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14 Jul 2005

Carta Aberta aos Mancebos (Releitura)

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A juventude é impaciente e arrogante por sua natureza viril, mas, chamar para si a responsabilidade de algo sem conhece-lo e sem ter paciência para compreender as inúmeras tensões que habitam as relações humanas.

Inúmeras são as armadilhas que a vida arma para nós, para nos testar e averiguar de que metal é forjada nossa alma e dentre estas inúmeras provas, temos diante da face intocada pelas mãos de Cronos, o Deus do Tempo, a juventude que se sente pronta para assumir os postos ocupados pelos anciões e de corrigir os erros cometidos por estes, mesmo estando cegos, para os inúmeros cometidos por eles.

A juventude é impaciente e arrogante por sua natureza viril, mas, chamar para si a responsabilidade de algo sem conhece-lo e sem ter paciência para compreender as inúmeras tensões que habitam as relações humanas, é uma fraqueza que é muito bem aproveitada pelos demagogos e salafrários de plantão, que vivem sedentos e ávidos para envenenar as almas desprevenidas. para que se coloquem a sua disposição para servir aos seus propósitos pervertidos e ainda dar a tenra massa de manobra, a sensação de "liberdade" e "justiça".

Em nossa mocidade sempre nos sentimos como legítimos justiceiros, prontos a limpar a face da terra de todos os crápulas que estão sob a face do Planeta azul. Todavia, nos recusamos a nos colocarmos em nosso lugar e nos reconhecer como criatura finita e que deve ser aprimorada, pela árdua labuta da aprendizagem e pelas lições que só o tempo nos é capaz de ensinar.

Sabeis que a revolta, irmã siamesa da impaciência e da imprudência, sempre nos leva a um caminho avesso a maturidade, pois é impossível se zerar o mundo para começa-lo do jeitinho que desejamos, o que já por sua vez, é mais um símbolo de egoísmo do que de amor pelo próximo, visto que, se faz intolerável que alguém deseje ser algo que não concorde com seus pressupostos, ainda mais, se estes ousarem querer lhes ofertar um conselho, pois isso quase se assemelha a um insulto digno de perseguição.

Por isso, repito o pedido feito pelo Filósofo Mário Ferreira dos Santos, no fim de uma de suas aulas, ainda na década de 60, aos seus jovens discípulos onde dizia: "...Eu conclamo a juventude de hoje que não se torne a juventude que sempre perseguiu os grande homens, aquela juventude que perseguiu Sócrates, que perseguiu os pitagóricos, aquela juventude que levou à condenação, à morte de Anaxagoras, mas sim aquela juventude que apoiou Platão, que apoiou Aristóteles no Liceu, que apoiou Pitágoras em seu Instituto, aquela juventude estudiosa, aquela juventude que dedica o melhor de sua vida para formar o seu conhecimento, aquela juventude que quer ser capaz de assumir as rédeas do amanhã, e não a juventude que quer apenas ser uma massa de manobras de políticos demagógicos e mal-intencionados, uma juventude de agitação, mas sim uma juventude construtora, realizadora, uma juventude que lance para história da humanidade os maiores nomes e os maiores vultos..."

Eis o meu conselho. Eis o meu pedido.

________________________________________________________________ Artigo redigido em 20 de Janeiro de 2003.

Última modificação em Domingo, 01 Setembro 2013 13:43
Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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