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Luiz Leitão

Luiz Leitão

Luiz Leitão da Cunha é administrador e consultor de investimentos, sendo articulista e colunista internacional, especialmente para países lusófonos. É colaborador do Jornal de Brasília, Folha do Tocantisn, Jornal da Amazônia, Diário de Cuiabá, Publico (Portugal), entre outros.

Segunda, 31 Outubro 2005 21:00

Anistia Ampla, Geral e Irrestrita

Lula planeja a sua reeleição e já tem até planos para Luiz Gushiken! Poderão ser todos reabilitados, pasmem.

Em vários e insistentes artigos, tenho mencionado a possibilidade de estar ocorrendo um grande acerto, uma espécie de anistia ampla, geral e irrestrita no Parlamento para que muito pouco se apure de uma montanha de denúncias, dezenas de milhões de dólares e reais generosamente distribuídos por quase uma centena de parlamentares, a acreditar na versão do deputado cassado Roberto Jefferson.

O cientista político Fabio Wanderley Reis, da UFMG -Universidade Federal de Minas Gerais, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo (31/10, A-7), apresenta vários argumentos que apóiam a tese acima, e sendo assim, fica difícil acreditar que algum parlamentar venha a merecer o nosso voto, como uns poucos que realmente têm mostrado serviço nas CPIs e fora delas. Mas uns poucos não resolvem a questão porque as decisões do Congresso são tomadas pelas maiorias.

Reis diz lamentar a forma como os partidos [todos eles] encaram o caixa dois, vale dizer, como um crime “menor”. Não apenas não é menor como leva a outros piores, como assassinatos, diz, numa referência ao caso Celso Daniel e ao assassinato da modelo Cristiane Ferreira, relacionado, segundo ele, com a campanha do PSDB de 1998.

Recordando, a moça foi morta em agosto de 2000 e seus familiares contaram ao promotor que cuida do caso, Francisco Santiago, que ela carregava com freqüência malas com conteúdo suspeito, e seu irmão disse que ela revelou certa vez estar de posse de 1,3 milhão de reais em dinheiro. A documentação que contém os depoimentos já está em poder da CPI dos Correios. O ex-noivo da vítima foi acusado pelo ministério público mineiro. Sabe-se, entre outras coisas, que ela teve contato com vários políticos de Minas Gerais.

Compreende o leitor quando digo que PT e PSDB se parecem cada vez mais? Que malas de dinheiro já transitavam desde 1998, ou antes?

Wanderley Reis diz que “investigar a fundo o caixa dois é algo que não interessa a ninguém” Daí o desinteresse em exumar a CPI do Banestado. Diz reis ainda que “A CPI parece mais uma manobra para levar à acomodação entre os partidos”.

O cientista ressalta que “O grosso do eleitorado de Lula é tosco no sentido de pobre, desassistido, sem condições de se inteirar sobre assuntos políticos”. Isto é quase uma obviedade, mas às vezes deixamos de enxergar o óbvio.

É este público que é cooptado pelos programas assistencialistas como o bolsa família. Este é o capital eleitoral de Luiz Inácio, comprado com dinheiro público, como comprou o apoio de deputados, com a ressalva de que estes recursos ao menos vão para quem precisa, mas absolutamente não resolve a vida deles.

Finalizando, Reis diz algo que já foi dito por outros: “No momento em que Waldomiro Diniz foi pilhado e Lula não deu um soco na mesa, começou a jogar fora o capital ético simbólico do PT”.

Perfeitamente, de pleno acordo, mas como poderia Luiz Inácio tomar tal atitude se a hipótese de estar comprometido com doações ilegais de campanha desde 2002 ganha corpo a cada dia? Ou seja, se sabia de tudo?

A democracia passa muito longe desta história torpe, pois não é de crer que ela existe quando um candidato é apoiado por um banco ou uma empreiteira. Por isso não pode haver contribuição de empresas ou pessoas físicas nem o emprego de recursos próprios, pois um candidato rico como alguns políticos que não raro são também empresários ou bispos teriam inadmissível vantagem sobre alguém sem recursos próprios.

