Ter08202019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

Maria Lúcia V. Barbosa

Maria Lúcia V. Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br

Domingo, 28 Maio 2006 21:00

A Grande Mentira Brasil

Nunca se viveu no país uma situação tão falseada do ponto de vista político. Mentiras são apresentadas como verdades, fracassos como êxitos e a propaganda enganosa se encarrega de persuadir mentes incautas através da TV.Nunca se viveu no país uma situação tão falseada do ponto de vista político. Mentiras são apresentadas como verdades, fracassos como êxitos e a propaganda enganosa se encarrega de persuadir mentes incautas através da TV. Entretanto, nunca houve tantos escândalos de corrupção atingindo em cheio o governo. São semanais, estrondosos, contundentes. Por muito menos caiu Fernando Collor e nenhum presidente da República resistiria a tais acusações que vão se acumulando e se evidenciando através de testemunhas e documentos. Apesar disso, as últimas pesquisas mostram ligeira subida do candidato do PT, o presidente Luiz Inácio, e uma pequena queda de Geraldo Alckmin, do PSDB.

Sem nunca ter assumido responsabilidade pelos atos do seu governo e do seu partido, Luiz Inácio apenas diz que nada sabe, nada vê e fica tudo por isso mesmo. O chamado “núcleo duro” que de fato governava estilhaçou-se a golpes de pesadas acusações de corrupção. Caíram de forma vexatória, entre outros, seus mais importantes auxiliares, aqueles amigos íntimos, confidentes de longa data, responsáveis pela condução da política e da economia. Nada aconteceu.

José Dirceu, o todo-poderoso ministro da Casa Civil que governou como uma espécie de primeiro-ministro, depois de ter resistido ao escândalo que motivou a saída de seu homem de confiança, Waldomiro Diniz, seguiu impávido até que Roberto Jefferson mandasse que saísse rapidinho. Dirceu obedeceu, refugiando-se em seu mandato de deputado. Foi cassado. Foi acusado de ser o chefe do mensalão. Seu pedido de prisão foi feito pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, mas o ministro do STF, Joaquim Barbosa, rejeitou a medida e José Dirceu e seus companheiros quadrilheiros continuam soltos, o que inclui Marcos Valério e outros comparsas. O ex-gerentão anda por aí sem medo de ser feliz, coordena a reeleição do chefe, faz palestras, escreve artigos e aparece em eventos como se fosse uma alta personalidade digna de crédito e admiração.

Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, médico que administrou calmantes ao nervoso mercado com o imprescindível auxílio de homens do governo FHC, caiu de forma também estrondosa e humilhante. A gota d’água foi a acusação de sua participação na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, do qual, aliás, não se houve mais falar. O rapaz disse que o ministro freqüentava a casa da esbórnia onde, além de farras, se faziam negócios obscuros. Palocci negara tudo, assim com sempre negou seu envolvimento em falcatruas quando era prefeito de Ribeirão Preto, e que foram denunciadas por seus ex-assessores.

A revista Veja publicou denúncias do banqueiro Daniel Dantas, que alegou ter sido achacado pelo PT para fornecer substancial propina ao partido. Dantas falou sobre contas de companheiros em paraísos fiscais, incluindo no bando o companheiro presidente da República. Depois de uma reunião com o ministro da Justiça, Dantas voltou atrás. O ministro nega qualquer acordo entre eles. Com certeza apenas tomaram chá.

O Brasil foi e tem sido humilhado pelo presidente boliviano, Evo Morales, o tutelado de Hugo Chávez. Luiz Inácio defendeu o povo sofrido da Bolívia e nenhuma voz nacionalista se elevou no Brasil, apesar de haver sempre um coro estridente contra os Estados Unidos.

A quase inexistência de reação popular diante do banditismo institucionalizado (que não é apenas uma questão de moralidade da classe média, como alguns gostam de dizer, mas altamente nocivo ao país na medida em que corrupção governamental e desrespeito às leis lesam toda a sociedade) se deve, sobretudo, ao fato da inexistência de uma oposição nos moldes exercidos pelo PT. Estamos sem partidos ou grupos de interesse que aglutinem o difuso descontentamento popular.

No momento o que se vê é o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, sendo “cristianizado”. A cúpula do partido parece querer se livrar dele ou desejar que perca a eleição, na ilusão de que um tucano venceria em 2010. Algo tão pouco inteligente quanto foi a teoria de deixar Luiz Inácio sangrando para enfraquecê-lo. Quanto ao PFL, parece pensar que o adversário é Alckmin e não Luiz Inácio. Já o PMDB governista, certamente impedirá Pedro Simon de disputar a presidência e os partidos menores entram na campanha apenas para projetar alguns nomes na esperança de ter êxito em futuras eleições.

Nesse quadro aparece com evidência a distorção embutida na figura da reeleição, pois com a máquina estatal à disposição não é difícil se vencer um pleito. Reeleição é abuso máximo de poder econômico e político. Especialmente nesse momento em que o Brasil virou uma grande e convincente mentira, a disputa mais parece uma contenda de Davi contra Golias. Em todo caso, uma coisa é certa: não se tem notícia de um segundo mandato melhor do que o primeiro. Portanto, e de acordo com o que se passa no momento, 2007 tem tudo para não ser um feliz ano novo.

Terça, 23 Maio 2006 21:00

Eles Estão Entre Nós

Agora os terroristas estão entre nós. Eles se manifestaram com violência jamais vista na cidade mais importante do Brasil, São Paulo, na significativa data do Dia das Mães.Não falta na atualidade a bestialidade humana evidenciada em atos terroristas. Isto, porém, sempre nos pareceu longínquo. Comodamente, diante da TV, assistimos a explosão das torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e nossas gloriosas esquerdas exultaram e deram vivas a Osama nas alturas. Vemos todos os dias os horrores da guerra do Iraque e culpamos Bush que expulsou do poder o genocida coitadinho Saddam, o déspota sanguinário. Olhamos com indiferença a guerra entre palestinos e israelense e, naturalmente, odiamos os judeus por serem amigos dos norte-americanos. Achamos que o companheiro Zapatero fez bem em ceder aos terroristas retirando suas tropas do Iraque. Na TV tudo é como um filme de ficção. Nós somos um povo cordial, alegre, sempre a contar piadas e a discorrer sobre futebol porque disso entendemos.

