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02 Out 2005

Espelho, Espelho Meu...

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Que nas próximas eleições o povo olhe para o espelho e se lembre do passado político dos que hoje dominam o País e mostram qualquer sintoma de debilidade no funcionamento de seus cérebros.

A testemunha de defesa de José Dirceu, ex-articulador político do Planalto e candidato governista à presidência da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), obteve 258 votos contra os 243 do candidato da oposição, José Thomaz Nonô (PFL-AL), e foi eleito. Lula entrou na disputa. Foram R$ 500 milhões para emendas de deputados e cooptação do PL com liberação de R$ 1 bilhão para o Ministério dos Transportes, de Alfredo Nascimento, indicado do partido acusado de receber o mensalão.

Conheci Rebelo enquanto participava de um congresso na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele estava sentado à mesa de debate ao lado de duas professoras doutoras a fim de defender o então esdrúxulo projeto pelo qual se proibiria o uso de estrangeirismos na língua portuguesa. Estávamos sendo dominados pelo inglês e isso é blasfêmia aos olhos de um comunista convicto. Se o domínio fosse russo, espanhol com sotaque cubano, coreano, chinês, ou até mesmo quem sabe, albanês, tudo bem. Rebelo chegou a dizer que quando éramos influenciados pelo francês a dominação, pelo menos, era “chic”.

Esqueceu-se, o nobre deputado, de que os árabes invadiram a Península Ibérica, cuja dominação perpetuou-se por 700 anos. Legaram uma riquíssima herança cultural como a bela arquitetura do Islã, comida, danças, música etc.; mas nem por isso o árabe é falado por lá hoje. A Grécia foi dominada pelos Otomanos por 300 anos e não se fala turco por aquelas plagas; e para dar um exemplo bem atual, nem mesmo a China comunista, do partido de Rebelo, destruindo aspectos culturais e controlando o Tibete com mão de ferro há 50 anos, conseguiu fazer que o chinês seja a língua do local.

Quando as doutoras contrariaram Rebelo afirmando que estrangeirismos não são proibidos por força de lei, mas sim por escolas de qualidade, professores bem remunerados, investimentos em pesquisa e extensão, seriedade em políticas públicas de educação etc., o bravo deputado se levantou e começou a berrar dizendo que sabia muito bem o que fazia com seu mandato.

Já em Brasília, durante a votação, correu a notícia de que o deputado Ciro Nogueira (PP-PI) telefonou para Severino Cavalcanti comunicando adesão a Rebelo. Severino teria festejado por conta da certeza de que terá os recursos prometidos pelo governo para gastos de sua futura campanha a deputado federal e obras em currais eleitorais. Na Internet, a notícia era de que assim que começou a apuração do segundo turno, o líder do PCdoB e irmão de Renan Calheiros, Renildo Calheiros, e o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, festejavam com José Janene (PR), líder do PP. Calheiros teria dito a Janene: “Se não fosse você, não sei não.”

Palavras de Roberto Freire, presidente nacional do PPS: “Esta casa é louca, esquizofrênica. Está pronta para eleger o ministro e ex-coordenador político de um governo que pagava mensalão aos deputados. Não é o pizzaiollo que sentará na cadeira de presidente da Câmara. É o próprio chefe de cozinha.”

Mais contundente foi Jair Bolsonaro (PP-RJ). Citou trechos de uma entrevista em que Milton Neves pergunta ao sindicalista Lula se ele tem pena de Collor. “Tenho. Não é que eu tenho pena. Como ser humano eu acho que uma pessoa que teve a oportunidade que aquele cidadão teve de fazer alguma coisa de bem para o Brasil, um homem que tinha respaldo da grande maioria do povo brasileiro, ou seja, ao invés de construir um governo, construiu uma quadrilha como ele construiu, me dá pena porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor. Efetivamente eu fico com pena porque eu acho que o povo brasileiro esperava que essa pessoa pudesse, pelo menos, conduzir o país senão a soluções definitivas, pelo menos a indícios de soluções para os graves problemas que nós vivemos. Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar a corrupção fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões de brasileiros por terra. Mas de qualquer forma eu acho que foi uma grande lição que o povo brasileiro aprendeu e eu espero que o povo brasileiro, em outras eleições, escolha pessoas que, pelo menos, eles conheçam o passado político”. Bolsonaro sugeriu a Lula que repetisse a resposta olhando para o espelho.

As abertas negociações de Lula com partidos do mensalão – inclusive empenho de R$ 100 mil à emenda de Valdemar da Costa Neto, quem renunciou para escapar de cassação -, promessas de liberação de indicações para o Ministério das Cidades, de cargos e verbas para projetos, nossos representantes, que por maioria se apresentam como agentes públicos de interesses privados, homens com respaldo da população e com oportunidade de mudarem o Brasil, jogam por terra o sonho de milhões de brasileiros. Há quem diga que os políticos são o reflexo da sociedade.

Que nas próximas eleições o povo olhe para o espelho e se lembre do passado político dos que hoje dominam o País e mostram qualquer sintoma de debilidade no funcionamento de seus cérebros. Espelho, espelho meu...

