Imprimir esta página
21 Ago 2005

Quando a Sorte Bate à Sua Porta e Por Acaso Você Está Em Casa...

Escrito por 
Avalie este item
(0 votos)

Outras pessoas, no entanto, nasceram com o rabo pra lua. Mesmo quando elas fazem tudo errado e tudo está indicando um total fracasso, o que começa mal acaba bem.

Não sei por que tanta gente se preocupa tanto com os mistérios do além quando este mundo está repleto de mistérios do aquém. Por exemplo: algumas pessoas têm tudo para ser bem sucedidas na vida, mas nada do que elas fazem dá certo. Parece que um urubu pousou na sua sorte ou que estão predestinadas ao fracasso. Outras pessoas, no entanto, nasceram com o rabo pra lua. Mesmo quando elas fazem tudo errado e tudo está indicando um total fracasso, o que começa mal acaba bem – All is well that ends well, como no caso do famoso Forrest Gump.

O que faz com que alguns tenham uma sorte maior do que a do Gastão (o primo sortudo do Pato Donald) e outros tenham um pé mais frio do que o de um esquimó descalço, isto é algo que nem Freud conseguiu explicar - um insondável mistério do aquém, que continua desafiando a argúcia das mais poderosas mentes, principalmente as que habitam  onde não há pecado. E como quase todo mundo sabe – a não ser o Lula que não sabe nada e  de nada sabe - não há pecado abaixo da linha do equador...

Vejam o caso de Fábio Luís da Silva, que por acaso é filho mais velho do Supremo Manda-Chuva da Nação. Até aí, ser filho de alguém poderoso e importante não é necessariamente uma garantia de sucesso na vida. E está aí o caso do “Filho do Rei” que não me deixa mentir. Não deu certo nos gramados eternos e acabou sendo preso como traficante.  Aos não-iniciados na cultura futebolística, refiro-me a Edinho: ex-goleiro do Santos e filho de Pelé, que dispensa apresentações. Mas Fabinho não é Edinho.Com ele a coisa foi outra : quando a sorte bateu à sua  porta, ele não só estava em casa como também a convidou gentilmente para entrar. Ofereceu até mesmo um cafezinho...

O fato é que, aos 30 anos, Fábio Luís não precisa mais ficar ralando todo santo dia, para ganhar uma merrequinha, como milhões de jovens brasileiros. Pode viver de renda e se dedicar a esportes radicais como bungee jump, moto-cross ou asa delta ou não tão radicais como pesca submarina ou rinha de galos – contravenção esta a preferida de  Duda Mendonça.

Aos 30 anos, na flor da juventude, Fabinho superou o Gastão do Pato Donald. Em 2003, quando triunfalmente Lula recebeu a faixa presidencial - e atormentado por um raio de uma bursite teve de receber também muitos tapinhas no ombro - Fabinho não era muito diferente de outros tantos jovens brasileiros.

Graduado em Biologia, se virava como podia, dando aulas de informática e inglês. O máximo que Fabinho tinha conseguido, na sua profissão de biólogo, tinha sido um emprego no Jardim Zoológico de São Paulo, não para trabalhar como artista da casa, fazendo a alegria da garotada da cidade que muitas vezes nunca tinha visto um tamanduá-bandeira, um tatu-bola ou um mico-leão dourado, mas sim como monitor. Ganhava pouco, mas em compensação ao final do dia estava liberado e podia ir para casa.

Foi  aí então que o destino sorriu para ele que hoje é dono de 3 empresas com participação societária de 625.000 reais, maior do que o modesto patrimônio de seu pai – ou ao menos o declarado ao imposto de renda - que é de 422.000 reais. Mas como se deu esta mudança, em tão pouco tempo,  de monitor do Zoológico a empresário muito bem sucedido?  Tan, tan-tan-tan...O maestro ataca a Quinta de Beethoven, mas não para roubar galinhas na calada da noite.  Isto não é coisa de bom tom.

No final de 2003, Fabinho abriu uma pequena agência no mesmo ramo de negócios de Marcos Valério: publicidade. Era chamada G-4 numa sociedade com amigos, não sei dizer se os mesmos que, tempos depois,  viajaram num avião  da FAB a serviço da presidência da República, para fazer aquela boa farra em Brasília às custas do grande otário, que é o vampirizado contribuinte. [Perdão, corrijo-me a tempo: o autor dessa esbórnia não fui Fábio Luís da Silva, mas sim Cláudio Luís da Silva, o irmão dele].

Em  outubro de 2004, a G-4 se fundiu com outra empresa: a Espaço  Digital, criando uma holding: a BR-4. Esta progrediu assustadoramente, pois em apenas 2 meses  de atividades empresariais  seu capital já era de R$2,7 milhões de reais, dinheiro que teria vindo da estatal Telemar com a qual  fez um contrato de exclusividade fornecimento de conteúdo. Mas quem disse que a coisa parou por aí...?

Espírito dotado de verdadeiro enterpreneurship (palavra esta que ouso traduzir como “empreendedorismo”) Fabinho criou a Gamecorp . Técnicos da Telemar,  após meticulosas análises de tendências futuras de mercado – destas que faz Alvin Toffler, por exemplo – decidiram que a Gamecorp tinha grandes  potencialidades empresariais e, assim sendo, a Telemar participou da nova empresa comprando debêntures da mesma com direito a ações futuras. O valor da nova transação foi 2,5 milhões.Por acaso, quem intermediou o negócio foi a Trevisan, cujo sócio principal por mero acaso é Antoninho Marmo Trevisan,  que vem a ser por mero acaso membro do Conselho de Ética da Presidência da República.

Decididamente, Lulinha Paz e Amor está muito bem assessorado em matéria de moralidade pública e Fabinho – yuppie,  como todo bom filho de um hippie - é um desses agraciados pela trama das Parcas, que tecem os destinos dos míseros mortais.*

 

* notinha oportuna: Beneficiei-me dos dados levantados pelo jornalista investigativo Vitor Vieira, diretor-editor de Videversus (51)9652-4645. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. . Só posso reivindicar a autoria da narrativa que - mal-acabada ou chuchu-beleza - é mesmo de minha lavra.

Última modificação em Domingo, 01 Setembro 2013 13:34
Mario Guerreiro

Mario Antonio de Lacerda Guerreiro nasceu no Rio de Janeiro em 1944. Doutorou-se em Filosofia pela UFRJ em 1983. É Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Ex-Pesquisador do CNPq. Ex-Membro do ILTC [Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência], da SBEC [Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos].Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Membro Fundador da Sociedade de Economia Personalista. Membro do Instituto Liberal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e Interdisciplinares da Universidade. Autor de Problemas de Filosofia da Linguagem (EDUFF, Niterói, 1985); O Dizível e O Indizível (Papirus, Campinas, 1989); Ética Mínima Para Homens Práticos (Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1995). O Problema da Ficção na Filosofia Analítica (Editora UEL, Londrina, 1999). Ceticismo ou Senso Comum? (EDIPUCRS, Porto Alegre, 1999). Deus Existe? Uma Investigação Filosófica. (Editora UEL, Londrina, 2000). Liberdade ou Igualdade (Porto Alegre, EDIOUCRS, 2002).

Mais recentes de Mario Guerreiro