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15 Mai 2004

Tempestade na Favela

Escrito por 

Garotinho parece ter herdado de Brizola a idéia de que a imprensa amplia o que acontece no Rio.

Dado o caráter secretíssimo (por isso leia este artigo reservadamente e depois o destrua) de que precisa se revestir uma eventual ocupação militar dos morros cariocas, parece que o problema do crime organizado no Rio de Janeiro se encaminha para uma solução relâmpago. O Exército, quando chegar, encontrará caminhões descarregando cocaína, banqueiros do bicho contabilizando a féria do mês, seqüestradores controlando seu estoque de reféns, arsenais clandestinos abarrotados e farta sinalização viária indicando as agências do Comando Vermelho (todas pintadas de escarlate para facilitar a identificação e atendidas por funcionários portando crachás). Colhidos de surpresa, traficantes, estelionatários, contraventores e seqüestradores formarão fila para se entregar docilmente à turma do Viva Rio, da qual receberão flores e ternas mensagens de acolhida, antes de serem encaminhados aos camburões.

Mais estupefacto do que os bandidos com a insólita operação só o primeiro-damo Garotinho, para quem a única coisa anormal, no Rio de Janeiro, é o César Maia. O resto de que falam é tudo exagero de quem diz. Às vezes penso que quando o ex-governador diz estar no templo, em oração, ele vai mesmo até o Iraque, sossegar um pouco sob fogo cruzado e encontrar-se com sua alma gêmea, o sr. Mohammed Saeed al-Sahhaf, aquele sisudo porta-voz de Saddam Hussein que dizia estar tudo sob controle enquanto as bombas explodiam ao seu redor.

Garotinho parece ter herdado de Brizola a idéia de que a imprensa amplia o que acontece no Rio. Coisas triviais como, por exemplo, a corridinha a beira-mar feita por um pacato grupo de favelados, o atencioso fuzilamento de alguns adolescentes, a mera invasão de um quartel, a periódica e respeitosa troca de tiros entre policiais e traficantes, o enlutado fechamento do comércio do morro quando falece algum empresário da Câmara Setorial da Coca, se ocorrerem no Rio de Janeiro, são logo apresentadas à opinião pública, maliciosamente, como arrastão, chacina, tiroteio e estado paralelo. É muita má vontade!

Mas nada se compara ao alarde feito com as tais “balas perdidas”, exibidas como um novo problema quando, de fato, são uma solução. Como podem chamar assim - “perdidas” - balas que, na verdade, foram definitivamente encontradas? Quando todas as balas perdidas tiverem sido encontradas acabou a munição e não se fala mais nisso!
E não se esqueça, caro leitor, de engolir este artigo depois de ler, porque, como se sabe, estas coisas têm que ser tratadas de modo muito reservado, caso contrário não funcionam.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 21:29
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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