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10 Jul 2005

Terror em Londres

Escrito por 

Poucas coisas me revoltam tanto quanto atos de terror. Nada justifica o ato
covarde e bárbaro de radicais, extremistas, seja por razões políticas ou
religiosas, de ceifar vidas, mutilar famílias, destruir lares, acabar com
sonhos.

"Não importa o que eles façam, é nossa determinação que eles nunca consigam destruir o que estimamos neste país e em nenhum lugar do mundo" Tony Blair

 

Poucas coisas me revoltam tanto quanto atos de terror. Nada justifica o ato covarde e bárbaro de radicais, extremistas, seja por razões políticas ou religiosas, de ceifar vidas, mutilar famílias, destruir lares, acabar com sonhos. Em mais uma manhã os terroristas fizeram suas vítimas ao atacar Londres. Como definiu de forma certa o primeiro-ministro Tony Blair, "um ataque não contra uma nação, mas contra todas as nações e as pessoas civilizadas".

A imagem dos principais líderes do mundo diante de Tony Blair expressa o pesar e a indignação do mundo civilizado diante da tragédia que se abateu na capital inglesa. Na noite anterior, após jantar com a Rainha Elizabeth II, todos estavam preparados para uma das mais importantes reuniões do G8. Depois da série de shows “Live 8”, que tentou mobilizar os líderes e sua agenda, tudo indica uma mudança de eixo, especialmente em razão do tema do momento ter se voltado para o terrorismo. Redução de subsídios, combate à pobreza na África, mudanças no clima, reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas e assistência humanitária eram os temas balizadores do encontro. Talvez o mundo perca uma importante oportunidade de discutir temas relevantes em razão dos ataques terroristas. O ponto basilar da discussão muda de acordo com as prioridades de cada uma destas nações.

A reunião do G8 se tornou um grande jogo de xadrez onde os personagens se movimentam com cuidado, dentro de uma estratégia definida, onde muitas vezes o movimento de uma partes pode ensejar avanços ou retrocessos em outras agendas, visto que todas aparecem entrelaçadas. Blair, anfitrião e presidente desta reunião, fornece o tom do debate e do discurso. Seu foco é África e subsídios, enquanto Chirac e Schroder pressionam em relação ao clima, contudo procuram manter uma posição defensiva no que tange ao sensível tema dos subsídios. Bush, que como Paul Martin, apóia a agenda de Blair, movimenta-se na questão relativa ao clima, como forma de ajudar o colega britânico. Assim, Silvio Berlusconi e Junichiro Koizumi podem se tornar peças importantes, especialmente para a efetivação da agenda, enquanto Putin observa todos os movimentos de forma atenta. Porém, antes do encontro, Londres foi atacada, e isto muda o cenário consideravelmente. A agenda do G8 foi reescrita depois do ataque.

O premiê britânico agiu corretamente. Não cancelou a cúpula, mesmo retornando a Londres para as decisões mais urgentes. Seu retorno à Escócia, sua terra natal, em tempo hábil para desenvolver a agenda do G8, serve como o primeiro contra-ataque aos terroristas: um de seus objetivos principais, paralisar a cúpula, não foi atingido. Se os terroristas, além disto, imaginavam intimidar os líderes, pressionando para que estes retirem suas tropas do Iraque, certamente este objetivo não será alcançado, pois Blair não é Zapatero. Espera-se o contrário, maior intensidade no combate ao terrorismo.

O resultado do maior ataque a Londres desde a Segunda Guerra Mundial, quando a cidade foi bombardeada pelos alemães, será mais profundo do que se imagina. Blair, outrora enfraquecido politicamente, se fortalece na posição de líder com respaldo para novas ações no combate ao terrorismo. Os líderes reunidos na Escócia puderam sentir de perto o susto do terror, assim, foi fornecida a senha para maior alinhamento e troca de informações e inteligência entre os grandes. A tolerância com os muçulmanos tende a diminuir Velho Mundo e políticas que combatem a imigração ilegal podem ser aplicadas com mais rigor. A Europa foi atingida de forma violenta.

Devemos repudiar esta forma baixa e desumana de imposição de dogmas, valores, ideologias e opiniões que é o terrorismo, lembrando das palavras de Tony Blair: "Aqueles engajados em terrorismo devem se dar conta de que nossa determinação em defender nossos valores e nosso modo de vida são maiores do que a determinação deles em matar inocentes em uma tentativa de impor sua visão ao mundo". Mundo deve apoiar e prestar sua solidariedade ao povo britânico.

Última modificação em Segunda, 02 Setembro 2013 09:28
Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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