Agora os terroristas estão entre nós. Eles se manifestaram com violência jamais vista na cidade mais importante do Brasil, São Paulo, na significativa data do Dia das Mães. Nas penitenciárias paulistas as portas do inferno se abriram e eclodiram centenas de rebeliões que se alastraram pela capital, pelo interior e por outros Estados. Nas ruas, doze mil apóstolos de Marcos Willians Herbas Camacho, vulgo Marcola, o chefão do PCC, atacaram delegacias, postos policiais, agências bancárias, incendiaram ônibus, mataram policiais e até bombeiros. A ordem era para assassinar também diretores de penitenciárias e políticos.

Os terroristas do PCC não são bandidos comuns. São guerrilheiros organizados e disciplinados, possuem comando e ideologia. Para a realização de sua causa propõem uma revolução e pode ser que alguém diga que o PCC é um movimento tão sério quanto seu congênere, o MST.

Mas por que esses guerrilheiros e narcoterroristas teriam atacado em São Paulo? Afinal, como escreveu Norman Gall (O Estado de S.Paulo 17/05/2006): “Desde 1999 o número de homicídios e latrocínios nesse Estado caiu quase pela metade, de 13.599 para 7.640 em 2005, seguindo uma curva tão impressionante como a de Nova York na década de 1990”. Entre as causas dessas melhorias estão: “mais investimentos públicos nas periferias, mais e melhor policiamento, apreensão de 184 mil armas ilegais, 467 mil prisões, mais 36 mil vagas prisionais, melhor uso de dados criminais”. Isso quer dizer que São Paulo é Estado onde melhor se zelou pela segurança pública.

Por outro lado, o governo federal falhou redondamente na medida em que, ao invés dos prometidos doze presídios de segurança máxima somente agora, na campanha da reeleição, anuncia a conclusão de um desses presídios no Paraná. E como explicou Gall, “no governo Lula, o déficit de vagas prisionais no País triplicou para 154.843, enquanto o fundo federal para construir penitenciárias acumulou R$ 297 milhões sem serem gastos. Acrescento que o ministro da Justiça, Thomas Bastos, propôs praticamente acabar com a lei de crimes hediondos e há também excesso de defesa de direitos humanos para bandidos, sendo que a polícia, além de mal armada diante dos criminosos, se vê tolhida em inúmeras de suas ações pela Justiça. A polícia prende, a Justiça solta. Agora, enquanto em São Paulo os policiais e seus familiares tornaram-se alvos vivos dos bandidos guerrilheiros, já começam a aparecer as ONGs e os defensores dos direitos humanos, a dizer que os policiais estão matando inocentes. Nenhum representante dessas entidades, porém, ofereceu solidariedade aos parentes dos policiais e dos bombeiros que tombaram pela sanha assassina desses marginais da pior espécie.

O ministro Thomas Bastos pediu que não se fazer uso político dos horrores que vê sendo praticados pelo PCC. Mas não deixa de ser uma grande coincidência o PCC ter usado sua violência máxima justamente nesse momento eleitoral. Por conta da ofensiva terrorista ficaram esquecidas as sérias denúncias publicadas na Veja, e que atingiram pela primeira vez o presidente da República. Os quadrilheiros seguem livres, leves e soltos. Não se fala mais em Evo Morales e as humilhações que este impôs ao Brasil com a condescendência de nosso chefe de Estado, nem sobre o comando de Hugo Chávez na América do Sul. Recorde-se ainda que João Pedro Stédile, alma gêmea de Marcola, havia prometido soltar os “movimentos” sociais” nas cidades só para chamar atenção. E setores importantes do Judiciário estão paralisados por providenciais greves.

No plano político a oposição continua sem ação. A impressão que se tem é que Geraldo Alckmin está sem apoio da cúpula de seu partido. O PFL tem ímpetos de adversário e não de aliado do PSDB. O PMDB já deve ter aderido em peso ao PT. Nos Estados, candidatos que deveriam apoiar Alckmin ainda não estão definidos. E enquanto prossegue a guerrilha do PCC, a pergunta a se fazer é a seguinte: será que em outubro teremos eleições? Não deixa de ser um questionamento inquietante.
Domingo, 14 Maio 2006 21:00

Brasil Invertebrado

O magistral José Ortega y Gasset tem entre suas obras uma de título bastante sugestivo: Espana Invertebrada. E diante dos que nos acontece atualmente, não é difícil concluir que também temos essa característica.

O magistral José Ortega y Gasset tem entre suas obras uma de título bastante sugestivo: Espana Invertebrada. E diante dos que nos acontece atualmente, não é difícil concluir que também temos essa característica. Se ela decorre de todo um processo histórico impossível de ser apresentado num pequeno artigo, nossa atitude diante agir do governo petista é suficiente para atestar que somos invertebrados, inertes, acomodados, alienados.

Em 2002, quase 53 milhões de eleitores depositaram suas melhores esperanças em Luiz Inácio que, finalmente, na quarta tentativa, chegou lá. A oposição implacável do PT contra o governo de Fernando Henrique Cardoso, depois de oito anos fez efeito. O povo quis mudança. E mudança foi o que prometeu o candidato petista. A esperança haveria de vencer o medo e para isso Luiz Inácio se apresentou com discurso bem comportado, sem os furores revolucionários do PT do passado. A retórica sobre luta de classes foi cuidadosamente eliminada e os interesses dos antes odiados capitalistas, preservados. As mudanças incidiriam também sobre uma outra vida possível, justa e próspera para todos. A postura ética do governante e de seu partido haveria de redimir a pátria da doença da corrupção. Diante de tais apelos e da intensa propaganda elaborada por Duda Mendonça, a maior parte do eleitorado se rendeu.

Passado o tempo o que se viu foi o maior espetáculo de corrupção que o Brasil já teve. E olha que a corrupção foi implantada desde nossa origem, faz parte do nosso tecido social e abrange, sem exceção, todas as classes. Mas com os corruptos do PT ninguém pode e seu governo é campeão dos campeões na modalidade maracutaia.

Acrescente-se que, em termos de avanços sócio-econômicos, a incompetência governamental petista é evidente, em que pese os gritos ufanistas de inflação controlada (continuidade do Plano Real) e de êxitos na bolsa de valores (onde os investimentos são de curto prazo e de caráter especulativo). Entretanto, o fracasso desse governo pode ser expresso não só no nosso crescimento pífio de apenas 2,3%, no ano passado, só maior do que o do Haiti, como no estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) em conjunto com a Fundação Centro de Estudos para o Comércio Exterior (Funcex). O estudo mostra que a competitividade dos produtos brasileiros nos mercados norte-americano e europeu acumula queda de 40% entre 2002 e março desse ano.