Enquanto as contribuições forem permitidas sempre haverá alguém disposto a contribuir por fora, e outro alguém inclinadíssimo a aceitar. A saída passa pelo financiamento público das campanhas, que devem ser frugais, e por uma implacável fiscalização da Justiça Eleitoral, que, pelo jeito, não houve. E mais: todos os partidos e candidatos devem ter seu sigilo bancário e fiscal permanentemente abertos à disposição do Ministério Público, do início até o final da campanha e do mandato, para os eleitos.

Como se diz, a história sempre se repete, e se não forçarmos a mudança nas regras deste jogo sujo, é praticamente certo que continuaremos a assistir impotentes a espetáculos degradantes como o que está em cartaz há cinco meses.

Lula planeja a sua reeleição e já tem até planos para Luiz Gushiken! Poderão ser todos reabilitados, pasmem.

Mas uma coisa é certa: se quisermos que as coisas melhorem, não adianta pregar o voto útil, aquele em que se vota no candidato menos pior. Isto já aconteceu várias vezes.Alguém viu um resultado bom quando o eleitorado lançou mão deste artifício?

Acredite o leitor, para votar mal, para votar por votar, mais vale anular o voto. Votar em branco também não é solução.

Esmiuçaremos o assunto no próximo artigo, “O botão que faltou”.

Sábado, 29 Outubro 2005 21:00

Suprema Ingerência

Imagine o leitor a força tirânica que Lula da Silva poderá ter se ganhar mais quatro anos tendo indicado oito membros da mais alta corte do país.

Começa a soar estranha a maneira como o Supremo Tribunal Federal, que sempre é bom lembrar, é uma corte política, com vários de seus membros nomeados pelo presidente Lula:  Joaquim Gomes Barbosa, Carlos Ayres de Britto, Antonio Cezar Peluso e Eros Roberto Grau; se for reeleito, poderá nomear mais quatro. Imagine o leitor a força tirânica que Lula da Silva poderá ter se ganhar mais quatro anos tendo indicado oito membros da mais alta corte do país.

Porque  tanta fidalguia, ainda que ciclotímica, em relação a Dirceu? Se na semana passada houve a patética sessão em que o presidente do STF, Nélson Jobim, perdeu – e mostrou-se mau perdedor – a parada num julgamento de mandado de segurança impetrado pelo ex-ministro, nesta semana, o último nomeado por Lula para o STF, ministro Eros Grau, determinou que o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) refaça o seu relatório – muito bem feito por sinal – aprovado hoje por vasta maioria pelo Conselho de Ética da Câmara, sob pena de anulação da sessão co Conselho.

Rápido no gatilho, como nos tempos de guerrilheiro-terrorista, Dirceu impetrou o pedido de mandado de segurança logo cedo nesta manhã de quinta-feira, ao saber de sua derrota no Conselho. Ligeiríssimo, o ministro deferiu a liminar e mais uma a vez a Justiça imiscuiu-se, deu uma bofetada no Poder Legislativo.

O  deputado Ricardo Izar (PTB-SP), que é o presidente daquele Conselho manterá o relatório como está, o máximo que cedeu foi fazer uma nova reunião do Conselho na segunda-feira.

É preciso tentar perscrutar a mente doentia de Dirceu pra tentar captar as intenções de tanto apego ao mandato, com tamanha exposição de sua pessoa. Talvez o grande temor seja, ao perdê-lo, ficar sem este foro privilegiadíssimo, o STF.

Pretenderia ele angariar  mais algumas parcas simpatias, como a ridícula visita ao Congresso de alguns gatos pingados da classe artística portando um minguadíssimo, meramente simbólico manifesto de apoio com a risível quantidade de 90 assinaturas?

Quanto mais se debate, mais afunda o dono não assumido do Partido dos Trabalhadores, com a nova investida do Ministério Público, que vem acusá-lo, e a seu velho amigo e assessor Waldomiro Diniz de haverem favorecido a candidatura de seu rebento, Zeca Dirceu, eleito com esmagadora maioria prefeito da Cidade  paranaense de Cruzeiro D’Oeste, onde ele viveu clandestino antes da anistia.

Agarrado à pretensamente salvadora bóia do Supremo, fica brandindo o argumento de que não há provas contra ele, quando as há aos montes.

No caso do paitrocínio, com perdão pelo trocadilho, há inúmeras irregularidades em processos de convênios com autarquias para favorecer municípios abençoados com a prestimosa e sempre desinteressada assistência de Zeca Dirceu. Há o testemunho da assessora de um deputado federal, dando conta de que cedia seu telefone celular para que Waldomiro e Zeca se falassem sem deixar pistas, aquelas que a quebra  do sigilo telefônico revela.

