senador Tião Viana (PT-AC), o ministro do STF, Cezar Peluso, mandou interromper o depoimento do caseiro Francenildo. É que o rapaz mostrava que o então ministro Antonio Palocci faltara com a verdade quando dissera nunca ter estado na mansão em Brasília onde estranhos negócios eram feitos pela chamada “República de Ribeirão”, e alegrados por garotas de programa.

Mas calar Francenildo não foi suficiente. Seu sigilo bancário foi violado e o ex-presidente da Caixa Econômica, o petista Jorge Mattoso, correu celeremente para levar o estrato bancário ao chefe Palocci. E enquanto a situação do ministro da Fazenda ia se tornando insustentável, manchetes de jornais anunciavam: “Ministro é inabalável’, garante o presidente”. “Planalto manda avisar que Palocci não deixa o cargo”. Era Luiz Inácio, que nada sabe e nada vê, sustentando o grande companheiro e “irmão” contra tudo e contra todos, até contra os numerosos processos que pensam sobre Palocci em Ribeirão Preto. Mesmo assim, o principal ministro do governo petista caiu de forma estrepitosa de seu alto pedestal. Ele não contava mais com o apoio da oposição. Na verdade, contra Palocci nunca esteve o PFL ou o PSDB, mas José Dirceu, Dilma Roussef, Guido Mantega (seu sucessor), Buratti e outros companheiros de Ribeirão Preto.

O que mais impressiona, porém, é que diante de todos esses fatos estarrecedores, essa corrupção nunca vista, esse descalabro que sepultou quaisquer noções de valor, Luiz Inácio continua o grande protegido da República. Foi protegido pelas oposições, pelo demolidor Roberto Jefferson, pelo relatório da CPI dos Correios. Não é à-toa que nos filmes às vezes o bandido exclama: vou fugir para o Brasil. Claro, aqui o crime compensa.

Sábado, 25 Março 2006 21:00

Dança Com Bobos

Fechar o Congresso Nacional não pelas armas, mas pelo golpe branco da desmoralização, parece plano de um governo cujo presidente crê que a Venezuela dá lições de democracia, que Fidel Castro é exemplo de democrata.

A deputada do PT, Ângela Guadagnin, guardiã da corrupção de seus pares no Congresso Nacional, dançou sobre o Brasil e convidou os bobos a dançar com ela quando comemorou de forma eufórica a absolvição de mais um dos companheiros acusados de receber do valerioduto a bagatela de R$ 425.950. Um pouco mais do que aquele troco de R$ 20.000 do deputado Luizinho, coitado, um “batedor de carteiras” conforme o próprio professor se definiu.

Ângela Guadagnin festejou a esbórnia em que se transformou seu partido ao assumir o poder mais alto da República e a dança grotesca simbolizou o triunfo da impunidade, o gosto pela imoralidade, o deboche que convida a todos os bobos que assistem impassíveis o governo a tripudiar sobre a Nação através de suas falcatruas e inverdades, a cair no batuque com ela.

Entretanto, mais do que uma expressão corporal, o gesto da deputada não deixa de ser preocupante, pois é como se a ditadura disfarçada do PT, que já se esboça nesse mandato, avançasse em passos ritmados sobre o Brasil. Afinal, a dança inusitada não deixa de traduzir a desmoralização do Congresso que cada vez mais afunda sob a impunidade de mensalistas comprados pelo Executivo. Este poder comanda através de Medidas Provisórias e tem no Judiciário o apoio necessário para enxovalhar o Legislativo com interferências humilhantes, sobretudo para os parlamentares que tentam imprimir decência em seus atos e julgamentos.

Fechar o Congresso Nacional não pelas armas, mas pelo golpe branco da desmoralização, parece plano de um governo cujo presidente crê que a Venezuela dá lições de democracia, que Fidel Castro é exemplo de democrata e que louva ditadores africanos por sua habilidade em permanecer no poder durante vinte ou trinta anos. E enquanto o projeto de manter Luiz Inácio lá prossegue, os bobos vão seguindo os passos da deputada que gargalha achando graça na aquiescência, na complacência e no que resta de entusiasmo popular para com o defensor dos pobres e oprimidos. Este segue discursando entusiasticamente em comícios, inaugurando pedra fundamental, buraco de estrada e, se duvidar, até ponto de ônibus.

Os rompantes presidenciais que maltratam o idioma, a gesticulação exagerada, a retórica dos tempos de porta de fábrica, entendidos como características carismáticas são aplaudidos por uma claque composta geralmente por pessoas humildes, recrutadas nos grotões. Estas, as quais são dadas migalhas em forma de esmolas oficiais, por certo ignoram que um caseiro também humilde teve sua boca amordaçada pela justiça petista e sua vida vasculhada com a quebra ilegal (sem permissão judicial) de seu sigilo bancário, uma afronta que viola os direitos de todos os cidadãos que agora ficam claramente a mercê das devassas do governo como big brothers incautos da República Sindicalista.

