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14 Jul 2005

Queimem a Daslu!

Escrito por 

Depois de meses de hostilidade aberta de uma parcela da mídia e dos indigentes intelectuais da Esquerda retrógrada, o Palácio de Inverno dos Czares, digo, a Daslu, caiu.

Depois de meses de hostilidade aberta de uma parcela da mídia e dos indigentes intelectuais da Esquerda retrógrada, o Palácio de Inverno dos Czares, digo, a Daslu, caiu. Para essa canalhada, o episódio reveste-se de cores heróicas, épicas. É a “luta contra a desigualdade social” levada às manchetes e ao horário nobre da TV. É mais um sinal de que a nossa esquerda ou sofre de esquizofrenia aguda, ou de uma hipocrisia das mais abismais. Possivelmente, ambos.

A parcela da Esquerda que quer a Daslu como “símbolo das desigualdades sociais” é exatamente a mesma que faz de conta que não viu o mensalão, a movimentação bancária de Marcos Valério (algo como 1,5 bilhão de reais em dois anos), ou o abrangente esquema de propinagem e extorsão montado por membros do “governo democrático, popular e de esquerda” no coração da República (e que acusa de “golpe branco” qualquer tentativa de investigar o mar de lama que brota dos porões de lama do Palácio do Planalto); que quer nos fazer crer em 50 milhões de famintos em um país com mais de 40% da população acima do peso; que tenta nos vender que se tivéssemos uma distribuição de renda mais equilibrada seríamos uma Suécia, fazendo de conta que não vê que a nossa renda per capita é quatro ou cinco vezes menor do que a de qualquer país desenvolvido, e que o maior responsável pela concentração de renda é o próprio Estado, inchado, ineficiente, pratimonialista, confiscador e gerador de privilégios; que nos quer fazer crer que certas máquinas de sugar dinheiro público, como o MST ou as centrais sindicais, são “movimentos da sociedade civil organizada” e não meros aparelhos de uma ideologia falida; que deseja nos falar das delícias do socialismo democrático (algo parecido com uma prostituta virgem) ao mesmo tempo que defende que os 50 anos de ditadura em Cuba são culpa do “imperalismo ianque”, e não do tirano Fidel Castro e seus asseclas e propagandistas (entre os quais essa turma está naturalmente incluída).

É também a mesma claque que quis vender ao país a idéia de que o messias operário estava a caminho para corrigir com uma passe de “vontade política” (também conhecida como mágica) mais de cinco séculos de iniquidades. E que, quando o messias operário voltou a ser o que sempre foi na verdade (um sapo barbudo), passou a reclamar da “traição às bandeiras históricas” da Esquerda, sem atinar a dois fatos essenciais: primeiro, que a atual quadrilha que está no poder seguiu rigorosamente aquilo que sempre realmente prometeu, ou seja, colocar uma tropa de ocupação no governo e garantir a boquinha dos companheiros; e segundo, que as “bandeiras históricas da Esquerda” não têm a mais remota ligação com a realidade, são produto de um misto de fantasia com esquizofrenia e indigência intelectual, e jamais poderiam ser implantadas por governo algum, em tempo algum.

Pois é essa turminha de viúvas do PT “ideal” (aquele construto idealizado pelos pseudo-intelectuais esquerdistas, discípulos de Sartre, Gramsci, Adorno e outros, que jamais teve a menor relação com o PT real, mas que foi sistematicamente vendido à sociedade como o produto verdadeiro) que agora quer crucificar a Daslu e a sua dona. Ávidos por um pouco de quebra-quebra de classes (talvez decepcionados porque Lula, no governo, mostrou que é realista – e esperto – o suficiente para se manter bem longe dos seus conselhos destrambelhados), eles desejam que a loja, reinagurada alguns meses atrás, seja o “símbolo” da desigualdade social. E o governo, por meio de seu Inquisidor-mor, Márcio Thomás Bastos, e seu braço “investigativo”, a Polícia Federal (a mesma que até hoje não achou razão para fazer uma visitinha sequer a Waldomiro Diniz, nem foi capaz de ajudar a desvendar o mistério do assassinato do prefeito Celso Daniel, ou explicar os seis outros cadáveres conectados ao caso que apareceram em Santo André após a morte do prefeito), decidiu fazer da Daslu um “exemplo” e deixar essa turminha feliz (já que implantar as idéias deles onde interessa, na economia e na política, nem pensar). Esquema holywoodiano, duzentos e cinquenta policiais para prender a dona da Daslu (que deve ser, além de empresária, uma ninja assassina armada com frascos de Chanel n. 5 explosivos e outros truques letais para justificar tamanha operação), a cadela burguesa na cadeia. Pois no fim das contas, assim como os generais da ditadura, parece que essa esquerda retrógrada acredita que a forma correta de resolver os problemas sociais é cadeia e polícia. A diferença é apenas quem vai para o xilindró.