Outro aspecto desastroso do governo petista é sua política externa, e recentes episódios com nossos vizinhos e diletos companheiros do presidente Luiz Inácio mostram a perda de liderança brasileira, a desintegração do Mercosul, o isolamento do país por conta de sua equivocada política terceiro-mundista que, em vez de nos integrar à economia mundial como, inclusive, fez a China e a Índia, prefere trocar banana, tabaco e rum entre los hermanos sofridos. Optamos ser passados para trás na Alba, do que ingressarmos na imperialista e maldita Alca.

Para culminar, ao ato de força de Evo Morales, que expulsou a EBX, postou o Exército na Petrobrás, rompeu contratos e ameaça expulsar brasileiros, nosso presidente invertebrado apenas disse que tudo era questão de soberania da Bolívia e que os bolivianos sofridos tinham que ser tratados com carinho.

Fora do país, contudo, não funciona o Lulinha de paz e amor, conforme se notou nos insultos com os quais Morales respondeu ao carinho de Luiz Inácio. Segundo o soberano presidente boliviano, a Petrobras é sonegadora e contrabandista. Diante disso, o invertebrado chanceler Celso Amorim cogita retirar o embaixador brasileiro da Bolívia. Pode ser que ele fique só na cogitação, enquanto seguimos sob o comando de Hugo Chávez e de seus amigos.

Nesse cenário nenhuma manifestação popular. Grupos de interesse esboçando poucas e inócuas críticas. Partidos políticos ainda envolvidos com acertos entre siglas, enquanto Luiz Inácio segue como único candidato no palanque eletrônico da TV, a prodigalizar “bondades” eleitorais. E se Silvio Pereira, o Silvinho Land Rover, deu mais um show de cinismo na CPI dos Bingos, mensaleiros e quadrilheiros se preparam para retornar ao Legislativo. Completando o clima de desfaçatez o ex-ministro, deputado cassado e chefe do mensalão, José Dirceu, sai por aí fazendo acordos políticos em prol da reeleição de seu chefe Luiz Inácio e dando palestras em universidades. O que será que ele ministra aos jovens em suas aulas magnas, artes mafiosas?

É verdade que algumas reações surgem no marasmo brasileiro: a bengalada cívica, estudantes vaiando José Dirceu em Belo Horizonte, produtores rurais se unindo e protestando nas estradas, mensagens trocadas na Internet entre gente angustiada e indignada com a mixórdia institucional. São sinais que atestam insatisfação latente, pouco vocalizada, mas persistente. Em todo caso, só em outubro será possível saber se continuamos invertebrados ou se conseguiremos ter a espinha dorsal do civismo que nos permita ficar de pé.

Quarta, 10 Maio 2006 21:00

O Petróleo é Deles

Segundo o decreto 28.701, a Petrobrás e demais empresas estrangeiras se tornaram meras operadoras de produção e receberão da Yacimientos Petrolíferos Federales de Bolívia (YPFB) uma remuneração de apenas 18% pelos serviços prestados.

Há poucos dias assistimos ao anúncio de nossa auto-suficiência (relativa, por sinal) em petróleo. Tudo veio como sempre embalado em propaganda de milhões de reais, pagos pela Petrobrás a Duda Mendonça. Duda caprichou na performance de Luiz Inácio, que vestido como operário mostrou as mãos sujas de petróleo numa imitação de Getúlio Vargas. Só faltou o atual presidente dizer que foi ele quem criou a Petrobrás e que o “petróleo é nosso”. Naturalmente, tudo serve à campanha da reeleição e, nesse sentido, o sentimento de orgulho nacional (que no Brasil só funciona na Copa do Mundo), deveria servir para emocionar corações e obter votos em outubro.

Estávamos ainda sobre o impacto da auto-suficiência quando o presidente Evo Morales anunciou sua intenção de expropriar a siderúrgica brasileira EBX. Em 1 de maio ele foi adiante e editou o Decreto Supremo nacionalizando todas as operações de hidrocarbonetos (gás e petróleo) de seu país, o que atingiu duramente a Petrobrás. Não contente com isso, num ostensivo e desnecessário uso da força, Morales mandou o Exército ocupar as 53 instalações de gás e petróleo que eram controladas por empresas estrangeiras.

Segundo o decreto 28.701, a Petrobrás e demais empresas estrangeiras se tornaram meras operadoras de produção e receberão da Yacimientos Petrolíferos Federales de Bolívia (YPFB) uma remuneração de apenas 18% pelos serviços prestados.

Por sua vez, o ministro de Hidrocarbonetos, Andrés Soliz Rada, já avisou que caso a Petrobrás e demais empresas não aceitem em seis meses as imposições do governo boliviano, serão expropriadas. Ele cogita também aumentar os impostos para mais de 82%, portanto, além do que havia sido determinado pelo Decreto. Rada disse ainda que as atividades das empresas estrangeiras em seu país são com uma “caixa preta”, e que o preço pago pela estatal brasileira pelo gás extraído na Bolívia é miserável. Enfatizou também que seu governo não está só e que técnicos da estatal de petróleo da Venezuela de Chávez já estão em La Paz. Aliás, a Petróleos da Venezuela (PDVSA), já está pronta para substituir a Petrobrás.

Coincidentemente, na véspera de editar o Decreto Supremo, Morales se reuniu em Havana com Fidel Castro, tendo sido acompanhado por seu mentor Hugo Chávez. Os três firmaram o acordo para a criação da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba), em oposição à Área de Livre comércio das Américas (Alca) proposta pelos Estados Unidos e, desse modo, Chávez consolidou ainda mais sua frente antiamericanista.

No dia 4 de maio reuniram-se em Puerto Iguazú, Argentina, Luiz Inácio, Hugo Chávez, Evo Morales e Néstor Kirchner. O presidente brasileiro discursou na linha de paz e amor. Chávez uniu as mãos dos quatro participantes do encontro para a clássica pose para fotos. Louvou-se a soberania boliviana e ficou tudo na mesma. Foi como se o presidente brasileiro dissesse: “o petróleo é deles”.

Do episódio ressalta alguns aspectos bastante evidentes, tais como:

1ª) O crescimento cada vez maior da liderança de Chávez na América do Sul e o decréscimo acentuado da influência do Brasil, que segue ajoelhado diante de Evo Morales e a reboque do presidente venezuelano.

2º) A desastrosa política externa brasileira com seu pendor terceiro-mundista, o que tem levado a erros, fracassos e perdas, em que pese a propaganda dizer o contrário.