Tráfico de influência – e que influência, de um homem que chegou a mandar mais no país do que o presidente da República, o qual, peripatético, passou-lhe a faixa presidencial e foi viajar até mais não poder - é o nome do jogo, onde o nome do representante dos beneficiados aparecia com as iniciais JCB, de José Carlos Becker, o filho de Dirceu.

Motivos para lutar contra a fortíssima correnteza das evidências o deputado tem de sobra; se Luiz Inácio se reeleger e Dirceu escapar à cassação, poderá ter alguma sobrevida política, mas jamais voltará a ser o semideus que foi, pois se há juízes que chegam a advogar em seu favor e artistas a cultuá-lo, um eleitorado que se preze não haverá de conferir-lhe um novo mandato.

Segunda, 24 Outubro 2005 21:00

A Imagem e Semelhança

E mesmo frente à ação das CPIs, a audácia continua, pois no quesito moralidade, até no recém criado Psol já há denúncia de corrupção.

A respeito dos partidos políticos e boa parte de seus integrantes, pode-se dizer que foram feitos e agem à imagem e semelhança uns dos outros. Ficou muito patente a imagem de useiros e vezeiros de práticas pouco recomendáveis de integrantes do PT, não só os investidos de mandato popular, mas secretário, tesoureiro, e outros.

Como também não pairam dúvidas sobre a venalidade de parlamentares do PP, do PL, do PMDB (vide declaração do senador Renan Calheiros, de que está segurando documentação do Banestado a pedido do governo), e por que não dizer, do PSDB, cujos integrantes tentaram por todos os meios permanecer à margem das pesadas acusações que caíram sobre as cabeças  de muitos dos nobres deputados, embora se contem nos dedos os que serão efetivamente punidos.

Afinal, fica cada dia mais claro que um dos primeiros usuários dos serviços não oficiais do publicitário Marcos Valério foi o hoje senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que por seu tesoureiro Cláudio Mourão Silveira, se não inaugurou o esquema do valerioduto, ou até foi seu mentor,  foi um dos primeiros beneficiários, dele tendo tomado “emprestados” alguns muitos milhões para sua fracassada campanha para a sua reeleição ao governo das Gerais em 1998.

Não é que o senador tucano Eduardo Azeredo encontrou um amigo solícito que disse ter assumido um empréstimo junto ao Banco Rural – sempre o Rural, não é coincidência? Nove entre 10 políticos têm uma estranha preferência por este banco. Pois o ministro do Turismo, que Walfrido dos Mares Guia disse ter tomado um empréstimo de R$500 mil para ajudar o amigo.

Disse o ministro que emprestaria de novo, caso necessário. Com uma pontinha de desfaçatez, disse que amigos emprestarem dinheiro entra si é a coisa mais comum do mundo. Pode até ser, uns trocados, ou até uns poucos mil reais, é normal, sim, quando não põe fim a amizades. Mas R$500 mil não é exatamente um empréstimo comum.

Mas o problema de Azeredo é um tanto maior, monta à dezena de milhão, e não a meros 500 mil reais. Estão discutindo bobagens, ante o tamanho das cifras que envolvem o tucano até o pescoço.

O ex-tesoureiro petista Delúbio, goiano, prestou serviços “não remunerados”, certamente por puro altruísmo, ao governo de Goiás (Marconi Perillo, PSDB-GO).

Desde quando o governo de um Estado precisa dos serviços de um singelo professor de matemática  que ganha um salário oficial de R$1,3 mil, sem trabalhar? Que tanta dependência tinha este governo tucano para trocar mais de cem telefonemas com Delúbio Soares?

E mesmo frente à ação das CPIs, a audácia continua, pois no quesito moralidade, até no recém criado Psol já há denúncia de corrupção contra o senador Ariovaldo Mesquita (Psol-AC), que é acusado de exigir um  mensalinho de 40% do salário dos funcionários lotados em seu gabinete, fato que a senadora Heloísa Helena mandou apurar com rigor.

Toda a politicalha abusa porque conta com o beneplácito de leis feitas por eles mesmos, e também com a obsequiosidade de certos julgadores.