Não contentes em quebrar o sigilo bancário de Francenildo Santos Costa, que denunciou a presença do “chefe” Palocci na mansão de Brasília transformada ao mesmo tempo em centro de negociatas e bordel, estão também investigando o rapaz através da quebra de seus sigilos fiscal e telefônico. Segundo a Polícia Federal há suspeita que Francenildo lavaria dinheiro por terem sido encontrados em sua conta bancária R$ 25.000. Isso apesar de tal quantia ter sido depositada por seu pai biológico. Em contraste com tais ocorrências, os sigilos bancários de Okamottos e demais companheiros são resguardados pelo STF. Esse Tribunal também permite a luminares petistas, convocados pelas CPIs, mentir a vontade e não serem presos.

Já sobre o humilde nordestino o PT desceu sua pesada mão ditatorial. É que o caseiro foi longe demais. Ousou denunciar as mentiras do último pilar que resta no governo petista. Já caiu o braço esquerdo do presidente Luiz Inácio na pessoa de seu “gerentão”, o ex-todo-poderoso José Dirceu. Se cair o braço direito, Antonio Palocci, o homem que soube agradar o mercado, os banqueiros e os especuladores, a crise poderá chamuscar pela primeira vez o presidente da República que naturalmente não quer perder a cabeça.

Apesar de tudo, não faltam aqueles que afirmam triunfantes que hoje ganharia o Lulão voz de trovão, porque os bobos estão dançando contentes com a deputada Guadagnin. Em todo caso, já aparece uma luz entre as trevas que se abatem sobre o Brasil. Contra a força de um PT sem escrúpulos, sem medidas e sem moral, começa a brilhar a democracia através da possibilidade de escolher em outubro em outro governante. E através da alckmia que provém das escolhas livres e conscientes, novos alckmistas têm a chance de provar que não somos um país de bobos.

Que não se caia em outra armadilha: o voto nulo que retira votos do adversário do PT. Estejam, pois, os eleitores, atentos. Que não passem outra vez recibo. Se não, ficaremos todos a dançar não sei por quanto tempo porque sempre os justos pagam pelos eleitores.

Terça, 14 Março 2006 21:00

PT: A Transição do Governo Para o Poder

Existe um processo em marcha que poucos se dão conta: o fortalecimento do Executivo que se sobrepõe aos desgastados Poderes Legislativo e Judiciário.

Existe um processo em marcha que poucos se dão conta: o fortalecimento do Executivo que se sobrepõe aos desgastados Poderes Legislativo e Judiciário.

Com relação ao Judiciário, destaque-se sua instância mais elevada, o Supremo Tribunal Federal, onde paradoxalmente têm prevalecido julgamentos políticos que beneficiam os interesses do atual governo e não decisões baseadas na Lei. Mesmo quando resolve sobre questões legais o STF produz estupor, como no caso dos crimes hediondos. Inspirados na idéia do ministro Thomaz Bastos, os ministros do STF concederam a estupradores, homicidas, corruptos, torturadores, traficantes, seqüestradores, terroristas o direito ao regime de progressão da pena em caso de bom comportamento, permitindo assim aos facínoras da pior espécie passar do regime fechado ao semi-aberto. Humanitários com os criminosos os ministros foram desumanos para com os cidadãos honestos. Mais uma vez se conclui que no Brasil direitos humanos são para os bandidos.

Note-se que as proteções legais estão ao tal ponto deterioradas, que a família do prefeito petista assassinado, Celso Daniel, está tendo que deixar o país por conta de ameaças sofridas. Coincidentemente estas ameaças começaram depois das denúncias que os irmãos de Celso Daniel fizeram de membros importantes do governo na CPI dos Bingos.

Quanto ao MST, que deflagrou nova onda de vandalismo em vários Estados, permanece impune. Respaldado pelo governo do PT que tem nesse movimento sua porção guerrilheira, os chamados sem-terra sabem que nada lhes acontece mesmo quando de forma criminosa investem sobre o horto florestal da Aracruz Celulose, no RS, destruindo laboratórios e pesquisas de mais de vinte anos, e cinco milhões de mudas de eucaliptos numa ação que se pode classificar de terrorista. Mas como disse o presidente Luiz Inácio, “o MST é um movimento sério”.