3º) Os discursos do presidente Luiz Inácio e das esquerdas brasileiras, nos quais a soberania boliviana foi exaltada, assim como a solidariedade aos bolivianos pobres, demonstram uma evidente confusão entre soberania e quebra de acordos internacionais, os quais desrespeitam a soberania de outros países. Recorde-se que esses rompimentos representam algo bastante sério na medida em que tiram do país que assim procede a confiança internacional. Isso por sua vez, leva à retração de investimentos estrangeiros tão necessários às nações que não dispõem de capitais nem de tecnologia. E na medida em que o Brasil louvou e apoiou o ato de Morales, em tese abriu não só a precedência para que outros países sul-americanos façam a mesma coisa, como a perspectiva de que aqui o mesmo possa ser feito.

4º) Será preciso que aprendamos a lição que nos foi dada por Carlos Rangel em sua obra, “Do Bom Selvagem ao Bom Revolucionário”: “Todo hispano-americano sabe bem que quando encontra um brasileiro está diante dele, não ao lado dele”. “Pode-se dizer que existem pontos comuns, afinidades, um parentesco entre o Brasil e a América Espanhola, mas que suas diferenças levam de vencida suas afinidades”. “Para a América Espanhola o Brasil é um vizinho tão perigoso quanto amigo no futuro ou no imediato, mas em todo caso, diferente, outro”.

Diante dos acontecimentos que vão se sucedendo e que apontam para o retrocesso, nada melhor do que encerrar esse artigo com um pensamento de Simón Bolívar: “Se acontecesse que uma parte do mundo voltasse ao caos primitivo, isso seria a ultima metamorfose da América Latina”.

Quarta, 03 Maio 2006 21:00

Caminhando Rumo ao Atraso

Tudo isso significa que Comunidade Sul-americana das Nações, iniciativa do Brasil alardeada com pompas e honras, não passou de um sonho de verão tropical.Hugo Chávez voltou dia 26 deste ao Brasil. Portanto, com pequeno intervalo entre o encontro promovido pelo governador Roberto Requião em Curitiba (PR). Naquela ocasião, no Teatro Guaíra, o presidente da Venezuela foi entusiasticamente aplaudido por uma platéia composta pelo MST, pela Via Campesina e por outros grupos de esquerda. Chávez fez campanha para o companheiro Lula e pregou a unificação do MST a outros movimentos similares existentes em países sul-americanos, num evidente incitamento a desordem e a violência no Brasil. Seu plano deve naturalmente incluir as Farc, (grupo colombiano narcoguerrilheiro) e o equivalente e sanguinário Sendero Luminoso, a ser ressuscitado no Peru se for eleito presidente Ollanta Humala, outro neocaudilho populista dito de esquerda que tem a campanha presidencial financiada pelo coronel Chávez. Tal unificação de grupos armados reforçaria ainda mais o poder do pretenso herdeiro de Simón Bolívar, pois ele estaria à frente de um exército sul-americano de guerrilheiros que, na verdade, já o têm como único e incontestável comandante.

No dia 26 a reunião foi feita apenas entre Chávez, Luiz Inácio e Nestor Kirchner. O tema tratado e acertado anteriormente entre os presidentes venezuelano e Argentino foi a construção de um supergasoduto que saindo da Venezuela atravessaria o Brasil de ponta a ponta, cortando o país desde o Amazonas (rio e florestas) até o sul para chegar à Argentina. O ambicioso projeto pretende incluir a Bolívia (detentora da segunda maior reserva de gás da América do Sul, atrás apenas da Venezuela) cujo presidente, Evo Morales, ainda é contra a idéia. É bom lembrar que Morales está nos dando um prejuízo de U$ 1.500 bi com a nacionalização da Petrobrás e expropriando os investimentos já realizados pela EBX na Bolívia. No caso do Gasoduto Venezuela-Cone Sul caberá ao Brasil bancar a maior parte do financiamento da obra, sem que se tenha dito com clareza em quê os brasileiros serão beneficiados.

Os adeptos do empreendimento faraônico pensam que ele significa a força da liderança de Luiz Inácio na América do Sul, mas, ao contrário, estamos diante do enfraquecimento do presidente brasileiro na medida em que este vai sempre a reboque de Chávez e Kirchner.

Em artigo publicado no O Estado de S. Paulo (27/04/2006), Rolf Kuntz aponta o fracasso da diplomacia do governo do presidente Luiz Inácio, mostrando que este não tem mais influência sobre o Mercosul (“se é que teve alguma”) onde a figura de Chávez já é a mais poderosa mesmo antes da integração da Venezuela ao bloco.

Além disso, Kirchner tem imposto ao Brasil acordos comerciais aceitos passivamente por nossa diplomacia e prefere Hugo Chávez, que compra os títulos públicos de seu país, a uma bela amizade com o companheiro brasileiro.

Tudo isso significa que Comunidade Sul-americana das Nações, iniciativa do Brasil alardeada com pompas e honras, não passou de um sonho de verão tropical. Para piorar, como nossos aliados neocaudilhos, não aceitaremos acordos globais que nos abram boas perspectivas comerciais com os Estados Unidos e a União Européia. Melhor pertencer ao Estado Bolivariano de Chávez do que aceitar o “excremento do diabo” que vem daqueles “porcos capitalistas”.

Enquanto gritamos em coro antiamericanista junto com Hugo Chávez, Fidel Castro, Evo Morales, Nestor kirchner e Ollanta Humala, nossos sonhados parceiros, China, Rússia e Índia cuidam de seus próprios interesses e negociam com os Estados Unidos sem clamar contra a globalização ou o liberalismo. Estes países não levam em conta a ideologia de um certo marxismo embalsamado e, assim, vão prosperando nos negócios. Enquanto isso, nós nos fechamos num tribalismo esquerdista obtuso. Somos fiéis seguidores do comandante Chávez e rumamos alegremente para o atraso. Tudo indica que fomos contaminados pelos ideais das revoluções megalomaníacas dos caudilhos ambiciosos, que na América Latina sempre condenaram seus povos ao fracasso e a miséria.

Para terminar me valho das palavras do cientista político, Jorge Castañeda, sobre os atuais líderes populistas latino-americanos que tanto amamos.

Nestor Kirchner é “um peronista reacionário, mais interessado em arrancar dinheiro dos credores e do FMI do que promover políticas sociais”. Hugo Chávez “não é Fidel Castro; é Perón com petróleo, está conduzindo a Venezuela ao colapso”. Evo Morales “não é um Ché indígena, mas um populista esperto e irresponsável que promete muito e entrega pouco”.