Bem diz o deputado Júlio Redecker (PSDB-PR) que um observador mais atento perceberá que não se deseja chegar a lugar algum (nas apurações e punições).

Mas isto não se pode dizer do senador Delcídio Amaral (PT-MS) – embora em certo momento, lá atrás, tenha parecido que estava fazendo corpo mole – e do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), que vão juntos despencar-se até Nova York para tentar persuadir as autoridades americanas a permitir que a CPI utilize os documentos da conta de Duda Mendonça em suas investigações - novamente o apego às firulas jurídicas  a atrapalhar a busca da verdade.

Isto porque a promotoria de Nova York impediu o acesso das CPIs à quebra de sigilo da conta Düsseldorf de Duda Mendonça, outra filigrana jurídica como no caso da Suíça em relação aos extratos de Maluf, que “não podem” ser utilizados no processo criminal que contra ele corre na 2ª vara do TRF-SP, de onde se expediu seu mandado de prisão.

Agora a desculpa é que o pedido foi feito pelo DRCI - Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional do Ministério da Justiça, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Ora, que lógica tacanha, acaso as  diversas instâncias investigativas não devem se comunicar e trocar informações?

É o mesmíssimo caso da Suíça, que envia documentos sob condições, imiscuindo-se na soberania brasileira.

Se for para ajudar assim, muito obrigado, e depois não reclamem nem façam alegações irresponsáveis de que o Brasil se omite no combate ao crime organizado.

Quarta, 12 Outubro 2005 21:00

O Anel Que Tu Me Destes

O PT-Governo, quando diz que vai fazer algo de bom, dá um anel de vidro à população, como aquele da velha canção, “o anel que tu me destes era vidro e se quebrou...”.

Para o governo federal, sempre tão seriamente empenhado em equilibrar suas contas, fazendo o tal superávit primário, ter dinheiro disponível para gastar é uma coisa que “depende”.

Por exemplo, se for para comprar a eleição de Aldo Rebello (PCB-SP) à presidência da Câmara por meros 1,5 bi, tem. Para isto, o ministro da fazenda, Antonio Palocci, por tantos chamado de pão-duro abriu o cofre e disponibilizou a portentosa quantia para os parlamentares, que por sua vez utilizarão estes recursos para fazer as vontades de seus patrocinadores – leia-se doadores de campanha, oficiais ou não; caixa um ou caixa dois.

Para a inacreditável inutilidade da transposição do rio São Francisco, que irá custar outros 4,5 bi, também tem dinheiro, e mais que isso, a boa vontade do IBAMA, que leva séculos para aprovar um projeto privado de usina hidrelétrica, mas deu seu aval ao governo-patrão num passe de mágica, pois 2006 está aí, com as eleições.

A obra do velho Chico é uma loucura ecológica e de engenharia que vai exigir a perfuração de quilômetros de rocha, a elevação de água a 300 metros acima do nível do mar – o que obviamente consome energia – e outros absurdos para prover água a R$2,13/m³, quando a empresa estatal CODEVASF já faz isso por apenas R$1,11/m³, exatamente a metade do preço! Mas em ano eleitoral, R$4,5bi são uma bela máquina de captação de contribuições de campanha, tanto legais como ilegais; afinal, que diferença faz, não é mesmo? Segundo Lula da Silva, caixa dois é normal, todos os partidos fazem...

Já para trazer reais benefícios à população, a resposta ao “depende” é “não”. Um bem sonoro não, como ouviu o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, ao mendigar ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, verbas a que seu ministério teria direito, especialmente para a defesa sanitária, que deveria ser contemplada com R$160 milhões e teve até agora apenas 90 milhões. Com isto, o Estado de Mato Grosso do Sul deixou de receber verbas para o controle sanitário animal e um surto de febre aftosa (que não afeta humanos) instalou-se no Estado, prejudicando as exportações não só do MS, mas de SP, PR e outras unidades da federação. Centenas de bovinos já foram e estão sendo sacrificados. Uma economia porca que resultou em prejuízos brutais para os fazendeiros, frigoríficos e para o país, que é o maior exportador de carne. Todos sabem o tempo e o custo da reconstrução da imagem, um dano acessório, conseqüência direta da irresponsabilidade de nosso ministro pão-duro.

