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22 Jun 2005

"Nunca na História Desse País"

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A deputada Luciana Genro (PSOL-RS) lembrou bem que Dirceu sempre disse que nunca fazia nada sozinho, nada que Lula não soubesse.

Depois das denúncias de o Banco do Brasil comprar ingressos para shows que arrecadavam verbas para o PT; de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, ter conseguido blindagem de ministro para obter foro privilegiado depois das acusações de sonegação fiscal e remessa ilegal de dinheiro ao exterior; da estrela do PT no jardim do Alvorada; das reuniões eleitorais realizadas no Palácio do Planalto; de Romero Jucá, ministro da Previdência, estar envolvido em irregularidades na aplicação de dinheiro de empréstimo; de Lula dizer que o brasileiro “não é capaz de tirar o traseiro de um banco para procurar juros menores”; do toma-lá-dá-cá para garantir maioria no Congresso e garantir a reeleição do presidente e de que o PT teria contas em Miami etc, veio Roberto Jefferson (PTB-RJ) e o “mensalão”.

A bomba estourou em cheio no PT. Mas Dirceu só deixou a Casa Civil depois que Jefferson disse que o ex-ministro é o chefe do maior esquema de corrução de que ele já viu e que Dirceu deveria deixar o governo para não transformar Lula em réu. Mais estranho é que após uma reunião entre caciques petistas foi resolvido que Delúbio Soares, tesoureiro do PT, e Sílvio Pereira, secretário-geral do partido, acusados de participação intensa no esquema, continuarão em seus cargos. O presidente do PT, José Genoino, e José Dirceu, são os responsáveis pela decisão. Genoino disse que as explicações foram convincentes. Muito convincentes mesmo, ainda mais depois que os dois disseram que não aceitariam “pagar o ônus da crise sozinhos”. Para bom entendedor, um f e um risco é Francisco.

Jefferson contou no “Roda Viva” que Silvio Pereira tinha sala no quarto andar do Palácio do Planalto e que usava a infra-estrutura do governo para negociar com a base aliada. Questionado por jornalistas sobre a veracidade do relato Jefferson metralhou: “O Silvinho despachava lá todo dia. Essas coisas são inegáveis. Será que eles (PT) pensam que vão apagar tudo? Todo mundo viu. Será que vão partir para essa linha tão infantil?” A indignação aumentou quando Jefferson disse que quando o Brasil parar para examinar o que acontece nos fundos de pensão, acontecerá uma “grande explosão”.

Sem esquecer da denúncia em que Valdemar Costa Neto, presidente do PL, estaria metido em um suposto esquema de contribuição ilegal para a campanha de Lula à Presidência da República com dinheiro do governo de Taiwan, agora vem Dirceu dizer que tudo é uma “conspiração das elites contra o governo do PT”. E João Pedro Stédile (MST) de que as denúncias do “mensalão” são “factóides” e que tudo isso nada mais é do que um “movimento golpista” da Casa Branca realizado pelo PSDB e PFL, com apoio da mídia. Era o que faltava: a culpa é do Bush!

Já o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), é acusado por Ildo Sauer, companheiro de partido, de dar um prejuízo de mais de R$ 2 bilhões quando esteve à frente da diretoria de Gás e Energia da Petrobrás.

Depois de tudo estava pensando onde estão os homens trabalhadores desse País que não têm sobre eles qualquer dúvida em relação ao seu caráter, sua moral e sua honestidade. Onde estão os jovens, sem políticos astutos por detrás de suas idéias, com indignação e vontade de mudar este quadro macabro? Nisso passei em frente a tevê e vi o grande encontro musical entre a Banda Calypso e Bruno e Marrone. Cadê as inspirações poéticas de protesto de Gilberto Gil, Chico Buarque e Cia.? Ah, não, isso funcionava apenas nos anos de chumbo. Nos anos socialistas a moda é fechar os olhos e, principalmente, a boca.

Vinte e cinco anos posando de arauto da transparência e da ética na política e pouco mais de dois anos no poder, já se pode ver o que vem por aí a respeito do PT. E Lula ainda teve coragem de dizer: “ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética do que eu para fazer o que precisa ser feito nesse país”. Parece ter esquecido que morou de graça por mais de dez anos em apartamento cedido pelo advogado Roberto Teixeira em São Bernardo do Campo. Segundo o jornalista Ricardo Noblat, Lula entrou pessoalmente em um negócio de Teixeira para salvar a falida Transbrasil.

A deputada Luciana Genro (PSOL-RS) lembrou bem que Dirceu sempre disse que nunca fazia nada sozinho, nada que Lula não soubesse. Ou Lula, a exemplo de vários ministros, do Congresso e do Senado já sabia do “mensalão” e não fez nada para “cortar da própria carne” antes de as denúncias virem a público e prevaricou, ou nosso presidente - o único inocente de Jefferson - é um perfeito alienado, ou muitas explicações ainda devem vir de Lula, ao invés de ficar batendo na tecla marketeira do “nunca na história desse País”...

Última modificação em Segunda, 09 Setembro 2013 20:04
André Plácido

André Arruda Plácido nasceu em Pirajuí (SP) e é cidadão português. Reside em Londrina (PR) onde graduou-se em Relações Públicas e Teologia. Em Bauru (SP) concluiu o curso de Jornalismo. Fez especialização em Comunicação e Liderança em Missões Mundiais pelo Haggai Institute em Cingapura. É professor de comunicação, poeta, radialista, cronista e fotógrafo.

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