Quanto a nós, creio que num eventual segundo mandato do populista Luiz Inácio saberemos de vez o que é herança maldita, aquela deixada pelo governo do PT cuja incompetência e corrupção manterá o Brasil como um país grande sem jamais chegar a ser um grande país.
Domingo, 23 Abril 2006 21:00

Cada Vez Mais Perto de Hugo Chávez

Hugo Chávez tem feito adeptos fervorosos em toda América do Sul e Fidel Castro, ainda que mantendo seu poder totalitário sobre Cuba, já parece um déspota aposentado perto do "boina vermelha".

Hugo Chávez tem feito adeptos fervorosos em toda América do Sul e Fidel Castro, ainda que mantendo seu poder totalitário sobre Cuba, já parece um déspota aposentado perto do “boina vermelha”. Este é o neocaudilho da moda, o populista que conquistou seguidores como Evo Morales, da Bolívia, Ollanta Humala, do Peru e, porque não, o brasileiro Luiz Inácio que, de hipotético líder latino-americano passou a liderado do ambicioso ditador disfarçado da Venezuela.

Muitos outros também se renderam ao rei do petróleo, como é o caso de Roberto Requião, governador do Paraná, que como todo bom esquerdista adora as delícias de Paris e não aceita a lei contra o nepotismo já que abriga vários familiares em seu generoso colo governamental.

Requião, que em novembro do ano passado visitou a Venezuela, no dia 21 não homenageou Tiradentes, mas Hugo Chávez, diante de uma platéia de 1.500 militantes da Via Campesina, de integrantes do MST e de outros movimentos ditos sociais que preferem uma outra vida com a Alba e não com a Alca. No Teatro Guairá, sentados ao lado de Requião, o companheiro Chávez, o bispo de Curitiba, d. Ladislau Biernaski, a cantora Beth Carvalho e o mentor do MST, João Pedro Stédile, outro fiel seguidor do “ditador constitucional” venezuelano. Este repetiu o discurso antiamericanista, atacou o que chama de direita, fez campanha para o companheiro Lula e foi aclamado. Requião discursou e foi vaiado quando defendeu o nepotismo e chamou os manifestantes de “representantes de pequenos movimentos de merda”. O governador informou que foram feitos acordos de cerca de US$ 420 milhões entre o Paraná e a Venezuela. Mas quem é de fato o ídolo de nossas esquerdas?

 Hugo Chávez tentou alcançar o poder através de golpe de Estado. Acabou atingindo seu objetivo pela via eleitoral, em 1998, mas depois de empossado plasmou um Legislativo e um Judiciário à sua imagem e semelhança, o que vem lhe permitindo exercer o arbítrio. Ele ampliou seu mandato de cinco para seis anos e introduziu em sua Constituição o casuísmo que permite sucessivas eleições. Já foi reeleito e fala em permanecer no poder até 2030, período que poderá ser sempre estendido.

Mesmo diante disso o presidente Luiz Inácio afirmou que, “em nenhum país do mundo há tanta democracia quanto na Venezuela”. Uma democracia na qual quem falar contra Chávez vai preso. Coincidentemente, nosso presidente disse que gostaria de um mandato de seis anos e no seu governo o Legislativo veio sendo dominado por mensalões, o que tem o efeito desmoralizador cada vez maior sobre esse Poder. Já o Supremo Tribunal Federal tem votado politicamente e não de acordo com a Lei. Além do mais, Luiz Inácio tem incentivado, sobretudo, o MST, o que indica seu pendor para o modelo chavista de democracia de massas. Num segundo mandato, caso chegue lá, certamente se aproximará cada vez mais de Chávez, cujos sonhos atômicos objetivam destruir os Estados Unidos com a ajuda de companheiros que sabem enriquecer urânio.

Mas o que faz o MST como “movimento social?” O MST invade terras produtivas, destrói sedes e maquinários de fazendas, mata o gado, ateia fogo às pastagens, ameaça e aterroriza produtores rurais, bloqueia estradas, saqueia caminhões, invade prédios públicos, destrói centros de excelência em pesquisa como o da Aracruz. Tudo com o aval do governo e as bênçãos de certos bispos. Enfim, o MST é o braço guerrilheiro do PT. 

O Paraná foi chamado de celeiro do Brasil, pois de sua terra fértil, encontrada no norte do Estado em tons de chocolate, nasceu a produção agrícola que se destacou no País e no exterior. Mas não bastava a terra. O “celeiro” se tornou viável através do trabalho sério, árduo e competente desenvolvido através de gerações de agricultores. Mais tarde, agropecuaristas transformaram o Paraná num dos baluartes do agronegócio, setor que não somente fornece alimentos para as populações urbanas, como integra a cadeia produtiva que se estende além da porteira da fazenda e se espraia pela sociedade gerando renda e trabalho, esses reais pilares da prosperidade de um povo. Através do agronegócio, não só o mercado interno é alcançado, mas também o externo, o que significa a possibilidade do Brasil se integrar com força à economia mundial e garantir o saldo de nossa balança comercial.

Recorde-se, porém, que Stédile anunciou que o grande inimigo é o agronegócio. Invés de estar preso por incitar a desordem, a violência e o desrespeito à propriedade, foi um dos homenageados de Requião.

Enquanto isso, por todo Paraná, produtores rurais que Luiz Inácio andou chamando de caloteiros, pedem que sejam reduzidos os custos de produção e os juros, porque já estão sendo obrigados a se desfazer de seus equipamentos agrícolas para poder pagar aos fornecedores de insumos.

 Sem dúvida estamos cada vez mais perto de Hugo Chávez, e é próprio perguntar se nada pode barrar nossa vocação para o atraso. Responderemos a isso em outubro.

Domingo, 16 Abril 2006 21:00

Os Homens do Presidente

Resta, então, esperar outubro para se saber se a quadrilha continua ou não a reinar. De todo modo, seus integrantes fazem lembrar a estória infantil: “Ali Babá e os Quarenta ladrões”. Quem gostar de Ali Babá que vote nele.

“O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra 40 pessoas envolvidas com o esquema do mensalão”. Esse é o trecho da notícia que se lia no O Estado de S. Paulo (12/04/2006) e que vinha encimada pela manchete: “MP: PT formou organização criminosa para manter o poder”.

