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16 Mai 2004

Agora É Serra

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Serra é um homem amadurecido pela longa vida pública e já não se ilude com alguns cantos de sereia socialistas, de corte juvenil.

A grande notícia política dos últimos tempos foi à decisão de José Serra de concorrer à prefeitura de São Paulo, em outubro próximo. Estava faltando um nome de peso, afora Paulo Maluf, para dar à oposição chances reais na disputa com a mandarina petista. Serra reúne todas as condições para obter uma vitória consagradora, talvez até mesmo no primeiro turno das eleições, infringindo ao projeto de poder do PT uma derrota acachapante.
Como liberal ressinto-me da ausência de um nome apropriado às minhas idéias na disputa eleitoral. Mais uma vez, os liberais-conservadores não estarão representados, mas a responsabilidade maior por isso é nossa mesmo, já que representação política não cai do céu.

É preciso se organizar e formar partidos com doutrina bem definida. A direita deve ao eleitorado brasileiro essa lição de casa, para postular com chance qualquer disputa, para obter votos. Serra será o receptor natural de todos os votos antipetistas, inclusive e sobretudo os da direta. Será o seu candidato natural. Derrotar o PT em São Paulo é de vital importância para o País, reduzindo a expressão do poder federal nas mãos de Lula. Será uma eleição singular, na medida em que será a primeira a ser vivida após o desmascaramento das mentiras do PT, das falsas promessas, da ilusão de que o PT teria uma fórmula de governar que pudesse superar a escassez, da desmoralização das caras teses igualitaristas, que só poderiam ser posta em prática em um ambiente institucional típico da ditadura do proletariado. O viés autoritário, aliás, está em todo tipo de iniciativa petista. A última foi à tentativa de amordaçar o jornalista do New York Times. É essa gente desqualificada e autoritária que está no leme do Poder Federal, portanto não cabe outra escolha aos verdadeiros democratas que não se engajarem incondicionalmente para eleger José Serra e derrotar a arrogante mandarina petista. Sua derrota é crucial.

Serra é um homem amadurecido pela longa vida pública e já não se ilude com alguns cantos de sereia socialistas, de corte juvenil. Na sua entrevista na Folha de São Paulo de hoje sugere até uma redução nas taxas municipais. Isso, na boca de um socialista convicto, não deixa de ser surpreendente. Para o eleitor, que soube que em abril a arrecadação tributária, mais uma vez, bateu todos os recordes históricos, uma notícia dessa é ouvida como música. A eventual vitória de Serra fará retornar o bom senso à administração municipal e colocará um óbice gigantesco no projeto do PT de ganhar o Palácio dos Bandeirantes e de fazer o sucessor de Lula. Como se vê, essa eleição não se esgota em si mesma: é já a sucessão presidencial que está sendo decidida. E sua decisão, naturalmente, passa por São Paulo, o maior colégio eleitoral e a caixa de ressonância que influência a opinião pública nacional.

Agora é Serra!

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 21:29
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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