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13 Jul 2005

Paralelas

Escrito por 

Será Lula um Hitler inacabado? Ocidente e Oriente. Um belo artigo, dois temas.

Comprei o primeiro volume da reedição do livro de Joachim Fest, HITLER (Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 2005). Eu o li há muitos anos, precisava relê-lo, eu que vejo muitos paralelos entre a sua figura pública inicial e a encarnada por Lula, exceto por alguns detalhes essenciais. Não hesitei em comprá-lo assim que o tive ao alcance da mão. Vi também o belíssimo filme baseado no autor, A QUEDA - AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER, terrificante final de um Lúcifer encarnado e tão artisticamente retratado por Oliver Hirschbiegel, brilhante diretor.
 
Será Lula um Hitler inacabado? Talvez. A História continua, seu tempo não passou. Mas o Brasil não é Alemanha e nem a sua vontade de potência equivalente à sua versão teutônica. Essencialmente o que separa ambas as personalidades é a determinação (ou a falta de) de ir às últimas conseqüências, de matar inimigo reais e imaginários, de ir à guerra de conquista, de ousar imaginar-se o centro de um império mundial num momento em que os impérios declinaram. Lula é por demais um jeca para pensar o mal de forma tão grandiosa e operística. Mas não teria sido Hitler um jeca também? No mais, têm o mesmo carisma, a mesma falta de escrúpulos, a mesma falsificação teatral que abusou da democracia para pô-los no centro de poder.
 
As recentes denúncias de corrupção só provam que o despudor é equivalente e que a claque que o acompanha se move pela mesma atração que o poder e o dinheiro exerceram sobre os asseclas de Hitler. O socialismo, diga-se de passagem, é o mesmo, sem o recheio nacionalista e anti-semita, mas de corte internacionalista e terceiro-mundista, dando forma às aspirações das forças constitutivas do Foro de São Paulo, que recentemente encerrou mais um congresso na mesma cidade. O Foro saiu das trevas porque não mais podia ser ocultado, esse concílio de revolucionários Latino-americanos.
 
A crise política instalada com as denúncias de corrupção seria o pretexto ideal para um fechamento de regime, uma radicalização, a realização da democracia direta capitaneada pelo maior dos demagogos do Brasil, passando por cima das Instituições. Mas Lula não cruzou a linha vermelha, talvez contrariando os conselhos do seu círculo íntimo. Foi incapaz de dar a grande ordem. Sacrificou seus fiéis companheiros de empreitada, como José Dirceu e José Genoino, no altar do realismo político. Sua intervenção na cúpula partidária, agora recheada de ex-ministros, fez os movimentos defensivos necessários para manter as aparências, mas na direção inversa da busca do poder autocrático. Melhor assim.
 
 
*****
 
O ataque dos terroristas sobre Londres não deixa qualquer dúvida de que está em marcha um choque de civilizações, parecido com o que houve na Idade Média. A diferença é que os meios de luta são muito diferentes e o ataque tem ido feito, até o momento, de forma unilateral pelo Islamismo. A assimetria de poder é óbvia e o Ocidente reluta em revidar. O caráter supostamente pacifista das massas muçulmanas, em contraste com as suas vanguardas combatentes, é só aparência. Mais do que nunca o Islã tem motivos para se mover contra o Ocidente nessa guerra pouco santa. Explico-me.
 
Com os meios de comunicação atuais a simples existência do Ocidente, com suas riquezas, suas liberdades e, sobretudo a igualdade alcançada por suas mulheres é inaceitável para o Islamismo em sua essência. Morrerão, ou matarão, mas não deixarão suas mulheres sem véus e, os mais liberais, sem suas roupas tão antiquadas, ainda que com o rosto à mostra. Com a Internet, então, o modo de vida ocidental deve levar seus tradicionalistas ao paroxismo da irritação, exibido que é sem qualquer filtro, com seus excessos, para o bem e para mal.
 
Na vejo essa divisão no islamismo, entre radicais e moderados. Um amigo, mais realista, escreveu-me dizendo que os moderados são radicais hibernando. Ao Islã não creio ser possível a modernização, no sentido que alcançamos no Ocidente, de cultivar a liberdade, a democracia, a sociedade aberta, a plena igualdade entre os gêneros. Seus preceitos negam tudo isso. Sua existência depende do obscurantismo e da desigualdade instituída organicamente. O problema será quando o Ocidente enquanto tal retaliar as agressões. Está-se chegando no limite da tolerância. E se alcançarem a Praça de São Pedro? Ou algum sítio de relevo em Paris? Ou de novo em Londres e nos EUA? Tremo só de pensar o que pode acontecer a Meca, Medina e Teerã. O Ocidente, especialmente os ingleses e os norte-americanos, sempre foi implacável com seus inimigos. A Reconquista não foi tarefa pequena. Não haveria de ser diferente agora.
Última modificação em Domingo, 01 Setembro 2013 13:43
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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