A testemunha de defesa de José Dirceu, ex-articulador político do Planalto e candidato governista à presidência da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), obteve 258 votos contra os 243 do candidato da oposição, José Thomaz Nonô (PFL-AL), e foi eleito. Lula entrou na disputa. Foram R$ 500 milhões para emendas de deputados e cooptação do PL com liberação de R$ 1 bilhão para o Ministério dos Transportes, de Alfredo Nascimento, indicado do partido acusado de receber o mensalão.

Conheci Rebelo enquanto participava de um congresso na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele estava sentado à mesa de debate ao lado de duas professoras doutoras a fim de defender o então esdrúxulo projeto pelo qual se proibiria o uso de estrangeirismos na língua portuguesa. Estávamos sendo dominados pelo inglês e isso é blasfêmia aos olhos de um comunista convicto. Se o domínio fosse russo, espanhol com sotaque cubano, coreano, chinês, ou até mesmo quem sabe, albanês, tudo bem. Rebelo chegou a dizer que quando éramos influenciados pelo francês a dominação, pelo menos, era “chic”.

Esqueceu-se, o nobre deputado, de que os árabes invadiram a Península Ibérica, cuja dominação perpetuou-se por 700 anos. Legaram uma riquíssima herança cultural como a bela arquitetura do Islã, comida, danças, música etc.; mas nem por isso o árabe é falado por lá hoje. A Grécia foi dominada pelos Otomanos por 300 anos e não se fala turco por aquelas plagas; e para dar um exemplo bem atual, nem mesmo a China comunista, do partido de Rebelo, destruindo aspectos culturais e controlando o Tibete com mão de ferro há 50 anos, conseguiu fazer que o chinês seja a língua do local.

Quando as doutoras contrariaram Rebelo afirmando que estrangeirismos não são proibidos por força de lei, mas sim por escolas de qualidade, professores bem remunerados, investimentos em pesquisa e extensão, seriedade em políticas públicas de educação etc., o bravo deputado se levantou e começou a berrar dizendo que sabia muito bem o que fazia com seu mandato.

Já em Brasília, durante a votação, correu a notícia de que o deputado Ciro Nogueira (PP-PI) telefonou para Severino Cavalcanti comunicando adesão a Rebelo. Severino teria festejado por conta da certeza de que terá os recursos prometidos pelo governo para gastos de sua futura campanha a deputado federal e obras em currais eleitorais. Na Internet, a notícia era de que assim que começou a apuração do segundo turno, o líder do PCdoB e irmão de Renan Calheiros, Renildo Calheiros, e o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, festejavam com José Janene (PR), líder do PP. Calheiros teria dito a Janene: “Se não fosse você, não sei não.”

Palavras de Roberto Freire, presidente nacional do PPS: “Esta casa é louca, esquizofrênica. Está pronta para eleger o ministro e ex-coordenador político de um governo que pagava mensalão aos deputados. Não é o pizzaiollo que sentará na cadeira de presidente da Câmara. É o próprio chefe de cozinha.”

Mais contundente foi Jair Bolsonaro (PP-RJ). Citou trechos de uma entrevista em que Milton Neves pergunta ao sindicalista Lula se ele tem pena de Collor. “Tenho. Não é que eu tenho pena. Como ser humano eu acho que uma pessoa que teve a oportunidade que aquele cidadão teve de fazer alguma coisa de bem para o Brasil, um homem que tinha respaldo da grande maioria do povo brasileiro, ou seja, ao invés de construir um governo, construiu uma quadrilha como ele construiu, me dá pena porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor. Efetivamente eu fico com pena porque eu acho que o povo brasileiro esperava que essa pessoa pudesse, pelo menos, conduzir o país senão a soluções definitivas, pelo menos a indícios de soluções para os graves problemas que nós vivemos. Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar a corrupção fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões de brasileiros por terra. Mas de qualquer forma eu acho que foi uma grande lição que o povo brasileiro aprendeu e eu espero que o povo brasileiro, em outras eleições, escolha pessoas que, pelo menos, eles conheçam o passado político”. Bolsonaro sugeriu a Lula que repetisse a resposta olhando para o espelho.

As abertas negociações de Lula com partidos do mensalão – inclusive empenho de R$ 100 mil à emenda de Valdemar da Costa Neto, quem renunciou para escapar de cassação -, promessas de liberação de indicações para o Ministério das Cidades, de cargos e verbas para projetos, nossos representantes, que por maioria se apresentam como agentes públicos de interesses privados, homens com respaldo da população e com oportunidade de mudarem o Brasil, jogam por terra o sonho de milhões de brasileiros. Há quem diga que os políticos são o reflexo da sociedade.

Que nas próximas eleições o povo olhe para o espelho e se lembre do passado político dos que hoje dominam o País e mostram qualquer sintoma de debilidade no funcionamento de seus cérebros. Espelho, espelho meu...

André Plácido

André Arruda Plácido nasceu em Pirajuí (SP) e é cidadão português. Reside em Londrina (PR) onde graduou-se em Relações Públicas e Teologia. Em Bauru (SP) concluiu o curso de Jornalismo. Fez especialização em Comunicação e Liderança em Missões Mundiais pelo Haggai Institute em Cingapura. É professor de comunicação, poeta, radialista, cronista e fotógrafo.

Website.: fotologue.jp/andrearrudaplacido
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