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18 Mai 2004

A Nota do PL

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O diabo, quando não vem, manda o secretário, diz o antigo brocardo. Adaptando, podemos dizer que, quando não vem o PT, vem o PL.

O diabo, quando não vem, manda o secretário, diz o antigo brocardo. Adaptando, podemos dizer que, quando não vem o PT, vem o PL. Não é que a imprensa eletrônica noticiou que o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, encaminhou ao presidente Lula um manifesto do seu partido contra a política econômica em vigor? Entre outras coisas, a nota diz que o presidente do Banco Central é o “principal sabotador do país”, por causa dos níveis atuais das taxas de juros. O mínimo que podemos dizer é que um estado de loucura domina o presidente daquela agremiação, loucura que, aliás, parece ser o denominador comum de boa parte dos que habitam o Brasil. Daí elegerem gente desse naipe para nos governar, pessoas que não têm nem senso de responsabilidade e nem a noção de onde estão. Acham que podem falar qualquer bobagem aos microfones, como se palavras não tivessem conseqüências práticas.

Ao ler hoje a Folha de São Paulo deparei-me com o excelente artigo do economista Roberto Luiz Troster à página 3 (“Fantasias”), demonstrando por A + B que a taxa de juros só está nesse nível exclusivamente pela hipertrofia do governo no mercado financeiro, seja tributando, seja demandando, seja, ainda, regulamentando a atividade. Não há como reduzir juros no atual estado da arte, mesmo que o governo queira e os valdemares da política gritem contra. Troster conclui no artigo: “O conjunto de impostos explícitos (CPMF, IOF, Pis, Cofins e IRF), combinado com os impostos camuflados de depósitos compulsórios e de aplicações obrigatórias dos bancos, é autêntico e inviabiliza o crédito barato... Essa mistura pressiona as taxas de juros finais a níveis absurdamente elevados. O Brasil tem os juros mais altos do mundo. A conseqüência é que se está asfixiando o país”. Estou inteiramente de acordo com essas afirmações, confirmadas por quem quiser analisar os argumentos do articulista. E, é bom lembrar, o autor é Economista-chefe da Federação Nacional dos Bancos – Febraban, falando contra os juros altos!

Se alguém responsável estiver interessado em reduzir os juros, só pode fazer manifesto pedindo uma única coisa: redução do Estado. Significando redução dos impostos, dos gastos públicos e da regulamentação. Sem isso, não há o que fazer, a não ser ver a atrofia dos talentos brasileiros, dos empresários e dos trabalhadores, impossibilitados de produzirem porque o Ogro estatal não permite. Qualquer coisa fora disso não passa de uma mistura de populismo com oportunismo, um discurso insensato que só consegue enganar os néscios. Uso o meu modesto espaço para desagravar o presidente do Banco Central. Está em uma função espinhosa nessa terra em que a burrice abunda. É a voz da sensatez, junto com o ministro Palocci, em meio à cacofonia dos ruídos estranhos típicos de uma casa de loucos. Até quando agüentará? Vida longa é o que lhes desejo, e muita paciência, para o bem geral da Nação.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 21:29
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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