Continuando a ler a matéria, mais espanto da parte do leitor capaz de indignação, pois os quadrilheiros são os homens mais importantes do presidente Luiz Inácio. Destaque para o chefão José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoino, Sílvio Pereira. Também foram denunciados Luiz Gushiken, João Paulo Cunha, Duda Mendonça e o prestimoso auxiliar de falcatruas, Marcos Valério.

Apesar de ligações tão íntimas, Luiz Inácio continua um cidadão acima de qualquer suspeita. Nada sabe, nada vê, mesmo diante da queda de seu ministro mais importante, Antonio Palocci, tido como responsável pelo êxito da política macroeconômica do governo. E mais espantoso ainda: pesquisas continuam a indicar, pelo menos no momento, que o candidato à reeleição se mantém em primeiro lugar perante a opinião pública, o que leva a pergunta inevitável: que povo é esse, que se compraz com a corrupção?

Certamente só as urnas em outubro poderão responder a essa indagação. De todo modo, é possível indicar pelo menos alguns fatores responsáveis pela manutenção do presidente da República em situação privilegiada, ainda que seus companheiros mais chegados sejam considerados como uma quadrilha. Entre as pistas para compreender o que se passa vejamos, então, algumas.

Com relação aos eleitores nota-se uma grande desinformação. Mesmo na era da informação as pessoas tendem a vivenciar e perceber apenas seu restrito círculo familiar, seu grupo de trabalho e seu círculo de amizades. Além desse entorno limitado os indivíduos são seletivos quanto ao tipo de informação que lhes é passada, sobretudo pela TV. Isso por sua vez está ligado ao nosso nível educacional e, assim, o que motiva o maior interesse do público de modo geral é o entretenimento, as programações leves onde faz sucesso o Big Brother Brasil, naturalmente o futebol, além das tragédias que são sempre bem-vindas. Da comodidade do sofá se assiste os ídolos populares e o circo eletrônico dos programas de auditório alcançam grande índices de audiência. Como espelho mágico a TV reflete a sociedade e trabalha em cima das “necessidades” de divertimento popular.

Não se pode desconsiderar também que, sem conhecimentos sólidos e informações mais requintadas, as mentes se tornam muito sensíveis às pregações demagógicas e às crenças diversas que são buriladas pela propaganda. E propaganda intensiva não tem faltado nesse governo.

Ao comportamento popular estão associadas por sua vez as características da política brasileira. Por exemplo, não temos partidos naquele sentido clássico, no qual a organização partidária aparece nacionalmente como elo de ligação entre povo e governo, e é dotada de ideologia, disciplina e orientação programática. Nossos partidos são clubes de interesses particulares e por causa disso as pessoas votam geralmente não no partido, mas na pessoa do candidato.  Decorre disso que não temos oposição para valer e apenas o PT sabe se opor, e de forma violenta. Mesmo assim, essa agremiação, que se dizia ideológica e ética, vem demonstrando que ao alcançar seus objetivos tornou-se o avesso da pregação de longos anos. Restou a pessoa do candidato mitologicamente apresentado como um pobre operário, único capaz de salvar a pátria.

Isso explica também a excessiva proteção em torno da figura presidencial de Luiz Inácio o que, inclusive, atende às aspirações de poder dos seus correligionários, como diversos interesses de políticos de outros partidos. Não fosse a redoma em que o colocaram o presidente Luiz Inácio ele já poderia ter sofrido o impeachment, porque se acontecesse com outra autoridade os fatos a que se assiste, está já teria caído estrondosamente, sobretudo, se o PT fosse oposição. Note-se que uma das falsas defesas do presidente se baseia no argumento de que sempre houve corrupção no Brasil, o que absolutamente não justifica a aceitação da quadrilha formada pelos companheiros.

Outro aspecto que beneficia Luiz Inácio é o fato que ele fez campanha desde o primeiro dia de sua posse, e conta com a máquina estatal que lhe possibilita, em que pese a incompetência de seu governo, distribuir bondades que na maioria das vezes não se realizam e utilizar intensivamente a mídia, principalmente os palanques eletrônicos da TV.

Resta, então, esperar outubro para se saber se a quadrilha continua ou não a reinar. De todo modo, seus integrantes fazem lembrar a estória infantil: “Ali Babá e os Quarenta ladrões”. Quem gostar de Ali Babá que vote nele.

Domingo, 09 Abril 2006 21:00

Sentimento de Asco

Quando se pensa que tudo foi visto, o PT e seu governo oferecem ao Brasil mais espetáculos degradantes sob a conivência ou conveniência do presidente da República.

Quando se pensa que tudo foi visto, o PT e seu governo oferecem ao Brasil mais espetáculos degradantes sob a conivência ou conveniência do presidente da República. Nessa conjuntura, aqueles que possuem consciência cívica se sentem tomados de profundo asco e perguntam o quê fazer para livrar o país da barafunda institucional em que estamos mergulhados. A sensação é a de que não se tem a quem recorrer para organizar protestos que tomem as ruas com transbordante indignação. E a quem se queixar, se é das mais altas autoridades que partem os piores exemplos?  A percepção é a de que não existem instituições com as quais se pode contar.

Podemos contar com o Legislativo? Em que pese existirem parlamentares que fazem jus ao voto que receberam, parece até que por trás da desmoralização do Congresso há um plano concebido para acabar com a frágil democracia brasileira. Prova disso se pode ver com clareza no caso da estrondosa corrupção que envolve os chamados mensaleiros, cuja maioria, pelo menos a declarada, vai se safando despudoradamente. Quatro deles renunciaram para fugir ao castigo. Oito já foram perdoados. Dois ainda não julgados pelo plenário devem estar comemorando antecipadamente com champanhe sua absolvição. Apenas três foram cassados, entre estes, o então deputado Roberto Jefferson que anunciou que ele e pouquíssimos dos envolvidos nas falcatruas seriam punidos.

A última absolvição, certamente obra de companheiros solidários e dos que se venderam ao governo do PT através dos mensalões, causou mais uma vez profunda repugnância. Nem bem a deputada petista, Ângela Guadagnin (PT-SP), tinha executado sua dança da vitória para comemorar a impunidade do companheiro João Magno (PT-MG), e eis que outro se livra: o mensaleiro João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, homem de notória ligação com Marcos Valério, deputado que confessou ter recebido o “troco” de R$ 50 mil do esquema montado por Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, e que mentiu dizendo que a quantia era para pagar prestação de TV a cabo.

