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19 Ago 2005

O Impeachment da Ideologia

Escrito por 

É chegada a hora do Brasil levantar a cabeça e enxergar suas potencialidades, advindas de suas diversidades grandiosas que podem gerar oportunidades inigualáveis de desenvolvimento e seus horizontes de porvir.

“O mais oprimido de todos os povos será aquele que o for em nome de seus próprios direitos. O crime passaria a ser uma espécie de religião”. SAINT-JUST.

 

Um país com governo de patifes, é o resultado da metafísica sinistra que sustenta a relativização moral da política   e aplicada como ética revolucionária para um grande programa de mudanças políticas, econômicas e sociais, objetivando realizar o socialismo como etapa para instauração do comunismo.

Com efeito, a Constituição Federal vigente foi influenciada pela vertente intelectual adepta do constitucionalista marxista português, Joaquim Gomes Canotilho. Sob sua inspiração, a Lei Fundamental, não se conteve em apenas estabelecer a organização limitativa do poder. Tornou-se uma ferramenta de consolidação de preconceitos, imobilizando a liberdade da  vida  política federativa e estreitando as alternativas de escolha. O preconceito com a propriedade privada, o empresário, o militar, com as polícias civis e militares, demonstrou o desejo de domá-los para ajustá-los às necessidades de uma revolução social permanente, com a gradativa e constante redução dos poderes de autodeterminação dos Estados-membros e seus Municípios.

Hoje, um preocupado presidente, que tanto deseja preservar sua popularidade e cumprir suas conveniências no poder, vê-se em apuros, prestes a sofrer um justificável processo de impeachment, graças à máquina partidária,ao seu rolo compressor de alianças e de conexões espúrias da qual participou ativamente e que o elegeu, movida por uma ideologia cuja ética histórica sempre esteve alinhada aos fins e não aos meios.

A experiência universal demonstra que só a liberdade pode construir uma nação mais unida e mais poderosa que todos os controles administrativos e todos os despotismos. A experiência, também , aponta para o descalabro da caridade quando imposta pelo Estado sobre a natureza voluntariosa do indivíduo, cuja civilidade,religiosidade e solidariedade social devem brotar do convívio, do exemplo familiar e comunitário, da educação instruída em sociedade de confiança.

A maioria ingênua do eleitorado brasileiro, encontra-se hoje sob a curiosa perplexidade e dolorida desilusão, próprias daqueles que não  conseguiram ainda distinguir o fato político da ficção ideológica, bem encenada pela inconsciência de seus eficientes militantes e pela safadeza de seus milionários mercadores.

Como antídoto ao centralismo, que sempre corrompeu nossas expectativas de um regime estável e voltado aos verdadeiros interesses nacionais, em permitir o desenvolvimento dos brasileiros, com igualdade perante a lei e em igualdade de oportunidades, tornar-se-á imprescindível uma consciente adoção de nova carta fundamental, que contemple o Brasil continental com forte descentralização política, retirando do Congresso Nacional, inclusive, os seus poderes de emendar a Constituição Federal, em flagrantes abusos dos poderes de representação. Numa Federação verdadeira, a soberania legal não deve e nem deve repousar no poder exclusivo de coação juspolítica de uma única entidade representativa do eleitorado nacional. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Constituição pode ser emendada pelo voto de  uma maioria de dois terços do Congresso, se ratificada por três quartas partes dos poderes legislativos dos Estados-membros da União.

Evidentemente, os adeptos e dirigentes do Estado centralizado sempre terão excelentes razões para privar o indivíduo de seus direitos ou para, simplesmente, cerceá-los. Entre essas excelentes razões, nenhuma será tão forte quanto o “interesse comum” e a “unidade nacional”. Entretanto, esquecem-se    de que o interesse comum e a unidade nacional sempre serão salvaguardados, se forem o mais possível entregues às iniciativas privadas e à liberdade individual. Para isto, será suficiente confiar nos recursos, na inteligência e na boa vontade dos indivíduos, que trabalham melhor, sem marginalidades, quando o clima de liberdade e de respeito às suas iniciativas, propriedades e contratos propiciam a prosperidade geral, para poderem sustentar um Estado constitucional democrático, de tamanho ótimo e saudável.

A vida, uma vida humana, a igualdade dos homens entre si, a plena e perigosa liberdade humana, foram adquiridas no ponto de partida, concedidas por Deus. Os comunistas também falam de liberdade e igualdade. Não desejam, porém, trilhar o caminho pela democracia verdadeira para mantê-las. Prometem alcançá-las pela revolução, pelos atalhos golpistas de manobras casuísticas, pela mentira, corrupção ou pelos engodos eleitorais, trocando a nossa liberdade humana e, geralmente, a nossa própria honra humana, contra uma promessa dúbia de felicidade futura, sob a ditadura  infalível  e  criadora de  uma ordem partidária intolerante, tirânica e pretensamente justa. Resta saber se ao final do caminho, restará alguém com destemor para lutar pela liberdade perdida, desarmado e sob a permanente vigilância da polícia política.

É chegada a hora do Brasil levantar a cabeça e enxergar suas potencialidades, advindas de suas diversidades grandiosas que podem gerar oportunidades inigualáveis de desenvolvimento e seus horizontes de porvir. Ou se acabrunha diante da governabilidade de interesses imediatistas e casuísticos, ou enfrenta com firmeza os riscos na defesa de sua honra, com dignidade e amor à liberdade.

Impeachment na ideologia da centralização. Federalismo já!

Última modificação em Domingo, 01 Setembro 2013 13:35
Jorge Geisel

Advogado especialista em Direito Marítimo com passagem em diversos cursos e seminários no exterior. Poeta, articulista, membro trintenário do Lions Clube do Brasil. É um dos mais expressivos defensores do federalismo e da idéia de maior independência das unidades da federação.

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