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14 Ago 2005

Desarmar Para Quê?

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A primeira vista, parece óbvio que toda pessoa de bem, sensata, deverá optar pelo “sim” no referido plebiscito e que, todas as pessoas destemperadas e brutas irão, obviamente, optar pelo “não”.

Tácito afirmava que poderíamos visualizar a magnitude da corrupção que afeta um povo de acordo com o número de leis que este possua. Quanto maior o número delas, maior a corrupção deste. Partindo deste pressuposto nos indagamos sobre os propósitos dos defensores do plebiscito que todos nós, cidadãos brasileiros, teremos de votar em outubro deste ano.

A primeira vista, parece óbvio que toda pessoa de bem, sensata, deverá optar pelo “sim” no referido plebiscito e que, todas as pessoas destemperadas e brutas irão, obviamente, optar pelo “não”. Bem, mas como toda obviedade, esta também poderá nos levar a equívocos imensos e obscuros.

Como assim? Ora, vamos aos fatos: todos nós vimos nos últimos meses a população civil, honesta e trabalhadora, entregando as suas armas para as autoridades públicas em troca de uma parca indenização de R$ 100,00 para assim livrar-se do duro fardo em suas consciências que era possuir uma arma guardada no ambiente doméstico, pois estas, segundo as autoridades competentes e os informes da mídia, poderiam ser furtadas e ir parar nas mãos de malfeitores.

O engraçado nesta história toda é que, se o amigo leitor pode reparar, as armas entregues eram em sua maioria um amontoado de velharias que, em hipótese alguma foram encontradas similares junto de meliantes de pequeno ou grande currículo criminal.

Foram entregues peças de coleções particulares, garruchas, revolveres calibre 22, espingardas velhas e, alguns, revolveres calibre 38. E pior! Muitas destas armas foram encaminhadas pela própria polícia para museus devido a sua raridade e por isso nos perguntamos: em que medida essa prática, que foi o desarmamento da população civil, resolveu o problema da violência contra a própria população civil?

Cabe lembrar também, que as armas utilizadas pelo crime organizado são armas como AK47, escopetas, AR15 e tutti quanti, armas estas que você não compra legalmente em nenhuma loja do gênero no território nacional, correto? As pistolas de menor calibre que este meliantes utilizam seriam pistolas 380 que, com toda certeza, também não são obtidas em roubo de residências.

E mais: todas as armas apreendidas nas operações da polícia são armas que se encontram na clandestinidade e por isso nos indagamos mais uma vez: em que medida a proibição do comércio legal de armas irá impedir que os elementos que aterrorizam a sociedade possam adquirir armas de fogo de grosso calibre sendo que estes já as obtém por vias escusas?

Não nos esqueçamos que um dos pontos que acaba levando a um elevando índice de violência é justamente o fato do baixíssimo número de efetivos da polícia que, além de ter um pequeno número de soldados ainda tem de realizar o seu trabalho com equipamentos que, em muitos casos (como no de combate ao tráfico) se encontra em desvantagem aos que são utilizados pelos senhores do crime. Por isso, amigo leitor, nos perguntamos: o fato de uma pessoa se desarmar vai aumentar a sua segurança como? Ela pode contratar uma empresa de segurança. Mas, se ela não tiver dinheiro para tal? Mas quem disse que ter uma arma em casa é sinônimo de segurança? E quem disse que não a tela é sinônimo de tranqüilidade?

Segundo levantamento feito por Peter Hof, em sua coluna no Observatório Mídia sem Máscara, as mortes evitáveis pelo estatuto do desarmamento equivalem a 3,7 % do número total de casos de homicídios. Os 97,3% restantes continuariam com ou sem a referida lei. E detalhe: foram gastos aproximadamente R$ 70.000.000,00 na campanha em prol do desarmamento. Ou seja: uma cifra deste tamanho gasto em publicidade para evitar-se 3,7% dos homicídios cometidos no Brasil. Quanto aos outros 97,3%, são irrelevantes e devem continuar a serem perpetrados? Então, amigo cidadão, você não vê nada de errado nestes dados em comparação com as supostas boas intenções que circundam o palavrório em defesa do desarmamento da população civil?

Não? Então vejamos o seguinte: muitas das autoridades que defendem o dito “sim” no plebiscito que será votado por nós afirmam justamente isso, que o objetivo deste é apenas diminuir o índice de casos de homicídio nos casos que envolvem os 3,7% dos casos que seriam: Brigas no trânsito, brigas em bares/festas, brigas em família, crime conjugal/passional, encomendado e suicídio. Os outros casos (97,3%) como: policiais mortos, bandidos mortos, bala perdida, assalto, razão não identificada, invasão de domicílio, por portadores legais, execução e chacinas, continuariam a existir.

Sobre isso nos falou Rubem César Fernandes, Diretor da ONG Viva Rio, que: “...o principal reflexo (do Estatuto do Desarmamento) é na redução da violência passional, relacional, e no número de acidentes com armas” (O Globo, 23/02/05). Cabe aqui também citar as palavras ditas por Marcio Thomaz Bastos, Ministro da Justiça (O Globo, 10/12/04) que, segundo ele: “A Campanha do Desarmamento tem por objetivo tirar armas das pessoas de bem e evitar maiores tragédias, como brigas no trânsito e nos estádios”.

Bem, como nos aponta Thomas Sowell(atual membro sênior 'Rose e Milton Friedman' do Instituto Hoover da Universidade de Stanford), que: “Foi durante este período de severas restrições à posse de armas que a taxa de crimes em geral, e particularmente a de homicídios, começou a crescer na Inglaterra. ‘Enquanto o número de armas legais diminuiu, o número de crimes com armas cresceu’ [...]”. Será que tal fenômeno não se repetirá aqui nestas terras de Pindorama? O que você pensa a respeito?

Por fim, a uma primeira vista, a proposta de desarmar a população civil parece ser cheia de boas intenções, das quais o Reino das Trevas está repleto. Mas, quando vamos gradativamente nos questionando sobre as intenções deste acabamos por ver que há muito mais coisas entre o céu e a terra que a suposta defesa da não-violência dos defensores desta Lei de letra morta. Mas, o que mais pode haver? Ora, diga-me quem poderá e quem não poderá portar uma arma que compreenderás o que significa “paz” na letra putrefaz desta lei.

Última modificação em Domingo, 01 Setembro 2013 13:37
Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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