Também embute um “não” disfarçado uma manobra velhaca do governo, onde algumas figuras já conhecidas do eleitorado se abstiveram de votar a tal MP do Bem, que, entre outras coisas, permitiria a compra de computadores “populares” por até R$2.500,00 com menos impostos.

Mas, como toda bondade deste governo acaba se revelando uma maldade, e toda verdade é, no fundo, uma grande mentira, a MP do Bem trazia em seu ventre uma grandessíssima sacanagem, especialmente com os aposentados: Ela embutia um artigo, de autoria governista, que obrigava ao adiamento para o ano seguinte dos pagamentos das causas de valores até R$18.000,00, que, até então, eram pagas em até 60 dias a quem conseguisse a revisão judicial de sua pensão.

Ora, mas o deputado governista Arlindo Chinaglia (PT-SP) alega que isso iria duplicar o custo da MP do Bem, que saltaria de R$3 bi para R$6 bi. Mas Chinaglia é desonesto ao deixar de dizer que esse aumento é muito menos do que a soma da compra da eleição de Aldo Rebello (R$1,5bi) com o custo da faraônica transposição do São Francisco (R$4,5 bi). Tudo somado dá 6 bilhões, um gasto que é o dobro do “prejuízo” que Chinaglia alega seu partido-governo viria a ter com a MP do Bem. Sem contar as perdas com as exportações de carne que perderemos por causa da febre aftosa.

E como é bom botar os pingos nos is, lá estavam de plantão, se abstendo de votar para não haver quorum, o grande algoz dos velhinhos, o deputado e ex-ministro da Previdência  Ricardo Berzoini, agora também presidente do PT; além dos cassáveis Luiz Carlos Silva, vulgo “professor” Luizinho (PT-SP), José Mentor (PT-SP) e outros.

Chinaglia ainda teve o desplante de atribuir à oposição a culpa pelo prejuízo imposto à sociedade.

O PT-Governo, quando diz que vai fazer algo de bom, dá um anel de vidro à população, como aquele da velha canção, “o anel que tu me destes era vidro e se quebrou...”.

Terça, 11 Outubro 2005 21:00

Renúncia Premiada

De todo este festival de mentiras, alucinações, desmentidos, eufemismos, etc, a única verdade é que não houve empréstimos de verdade ao PT. A grande questão é esta: de onde veio (mesmo) a grana?

Lá vem a turma governista com seus eufemismos de quinta categoria para tentar desclassificar os acusadores e as acusações que pesam sobre os membros do partido, PT e aliados, aliás, o número de cassáveis vai encolhendo, de 18 passaram a 13. Com as prováveis renúncias premiadas – que tal este eufemismo? – o número pode ainda cair para mais ou menos metade.

O ministro da Justiça, Thomaz Bastos deu sua  modesta contribuição à nova estratégia partidário-governista dizendo que o delator é suspeito, ou algo assim, porque quem delata quer sempre algo em troca. Pois sua excelência poderia consultar, em qualquer dicionário da língua portuguesa, os termos delatar e denunciar, e perceberá –mas talvez não admitirá – que são sinônimos. Denunciar: do latim, denuntiare: acusar em segredo, delatar, divulgar.

Não foi o governo mesmo quem instituiu o disque-denúncia para a população delatar ou denunciar criminosos? Que interesses têm os denunciantes anônimos? Que se faça justiça, que fiquem livres de criminosos. Já o pessoal da delação premiada tem um interesse, a redução de suas penas, mas está na lei: terá o denunciante o benefício desde que, comprovadas as denúncias, resultem na identificação de terceiros envolvidos em crimes.

Já o novo presidente da Câmara, Aldo “Saci” Rebello, do alto de sua insignificância, subserviência e desfaçatez, atreve-se a duelar com a realidade, dizendo nunca ter havido mensalão( na sua eleição para a presidência da Câmara não houve mesmo, o pagamento foi à vista). A última pessoa que poderia acreditar nele faleceu há poucos dias, a velhinha de Taubaté. Aldo não tem pudor, não tem coerência nem respeito pelo público, pois se tivesse, já ter-se-ia declarado impedido de presidir o julgamento de Dirceu, já que é sua testemunha de defesa e já foi também seu desafeto. Aí está uma pessoa de rara coerência...