Não sei se a Daslu cometeu crime de sonegação fiscal. Se cometeu, os responsáveis devem naturalmente ser punidos. Mas só um cego não vê a óbvia motivação política da operação desencadeada pela Polícia Federal. O objetivo era oferecer um show midiático, lançar uma “representante da burguesia” nas mandíbulas do leão da opinião pública sedenta de sangue. Era oferecer satisfação primal aquele que é, na realidade, o único sentimento motivador da hostilidade que a Daslu agora enfrenta: inveja.

Sim, meus caros, inveja. Não existe outro nome. A favela que fica ao lado da Daslu (e que tão frequentemente é citada por essa turminha como “exemplo” da desigualdade social) já estava lá antes da loja existir. Se a Daslu desaparecesse da face da Terra hoje, ela continuaria lá, intocada. Os produtos caríssimos que são vendidos na Daslu continuariam não sendo acessíveis para a imensa maioria dos brasileiros; a única diferença é que os que compram hoje na Daslu da marginal Pinheiros passariam a comprar ocasionalmente em Paris ou Nova Iorque. Os funcionários das lojas da Champs Elyseés e da Fifth Avenue certamente agradeceriam. Os mil trabalhadores diretos da Daslu, por sua vez, iriam engrossar as filas de desempregados em São Paulo. Afinal, mil desempregados a mais, mil a menos, quem vai notar? Os favelados vizinhos da Daslu, que se não foram beneficiados pela loja, tampouco foram prejudicados, vão certamente se sentir muito melhor porque tanta gente bonita, bem-nutrida, bem-vestida, educada e de carro novo assumiu a “causa” deles e lutou contra aquela mácula de iniquidade ao lado dos seus lares. O importante são os “símbolos”. É lutar contra o “sistema”, e de preferência, aproveitar para arrebentar com essa instituição burguesa chamada Estado de Direito.

Essa turminha que deseja sacrificar a Daslu no altar da ideologia não quer nada além de satisfazer seus desejos basais. Se pudessem, demoliriam a loja, tijolo por tijolo. Pegariam todos os Armani que achassem e fariam uma fogueira. Os mais exaltados secretamente sonham em usar de violência física contra a dona da Daslu, seus clientes, talvez até seus funcionários. Tudo para satisfazer seus sonhos doentios de revolução social. Na cabeça dessa gente, acabar com a Daslu vai de alguma forma servir a “causa”, vai acelerar a jornada rumo às suas utopias igualitárias malucas. Nascidos no século errado, no país errado, querem a Daslu como seu Palácio de Inverno, sua Bastilha, sua Cidade Proibida. E suas idéias delirantes naturalmente encontram abrigo junto à trupe que está no Planalto hoje, e que vê esses pseudo-intelectuais como inocentes úteis à “causa” (que não é outra além da perpetuação do partido e de Lula no poder). Claro que esses “intelectuais” não percebem, cegados que estão pela ideologia, que se um dia os seus sonhos coletivistas se realizarem, eles mesmos figurarão entre as primeiras vítimas do novo regime. É da natureza da Revolução devorar seus filhos e criadores.

Então digo: aproveitem a chance que esse governo lhes dá e queimem a Daslu! Certamente nada vai acontecer com vocês, porque já ficou claro como o governo decidiu tratar a sociedade: aos amigos tudo, aos inimigos a lei. Taquem fogo em tudo! Não deixem pedra sobre pedra! Apaguem a Daslu da face da Terra! E depois vão para casa com a sensação de dever cumprido, aquele sentimento gostoso de ter feito a coisa certa pela “causa”. Junto com aquela sensação marota de ter transgredido as regras, de ter participado de uma aventura. Mais um passo na luta pela sociedade mais justa, mais fraterna e mais humana.

E enquanto isso, os favelados vizinhos da Daslu se viram com a fumaça e a fuligem dos Armani incinerados invadindo seus barracos e acabando com as roupas limpas que estavam no varal.

Última modificação em Domingo, 01 Setembro 2013 13:43
Luiz Antonio Moraes Simi

Bacharel em Administração pela Universidade de São Paulo, tem sua experiência profissional concentrada nas áreas de finanças e controladoria. Atualmente reside em Munique, onde trabalha com projetos para a área de exportação de uma grande companhia alemã. Um seguidor do liberalismo clássico e da Escola Austríaca de Economia, acredita em livre mercado, liberdade individual, pluralismo político e direitos individuais inalienáveis. É colunista dos sites Capitólio.org e Liberdade Econômica, e mantém um blog, "Livre Pensamento", dedicado à discussão da doutrina liberal.

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