Já o Legislativo vai se tornado cada vez mais desacreditado desde que os mensalistas eclodiram na mídia. Até agora foram cassados apenas José Dirceu, chamado de chefe do mensalão, e Roberto Jéferson, que denunciou a compra dos deputados pelo governo, além de outras falcatruas. E enquanto a sociedade espera mais cassações, os deputados, assim como o presidente Luiz Inácio que perdoou as “piadas de salão” de seus correligionários, praticaram mais uma boa ação. Depois de salvar Sandro Mabel (PL) e Romeu Queiroz (PTB), no dia 9 deste absolveram os colegas Roberto Brant (PFL) e Luizinho (PT).

O deputado Luizinho deve ter obtido a piedade de seus pares quando certa vez se defendeu dizendo que não se pode condenar com o mesmo rigor um grande ladrão e um batedor de carteiras. Desse modo o petista proletarizou seu crime tornando-o humilde e atraiu simpatias que, aliás, já tinha do companheiro presidente da República. Coitado do Luizinho recebeu pouco mensalão via Marcus Valério, foi um corrupto mais ou menos, como uma grávida mais ou menos.

Outro procedimento que desmoralizou o Legislativo foi o gesto do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) e do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B) promulgando a emenda constitucional que põe fim a verticalização. Note-se que ao instituir de novo a mixórdia partidária, mesmo contrariando a decisão do TSE, aquelas autoridades violaram o Estado Democrático de Direito.

Esse processo – onde a deterioração da moralidade pública é evidente, o desrespeito à Lei por quem deveria zelar por ela uma constante e o fortalecimento do Executivo uma realidade – faz lembrar o pensamento do companheiro frei Betto, quando este afirmou que “o PT estava no governo, mas não ainda no poder”.

Ao mesmo tempo, numa época em que proliferam na América Latina ditaduras populistas de esquerda disfarçadas de democracia, é significativa a visão do chanceler de fato, Marco Aurélio Garcia: “o último ano desse governo deve ser entendido como primeiro ano do próximo”. Mais ainda, no documento reservado do PT, que está sendo elaborado para a campanha da reeleição de Luiz Inácio, Conjuntura, Tática e Política de Alianças, Valter Pomar sentencia: “o período 2003-2006 deve ser entendido como uma transição necessária de um velho Brasil para um novo projeto nacional de desenvolvimento” (0 Estado de S. Paulo, 9/3/06).

O documento – que seria o avesso da Carta ao Povo Brasileiro, de junho de 2002, e prega a intervenção no Banco Central e outras medidas na condução da economia – tem tal teor de radicalização que preocupou o Planalto, segundo o jornal já citado.

Naturalmente os autores enfatizam o PSDB como o inimigo por excelência, mas admitem siglas que integram as bases do governo. É assim que se chega ao poder. Entretanto é bom lembrar, que se no governo o PT tem dado mostras de amoralidade e incompetência, imagine se chegar ao poder quando nada mais poderá cerceá-lo. Aí é que os eleitores vão ver o que é Plano B.

Sexta, 03 Março 2006 21:00

Gigante Adormecido

Talvez, seja nosso destino ser apenas um gigante adormecido deitado eternamente em berço esplêndido.

Em 2002, uma idéia esquisita circulou e acabou persuadindo um bom número de indivíduos. Se a princípio aquele palpite que se pretendeu genial parecia inofensivo, acabou por produzir efeito contrário e serviu aos interesses de outros que não os crédulos da dita maquinação. A idéia consistia em eleger Luiz Inácio não porque era o candidato ideal, muito pelo contrário, mas porque assim os brasileiros aprenderiam através de amarga experiência a nunca mais votar no PT.

Eleito, Luiz Inácio e seu partido foram ao paraíso. O deslumbramento foi tanto que o discurso ético foi pulverizado. Tudo que antes era criticado duramente eles fizeram com mais capricho. Caixa dois todo mundo tem e ainda inovaram na modalidade do mensalão e dos dólares na cueca.  Fizeram alianças políticas antes consideradas espúrias. Praticaram a ortodoxia macroeconômica e obsequiaram com isenções de impostos e da CPMF os especuladores estrangeiros. Os privilégios concedidos ao Lulinha e ao primeiro irmão lobista foram considerados tão normais quanto o loteamento do Estado pelos companheiros e companheiras, com decorrente nepotismo (que o digam algumas mulheres de ministros). Praticaram impostos escorchantes, juros mirabolantes e deram aos banqueiros os maiores lucros da história. Os pobres ficaram com as esmolas que os mantém sempre pobres e agradecidos.

Tem mais: José Dirceu, Waldomiro Diniz, Delúbio Soares, Silvinho Land Rover, José Genoino, Marcus Valério e outros mais viraram piada de salão. Todo mundo achou graça. Na república sindicalista tudo é permitido, aos companheiros, claro. O STF garante o que for preciso. Quanto ao presidente da República, como o Jamanta da novela não sabe, não viu. E sem oposição para valer no momento pesquisas indicam que o PT veio para ficar. Quem sabe alguém ainda diga num momento iluminado: “vamos dar mais um mandato a ele para confirmar a idéia de que não se deve votar no PT”. E ainda fazemos piada de português. Eles até podem nos dizer: “ora, pois, vocês tiveram a quem puxar”.