O PT corre o risco de ser presidido por Ricardo Berzoini, que quando foi ministro da Previdência, maltratou os velhinhos, obrigando-os a ficar em filas quilométricas, debaixo de sol, para se recadastrarem. A coisa pegou mal, é claro, mas ele não teve a humildade de se desculpar. Agora, patrocina a renúncia premiada, bem em consonância com sua personalidade e seu passado.Com ele na presidência, o PT será mais do mesmo.

Ainda na linha do teatro do absurdo, José Dirceu, que deveria consultar um psiquiatra com certa urgência, inovou no conceito de inocência progressiva (estou cada vez mais convencido da minha inocência, disse). Lembre-se o leitor de que Dirceu resolveu processar um dos irmãos de Celso Daniel por calúnia e depois pediu à Justiça para ser dispensado da audiência.

E seguem as mentiras, Gilberto Carvalho, secretário de Lula da Silva, nega peremptoriamente haver entregado 1,2 milhão em dinheiro ao chefe da quadrilha, José Dirceu. Mas será acareado com os irmãos do prefeito assassinado, o que irrita e contraria Lula. Ora, o que há  a temer? Não são todos tão probos, não é tudo uma enorme orquestração? Pois a verdade virá à tona. Se os culpados serão punidos é outra história – Severino já foi indiciado pelo crime de corrupção?

Óbvio que não só os governistas, mas outros deputados, se puderem, darão uma mãozinha para salvar a pele dos colegas.

Aos convenientemente míopes olhos dos implicados, não houve nada; no máximo caixa dois, não teve contrato ilegal da Caixa com a empresa Gtech , quando a estatal já tinha tecnologia para gerir o sistema de apostas por si, não houve saque significativo do deputado Luiz Carlos Silva, o “professor” Luizinho, foram “só” 20  mil; Adhemar, o irmão do ministro Palocci, não teve contatos com o dono da seguradora Interbrazil – destaque-se o ridículo do Brasil com “z” – que fez doações a múltiplos partidos em Goiás, à época em que ele era secretário das Finanças da prefeitura de Goiânia. Das Finanças, caro leitor.

Foi prometido não se fazer aqui mais comentários sobre as bobagens ditas por Lula, a não ser que valessem a pena. Pois vamos lá: Sua excelência, num outro surto de incontinência verbal, saiu-se com esta: “Qual governo na história deste país funcionou com três CPIs funcionando ao mesmo tempo? “.

E qual governo deste país, presidente, teve três CPIs (ao menos como estas, que tratam de assuntos brabos) ao mesmo tempo??

De todo este festival de mentiras, alucinações, desmentidos, eufemismos, etc, a única verdade é que não houve empréstimos de verdade ao PT. A grande questão é esta: de onde veio (mesmo) a grana?

Com a contratação de empresas de auditoria para prestar assistência técnica aos parlamentares na análise da documentação das CPIs, muita coisa de real substância poderá vir à tona; acabou-se, ou quase, o show diário dos depoimentos, substituído pelas ridículas  tentativas de maquiar a realidade.

Domingo, 02 Outubro 2005 21:00

Mais Do Que Abuso

Acabamos de assistir a mais um escandaloso espetáculo de compra de votos na Câmara, patrocinado pelo governo Lula, que já deu eloqüentes amostras de que não aprende mesmo.

Acabamos de assistir a mais um escandaloso espetáculo de compra de votos na Câmara, patrocinado pelo governo Lula, que já deu eloqüentes amostras de que não aprende mesmo. Para eleger Aldo “Saci Pererê” Rebello – ao final do artigo explico o porquê do apelido - presidente, que certamente demonstrará uma obsequiosidade e fidalguia ímpares com a Situação, Lula da Silva liberou 1,5 bilhão de reais aos deputados. O primeiro lance, de tímidos 500 milhões havia sido rejeitado, claro que não explicitamente, nos bastidores, onde se urdem as tramas que nem sempre o eleitorado nota.

Bem, o que é tratado não é caro, diz o ditado, e fez-se negócio por 1,5 Bi que o mestre Palocci vem “regulando” com mão de vaca. Há poucos dias, o telefone da Anatel -Agência Nacional de Telecomunicações foi desligado por falta de pagamento (!!). Alguém notou o ridículo da situação e quitou o débito.

Vejamos agora quantos deputados serão cassados na gestão de Aldo Rebello (PC do B-SP), mas quem fitar os olhos dos denunciados notará um semblante menos carregado.

