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10 Ago 2005

Assimetria de Informação

Escrito por 

Os leigos, mais desinformados, acabam “reféns” desses experts, e muitas vezes, por falta de conhecimento específico ou tempo de pesquisa, são forçados a acreditar na palavra do vendedor, que tira proveito disso.

“The Internet has accomplished what no consumer advocate could: it has vastly shrunk the gap between the experts and the public.” (Steven Levitt)

 

A assimetria de informação sempre foi uma das grandes responsáveis por boas margens de lucro por parte dos mais bem informados, ou experts. Uns poucos são detentores de uma importante informação específica, e utilizam essa vantagem para obter ganhos no mercado de trocas livres. Os leigos, mais desinformados, acabam “reféns” desses experts, e muitas vezes, por falta de conhecimento específico ou tempo de pesquisa, são forçados a acreditar na palavra do vendedor, que tira proveito disso.

Um exemplo que podemos citar é o de um corretor de imóveis. O corretor é detentor de vasto conhecimento sobre seu mercado específico, sabendo quais foram as últimas transações, em quais condições ocorreram e como andam a oferta e demanda no momento. Armado com estas informações, a alavancagem sobre os leigos se faz, normalmente, pelo uso de uma forte emoção: o medo. O corretor, interessado em seus benefícios, pode incentivar uma venda mais rápida do cliente, mesmo que por menor preço, alertando que a oportunidade boa pode passar. O mesmo vale para um corretor assessorando um comprador, podendo estimulá-lo a pagar mais alto para fechar logo o negócio, sob risco de perdê-lo. Homens reagem à incentivos, e estes não necessariamente andam juntos entre corretor e cliente. A assimetria de informação faz a diferença.

Com isso em mente, muitas pessoas partem para propostas estatizantes, defendendo a criação de órgãos públicos para o “controle” das trocas. Algum burocrata passa a fiscalizar o mercado, supostamente evitando uma “exploração” por parte dos experts. O Procon é um caso claro dessa tendência. O governo estaria protegendo os interesses dos consumidores, contra a ganância de vendedores bem informados e inescrupulosos. O problema é que o governo também é formado por homens, e estes reagem à incentivos da mesma forma que os outros. Os interesses dos burocratas raramente estão alinhados com os dos consumidores. E acaba que a concentração de poder nas mãos de poucos burocratas representa uma enorme ameaça para o funcionamento de um mercado livre competitivo, que de fato é a melhor garantia de bom atendimento para os clientes. Vemos isso todo dia, com o governo criando dificuldades para vender facilidades, estimulando a corrupção e criando privilégios, que prejudicam a livre concorrência.

Enquanto isso, a própria lógica capitalista de livre mercado induz o constante progresso dos serviços e produtos ofertados. Em um ambiente competitivo, uma empresa que abusa de sua assimetria de informação, explorando o consumidor, logo será desbancada por outra, que poderá vender o produto por um pouco menos e ainda assim conquistar belas margens. A competição é, de longe, a melhor defesa do consumidor. E a Internet fez mais pela competição do que qualquer órgão público ou político que se arroga o título de protetor dos consumidores “explorados”.

Basta um click na página do Google para se ter uma infinidade de informações sobre qualquer assunto. Sites específicos surgiram aos montes, reduzindo absurdamente o gap de informação entre os leigos e os experts. Uma rápida busca pode dar todas as ofertas disponíveis de produtos similares, forçando uma convergência de preço. A Internet abriu os portões da informação, democratizando de forma incrível o estoque de conhecimento existente. Nenhum Procon poderia fazer algo parecido pelos consumidores!

Não é à toa que os investidores reconhecem isso no valor de mercado da Google, que oscila atualmente perto dos 80 bilhões de dólares. Para se ter uma idéia da ordem de grandeza, a maior empresa brasileira, a Petrobrás, que produz quase 2 milhões de barris de petróleo diários, vale algo como 60 bilhões de dólares na Bovespa. Estamos na era da informação, e quem vende informação para as massas, vende ouro! Afinal, não existe instrumento melhor para aniquilar de vez com as grandes vantagens dos experts sobre os leigos, fruto da assimetria de informação deles.

Última modificação em Domingo, 01 Setembro 2013 13:37
Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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