Outra idéia espantosa surgiu não em meio aos palpiteiros da coisa pública, mas entre os que se supõe serem profissionais da política. As autodenominadas “oposições responsáveis”, ou seja, o PSDB e o PFL resolveram não pedir o impeachment do presidente da República. Deixar ele lá sangrando e depois ganhar facilmente o cobiçado cargo foi rasgo inspirado dos cardeais oposicionistas. A esbórnia pública, o fracasso dos planos sociais, o espanto da opinião pública com as denúncias do então deputado Roberto Jefferson, as provas que se acumulavam nas CPIS, a confissão de Duda Mendonça de que recebera em paraísos fiscais, enfim, um acúmulo de fatos escabrosos que em bem menor quantidade teriam derrubado um presidente da República não foram suficientes para que as “oposições responsáveis” agissem. Como ensina o ditado, “o que não mata engorda”, e agora a candidatura de sua excelência está gorda e sem hematomas.

Mas as idéias estapafúrdias não param por aí. Quando surge no PSDB a chance de ganhar com um homem público do nível de Geraldo Alckmin o tucanato protela a escolha de seu candidato, cardeais do partido pendem para o lado de Serra (o opositor predileto do Planalto) e até já circula outra tese genial: lançar Aécio Neves, que provavelmente entraria para perder. Ah, os portugueses que nos perdoem por aquelas piadas sem sentido.

Enquanto isso o PMDB da oposição e o PMDB governista confabulam em seus respectivos bastidores. A vice-presidência na chapa petista, quem sabe seria melhor do que um candidato sem chances de chegar lá? Unindo as duas poderosas máquinas, a estatal e a do PMDB, que substituiria o afundado PT, a força eleitoral seria praticamente imbatível. Sem medo de ser feliz o eterno candidato do PT torce para que isso aconteça e faz campanha sob os olhares complacentes das "oposições responsáveis" e atentos de possíveis aliados.

Mas brasileiro não desiste nunca. Do inconformismo e da total ingenuidade brota, especialmente através da Internet, a campanha do voto nulo. Confunde-se a eleição presidencial altamente complexa com o referendo sobre as armas que consagrou o Não como vitória sobre o governo. Pensa-se que serão atingidos os 51% de votos nulos e, assim, a eleição seria anulada. Nada mais errado. Não se trata agora de sim ou não, pois nomes e partidos estarão em disputa acirrada. E adeptos, simpatizantes e incautos não deixarão de votar no Pai Lula. Na Venezuela, onde tem oposição popular para valer a abstenção deu a Chávez (agora revolucionário carnavalesco que compra escola de samba do Rio e primeiro lugar) o poder absoluto. Imagina aqui.

E assim, de idéia em idéia, nós mesmos consentimos nosso mal. A família de Celso Daniel, que sob ameaça de morte está sendo obrigada a fugir para o exterior, que o diga. Talvez, seja nosso destino ser apenas um gigante adormecido deitado eternamente em berço esplêndido.

Quinta, 23 Fevereiro 2006 21:00

Os "Carismáticos" Latino-Americanos

Na verdade, precisamos urgentemente de um presidente de resultados e não de mais um “carismático” latino-americano, que deles o continente anda cheio.

Começam a aumentar as críticas ao PSDB. Isso porque, no melhor estilo tucano os cardeais do partido têm travado a escolha de seu candidato, criando assim condições propícias para que o presidente da República que usa e abusa da máquina estatal, se escora em intensa propaganda, utiliza de forma intensiva a televisão acelere sua campanha rumo à reeleição. Aliás, segundo o próprio Luiz Inácio, “um homem público faz campanha da hora que acorda à hora em que dorme, 365 dias por ano”. Pelo menos dessa vez Sua Excelência foi sincero e admitiu que nunca governou, mas que apenas faz campanha.

Naturalmente a atitude do PSDB leva a várias especulações. Alguns dizem que os tucanos querem ajudar Luiz Inácio, o que sempre fizeram como “oposição responsável”, e responsável até demais, pois não pediram seu impeachment na hora certa. Outros apelam para o reino do fantástico e calculam que o PSDB lançará outro nome que não os de Serra ou Alckmin. Em todo caso, a grande novidade que ora se apresenta entre os tucanos é Geraldo Alckmin e por um motivo bem simples: ele possui firmeza de propósitos em vez de ficar em cima do muro.