Chegou-se ao absurdo de negociar - esta é a palavra – a devolução de cargos tomados dos partidos em face das denúncias de corrupção. Ridículo, Aldo Rebello diz que “negociar verbas é ato ordinário”  – perfeitamente, se considerarmos o sentido pejorativo da palavra.

Então o mensalão virou atacadão, faz-se tudo ás escâncaras, as reputações já estão mesmo imundas, que diferença fará um respingo a mais ou a menos de lama?

As decisões de Lula são absolutamente irresponsáveis, nomeou para o Supremo Tribunal Federal o advogado (não juiz de carreira, como deveria ser, fossem outras as leis e os costumes) Eros Roberto Grau, que responde a processo e foi condenado em primeira instância pela 7ª Vara da Fazenda Pública por prejuízos aos cofres públicos em decorrência de contratos do quais ele e outros participaram. Cabe recurso e o douto ministro surpreendeu-se com a condenação. Quando Lula o nomeou, a ação já corria, portanto, voltamos aqui à questão da mulher de César. O Brasil está na inusitada situação de ter um ministro do Supremo condenado em primeira instância, quando sequer uma empresa qualquer que se preze contrataria um executivo que responde a processo. A culpa não há de ser de Luiz Inácio, tampouco de Grau. Decerto, cabe à juíza, quem mandou condenar tão famoso magistrado...

E como se não bastasse, temos denúncias de patrocínio de empresas de saúde a viagens ao Chile para altos magistrados, que julgariam causas de interesse das empresas. As desculpas, sempre esfarrapadas, é de que foram ver como é o sistema previdenciário naquele país.

Houve outras viagens e estadias, com valores que somam coisa de 3.600 reais, arredondados.

Ora, será que estas majestades, perdão, magistrados, não podem colocar a mão no bolso, vez que já têm o inaceitável, escabroso, acintoso privilégio de andar de automóveis Ômega importados, de R$150.000,00, com motorista e gasolina pagos pelo Estado, e mais outras mordomias?

A insensibilidade destes homens é uma afronta semelhante àquela em cartaz, onde os parlamentares dão mostras de não estarem nem aí com a população, onde Lula libera verbas que, se não necessitasse prementemente ir às compras, estariam sob a guarda Palocciana.

Esperemos que os eleitores se recordem destes tristes cento e tantos dias, se não se alongarem, para dar um estrondoso não nas urnas de 2006, anulando seus votos.

Votar em quem? Dos outrora 300 picaretas de Lula, hoje temos, entre os 513 deputados, quem sabe uns 500? Pois Lula disse uma coisa e fez outras, chamou-os de trapaceiros e os comprou. Fez  o inimaginável em política, superou o mais mal-intencionado mandatário deste país; jogou no lixo, por soberba, por falta de humildade e preparo – que poderia ter conquistado sendo antes prefeito e governador, por exemplo – a chance única de ser um estadista.

 

*Ficamos devendo ao leitor a explicação do apelido de Aldo. Ele é autor de um projeto de institui o dia 31 de Outubro como o Dia do Saci, em contraponto ao Halloween, cada vez mais comemorado no Brasil. Também é autor de um projeto americanófobo, proibindo o uso de várias expressões em inglês aqui no Brasil. Este é o presidente da Câmara dos Deputados do Brasil.

Terça, 13 Setembro 2005 21:00

Afronta ao Eleitorado

O leitor que acompanha o desenrolar das apurações das três CPIs em cartaz deve estar se perguntando por que razão alguns daqueles que integram o modesto rol dos culpados são protegidos por uma legislação criada por seus pares.

Quinta, 01 Setembro 2005 21:00

Dilma, as Estatais e a Reforma Política

Esta reforma de fato deve ser exigida de nossos parlamentares em caráter de urgência urgentíssima, com a mesma presteza com que aumentam seus salários, para que possamos ter eleições limpas em 2006.

Quinta, 25 Agosto 2005 21:00

Dize-me Com Quem Andas

Como se pode perceber, a verdade brinca de esconde-esconde nas mãos de nossos parlamentares-investigadores, ao sabor de suas conveniências – e conivências.

Sábado, 20 Agosto 2005 21:00

No Piloto Automático

A questão que se impõe é se o eventual novo comandante da economia irá ou não desligar o botão do piloto automático.

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