O relator do processo de João Paulo, o deputado Cézar Schirmer (PMDB-RS), elaborou relatório irretocável, irrespondível, brilhante, provando de forma arrasadora a culpa do deputado cuja cassação foi pedida pelo Conselho de Ética. Em vão. O plenário perdoou João Paulo, tão corrupto quanto os demais mensaleiros, por 256 votos contra 209. Houve nove abstenções e dois votos nulos.

Ainda no Congresso outras cenas nauseantes se repetiram quando da aprovação do relatório final da CPI dos Correios. Tomada de desespero quando viu que perderia, e que os companheiros indiciados teriam seus nomes mantidos, a tropa de choque do PT desencadeou seu habitual terrorismo legislativo querendo ganhar no grito e na truculência. Além da estridente senadora Ideli Salvati, que tentou até o fim invalidar o relatório do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), depois de muita gritaria histérica dirigiu-se à mesa e xingou de “F.d.p.” o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS). Segundo consta, se não fossem alguns colegas Bittar teria esmurrado Delcídio. É que o PT está acostumado com suas reuniões onde, conforme comentado pela imprensa, se costuma fazer “democracia” com base em cadeiradas.

 Entre os espetáculos apresentados ao respeitável público por ilustres petistas, outro se destacou na semana quando o advogado do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, fez (como se diz popularmente) os jornalistas de bestas. Enquanto seu cliente, de forma privilegiada, conversava comodamente em casa com delegado da Polícia Federal sobre sua ordem de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, o advogado, José Roberto Batochio, ex-presidente da OAB, atraiu os jornalistas para outro local dizendo que comunicaria uma “bomba”. Na verdade Palocci não queria ser incomodado pela imprensa. Se não fosse o achincalhe ao qual os jornalistas foram submetidos, o episódio lembraria aquela brincadeira de crianças: “enganei o bobo na casca do ovo”.

 Podemos contar com o Judiciário? Aqui relembro a séria questão por mim já levantada em artigos: o STJ tem julgado várias vezes não com base na da lei, mas de acordo com a vontade política do Executivo. Resta esperar que essa anomalia institucional termine com a saída de Nelson Jobim, que foi de uma fidelidade ímpar ao presidente Luiz Inácio.

Podemos contar com o Executivo? Isso é impossível no momento, pois que é o próprio governo do senhor Luiz Inácio que está desconstruindo os outros dois Poderes para se fortalecer cada vez mais. E sendo o governo petista a origem dos desmandos que hoje se observam, torna-se o Executivo o menos confiável dos Poderes.

O que resta então? Resta o principal, ou seja, o povo, cujos votos em outubro determinarão o fim do asco ou sua continuidade.

Terça, 04 Abril 2006 21:00

No Brasil o Crime Compensa

O que mais impressiona, porém, é que diante de todos esses fatos estarrecedores, essa corrupção nunca vista, esse descalabro que sepultou quaisquer noções de valor, Luiz Inácio continua o grande protegido da República.

Depois de nove meses a CPI dos Correios deu à luz um calhamaço de 1.839 páginas, que foram lidas durante horas pelo relator Osmar Serraglio (PMDB-PR). No documento, que ainda provocará discussões, sofrerá revisões e corre o risco de ser substituído por outro elaborado pelo PT, está o pedido de indiciamento de 118 pessoas. Entre elas, os ex-ministros petistas José Dirceu (que aparece como chefe do mensalão), Luiz Gushiken (o homem dos fundos de pensão), Marcos Valério (gerente da lavanderia petista), Delúbio Soares (ex-tesoureiro e bode expiatório do PT que resumiu todas as falcatruas a uma piada de salão), José Genoino (ex-presidente do PT acometido como muitos de seus companheiros por terrível amnésia, pois não nunca se recordou de ter assinado certos papéis comprometedores), Silvio Pereira (ex-secretário-geral do PT e apelidado de Silvinho Land Rover por conta de um régio presente de generoso amigo), Marcelo Sereno (também da cúpula do único partido ético que veio para mudar os maus costumes na política), Duda Mendonça (miraculoso propagandista que transformou Lulão voz de trovão em Lulinha de paz e amor, homem das brigas de galo e dos paraísos ficais).

O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Clésio Andrade (PTB-MG, vice-governador de Minas), também incluídos no documento, tiveram pedido de indiciamento por crimes eleitorais, que já estariam prescritos. Sobre o presidente Luiz Inácio e seu filho, o Lulinha, apenas sutis indícios de culpabilidade. De todo modo, o relatório prova que existiu o mensalão, coisa que o presidente da República sempre negou com veemência.

 Provavelmente os indiciamentos darão em nada, o que prova que no Brasil o crime compensa. Haja vista as absolvições dos mensaleiros saudadas até com dança como no caso da deputada petista, Ângela Guadagnin, que comemorou de forma exuberante o triunfo da impunidade.

Que aqui se recorde, que o governo do PT, partido que outrora era recordista em pedidos de CPIs, de tudo fez para impedir o funcionamento das atuais, enquanto Luiz Inácio se gabava de ser o presidente que mais combateu a corrupção. Para provar isso aconteceram algumas poucas prisões espetaculares, como a da dona da Daslu, loja de luxo freqüentada por senhoras petistas. Eram escândalos convenientes para distrair a opinião pública e encobrir aquele algo de podre no reino do Brasil.  

Mesmo depois de funcionando a CPI dos Correios, conforme queixa do relator Osmar Serraglio, teve sua ação dificultada por impedimentos de acesso a dados importantes. Houve também habeas corpus em profusão para os companheiros, que assim puderam mentir e não ser presos quando depunham.

Na verdade, ao longo do funcionamento das Comissões parlamentares de Inquérito ficou evidente muitas vezes que os entraves que prejudicaram o bom andamento dos trabalhos partiram não só da tropa de choque do PT no Congresso, mas do Judiciário através de sua instância mais alta, o Supremo Tribunal Federal onde se notabilizou por seus julgamentos o ex-presidente, ministro Nelson Jobim. E se o STF procede assim a conclusão é óbvia: no Brasil o crime compensa. Pelo menos para alguns.

A interferência mais contundente aconteceu quando, a pedido do senador Tião Viana (PT-AC), o ministro do STF, Cezar Peluso, mandou interromper o depoimento do caseiro Francenildo. É que o rapaz mostrava que o então ministro Antonio Palocci faltara com a verdade quando dissera nunca ter estado na mansão em Brasília onde estranhos negócios eram feitos pela chamada “República de Ribeirão”, e alegrados por garotas de programa.