Significativamente o governador paulista vem sofrendo os maiores de ataques entre os possíveis opositores de Luiz Inácio. Isso indica que o PT receia que a partir de agosto, quando começa de fato a campanha se estabeleça o contraste entre aquele (se ele for o escolhido do PSDB) e seu eterno candidato. Alckmin é sóbrio, objetivo, fala bem e em português correto, tem realizações a apresentar que confirmam sua competência e nada o desabona moralmente. É se é impossível prever com certeza o que vai acontecer em outubro (mesmo que com base em recentes pesquisas alguns já dêem Luiz Inácio como reeleito), certamente o povo não será insensível a diferença entre o discurso articulado e inteligente de Geraldo Alckmin e a algaravia populista de Sua Excelência Luiz Inácio.

Dirão, contudo, os defensores do presidente da República, que enquanto o petista esbanja carisma, Alckmin não possui tal dom para vencê-lo. Mas convenhamos que essa argumentação é contraditória, pois se o tucano é tão pouco conhecido no Brasil, como se costuma dizer, como saber se é dotado ou não de alguma dose de carisma?

Quanto ao lendário carisma atribuído a Luiz Inácio, o termo merece algumas considerações. Foi cunhado no sentido sociológico por Max Weber, que se inspirou no significado de “dom da graça”. O líder carismático, na interpretação weberiana, é seguido pelos que estão em desgraça e que acreditam ser ele capaz de feitos extraordinários. Milagres e revelações, feitos heróicos de valor e êxito surpreendentes são características da estatura desses líderes e Weber aponta como tais os fundadores de religiões mundiais, os profetas, os heróis militares e políticos. Enfim, o líder carismático é um gênio, um homem dotado de personalidade extraordinária.

Há, portanto, para o bem ou para o mal, uma grandeza no carisma, que na concepção atual foi apequenada e mal interpretada como o são os termos elite e liberalismo que tomaram acepções negativas e equivocadas. E não se pode dizer que os gracejos popularescos, as metáforas futebolísticas, as gafes monumentais, os auto-elogios do presidente Luiz Inácio façam dele um gênio ou um herói, em que pese tentar convencer “os que estão em desgraça” sobre seus “feitos extraordinários” e, de tal modo, que daqui a pouco vai anunciar que descobriu o Brasil bem antes de Cabral.

 Tivemos poucos líderes realmente carismáticos e muitos sedutores de massas. Além do mais, de acordo com nossa cultura, aceitamos facilmente homens sem qualificação e até corruptos para nos comandar, pois como afirmou Weber, “a corrupção só pode ser tolerada por um país com oportunidades econômicas ainda limitadas”.

 Perguntemos, então, se existem carismáticos em outros partidos. Note-se que imprensa, que se dedica com certo estardalhaço ao caso do PSDB, quase nada diz sobre o PMDB. Não se comenta se Rigotto e Garotinho estão dividindo seu partido ou se está havendo demora para o lançamento de um deles. Enquanto isso, Garotinho trabalha incessantemente e começa a ser visto pelo PMDB como suficientemente “carismático” para enfrentar Luiz Inácio, que por sua vez ainda sonha com um vice do PMDB.

Na verdade, precisamos urgentemente de um presidente de resultados e não de mais um “carismático” latino-americano, que deles o continente anda cheio. Isso fica claro quando se lê algumas matérias como, por exemplo, as da Folha de São Paulo, de 24 de fevereiro, que ilustram notícias nada boas: “Banco Central tem prejuízo de R$ 10,45 bi”. “Desemprego aumenta e renda diminui em janeiro”. “Inadimplência aumenta 13,3% em janeiro”. “Cai a confiança do consumidor na economia”. “TCU cobra da presidência por gasto com bebida no cartão”.

Sábado, 11 Fevereiro 2006 21:00

Big Brother PT

Especialmente o PT e seu eterno candidato Luiz Inácio apostam no esquecimento popular das más notícias. Para eles a corrupção desapareceu nas páginas amarelecidas dos jornais velhos.

Ler jornais velhos é exercício interessante porque se nota que muitas previsões foram apenas palpites que não deram certo. Constata-se que não existem fatos, mas versões. Comprova-se que liberdade de imprensa é algo relativo.

Experimentem, caros leitores, passarem os olhos nas notícias de uma semana, quinze dias, um mês atrás e se surpreenderão com contradições, desencontros, inverdades contidos em matérias e notícias. Fulano vai depor, fulano não apareceu para depor. O deputado x vai ser cassado, não vai ser mais, vai renunciar. A candidatura do presidente afundou na lama e sua reeleição está perdida, seu segundo mandato está garantido. Fulano de tal está à frente nas pesquisas, fulano perdeu a eleição.

