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14 Ago 2005

A Força da Democracia

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Mesmo que não aconteça o impeachment o destino político do PT e de Lula está selado. Fracassou dramaticamente, de forma irreversível.

Ontem (11/08/2005) foi um dia histórico. A confissão de Duda Mendonça, que comandou a vitoriosa campanha publicitária de Lula para a Presidência da República, declarando conta milionária ilegal no exterior, que teria sido recheada a mando de Marcos Valério, colocou sobre Lula a possibilidade de impeachment, em face da surpreendente confissão. O espanto foi geral, pois só há um ganhador com essa inconfidência, Duda Mendonça, e todos os seus clientes petistas afetados perdem, a começar pelo próprio Lula. É a prova que faltava para levar o presidente da República ao centro da crise.

O depoente fez a confissão motivado pela chantagem que Marcos Valério estava lhe fazendo de contar o que sabia sobre o fato. Não há aqui, como no caso de Roberto Jefferson, qualquer grandeza. É mais uma traição mesquinha de quem se locupletou com o esquema e tenta escapar de suas conseqüências mais duras. Faltou a Duda Mendonça o que tem sobrado a Marcos Valério, lealdade com seus companheiros de pilhagem do dinheiro público, indo para o sacrifício para livrar a cara não apenas Lula, mas também de José Dirceu, Delúbio Soares e outros. Valério tem mentido obstinadamente para proteger o grupo, dentro d ética dos bandos criminosos. Do ponto de vista moral a atitude de Duda é muito pior, pois revela um traço de covardia. É o que poderíamos chamar de traição de resultado. Nojento.

A crise política tem revelado a força de nossa democracia. A despeito dela, a economia vai bem, o Congresso Nacional funciona adequadamente e as liberdades estão garantidas. A confissão feita por Duda Mendonça mostra a genuflexão de um poderoso às instituições democráticas, reconhecendo a sua força e a sua legitimidade. Ele sabia exatamente o que estava fazendo e os desdobramentos previsíveis do seu gesto. Antes assim.

Vemos também que o partido governante esfrangalhou-se. A fala do senador Aloísio Mercadante mostrou que a degenerescência da sigla é irreversível. É toda uma visão de mundo, que levou décadas para ser construída, à custa de muita mentira e muita esperteza, que escorre inexoravelmente para o ralo. Toda a “geração de 1968” fracassa com o fracasso do PT; é todo o projeto político de transformar o Brasil numa plataforma de exportação de revoluções socialistas que fenece antes de florescer; é a implosão da mentira política feita de forma espontânea, fruto da hybris dos seus arquitetos. Parece que mais uma vez o Brasil escapa de uma tragédia política de grandes proporções, agora pela incompetência dos atores, pela sorte, pelas circunstâncias. Deus seja louvado!

De concreto temos que Lula praticamente não tem chance de se reeleger. O material disponível nas CPIs, posto na mídia da campanha eleitoral, já é o bastante para desqualificá-lo. Não é pouca coisa. Mesmo que não aconteça o impeachment o destino político do PT e de Lula está selado. Fracassou dramaticamente, de forma irreversível. A democracia gerou o elemento negativo de sua negação – a comunalha do PT – e ela mesma está dando um jeito de se livrar deles. Ontem foi um dia glorioso para a Nação.

Última modificação em Domingo, 01 Setembro 2013 13:36
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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