Mas calar Francenildo não foi suficiente. Seu sigilo bancário foi violado e o ex-presidente da Caixa Econômica, o petista Jorge Mattoso, correu celeremente para levar o estrato bancário ao chefe Palocci. E enquanto a situação do ministro da Fazenda ia se tornando insustentável, manchetes de jornais anunciavam: “Ministro é inabalável’, garante o presidente”. “Planalto manda avisar que Palocci não deixa o cargo”. Era Luiz Inácio, que nada sabe e nada vê, sustentando o grande companheiro e “irmão” contra tudo e contra todos, até contra os numerosos processos que pensam sobre Palocci em Ribeirão Preto. Mesmo assim, o principal ministro do governo petista caiu de forma estrepitosa de seu alto pedestal. Ele não contava mais com o apoio da oposição. Na verdade, contra Palocci nunca esteve o PFL ou o PSDB, mas José Dirceu, Dilma Roussef, Guido Mantega (seu sucessor), Buratti e outros companheiros de Ribeirão Preto.

O que mais impressiona, porém, é que diante de todos esses fatos estarrecedores, essa corrupção nunca vista, esse descalabro que sepultou quaisquer noções de valor, Luiz Inácio continua o grande protegido da República. Foi protegido pelas oposições, pelo demolidor Roberto Jefferson, pelo relatório da CPI dos Correios. Não é à-toa que nos filmes às vezes o bandido exclama: vou fugir para o Brasil. Claro, aqui o crime compensa.

Sábado, 25 Março 2006 21:00

Dança Com Bobos

Fechar o Congresso Nacional não pelas armas, mas pelo golpe branco da desmoralização, parece plano de um governo cujo presidente crê que a Venezuela dá lições de democracia, que Fidel Castro é exemplo de democrata.

A deputada do PT, Ângela Guadagnin, guardiã da corrupção de seus pares no Congresso Nacional, dançou sobre o Brasil e convidou os bobos a dançar com ela quando comemorou de forma eufórica a absolvição de mais um dos companheiros acusados de receber do valerioduto a bagatela de R$ 425.950. Um pouco mais do que aquele troco de R$ 20.000 do deputado Luizinho, coitado, um “batedor de carteiras” conforme o próprio professor se definiu.

Ângela Guadagnin festejou a esbórnia em que se transformou seu partido ao assumir o poder mais alto da República e a dança grotesca simbolizou o triunfo da impunidade, o gosto pela imoralidade, o deboche que convida a todos os bobos que assistem impassíveis o governo a tripudiar sobre a Nação através de suas falcatruas e inverdades, a cair no batuque com ela.

Entretanto, mais do que uma expressão corporal, o gesto da deputada não deixa de ser preocupante, pois é como se a ditadura disfarçada do PT, que já se esboça nesse mandato, avançasse em passos ritmados sobre o Brasil. Afinal, a dança inusitada não deixa de traduzir a desmoralização do Congresso que cada vez mais afunda sob a impunidade de mensalistas comprados pelo Executivo. Este poder comanda através de Medidas Provisórias e tem no Judiciário o apoio necessário para enxovalhar o Legislativo com interferências humilhantes, sobretudo para os parlamentares que tentam imprimir decência em seus atos e julgamentos.

Fechar o Congresso Nacional não pelas armas, mas pelo golpe branco da desmoralização, parece plano de um governo cujo presidente crê que a Venezuela dá lições de democracia, que Fidel Castro é exemplo de democrata e que louva ditadores africanos por sua habilidade em permanecer no poder durante vinte ou trinta anos. E enquanto o projeto de manter Luiz Inácio lá prossegue, os bobos vão seguindo os passos da deputada que gargalha achando graça na aquiescência, na complacência e no que resta de entusiasmo popular para com o defensor dos pobres e oprimidos. Este segue discursando entusiasticamente em comícios, inaugurando pedra fundamental, buraco de estrada e, se duvidar, até ponto de ônibus.

Os rompantes presidenciais que maltratam o idioma, a gesticulação exagerada, a retórica dos tempos de porta de fábrica, entendidos como características carismáticas são aplaudidos por uma claque composta geralmente por pessoas humildes, recrutadas nos grotões. Estas, as quais são dadas migalhas em forma de esmolas oficiais, por certo ignoram que um caseiro também humilde teve sua boca amordaçada pela justiça petista e sua vida vasculhada com a quebra ilegal (sem permissão judicial) de seu sigilo bancário, uma afronta que viola os direitos de todos os cidadãos que agora ficam claramente a mercê das devassas do governo como big brothers incautos da República Sindicalista.

Não contentes em quebrar o sigilo bancário de Francenildo Santos Costa, que denunciou a presença do “chefe” Palocci na mansão de Brasília transformada ao mesmo tempo em centro de negociatas e bordel, estão também investigando o rapaz através da quebra de seus sigilos fiscal e telefônico. Segundo a Polícia Federal há suspeita que Francenildo lavaria dinheiro por terem sido encontrados em sua conta bancária R$ 25.000. Isso apesar de tal quantia ter sido depositada por seu pai biológico. Em contraste com tais ocorrências, os sigilos bancários de Okamottos e demais companheiros são resguardados pelo STF. Esse Tribunal também permite a luminares petistas, convocados pelas CPIs, mentir a vontade e não serem presos.

Já sobre o humilde nordestino o PT desceu sua pesada mão ditatorial. É que o caseiro foi longe demais. Ousou denunciar as mentiras do último pilar que resta no governo petista. Já caiu o braço esquerdo do presidente Luiz Inácio na pessoa de seu “gerentão”, o ex-todo-poderoso José Dirceu. Se cair o braço direito, Antonio Palocci, o homem que soube agradar o mercado, os banqueiros e os especuladores, a crise poderá chamuscar pela primeira vez o presidente da República que naturalmente não quer perder a cabeça.

Apesar de tudo, não faltam aqueles que afirmam triunfantes que hoje ganharia o Lulão voz de trovão, porque os bobos estão dançando contentes com a deputada Guadagnin. Em todo caso, já aparece uma luz entre as trevas que se abatem sobre o Brasil. Contra a força de um PT sem escrúpulos, sem medidas e sem moral, começa a brilhar a democracia através da possibilidade de escolher em outubro em outro governante. E através da alckmia que provém das escolhas livres e conscientes, novos alckmistas têm a chance de provar que não somos um país de bobos.

Que não se caia em outra armadilha: o voto nulo que retira votos do adversário do PT. Estejam, pois, os eleitores, atentos. Que não passem outra vez recibo. Se não, ficaremos todos a dançar não sei por quanto tempo porque sempre os justos pagam pelos eleitores.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.