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31 Ago 2005

Reformar é Preciso

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E foi isso que fez o governador Germano Rigotto ao propor que o próximo Congresso Nacional, em seu primeiro ano, assuma tarefa constituinte para promover a mais do que necessária reforma política.

Impossível competir com os fatos. Eles exibem à opinião pública evidências que dispensam a lupa do analista, veracidade que não proporciona véus a serem levantados e brutalidade que não encontra palavras aceitáveis na linguagem jornalística. Portanto, joguei a toalha. Não escreverei sobre o que está acontecendo, porque desnecessário, exceto para fornecer um conselho aos membros das comissões parlamentares de inquérito em ação no Congresso Nacional: dispensem os primeiros depoimentos das pessoas investigadas e partam logo para o terceiro. Como leitor, ouvinte e telespectador, já cansei de pessoas que retornam para admitir mentiras anteriores e afirmar que finalmente debulharão a verdade em meio às lágrimas que vertem quando mencionam as amadas esposas e os queridos filhos.

Por outro lado, já não me importam os alinhamentos e disputas partidárias e ideológicas. O Brasil vale mais do que o lero-lero eleitoral. Nem me impressiona a confirmação do que sempre soube e muito escrevi: as campanhas petistas dos últimos anos continham areia de mais para o caminhãozinho das prestações de contas. É hora de começar a olhar para frente. E foi isso que fez o governador Germano Rigotto ao propor que o próximo Congresso Nacional, em seu primeiro ano, assuma tarefa constituinte para promover a mais do que necessária reforma política.

A proposta é oportuna e faz muito sentido. Pela primeira vez, desde 1988, os ventos sopram a favor de uma alteração do modelo político nacional. Não é sensato admitir que democracias mais estáveis e avançadas do mundo estejam erradas e que os certos sejamos nós, com esse modelo que compartilhamos com a Bolívia, o Paraguai e outra sempre trepidantes nações latino-americanas.

Precisamos separar Estado, Governo e Administração. Também aqui há areia demais para o caminhãozinho de qualquer presidente. É obvio que hoje estamos sob o comando do menos preparado de quantos já meteram a faixa no estufado peito. Mas nem o mais competente de todos consegue exercer bem as três tarefas e evitar os abusos decorrentes da partidarização do Estado e da Administração. Por outro lado, nosso modelo gera a irresponsabilidade dos congressistas em relação ao governo. Os dois fatores são combustível para as turbinas da instabilidade política, da infidelidade partidária e da corrupção.

Ao contrário da crença de muitos brasileiros, quando se atribui o governo à maioria parlamentar, é o governo que ganha força e não o parlamento. Não é à toa que no Câmara dos Comuns, o líder da maioria é denominado "The Whip" (o chicote). Ele efetivamente traz a base do governo sob relho e faz todos saberem que é do sucesso da gestão que dependem seus mandatos e não da demagogia que individualmente promovem.

Última modificação em Domingo, 01 Setembro 2013 13:32
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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