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10 Set 2005

"Nunca Na História da Insanidade"

Escrito por 

Lula não tem moral para continuar no comando – se é que algum dia esteve – de um país continental.

Quando fui estudar em Cingapura, Mr. Tan ensinou: “Toda a liderança é moral.” Moral é a parte da filosofia que trata dos atos humanos, dos bons costumes e dos deveres do homem em sociedade e perante os de sua classe; as leis da honestidade e do pudor. Nos últimos 15 dias estive em Salvador e Londrina onde conversei com pessoas simples, políticos, juizes, advogados e a opinião é a mesma: Lula não tem moral para continuar no comando – se é que algum dia esteve – de um país continental.

Lula solta rojões quando “efetivamente” fala em economia – iniciada pelo tucanato – mas nada comenta sobre estarmos em oitavo na macabra lista da desigualdade social no planeta. Quem sabe o presidente não diria que “estamos vencendo o desafio da dívida social” – como fez na inauguração do último palanque - e que “nunca na história da República” estivemos no “rumo certo” como agora. Citaria seu incorruptível governo, mostrando o espetáculo da posição privilegiada que é estarmos à frente de superpotências como a latino-americana Guatemala e as africanas Namíbia, Suazilândia, Lesoto, Botsuana e Serra Leoa. Apenas esqueceria que “neste País” 46,9% da renda concentram-se nas mãos dos 10% mais ricos, e que os 10% mais pobres ficam com o troco de 0,7% da grana. Também esqueceria da irrelevante informação de que se o cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) fosse calculado sobre a renda dos 20% mais pobres e não sobre o PIB per capita, o Brasil petista cairia de 63º para 115º entre os 177 países em questão, tudo isso sem levar em conta nossa excelente educação – 68% dos jovens com mais de 15 anos não sabem ler e escrever direito - e notável expectativa de vida.

O presidente, desde o começo lá em Seul, quando Bob Jef detonava a bomba, já tentavam literalmente a todo o custo – Palocci liberou milhões, lembra? - sabotar a CPI dos Correios. Lula persevera. Depois de dar emprego a um filho de Severino Cavalcanti e a seu partido o ministério das Cidades, ainda condecora o amigo de seu reduto intelectual notável com a mais alta comenda da República. Severino saberá compensar o agrado em um possível processo de impeachment.

Já o deputado Alberto Goldman (PSDB-SP) afirma que Severino Cavalcanti “perdeu a autoridade moral e política para dirigir a Câmara”, mas defende Eduardo Azeredo, presidente de seu partido, dizendo que este não é passível de punição pelo “caixa dois” de campanha: “Ele nem foi eleito”, justifica Goldman.

Mas a crise vai bem, obrigado: a quebra do sigilo telefônico de Delúbio Soares revelou 116 ligações do intocável petista para a Presidência da República. São 33 em 2003, 61 em 2004 e 22 em 2005. Várias foram para ramais da Casa Civil do então ex-guerrilheiro, ex-arquiteto da campanha de Lula, ex-ministro, e hoje desaparecido, José Dirceu.

No sete de setembro, Lula, antes pop star revolucionário que distribuía autógrafos e beijos aos fãs, viu, de longe, apenas a metade dos “amigos e amigas” do ano passado. Entre aplausos e vais lembrou, enclausurado em sua íntima cumplicidade, do quadro melancólico em que se encontra seu governo, carcomido por denúncias que se comprovam a cada dia e afundando no podre pântano da corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, descaminhos morais, formação de quadrilha e falta de programa de governo. Tornou-se um boneco tagarela cuja repetição de palavras satisfaz unicamente seu apetite pela manutenção do poder pelo poder. Foi assim que nasceu nos porões petistas o esquema que resultou em sua vitória: aparelhar o Estado e comprar políticos venais para a manutenção do poder conquistado por meio do marketing. Os escolhidos pelo messias socialista para aplaudi-lo ficaram perto, mas o povo que cobrava atitudes de homem crescido foi isolado a sessenta metros do presidente, que no final saiu de mansinho...

Sobre o monólogo cívico de Lula, que não tem coragem de enfrentar coletiva com a imprensa, para enfim, esclarecer quem o traiu, onde o PT errou, de onde vem o dinheiro de sua campanha etc., aqui vai o historiador francês Louis Blanc: “O diálogo é a linguagem de quem busca a verdade mesmo que ela seja a verdade do outro, é o forte que possui argumentos, que acredita nele mesmo, em seus ideais, seus princípios, sua idoneidade e sua moral. O pronunciamento é o monólogo, que é a linguagem do fraco, daquele que deixou de fazer a sua parte no contexto social, daquele que tem o que esconder e foge da transparência buscando abrigo na omissão, no caminho da mentira e da falsidade ideológica.”

Um fã do presidente mais retórico da “história desse País”, vestido de Tiradentes declarou sobre seu ídolo de barro manchado de lodo: “Íntegro, austero, incorruptível”. Não compareceram Jesus Cristo e Napoleão. Foram recapturados pelos funcionários do hospício...

Última modificação em Domingo, 01 Setembro 2013 13:23
André Plácido

André Arruda Plácido nasceu em Pirajuí (SP) e é cidadão português. Reside em Londrina (PR) onde graduou-se em Relações Públicas e Teologia. Em Bauru (SP) concluiu o curso de Jornalismo. Fez especialização em Comunicação e Liderança em Missões Mundiais pelo Haggai Institute em Cingapura. É professor de comunicação, poeta, radialista, cronista e fotógrafo.

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