Sobretudo, agora, quando além do único candidato-presidente já se delineiam outros postulantes, especialmente os dos principais partidos, e o tempo parece correr mais rápido em direção a outubro, explodem lendas e crendices de campanha enquanto balões de ensaio de candidaturas povoam os céus da política. Nesse cenário de eloqüências acelera-se a guerra de palavras expressa em elogios ou ataques. Multiplicam-se as pesquisas, essas peças preciosas de campanha que muitas vezes tentam arregimentar votos para este ou aquele candidato. No momento recrudesce a propaganda governamental a partir de obras faraônicas inauguradas no papel e algumas bondades não praticadas em três anos.

Especialmente o PT e seu eterno candidato Luiz Inácio apostam no esquecimento popular das más notícias. Para eles a corrupção desapareceu nas páginas amarelecidas dos jornais velhos. E tem mais: eles sabem que brasileiro para valer quase não lê jornal, mas apenas assiste TV, não desiste nunca de ganhar a copa do mundo e é fã do Big Brother Brasil.

Por falar nisso, sem dúvida José Dirceu, Delúbio Soares, Silvinho Land Rover, Waldomiro Trem Pagador, o assessor da cueca cheia de dólares, tantos outros membros do PT mais ou menos importantes e seus auxiliares como Marcos Valério, além da base aliada dos mensalistas, fariam imenso sucesso num Big Brother PT. Imagine-se expostos ao público, sem “imprecisões terminológicas”, (termo usado pelo ministro Palocci para substituir a palavra mentira), seus jogos, tramas, trapaças, acusações, intrigas como fazem os participantes do programa da Globo. E olha que os BBB, assim como tantos petistas, saem do nada de sua insignificância para a fama e a glória, com oportunidades de sucesso que nenhum pós-doutor depois de anos de estudo e esforço pode sequer sonhar.

O Big Brother Brasil faz sucesso porque, convenhamos, é a consagração do mau-caratismo tão caro à cultura nacional dos antivalores. Afinal, estamos longe de ser uma meritocracia na qual vencem os melhores. No Brasil a preferência vai para os coitados ou os que se dizem coitadinhos. E ai está mais um dado que poderá ajudar a manter Lula lá.

Enquanto o clima eleitoral vai dominando o noticiário, o presidente voa sem medo de ser feliz no seu aerolula de US$ 56,7 milhões, que teve o bar reformado ao custo de R$ 300 mil, em que pese o ministro Furlan ter anunciado que o presidente não bebe há quarenta dias. Mas, o que importa é manter no imaginário popular um presidente pobre coitado, o proletário defensor dos oprimidos.

Foi dada a largada rumo ao prêmio máximo da política e o clima mental das ilusões e das persuasões vai se adensando. Enquanto isso, erros são cometidos novamente pelo PSDB, partido tido como mais apto para enfrentar o PT. Aquela idéia de deixar sangrar o presidente da República (que se supunha abatido pelos escândalos de corrupção) em vez de pedir seu impeachment, pode agora se mostrar desastrosa. Serve também para críticos e adversários dos tucanos os acusarem de ter protegido Luiz Inácio e serem coniventes com o PT. E no momento a demora do PSDB em definir seu candidato ajuda o candidato-presidente a subir nas pesquisas, porque, enquanto as intenções de votos se concentram em Luiz Inácio, seguem dividas entre Serra e Alckmin.

O mesmo acontece com o PMDB no caso Rigotto/Garotinho. A diferença entre este partido e o PSDB reside no fato de que o PMDB, que ao mesmo tempo é situação e oposição, poderá ainda optar pela vice-presidência na chapa de Luiz Inácio, apesar das negativas dos peemedebistas de oposição. Em todo caso, seus possíveis candidatos também dividem a opinião pública concentrada num benfazejo Papai Noel que promete bondades sem conta e obras faraônicas que só precisam de mais tempo de governo do PT e da paciência do povo.

De todo modo, se no Big Brother os resultados parecem pré-estabelecidos, a política é por demais mutável e fica difícil saber com antecedência quem ganhará. Muitos prognósticos de hoje ficarão apenas nas páginas amarelecidas dos jornais velhos.

Domingo, 29 Janeiro 2006 21:00

Governo das Trevas

Muitos outros crimes foram cometidos, inclusive, assassinatos de estrangeiros, sem que fossem esclarecidos nos três anos do governo Luiz Inácio. Em compensação, criminosos foram soltos.

Quando pela quarta vez Luiz Inácio, o eterno e único candidato do PT, chegou finalmente lá rompendo a barreira de seus tradicionais 30% de votos, deu para perceber que quem ganha eleição quase sempre não é o candidato, mas sua imagem construída pela propaganda. Afinal, Duda Mendonça (agora suspeito de crimes banais segundo ensina a “moral” brasileira, como evasão de divisas etc. e tal), havia conseguido transformar Lula em Lulinha de paz e amor, algo palatável para a maioria da sociedade. O resultado foi a estrondosa vitória petista consagrada nas urnas por quase 53 milhões de brasileiros cheios de fé no candidato, esperança no futuro e caridade para com o símbolo operário-pobre-coitado. Qualquer crítica a Luiz Inácio era tida como preconceito inadmissível e imperdoável.

Muitos dos que não eram petistas renderam-se à sedução da propaganda.  Outros construíram a seguinte esdrúxula teoria: “é preciso eleger o homem para provar que o PT não tem competência para governar”. Era como dizer: vamos pegar um pouquinho de aids para ver como funciona a doença.

No poder, o PT, dito partido da ética que vinha para acabar com a corrupção na política, infectou o Brasil agravando a doença nacional da corrupção. E em que pese as constantes “boas notícias”, a propaganda intensiva, a campanha de Luiz Inácio jamais descontinuada desde que assumiu a presidência, o crescimento contínuo do espetáculo da corrupção oferecido pelo governo do PT, pelo menos os brasileiros que têm um mínimo de brio estão hoje indignados ou se sentindo traídos. Quanto aos que possuem algum grau de informação e discernimento já sabem que esse governo é um redundante fracasso. Malograram as promessas de campanha para a área social, nossa política externa é uma sucessão de fracassos e, se investidores, especuladores e banqueiros estão felizes com os enormes lucros auferidos, nosso crescimento tem sido pífio mesmo num cenário mundial excepcionalmente favorável. Além do mais, os numerosos ministros não tiveram capacidade de gastar seus orçamentos, não se sabe onde vão parar as arrecadações recordes dos impostos e está havendo queda no emprego industrial e na renda. Indiferente a tudo, o candidato Luiz Inácio vai inaugurando cada buraco tampado nas estradas que seu governo deixou intransitáveis, mesmo que algumas empreiteiras amigas que fazem o serviço tenham sido condenadas pelo TCU. O presidente da República nunca sabe de nada.

Há, porém, outro aspecto desse governo que se pode qualificar de tenebroso, e que demonstra que a transparência do PT era outra farsa para conquistar votos de incautos. Vejamos alguns exemplos que confirmam a opacidade petista:

1 - Os crimes até agora não desvendados de Celso Daniel, barbaramente torturado e assassinado, em 20 de janeiro de 2002, do cortejo de mortos que o seguiram e de Toninho do PT, assassinado em setembro de 2001. 2 - O desaparecimento no Iraque há um ano do engenheiro Rodrigo de Vasconcellos JR., sendo que o governo foi incapaz de deslindar o caso e não teve competência sequer para trazer o corpo e entregá-lo a família. 3 - A recente morte do general Urano Teixeira da Mata Bacellar, que comandava a Força de Paz da ONU, no Haiti. A apressada versão de suicídio cometido pelo general, e as notícias contraditórias sobre o fato fazem lembrar a explicação de suicídio também dada para a morte do legista Carlos Delmonte, encontrado sem vida em seu escritório particular, em São Paulo, em outubro de 2005. Delmonte havia num primeiro laudo apontado marcas de tortura em Celso Daniel e estava preparando um laudo complementar quando apareceu morto. 4 – O empenho do governo de impedir ou abafar as CPIs e o intuito da tropa de choque do PT no Congresso de apresentar relatório paralelo aos dos membros da CPI dos Correios.

Ainda sobre o general Bacellar, tido como pessoa calma e militar altamente preparado, além exímio atirador, pode-se dizer que teve uma morte inglória, pois a tragédia aconteceu por conta do verdadeiro motivo do Brasil ter pleiteado o comando no Haiti: a conquista do assento no Conselho de Segurança da ONU, algo que pelo visto não será dado ao Brasil.

Muitos outros crimes foram cometidos, inclusive, assassinatos de estrangeiros, sem que fossem esclarecidos nos três anos do governo Luiz Inácio. Em compensação, criminosos foram soltos. Se essa é uma constante no Brasil da impunidade, onde a “lei se acata, mas não se cumpre”, o fracasso do PT também no tocante ao controle da violência, sua incapacidade de elucidar mesmo os assassinatos dos companheiros podem, sem duvida, levar a classificar esse governo como das trevas. Mas como não se sabe quem é eleito, se o candidato ou sua imagem esculpida pela propaganda, resta esperar o resultado das urnas em outubro para saber se os eleitores estão informados sobre os detalhes tenebrosos do PT no poder ou não.

Quarta, 18 Janeiro 2006 21:00

Eixo das Bananas

De todo modo, enquanto outubro não chega o Brasil se une cada vez mais ao Eixo das Bananas, cuja característica marcante é a mentalidade do atraso.Janeiro. Começam para valer as férias. O tempo nas praias adquire ritmo mais lento e a vida recebe pinceladas azuis de céu e mar. Período em que a leitura de jornais, que já é pouca, se torna escassa ou nula. Na TV, meio de comunicação de massa por excelência, os noticiários se limitam a temas amenos ou a tragédias internacionais. De janeiro a março o Brasil se espreguiça enquanto fervem os bastidores da política. Principalmente quando o ano é de eleições.

Também o presidente da República resolveu tirar quatro dias de folga (não ficou explicado folga do quê) em uma praia privativa da Marinha próxima a Salvador. Curiosamente, o mesmo local onde por três vezes descansou seu antecessor Fernando Henrique Cardoso. Deste o governo Luiz Inácio também pirateou a política macroeconômica e tentou, sem êxito, copiar programas sociais. Lembremos que produtos piratas não têm garantia contra defeito.

Sua Excelência viajou com um dos filhos e dona Marisa Letícia, primeira-dama que estabelece notável e sensato contraste com o marido. Nada fala. Pelo menos em público. Certamente uma mudez que pode ser interpretada como medida de precaução semelhante a que impede o presidente de dar entrevistas coletivas. Os marqueteiros lhe permitem apenas entrevistas gravadas, devidamente ensaiadas e cuidadosamente editadas. Mesmo assim há risco de fracasso como aconteceu na recente entrevista concedida pelo presidente ao jornalista Pedro Bial.

 Para quem duvidava ficou claro naquela ocasião que Luiz Inácio está longe de ser um grande comunicador, conforme um dos mitos que foi elaborado para seu culto. Semblante preocupado, por vezes assustado, só sorriu no fim, quem sabe ao comando de algum assessor. Foi repetitivo em demasia. Novamente afirmou que nada sabia a respeito da corrupção do seu governo e do seu partido. Faltou dizer que mensalão é piada de salão, como fez seu companheiro Delúbio Soares, por mais abundantes que sejam as provas acumuladas na CPI dos Correios (para a qual a tropa de choque do PT no Congresso prepara um relatório paralelo). Naturalmente, não faltaram os auto-elogios. Mas já vai saturando até o tom de voz de Sua Excelência.

Em todo caso é tempo de férias e o presidente Luiz Inácio, que muda repentinamente discurso e ação, não vai ficar apenas quatro dias de folga na Bahia. Contrariando afirmação anterior de que nesse ano viajaria apenas pelo Brasil (entenda-se isso à luz da campanha da reeleição) está de viagem marcada para Venezuela e Bolívia. Vai se encontrar de novo com dois de seus diletos companheiros do Eixo das Bananas ou da República das Bananas, Hugo Chávez e Evo Morales. Depois voltará à África.

Pode ser que com esses périplos o presidente esteja tentando reaver o sonho perdido referente ao Assento no Conselho de Segurança da ONU, obsessão do chanceler de fato, Marco Aurélio Garcia. Pode ser que ele simplesmente esteja querendo resgatar outro de seus mitos perdido: o de líder mundial. De todo modo, essas viagens sempre devem preocupar a nós, contribuintes, que custeamos o turismo político presidencial, assim como as generosas dádivas em dólares ou em obras que Luiz Inácio distribui com desenvoltura aos países subdesenvolvidos. Para nós restam recursos para tampar buracos, sem licitação. Ressalve-se que, segundo o ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, a maquiagem das estradas só vai durar um ano. Tudo vai esburacar de novo e mais gente vai morrer, mas, então, o presidente já estaria em seu segundo mandato. Se o for reeleito, é claro.

De todo modo, enquanto outubro não chega o Brasil se une cada vez mais ao Eixo das Bananas, cuja característica marcante é a mentalidade do atraso que inclui: o ataque sistemático aos Estados Unidos e a um nebuloso neoliberalismo, o vezo estatizante e a postura autoritária.

Com relação ao autoritarismo, exceção feita a Fidel Castro cuja ditadura é escancarada, os neocaudilhos populistas do Eixo das Bananas simulam uma democracia que de fato inexiste. O Brasil que segue sob a inspiração e a liderança de Hugo Chávez não escapa à regra. Observe-se, por exemplo, a estranha demissão de Boris Casoy da Record. Coincidentemente Casoy fazia o único noticiário independente da TV. E ainda que a emissora negue a pressão, curiosamente em agosto do ano passado o Banco do Brasil retirou seu patrocínio ao “Jornal da Record”.

No caso da tentativa de criação da Ancinav ou do Conselho de Jornalismo, houve forte reação. Com relação à demissão de Boris Casoy, nem a mídia nem qualquer grupo de pressão se manifestou. Sinal de que estamos cada vez mais integrados ao Eixo das Bananas?

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